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X SIMPÓSIO BRASILEIRO DE GEOGRAFIA FÍSICA APLICADA

 

 

 

DIAGNÓSTICO E EDUCAÇÃO AMBIENTAL NA BACIA DO RIO CANOAS

 

 

 

 

Danielly Ferreira Sales;
Ana Lúcia Castro de Oliveira;
Ilana Campos da Rocha;
Renata Alves Sampaio e
Vanessa do Couto Amicucci

 

Universidade do Estado do Rio de Janeiro - UERJ

 

 

 

 

Palavras–chave: educação ambiental, diagnóstico e comunidade

Eixo: 2- Aplicação da Geografia Física à Extensão

Sub- eixo: 2.1- Projetos e Ações Junto à Comunidade

 

 

 

 

A água é um recurso natural essencial à vida em suas diversas formas. Sendo assim, a degradação desenfreada desse recurso natural é um processo que deve ser analisado e de responsabilidade de todos os setores da sociedade. Esta degradação é resultado de várias interferências, principalmente, antrópicas que alteram o equilíbrio ecológico do meio e interferem diretamente na vida da própria população que habita determinada região. 

Fatores como o crescimento urbano desordenado, o despejo de esgoto doméstico in natura, o manejo indevido (ou a ausência de manejo) de atividades agropecuárias e industriais além do desmatamento desenfreado, são exemplos de causas da degradação de corpos hídricos nos ambientes urbanos.

O bairro de São Conrado, onde se insere a bacia do rio Canoas, é marcado por grandes contrastes sócio-econômicos no que se refere a sua população residente, onde a camada de alto poder aquisitivo convive no mesmo espaço com as comunidades das favelas. Não obstante, trata-se de um dos Impostos Territoriais Urbanos mais caros do município do Rio de Janeiro.

Ë notório que a parcela populacional pertencente às classes de renda mais abastadas procuram residir em locais que apresentem amenidades. Em São Conrado, estas se materializam pela presença do mar e da montanha. Em contrapartida, como já explicitado, nota-se também a existência de um número considerável de populações de baixa renda. Neste contexto, ambas parcelas de população exercem influência direta e indireta sobre a dinâmica fluvial, e conseqüentemente, na qualidade da água que desemboca na praia de São Conrado. 

As principais modificações sofridas na área foram ocasionadas por intervenções humanas onde podemos destacar os movimentos de terra para a implantação do campo de golfe (Gávea Golf Club), a construção da Estrada das Canoas, a urbanização das linhas de drenagem a partir da instalação de residências isoladas, dos condomínios e comunidades, determinando mudanças no fluxo e vazão dos rios. Além disso, a favelização no fundo do vale teve como conseqüência mais grave o estreitamento da seção dos talvegues naturais.

Observamos que outro tipo de agressão ao rio se encontra na sua parte jusante, onde não há coleta direta de lixo, contribuindo para que os moradores locais despejem seu lixo em caçambas e apesar das coletas destas serem regulares, os moradores acabam por jogar lixo no rio, o que gera risco de contaminação da população.

Sendo assim, verificam-se diversos impactos causados pela urbanização na área da bacia, a qual apresenta uma ocupação predominantemente residencial e adensamento populacional maior ao longo do rio principal.

Posto isso e a partir desta análise geral das condições locais, o presente projeto propõe um diagnóstico sócio-ambiental da bacia do rio Canoas, visando analisar os efeitos da ocupação desordenada desta área, enfocando os diversos prejuízos sócio-ambientais que foram gerados com vistas à realização de um trabalho de conscientização ambiental dos moradores do interior da mesma. Localizada na vertente sul do maciço da Tijuca, no bairro de São Conrado, cidade do Rio de Janeiro, esta área vem sendo degradada na extensão do Rio Canoas devido à ausência de saneamento ambiental nas duas comunidades de baixa renda existentes em seu entorno, denominadas de Vila Canoas e Pedra Bonita. Além destas, dois condomínios de alto padrão localizados à montante contribuem de forma expressiva para o despejo de esgoto nesse rio, e para o aumento de impactos causados nesta área devido à captação de água no alto curso deste rio. Localizadas no interior da referida bacia, essas comunidades exercem então influência direta sobre a dinâmica fluvial, e conseqüentemente, na qualidade da água que desemboca na Praia de São Conrado, constituindo-se nos agentes poluidores mais expressivos desta área costeira.

Após este diagnóstico, pretendemos dar início à produção de material necessário, que neste caso se constitui na realização de cartilhas e vídeos a serem confeccionados pelos próprios integrantes do Grupo a partir das filmagens realizadas na primeira fase do projeto, e apresentação de palestras. A partir destas ações objetivamos conscientizar a população local da importância do ambiente que a cerca, incentivando a prática de sua cidadania por meio do desenvolvimento da educação e percepção ambiental.

 A possibilidade de ação perante duas realidades distintas, mas localizadas num mesmo ambiente e igualmente responsáveis pela deterioração do mesmo, gerando para estes, um (re) conhecimento da área bem como o das comunidades envolvidas, realizando projetos de desenvolvimento comunitário e possibilitando um trabalho conjunto entre população de alta e baixa renda, tornando-os responsáveis pela conservação desta área.

Nesta etapa do projeto, nosso maior objetivo é conscientizar os moradores de que todos estão inseridos num mesmo contexto geográfico, ou seja, de que todos são responsáveis pela preservação no ambiente onde residem. Para execução desse material haverá aplicação/análise de questionários e realização de entrevistas com moradores mais antigos, membros das associações de moradores de São Conrado e da Favela Vila Canoas, com a finalidade de identificar nosso público-alvo.

 Promoveremos encontros com a comunidade para desenvolver a conscientização ambiental e informá-los de todos os resultados finais do projeto.

 Vale destacar como um dos objetivos principais a melhoria da qualidade de vida das populações carentes, por meio do  trabalho de educação e percepção ambiental supramencionados. Pretende-se também minimizar os impactos causados pela captação de água em seu alto curso e indicar os pontos de despejo clandestino de esgoto. 

            O recorte metodológico será pautado em mapeamentos temáticos da referida área e identificação dos principais pontos degradados, realização de entrevistas e aplicação de questionários, pesquisas em gabinetes e leituras de fontes secundárias, além de consultas aos projetos realizados por órgãos públicos para a elaboração de cartilhas e ainda um vídeo como materiais a serem utilizados no processo de conscientização da população residente.

Sendo assim, este projeto de pesquisa torna-se pertinente pela carência de estudos na referida área e temática, pretendendo obter como conseqüência direta do sucesso de nossos objetivos, amenizar a poluição da praia de São Conrado, na medida em que o rio Canoas deságua nesta praia.

 

Bibliografia Utilizada:

 

ARQUITRAÇO COOPERATIVA. Diagnóstico. Programa Bairrinho. Comunidades Vila Canoas e Pedra Bonita. Julho, 1997

 

BELTRAME, A.V. Diagnóstico do meio físico de bacias hidrográficas: modelo e aplicação. Florianópolis: Ed. da UFSC, 1994. 112p.

 

MACHADO, C.J.S. Experiências Internacionais de Gestão das Águas Internas: uma análise comparada com o arcabouço jurídico brasileiro. In: Revista Forense Eletrônica. v. 356, agosto, 2001. 52p.

 

MACHADO, C.J.S. e MACEDO, M.L. O Paradoxo da Democracia das Águas. In: ABRH Notícias – Revista Informativa da Associação Brasileira de Recursos Hídricos. n.˚ 2. Julho, 2000. p. 05 – 06.

 

TORNISIELO, Sâmia Maria Tauk. Análise Ambiental, Estratégias e Ações. T.A Queiroz/ Fundação Salim Farah Maluf, Rio Claro, SP. Centro de Estudos Ambientais – Unesp, 1995.

 

ALMEIDA, J. Ribeiro (coordenador), Ana Orsolen [et al]. Planejamento Ambiental: caminho para participação popular e gestão ambiental para nosso futuro comum: uma necessidade – Rio de Janeiro: Thex Ed.: Biblioteca Estácio de Sá, 1993, 176 p.

 

VILA, Rafael Candel. A água na vida. Rio de Janeiro, Ed. Fundação Getúlio Vargas, 1976. 152p.

 

ACIOLY, Claudio. Densidade Urbana; um instrumento de planejamento e gestão urbana – Rio de Janeiro: Mauad, 1998.