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X SIMPÓSIO BRASILEIRO DE GEOGRAFIA FÍSICA APLICADA

 

 

 

 

ANÁLISE DA DISTRIBUIÇÃO DAS CHUVAS DURANTE O PERÍODO DE 1941-1970 NO MUNICÍPIO DE SANTA RITA – PB
 

 


Jocélio Araújo dos Santos(joceliopb@hotmail.com)

 

 


Graduando do Curso de Licenciatura e Bacharelado em Geografia-Universidade Federal da Paraíba/João Pessoa- Campus I- Centro de Ciências Exatas e da Natureza/Departamento de Geociências/Laboratório de Geografia Física Aplicada-LGA
 

 

 

Palavras-Chaves: Santa Rita-PB, precipitação, distribuição.

Eixo 3: Aplicação da Geografia Física à Pesquisa
Sub-eixo 3.2: Gestão e Planejamento Ambiental

 

 



Este trabalho corresponde a um levantamento didático de Pesquisa de Graduação para ser desenvolvido com alunos do Ensino Fundamental e Médio das escolas públicas da cidade João Pessoa (PB). Por tratar de um exercício prático e de fácil acesso aos dados os alunos poderão exercitar uma atividade de pesquisa extra classe onde farão o levantamento nas instituições de pesquisa a exemplo da Delegacia Federal de Agricultura na Paraíba (Estação Climatológica de João Pessoa) e a Secretaria Extraordinária do Meio Ambiente, dos Recursos Hídricos e Minerais – SEMARH, locais de sua cidade com informações sobre os dados pluviométricos.
A idéia temática aqui apresentada surgiu frente a necessidade de resgatar a prática do trabalho de campo de geografia nas escolas de Ensino Fundamental e Médio, essa última se torna mais escassa o hábito do trabalho de campo por tratar as questões geográficas em forma de exercício e aula expositiva relacionada ao vestibular, acarretando sérios problemas de análise crítica por falta de atividade prática e visualização fora da sala de aula.
Faz-se necessário exercitar o trabalho de pesquisa em sala de aula com informações ora fornecidas pelos professores ou pelas próprias pesquisas dos alunos. Este trabalho vem corroborar para um resgate dos trabalhos em sala de aula e levá-los para fora da mesma. Frente a necessidade de inserir os trabalhos de campo nas atividades escolares para trabalhar com os alunos a busca do seu censo crítico para as questões da natureza e da sociedade.
Segundo MOLION & BERNARDO (2002), A precipitação é a variável meteorológica mais importante nos trópicos. A despeito da simplicidade de sua medida, é uma das variáveis mais difíceis de serem observadas com acurácia, uma vez que apresenta erros instrumental, de exposição e de localização. No entanto, Ayaode (1996, p. 160) esclarece que “o volume da chuva captado por um dado pluviômetro em determinado local depende de numerosos fatores, tais como a altura do pluviômetro acima do solo, a velocidade do vento e a taxa de evaporação (...) os pluviômetros têm que estar bem situados, longe de quaisquer obstáculos, como árvore ou paredes, capazes de influenciar o volume de chuva coletado”.
O trabalho consiste em uma análise da distribuição anual das precipitações pluviométricas no município de Santa Rita-PB durante o período de 30 anos (1941-1970). A escolha pelo intervalo dos dados acima deve-se ao fato da presença das informações no que concerne as leituras do pluviômetro localizado no município objeto da pesquisa. As décadas mais adiante do período estudado se diferenciam das estudadas por falta de informações coletadas no aparelho em alguns meses ou quase o ano todo. O município possui altitude de 16 metros e coordenadas geográficas de 7º 06' 50" S e 34º 58' 41" W. Localiza-se inserido na Microrregião de João Pessoa e Região Geográfica do Litoral, de conformidade com a classificação de Köppen, a microrregião na qual faz parte o município de Santa Rita, possui clima tropical quente-úmido com chuvas de outono a inverno (As’). A pluviometria anual varia entre 1500 a 1700mm, sendo a umidade relativa do ar em torno de 80% e as médias térmicas anuais em torno de 25º graus centígrados (Santos, 2001). Outrossim, o município se insere na faixa descrita por MOLION & BERNARDO (2002) “A faixa costeira do ENE (até 300 Km do litoral) estende-se do Rio Grande do Norte ao sul da Bahia, também conhecida como Zona da Mata, e apresenta clima quente e úmido com totais pluviométricos anuais de 600 a 3.000 mm. O período mais chuvoso vai de abril a julho, com pico de chuvas em maio”.
A análise foi baseada em dados de fontes primárias, extraídos das informações fornecidas pela Secretaria Extraordinária do Meio Ambiente, dos Recursos Hídricos e Minerais - SEMARH (Posto Santa Rita – Código 3940206)/Banco de Dados Hidroclimatológico do Nordeste. Posteriormente foi criado um banco de dados para análise estatística descritiva e tratamento das informações.
Foram analisados os dados de chuva correspondentes aos índices pluviométricos mensais e anuais. Conforme a análise observou-se que Santa Rita, durante o período (1941-1970) os meses mais chuvosos com precipitação acima de 100mm foram março (169,8mm), abril (212,8mm), maio (227,7mm), junho (248,2mm), julho (204,8mm) e agosto (113,3mm) e os meses menos chuvosos, com totais pluviométricos abaixo de 100mm, semelhantes com os meses de setembro (53,5mm), outubro (23,4mm), novembro (21,7mm) e dezembro (42,7mm), janeiro (82,9mm), fevereiro (98,9mm), indicando o início da estação chuvosa em março e menos chuvosa em setembro.
Usou-se como referência o ponto de corte (100mm) do trabalho de Ramalho (2001). Observa-se ainda, que pelo fato da pesquisadora ter realizado sua pesquisa na faixa costeira do ENE descrita por MOLION & BERNARDO (2002) o trabalho servirá de relevância comparativa com os alunos em atividade de sala de aula. Todavia, pondo em prática o despertar pelo conhecimento das informações contidas nas fontes de pesquisa. Por outro lado, a aplicação da Geografia Física nos ensinos Fundamental e Médio contribui para que os alunos possam melhor entender as aulas e o mundo em sua volta, pois nota-se a escassez do conteúdo de geografia física nos livros didáticos.
No entanto, a média para os 30 anos foi de 1474,6mm, a máxima de 2095,0mm (ano de 1966) e a mínima de 855mm (ano de 1952). Analisando os períodos de 1941-1950, 1951-1960 e 1961 – 1970 o último apresentou os melhores índices: média de 1653,6mm, máxima de 2095,0mm e mínima de 1076,0mm. As evidências mostram que os meses mais chuvosos concentram-se no período de outono-inverno e os secos e menos chuvosos, na primavera-verão.

Referências Bibliográficas

AYOADE, J. O. Introdução a climatologia para os trópicos. Rio de Janeiro: Bertrand Brasil, 1996. cap.8, p. 160.

MOLION, Luiz Carlos Baldicero; BERNARDO, Sergio de Oliveira. Uma Revisão da Dinâmica das Chuvas no Nordeste Brasileiro. Revista Brasileira de Meteorologia, Brasília-DF, v. 17, n.1, 2002, p. 1-10.

SANTOS, Jocélio Araújo; MOREIRA, Maria de Fátima de Albuquerque Rangel. Algumas considerações sobre a paisagem natural em trechos do município do Conde, Paraíba (Estudo dos Aspectos Naturais). In: Simpósio Brasileiro de Geografia Física Aplicada, 9., 2001, Recife-PE, Resumos... Recife: UFPE, 2001. p. 195.

RAMALHO, Maria Francisca de Jesus Lírio. Análise Comparativa da Distribuição das Chuvas Durante o Período (1984-1997) nos Municípios de Natal e Parnamirim-RN. In: Simpósio Brasileiro de Geografia Física Aplicada, 9., 2001, Recife-PE, Resumos... Recife: UFPE, 2001. p. 83.