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X SIMPÓSIO BRASILEIRO DE GEOGRAFIA FÍSICA APLICADA


 

 

MAQUETES DE GEOGRAFIA FÍSICA: UM RECURSO DIDÁTICO APLICADO COM ALUNOS E PROFESSORES DA REDE MUNICIPAL, ESTADUAL E PARTICULAR DO MUNICIPÍO DE JATAÍ-GO.


 

 

Cléia Simone Pereira NEVES

Geógrafa

Romário Rosa de SOUSA(romariaufg@yhaoo.com.br)

João Batista Pereira CABRAL(cabral@jatai.ufg.br)

Campos Avançado de Jataí-Universidade Federal de Goiás

 

 


Palavras Chaves: Ensino Aprendizagem, Maquetes, Geografia Física.

Eixo: 1-Aplicação da Geografia Física ao ensino

Subeixo:1.1 Ensinos Fundamental e Médio

 



INTRODUÇÃO

 

Um dos recursos didáticos, que proporciona um bom aprendizado é a utilização de maquetes para o ensino da Geografia nas referidas séries, do ensino fundamental e médio, abarcando conteúdos referentes aos aspectos físicos; (geologia, vegetação e hidrografia), proporcionado aos alunos uma visão sistemática das exposições dos temas abordados com a geografia física. Fazendo com que, os alunos mostram-se mais interessados pelos conteúdos ministrados pelos professores em sala de aula, (MEDEIROS, et al, 2002).

Os alunos começam a ter as primeiras noções de geografia física a partir da 2ª série do ensino fundamental, mas é na 5ªe 6ª série que os temas da geografia física são mais abordados. É neste estágio que a criança não pensa ainda em termos abstratos, nem raciocina a respeito de proposição verbal ou hipotética. Ela experimenta dificuldade com os problemas verbais, para tanto, necessita-se de um novo recurso didático para melhor compreensão dos temas trabalhados em sala de aula, e para suprir esta e outras dificuldades é que as maquetes como recursos didáticos, são recursos inovavéis para que se possa ter uma melhor explicação.

O ensino de Geografia, atualmente, constitui uma grande preocupação em todos os níveis de ensino. Para nós, essa preocupação tem estado sempre presente em nossas discussões acadêmicas e pedagógicas, como também nos cursos ministrados aos professores da rede pública estadual e municipal de nosso estado (GO).

Após a realização das atividades práticas, os professores, podem apontar suas dificuldades /ou seu desconhecimento com relação ao ensino/aprendizagem da teoria como um “instrumento” abstrato de representação e leitura do espaço geográfico, como também da necessidade do domínio da metodologia pedagógica diferenciada que, lhe permita estabelecer estratégias adequadas e que respeitem os diversos níveis do desenvolvimento cognitivo das crianças (SILVA, et al, 2002).

Tendo como resultado um maior entendimento dos aspectos físicos abordados em estudo e o desenvolvimento do "gosto" de ensinar e aprender Geografia, os professores verificam o brilho e o fascínio dos alunos em aprender e fixar os conteúdos ministrados em sala de aula a partir da utilização de maquetes, que prende mais a atenção dos alunos por terem algo palpável e visível em mãos.

Com isso a partir do momento em que as aulas expositivas ficam somente em explicações abstratas, mediante a falta de inovação e aplicação de outras metodologias, percebe-se a necessidade de aplicarem-se vários recursos didáticos diferenciados, na tentativa de sanar algumas deficiências observadas no ensino da Geografia e facilitar a aprendizagem na área da geografia física as maquetes são uma boa alternativa a ser aplicada. (GALLO et al, 2002).

Os professores da rede de ensino do município de Jataí-GO, que trabalham com a disciplina de geografia na sua grande maioria são formados em outras áreas, e por isso ignoram a geografia física por não terem cursado geografia e assim desconhecerem a importância da aplicação da geografia física, deixando os alunos sempre com explicações abstratas e perdidos no vazio sem terem uma abordagem mais clara no ensino da geografia física.

Assim o objetivo principal deste projeto de Extensão e Cultura Caminhos da Terra-PROEC/UFG, foi de contribuir com esclarecimentos para a real aplicação da geografia física nos anos de 2001 e 2002, com alunos e professores do ensino fundamental e médio do município de Jataí-GO, fazendo que os mesmos possam, reconhecer, as diversas formas de relevo, vulcões, rochas, minerais, solos e influências climáticas. Para isso, propôs-se uma abordagem metodológica, que propiciou aos professores e alunos uma compreensão tridimensional dos assuntos abordados através da utilização de maquetes sobre os temas da geografia física.

 

Figura-1: localização da área de estudo

 

 


MATERIAL E MÉTODOS

 

A metodologia utilizada baseou-se no trabalho desenvolvido por (CABRAL, et al, 2002), em que se correlaciona à fundamentação teórica a prática de campo, a prática laboratorial, a análise e discussão dos dados, chegando-se a uma conclusão.

Assim a metodologia pautou-se em 7 etapas distintas:

 

1°-Fundamentação Teórica – consta desde da elaboração do projeto ao registro junto à Pró-Reitoria de Extensão e Cultura da UFG.

 

2°-Prática de campo – consta de uma saída e visita a áreas vizinhas da própria instituição de ensino (próprio pátio da escola).

 

3°-Divulgação do projeto nas unidades da rede estadual, municipal e particular da cidade, com a distribuição de folders anunciando o projeto e quem será o público alvo.

 

4º-Saída a campo para realizar, a coleta de material reciclável (isopores, madeiras, papelão e etc.), que se encontram descartados pela sociedade nas vária parte das cidades.

 

5°-Elaboração maquetes referentes a relevo, vulcanismo, falhamento, espaços intersticiais, clivagem e fraturas em rochas e minerais.

 

6°-Palestras com a utilização de canhão de projeção multimídia com CD-ROM de rochas, minerais e placas tectônicas, sala de vídeo e globo terrestre.

 

7º-Aplicação de um questionário para verificar a aceitação do projeto.

 

Assim de posse de todo o material confeccionado a metodologia baseou-se em atender os professores, em um mini-curso de 20 horas, abordando os temas relacionados à geografia física, recebeu-se os professores no laboratório de geologia e cartografia da unidade centro do Campus Avançado de Jataí-Universidade Federal de Goiás(CAJ/UFG), onde se ministrou aulas expositivas, com a utilização de maquetes de rochas, minerais, relevo, espaços intersticiais, espoja, porcelana e etc.

Posteriormente utilizou-se a sala de vídeo para se mesclar às atividades do mini-curso, com fitas de vídeo científicas que abordaram solos, relevo, rochas e minerais, dessa forma na parte final do mini-curso, fez-se uma visita ao laboratório de geologia para se apreciar os exemplares(Amostras) de rochas e minerais.

O presente projeto visou, trabalhar a questão da interdisciplinaridade no Ensino Básico a partir da construção de recursos didáticos, uma prática possível nos anos iniciais do Ensino Fundamental é ainda muito pouco explorada, com isso também relatamos aos professores quais as etapas adotadas para a confecção das maquetes.

Em um segundo momento, ou seja, no decorrer do ano do ano de 2001 e 2002 recebemos os alunos das unidades escolares com seus respectivos professores, para ministrarmos um atendimento com os educandos e explicar os processos de formação das rochas, minerais, relevo, hidrologia, solos e vulcões e etc.

 

RESULTADOS E DISCUSSÃO

 

Executada a etapa (1) um que consistia da elaboração uma apostila a ser ofertada aos professores do curso de atualização, foi possível notar que muitos deles encontravam dificuldades para compreender as figuras. Estas demonstravam a evolução histórica da terra, o processo de formação dos fósseis, exemplos clássicos de rochas e minerais. Devido a isso, percebeu-se que muitos dos livros adotados na rede pública não descrevem com clareza como acontece o processo de formação das rochas, fosseis e evolução da terra, e muitos não apresentam nenhum tipo de figura e o que é mostrado e muito superficialmente.

Quanto à utilização de maquetes para enriquecer as aulas, muitos se demonstraram despreparados, por não conhecerem os materiais de que foram feitas as maquetes, também demonstraram (dificuldades) de como utilizar objetos recicláveis para se poder diferenciar a estrutura da terra e etc. A aulas práticas de rochas e minerais foram as que apresentaram maiores índices de dificuldades, devido à falta de uma noção básica sobre rochas e minerais. Muitos argumentarão que haviam formado há muito tempo, e também por terem formação superior em outras áreas do conhecimento humano, dessa forma um tipo de aula realizada interativamente e bem aparada por vários recursos didáticos, não se é realizada na rede pública e particular de ensino em Jataí-GO.

Assim os professores estão mais acostumados a trabalharem em sala de aula com praticamente nenhum recurso didático diferenciado, e por isso estão eles pautados muito mais em aulas teóricas, segundo as normas das próprias secretárias educacionais, que se baseou no receio de alguma criança se machucar ou provocar alguns danos físicos e materiais aos seus companheiros de sala utilizando objetos utensílios de várias formas.

Nas aulas em que foram utilizados os CD-ROMs sobre rochas, minerais e tectônicas de placas, foram melhores, pois ficou claro como ocorre o processo de formação das rochas, qual a diferença entre placas convergentes, divergentes e transcorrentes, como aconteceu a formação da Pangea e sua separação, nos dando a configuração atual.

Participaram do projeto 634 espectadores entre professores e alunos da rede municipal, estadual de Jataí-GO, sendo que entre os alunos se obteve os seguintes resultados: 64% tinham a faixa etária de 10 anos de idade; 11% tinham alunos 11 anos; 12% alunos tinham entre 12 anos e 13%tinham 13 anos.

 

 

Gráfico-1 percentual com a faixa etária dos participantes no projeto.

 

Assim os alunos eram de diversas séries sendo; 68% da 5º série; 18% da 6ºsérie; 14% da 7º série.

 

 

Gráfico-2 percentual com as séries que os alunos participantes do projeto estudam.


Portanto aplicamos um questionário para sabermos qual o nível de aceitação do projeto, e onde devemos aprimorar o intercâmbio cultural com a comunidade de educadores e educandos do município do Jataí.

De acordo com as observações notou-se a maior parte do público participante do projeto era da rede municipal com 74%, e da rede estadual 26%.

 

 

Gráfico-3 percentual de participantes da rede de ensino municipal e estadual

 

Assim ambos desejam voltar ao laboratório de geologia-LG do Campus Avançado de Jataí-Universidade Federal de Goiás, o total de 100% entre alunos e professores e também os mesmos 100%, afirmaram que foi muito importante aprender mais sobre rochas e minerais. Pontuando com notas de 0 a 10, onde as notas dadas ao projeto foram: 79%deram nota 10; 19% deram nota 09 e 2% deram notas de 05 a 08.

 

 

Gráfico-4 percentual de notas dadas pelo desenvolvimento do projeto.

 

Quanto ao conceito e atendimento sobre o projeto: 88% se manifestaram dizendo que o projeto é ótimo; 8% disseram que está bom, 4% argumentaram que o projeto está regular, e cerca de 0,6% alunos desejam recebe amostras de rochas e minerais quanto estiverem visitando novamente o laboratório de geologia, por que gostaram muito de alguns exemplares de rochas e minerais, ressaltando a Muscovita(Mica), Bauxita, Berilo, Basalto, Ametista, e o cristal de quartzo, que foram os mais apreciados e agraciados, onde ambos despertaram um maior interesse por causa de sua beleza e brilho.

 

 

Gráfico-5 percentual com o conceito dos participantes sobre o projeto.

 

Com isso notou-se um certo fascínio provindo dos alunos e professores em estarem adentrando no Campus Avançado de Jataí/CAJ-UFG, para aprender um pouco mais sobre os temas diversificados e abordados pela geografia física especificamente com a utilização de maquetes.



 

Figura-2 maquetes prontas para o desenvolvimento do projeto.

 

 

Figura-3 maquetes prontas para o desenvolvimento do projeto

 

 

Figura-4 Palestra com professores e alunos.

 

 

Figura-5 palestra com professores da rede municipal


 

Figura-6 material utilizado em palestra com os professores da rede municipal.

 

 

Figura-7 vista parcial do laboratório de geologia Campus Avançado de Jataí-CAJ/UFG


CONCLUSÃO

 

Verificou-se que o projeto de extensão e cultura caminhos da terra, veio em boa hora para os professores e alunos da rede de ensino do município de Jataí-GO, por que conseguimos abranger um público alvo interessado em aprender e ampliar seus conhecimentos sobre a disciplina de geografia e especialmente à parte de domínio da geografia física.

Neste contexto observamos que os alunos e professores demonstraram um certo entusiasmo durante as aulas expositivas do projeto, onde praticamente todos, entre professores e alunos se manifestaram por estarem aprendendo melhor o assunto sobre rochas e minerais, e de uma forma especial os alunos sempre faziam várias interrupções, nas aulas durante o desenvolvimento do projeto para tiram dúvidas do seu cotidiano, a respeito das influências climáticas sobre a nossa vida, impactos ambientais, e qual as várias utilidades das rochas e minerais para o homem atualmente.

Quanto às maquetes os alunos e professores ficaram maravilhados com a beleza e as mais variadas formas que demonstram as diversificadas formas de relevo, meandração de rios, rochas, minerais e formação de caverna.

Durante todo o ano de 2001 e 2002, nós participantes e coordenadores do projeto caminhos da terra, fomos procurados constantemente para atender outras unidades escolares além daquelas já agendadas anteriormente, e também em alguns momentos prestamos o atendimento nas próprias unidades escolares, a pedido dos professores por encontraram certa dificuldades em transportar um elevado número de alunos até o Campus Avançado de Jataí/CAJ-UFG.

Diante da aceitação do projeto de Extensão e Cultura Caminhos da Terra que abordou os temas relacionados com a geografia física, notamos que os professores da rede de ensino do município de Jataí-GO estão cada vez mais procurando se integrar com a universidade, e também se encaixarem nas suas respectivas áreas em que são formados a medida do possível deixando a disciplina de geografia, para ser trabalhada por professores formados na área de geografia, por que constantemente se deparam com temas específicos da geografia física, e assim desconhecem a importância do assunto abordado na 5º e 6º série com os alunos do ensino fundamental.

 

REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS


SILVA, L. G; MERCADANTE, N. T. A cartografia no espaço vivido pela criança uma experiência construída com os professores. IN: XIII Encontro Nacional de Geógrafos, João Pessoa-PB, 2002: Antenanet, (Por uma geografia nova na construção do Brasil). Associação dos geógrafos brasileiros(AGB). 21 a 26 de julho, Anais, CD-ROM.


MEDEIROS, E. R; BOTTON, E. A; FRIGUERTTO, J; MORELLO, S. A maquete como recurso didático, para estudo das paisagens Rio-Grandenses. IN: XIII Encontro Nacional de Geógrafos, João Pessoa-PB, 2002: Antenanet, (Por uma geografia nova na construção do Brasil). Associação dos geógrafos brasileiros (AGB). 21 a 26 de julho, Anais, CD-ROM.


GALLO, F; CASARIN, R. A; COMPIANI, M; A geografia em sala de aula evidenciada por projeto de formação continuada.IN: XIII Encontro Nacional de Geógrafos, João Pessoa-PB, 2002: Antenanet, (Por uma geografia nova na construção do Brasil). Associação dos geógrafos brasileiros(AGB). 21 a 26 de julho, Anais, CD-ROM.

 

CABRAL, J.B.P; SOUSA R.R; LOPES; PEREIRA N. M; NEVES, C. S. P. Decifrando a terra uma atualização de bases e conceitos para os professores da rede pública municipal de Jataí e Chapadão do Céu-GO. IN: XIII Encontro Nacional de Geógrafos, João Pessoa-PB, 2002: Antenanet, (Por uma geografia nova na construção do Brasil). Associação dos geógrafos brasileiros(AGB). 21 a 26 de julho, Anais, CD-ROM.