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X SIMPÓSIO BRASILEIRO DE GEOGRAFIA FÍSICA APLICADA


A CONCEPÇÃO DE MEIO AMBIENTE E EDUCAÇÃO AMBIENTAL DOS ESTUDANTES DE GEOGRAFIA DA UFPB.

 

 

 

YVES DE SOUSA SILVA (yvesousa@yahoo.com.br)*

RAFAEL ANGEL TORQUEMADA GUERRA (guerra@dse.ufpb.br)**

 

 

 

* Estudante de Geografia, CCEN, UFPB. Bolsista do PROLICEN.

**Depto. de Sistemática e Ecologia, CCEN, UFPB.

 

 

 

Palavras chave: Meio Ambiente. Educação Ambiental. Ensino

Eixo 1: Aplicação da Geografia Física ao ensino

Sub-eixo 1.3: Educação Ambiental

 

 


INTRODUÇÃO


Na sociedade contemporânea, a degradação do meio ambiente, juntamente com o conhecimento equivocado sobre o mesmo, configuram-se no principal problema da humanidade diante do grande desafio que se apresenta, na sustentação dos recursos naturais e conseqüentemente da sua própria existência. LEFF (2001, p.191) considera que todos os problemas ambientais que enfrentamos na atualidade estão no limite. Segundo ele: “a crise ambiental é a crise do nosso tempo. O risco ecológico questiona o conhecimento do mundo. Esta crise apresenta-se a nós como um limite no real, que ressignifica e reorienta o curso da história: limite do crescimento econômico e populacional; limite dos desequilíbrios ecológicos e das capacidades de sustentação da vida; limite da pobreza e da desigualdade social”.

Diante desse quadro, a Educação Ambiental nos aparece como uma forma de educar mais abrangente, mais completa, que possa nos remeter não só a refletir, mas também preparar um verdadeiro cidadão, sensibilizando-o sobre o seu papel na sociedade, visando uma relação conjunta do homem e do meio ambiente, no intuito deste ultimo ainda estar íntegro e disponível para as futuras gerações, idéia reforçada pelo pensamento de MEIRELES (2001) quando diz que “a Nova Educação têm, principalmente, essa vantagem: de não se dirigir apenas à escola, à criança e ao professor. Ela atua sobre a família, a sociedade, o povo, a administração. Ela está onde está a vida humana, defendendo-a, justamente, dos agravos que sobre ela deixam cair os homens que se converteram em fantoches, movidos por interesses inferiores, esquecidos das altas qualidades e dos nobres desígnios que definem a humanidade, na sua expressão total”.


Autores como ALENCAR et al (2003) dizem que “. Falar em Educação Ambiental hoje, não significa apenas proteger as plantas ou não matar os animais, mas sim alcançarmos através dela e dos seus objetivos uma melhoria na qualidade de vida do ser humano, pensando tanto de forma local como também global. Caracteriza-se também por incorporar aspectos socioeconômicos, políticos, culturais e históricos, considerando-se as condições e estágios de cada país, região e comunidade, permitindo assim a compreensão da natureza complexa do meio ambiente, analisando-a e assim conhecendo toda interdisciplinaridade que a envolve. A mesma torna-se um exercício para a cidadania, e como seu próprio nome sugere, leva as pessoas a terem competência e capacidade para avaliarem como seus atos podem ou poderão afetar o ambiente, ajudando também a buscar soluções e novas maneiras para beneficiar toda comunidade”.

A Educação Ambiental deve ser aplicada amplamente, sendo considerada uma grande contribuição à educação em geral. Segundo PELICIONI (2002), “A escola constitui um espaço privilegiado para o desenvolvimento da Educação Ambiental, na medida em que possibilita a realização de um trabalho de intervenção sistemático, planejado e controlado”. Sobre o papel dos educadores, PÁDUA (2000) afirma que: “... todo indivíduo tem a capacidade de desempenhar papéis importantes na melhoria do planeta. Aos educadores cabe a responsabilidade de despertar no aprendiz o senso de auto-estima e confiança indispensáveis para que acredite o suficiente em seus potenciais e passe a exercer plenamente sua cidadania”.

A principal função de se trabalhar na escola o tema Meio Ambiente, de acordo com os Temas Transversais, (BRASIL, 1998, p.187) é a de “... contribuir para a formação de cidadãos conscientes, aptos a decidir e atuar na realidade socioambiental de um modo comprometido com a vida, com o bem-estar de cada um e da sociedade, local e global”. Para que isso ocorra, é necessário informar, trabalhar com atitudes e formação de valores, com o ensino e a aprendizagem, e principalmente trabalhar com os professores, para que estes possam repassar tudo isso a seus alunos de maneira correta e da melhor forma possível. Trata-se na verdade de um grande desafio!

Para GUERRA (2003), “se observarmos com atenção a atual relação do homem com a natureza, torna-se difícil imaginarmos que essa relação já foi um dia equilibrada. O que se percebe atualmente, é uma ação desequilibrada por parte do ser humano em relação à natureza. A dicotomia homem-natureza é sem dúvida, uma crença que torna difícil nos considerarmos como parte integrante da natureza, e não como um ser superior a ela”. KLUCKHOHN (apud HUTCHISON 2000, p.32) defende a “... existência de três orientações contrastantes que, ao longo da história, formam a base para a relação do ser humano com o mundo natural: o ser humano como subjugado à natureza; o ser humano como dominador da natureza e o ser humano como uma parte implícita da natureza. Na primeira, o mundo natural é considerado onipotente, incapaz de ser manejado e imprevisível, na segunda, os seres humanos são considerados mestres e superiores ao mundo natural e, na terceira, a vida das pessoas – não apenas em nível biológico, mas também em nível cultural e psicológico-interliga-se com o funcionamento do ambiente natural”.

Segundo VILAS-BOAS (2002, p.6), “Partindo do pressuposto, compartilhado por vários autores, de que a problemática da degradação ambiental reside no modelo econômico, cultural e antropocêntrico adotado na modernidade, que caminhos poderemos trilhar para um novo modelo de desenvolvimento? Como conscientizar a humanidade para a necessidade da mudança nos hábitos de produção e de consumo? A complexidade da problemática ambiental poderá conduzir o ser humano a uma nova forma de ver e compreender as relações estabelecidas entre sociedade e natureza?”

Em Educação Ambiental, podemos utilizar conteúdos bem diversificados, como saneamento básico, poluição em geral, desperdício da água, lixo e sua reciclagem, biodiversidade, aterro dos mangues entre outros, não com o objetivo de transmitir conceitos específicos, mas fazendo uma ligação entre estes e os problemas ambientais do nosso cotidiano. Na verdade, a EA é muito mais do que sensibilizar sobre estas questões, mas num futuro bem próximo ela poderá se tornar um elo entre todas as disciplinas, preenchendo uma lacuna na educação, que é a valorização da vida e do meio ambiente.

Devido a essa abrangência entre várias disciplinas, muitas pessoas acabam confundindo Educação Ambiental, Meio Ambiente e Ecologia, e isto acabou tornando-se um fato bastante comum verificado em contato com muitos professores de diversas escolas públicas de João Pessoa, que acabam estabelecendo uma confusão conceitual entre estes temas e conseqüentemente sendo passado para os estudantes que, mais tarde o repassarão para outros abaixo deles e assim por diante.

Esse embaralhamento conceitual e de entendimento acaba sendo passado para o aluno que, aumenta mais ainda a confusão. A maior divergência ocorre entre o entendimento do que seja Ecologia e do que seja Educação Ambiental, achando que ambas tem por finalidade estudar a natureza.

De acordo com FAGGIONATO (2002), “cada indivíduo percebe, reage e responde diferentemente frente às ações sobre o meio. As respostas ou manifestações são, portanto, resultado das percepções, dos processos cognitivos, julgamentos e expectativas de cada indivíduo” Assim, estudos da percepção que os indivíduos tem acerca de seu meio, são de fundamental importância para que possamos compreender melhor a inter-relação entre o homem e o ambiente e dar inicio a uma mudança de pensamento das pessoas em relação à construção de um mundo mais justo, digno e ecologicamente equilibrado. Essas mudanças são possíveis através principalmente da escola que precisa muito mais cultivar comportamentos do que transmitir informações. Nenhuma nação alcançou o desenvolvimento sem ter a sua base na educação, esta pode não ser a única referência para a evolução, mas com certeza não se atingirá o desenvolvimento sem antes se passar pela educação. Então, como parte de nossos estudos de percepção, e levando em conta a confusão conceitual estabelecida no ensino fundamental, nos propomos aqui, investigar que concepção os estudantes de Geografia da UFPB, futuros geógrafos e professores das escolas de ensino fundamental e médio tinham a respeito de Meio Ambiente Educação Ambiental.


METODOLOGIA


Para o desenvolvimento do trabalho, utilizamos a aplicação de um questionário semi-estruturado com 4 questões, respondido por 40 estudantes, cinco de cada um dos oito períodos do curso, colhidos aleatoriamente.

As questões eram:

1– Na sua opinião, é possível existir uma Educação Ambiental e outra não ambiental? Por quê?

2- Para você, meio ambiente é:

3– No seu entendimento, a Educação Ambiental e a Ecologia tem a mesma finalidade?

4– A Educação Ambiental deve tratar:

A( ) das relações do homem com o seu meio;

B( ) das relações do homem com o homem;

C( ) só dos problemas ambientais;

D( ) dos problemas relacionados com a pobreza;

E( ) de ensinar como se relacionar com a natureza.




RESULTADOS


Para a análise dos resultados, procuramos não nos basearmos somente nos dados quantitativos da tabulação, mas em toda e qualquer expressão no contexto de seus relatos, em que as mais variadas peculiaridades encontradas configuram-se nos detalhes decisivos, na busca de um melhor entendimento de suas concepções, valorizando todas as suas respostas, sendo principalmente levadas em consideração as suas opiniões pessoais sobre a questão, para finalmente buscarmos verificar que percepção esses estudantes tinham sobre Meio Ambienta e Educação Ambiental.

Segundo FAGGIONATO (2002), “Diversas são as formas de se estudar a percepção ambiental: questionários, mapas mentais ou contorno, representação fotográfica, etc. Existem ainda trabalhos em percepção ambiental que buscam não apenas o entendimento do que o indivíduo percebe, mas promover a sensibilização, bem como o desenvolvimento do sistema de percepção e compreensão do ambiente”.

De acordo com a citação acima, o questionário apresentado na metodologia e as respostas obtidas, encontramos resultados que deixam evidentes grandes divergências conceituais, sobre a possibilidade de existência de uma Educação Ambiental e outra não ambiental, caracterizada pela divisão de opiniões, como mostram algumas das respostas inseridas no trabalho, retiradas de forma aleatória dos questionários. Como as apresentadas abaixo, referentes à primeira questão, em que se perguntava: Na sua opinião, é possível existir uma educação ambiental e outra não ambiental?


Não! Porque a educação ambiental trata do bom relacionamento com o meio onde ele vive (natureza) o que poderíamos chamar de educação não ambiental, seriam culturas erradas e a ganância do homem por dinheiro”. (segundo período).

Sim, porque na sociedade em que vivemos, convivemos com vários tipos de personalidades, como, por exemplo, existem pessoas ignorantes e inteligentes”.(primeiro período).

Sim, a educação ambiental não é aplicada em escolas de nível médio (na maioria das escolas)”.(quinto período)

Não, pois na atual fase de exploração do meio ambiente, seria impossível educar o homem sem relaciona-lo ao meio”. (quinto período)

Sim. Ambas devem estar presentes, na fundamentação do conhecimento e da educação acadêmica”. (quarto período).

Sim, porque apesar da questão ambiental estar presente em praticamente todo o sistema existem algumas coisas que não interferem na questão ambiental”. (quarto período).

Não, porque não temos como separar, qualquer tipo de educação, pois educação é para a vida, o habitat humano inclui educação em todos os aspectos”. (quinto período)

Não. O certo é existir uma educação ambiental apenas, para as pessoas aprenderem como se deve cuidar, não só da natureza, mas do próprio ambiente em que vive, com respeito e educação”.(quarto período).


De acordo com os resultados, 67,5% dos estudantes de geografia compreenderam que no âmbito educacional só existe um único modo de formação, o da Educação Ambiental, que deve ser entendido como uma concepção educacional mais abrangente em que sejam formados estudantes não só com noções científicas, mas também de cidadania e comportamento. Entretanto, um número expressivo de estudantes, 30% entendeu de outra forma, e vêem a existência também de uma Educação não Ambiental, denotando um equívoco nas suas concepções, ao não aceitarem ou não compreenderem que a temática ambiental abrange bem mais que o simples “estudo da natureza”, englobando todo o meio em que vivemos, com conseqüências diretas na nossa sociedade. Afinal, sabemos que sociedade e natureza não compõem realidades isoladas, ao contrário, formam um todo. Ainda nessa questão 2,5% se abstiveram ou não souberam responder.

Podemos perceber então que, na realidade, pelo menos 32,5% dos consultados não tem uma noção verdadeira do que venha a ser a EA, ao admitir que possa existir outra educação. Por outro lado, a educação que se realiza hoje nas escolas, na forma como é desenvolvida pode, de certa forma, dar razão a esses estudantes uma vez que ela pode ser tudo menos ambiental, ocorrendo até mesmo uma banalização do termo. Reforçado por FLICKINGER (apud MEDEIROS, 2002) quando diz que “o termo educação antes de ambiental é problemático porque tem gerado a idéia de que a pratica nessa área possa ser igual à prática de ensino na escola, estéril e cheia de erros científicos”.

Com relação à segunda questão, a título de introdução básica no que diz respeito ao Meio Ambiente, usaremos, como parâmetro comparativo, o conceito de GRISI (2000, p.121) para o meio ambiente que é “reunião do ambiente físico e seus componentes bióticos”, bastante semelhante ao estabelecido nos Parâmetros Curriculares Nacionais (BRASIL, 1998). Para ele, GRISI, “a expressão meio ambiente é considerada por alguns autores como dúbia e pleonástica e como tal, inclui dimensões muito amplas com conotações econômicas, sócio cultural e de segurança, inerentes ao ambiente humano”.

A análise inicial das respostas mostrou que, dos 40 estudantes envolvidos na pesquisa, 2 (5,0%) associaram meio ambiente com aquilo que nos rodeia, 4 (10,0%) responderam fazendo associação com o ecossistema, 7 (17,5%) associaram com o local onde possam viver vários seres, 8 (20,0%) fizera associação com vida, natureza, 17 (42,5%) fizeram associação com o local em que vivemos e 2 (5,0%) fizeram outras associações. Ainda dentro das respostas já apresentadas, 4 dos consultados fizeram, claramente, uma associação com o ambiente natural e o artificial, criado pelo homem. As respostas, numa primeira análise, estão, em sua maioria, de acordo com os conceitos tradicionais para meio ambiente, inclusive os estabelecidos aqui.

Alguns autores, como DIEGUES (2001, p.42), aborda dois grandes enfoques ou correntes na análise da relação homem-natureza. “A primeira corrente é a Biocêntrica ou Ecocêntrica, onde se pretende ver o mundo natural em sua totalidade, na qual o homem está inserido como qualquer ser vivo. Além disso, o mundo natural tem um valor em si mesmo, independente da utilidade que possa ter para os humanos”.Do total de quarenta alunos consultados, 19 (47,5%), mostraram ter uma concepção do tipo ecocêntrica de meio ambiente, como mostram os exemplos a seguir:


É um sistema integrado, com diversas espécies de seres vivos, que resulta nas condições que possa haver a vida, em um ciclo que se renova constantemente”. (quarto período).

Elementos formadores do espaço e suas inter-relações”.(oitavo período)

Tudo que se relaciona com a natureza física”.(sexto período)

O conjunto de sistemas em harmonia que juntos compõem a natureza como um todo”.(segundo período)


Ainda segundo o mesmo autor, “Numa outra corrente, chamada de Antropocêntrica, se entende que o homem tem direitos de controle e posse sobre a natureza, sobretudo por meio da ciência moderna e da tecnologia”.A natureza não tem valor em si, constituindo-se em uma “reserva de recursos” a serem explorados pelo homem, 19 (47,5%) dos alunos tiveram como base à sua resposta essa concepção, exemplificado a seguir:


A região, espaço físico, no qual o homem relaciona-se e interage com os recursos naturais”. (segundo período)

É todo o conjunto natural e social que se desenvolve sobre a crosta terrestre”. (quarto período).

É a natureza transformada, humanizada, lugar de relações harmônicas. O espaço vital”. (quinto período)

O meio ambiente é constituído pela litosfera, hidrosfera, atmosfera e a biosfera. Onde o homem influi e exerce extrativismos (animal e vegetal), necessários a sua sobrevivência e que hoje em dia neste modo de produção (capitalista) é utilizado como meio de acumulação de capital”. (sexto período)


A primeira observação que nos salta aos olhos é a visão ecológica, simplista e acadêmica da maioria dos consultados. Em nenhum momento algum deles fez alguma menção aos problemas presentes no meio ambiente nem aos seus causadores, nós. A espécie dominante, o Homo sapiens, apenas habita esse meio ambiente como foi mostrado nas respostas de 47,5% dos estudantes. Mas o faz de forma insípida e inodora. Ou seja, nesse habitar, não se incluem a degradação ambiental, a poluição do ar, do solo e da água, a miséria, a superpopulação, as relações desarmônicas entre os homens e entre estes e os demais seres vivos.

Meio ambiente e problemas ambientais, em sua concepção, aparentemente não tem ligação nenhuma. Essa constatação é um problema já identificado anteriormente por outros autores e que tem, aparentemente, suas origens em nossa cultura antropocêntrica, aquela que separa o Homem – como centro de tudo – e a natureza, tão presente na educação moderna.

Autores como DREW (1994, p.194) explicam que “O conceito do homem como guardião da Terra vigora de novo, mais por egoísmo do que por benevolência para com o mundo natural. É necessário que o homem tenha a consciência de que devemos pensar em agir individualmente e não esperar que alguém tenha algo importante a realizar em relação à questão ambiental, para que possamos seguir o exemplo. Os bons exemplos devem ser seguidos, mas não devemos pensar que as soluções para as problemáticas ambientais estejam apenas com a classe científica que realiza estudos a respeito do assunto”.

Na terceira questão: No seu entendimento, a Educação Ambiental e a Ecologia têm a mesma finalidade? Também houve muitas divergências conceituais. Desta vez alguns dos estudantes equivocaram–se a respeito das finalidades da Educação Ambiental e da Ecologia, inclusive confundindo uma com a outra, ocorrendo um verdadeiro embaralhamento conceitual na definição de ambas, como pode ser verificado em algumas das respostas selecionadas abaixo:


Não, porque cada qual tem seus objetivos específicos, isto não implica que ambas não se insiram uma na outra”.(oitavo período).

Não, pois a ecologia, preocupa-se apenas com o meio biológico, enquanto que a educação ambiental, trata do ambiente e a relação do homem com ele”. (sétimo período)

Tem similaridades, mas com finalidades diferentes, a primeira é consciência para bom uso e aproveitamento da natureza, a segunda identifica e estuda as causas e efeitos bem como suas relações”.(quinto período)

Não. A educação ambiental é a melhor forma de utilizar os recursos naturais, de estar em contato com a natureza, sem degrada-la. A ecologia é o estudo das relações entre os seres vivos com o meio ambiente e com eles entre si”. (sexto período).

Não. A E.A. tem como finalidade relacionar, ou melhor, intensificar o relacionamento do homem com o meio ambiente de forma sustentável e respeitável”. (sexto período).

Sim. Porque ambas têm por finalidade despertar o homem sobre a questão ambiental”. (segundo período).

Sim, já que ambos tratam e têm como objetivo final o estudo da natureza e suas transformações”. (segundo período).

A educação ambiental, na minha modesta opinião lida com o estudo de várias ciências, uma delas é a ecologia”.(sexto período).


Em relação à finalidade da EA e da Ecologia, 60,0% dos estudantes acertadamente compreenderam que a Educação Ambiental e a Ecologia têm finalidades diferentes, entretanto um número expressivo de estudantes, maior até do que na questão anterior, entendeu de outra forma, no que 37,5% acharam que a Educação Ambiental e a Ecologia têm as mesmas finalidades, mostrando não conhecer o verdadeiro objetivo das duas e, provavelmente, tendo um conceito também distorcido de ambas. Segundo ODUM (1986, p.1), a Ecologia tem por finalidade estudar o “lugar onde se vive, com ênfase sobre a totalidade ou padrão de relações entre os organismos e o seu ambiente” .Já a EA tem o objetivo de sensibilizar as pessoas a relacionar-se com o meio ambiente de forma cidadã buscando uma maneira de pelo menos minimizar os problemas ambientais. Em conjunto, todas estas divergências conceituais são danosas, principalmente para os estudantes do ensino formal, levando-se em consideração que, provavelmente estes serão alguns dos profissionais que transmitirão os ensinamentos da temática ambiental nas escolas, e ao ensinar a seus futuros alunos, assuntos que envolvem esta temática, a partir dos seus atuais conceitos, eles estarão contribuindo para uma formação ambiental equivocada, que além do mais será repassada, e está diretamente ligada a formação do indivíduo como cidadão. Ainda nesta questão, apenas 2,5% não respondeu ou não soube responder.

A quarta questão foi a que apresentou maiores divergências conceituais, quando foi perguntado aos alunos sobre o que a Educação Ambiental deveria tratar. Foram dadas cinco alternativas, das quais eles poderiam escolher quantas julgassem corretas. As alternativas que poderiam ser assinaladas foram: (A)-Das relações do homem com o seu meio; (B)-das relações do homem com o homem; (C)-só dos problemas ambientais; (D)-dos problemas relacionados com a pobreza; (E)-de ensinar como se relacionar com a natureza.

 

Quadro – respostas dos alunos à questão: A EA deve tratar:

 

Resp/Período

GERAL

A

1

2

4

1

2

-

2

3

37,5%

E

1

3

-

4

-

3

1

1

32,5%

AE

2

-

-

-

3

-

1

-

15,0%

ABE

1

-

1

-

-

-

-

-

5,0%

B

-

-

-

-

-

1

-

-

2,5%

D

-

-

-

-

-

-

1

-

2,5%

ACE

-

-

-

-

-

1

-

-

2,5%

ABDE

-

-

-

-

-

-

-

1

2,5%

NR

-

-

-

-

-

-

-

-

0,0%


Das alternativas, a mais assinalada foi a A que tratava somente das relações do homem com o seu meio, em que 37,5% dos estudantes acreditam que a EA deve se deter somente ao meio humano, desprezando as relações com o espaço natural que não esteja em contato direto com a sociedade, contrariando o que diz MARX (apud CÂNDIDO 1987, p.24) quando afirma que “a historia poderá ser encarada de dois lados e dividida em historia da natureza e historia dos homens. Mas os dois lados não podem ser separados do tempo: enquanto houver homens, a historia da natureza e a historia dos homens se condicionarão reciprocamente”.

A alternativa E, obteve uma porcentagem semelhante à alternativa mais assinalada, escolhida por 32,5% dos estudantes, cerca de 1/3, afirmando que a Educação Ambiental deveria tratar unicamente de ensinar como se relacionar com a natureza, ou seja, estes alunos não conseguem ver que o homem também faz parte do meio ambiente, deixando de lado as relações antrópicas e conseqüentemente restringem o processo de sensibilização com relação às formas de atuar na sociedade.

A terceira alternativa mais citada foi um somatório das duas, A e E, em uma única questão, que tratavam do ensino de como se relacionar com a natureza e das relações do homem com o seu meio simultaneamente, com 15,0% dos consultados. Estes tiveram uma visão mais abrangente que os das alternativas anteriores, porém deixaram de lado as relações do homem com o próprio homem e todos os problemas sociais que estão contidos nesta relação, que também contribuem para o agravamento dos problemas ambientais, pois ao contrário do que muita gente pensa, os problemas ambientais não se restringem apenas à proteção da vida, mas também à qualidade desta.

Se juntarmos as porcentagens das três alternativas que foram mais citadas, veremos que 85,0% dos estudantes de Geografia se restringiram a aceitar que a EA só possa interferir nas relações do homem com o seu meio e no ensino de como se relacionar com a natureza, o que representa uma grande incoerência ou limitação, no exercício da profissão de professor e de geógrafo, que de forma alguma podem se abster de estudar as relações do homem com o homem, onde estão inseridas as problemáticas antrópicas, dentro de um de seus principais campos de estudo, o Espaço Geográfico, os espaços construídos, além de negligenciar os problemas relacionados à pobreza, negando então todos os paradigmas referenciados pela Geografia Crítica.

Já na quarta alternativa, um pequeno número de estudantes, 5,0%, novamente reconheceu que a EA deveria estudar as relações do homem com o seu meio e de ensinar como se relacionar com a natureza, agora incluindo as relações do homem com o homem, porém excluindo a alternativa que relacionava aos problemas com a pobreza, e conseqüentemente esquecendo a atuação nos problemas sociais.

Apenas 2,5%, ou seja, um único estudante em um universo de 40, demonstrou ter, realmente, uma visão mais holística da questão e assinalou acertadamente as alternativas ABDE simultaneamente, respondendo que a Educação Ambiental deve tratar das relações do homem com o seu meio; das relações do homem com o homem; dos problemas relacionados com a pobreza; e de ensinar como se relacionar com a natureza, todos de forma conjunta, denotando que o processo educacional no âmbito ambiental prepara o indivíduo não só como estudante, mas também como ser humano, sensibilizando as pessoas a relacionar-se com o meio ambiente de forma cidadã, pois a cada dia estes vem aumentando mais e mais, se tornando eminente que o homem sofra de forma definitiva as conseqüências pela negligência a respeito da sua relação com o meio ambiente e com si próprio.

Nas demais alternativas, 2,5% assinalou que a Educação Ambiental deve tratar unicamente das relações do homem com o homem, em uma visão radicalmente antropocêntrica, não dando a menor importância ao Espaço Natural e esquecendo inclusive dos impactos ambientais dentro do próprio Espaço Geográfico. Em igual percentual, aparece a alternativa que trata somente dos problemas relacionados à pobreza, dando a entender que a EA pode ser vista unicamente como uma entidade filantrópica de auxilio às problemáticas sociais, ou talvez se tenha a idéia de que os problemas ambientais sejam advindos ou resultantes dos problemas relacionados à pobreza, tese, aliás, bastante discutida, e vista por MEDINA (apud MEDEIROS, 2002) afirmando que “os problemas ambientais não são unicamente os que derivam do aproveitamento dos recursos naturais e os que se originam da contaminação, mas também aqueles advindos do subdesenvolvimento”. Esse tipo de pensamento é questionado por muitos geógrafos e ambientalistas, que advertem que os maiores emissores de CO2 são os países desenvolvidos, e muitos desses já tem comprometido grande parte de seus recursos naturais Completando as respostas, 2,5% dos estudantes assinalaram as alternativas A, C e E simultaneamente. Este único aluno não percebeu que a alternativa C era a única excludente, ou seja, quem a assinalasse não poderia assinalar nenhuma outra como ele o fez.

Por fim, no decorrer da análise, observamos que não houve uma diferença considerável entre as respostas dadas pelos estudantes dos primeiros períodos do curso em comparação com as dos estudantes dos últimos períodos. Era de esperar uma complexidade crescente nessas respostas, mas isso não foi verificado.


CONSIDERAÇÕES FINAIS

Esperávamos, em princípio, não uma unanimidade conceitual sobre Educação Ambiental e também de algo tão controverso como o meio ambiente, mas encontrar respostas mais prolixas, menos pragmáticas, econômicas etc. Quanto aos enfoques antropocêntricos e ecocêntricos, já esperávamos deparar-nos com as respostas apresentadas. Mas, realmente, a ausência de respostas que pudessem criar polêmica, que demonstrassem novas formas de encarar o mundo, novas posturas diante dos novos paradigmas da educação e da temática ambiental. Mais uma vez ficou claro haver uma fragmentação, uma divisão do conhecimento em compartimentos. O próprio isolamento geográfico nos campi das universidades faz com que estudantes de Geografia dificilmente tenham contato e troca de experiências e idéias com estudantes de outros cursos, sejam eles da área de humanas ou da saúde ou mesmo de exatas e tecnológicas.Essa falta de troca de experiências, de vivências, impede o desenvolvimento de um raciocínio mais holístico, permanecendo o pensamento restritivo. Isso tudo faz com que as mentes deixem de funcionar como pára-quedas que só funcionam quando estão abertos.

A partir dos dados apresentados neste trabalho, entende-se que boa parte das deficiências e, conseqüentemente das falhas ocorridas no desenvolvimento de projetos e ações que envolvam a temática ambiental, são advindas de equívocos ocorridos na base, ou seja, nas definições e concepções, como foi visto nas mais variadas idéias que os estudantes tem do que seja Ecologia, Meio Ambiente e principalmente Educação Ambiental, que deve estar inserida em todas as formas de conhecimento, sendo integrada em todas as matérias do currículo escolar e ensinada em qualquer nível, como também pode ser tratada de forma isolada, mas sem ser definida como uma área especializada, para assim manter a sua razão interdisciplinar.

Outrossim, não se trata apenas de dar nomes corretos a cada uma das definições, dentre as epistemologias praticadas no âmbito ambiental, mas do verdadeiro entendimento de cada um desses fatores, e que através da Educação Ambiental eles comecem a fazer parte do cotidiano de todos, e ainda que tardiamente, a sociedade repense a forma de interagir com o Meio Ambiente, na eminência de as gerações futuras não o terem nem sequer neste nível de degradação ambiental atual. E a melhor forma de se conseguir a sensibilização desta sociedade indiferente aos impactos ambientais é a informação sobre tudo o que passa despercebido aos olhos, mas que deixa marcas irreparáveis no nosso planeta.

Temos que começar a agir dentro das possibilidades, e, mas à frente poderemos estar fazendo o que parecia quase impossível. Para tanto, o ponto de partida deste processo, tem que ser dado preferencialmente através dos mais jovens que terão um tempo maior de gerenciamento e convivência com o planeta. É preciso que sejam não só cidadãos conscientes, mas também formadores e disseminadores de pensamentos, contribuindo através do saber para desenvolver a verdadeira evolução da humanidade, não necessariamente tecnológica, mas ecologicamente correta. Toda a importância que o projeto educacional de uma nação tem no desenvolvimento da mesma pode ser expressa por MEIRELES (2001) quando afirma que “A escola é que sempre nos dirá o que somos e o que seremos. Ela é o índice da formação dos povos, por ela se tem a medida das suas inquietudes, dos seus projetos, das suas conquistas e dos seus ideais”.

Por fim, reforçamos a importância em destacar a necessidade da Educação Ambiental nas escolas de ensino fundamental, médio e superior, havendo antes de uma “mudança” no ensino formal, uma melhor orientação ao ensino superior, que não seja tão segmentada, fragmentada, compartimentada, ocorrendo uma relação insuficiente, ou mesmo a falta desta, entre estudantes universitários das mais diversas áreas, e como conseqüência disso a idéia absurda para os dias atuais de que atitudes a nível ambiental só possam ser estendidas às Geociências e Biociências. Outra idéia que se possa ter, é que a Educação Ambiental, só pode ser praticada por professores. Parece até que o planeta em que moram os professores e os “ambientalistas” não é o mesmo em que vivem os médicos, advogados, engenheiros e demais profissionais. Mas tudo tem seu inicio, e os professores de geografia fazem parte deste principio de sustentabilidade que a sociedade vem buscando, só agora que a mesma se vê ameaçada pela sua própria ação, e neste sentido os geógrafos e os professores de geografia figuram como alguns dos profissionais que tem as maiores oportunidades de semear as informações sobre a temática ambiental, sendo assim, é fundamental que haja cuidado na formação destes, para que não ocorra uma distorção em suas definições, evidenciando que há uma certa confusão conceitual instalada e que deve ser corrigida antes que estes estudantes dêem continuidade à realidade já verificada nas escolas por nós no decorrer de nossos trabalhos de Educação Ambiental.



REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS


ALENCAR, I. C; GUERRA, R. A. T; SILVA, Y. S. S. A Educação Ambiental na visão dos estudantes de Ciências Biológicas da UFPB. Anais em CD-ROM do Segundo Encontro Temático Meio Ambiente e Educação Ambiental na UFPB, João Pessoa, 9 a 11 de junho de 2003.

 

BRASIL. SECRETARIA DE EDUCAÇÃO FUNDAMENTAL. Parâmetros Curriculares Nacionais. Terceiro e Quarto ciclos: Apresentação dos temas transversais. Brasília: MEC/ SEF, 1998. 436p.

 

CÂNDIDO, A. Os Parceiros do Rio Bonito. Estudo sobre o caipira paulista e a transformação dos seus meios de vida. Rio de Janeiro: José Olímpio. 1964

DIEGUES, Antônio C. O mito moderno da natureza intocada. São Paulo: Hucitec, 2001. 169p.

 

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