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X SIMPÓSIO BRASILEIRO DE GEOGRAFIA FÍSICA APLICADA


GEOGRAFIA E EDUCAÇÃO AMBIENTAL: ALGUMAS CONSIDERAÇÕES

 

 

 

Khalil Antonio Dib (kadib@ig.com.br)

Centro Universitário Moacyr Sreder Bastos - RJ

 

 

 

Palavras-chave: Geografia, educação, ambiente.

Eixo 1: Aplicação da Geografia Física ao Ensino

Sub-eixo 1.3: Educação Ambiental

 

 

 

 

INTRODUÇÃO

 

 

Embora a Geografia seja por definição uma das ciências que mais afinidade possui com as questões ambientais em toda a sua dimensão de importância e complexidade e que por isso apresentaria um vasto elenco de trabalhos desenvolvidos na área de educação ambiental formal ou informal por profissionais específicos da área, especialmente professores de Geografia, definitivamente não é isso que vem ocorrendo. Essa constatação deriva das observações ao longo de quinze anos como professor de Geografia do ensino fundamental e do ensino superior, preocupado e angustiado com a falta ou a superficialidade da integração da temática da educação ambiental (tanto em nível local como no global) ao cerne do debate geográfico, o que aparentemente seria até mesmo óbvio. Nem mesmo, os Parâmetros Curriculares Nacionais-Temas Transversais (Brasil, 1998) que apresentam um discurso que pode ser considerado até “bem geográfico” ao referir-se à educação ambiental, vem conseguindo sensibilizar os professores de Geografia, para que enfim pudessem efetivamente pô-la em prática.

Quando aqui é dada ênfase à Geografia e a sua inequívoca ligação com a educação ambiental, de modo algum está se pleiteando a exclusividade, até porque é consenso que por suas características a educação ambiental necessita de um enfoque multi, inter e transdisciplinar, aliás, como nos confirma a Lei nº 9795/ 99, da Política Nacional de Educação Ambiental, Artigo 04, item III. São princípios básicos da educação ambiental: o pluralismo de idéias e concepções pedagógicas, na perspectiva da inter, multi e da transdisciplinaridade, transcrito em Dias (2003).

Mas, não se deve abdicar do imenso leque de possibilidades que são abertas pelas características do universo da Geografia e que podem contribuir para a construção de procedimentos bastante interessantes ligados à educação ambiental, já que permeia por conhecimentos específicos do “meio físico”, questões sociais, políticas, econômicas, culturais e filosóficas, que se expressam, construindo, desconstruindo e reconstruindo o “espaço geográfico”.

Dessa forma, entendendo a educação ambiental como um tema que ganha a cada dia um tom de urgência devido à redução severa da qualidade ambiental e conseqüentemente da própria vida, e que a Geografia, através dos profissionais específicos da área, pode desempenhar um papel de maior destaque nesse contexto, é que serão levantados e analisados pontos que vêm impedindo ou dificultando procedimentos para a prática da educação ambiental tendo como condutora a Geografia.

 

 

DEFICIÊNCIA NA FUNDAMENTAÇÃO TEÓRICA, CONCEITUAL E METODOLÓGICA: A GRANDE BARREIRA

 

 

O maior empecilho ao desenvolvimento da Educação Ambiental via Geografia, se revela na carência de uma atualização ou mesmo no desconhecimento de fundamentos, tanto aqueles ligados à ciência da Geografia como os da Educação Ambiental (fundamentos esses que unem de maneira inquestionável) que permitam a ampliação dos horizontes e por conseqüência se traduza em um trabalho de qualidade e duradouro. Não está se tratando aqui de conhecimentos factuais e a respeito, por exemplo, do que seja uma enchente e de suas conseqüências; definitivamente não é isso. O fato é que não ter a essência da questão, enraizada, apropriada, culmina na invalidez tanto do discurso como da prática e isso se constitui o grande dilema. Dessa forma, começaremos aqui destacar e discutir, sem a pretensão de esgotar o assunto, aspectos ligados ao ferramental teórico, conceitual e metodológico básico para a atuação combinada e eficiente da Geografia e da Educação Ambiental.

 

 

Ambiente e meio ambiente

 

Uma dificuldade que se apresenta logo de início, é a não familiaridade com as expressões ambiente e meio ambiente, que na verdade são sinônimas. Ainda vigora a idéia, infelizmente presente de forma considerável, que “coisas” do ambiente são aquelas ligadas aos elementos do chamado meio natural. Os pássaros, as árvores, as baleias, os rios, a atmosfera, entre outros, fazem parte, mas de forma alguma correspondem ao todo ambiental. Ao serem desconsideradas, ou menosprezadas a ação humana em sua dimensão de grandeza e a inter-relação entre esses elementos, não são criadas condições palpáveis para o desenvolvimento de práticas de Educação Ambiental eficientes.

Nesse sentido, entre tantas definições que achamos condizentes com o real significado de meio ambiente (ambiente) podemos citar a de Bolea (1980) que apesar de não ser tão atual é sem dúvida bastante interessante. Em síntese pode ser assim descrita:

O meio ambiente é composto por um conjunto de elementos que podem ser divididos em dois agrupamentos: o meio natural e o meio social. O meio natural é constituído por quatro sistemas inter-relacionados, que são a atmosfera, a hidrosfera, a litosfera e a biosfera, da qual o homem faz parte. O meio social é definido pela forma em que as sociedades humanas estão organizadas e funcionam para satisfazer suas “necessidades básicas”. As “necessidades básicas” dividem-se em necessidades físicas (alimentação, saúde, moradia e vestimenta) e necessidades sociais (educação, trabalho e liberdades individuais de participar do sistema político e econômico existente).  

 

 

“Geografia x Geografia”

 

A permanência (ou para muitos a preferência) no caminho da Geografia Tradicional engessa qualquer tipo de possibilidade para um trabalho de qualidade, de Educação Ambiental e sem dúvida da própria Geografia. A velha concepção da ciência da Geografia como “descrição da Terra”, infelizmente ainda vista de forma literal na prática das salas de aula, acaba sendo não só improdutiva como também danosa. A Geografia é muito mais que isso e deve ser apreendida e ensinada em todas as suas possibilidades. Assim, podemos afirmar que “a Geografia tem por objetivo estudar as relações entre o processo histórico, na formação das sociedades humanas e o funcionamento da natureza por meio da leitura do lugar, do território, a partir de sua paisagem. Na busca dessa abordagem relacional, trabalha com diferentes noções espaciais e temporais, bem como com os fenômenos sociais, culturais e naturais característicos de cada paisagem, para permitir uma compreensão processual e dinâmica de sua constituição, para identificar e relacionar aquilo que na paisagem representa as heranças das sucessivas relações no tempo entre a sociedade e a natureza em sua interação” (Brasil, 1998).

 Nos parece que essa definição traduz e enseja de maneira objetiva, mas abrangente, a perspectiva atual da Geografia como uma ciência dinâmica e atuante e dá o rumo a ser tomado pelo professor de Geografia para uma autocrítica de suas práticas em caráter geral e de forma mais específica situações relacionadas à sociedade e a natureza que se destacam no centro das discussões intrínsecas ao meio ambiente e logicamente à Educação Ambiental.

Não podemos também deixar de comentar, nesse contexto, a contribuição significativa, enriquecedora, renovadora que as novas abordagens (aquelas revistas, mas atualizadas) construídas e/ou utilizadas pela Geografia (impulsionadas pela complexidade ambiental atual) que estão relacionadas à questão ambiental, devendo por isso fazer “parte do cardápio” para a realização de um trabalho bem fundamentado, logo consistente, de Educação Ambiental. Essas abordagens se respaldam em concepções de bases marxistas e também culturais, que cada qual com suas especificidades acabam se integrando na análise dos temas ambientais.

Entre vários exemplos, a proposta aqui é de apenas destacar alguns, acreditando que embora em pouca quantidade, possam contemplar a discussão por ora levantada. Assim:

Guerra e Cunha (2001), utilizam como base de análise teórica e conceitual as idéias de Marx e Engls, esta atrelada à reflexão sobre a ecologia política, no livro Impactos Ambientais Urbanos no Brasil, onde são organizadores. Frisam, também neste ínterim, a construção do espaço social, assim resumida por Souza (1997) in Guerra e Cunha (2001):

 “O espaço social é, primeiramente ou em sua dimensão material e objetiva, um produto da transformação da natureza (do espaço natural: solo, rios, etc) pelo trabalho social. Palco das relações sociais, o espaço é, portanto um palco verdadeiramente construído, modelado, embora em graus muito variados de intervenção e alteração pelo homem, das mínimas modificações induzidas por uma sociedade de caçadores e coletores (impactos ambientais fracos) até um ambiente construído e altamente artificial como uma grande metrópole contemporânea (fortíssimo impacto sobre o ambiente natural), passando pelas pastagens e campos de cultivo, pelos pequenos assentamentos etc. Não é um espaço abstrato ou puramente metafórico (acepção usual no domínio do senso comum e em certos discursos sociológicos, a começar por Durkheim), mas um espaço concreto, um espaço geográfico criado nos marcos de uma determinada sociedade”.  

Leff (2002), em sua obra sobre a epistemologia ambiental, fundamenta sua abordagem na questão da produção capitalista e os novos (e necessários) questionamentos surgidos mediante a crise ambiental. Entre tantas passagens importantes, podemos destacar nesse momento uma que aponta, sinteticamente, a raiz da crise e possíveis alternativas:

 “A questão ambiental aparece como sintoma da crise da razão civilizatória moderna, como uma crítica da racionalidade social e do estilo de desenvolvimento dominantes, e como uma resposta para fundamentar um desenvolvimento alternativo. Esse questionamento problematiza o conhecimento científico e tecnológico que foi produzido, aplicado e legitimado pela referida racionalidade e se abre para novos métodos, capazes de integrar as contribuições de diferentes disciplinas para gerar análises abrangentes e integradas de uma realidade global e complexa na qual se articulam processos sociais e naturais de diversas ordens de materialidade e de racionalidade. Por sua vez, aponta para a geração de novos conhecimentos teóricos e práticos para construir uma racionalidade produtiva alternativa”.

Podemos relevar, também, a contribuição inspirada nos aspectos culturais e a questão ambiental, ou mais precisamente a Educação Ambiental; tal contribuição se revela de forma especial através da Geografia Cultural renovada, que tem a sua forte retomada a partir da metade da década de 1990 e que em síntese, procura estudar as manifestações da cultura no espaço, onde o conceito de cultura é aprimorado: “cultura é o conjunto de técnicas, atitudes, idéias e valores, apresentando assim componentes materiais, sociais, intelectuais e simbólicos; é transmitido e inventado; não sendo constituído pela justaposição de traços independentes, mas, ao contrário, seus componentes formam sistemas de relações mais ou menos coerentes; não sendo assimilado igualmente pela sociedade; é vivido individualmente” (Rosendahl e Corrêa, 1999). Entre tantos temas que podem ser abordados pela atual Geografia Cultural, destacamos aqui a percepção e avaliação ambiental feita por diversos grupos sociais, relativas à natureza e aos ambientes socialmente produzidos.

Sobre o tema percepção, Santos (1997) faz uma abordagem interessante: “A nossa visão depende da localização em que se está, se no chão, em um andar de baixo ou alto de um edifício, num miradouro estratégico, num avião... A paisagem toma escalas diferentes e assoma diversamente aos nossos olhos, segundo onde estejamos, ampliando-se quanto mais se sobe em altura, porque desse modo desaparecem ou se atenuam os obstáculos à visão e o horizonte vislumbrado não se rompe”.

A dimensão da paisagem é a dimensão da percepção, o que chega aos sentidos. Por isso, a cognição tem importância fundamental nessa apreensão, pelo fato de que toda nossa educação, formal ou informal, é feita seletivamente, pessoas diferentes têm versões diferentes do mesmo fato.

“A percepção é sempre um processo seletivo de apreensão. Se a realidade é apenas uma, cada pessoa a vê de forma diferenciada; dessa forma, a visão pelo homem das coisas materiais é sempre deformada. Nossa tarefa é a de ultrapassar a paisagem como aspecto, para chegar ao seu significado” (Santos, 1997).

Segundo a ótica de Faggionato (2000), especialmente voltada para a percepção ambiental, o homem está constantemente agindo sobre o meio com o objetivo de sanar seus anseios e necessidades. Nesse processo, muitas ações afetam diversas gerações em termos de qualidade de vida, que provêm da insatisfação psicológica com o meio ambiente.

“Cada indivíduo percebe, reage e responde diferentemente as ações sobre o meio. As respostas ou manifestações são, portanto, resultado das percepções dos processos cognitivos, julgamentos e expectativas de cada indivíduo. Embora nem todas as manifestações psicológicas sejam evidentes, são constantes, e afetam nossa conduta, na maioria das vezes, inconscientemente”.

Em se tratando especialmente do ambiente urbano, muitos fatores afetam a maioria dos habitantes e esses quase sempre estão relacionados à pobreza. Entretanto há também uma série de outros fatores que propiciam um alto grau de satisfação.

Uma das manifestações negativas mais comuns é o que podemos denominar de “autodepredação”, quer seja dos elementos físicos ou arquitetônicos, geralmente de uso público, ou mesmo com o descaso total com procedimentos básicos, ligados à saúde e à segurança, tal qual como ocorrem, nas comunidades urbanas mais carentes.

Nesse caminho, inicialmente, como um primeiro exemplo, que certamente pode adicionar fundamentos para a prática da Educação Ambiental, é o interessante artigo de Donald Meinig: “O olho que observa: dez versões da mesma cena” (Espaço e Cultura, 2002). Neste artigo se ratifica a importância de se considerar a percepção de cada indivíduo sobre a paisagem e incita possíveis desdobramentos para os estudos ambientais. Resumidamente, pode ser assim descrito:

A paisagem como natureza – segundo esse ponto de vista todos os trabalhos do homem são desprezíveis se comparados aos da natureza, que são fundamentais, os dominantes, os duradouros; a paisagem reflete a natureza controladora.

A paisagem como habitat – segundo essa visão cada paisagem é uma porção da Terra como Lar do Homem, vista através do contínuo trabalho humano, criando uma relação viável com a natureza adaptando-se aos seus aspectos mais gerais, alterando-a por meios produtivos, criando recursos com os materiais naturais, enfim, o homem domesticando a Terra.

A paisagem como artefato – as pessoas vêem primeiramente, e sempre, a marca do homem em tudo. A natureza é fundamental somente no sentido literal: a natureza provê um suporte. A Terra é uma plataforma, mas tudo é resultado da ação humana e desse modo não podem ser encontrados fragmentos da natureza primitiva.

A paisagem como sistema – pode se ver tudo que está ao alcance dos olhos como um imenso e intrincado sistema. A terra, as árvores, as estradas, os edifícios e o homem não são vistos como objetos individuais, mas como um conjunto de elementos variados ou como classes de fenômenos, como indícios superficiais de processos subjacentes.

A paisagem como problema – a paisagem não é vista como um problema em seu sentido cientifico da necessidade do conhecimento para uma melhor compreensão, mas como uma condição que necessita correção. Pra essa pessoa o que se evidencia são as colinas erodidas, os rios colmatados, a poluição industrial, o congestionamento... e em meio a tudo isso pessoas empobrecidas física e espiritualmente.

A paisagem com riqueza – tais pessoas costumam ver cada cena com olhos de um avaliador profissional, atribuindo um valor monetário a tudo o que vêem.

A paisagem como ideologia – assim como o cientista olha através da fachada composta por elementos óbvios e vê processos em operação, outros podem ver esses mesmos elementos como indícios e toda a cena como valores, símbolos de valores, idéias mestras, fundamentos filosóficos da cultura.

A paisagem como história – Para esse observador tudo que estende à frente de seus olhos é um complexo registro cumulativo do trabalho da natureza e do homem em dado lugar.

A paisagem como lugar – nessa visão toda a paisagem é uma localidade, uma peça individual no mosaico infinito da Terra.

A paisagem como estética – há muitos níveis e variedades para essa visão, mas todas têm em comum uma subordinação de algum interesse à identidade e à função das feições específicas com uma preocupação com suas qualidades artísticas.

Com base nos fundamentos relacionados à questão dos impactos ambientais e a sua percepção, suporte importante para a realização de atividades de Educação Ambiental, Dib e Figueira (2002), realizaram trabalho de pesquisa na comunidade urbana carente chamada Monsuaba situada em Angra dos Reis, Estado do Rio de Janeiro, onde esse autor trabalha desde 1992 como professor de Geografia. Os objetivos desse trabalho foram:

 Identificar e analisar os tipos de impactos ambientais que ocorrem na área de estudo.

Avaliar o grau de percepção ambiental da população local frente aos impactos ambientais.

Correlacionar a ocorrência dos impactos ambientais à percepção das características dos mesmos, pela comunidade da área em questão.

Após a identificação, análise e registro através de fotos e filmagem em VHS, dos impactos ambientais na área de estudo, foi construído um questionário, onde foram abordadas as questões relativas aos problemas ambientais observados, com o intuito de se analisar o grau de percepção dos habitantes da comunidade. Embora saibamos que exista uma forte inter-relação entre as causas e conseqüências dos impactos na área, optamos em fazer um estudo mais detalhado quanto à percepção de cada impacto. Foram entrevistadas 226 pessoas de várias idades, entre 14 e 70 anos e locais de Monsuaba. O modelo do questionário vem a seguir:

 

1)       O que você acha dos animais soltos nas ruas da comunidade com relação a sua saúde?

a)       Nem ligo;

b)       Além do perigo (morder etc) podem transmitir doenças;

c)       Acho que não deve fazer mal;

d)       Não há tantos animais nas ruas assim.

 

2)       Com relação a água que você usa para beber, o que você pode afirmar?

a)       É ótima e uso sem me preocupar;

b)       Uso, embora filtrada tenho medo de pegar doenças;

c)       Para beber compro água engarrafada (galões);

d)       Nunca me interessei pela qualidade da água, eu uso e pronto.

 

3)       Como você vê a praia de Monsuaba, com relação à poluição?

a)       É boa e freqüento;

b)       Não é muito boa, mas freqüento;

c)       Não freqüento, e ninguém da minha família, pois é muito poluída;

d)       Não freqüento, mas meus filhos freqüentam de vez em quando.

 

4)       Você acha que os moradores que habitam as encostas dessa comunidade correm perigo especialmente com relação aos deslizamentos?

a)       Não nenhum;

b)       Sim. Somente os moradores do “morro acima”;

c)       Todos os moradores de uma forma ou outra correm perigo;

d)       Só tem para que mora nas partes mais baixas.

 

5)       Ainda com relação as encostas, quais as possíveis causas dos deslizamentos:

a)        As casas em locais impróprios;

b)       As casas em locais impróprios o lixo jogado e a vegetação que foi praticamente toda eliminada;

c)     As casas em locais impróprios, o lixo jogado, a vegetação que foi praticamente eliminado e a despreocupação dos moradores que tudo isso possa causar problemas;

d)       É coisa do destino, o que tem que ser será.

 

6)       Que pode dizer sobre os rios da comunidade:

a)      Não são tão poluídos assim e dá para usá-los para o lazer ( brincar, pegar peixinhos);

b)       Na verdade, são valões a céu aberto que recebem todo o tipo de sujeira e por isso podem causar doenças;

c)       Embora eu ache que sejam poluídos, acredito que não tragam prejuízo à saúde;

d)       Nunca parei para observar, pois não dou muita importância.

 

7)       Sobre o esgoto sanitário, você acha que:

a)       É bem tratado, eliminando-se possíveis causas de doenças;

b)      Não tem tratamento e de forma geral vai direto para os rios, pelos canos de esgoto;

c)     Não tem tratamento de forma geral vai direto para os rios e ainda feitas ligações dos canos de esgoto com a tubulação por onde passa a água da chuva;

d)       Não tenho opinião formada.

 

8)      Os problemas ligados às enchentes, ocorrem e afetam de que forma a sua comunidade?

a)        Nunca ocorrem, por isso nada afetam a comunidade;

b)      Ocorrem em todos os anos especialmente na época de fortes chuvas, causando danos para toda a comunidade;

c)       Não ocorrem em todos os anos e causam danos apenas para as pessoas que moram próximos dos rios;

d)       Ocorreram no passado, mas não creio que ocorrerão novamente.

 

9)       Como você vê a questão do lixo na sua comunidade?

a)      Não vejo problemas com relação ao lixo espalhado em Monsuaba nem na coleta urbana na comunidade;

b)       Há muito lixo espalhado na comunidade e a coleta é satisfatória;

c)      Não há lixo espalhado na comunidade e a  coleta de lixo urbana não é satisfatória;

d)       Há muito lixo espalhado na comunidade e a coleta urbana não é satisfatória.

 

10)    Quando você dá uma olhada geral para a sua comunidade, como você se sente quanto à qualidade de seu ambiente (praia, rios, ruas etc)?

a)       Satisfeito e contente, por que tudo esta muito bom;

b)       Não muito preocupado e contente pois pouca coisa precisa melhorar;

c)       Muito preocupado, pois muita coisa precisa melhorar;

d)       Nunca parei para analisar.

 

11)    Por tudo que foi visto, no seu entender a quem deve ser dada a responsabilidade aos problemas ambientais que ocorrem em Monsuaba:

a)       Só do governo;

b)       Só de alguns membros da comunidade;

c)      Todos têm uma parcela de responsabilidade, quer seja o governo quanto à comunidade;

d)       A ninguém, pois são coisas que naturalmente acontecem.

Nome: _____________________________________________ Idade: __________             

 Conhecendo os impactos ambientais da área de estudo e de posse dos resultados do questionário, traduzido no gráfico abaixo, nos direcionaremos para uma análise conjunta dos mesmos e as questões sobre a percepção ambiental, com os quais chegamos em síntese às seguintes conclusões:

 

 

 

 A comunidade de Monsuaba sofre com vários tipos de impactos ambientais, que mesmo em diferentes gradações, contribuem ainda mais para a diminuição da qualidade de vida de seus moradores que já enfrentavam uma situação sócio-econômica difícil.

 Esse quadro acaba se agravando à medida que os moradores, em quase sua totalidade, não se apercebem de forma profunda e estruturada as relações causais e a complexidade, referentes aos impactos ambientais, pois mesmo escolhendo em grande parte as opções lógicas do questionário, na prática pouco ou nada é feito, havendo uma “adaptação” progressiva as condições de degradação que vêm ocorrendo. 

 Dessa forma, esperemos que a partir do que a comunidade traz em termos de vivências e percepções, seja estabelecido um trabalho consistente de Educação Ambiental e que essas ações reflitam na ampliação dessas percepções e também em práticas individuais e coletivas adequadas, que resultem numa melhor qualidade de vida da comunidade apesar de todas as adversidades.

 

 

Educação Ambiental

 

A necessidade de ações educativas relacionadas ao ambiente ganha maior vulto nas últimas décadas devido à crescente degradação ambiental expressa nas mais variadas escalas espaciais. A importância do conhecimento da essência da Educação Ambiental, seu desenvolvimento até os dias de hoje e de suas perspectivas, constitui-se em um dos pontos-chave para a sua plena prática; caso contrário apenas resultará em um discurso vazio, ou de práticas de “coletas de latinhas” para reciclagem.

Para buscar uma clareza maior sobre a Educação Ambiental, em si, começaremos pela sua definição. Entre várias definições optamos por aquelas do CONAMA (1996) descrita em Dias (2003) e por aquela que consta em Loureiro, Layrargues e Castro (2002), que na verdade, muito têm em comum e acabam por se complementar, revelando a idéia central da Educação Ambiental. 

Na primeira, a Educação Ambiental, é definida como um processo de formação e informação, orientado para o desenvolvimento da consciência crítica sobre as questões ambientais e de atividades que levem à participação das comunidades na preservação do equilíbrio ambiental. Na segunda a Educação Ambiental “é uma práxis educativa e social que tem por finalidade a construção de valores, conceitos, habilidades e atitudes que possibilitem o entendimento da realidade de vida e atuação lúcida e responsável de atores sociais individuais e coletivos no ambiente”.

Com base na descrição de Dias (2003), podemos destacar as seguintes categorias de objetivos da Educação Ambiental:

1.      Consciência:... ajudar os indivíduos e grupos sociais a sensibilizarem-se e a adquirirem consciência do meio ambiente global e suas questões;

2.      Conhecimento:... a adquirirem diversidade de experiências e compreensão fundamental sobre o meio ambiente e seus problemas;

3.      Comportamento:... a comprometerem-se com uma série de valores, e a sentirem interesse pelo meio ambiente, e participarem da proteção e melhoria do meio ambiente;

4.      Habilidades:... adquirirem as habilidades necessárias para identificar e resolver problemas ambientais;

5.      Participação: proporcionar... a possibilidade de participarem ativamente das tarefas que têm por objetivo resolver os problemas ambientais.

Como princípios da Educação Ambiental, podemos citar: a) considerar o meio ambiente em sua totalidade, ou seja, em seus aspectos naturais e criados pelo homem, tecnológicos e sociais (econômico, político, técnico, histórico-cultural, moral e estético); b) constituir um processo contínuo e permanente, começando  pelo pré-escolar, e continuando através de todas as fases do ensino formal e não formal; c) aplicar um enfoque interdisciplinar, aproveitando o conteúdo específico de cada disciplina, de modo que se adquira uma perspectiva global e equilibrada; d) examinar as principais questões ambientais, de ponto de vista local, regional, nacional e internacional, de modo que os educandos se identifiquem com as condições ambientais de outras regiões geográficas; e) concentrar-se nas situações ambientais atuais, tendo em conta  também a perspectiva histórica; f)  insistir no valor e na necessidade da cooperação local, nacional e internacional para prevenir e resolver os problemas ambientais; g) considerar, de maneira explícita, os aspectos ambientais nos planos de desenvolvimento e de crescimento; h) ajudar a descobrir os sintomas e as causas reais dos problemas ambientais; i) destacar a complexidade dos problemas ambientais e, em conseqüência, a necessidade de desenvolver o censo crítico e as habilidades necessárias para resolver os problemas; j)  utilizar os diversos ambientes educativos e uma ampla gama de métodos para comunicar e adquirir conhecimentos sobre o meio ambiente, acentuando devidamente as atividades práticas e as experiências pessoais.

Muitas discussões e ações têm sido realizadas sobre Educação Ambiental, especialmente a partir da década de 70, começando por Estocolmo, Suécia, em 1972, na conferência da ONU sobre o ambiente humano; essa conferência recomendou que seja desenvolvido um programa internacional de Educação Ambiental vital para o combate à crise ambiental do mundo. Mas, sem dúvida a mais marcante e que representa uma referência internacional e mesmo um marco até os dias de hoje, foi aquela realizada em Tbilisi, capital da Geórgia, em 1977, na qual foram definidos, os objetivos, características, assim como estratégias passíveis de aplicação em nível nacional e internacional. A partir desse evento, foram construídos os alicerces da Educação Ambiental, cujas determinações seriam aperfeiçoadas nos grandes encontros internacionais subseqüentes, como em Moscou em 1987, a Rio-92, Rio+5, Rio+10.

O Brasil, como reflexo desses encontros internacionais e de nacionais, onde pode ser destacada a Conferência Nacional da Educação Ambiental em 1997, é o único país da América Latina que tem uma política sobre esse assunto, cuja lei foi promulgada em abril de 1999. Isso mostra, indubitavelmente, a predisposição dos órgãos oficiais a conferir a importância que a temática merece hoje e no futuro.

 

 

CONCLUSÃO

 

As ações educativas envolvendo o ambiente hoje se tornam prementes, à medida que a degradação ambiental vem avançando em passos largos nas diferentes escalas espaciais do planeta. A Geografia é a ciência que, por todo o conteúdo agregado e a extrema identidade que possui com as questões ambientais, deveria através dos profissionais específicos dessa área do conhecimento humano, ser conduzida em todo o seu potencial para práticas efetivas de Educação Ambiental, o que não vem ocorrendo.

Procuramos enfatizar nesse trabalho, que tal incongruência tem suas raízes na deficiência de apreensão dos fundamentos básicos e destacamos, nesse quadro, informações que possam contribuir para o enriquecimento da temática aqui abordada.

Em nenhum momento houve a pretensão de esgotar o assunto, mas certamente buscou-se, pelo menos levantar o problema e incitar possíveis discussões de acordo com o grau de importância que merece a questão.

 

 

BIBLIOGRAFIA CITADA

 

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BRASIL. Secretaria de Educação Fundamental. Parâmetros curriculares nacionais: geografia. Brasília: MEC/SEF, 1998.

 

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DIB, Khalil Antonio e FIGUEIRA, S. H. L. Impactos ambientais e sua percepção: um estudo da comunidade urbana de Monsuaba, Angra dos Reis. Anais do XIII Encontro Nacional de Geógrafos, João Pessoa, 2002.

 

FAGGIONATO, Sandra. Percepção ambiental: material de apoio – textos. www.educar.cisc.sc.usp.br, 2000.

 

GUERRA, Antonio José Teixeira e CUNHA, Sandra Baptista da (orgs). Impactos ambientais urbanos no Brasil. Rio de Janeiro: Bertrand Brasil, 2001.

 

LEFF, Enrique. Epistemologia ambiental. São Paulo: Cortez, 2002.

 

LOUREIRO, C. F. Bernardo, LAYRARGUES, Philipe Pomier e CASTRO, Ronaldo Souza de (orgs). Educação ambiental: repensando o espaço da cidadania. São Paulo: Cortez, 2002.

 

MEINIG, Donald W. O olho que observa: dez versões para da mesma cena. Rio de Janeiro: Espaço e Cultura, UERJ, jan/jun, 2002.

 

ROSENDAHL, Zeny e CORRÊA, Roberto Lobato (orgs). Manifestações da cultura no espaço. Rio de Janeiro: EdUERJ, 1999.

 

SANTOS, Milton. Metamorfoses do espaço habitado. São Paulo: Hucitec, 5ª edição, 1997.

 

SOUZA, M. L. de. Algumas notas sobre a importância do espaço para o desenvolvimento social. In Território 3, LAGET/UFRJ, Gramond, 1997.