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X SIMPÓSIO BRASILEIRO DE GEOGRAFIA FÍSICA APLICADA


 

CARTILHA INFANTIL SOBRE OS RESQUÍCIOS DE MATA ATLANTICA NA ÁREA URBANA DO MUNCÍPIO DE JUIZ DE FORA – MG


Juliana Coutinho Abdalla Guiseline (jcaguiseline@yahoo.com.br)

Renata Schettino de Souza

Cássia de Castro Martins Ferreira

 

 

Universidade Federal de Juiz de Fora

 


Eixo: 1 – Aplicação da Geografia Física ao Ensino

Sub-eixo: 1.3 – Educação Ambiental

 

 


O município de Juiz de Fora (MG) situa-se na Zona da Mata mineira, e possui aproximadamente 450 mil habitantes, sendo uma cidade de porte médio, sua população encontra-se concentrada dentro do perímetro urbano.

Possuidora de indústrias de vários portes, a cidade vem crescendo a cada dia, e com ela, a preocupação com as questões ambientais. De acordo com a Organização Mundial de Saúde, o índice de área verde por habitante é de 12m2, enquanto em Juiz de Fora este índice é de aproximadamente 2,0 m2 / habitante (VIEIRA:2002)

A vegetação típica encontrada na cidade, é de regeneração de Mata Atlântica em vários estágios, que foi substituída por plantações de café ao longo dos anos dourados dessa cultura. Com a decadência do ciclo do café, em meados dos anos 30, antigas fazendas não utilizaram mais a área da plantação com nenhum cultivo e nem para pastagem do gado, o que propiciou a regeneração da mata nativa, atualmente observada.

Algumas áreas cobertas de vegetação se encontram em estágio avançado de regeneração, abrigando uma população animal e vegetal antes inexistente. Contudo, a população e principalmente as crianças não possuem muitas informações a cerca destas.

As áreas abordadas no presente trabalho são: a Reserva Biológica de Santa Cândida – 113,3 hectares; a Reserva Biológica Municipal do Poço D’Anta – 277 ha; a Mata do Krambeck – 291,1 ha; a mata do Morro do Imperador e a mata do Parque da Lajinha – 44,5 ha, este último aberto à visitação pública.

Em Juiz de Fora, as áreas verdes mencionadas anteriormente, são protegidas por lei, sejam elas municipais ou estaduais, contudo, informações adicionais são difíceis de serem obtidas.

A necessidade de se ter, conhecer e preservar as áreas verdes nos centro urbanos, provem da importância que a vegetação possui de influenciar no clima de determinada área, como reduzir a temperatura, reduzir a velocidade do vento, reduzir a radiação, etc.

Visando esta preservação, elaborou-se uma cartilha, voltada para ao público infantil, com o objetivo de se trabalhar a questão da Educação Ambiental, através de histórias, desenhos, trilhas ecológicas, caminhadas, fazendo com que a “criança urbanizada” também valorize o verde, sendo um dos objetivos, contar a história da mata, a sua importância como uma geobiocenose e como uma área verde encravada na malha urbana.

A elaboração da cartilha das principais áreas verdes urbanas de Juiz de Fora, objetiva ainda, divulgá-las, visando à preservação ambiental das mesmas e de outras menores. O público alvo serão as crianças, pois elas moram na zona urbana da cidade e muitas vezes não sabem que possuímos tamanho “verde”.

A metodologia utilizada no presente trabalho foi empírica e elaborada em três etapas, partindo do princípio de que as áreas possuem proteção legal, o primeiro passo foi fazer uma consulta à legislação ambiental e pesquisa bibliográfica, principalmente nos órgão públicos. A segunda etapa se deu através de trabalho de campo, onde foi realizado descrições da paisagem e “conversas” com moradores antigos que acompanharam a regeneração das matas, além do uso do recurso fotográfico.

Após a coleta de dados e informações, passou-se para a elaboração de textos e confecção de desenhos infantis, onde aparecem alguns exemplares de árvores nativas, exóticas, animais; todos eles contando histórias que já envolveram aquela determinada mata.

O que se espera com a cartilha, é uma conscientização e preservação de nossas áreas de matas, pois elas conservam a biodiversidade, hoje muito rara de ser encontrada nos centros urbanos.

Quando a criança, através da cartilha, conhecer a beleza e exuberância das matas, elas irão contar para os pais, avós, amigos; enfim todos saberão identificar as áreas.

A elaboração da cartilha, em fase final de execução encontra dificuldades no que se refere à questão de divulgação, desta vez não de divulgação das matas, mas sim da própria cartilha, devido à falta de patrocinadores.

É interessante que a população, o poder Público e instituições privadas conheçam o trabalho, pois como menciona VIEIRA “a política de conservação para estas reservas é a incrementação de fiscalização, definição de limites rígidos, proporcionando sua conservação efetiva” (VIEIRA, 1996:03).

 

Bibliografia:

 

AGUIAR, V. T. B. Atlas Geográfico Escolar de Juiz de Fora. Juiz de Fora: Ed. UFJF, 2000.

 

EMBRAPA. Atlas do Meio Ambiente do Brasil. Brasília: Terra Viva, 1994.

 

GUISELINE, J. C. A. Mata do Krambeck. Juiz de Fora: IPPLAN/PJF, 2001. (mimeografado).

 

GUISELINE. J. C. A. Regiões Intra-Urbanas – o caso de Juiz de Fora – MG. Juiz de Fora: UFJF, 2003. (monografia de bacharelado em Geografia).

 

MACHADO, P. J. O., VIEIRA, V. B. et all. Estudo de Avaliação da Mata do Krambeck. Juiz de Fora: IPPLAN/PJF, 1989. (mimeografado).

 

PREFEITURA DE JUIZ DE FORA. Plano Diretor de Juiz de Fora: Diagnóstico. Juiz de Fora: Concorde, 1996.

 

VIEIRA, V. B. A Política de Áreas Verdes do Município de Juiz de Fora. Juiz de Fora: IPPLAN/PJF, 1996. (mimeografado).

 

VIEIRA, V. B. Proposta de Intervenção para o Aumento do Índice de Áreas Verdes Abertas ao Público por Habitante: transformação de áreas remanescentes de loteamentos em Parques Urbanos. Belo Horizonte / Juiz de Fora: Fundação João Pinheiro, 2002. (monografia de especialização).