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E1-1.4-T234

X SIMPÓSIO BRASILEIRO DE GEOGRAFIA FÍSICA APLICADA





USO DE SOFTWARE NA CONFECÇÃO DE MAQUETES:

RELATO DE UMA EXPERIÊNCIA

 



 

RIBEIRO, Mônica de Oliveira

PEDRA, Bruno Victor

SOUZA, Carla Juscélia de Oliveira 1

 

 

Professora orientadora1

Curso de Geografia e Análise Ambiental

Centro Universitário de Belo Horizonte – UNI-BH

 

 

 


 

INTRODUÇÃO

Este trabalho trata de uma experiência vivenciada durante o desenvolvimento da disciplina de Geomorfologia Climática Estrutural 2, do Curso de Geografia e Análise Ambiental do Centro Universitário de Belo Horizonte UNI-BH.

O trabalho pretende mostrar a possibilidade do uso de novas tecnologias (Softwares), para auxilio e/ou tratamento de dados geográficos na produção de maquetes, verdadeiras representações em escala reduzida do real.

LOCALIZAÇÃO DA ÁREA REPRESENTADA E METODOLOGIA PRÉVIA

A área representada em questão, trata-se da bacia hidrográfica do Alto Curso do Córrego Cercadinho, situada no município de Belo Horizonte no estado de Minas Gerais. A bacia possui as seguintes formações geológicas: dolomitos, filitos, quartzitos e itabiritos.

Segundo SIMÕES (1994), desde os tempos mais remotos o homem sentiu a necessidade de conservar informações sobre as áreas que percorria, logo surgem as primeiras representações da superfície da Terra, os mapas. Esses, foram aperfeiçoados com o avanço da tecnologia e diversificado quanto as temáticas. O topográfico, que trás a representação da superfície do terreno, é produto da tecnologia e constitui um importante recurso para a transposição do bi para o tridimensional.

A construção da maquete da bacia hidrográfica do córrego do Cercadinho enquanto representação reduzida e simplificada do terreno, tornou-se possível através da utilização da carta topográfica ( figura 1) na escala de 1: 10.000 da área já mencionada.
 


Figura 1: Carta Topográfica da Bacia do Alto Cercadinho


Embasado na leitura dos textos de SIMIELLI (1993) optou-se por representar a referente bacia, através da técnica de desencadeamento de perfis, desta forma o primeiro procedimento a ser realizado foi a confecção de vinte e nove perfis topográficos transversais, ao eixo do curso principal, paralelos no sentido W-E separados entre si por distâncias iguais de 1 cm.

Tomando como base as curvas de nível mestras quantificou-se as demais, e manualmente foram construídas 29 tabelas uma para cada perfil, contendo duas variáveis X que representa em centímetros a distância entre as curvas e Y que representa a altitude. Na carta as eqüidistâncias das curvas são de cinco metros. Com a elaboração das tabelas observou-se a inviabilidade da representação em folha milimetrada dos perfil, pois a topografia da área apresenta-se bastante íngreme. As curvas encontram-se próximas e cada perfil possuía mais de 40 pontos, isso pode ser compreendido, pois a carta representa áreas de nascente.

Então buscou-se auxilio em um Software; o Excel, para elaborar as tabelas e gerar os perfis, mas ao lançar os dados no programa para a produção dos perfis percebeu-se que os mesmos eram gerados em escalas diferentes. O software Excel não possuí ferramentas relacionadas a produção de escala.

Neste momento fica claro que se aprende muito através de tentativas e erros. Logo as limitações causadas pelo software Excel fez com que buscássemos outro programa mais apropriado; o Surfer que favoreceu a descoberta de uma nova técnica.

A UTILIZAÇÃO DO SOFTWARE E A PRODUÇÃO DIGITAL DA MAQUETE

Os dados armazenados no Excel foram transferidos para o Software Surfer (Surface Mapping System) versão 6.01. É um software utilizado principalmente por geólogos e geomorfólogos, para trabalhar com dados topográficos e gerar perfis, mapas, e até mesmo blocos diagramas sendo possível representar as irregularidades do terreno causadas pela erosão diferencial.

O programa proporcionou a construção de perfis bidimensionais de mesma escala, e também de um bloco tridimensional representativo da bacia do alto curso do Córrego Cercadinho.

As tabelas construídas no Excel possuíam dois eixos X e Y, mas para a produção de um bloco diagrama era necessário a variável Z. A partir dos dados já organizados no Sufer foi gerou-se o bloco diagrama (Figura 2), que representa em 3 dimensões a Bacia do Alto Curso do Córrego Cercadinho.

 

Figura 2: Blocos diagrama em 3 dimensões observados em diversas posições
 

 

 

Após a construção do bloco-diagrama, o software possibilitou a produção de uma nova carta altimétrica (figura 3), gerada a partir da carta topográfica inicial. O Surfer permite que se manipule a eqüidistância das curvas de nível de modo que atenda aos objetivos do trabalho à ser realizado.

Figura 3: Carta Altimétrica produzida através do Surfer

 

 

No final de todo esse processo a maquete, embora virtual já encontrava-se pronta, mas o desejo de vê-la materializada nos condicionou a elabora-la utilizando vários recursos didáticos mencionados a posteriori.

A CARTA ALTIMETRICA GERADA NO SOTWARE SURFER E A MATERIALIZAÇÃO DA MAQUETE

Segundo ZABALLA (1998) a nova cultura da aprendizagem favorece o desenvolvimento de novas competências e habilidades no acesso e processamento da informação mediante as novas tecnologias.

A construção da carta altimétrica produzida através do Surfer viabilizou o processo de materialização da maquete, através de uma nova técnica; a sobreposição de perfis. A carta foi impressa em papel formato A4 e posteriormente ampliada para o formato A3, assim, iniciou-se o processo de materialização da maquete seguindo os seguintes passos:

1. Com a carta altimétrica já ampliada, para o formato A3, foram produzidos os moldes de cada curva de nível em cartolina;
2. Os moldes foram desenhados e cortados em lâminas de isopor com espessura de 0,5 cm para amenizar o exagero vertical da maquete;
3. Os moldes já cortados em isopor foram sobrepostos utilizando cola própria e observando as curvas altimétricas;
4. Com a maquete já pronta utilizou-se massa corrida para recobrir as curvas respeitando as variações altimétricas. Obs.: a maquete poderia ser utilizada sem a cobertura de massa corrida para enfatizar a variação altimétrica;
5. Após a solidificação da massa corrida, lixou-se a maquete para retirar as imperfeições. Para a pintura utilizou-se tinta de tecido. A vegetação (extrato arbóreo) foi representada utilizando fio de luz e serragem colorida.

Embora, o cuidado com a confecção da maquete tenha sido imenso a primeira a ser produzida possui um erro gravíssimo. As curvas de nível foram invertidas, ou seja, a maior cota altimétrica tornou-se a menor. Sendo assim a primeira maquete corresponde ao material erodido do terreno partindo do principio de que o relevo, no passado, era tabular.

A segunda maquete foi construída seguindo o passo a passo já mencionado, corrigindo o erro da inversão de valores das cotas altimétricas. Após concluida representou-se o mergulho geológico das camadas rochosas e as diferentes formações adquiridas na base do bloco diagrama a partir de informações retiradas do mapa geológico de Minas Gerais do Projeto Radam Brasil como mostra a figura 4.


Figuras 4: A maquete digital e a real

 

 


 

 


 



 

CONSIDERAÇÕES FINAIS

A possibilidade de elaboração de modelos de superfície terrestre vêem de encontro as novas perspectivas da nova geografia, que segundo MINSHULL (1975), para a nova abordagem do conhecimento as respostas não devem ser encontradas nos lugares, nas últimas publicações estatísticas e nem nas bibliotecas locais, tem que ser imaginada uma explicação para o funcionamento do sistema.

O desenvolvimento da maquete, ainda na universidade, favorece a prática de transformar conteúdos teóricos trabalhados, principalmente, na cartografia e geomorfologia, em objeto de estudo que auxiliará na prática da docência futura, e na transposição didática do conhecimento científico.

A realização da oficina proporcionou a evidência das múltiplas linguagens no processo de ensino-aprendizagem, e também a descoberta de novas tecnologias voltada para trabalhos de cunho geográfico. Essas são contempladas nas leis de diretrizes e bases como recurso importante e necessário na formação profissional dos docentes da escola básica.

O processo de busca reflexão e construção do modelo é válido tanto para aplicação da técnica em outras áreas quanto para o ensino da geografia na aboragem de seus conteúdos, com forma de relevo, topografia, elementos da bacia hidrográfica, padrões de drenagem, erosão transporte e deposição, etc.

O estudo da dinâmica da bacia hidrográfica permite uma análise integrada dos processos naturais e a apropriação humana do espaço, consequentemente, discutir as questões como a proteção de matas galerias, ciliares e outras medidas

BIBLIOGRAFIA


OLIVEIRA, C.Curso de Cartografia Moderna. IBGE, Rio de Janeiro, 1988, 151p.

FERREIRA, C e SIMÕES, A. A evolução do Pensamento Geográfico. Gradiva, Lisboa, 1994, 30 p.

CHISTOFOLETTI, A. As características da Nova Geografia. Rio Claro, Volume 1, 1976.

SIMIELLI, M. E. R. et. al. Do plano ao tri dimiensional a maquete como recurso didático. In Boletim Paulista de Geografia, São Paulo, AGB nº 70, 1991.

GIANSANTI, Roberto. Construção de Modelos de Representação: uma e experiência didático pedagógica em primeiro grau. Orientação, 8: 21-24. Dep. de Geografia – USP, São Paulo, 1990.

MACIEL, Marcia. A maquete como recurso no ensino do relevo. Boletim Gaúcho de Geografia. Porto Alegre: AGB nº 25 , junho de 1999.

SOUZA, Carla J.O. Uma experiência didático pedagógica com conteúdos de Geografia Física. Caderno de Geografia, Belo Horizonte: Pontíficia Universidade Católica – PUC, 6(8): 45-52, 1997.