Voltar à Página da AGB-Nacional
                                                                                            

   

 

X SIMPÓSIO BRASILEIRO DE GEORAFIA FÍSICA APLICADA

 

 

 

 

IMAGENS DE SATÉLITES E MAQUETES:PRODUÇÃO E USO

 

 

 

Manoel Ricardo Simões

Faculdade de Formação de Professores – UERJ-FFP

 

 

 

 

Palavras-chave: Imagens de satélite; Maquetes; Cartografia

Eixo: 1.- Aplicação da geografia física ao ensino

Sub-eixo: 1.1.- Ensino Fundamental e Médio

 

 

 

 

Introdução

 

A maquete é um instrumento didático de grande importância no processo de ensino-aprendizagem de Geografia, pois permite múltiplos usos. A sua principal utilidade é recriar, numa escala grande, as formas de relevo presentes na Natureza. Todavia, muitas vezes os alunos não conseguem fazer a ligação entre as formas representadas em três dimensões e o mapa, bidimensional, a partir do qual esta representação foi construída. Assim, temos uma desconexão entre duas formas de representar as formas do relevo.

Esta dificuldade que a maioria dos alunos, em qualquer nível, possui, advém da dificuldade de compreender o conceito e o objetivo da representação da altimetria sob a forma das curvas de nível. Quando esta altimetria é representada através de cores hipsométricas as dificuldades são menores, mas não desaparecem. As maquetes tradicionais ajudam, mas não resolvem o problema, pois na maioria das vezes, não possuem a mesma legenda que existe nos mapas.

A maquete é um instrumento didático de grande importância no processo de ensino-aprendizagem de Geografia, pois permite múltiplos usos. A maquete produzida a partir de imagens de satélite é uma tentativa de criar, numa escala reduzida, uma representação do relevo e da ocupação humana mais próxima do real.

As técnicas utilizadas para a produção de maquetes a partir de imagens de satélite são praticamente as mesmas que se utilizam para produzir as maquetes tradicionais. As diferenças ficam por conta do material empregado e, principalmente, no acabamento.

Para se elaborar a maquete é necessário definir qual é a área a ser representada. Depois é necessário ter acesso à imagem de satélite e à(s) folha(s) topográfica(s) ou mapa(s) da área.

 

A maquete tradicional

 

A maquete é uma representação, em escala reduzida, das formas de relevo existentes na natureza. Consiste na reprodução, em três dimensões, da representação destas formas através de mapas ou cartas. Quanto mais detalhado for o mapa, mais detalhada será a maquete.

A técnica de produção de maquetes é extremamente simples. No caso de representação em curvas de nível, é preciso ter tantas cópias do mapa, quantas forem as curvas de nível. Senão, é necessário redesenhar cada curva de nível. Num segundo momento recorta-se cada curva e cola-se num material que dê a sensação de altura, em geral isopor.  Depois, cola-se uma sobre as outras e faz-se o acabamento, em geral, cobrindo a maquete com papel maché, gesso, massa plástica ou similar, para eliminar as descontinuidades entre as curvas de nível. Por ultimo, pinta-se a maquete, tentando reproduzir a legenda do mapa original.

O resultado é que, embora seja bastante útil, a maquete tradicional acaba tendo seu uso limitado por e acaba não cumprindo os objetivos aos quais se propõe.

 

A maquete produzida a partir de imagens de satélite

 

Este tipo de maquete possui objetivos bem definidos. Ela é produzida com o intuito de representar a altimetria contida nas imagens de satélite, sob a forma de curvas de nível, de maneira a permitir a apreensão desta forma de representação. Ao mesmo tempo, permitir a visualização das informações planimétricas contidas na imagem original. Em suma, é uma imagem em três dimensões. No entanto, nada impede que ela tenha outros usos para diferentes enfoques.

Este tipo de representação se torna possível pelo material utilizado na produção da maquete. Antes de detalhar estes materiais e a técnica utilizada neste processo de produção, é necessário deixar claro algumas coisas.

Em primeiro lugar, esta técnica nasceu espontaneamente, através de um processo de "ensaio e erro" e não como fruto de uma pesquisa apurada sobre formas de representação. Ela desenvolveu-se no processo de busca de formas de representação que permitissem aos alunos de um curso técnico de nível médio compreender a representação da altimetria em forma de curvas de nível. É resultado, portanto, de uma solução improvisada de um professor que buscava superar uma dificuldade específica no cotidiano da sala de aula. Até mesmo os materiais alternativos utilizados, foram descobertos "por acaso" e utilizados a partir de sugestões e palpites de outras pessoas e algumas vezes por acidente mesmo.

Em segundo lugar, não existe a pretensão de substituir as técnicas e formas tradicionais e de alta tecnologia que possuem objetivos diferentes dos propostos aqui. Muito menos há por parte do autor, a intenção de "revolucionar" a produção de maquetes. O objetivo explícito e único desta técnica é ser uma alternativa de representação da altimetria sem per perder as informações da planimetria. Existe, também, um objetivo estético. Deixando a modéstia de lado, estas maquetes são realmente bonitas e interessantes de se olhar.

 

O processo de produção das maquetes a partir de imagens de satélite

 

As técnicas utilizadas para a produção de maquetes a partir de imagens de satélite são praticamente as mesmas que se utilizam para produzir as maquetes tradicionais. As diferenças ficam por conta do material empregado e, principalmente, no acabamento. Neste item vamos explicar passo a passo o processo de produção das maquetes.

 

Primeiro passo

            A escolha da área – antes de mais nada, é necessário definir qual é a área a ser transformada em maquete. Depois é necessário ter acesso à(s) imagem(s) da área e que contenha as curvas de nível. Em geral temos produzido maquetes nas escalas de 1/50.000, 1/25.000 e eventualmente, 1/250.000 ou 1/400.000. Depende da finalidade a que a maquete se destina após ficar pronta.Caso não haja imagem com curvas de nível, é necessário plotá-las digitalmente ou analogicamente.

 

Segundo passo

 

A definição da escala vertical – para que a maquete tenha uma forma semelhante às encontradas na natureza é necessário que a escala vertical, ou seja, a altura da maquete, esteja proporcional a escala horizontal. Para melhor escolher esta escala é necessário fazer perfis em várias escalas para verificar qual é a mais adequada, para não correr risco de haver um exagero vertical ou, pelo contrário, um “esparramento” das elevações. A experiência tem demonstrado que em escalas horizontais de 1/50.000 o ideal é uma escala vertical de 1/40.000, ou seja, uma altura de 1mm é igual a 40 metros, que é a utilizada na maquete em exposição.

 

Terceiro passo

 

A preparação do material – o material a ser utilizado é relativamente simples de se encontrar. Antes de tudo é preciso verificar quantas cópias da imagem serão feitas. É necessária uma cópia para cada curva de nível, assim se tem menos trabalho. As cópias devem ser em fotocópias coloridas. As cópias coloridas custam cerca de 15 a 20 vezes mais que as P&B, mas possuem a vantagem de serem muito mais bonitas e eficazes. Para minimizar os custos pode se utilizar a mesma cópia colorida para várias curvas de nível, isto dá mais trabalho e o resultado pode ser de qualidade inferior, caso não haja muito cuidado na hora de cortar e colar. São necessários, ainda:

 

  • uma lapiseira de grafite mole (2B ou 6B) 0,5 mm

  • tubos de cola de isopor (transparente)

  • tesoura fina (de cotar unhas de bebê, de preferência).

  • uma ou duas placas de isopor de 10 a 20 mm (para a base)

  • alguns metros de Indofoam que varia de 0,5 a três mm (uma espécie de manta acrílica que recobre aparelhos de som e TV)

 

Quarto passo

 

Redesenhar as curvas de nível – Após definir a área a ser representada é necessário redesenhara s curvas de nível passando a lapiseira ou lápis em cada curva, uma curva em cada cópia (ou no máximo quatro curvas*) de maneira a tornar mais nítida a curva que será recortada posteriormente.

(*) no caso de cópias coloridas pode se marcar até quatro curvas em cada cópia, para baratear os custos. No entanto as curvas devem estar afastadas pelo menos uns três ou quatro centímetros umas das outras.

 

Quinto passo

 

Colar a base – a carta a ser representada deve ser colada numa folha de indofoam e a seguir colada numa placa de isopor, pois a demais chapas de cada curva serão coladas nesta base. Deve e deixar espaço nas laterais ou abaixo da carta para colocarmos a legenda ou outras informações.

 

Sexto passo

 

Colar as cópias no indofoam – Após redesenhar cada curva é necessário prepará-las para o corte. Para isso faz-se um recorte grosseiro em torno da curva deixando mais ou menos um cm de sobra do papel. A seguir, passa –se cola na cópia, com o cuidado de não encharcar para não molhar a cópia e desmanchar o papel ou por cola de menos e o papel começar a descolar do indofoam. A seguir cola-se a cópia de papel no indofoam e espere-a secar.

 

Sétimo passo

 

Recortar as curvas de nível – após ter certeza de que a cola está seca passa a tarefa de recortar as curvas de nível. Basta seguir a curva que está marcada com o grafite, recortando exatamente em coma da curva não deixando nenhum espaço de papel para fora ou cortando por dentro. Quanto mais bem feita for essa etapa, menos problema você terá na hora de colar a chapa cópia-indofoam na base.

  

Oitavo passo

 

Colando as chapas na base – depois de recortar a curva de nível você terá uma chapa de papel e indofoam colados. Passe cola na parte de trás, no indofoam, tomando os mesmo cuidados da etapa anterior de colagem e coloque na base, exatamente em cima da curva que você recortou. Quanto mais precisão nesta etapa mais bonita e perfeita será a sua maquete. Repita este processo para cada curva, quando as peças a serem cortadas se tornarem pequenas, passe a trabalhar em sub-áreas dentro da maquete, pois os pedaços pequenos são muito parecidos uns com os outros e se você se distrair nunca mais vai achar onde é que você deve colar tal pedacinho.

 

Nono passo

 

O acabamento final – Após colar todas as curvas e o último pedacinho de curva, você deve cobrir a maquete com a cola de isopor, despejando lentamente e ajeitando com o dedo ou pincel para não formar bolhas ou excessos de cola. Com esta técnica você protege a maquete e dá um efeito visual muito bonito, pois a maquete vai parecer “vitrificada”, como se tivesse sido coberto com uma camada de plástico ou vidro.

 

Conclusão

 

Se você seguiu estes passos corretamente agora tem uma bonita maquete que pode ter diversos usos e permitirá a jovens e crianças terem noção do que é a representação do altimetria através das curvas de nível. O ideal é produzir mecanismos de proteção da maquete, pois com o tempo a poeira e a umidade causam danos à maquete, assim causam aos livros e mapas. O mais prático é colocá-la numa chapa de eucatex e fazer uma caixa com uma cobertura leve. Deve se ter o cuidado de não fazer algo pesado, pois uma das grandes vantagens deste tipo de maquete é o fato de serem extremamente leves, o que permite o transporte de uma sala de aula para outra sem nenhuma dificuldade.

            Agora só nos resta convidá-los para ver e tocar na maquete, pois é impossível descreve-la com palavras, ou mesmo com fotografias e imagens. É um material didático feito para ser visto e tocado e admirado.