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X SIMPÓSIO BRASILEIRO DE GEOGRAFIA FÍSICA APLICADA

 

ESBOÇO DOS DOMÍNIOS MORFOCLIMÁTICOS E FITOGEOGRÁFICOS DO PARANÁ COMO CONDICIONANTES DA PAISAGEM

 


Valdem
ir Antoneli(vdantoneli@pop.com.br)¹
Jaime Sergio Frajuca Lopes(
frajuca@pop.com.br)¹
Nelson Douhi(nelsondouhy@pop.com.br)²



 

 ¹Faculdades Campo Real;

²Mestrando pela Universidade Estadual de Maringá, Geografia – análise Regional e Ambiental - Capes.



UEM - CAMPUS UNIVERSITÁRIO




Palavras-chave: Aspectos físicos, condicionantes, paisagem.
Eixo 1: Aplicação da Geografia Física ao Ensino.

Sub-eixo 1.1: Ensinos Fundamental e Médio.




1. Introdução

 

O clima, a estrutura geológica, o solo, a vegetação e a hidrografia, são interdependentes e condicionam a formação de tipos distintos de paisagens naturais. Estas são modificadas por ações antrópicas, num processo rápido, e pela ação natural, num processo lento.

Existem duas dificuldades para dividir um território em paisagens naturais: os limites de cada um dos elementos que as constitui as e o fato de não existirem regras gerais para se dividir um território em paisagens naturais. A primeira dificuldade foi solucionada considerando-se a existência de áreas de transição, que são faixas de terra em que não há unidade dos elementos naturais. A segunda dificuldade foi solucionada abandonando-se o termo “zona” (ligado à latitude) e adotou-se o termo domínio, que consiste num conjunto natural em que há interação entre os elementos e um deles é determinante, seja o relevo, o clima ou a vegetação.

Assim sendo, o Brasil possui seis paisagens naturais principais: Domínio Amazônico, Domínio do Cerrado, Domínio dos Mares Mortos, Domínio da Caatinga, Domínio da Araucária e Domínio das Pradarias. Entre esses seis domínios implantam-se inúmeras faixas de transição.

O elemento mais característico e que marca mais a paisagem com sua presença é a vegetação. Na realidade, os elementos que melhor explicam o conjunto são de fato o clima e o relevo, pois, são praticamente as causas dos demais.

Contudo, a vegetação constitui uma espécie de súmula da paisagem, pois uma vez que é o elemento mais frágil e dependente dos demais, o fato de haver uma vegetação aproximadamente homogênea numa região implica que há também unidade entre os outros elementos da paisagem natural.

Quanto à estrutura geológica, esta têm uma influência restrita nos seis domínios brasileiros, pois em nenhum deles existe certa igualdade quanto a esse elemento: os domínios tanto podem conter fragmentos de escudos cristalinos como bacias sedimentares. Isso é explicado pelo fato dos domínios morfoclimáticos serem recentes quando comparados à estrutura geológica.


2. Geologia

 

A superfície do estado pode ser separada em duas porções, determinadas pela presença de rochas muito antigas ou pela ocorrência de rochas mais novas em acordo com o Atlas geológico do Paraná, ( 2001).


2.1 - Na Bacia do Paraná três conjuntos litológicos podem ser individualizados.


2.1.1 - Paleozóico –
Diz respeito aos depósitos sedimentares paleozóicos, correspondentes à grande feição de sedimentação marinha e litorânea conhecida como Bacia do Paraná, que se estende por mais de 1.500.000 km2 no sul e sudeste brasileiro e se manifesta geomorfologicamente no Segundo Planalto.


2.1.2 - Mesozóico –
Constituído por rochas sedimentares de origem continental, de idade triássica, e por rochas ígneas extrusivas de composição predominantemente básica de idade jurássica-cretácea, responsáveis pelas feições do Terceiro Planalto Paranaense. Os últimos eventos de grande expressão na coluna estratigráfica no final do Cretáceo são os depósitos sedimentares de ambiente continental árido, representados pelos sedimentos arenosos do noroeste do Estado.


2.1.3 - Cenozóico –
Formado por sedimentos inconsolidados, de origem continental e marinha, recobrem parcialmente as unidades acima descritas.


2.2 - No Escudo ocorrem quatro conjuntos litológicos ou compartimentos, definidos com base em parâmetros estratigráficos, tectônicos e geocronológicos.


2.2.1. Arqueano e Proterozóico Inferior –


Terrenos cristalinos de alto grau metamórfico (fácies anfibolito a granulito).
2.2.2.Proterozóico Superior –


Terrenos cristalinos de baixo grau metamórfico (fácies xisto verde a anfibolito), que afloram principalmente na porção norte-noroeste do Primeiro Planalto Paranaense.


2.2.3. Proterozóico Superior ao Paleozóico Inferior –
Representado pelo magmatismo ácido, durando, com interrupções, até o começo do Paleozóico.


2.2.4 Paleozóico –
Bacias vulcano-sedimentar e sedimentar restrita, formadas no Ordoviciano, durante a transição entre o final do Ciclo Brasiliano e a cratonização da Plataforma Sul-Americana, ao final das atividades orogênicas.
 



Figura 1 – Esboço Planialtimétrico-geomorfológico

Fonte: Camargo J. B. de, 1999.


3. Clima

 

Em conseqüência de fatores variados, a diversidade climática do território paranaense é muito grande. Dentre eles, destaca-se a fisionomia geográfica, a extensão territorial, o relevo e a dinâmica das massas de ar. Este último fator é de suma importância porque atua diretamente tanto na temperatura quanto na pluviosidade, provocando as diferenciações climáticas regionais. As massas de ar que interferem mais diretamente são a equatorial (continental e atlântica), a tropical (continental e atlântica) e a polar atlântica.

Com a intervenção direta destes fatores, Maack, (1981) definiu quatro tipos climáticos predominantes no Paraná, diferenciados pela localização do Estado, pelas temperaturas, e os ciclos de chuva. No litoral, predomina o clima tropical super-úmido Aft (t), sem estação seca. Nas regiões norte, oeste e sudoeste predomina o clima subtropical úmido mesotérmico (Cfa), com verões quentes, sem estação seca, com poucas geadas. Na região noroeste predomina o clima Cfa (h) com invernos secos. Na região de Curitiba, nos campos gerais e sul, ocorre o clima (Cfb) com verões brandos, sem estações secas e ocorrem geadas severas. (Figura 2)




Figura 2 - Distribuição climática no Paraná
 

4. VEGETAÇÃO

 

A distribuição da vegetação no Estado do Paraná é bastante influenciada pela diferenciação dos quatro principais tipos climáticos do Estado, com certas diferenciações nas regiões altas e marginais. Camargo, (1999). Os principais tipos de vegetação que ocorrem no Estado são:

4.1 MATA TROPICAL

 

Também conhecida por floresta latifoliada tropical, estende-se ao longo do planalto Atlântico (parte interior), penetrando mais profundamente no interior dos estados de São Paulo e Paraná. Seu aspecto primitivo é de uma mata imponente, com árvores de até 30 metros. Algumas espécies; peroba, pau d`alho, figueira, cedro e palmito em grande quantidade. Entretanto, esta bela e rica vegetação primitiva encontra-se hoje em dia quase totalmente devastada, principalmente nas áreas de terra roxa, que foram ocupadas com o café e outras culturas, nas áreas de extração de madeira e lenha para fins comerciais etc.


4.2 MATA ATLANTICA

 

Também conhecida por floresta latifoliada tropical úmida de encosta, principalmente as escarpas voltadas para o mar. Trata-se de uma vegetação densa e exuberante, cuja existência está ligada ao relevo e a umidade, a ação devastadora do colonizador degradou-a violentamente, substituindo-a por áreas de cultivo, pastos, cidades, etc.

A exploração madeireira, as derrubadas e as queimadas têm sido praticadas de forma incessante, acarretando o desaparecimento de espécies vegetais raras e valiosas. Ainda assim, podemos notar a sua fisionomia exuberante em alguns trechos, serra do Mar.

A profusão de lianas, epífitas e palmeiras dá-lhe um caráter tipicamente tropical, sendo também uma floresta higrófila, perene, densa e rica em espécies.

 Espécies vegetais típicas; cedro, canela, ipê, jacarandá, jatobá, jequitibá, pau-brasil (quase desaparecido), palmeiras e orquidáceas.


4.3 MATA DAS ARAUCARIAS

 

A Mata das Araucárias, ao contrário da Floresta Amazônica, constitui uma formação aberta, homogênea, que permite facilmente a extração de madeiras (chamadas duras), as Araucárias, constituem a nossa única floresta subtropical, ou temperada quente. Essa formação é a floresta mais desmatada em nosso país quando da instalação dos imigrantes europeus para construção de suas casas. Entretanto, foi a zona pioneira em reflorestamento. Além do pinheiro-do-paraná (Araucária angustifolia) que é predominante, existem outras espécies de pinheiros, além de gramíneas e samambaias.

Sendo uma floresta subtropical mista, com ocorrência do pinheiro (Araucária angustifolia), estão associados a esta, outras espécies, como cedro, canela, imbuía, caviúna, erva-mate, etc.


A mata das araucárias caracteriza-se por ser uma floresta:
 homogênea (com poucas espécies);
 aberta e de fácil penetração;
 aciculifoliada

 

Sendo uma floresta homogênea, de fácil penetração e localizada próximo a grandes mercados consumidores, a mata dos pinhais tem sido muito explorada economicamente no país, atendendo tanto ao mercado interno (papel e madeira) como às exportações, sendo o estado do Paraná o maior produtor desta madeira de boa qualidade.


4.4 CAMPOS
 

Os campos aparecem em geral nas áreas de topografia suave, podendo apresentar-se de forma contínua (campos limpos) ou com a presença de arbustos isolados na paisagem, formando os chamados campos sujos, As principais áreas de campos são de Curitiba, de Ponta Grossa de Guarapuava, de Palmas.


4.5 MATA LITORÂNEA

 

Essa Mata encontra-se distribuída em três categorias: domínio de mangue, praia e jundu.

A primeira desenvolve-se nos fundos das baias ou dos estuários calmos dos rios litorâneos nos terrenos lodosos, apresentando um índice elevado de salinidade.

Surgem nessa zona Rhizophora Mangle, avultando principalmente a canapuva com raízes aéreas, que oferece uma madeira resistente e de fácil combustão, bastante empregada nos fornos das cerâmicas. Da casca se extrai o tanino, substância empregada na preparação de couros e na fixação de cores da anilina.

A segunda, a de praia, surge na linha de costa nas superfícies arenosas da planície litorânea, bem como nas cúpulas rochosas fora do alcance das marés. Nessa área predominam plantas peamófitas, halófitas, xerófitas e bromeliáceas, destacando-se entre elas a salsa de praia, o picão de praia, pinicum racemossum, piteira, orquidáceas e cactáceas.

A terceira desenvolve-se nos terrenos arenosos, com árvores lenhosas que se agrupam em forma densa e emaranhada, não ultrapassando os 30metros de altura. São representadas pelas mirtáceas, solonáceas e leguminosas espinhentas, bromeliáceas e cactáceas. Nesse domínio realçam-se os guanandis e a caxeta pela sua altura e seu valor econômico. O ganandi é empregado na confecção de postes em função de seu formato cilíndrico e ereto e a caxeta é muito utilizada na fabricação de lápis e caixas de charutos.


5. CARACTERIZAÇÃO DOS DOMÍNIOS PAISAGÍSTICOS PARANAENSES

 

Para tanto são considerados os elementos, geológicos, morfológicos e associados a estes os diferentes tipos de solos e vegetação. Percebemos que o Paraná por estar inserido em uma transição dos domínios climáticos tropical para o subtropical e por apresentar diferentes tipos de estruturas geológicas como: rochas graníticas, basálticas e sedimentares. Caracteriza-se num estado bem heterogêneo quanto às características morfológicas, tipos de solos e principalmente aos tipos de vegetação. Existem nos respectivos domínios variações desde florestas pluviais bem desenvolvidas a uma área de transição para o cerrado nas áreas com menores índices pluviométricos. No que se refere ao relevo o Paraná é formado por escarpas de estratos e planaltos que se declinam suavemente para W e NW caracterizando-se num relevo de “cuestas” distribuídos em 5 (cinco) regiões de paisagens naturais segundo MAACK (1981).


1. O Litoral;
2. A serra do Mar;
3. O primeiro planalto ou de Curitiba;
4. O segundo planalto ou de Ponta Grossa;
5. O terceiro planalto ou de Guarapuava

 

Ao evidenciarmos as paisagens, ficou claro que existe uma estrita relação entre os solos e a forma de ocupação, embora, não de forma totalmente unânime quanto à vegetação natural, mas se considerarmos as faixas de transição esta relação também se faz presente.

Os solos paranaenses têm em sua gênese influências diferenciadas do clima, da estrutura geológica e da morfologia, fatores que conjuntamente possibilitam ao Paraná uma variedade relativamente grande de solos. Muitos deles são considerados associações, em função basicamente do relevo que propicia diferentes influências dos fatores climáticos numa mesma estrutura geológica.

As diferenças pedológicas paranaenses em uma análise mais generalizada estão relacionadas principalmente ao clima e a estrutura. Ao analisarmos as regiões norte-noroeste do Paraná basicamente o terceiro planalto percebemos que existe o predomínio dos latossolos, da terra roxa atual “Nitossolo” em áreas de ocorrência de basalto e solos podzólicos (Figura 3) nas áreas de predomínio do arenito Caiuá. Já na região central o domínio do latossolo é substituído por uma variedade muito maior de solos principalmente os cambisolos, os solos litólicos, e solos podzólicos Nóbrega in Villalobos (2001).

Tais diferenciações são resultantes principalmente da mudança de regime climático, que na região do segundo planalto apresenta características subtropicais e da estrutura geológica, que é predominantemente de rochas sedimentares e metamórficas.

A região do Primeiro Planalto não apresenta muitas diferenciações em relação ao segundo planalto, somente algumas características são acrescentadas em relação às áreas com afloramentos rochosos na serra do mar e solos que ocorrem na planície litorânea.

Atualmente o que caracteriza melhor as paisagens é a forma de ocupação que se verifica em cada domínio, principalmente na ocupação agropecuária. Dentro dessa perspectiva é importante salientar que boa parte dos proprietários de terras já tem conhecimento sobre a distribuição dos solos em suas propriedades e principalmente, de como ele se distribui ao longo das vertentes, adotando dentro dessa ordem, tipos diferenciados de culturas e nos casos de vertentes com declividades mais acentuadas à implantação da pecuária.
 


Figura: 3 esboço dos tipos de solo segundo Nóbrega (2001)


6. Estudo de Caso: Francisco Beltrão; Prudentopólis


6.1 Características de Francisco Beltrão

 

O Município de Francisco Beltrão pertence ao terceiro planalto, tem uma área aproximada de 825 km2 caracteriza-se por ser uma região de derrame de lavas que estão localizados na parte sul do rio Iguaçu Segundo Maack, (1981) pertence ao plano de declive do planalto de “trapp” formando no setor paranaense à parte norte do divisor de águas de Iguaçu-Uruguai sendo o mesmo sobre o basalto. Segundo Ferretti, (1998) o clima vigente é classificado com temperado que, atuando sobre os basaltos da formação da serra geral de textura microscópica, coerentes e resistentes, caracterizou o traçado mais importante do relevo (foto 1), o tipo de solo predominante nesta área são os latossolos roxo.

 As características marcantes desta classe são; distribuição de argila relativamente uniforme ao longo do perfil; baixos teores de silte; baixa capacidade de troca de cátions e alto grau de floculação de argila, responsável pela pouca mobilidade destas e pela alta estabilidade dos agregados dos solos.

 

Foto: 1 vista parcial de Francisco Beltrão, onde a morfologia da vertente apresenta-se do escarpado para a planície do rio Marrecas..

 

Esta alta estabilidade, juntamente coma alta porosidade, boa permeabilidade e relevo suave ondulado, confere a esta classe de solos elevada resistência à erosão.

Segundo Lopes (2000) dentro das características da micro-região do sudoeste em particular Francisco Beltrão, apresentam solo de origem basaltica com uma variação que pode ser, do Latossolo com a formação de solos espessos e de grande fertilidade, mas, na suas grande maioria são Litólicos e terra roxa estruturada (Nitossolo), de intensa utilização agrícola, por está região se apresentar propensa ao desenvolvimento de minifúndio em função da sua declividade conforme podemos observar no quadro 1.
 

DECLIVIDADE

RELEVO

Até 8 %

Suave ondulado

9 a 20 %

Ondulado

21 a 45 %

Forte ondulado

Acima de 45 %

Montanhoso Escarpado

Quadro 1- declividade.Ferretti, (1998).

 

Como podemos observar no quadro 1 a maior parte da área estudada apresenta um declividade considerável, tais características e o tipo de rocha que encontramos nesta região, pode nos dar um parecer desta paisagem ( foto, 2) e o tipo de solo que podemos encontrar. Uma particularidade desta cidade no entendimento de Lopes (2000) esta na posição em que a mesma se desenvolveu em uma planície de inundação as margens do Rio Marrecas (foto, 2), onde a cidade é parcialmente atingida pelas águas em função períodos das cheias, sendo um agravante a questão da forma de uso e ocupação, onde a alteração da paisagem natural está em função do solo muito raso.
 


Foto 2 a ocupação nas margens do rio, ao fundo a paisagem se apresenta como suave ondulada.


6.2 Prudentópolis


6.2.1 Caracterização do município de Prudentópolis

 

O município de Prudentópolis corresponde a um espaço territorial de 2.461,58 Km², sendo o 3º maior município em extensão e o maior minifúndio paranaense. Conta com 46.323 habitantes IBGE (2000) com densidade demográfica de 18,81 hab./Km² distribuída de forma desigual, visto que características predominantes em partes do relevo do Município são relativamente desfavoráveis à ocupação humana. Limita-se a Norte com o Município de Cândido de Abreu, a Sul com os Municípios de Inácio Martins e Irati, a Oeste com Guarapuava e Turvo e a Leste com os Municípios de Guamiranga e Ivaí.

Encontra-se situado na região Centro Sul do Paraná, pertencendo ao extremo Oeste do 2º Planalto paranaense subdividido em duas zonas geográficas distintas: a primeira descrita como zona montanhosa com mesetas e linhas de espigões formados por diques de diabásio, originários do período Mesosóico correspondendo a maior parte do Município, incluindo a sede; a segunda abrange o extremo Sudeste do Município correspondendo ao planalto ondulado das formações Devoniana e Permeana, do Período Paleozóico. Ocorrem também algumas formações isoladas, constituídas por mesetas e morros testemunhos das camadas Gondwanicas, como o Morro do Chapéu. Maack (1981).

O regime climático em que está inserido o município de Prudentópolis se caracteriza como subtropical úmido, com média anual de precipitação dos últimos quinze anos de 2.057 mm Douhy, (2000). A temperatura dos meses mais quentes é superiores a 25°C e inferiores a 0°C nos meses mais frios, apresentando entre 10 e 20 geadas no inverno Maack,(1981).

Os solos se caracterizam predominantemente em cambissolos, latossolo bruno e litólicos sendo na maioria rasos e pouco desenvolvidos, influenciados pela estrutura geológica cristalina e pelo predomínio de um regime climático subtropical, fatores que propiciam um lento processo de intemperização e formação de solos. Na parte sudeste do município aparecem áreas com solos podzólicos influenciados pela estrutura geológica sedimentar da formação Rio do Rastro. Nesta área do município o relevo é mais suavizado o que favorece a mecanização da agricultura.

Influenciados pelo declive acentuado do relevo, os rios seguem no sentido Noroeste, para desaguar na Bacia do Ivaí, formando vales que cortam a paisagem com escarpas e cuestas em formas de “boqueirão” resultantes dos processos exógenos que se verificam ao longo dos anos. Nesta região são encontradas inúmeras cachoeiras localizadas em rios que desaguam na Bacia do Rio Ivaí com destaque para os afluentes formadores: Rio dos Patos e São João com as cachoeiras Barão do Rio Branco (68m) e São João (84m). Têm uma grande importância pela beleza, como atrativos turísticos e pelo potencial hidráulico oferecido pelos rios, em função da significativa vazão e desnível existente.

Merecem destaque outras cachoeiras localizadas em rios menores, mas com alturas consideráveis como: São Francisco, Barra Grande, Fazenda Velha, São Sebastião, Salto Mlot, Salto Kuzma, Jacutinga, Tigrinho, Papagaios, Salto do Enxú, Virgílio, Cassiano etc.

A vegetação predominante no Município caracteriza-se por mata secundária “capoeira” com ocorrência de capões isolados de mata de araucárias (araucária angustifólia) associadas a palmáceas, samambaias, taquarais e erva mate (Llex Paraguaienses) e em algumas áreas isoladas como a mata ciliar e encostas da Serra da Esperança, encontram-se remanescentes da floresta subtropical com espécies como: a imbuia, cedro, peróba, jacarandá, cangerana, canela e outras, porém extremamente reduzidas pela exploração excessiva ocorrida na segunda metade do Século XX.

Atualmente Prudentópolis ainda apresenta-se tipicamente agrícola, considerando o predomínio das atividades econômicas exercidas, terem como base a produção agropecuária. Conta com um percentual de 61,10% da população residente na área rural e somente 38.89% residente no espaço urbano. IBGE (2000).

Das atividades agrícolas desenvolvidas no Município merecem destaque a produção do feijão e do milho os quais são cultivados no sistema de roça “rotação de terras” em muitos casos de forma comensal principalmente nas pequenas propriedades e naquelas onde a mecanização é impossibilitada pelo relevo muito acentuado. Nas propriedades que permitem mecanização predomina o produção de soja e milho Douhy, (2000).

7. Considerações Finais

 

Neste trabalho buscou-se evidenciar de forma sucinta as características paisagísticas do estado do Paraná, considerando para tanto os fatores de maior relevância na constituição das diferentes paisagens que se verificam.

Partindo do geral para o particular, foram abordadas as características dos municípios de Prudentópolis e Francisco Beltrão com objetivo de melhor referenciar os aspectos de cada tipo de paisagem, assim como, destacar alguns aspectos físicos como a litologia, o clima, a morfologia e a cobertura vegetal que juntos condicionam o desenvolvimento diferenciado dos solos.

Verificou-se que, Prudentópolis em função de sua localização mais ao sul, apresenta solos pouco desenvolvidos com predomínio dos cambissolos e dos solos litólicos e vertentes bem acentuadas, influenciadas principalmente pelo clima mais frio. A ocupação também é bem variada com predomínio da agricultura de subsistência e da pecuária. Já em Francisco Beltrão ocorrem solos menos espessos predominando dos litóticos (neossolo litólico). Os determinantes que diferenciam Francisco Beltrão de Prudentópolis são basicamente o relevo a litologia e o clima, que propiciam um maior ou menor desenvolvimento dos solos.

Com base nestes levantamentos constatou-se o que foi abordado por Nóbrega (2001) quanto a tropicalidade, principalmente no que se refere aos limites da predominância dos latossolos no Norte-Noroeste paranaense, os quais apresentam estágios desenvolvimento bem mais evoluídos, com vertentes bem suavizadas, permitindo um maior aproveitamento agrícola.

Nos solos mais arenosos e susceptíveis a erosão, principalmente nas áreas que se situam sobre o arenito Caiuá, predominam as pastagens. Outras questões relevantes merecem ser abordadas, como o uso do solo nas mais diversas áreas sem um estudo e monitoramento detalhado dos mesmos em todo o Paraná, bem como a sua especificidade.

Estão presentes no Paraná diferentes domínios de solos, alguns extremamente alterados pelas ações antrópicas outros mais preservados, duas conclusões se impõem Ruellan (1988). A primeira é estritamente pedológica: devemos afirmar que o conceito fundamental, essencial, que deve servir de base para as pesquisas sobre os solos e seu uso é o conceito de solos como um meio organizado e estruturado. A cobertura pedológica, como toda entidade natural, é antes de tudo um meio estruturado, o que quer dizer que:


- conhecer um solo - uma cobertura pedológica - é, antes de tudo, conhecer sua organização morfológica;
- utilizar um solo - uma cobertura pedológica - é, também e antes de tudo, valorizar sua organização morfológica.

 

A segunda conclusão concerne à precisão que se deve exigir de qualquer pesquisa, de qualquer estudo pedológico necessário para o desenvolvimento. Os estudos e as experimentações necessárias antes de qualquer operação de uso do solo, assim como todas as pesquisas para o desenvolvimento devem ser realizadas com extremo cuidado. É preciso dispor do tempo que é necessário para fazer esses estudos, bem como sua aplicabilidade.

As mais diferentes feições paisagísticas pretéritas já foram modificadas pela ação do homem, em quase todos os aspectos, desde o uso para agricultura, uso de um potencial hidráulico, com grandes áreas inundadas pelas usinas hidroelétricas, e uso intensivo pela criação de gado e o mais importante com a instalação das cidades como fator de ampliação da problemática do uso do solo.

Com relação aos domínios paisagísticos do Paraná, podemos considerar que não houve grandes modificações nos últimos anos, pelas próprias características físicas como: clima, geologia, e vegetação que se mantiveram. Poderão ocorrer mudanças no futuro, em função do uso intensivo dos recursos naturais, como: áreas de expansão agrícola, combustível mineral e vegetal (uso da madeira etc.) instalação de novas hidroelétricas, e o problema da água, que já é enfrentado nas grandes cidades.


8. Referencias Bibliográficas


ATLAS GEOLÓGICO DO ESTADO DO PARANÁ, MINEROPAR, Governo do Paraná. CD: Curitiba, 2001.


CAMARGO, João Borba de. Geografia física, humana e econômica do Paraná. Boaventura: Maringá, 1999.

 
DOUHY, N. A Expansão Urbana como Condicionante ao Risco de Alagamentos na Bacia do Rio Xaxim Prudentópolis - PR. Monografia de Licenciatura: Unicentro. Guarapuava, 2000.


FERRETTI, Eliane. Diagnóstico Fisíco-conservacionista – DFC da bacia do rio Marrecas – sudoeste do Paraná. Dissertação de Mestrado UFPR, Curitiba :1998 .
LOPES, Jaime. S. F. Condições Geoambientais do rio Marrecas no trecho da comunidade de Santa Bárbara ao bairro Pe. Úlrico. município de Francisco Beltrão - PR. Monografia de Bacharelado: Unioeste. Francisco Beltrão,2000.


MAACK, Reinhard .Geografia Física do Estado do Paraná, 2ed. Rio de Janeiro : José Olímpio ,1981.


NOBREGA, M. T. CUNHA, J. E. O solo: caminho, abrigo e pão. Org.

 

VILLALOBOS, J. G. Ambiente, Geografia e Natureza .Maringá: UEM, 2001.


PRADO, Hélio. Solos Tropicais: potencialidades, limitações, manejo, e capacidade de uso. Jaboticabal: FUNEP, 1988.


RUELLAN, Alain. Pedologia e Desenvolvimento: a Ciência do Solo a Serviço do Desenvolvimento In: XXI Congresso Brasileiro de Ciência do Solo, Campinas, 1988.