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E1 -1.4T306

X SIMPÓSIO BRASILEIRO DE GEOGRAFIA FÍSICA APLICADA

 

        

UTILIZAÇÃO DE EQUIPAMENTOS METEOROLÓGICOS E A INTERNET PARA A EDUCAÇÃO DE CLIMATOLOGIA E METEOROLOGIA

 

Vera Lucia Amaral Reis
Sergey Alex de Araújo
Homero Haymussi
Fabricio Estevo da Silva

 


Universidade do Vale do Itajaí – UNIVALI

 

Palavras-chave: Dados meteorológicos, Internet, Educação

1. Aplicação da Geografia Física ao Ensino

1.4 - Novas Tecnologias aplicadas a processos educacionais

 

A Universidade do Vale do Itajaí - UNIVALI situada na cidade de Itajaí, litoral centro-norte de Santa Catarina possuí estação meteorológica automática e estação de recepção de imagens de satélite (série GOES e NOAA) de baixa resolução instaladas desde 1998. Na mesma época também foi adquirido detector de raios e termômetros/higrômetros digitais.

A estação meteorológica foi adquirida da Davis Instruments (Hayward, Califórnia, USA), modelo Weather Monitor II. Esta possui anemômetro (direção e velocidade do vento), coletor de chuva, sensor digital para temperatura/umidade/pressão atmosférica e console de coleta/visualização/transmissão de dados para microcomputador. Ainda dispõe do software WeatherLink 4 de visualização/salvamento/exportação dos dados, bem como geração de relatórios e gráficos. A estação faz leituras dos dados de 5 em 5 segundos para visualização no console e/ou software, e os salva em intervalos de 5 em 5 minutos. Os dados constantes deste arquivo são: data, horário, índice de desconforto térmico, temperatura externa/interna (máxima/mínima), índice de resfriamento pelo vento, umidade, ponto de orvalho, velocidade do vento (máxima do dia), direção do vento, pressão atmosférica e chuva diária.

A estação de recepção de imagens de satélite foi adquirida da empresa Quorum Communications, Inc. (Irving, Texas, USA), modelo Wefax Explorer, e esta é capaz de receber imagens dos satélites da série USA NOAA, TIROS, METEOR (Russo), USA GOES e EUMETSAT Meteosat (Europeu). Este modelo é composto de duas antenas de recepção: uma para satélites geoestacionários de órbita equatorial (como os da série GOES e Meteosat), e outra para satélites de órbita polar (como os da série NOAA e Meteor). Faz parte ainda do conjunto o receptor e decodificador (geoestacionário) e placa de recepção dos sinais das antenas para visualização através de software em microcomputador. O Software utilizado por este modelo é o QFAX da mesma empresa. Este programa permite acompanhar a órbita dos satélites, capturar, gravar, visualizar, exportar, utilizar ferramentas de refinamento e transformação das imagens. As imagens recebidas pela estação são no modo de baixa resolução. A estação está programada para capturar imagens da América do Sul e da parte Leste do Globo, através do satélite da série GOES 12, no canal 4 (infra-vermelho), nos horários UTC das 0, 3, 6, 9, 12, 15, 18 e 21 horas.

Foram adquiridos dez termo-higrômetros da marca Thermo-Hygro que registram temperatura, temperatura máxima e mínima, umidade relativa do ar e umidade relativa do ar máxima e mínima e um detector de raios da marca American com registro das descargas elétricas em milhas terrestres com alarme sonoro e luzes.

Estes equipamentos instalados no Laboratório de Climatologia e demais laboratórios como informática e multimídia atendem aos cursos de Geografia, Oceanografia e Engenharia Ambiental nas disciplinas de Climatologia e Meteorologia. Juntamente com estes equipamentos agregou-se website, no endereço eletrônico (www.cttmar.univali.br/~tempo), onde os dados meteorológicos, imagens de satélite e apostilas eletrônicas fornecem estrutura e material pedagógico para a formação profissional no ensino destas disciplinas; previsão do tempo e previsão meteorológica marítima em áreas costeiras e oceânicas, do Rio Grande do Sul ao Espirito Santo, atendendo, via internet ou estação de rádio costeira de Itajaí, a mais 1500 embarcações pesqueiras que operam neste trecho.

Com estes equipamentos foi introduzido nas referidas disciplinas pesquisas participativas com os discentes. Na cidade de Itajaí também tem instalada uma estação agrometeorológica convencional sob responsabilidade do Governo do Estado de Santa Catarina, que esta distante 25 km da estação da UNIVALI. Assim foi introduzido um monitoramento de clima urbano, analisando as diferenças dos dados meteorológicos entre as estações que são executados pelos discentes e posteriormente publicadas pelos alunos em congressos, sendo o primeiro na XIII Semana Nacional de Oceanografia no ano de 2000.

Com advento da internet e a possibilidade e acesso a modelos meteorológicos nacionais e internacionais foi introduzido aos alunos a análise e interpretação destes modelos, sendo utilizados os modelos do Centro de Previsão de Tempo e Estudos Climáticos do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais - CPTEC/INPE e Instituto Nacional de Meteorologia - INMET do Brasil, Servicio Meteorológico Nacional da Argentina e Unisys Weather dos Estados Unidos da América entre outros.

No ano de 2000 foi desenvolvido pesquisa participativa pelos alunos do curso de Geografia onde foi analisados os modelos MBAR – Modelo Brasileiro de Alta Resolução - (25x25km) do INMET, o ETA – Eta Model Regional Reanalysis - (40x40km) do CPTEC/INPE e MM5 – Mesoscale Model – 5 - (81x81km) do Centro de Predicción Numérica del Tiempo y Clima - IGP – Peru onde foram analisadas as condições de precipitação e velocidade/direção de vento nas cidades de Itajaí, Balneário. Camboriú e Itapema em Santa Catarina. Cada grupo de aluno dividido nas respectivas cidades anotavam as condições de tempo e vento em horários predeterminados em planilha própria por um período de 30 dias, enquanto outro grupo adquiria via internet os respectivos modelos no mesmo período e posteriormente confrontavam-se as informações de campo e os modelos para se verificar o índice de acerto de cada modelo. Este trabalho foi publicado na XIII Semana Nacional de Oceanografia de 2000.

Pedagogicamente conseguiu-se bons resultados pelo entendimento dos alunos da complexidade envolvida nos processos de elaboração de previsão do tempo; a partir de modelos de pressão atmosférica e observações de campo analisando imagens de satélites, e comparação dos dados meteorológicos obtidos pela estação meteorológica da própria universidade.

Tem-se utilizado os termo-higrômetros para o reconhecimento da variação de temperatura e umidade relativa do ar em perfis dentro da cidade de Itajaí e dentro da própria universidade no entendimento de ilhas de calor, aproximando os discentes aos conhecimentos dos estudos em climatologia urbana.

Vem se repetindo esta prática a cada período letivo, bem como a tentativa da utilização dos conhecimentos sobre climatologia adquiridos pelos discentes na utilização em outras disciplinas onde exista a possibilidade da inserção destes conhecimentos.

Tem-se observado um aumento do interesse dos discentes pelas ferramentas hoje disponíveis para aquisição e monitoramento das condições meteorológicas, bem como dos aspectos climatológicos das regiões onde estes vivem.

A conjugação de equipamentos para aquisição de dados físicos mais a utilização da internet para ampliação dos conhecimentos sobre climatologia/meteorologia (modelos e informação) e saídas de campo planejadas, bem como a inserção dos discentes em pesquisas participativas e o estímulo a assumirem estágio voluntário na área, tem contribuído de forma ativa para o aprendizado e difusão da cultura de observação meteorológica.

A utilização destas ferramentas para educação também amplia o espectro para área de extensão, pois através da internet informações produzidas para utilização acadêmica, ultrapassam limites e vai de encontro à comunidade. Estas informações hoje são utilizadas por pessoas físicas, jurídicas e provedores de mídia contribuindo para o aumento da segurança na navegação, na multiplicação do conhecimento e do interesse pela climatologia e meteorologia.