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X SIMPÓSIO BRASILEIRO DE GEOGRAFIA FÍSICA APLICADA




DIAGNÓSTICO AMBIENTAL DA BACIA DO RIBEIRÃO PARAÍSO – CHARQUEADA/SP’


 

Daniela Cristina Aparecida Capparol

Profa. Dra. Sandra Elisa Contri Pitton


 

UNESP – Universidade Estadual Paulista


Palavras-chave: Diagnóstico Ambiental, Recursos hídricos e Bacia Hidrográfica.

Eixo 3: Aplicação da Geografia Física à Pesquisa

Sub-eixo 3.1: Perspectivas inter e transdisciplinar

 

 

 

 

INTRODUÇÃO E JUSTIFICATIVA

 

É especialmente a partir da década de 70 com a Conferência de Estocolmo que o meio ambiente passa a ser um dos temas mais abordados nos meios científicos, em jornais, revistas e agora também na mídia eletrônica, exigindo a necessidade de compreensão interdisciplinar de suas questões, uma vez que estas se compõem de variáveis tecnológicas, científicas, sociais, culturais, políticas e econômicas.

Os seres vivos, em toda sua existência, utilizam-se dos recursos naturais (água, solo, fauna e flora) para sua sobrevivência e, com o aumento do contingente populacional novas necessidades se efetivam, novos espaços são ocupados e um número cada vez maior de resíduos é produzido. Além desses fatores, o constante surgimento de inovações tecnológicas intensifica a interferência humana sobre o meio ambiente, determinada em muitos casos pelos interesses econômicos e políticos atuantes, caracterizando-a como rápida, agressiva e também inerente ao desenvolvimento das civilizações, provocando a degradação dos elementos do meio ambiente.

As degradações, decorrentes dessas alterações, estão relacionadas principalmente com urbanização em áreas inadequadas, desmatamento, mineração, abertura de estradas, práticas agrícolas com uso intenso de produtos agroquímicos em solos inapropriados provocando contaminação de águas superficiais e subterrâneas, retirada de mata ciliar, erosão e assoreamento de cursos hídricos, envolvendo também muitas vezes necessidades de sobrevivência humana.

Os problemas de degradação ambiental intensificaram-se a partir da Revolução Industrial, ou seja, por volta do século XVIII, quando o desenvolvimento de novas tecnologias para a apropriação do meio ambiente se fez mais freqüente. Tais fatores, somados às necessidades do aumento contínuo de produção e consumo ampliaram o grau de interferência sobre os ecossistemas fazendo dessa forma crescer os impactos ambientais negativos. Além dessas questões convém ressaltar que o processo de urbanização vem contribuindo para profundas transformações nas relações de uso e ocupação da terra e, consequentemente, no relacionamento ‘’sociedade - natureza’’.

Conforme adverte TAVARES (1988: p. 03)

‘’a introdução de tecnologias inadequadas e as práticas associadas às economias destrutivas podem desencadear a degradação do meio ambiente físico, repercutindo, por um mecanismo de retroalimentação, na própria organização social, tolhendo-lhe a coerência e levando-a à desintegração. Quando isso acontece, cabe à sociedade buscar nova situação de equilíbrio e, nesse processo, de acordo com seus objetivos, ela atua na reorganização espacial’’.

Nesse contexto, o  meio ambiente deve ser entendido e estudado de forma integrada, pois corresponde a tudo que engloba e interage com a sociedade; é o local onde esta se instala e se desenvolve, notando-se a interação de fatores e processos físicos e humanos na produção do espaço, evidenciando assim a estreita relação de dependência da sociedade para com a ‘’natureza’’, representada pelo processo de obtenção de bens materiais, ocupação e organização do espaço e de desenvolvimento sócio-cultural dos homens, por isso, tal relação deve ser eminentemente sustentável, evitando portanto a deterioração do meio ambiente.        

Os processos de degradação ambiental têm despertado acentuadamente a preocupação da sociedade contemporânea, principalmente a degradação relacionada à água, que vem tendo diretamente afetada a sua qualidade, quantidade e distribuição na superfície terrestre. De forma a estabelecer um estudo integrado dessa questão paralelo ao fator de dependência do homem com relação a este recurso, especial atenção merecem receber as pesquisas relacionadas com gestão e manejo de bacias hidrográficas.

CERRI (1999: p. 13) considera bacia hidrográfica como

‘’uma unidade geográfica complexa, que está delimitada territorialmente pela topografia que define o escoamento das águas, onde a rede de drenagem converge para um único curso d’água ou lago e que, para sua melhor compreensão, deve ser estudada de maneira integral, ainda, que às vezes, seja necessário dividi-la em sub-bacias ou bacias menores (microbacias) para efetuar estudos mais aprofundados’’.

Uma bacia hidrográfica corresponde a uma unidade geográfica muito importante para estudos relacionados com conservação e manejo dos recursos naturais. Os problemas de uma bacia jamais devem ser tratados separadamente, pois podem envolver corpos hídricos de extensas áreas geográficas e variados limites políticos e administrativos, e a solução de  problemas específicos de uma determinada localidade devem ser tomadas em consonância com as interações ambientais e econômicas de ocupação de toda a bacia.

Pela importância dessa temática e por corresponder a uma das formas mais completas e integradas de se investigar a dinâmica do meio ambiente, são muitos os trabalhos relacionados com estudos de bacias hidrográficas. Merecem destaque os trabalhos produzidos por TROPPMAIR (1998) que realizou um diagnóstico ambiental da bacia do rio Jacaré-Guaçu analisando elementos climáticos, geomorfológicos, geológicos e cobertura superficial em sua dinâmica natural e também condicionados por ações antrópicas; por MEDINILHA (1999) que identificou os impactos da expansão urbana sobre a mata ciliar e também sobre os recursos hídricos vinculados ao curso fluvial do rio Corumbataí, localizados na área urbana do município de Rio Claro/SP; e por CERRI (op.cit.) que apresentou um importante trabalho realizando o estudo de microbacias urbanizadas desenvolvido com moradores de oito bairros urbanos integrantes da microbacia do córrego Lavapés (Rio Claro/SP) identificando seus problemas ambientais e cujos resultados se revelaram como importantes indicadores da qualidade ambiental e de vida desses bairros.

Para CERRI (op. cit. p. 12) os estudos realizados em bacias hidrográficas são ideais, especialmente quando têm por objetivo estudar a evolução do uso e ocupação da área bem como seus componentes hidrológicos e energéticos pois permitem a descoberta de informações que serão verdadeiros subsídios para a elaboração de medidas corretivas e minimizadoras dos impactos provocados pelas interferência antrópica.

GRANZIERA (1993: p. 17) considera a água um recurso limitado e por isso

‘’deve ter um uso racional e ser protegida contra a poluição. Qualquer uso desse recurso, se não for adequadamente planejado e gerenciado, pode causar efeitos prejudiciais à própria água, a outros recursos naturais e ao meio ambiente. Por essa razão, é necessária uma cuidadosa atenção a todos os problemas relacionados com o assunto, ganhando assim fundamental importância os aspectos legais e institucionais do gerenciamento e proteção das águas’’.

A água é um elemento-chave no processo de desenvolvimento da sociedade e, justamente por ser desde sempre ligada a todas as atividades humanas e por existir em grande quantidade na superfície do planeta  foi largamente explorada, parecendo que se tratava de um recurso ilimitado, resultando assim em sua constante degradação.

Todavia, não se deve estudar os recursos hídricos de maneira isolada, uma vez que os fenômenos físicos e químicos (ciclo hidrológico, poluição, contaminação, enchentes entre outros) são experienciados numa mesma bacia hidrográfica, onde as intervenções ocorridas em uma parte certamente irão se fazer sentir em outras. Assim, o gerenciamento de recursos hídricos deve ser fundamentado no gerenciamento de bacias.

A realização de investigações sobre esta temática é importante porque o crescimento populacional e a conseqüente necessidade de alimentos só tendem a valorizar e acentuar o uso dos recursos hídricos, exigindo portanto práticas cuidadosas para evitar desastrosos efeitos ao meio ambiente e esgotamento desses recursos.

Pesquisas desta natureza são complexas, posto que integram variáveis sociais, econômicas, políticas e ambientais. Tais estudos envolvem um diagnóstico ambiental e devem ser realizados independentemente da escala espacial, sendo reconhecidos  como uma ferramenta de apoio à decisão científica e político-administrativa. Conjugado a isso, estas pesquisas permitem averiguar as relações entre a ‘’natureza’’ e a sociedade, pois respeitam as dinâmicas e particularidades de cada segmento procurando aproximar a Geografia Física e a Geografia Humana.

Partindo desses princípios, optou-se por ter como objeto de estudo desta investigação a Bacia Hidrográfica do Ribeirão Paraíso, que encontra-se inserida no município de Charqueada/SP, localizado na região centro-leste, distante 195 km da capital do estado e tendo como coordenadas geográficas os seguintes valores: 22o 16’ 18’’ e  22o 36’ 26’’ sul e,  47o  39’ 40’’ e  47o  50’ 59’’ oeste.  (figura 01).

Os corpos hídricos da bacia em questão apresentam problemas  como degradação de mata ciliar, erosão, assoreamento e poluição decorrentes principalmente de urbanização em áreas inadequadas, cultivo canavieiro em locais indevidos, produção de detritos residenciais  lançados sem tratamento, especulação imobiliária e infundadas políticas administrativas. Tais corpos hídricos são tributários do Rio Corumbataí e estas irregularidades comprometem especialmente a qualidade de suas águas afetando diretamente a maior parte da população residente no município vizinho (Piracicaba).

 Além desses fatores é justo destacar o caráter ineditismo desta pesquisa nessa área. Soma-se a tudo isso o fato de que o município de Charqueada encontra-se parcialmente inserido em outras sub-bacias que  apresentam os mesmos aspectos degradantes relatados anteriormente.

 

 

 

 Pretende-se com o resultado dessa pesquisa subsidiar a realização de outros trabalhos tanto em nível municipal, estadual ou regional auxiliando o poder público na realização de gerenciamento integrado  desta bacia, que corresponde a um processo de articulação e harmonização de atividades sustentado por conhecimentos científicos e tecnológicos, destinado a conciliar as necessidades atuais e futuras da sociedade local na utilização dos recursos ambientais (naturais, culturais e sócio-econômicos) de forma a promover o desenvolvimento sustentável.

Assim, em conformidade com essas premissas, o presente trabalho tem por objetivo realizar um diagnóstico ambiental da Bacia do Ribeirão Paraíso, localizada no município de Charqueada – SP, envolvendo o reconhecimento dos impactos ambientais negativos decorrentes da expansão urbana e também do desenvolvimento de  práticas agrícolas nas áreas pertencentes à esta bacia.

Em decorrência dos impactos ambientais negativos verificados, serão desenvolvidas propostas para a correção ou minimização destes, assim como para a gestão ambiental desta bacia, auxiliando a sociedade e o poder público no que tange ao gerenciamento desta.

Para tanto, serão utilizadas bibliografias específicas sobre essa temática a fim de melhor compreendê-la e para o desenvolvimento de novas idéias acerca da mesma, cartas topográficas (IBGE, 1974) na escala 1:50.000 para o reconhecimento e delimitação da área, além de fotointerpretação de imagens  orbitais correspondentes às décadas de 1980 e 2000, ao passo que o levantamento aerofotogramétrico disponível para a pesquisa pertence à década de 1960. O emprego de cartas topográficas, imagens orbitais e fotografias aéreas favorecerá a produção de dados sobre o uso da terra.

Para ANDERSON et al., (1979, pág. 13), a produção de dados sobre o uso da terra é fundamental para uma nação superar seus problemas de desenvolvimento ao acaso e descontrolado, evitando assim a deterioração da qualidade de vida.

Com a diversidade das informações contidas nas cartas topográficas, imagens orbitais e fotografias aéreas serão elaboradas as cartas de uso da terra desta área para os períodos de 1960, 1980 e 2000 com o auxílio dos programas Spring e AutoCad.

O período inicial estabelecido (1960) é porque o  município possui emancipação recente (1954) e o intervalo estabelecido (20 anos) é justificado pelo fato deste constituir-se num município de pequeno porte. Num intervalo temporal menor, por exemplo de 10 anos, as alterações nos elementos naturais e humanos apresentariam-se quase nulas.

A partir de então, as informações observadas no último período (2000) serão acompanhadas através de um rigoroso controle de campo onde serão visualizados os fenômenos de produção do espaço (urbanização e práticas agrícolas) bem como os impactos ambientais negativos. Baseando-se no último período serão determinados os pontos de coletas amostrais de água para análises químicas, através das quais serão reconhecidas suas propriedades físico-químicas e também bacteriológicas.

 

O RECORTE ESPACIAL EM ANÁLISE

 

O município de Charqueada encontra-se inserido na província geomorfológica denominada Média Depressão Periférica Paulista, apresentando formas colinosas, cujos topos tabulares têm altitude entre 500m e 600m. Também é possível encontrar os chamados ‘’almofadões’’, resultantes do trabalho erosivo dos rios e das águas pluviais, além de uma porção da Cuesta do Itaqueri (front) situada na porção noroeste da área.

A geomorfologia do local favorece a presença de uma rede hidrográfica bastante densa, cuja hierarquia é dominada pelo Rio Piracicaba, para onde flui a maioria dos rios do município. Existe a ocorrência de paralelismo entre os diferentes cursos fluviais que drenam o município, estando intimamente relacionada com litologias mais e outras menos resistentes e com acontecimentos tectônicos que afetaram a área, contribuindo assim para o encaixamento maior dos rios, os quais passaram a cavar seus talvegues.

Os solos do município são representados em sua maioria pelo Latossolo (Roxo, Vermelho-Amarelo fase arenosa e Vermelho-Escuro) favorecendo o cultivo cafeeiro no município até o final da década de 1960 e, na seqüência o canavieiro (por volta do início da década de 1980), até hoje predominante na localidade.

Como características climáticas observa-se que o município  encontra-se situado em uma área de conflito de sistemas atmosféricos provenientes do leste (Tropical Atlântica), do noroeste (Equatorial e Tropical Continental) e do sul (Polares). O jogo dessas massas desencadeiam um regime pluviométrico tropical, ou seja, um semestre (outubro a março) chuvoso e um semestre (abril a setembro) seco. Sua temperatura média anual é superior a 18o C, com exceção do front da cuesta onde as temperaturas são ligeiramente menores. As amplitudes térmicas variam de 08o C a 36o C.

As espécies vegetais da área são determinadas pelas características do solo e climáticas, sendo representadas principalmente pela Mata Latifoliada Tropical, encontrada no front da cuesta e também por pastagens, cultura de cana-de-açúcar principalmente e, também eucalipto.

Este município apresenta em sua formação histórica períodos sócio-econômicos marcantes representados pelo cultivo cafeeiro, que tem seu início nos primeiros anos do século XX impulsionado pelas necessidades de produção de café, como no restante do país, enquanto  ainda era comarca do município de Piracicaba, perdurando até a década de 60.

Outro período que muito contribuiu para o reconhecimento do local foi a sericultura, cujas atividades trabalhistas empregavam um número muito significativo de pessoas para a época e para o porte do município, apresentando apogeu e declínio durante a década de 70 (início e fim, respectivamente), sendo substituída pelo cultivo canavieiro, que iniciou-se durante a década de 80 e resiste até os dias atuais, constituindo-se na maior expressão desta localidade.

 Tais atividades favoreceram o aumento populacional e o desenvolvimento de outros setores da economia, como o industrial e também o comercial acentuando o dinamismo deste município que dispõe de uma população oscilante em 15 mil habitantes, refletindo a necessidade de realização de planejamento aplicado aos recursos naturais, principalmente aos recursos hídricos.

 

FORMA DE ANÁLISE DOS RESULTADOS

 

As  informações obtidas sobre as condições ambientais em que se encontra a Bacia do Ribeirão Paraíso, inserida no município de Charqueada – SP,  serão analisadas a fim de que se possa reconhecer as dimensões das degradações ocorridas.

Após o reconhecimento das degradações ambientais desta bacia, estas serão analisadas considerando a importância das ações humanas na área e também da conservação dos recursos hídricos. Posteriormente, serão desenvolvidas propostas para a correção destas degradações e  para a gestão e manejo sustentável desta bacia, procurando assim estabelecer uma relação de equilíbrio entre essas duas esferas na produção e ocupação desse espaço, além de auxiliar o poder público local no que tange ao gerenciamento desta.

Conforme já destacado, os problemas de uma bacia jamais  devem ser trabalhados separadamente, pois uma única bacia pode abranger diversos municípios e as soluções para os eventuais problemas devem ser decididas em comum acordo pelas diversas administrações envolvidas.

 

 

BIBLIOGRAFIA

 

ANDERSON, J. R. et al.,  Sistema de classificação do uso da terra e do revestimento do solo para utilização com dados de sensores remotos. Rio de Janeiro: IBGE, 1979, 78 p.

 

BRASIL – Ministério de Planejamento, Orçamento e Gestão. Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística – Censo Demográfico de 2000. Rio de Janeiro, 2000, 520 p.

 

CAMARGO et al., (org.) Conceitos de bacias hidrográficas: teorias e aplicações. Ilhéus, Bahia: Editus, 2002, 293 p.

 

CERRI, M. S. Proposta Metodológica para o Estudo de Microbacias Hidrográficas Urbanizadas: O Exemplo do Córrego Lavapés, Rio Claro, SP. 1999. 174 f. Dissertação (Mestrado em Gestão Integrada de Recursos). Universidade Estadual Paulista. Rio Claro, 1999.

 

FERRI, M. F. et al., Estudo das transformações sócio-econômicas ocorridas no município de Charqueada – SP., decorrentes da base econômica a partir da década de 60. UNESP – Rio Claro, 1991, 37p. (Trabalho de Graduação).

 

GRAZIERA, M. L. M. Direito das águas e meio ambiente. São Paulo: Ícone, 1993, 136p.

 

MEDINILHA, A . A degradação da mata ciliar e os impactos nos recursos hídricos desencadeados pela expansão urbana de Rio Claro/SP no entorno do Rio Corumbataí. 1999, 180 f, Dissertação (Mestrado em Ciências da Engenharia Ambiental). Escola de Engenharia de São Carlos. Universidade de São Paulo. São Carlos, 1999.

 

TAVARES, A . C. “Geografia, meio ambiente e sociedade”. Boletim paulista de Geografia, 13 (26), p. 01 – 22, São Paulo, 1988.

 

TROPPMAIR, W. C. A. Diagnóstico ambiental da bacia hidrográfica do rio Jacaré-Guaçu. São Carlos, 1998. 130 p. Dissertação (Mestrado em Hidráulica e Saneamento). Escola de Engenharia de São Carlos. Universidade de São Paulo. São Carlos, 1998.