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X SIMPÓSIO BRASILEIRO DE GEOGRAFIA FÍSICA APLICADA

 

 



INTEGRAÇÃO MEIO AMBIENTE-COMUNIDADE NA SUB-BACIA HIDROGRÁFICA LAJEADO DO MOINHO-SÃO SEPÉ RS

 

 

 


Renata Dias Silveira regeo@hotmail.com
Maria da Graça Barros Sartori magracas@base.ufsm.br
Juliê Lourenço da Rosa jucatolica@yahoo.com.br



Universidade Federal de Santa Maria - UFSM
 

 

 


Palavras chave: educação ambiental, percepção ambiental, sub-bacia hidrográfica
Eixo: 2. Aplicação da Geografia Física à Extensão
Sub-eixo: 2.1. Projetos e ações junto à comunidade
 

 

 

 


INTRODUÇÃO

Atualmente, os danos que o homem acarreta ao meio ambiente pelo uso indevido dos recursos naturais vem tendo conseqüências para todos, o que têm levado à pesquisas na busca de soluções. Foi então que o conceito de desenvolvimento sustentável passou a ser amplamente discutido, e a educação ambiental deve servir de mediadora entre a utilização dos recursos naturais e a preservação do meio ambiente para as gerações futuras.

Dessa forma, neste trabalho propõe-se a aplicação de princípios de educação ambiental que privilegie a Bacia Hidrográfica Lajeado do Moinho, no segmento que drena a cidade de São Sepé, RS, no que se refere a sua caracterização, verificação dos problemas existentes e sugestões para a solução destes.
 
JUSTIFICATIVA E OBJETIVOS

O município de São Sepé vem tendo um expressivo aumento da população urbana. Segundo o censo 2000, a população urbana é de 18528 habitantes, enquanto a rural é de 6096 habitantes, totalizando 24624 habitantes. Como conseqüência há uma expansão da área ocupada para a construção civil e para fins econômicos.

Foi esse crescimento desordenado que proporcionou a aglomeração da população, principalmente aquela de baixa renda, às margens do Lajeado do Moinho, não respeitando a área alagável da sua planície aluvial, além de destruir a vegetação nativa. As nascentes do Lajeado do Moinho estão próximas à área urbana, e em pelo menos 2,5 Km do seu curso (dos 6,5Km totais) atravessa-a, cortando três bairros da cidade, onde a situação atual de sua ocupação e problemas daí provindos são os mesmos.

A impermeabilização das suas margens pelas construções e retirada da vegetação causa maior escoamento superficial, principalmente durante as chuvas, e também o assoreamento de suas margens, contribuindo, dessa forma, para a diminuição da capacidade de transporte e profundidade do leito do rio. Essa diminuição do canal fluvial causa o transbordamento mais rápido por ocasião das chuvas, dando origem ao problema das enchentes, hoje freqüentes, principalmente quando a precipitação é rápida e intensa.

Também constitui problema o acúmulo de lixo no leito e margens do Lajeado, bem como o lançamento de esgoto, que além de problemas à saúde, favorece o transbordamento mais rápido do canal.

Desse modo, torna-se indispensável um programa de conscientização, tanto da população ribeirinha, quanto da sociedade em geral, sobre a importância do destino do lixo, recuperação da vegetação e qualidade da água da referida bacia, além de uma atitude do governo municipal no sentido de minimizar os problemas através da retirada da população das margens do Lajeado, reflorestamento, enfim, a elaboração de um plano diretor que privilegie a questão ambiental.

Tendo em vista a resolução dos problemas ambientais do Lajeado do Moinho o presente trabalho propõe como objetivo geral:
Ø Conscientizar a comunidade sepeense sobre a importância da preservação e manejo adequado da bacia hidrográfica do Lajeado do Moinho para a melhoria da qualidade de vida da população, bem como para o restabelecimento da harmonia no ecossistema.
 
Para que esta proposta seja alcançada, têm-se como objetivos específicos:
Ø Aplicar e avaliar os instrumentos de investigação respondidos pela população.
Ø Fornecer subsídios à Secretaria do Meio Ambiente, Secretaria do Planejamento, Secretaria de Educação e Cultura e demais interessados na solução dos problemas ambientais do município.

REVISÃO BIBLIOGRÁFICA

Desde o princípio, o homem procurou se estabelecer próximo aos cursos d’água, sendo as mais importantes cidades da antiguidade construídas próximas a estes. A partir desta ocupação humana, o equilíbrio do sistema hídrico é abalado e acentua-se à medida que aumenta a população.

O Brasil apresenta um crescimento significativo da população urbana, o que acaba produzindo, devido ao seu crescimento desordenado, na maioria dos casos, o aumento significativo na freqüência das inundações, na produção de sedimentos e na deterioração da qualidade da água.

De acordo com Rossini et al (2002) “o processo de urbanização contínuo da população ocorrido nas últimas décadas tem promovido não apenas o crescimento das cidades como também têm afetado o equilíbrio ambiental dessas áreas com elevados índices de degradação.”

Pela inexistência de bibliografias específicas da área em estudo e as esparsas informações a respeito do município de São Sepé, foram consultadas obras de caráter amplo, como Cunha & Guerra (1995) que aplicam os estudos geomorfológicos na solução de questões ambientais, e para a caracterização física buscou-se Kaul, Herrmann, Leite e Justus (1990) que analisam de forma geral a Região Sul.
Também serviram de base os trabalhos de Vieira (1984) sobre a Geografia Física do Rio Grande do Sul e Moreira (1982), que caracteriza o espaço natural e geográfico do Rio Grande do Sul.

Quanto à estrutura geológica da área em estudo, Sartori (1978) estudou a petrologia do complexo granítico de São Sepé, definindo a evolução dos granitos do Sul do Brasil.
No que se refere à busca de soluções para os problemas ambientais buscou-se autores como Rocha (2001) e Oliveira et al (2000) que vêem a educação ambiental como possibilidade de integração dos níveis políticos sociais econômicos na busca de uma relação saudável entre o homem e o meio ambiente.

Rocha (2001), salienta ainda que os recursos naturais são responsáveis pelo equilíbrio das relações entre o homem e a natureza, portanto, destruição destes conseqüentemente levará a destruição do homem.

Dessa forma, o manejo de bacias hidrográficas é importante na preservação dos recursos naturais renováveis, como afirma Rocha (2001): “são vários os pontos de vista relativos à importância dos recursos naturais renováveis, e por essa razão os Manejos Integrados de Bacias Hidrográficas visam recuperá-los e preservá-los”.

Oliveira et al (2000), por sua vez, diz que a construção de conhecimentos e valores constituem-se no objetivo da educação ambiental, já que estes favorecem a formação de cidadãos conscientes, que conheçam e saibam intervir na realidade.

Em seu trabalho Roth (1996) propõe, de maneira didática, o gerenciamento e conservação dos principais recursos naturais. No que se refere a poluição das águas, afirma que “a racionalização do uso da água nas atividades promovidas pelo homem é um primeiro passo para reduzir os riscos da contaminação hídrica”.

Partindo-se do pressuposto de que para a resolução de um problema é necessário considerar a percepção como base para a busca de soluções destaca-se Sartori (2000) que afirma que: “o processo interativo entre o homem e o ambiente acontece através dos sentidos que levam às sensações e, em conseqüência a percepção. (...) Sem a percepção, os seres humanos estariam ligados ao ambiente apenas fisicamente”.
 
METODOLOGIA

A metodologia utilizada consistiu-se em etapas: primeiramente foram consultadas bibliografias específicas sobre a temática abordada, bem como a Carta Topográfica de São Sepé, na escala 1:50000, o Mapa Geológico e o Geomorfológico do RS, ambos de escala 1:1000000.

 Após realizou-se trabalho de campo, para que fosse observada “in loco” a problemática em questão. Na ocasião foram aplicados instrumentos de investigação à população interessada, este composto de 9 questões abertas a respeito da percepção da população quanto a situação atual do Lajeado do Moinho(Instrumento1).

Na interpretação das respostas dos 21 entrevistados por esse instrumento foram levados em conta, em alguns casos, os números de respostas obtidas, para fins de porcentagem, já que foram apontadas mais de uma resposta para a mesma pergunta.

A partir da percepção da comunidade, elaborou-se um relatório que orientará a organização de palestras e criação de oficinas, além do fornecimento de subsídios aos órgãos competentes.
 
CARACTERIZAÇÃO DA ÁREA EM ESTUDO

A bacia hidrográfica do Lajeado do Moinho está localizada no município de São Sepé, centro do estado do Rio Grande do Sul, entre as coordenadas geográficas de 30°08’47”a 30°11’16” latitude sul e 53°33’45” a 53°36’58” longitude oeste, com uma direção predominante sudoeste-nordeste. Seu curso é de aproximadamente 6,5 Km, sendo um canal de segunda ordem na hierarquia fluvial.

Quanto ao caráter morfoestrutural, a maior parte da bacia é composta pela borda do Escudo Sul-Riograndense, inserindo-se na formação Rio Bonito, constituída por arenitos e folhelhos, pertencente ao grupo Tubarão do período Permo- Carbonífero ( Era Paleozóica). Ocorre, ainda, o afloramento de rochas graníticas do Grupo Bom Jardim, do período Ordoviciano e era Paleozóica, em alguns trechos do curso d’água. Ao desaguar no Rio São Sepé, este afluente do rio Vacacaí, já corre na área da Depressão Periférica, caracterizada por formações sedimentares e aluviões recentes (período Quaternário).

No que se refere às altitudes, a área drenada pelo Lajeado do Moinho demonstra pouca variação, caracterizado por um relevo de coxilhas, com altitude máxima de 200m próximo às nascentes e mínimas de 60m, na planície aluvial do Rio São Sepé, onde está a foz do curso d’água em estudo. A vegetação nativa da área é a de campos com gramíneas e capões de mato, e ao longo dos cursos d’água estão as matas ciliares.
 
Instrumento 1: Formulário aplicado à população moradora das margens do Lajeado do Moinho.
 
UNIVERSIDADE FEDERAL DE SANTA MARIA
CURSO DE GEOGRAFIA
LABORATÓRIO DE ESTUDOS AMBIENTAIS
INSTRUMENTO DE PESQUISA SOBRE O LAJEADO DO MOINHO


1. Há quanto tempo você mora neste local?_________________________

 


2. Notou alguma mudança com relação ao Lajeado do Moinho (margens, vegetação, qualidade da água...) daquela época até hoje? O quê?


______________________________________________________________________
 

3. Em caso afirmativo, quem você considera responsável por essa mudança?


______________________________________________________________________
 

4. Essas mudanças trouxeram-lhe alguma conseqüência direta? Qual?

 

______________________________________________________________________


5. Na sua opinião quem poderia resolver esses problemas?


______________________________________________________________________


6. Você acha que poderia contribuir de alguma forma para solucionar esses

 problemas? Como?___________________________________________________


7. O que você entende por Educação Ambiental?


______________________________________________________________________


8. O Lajedo do Moinho pode ser considerado um problema ambiental? Porquê?


______________________________________________________________________


Você acha necessário algum tipo de orientação (palestras...) para os moradores das margens do Lajeado, quanto aos cuidados necessários para a preservação do mesmo? Porquê?_____________________________________________________

 


DISCUSSÃO DOS RESULTADOS
Os primeiros resultados baseiam-se na quantificação e interpretação das respostas às 9 questões dos formulários de entrevistas aplicados a 21 pessoas moradoras das margens do Lajeado do Moinho (Instrumento 1), no segmento que drena bairros a noroeste da cidade de São Sepé.
Considerando que a planície aluvial do referido curso d’água, pelo menos nos 2,5 Km em que seu curso atravessa a cidade de São Sepé, vem sendo intensamente ocupada por moradias, constatou-se no trabalho de campo e pelas respostas a questão 1 do instrumento1(Quadro 1), que 9,5 % da população reside no local há mais de 30 anos, o que justifica a situação atual em que se encontra o Lajeado, já que as agressões sofridas por este vêm de longa data. A população que reside entre 10 e 30 anos é de 42,9%, representando a maior freqüência; aquelas que residem ali entre 1 e 10 anos somam 28,6% e 19% residem no local há menos de 1 ano, estes preferencialmente em casas de aluguel.
 
Quadro 1: Questão 1-Tempo de residência da população nas margens do Lajeado do Moinho.
 

Tempo de moradia

Número moradores

%

Menos de 1 ano

4

19

De 1 a 10 anos

6

28,6

De 10 a 30 anos

9

42,9

Mais de 30 anos

2

9,5

 

No que se refere às mudanças percebidas pelos moradores nas condições do Lajeado, 25,7% das 35 respostas obtidas à questão 2 do Instrumento 1(Quadro 2) ressaltam o acúmulo de lixo, que segundo eles é depositado não só pelos moradores, como também pela população de outra áreas, principalmente do centro da cidade, que se deslocam até o local para fazer despejo de lixo doméstico e comercial. Cerca de 17% das respostas dos moradores destacam o aumento das inundações, que vêm ocorrendo anualmente ou até duas ou mais vezes no ano, causando inúmeros prejuízos à população local e gastos à administração municipal.
Ainda 17% das respostas vêem como mudança a qualidade da água, que segundo os moradores era potável, tendo sido utilizada para consumo e banho, servindo, ainda, como área de lazer. Já 14,4% reclamam do mau cheiro provocado pelo lançamento de esgoto e acúmulo de lixo, que se acentua no período de verão. O esgoto é ressaltado em 11,4% das respostas, considerando que o Lajeado é receptor de grande parte da cidade, além daquele lançado diretamente pelos moradores. Ainda 8,6% citam a erosão das margens, 2,9% as mudanças no curso em alguns trechos e 2,9% das respostas apontam a proliferação de doenças, já que nos meses de verão é considerável o aumento do número de insetos e outros animais possíveis vetores de doenças.

Embora nas entrevistas todos tenham negado participação no agravamento da poluição do Lajeado (lixo e esgoto), a confirmação foi alcançada no trabalho de observação “in loco”. Vale destacar que o município não possui saneamento básico eficaz e nem tratamento de esgoto, que na área urbana acaba sendo lançado nos canais que cruzam a cidade, alcançando o Rio São Sepé.

 

Quadro 2: Questão 2- Mudanças percebidas no Lajeado do Moinho.

 

Mudanças percebidas

Número respostas

%

Maior freqüência inundações

6

17,1

Esgoto

4

11,4

Mau cheiro

5

14,3

Depósito lixo

9

25,7

Deterioração qualidade da água

6

17,1

Erosão das margens

3

8,6

Mudança no curso

1

2,9

Proliferador de doenças

1

2,9

 

Verificadas as mudanças sofridas pelo Lajeado do Moinho, 4,35% das respostas obtidas à questão 3 do Instrumento 1(Quadro 3) consideram os próprios moradores e/ ou população em geral como responsáveis, que contribuíram para a situação atual através do depósito de lixo, que é jogado diariamente embora em todos os locais visitados haja a coleta pela Prefeitura. Já 34,7% das respostas apontam a Prefeitura como responsável, ao canalizar alguns trechos de forma incorreta, o que contribuiu para o aumento das inundações em áreas a jusante desta canalização, além de não investir em obras de saneamento básico, tratamento de esgoto e canalização em alguns trechos necessários, segundo os moradores. A responsabilidade pelas mudanças de acordo com 13% das respostas é tanto da Prefeitura quanto dos moradores, 4,3% citam a expansão da área urbana e 4,3% não sabem apontar o responsável pelas modificações.


Quadro 3: Questão 3- Responsabilidade pelas mudanças no Lajeado do Moinho.

 

Responsabilidade pelas mudanças

Número respostas

%

Prefeitura

8

34,7

Moradores

10

43,5

Prefeitura e moradores

3

13

Não sabe

1

4,3

 

Levando-se em conta o total de respostas positivas quanto a percepção da alteração das condições naturais do Lajeado, foi questionado a respeito das conseqüências diretas sofridas a partir do desequilíbrio ambiental (questão 4 do Instrumento 1).Os resultados obtidos estão expressos no quadro 4 e são significativos, já que 60,7% das respostas obtidas (28 respostas) se referem a inundações, o que de forma clara demonstra que grande parcela da população tem suas casa ou terrenos tomados pela água, por ocasião do transbordamento do Lajeado. Isto acaba facilitando a proliferação de doenças, pois o lixo proveniente da enxurrada fica acumulado no interior das residências e/ ou pátios. Muitos moradores já sofreram sérios danos, como perda total do imóvel e móveis, ou ainda a diminuição do terreno pela erosão. Já 21,4% vêem como conseqüência o mau cheiro, que se acentua no verão, causando desconforto e mal-estar, e 10,7% constatam a proliferação de animais, principalmente insetos por ocasião do ambiente propício (calor e umidade). Uma parcela dos moradores (7,1%) não verificou nenhuma inconveniência ou conseqüência, o que demonstra acomodação perante a situação e falta de conhecimentos a respeito da questão ambiental, além de falta de perspectivas quanto a solução dos problemas.

Quadro 4: Questão 4- Conseqüências diretas sofridas pelos moradores das margens do Lajeado do Moinho.

 

Conseqüências diretas

Número respostas

%

Inundações

17

60,7

Mau cheiro

6

21,4

Proliferação insetos

3

10,7

Nenhuma

2

7,1

 

Estes problemas, de acordo com as respostas da questão 5 do Instrumento 1 (Quadro 5), 57,14% da população entrevistada devem ser resolvidos pela Prefeitura, que deve priorizar obras de saneamento, tratamento de esgoto e canalização, segundo algumas pessoas. Surgiram idéias defendidas por certos moradores , como a colocação de placas de advertência nos lugares mais propensos ao depósito de lixo e fiscalização por parte da prefeitura, que deveria realizar uma limpeza no local e, posteriormente, aplicar multas aos infratores, ou seja, àqueles responsáveis pelos danos ao meio. Uma parcela considerável, porém menos significativa (23,8%) delega aos moradores o dever de minimizar os problemas, através da união para a preservação e recuperação do meio. Já 14,3% vê como solução a cooperação entre a prefeitura e a comunidade (moradores), a primeira na parte de fiscalização e limpeza e a segunda no compromisso de manter as benfeitorias realizadas pelo poder municipal. Uma porcentagem de 4,8% acredita que já é tarde para que seja tomada alguma atitude, que não existe mais solução.

 

Quadro 5: Questão 5-Responsável pela resolução dos problemas do Lajeado do Moinho.

 

Responsável resolução dos problemas

Número moradores

%

Prefeitura

12

57,1

Moradores

5

23,8

Prefeitura e moradores

3

14,3

Sem solução

1

4,8

 

A maior parte da população interessada acredita poder contribuir na solução dos problemas ambientais conforme revelam as respostas à questão 6 do Instrumento 1 (Quadro 6),já que 72,7% das pessoas vê na preservação uma atitude eficaz, seja no cuidado como os resíduos sólidos e líquidos, de modo que não contaminem o Lajeado, ou na forma de mutirão para a limpeza do local ou ainda no reflorestamento das margens. Além da conservação, 9% da população propõe-se a orientar os demais moradores na tomada de consciência quanto às medidas a serem tomadas e 4,5% preferem prevenir-se dos possíveis problemas, aterrando o terreno ou construindo muros, dessa forma adiando uma solução permanente. Uma parcela de 13,6% das pessoas omitem-se na busca de qualquer mudança na realidade, seja por falta de informações ou por acomodação.

Quadro 6: Questão 6-Maneira de contribuir na solução dos problemas do Lajeado do Moinho.

 

Contribuição resolução dos problemas

Número respostas

%

Preservação e conservação

16

72,72

Orientação aos demais moradores

2

9,09

Prevenir-se

1

4,54

Nenhuma

3

13,63

 

As respostas à questão 7 (Instrumento 1)que corresponde a percepção sobre a Educação Ambiental,conforme o Quadro 7, demonstra que 38,1% dos 21 moradores entrevistados vêem esta como um mero cuidado com o lixo, consistindo, portanto, na sua deposição em lugares corretos e separação do mesmo, de modo a facilitar a coleta, que na cidade recentemente passou a ser seletiva. Já 28,6% consideram a Educação Ambiental como o processo de preservação do meio-ambiente, tanto natural quanto modificado, sendo a intensificadora do senso de responsabilidade de cada um e 9,5% a conceituam como um meio de orientação e conscientização quanto aos problemas e as alternativas existentes. Ainda 23,8% dizem não terem idéia do significado deste termo.

Quadro 7: Questão 7-Visão da Educação Ambiental
 

Visão da Educação Ambiental

Número moradores

%

Preservação do meio ambiente

6

28,6

Cuidados com o lixo

8

38,1

Meio de orientação

2

9,5

Não sabe

5

23,8

 

Após os questionamentos sobre a situação do Lajeado do Moinho foi perguntado se este pode, afinal, ser considerado um problema ambiental (questão 8 do instrumento 1). Das 28 respostas que 50% o consideram assim pela quantidade de resíduos sólidos (lixo) e líquidos (esgoto) que vão ser levados até o rio São Sepé, e conseqüentemente ao rio Vacacaí, contaminando, dessa forma, uma área muito maior (Quadro 8). Outros 21,4% acham que a proliferação de doenças é o principal motivo que leva o Lajeado a se constituir em um problema ambiental, 10,7% o consideram problemático pelo mau cheiro proveniente da contaminação das águas e 7,1% o vêem como um problema devido às inundações.Também 7,1% afirmam que o curso d’água pode ser considerado um problema devido à falta de cuidados em geral, no que se refere a ações preventivas e remediáveis. Apenas um pequeno número dos moradores, que representam 3,7%, não o vê como um problema ambiental. 

Quadro 8: Questão 8-Motivo que leva o Lajeado a ser considerado um problema ambiental

Motivo de o Lajeado ser problema ambiental

Número respostas

%

Transporte de resíduos ao rio principal

14

50

Proliferação de doenças

6

21,4

Mau cheiro

3

10,7

Freqüência inundações

2

7,1

Falta de cuidados em geral

2

7,1

Não é um problema ambiental

1

3,7

 

Procurou-se, no desfecho das entrevistas, saber da necessidade, do ponto de vista dos moradores, de algum tipo de orientação a respeito do manejo da bacia hidrográfica, dos passos e soluções a serem encontrados, conforme a questão 9 do Instrumento1.Constatou-se que a maior parte (71,4%) concorda com a organização de palestras e outros projetos, que visem incentivar e ensinar, principalmente as crianças, sobre os cuidados necessários a uma melhor qualidade do ambiente ao seu redor e por conseqüência, da sua qualidade de vida. Também se faz necessário, na opinião de alguns, a colocação de placas de orientação e advertência que seriam úteis na conscientização e esclarecimento. Porém, 28,6% acham desnecessário um programa de orientação, por já conhecerem os meios necessários à preservação e recuperação do curso d’água ou por desacreditar na eficácia deste método, ressaltando que apenas fiscalização da Prefeitura iria resolver a situação (Quadro 9).

Quadro 9: Questão 9-Necessidade de orientação para o manejo adequado do Lajeado do Moinho.

 

Necessidade de orientação

Número moradores

%

Sim

15

71,4

Não

6

28,6

 

CONSIDERAÇÕES FINAIS

A análise dos resultados permitiu obter-se dados importantes a respeito das características da população moradora das margens do Lajeado do Moinho em seu segmento urbano e o estágio em que se encontra a relação homem-meio ambiente na bacia hidrográfica em questão.

Pôde-se verificar que grande parte da população percebeu as mudanças do espaço ao longo dos anos, porém não sabe o que fazer com elas, ou seja, não consegue identificar ao certo a raiz do problema e as maneiras de se conseguir a recuperação do meio. Muitas ainda, por estarem familiarizadas com a situação, sequer acham necessárias providências, ou simplesmente omitem-se, como se o problema não as atingisse mesmo que indiretamente, e a responsabilidade pela atual realidade é repassada aos órgãos administrativos locais, aos próprios vizinhos e/ ou demais parcelas da população.

Constatou-se que o desequilíbrio ambiental é fruto do manejo inadequado, tanto por parte dos moradores, quanto da administração municipal, que não privilegia ações e não investe na infraestrutura necessária para melhorar a qualidade de vida desta população, ao mesmo tempo em que não acarrete prejuízos ao meio. Deve-se ressaltar, porém, que algumas ações nesse sentido vêm se concretizando, como a remoção de parte da população mais atingida, que foi instalada em um loteamento, a implantação da coleta seletiva e a canalização em alguns trechos, considerada por muitos uma solução não muito adequada.

O que deve ser implantado, numa próxima etapa, é um programa de Educação Ambiental, seja nas escolas (que sendo feito pelo Município, com respeito a coleta seletiva) ou para a comunidade em geral, pois, embora haja boa vontade, a maioria da população não conhece as formas corretas de manejo, e precisa ter sua consciência ecológica cada vez mais desenvolvida para que as ações no sentido do equilíbrio ambiental e desenvolvimento sustentável tornem-se corretas.

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