Voltar à Página da AGB-Nacional


                                                                                            

   

 

X SIMPÓSIO BRASILEIRO DE GEOGRAFIA FÍSICA APLICADA




 

A QUESTÃO DA UNIDADE ESPACIAL NOS ESTUDOS AMBIENTAIS E O CASO DO DIAGNÓSTICO SÓCIO-AMBIENTAL DA BACIA DO CÓRREGO DO CERCADINHO – BELO HORIZONTE.




Guilherme Taitson Bueno
gtaitson@ig.com.br
Carlos Fernando Ferreira Lobo
cflobo@acad.unibh.br





Palavras-chave: recorte espacial, estudo ambiental, microbacias

Eixo 3: Aplicação da Geografia Física à Pesquisa

Sub-eixo 3.2: Propostas Teóricas e Metodológicas







 

INTRODUÇÃO

 O presente trabalho é fruto de reflexões exploratórias decorrentes das atividades relacionadas ao Projeto Manuelzão/Cercadinho, conduzido pelos professores do curso de Geografia e Análise Ambiental do Centro Universitário de Belo Horizonte – UNI-BH, nos anos de 2001 e 2002. Esse projeto foi desenvolvido em convênio com o Projeto Manuelzão, da UFMG, que é voltado para a melhoria das condições ambientais no âmbito da bacia do Rio das Velhas, e concentrou esforços na microbacia do Córrego do Cercadinho, na região centro-sul do município de Belo Horizonte. Diante da proposta do projeto – um diagnóstico sócio-ambiental desta microbacia – fez-se necessária a delimitação da área de estudos. Os debates e as dificuldades associados a essa questão, que envolveram professores do UNI-BH das mais diversas formações, motivaram as reflexões aqui apresentadas.

A questão da definição do recorte espacial para uma investigação é muito antiga na geografia, ciência que tem no espaço seu foco fundamental de investigação. Nesse campo do conhecimento, os debates nunca deixaram de ocorrer. Entretanto, recentemente, as discussões em torno do espaço têm contado com uma maior contribuição por parte de outros profissionais: aqueles que, assim como os geógrafos, dedicam-se aos estudos ambientais.  A questão ambiental tem trazido importantes contribuições nesse sentido. Ao buscar, por necessidade, uma visão integrada, coloca sempre em evidência o problema da multiplicidade de recortes espaciais possíveis, de acordo com cada tema específico da investigação.

Ao realizar o recorte do espaço para investigação, procura-se a identificação de um compartimento que possa se distinguir do entorno em função de determinadas características, constituindo uma unidade. DOLLFUS (1971) ressalta a importância da identificação dessas unidades: “qualquer que seja a natureza dos fenômenos analisados, o geógrafo efetua um mesmo procedimento visando decompor seu domínio em conjuntos homogêneos por sua fisionomia ou suas funções”. Alguns critérios para a identificação desta unidade se destacam: o critério morfológico, o critério funcional e o critério genético[1].

 

 

MORFOLOGIA

Morfologia pode ser entendida como o aspecto externo do objeto em um momento do tempo. Corresponde à sua fisionomia. É, portanto, um elemento de mais fácil apreensão. A compartimentação do espaço baseada em critérios morfológicos resulta na identificação de unidades fisionomicamente semelhantes. O conceito de paisagem, de grande importância para a geografia, tem forte ligação com a morfologia espacial, embora paisagem seja mais restrito em termos de escala do que a idéia de morfologia, que é multiescalar. A relevância do conceito de paisagem e da análise morfológica nos estudos da chamada geografia tradicional pode ser explicada, pelo menos em parte, pelas dificuldades de obtenção de dados e informações de outra origem (que não morfológica), decorrentes do estágio de desenvolvimento metodológico, técnico e instrumental da época, e das dificuldades de acesso aos sítios de estudo ainda isolados. Junta-se a isso a eventual escassez de recursos financeiros para a pesquisa. As explorações de campo na geografia tradicional, verdadeiras expedições, quando superado o estágio descritivo, voltavam-se para o estabelecimento de hipóteses e modelos conceituais baseados essencialmente na observação morfológica. As fotografias aéreas contribuíam para a análise morfológica em outra escala ou constituíam-se na única possibilidade de investigação das áreas de difícil acesso. Talvez decorra, daí, certa hipertrofia, hoje menos significativa, da geomorfologia em relação às demais áreas da chamada “geografia física”. Os aspectos pedológicos do meio, por exemplo, por não serem de tão direta apreensão, eram quase sempre inferidos com base em características morfológicas, sobretudo do relevo e da vegetação, que funcionavam como indicadores.

 

 

FUNCIONAMENTO E FUNÇÃO

Funcionamento refere-se ao aspecto dinâmico, ao desempenho do objeto em um instante no tempo. Relaciona-se aos fluxos de matéria e energia (entrada, saída e armazenamento dessas). Utilizando-se dos instrumentos e procedimentos adequados, é possível obter dados referentes ao funcionamento atual de determinado objeto e realizar balanços. Função, por sua vez, é sugerida por SANTOS (1985)[2] como uma das categorias de análise espacial. Ao designar, segundo o Dicionário Webster, citado por SANTOS (1985), “tarefa ou atividade esperada de uma forma, pessoa, instituição ou coisa”, o termo função indica “papel” ou “tarefa” do objeto. Isso pode ser bastante claro quando são considerados o homem, a sociedade e seus produtos, e mesmo a esfera biológica. Nesses casos, distinguem-se claramente uma função e um funcionamento, que podem, entretanto, não se corresponder, indicando algum desajuste. Mas a noção de função perde o sentido quando fazemos referência à esfera inorgânica: não há, aqui, aparentemente, uma função determinada, apenas um funcionamento.

A preocupação com o estudo e a mensuração do funcionamento cresceu muito com o desenvolvimento da abordagem sistêmica. A Ecologia, ciência ainda jovem, estabelece nesse contexto seu objeto de estudo: o ecossistema, conceito centrado no aspecto funcional do objeto (fluxos, ciclos). A compartimentação do espaço com base no critério funcionamento delimita sistemas, isto é, unidades cuja coesão e integração das partes é garantida pelas redes e circuitos de matéria e energia. Nos estudos geográficos e ambientais, quando pretende-se delimitar a área de estudos com base no critério funcional, coloca-se o problema de qual esfera privilegiar, uma vez que, na maioria dos casos, as fronteiras dos vários sistemas (sociais, culturais, hidrológicos, etc.) não são coincidentes.

 

 

GÊNESE E PROCESSO

Gênese refere-se à história do objeto, ao seu caminho de formação e evolução. Assim como a idéia de funcionamento, a variável tempo é importante na idéia de gênese, embora aqui haja mais proximidade com a noção de processo, que “implica conceitos de tempo e mudança” (SANTOS, 1985). Processo traz consigo a idéia de direção e pode ser considerado, assim, resultado da sucessão dos funcionamentos. Gênese pode ser entendida de maneira ainda mais ampla, como o resultado do conjunto e da sucessão dos processos. O emprego do critério histórico-genético contribui para a explicação e valorização das particularidades e individualidades observadas no espaço[3]. Segundo PRIGOGINE & STENGERS (1984), enfatizando a noção de “seta do tempo”, tão importante na termodinâmica, “a única explicação é histórica ou genética: é preciso descrever o caminho que constitui o passado do sistema, enumerar as bifurcações atravessadas e a sucessão de flutuações que definiram a história real dentre todas as histórias possíveis”. Compartimentar o espaço com base no critério genético é, assim, definir unidades cuja coesão é garantida pela evolução histórica semelhante.

 

 

RELAÇÕES ENTRE MORFOLOGIA, FUNCIONAMENTO E GÊNESE

Embora possa haver certa correspondência entre unidades definidas a partir da morfologia, do funcionamento e da gênese, isso não é, de forma alguma, a regra. Algumas observações podem ser feitas nesse sentido:

-     o espaço é comparado por muitos a um palimpsesto, em que se verifica a superposição de estruturas pretéritas e presentes. A paisagem pode ser considerada o resultado da acumulação de diferentes formas, associadas a diferentes funcionamentos. É comum utilizar o termo poligenético para designar, por exemplo, o relevo de uma área resultante da sucessão de diferentes funcionamentos ou processos morfogenéticos;

-     o funcionamento atual é influenciado pelas formas reliquiais existentes no espaço. Isso questiona o conceito de equilíbrio (pelo menos em meso e macroescala temporais) que pressupõe, segundo alguns autores (HACK, 1972, por exemplo), o ajuste entre forma e funcionamento. As formas relictuais representariam, segundo SANTOS (1985), uma rugosidade, uma resistência ao funcionamento[4];

-     a observação da morfologia pode ter grandes limitações quando se deseja investigar estruturas subjacentes, redes e circuitos de funcionamento não aparentes. Quando o enfoque são as questões sociais e econômicas, pode-se pensar na existência de mecanismos de “camuflagem” de estruturas subjacentes, de modo que essas não se manifestem exteriormente, isto é, de modo que as mesmas não sejam reveladas pela morfologia (SANTOS, 1985);

-     morfologias semelhantes podem esconder gêneses (histórias) e funcionamentos diferentes. Formas vegetais semelhantes podem ser encontradas em espécies adaptadas tanto aos climas frios quanto aos climas secos (DOLLFUS, 1971). Existem certos padrões estruturais e morfologias que se repetem na natureza em objetos e fenômenos dos mais diferentes tipos. As estruturas fractais[5] são desses exemplos;

-     o esforço de estabelecer propostas de classificação do objeto de estudo segundo níveis hierárquicos em função da variação de escala é uma característica da maioria das ciências e de fundamental importância para a geografia e ecologia. Entretanto, essas ciências diferem nos critérios utilizados para essa classificação. Na ecologia, a unidade fundamental de análise baseia-se no critério funcional e abrange uma ampla gama de escalas[6]. Na geografia, verifica-se o emprego de critérios diferentes de acordo com a escala. É o que se observa na classificação hierárquica proposta por BERTRAND, citado por DOLLFUS (1971): um dos níveis é denominado geofácies[7]: uma unidade “fisionomicamente homogênea”. O nível seguinte, reduzindo a escala, é o geossistema: “unidade funcional e compreensiva, um conjunto que reagrupa todos as geofácies que são dinamicamente ligadas umas às outras”[8].

 

 

ALGUMAS QUESTÕES RELATIVAS AO EMPREGO DA BACIA HIDROGRÁFICA COMO UNIDADE DE ESTUDO

Bacia hidrográfica pode ser definida como “o conjunto de terras drenadas por um canal fluvial” (GUERRA, 1996). Nas últimas décadas, a bacia hidrográfica estabeleceu-se como unidade fundamental para os estudos do ambiente (PEIXOTO et al., 1997; BOTELHO, 1999). Prova disso é a difusão do termo microbacia, até pouco tempo de uso restrito da hidrologia e da geomorfologia, mas que se tornou, praticamente, de domínio público. Isso se justifica, sobretudo, pelo reconhecimento da importância da água como recurso e como veículo de transporte e meio de propagação seja das soluções do solo, dos sedimentos, dos poluentes ou dos vetores de doenças. A bacia parece se apresentar, assim, como recorte mais adequado, embora algumas considerações possam ser feitas:

-   ao se definir a bacia como unidade de análise, elege-se o critério funcional e privilegiam-se os elementos do meio natural. Outras esferas de funcionamento, também fundamentais nos estudos ambientais, como a sócio-econômica, a cultural e a político-administrativa podem não apresentar qualquer relação com essa forma de recorte espacial;

-   até que dimensão uma bacia hidrográfica pode ser considerada uma unidade funcional? As perdas hídricas subsuperficiais, a evaporação e o poder de auto-depuração dos cursos d’água não podem ser desconsiderados ao se pensar, por exemplo, na elaboração de balanços. Até que ponto o esgoto de Belo Horizonte, lançado em afluentes do Rio das Velhas, deve ser considerado no contexto da bacia do Rio São Francisco?

-   a delimitação de uma bacia hidrográfica pode não ser uma tarefa tão simples, como pode parecer. É importante observar que, na delimitação dessas unidades de funcionamento, utilizam-se critérios morfológicos (embora não iso-fisionômicos): os divisores de águas, que são as partes mais elevadas do relevo. Nas áreas de relevo plano, onde a morfologia é homogênea, e onde a vegetação é desenvolvida e o solo coberto por serrapilheira, pode ser complicado compartimentar o espaço utilizando esse critério;

-   como se afirmou anteriormente, a análise morfológica pode não revelar estruturas, circuitos e redes subjacentes e, também, o funcionamento. No caso da delimitação das bacias hidrográficas (unidades funcionais), o recurso morfológico (identificação dos divisores de águas) pode não ser adequado. Isso ocorre porque a circulação hídrica subsuperficial pode ser discordante com a topografia: é o que ocorre nos terrenos de estrutura geológica inclinada e nos terrenos cársticos e pseudo-cársticos.

 

 

A MICROBACIA DO CÓRREGO DO CERCADINHO

A intenção de se estudarem as características ambientais da região em que se encontra o campus Estoril do UNI-BH colocou a necessidade da definição de um recorte espacial. A tendência de emprego da unidade da microbacia hidrográfica nos estudos ambientais e o estabelecimento do convênio como o Projeto Manuelzão, da UFMG, cujo enfoque é uma grande bacia hidrográfica (a bacia do Rio das Velhas), conduziram à opção pelo critério funcional hidrográfico para a delimitação da área de estudos.

A microbacia do Córrego do Cercadinho situa-se no setor sudoeste de Belo Horizonte e possui área de 12,6 km2. Faz parte da área de expansão urbana de Belo Horizonte (vetor sul). Nela  encontra-se a APE-Cercadinho (Área de Proteção Especial), da COPASA-MG, um dos mais antigos mananciais de abastecimento de Belo Horizonte (DCBAS – UNI-BH, 2002).

O Córrego do Cercadinho tem suas nascentes na Serra do Curral (a cerca de 1.200 m de altitude) e deságua no Ribeirão Arrudas (na cota aproximada de 860 m). Seu curso d’água principal (Cercadinho) estende-se por 7,6 km. O afluente mais importante é o Córrego da Ponte Queimada, pela margem esquerda. A bacia drena as rochas metassedimentares do Quadrilátero Ferrífero (itabiritos, quartzitos e filitos) e, já próximo do exutório, encontra as rochas do embasamento cristalino. As seqüências da vegetação e dos solos apresentam forte correspondência com a topografia (DCBAS – UNI-BH, 2002).

Os mapas 1 e 2 apresentam o limite da bacia hidrográfica (linha cheia e mais pesada) comparado aos limites de unidades políticas (bairros) (mapa 1) e unidades de controle de coleta e tratamento estatístico da informação do IBGE (mapa 2). Verifica-se que a correspondência é apenas parcial. Isso se explica pelo fato da compartimentação por setores censitários e bairros respeitar, muitas vezes o arruamento atual: onde esse se estende pelos interflúvios, quase sempre aproveitando o traçado de antigos caminhos (relictuais), os limites podem coincidir. No caso dos setores censitários, devido ao tamanho menor das unidades, a divergência entre limites da bacia e limites do setor é menor do que para os bairros.

Os mapas 3 e 4 apresentam dados sócio-econômicos dos setores censitários da área da bacia (Níveis de alfabetização dos responsáveis pelos domicílios e Níveis de rendimento dos responsáveis pelos domicílios). Verifica-se, de início, uma configuração bastante parecida em ambos os mapas. Observa-se, também, que, quanto a essas características, a área da bacia é bastante heterogênea: na parte sudeste encontram-se os bairros Buritis, das Mansões e Bervedere e Olhos d’água (o bairro Serra do José Vieira não é incluído na análise por corresponder, em sua maior parte na área da bacia, à APE-Cercadinho). À exceção do bairro Olhos d’água, os demais apresentam populações de renda elevada e baixo nível de analfabetismo. Na parte noroeste encontram-se os bairros Palmeiras, Estrela d’alva, Nova Barroca, Marajó, São José, Cinqüentenário e Havaí. Nesses bairros verificam-se taxas de analfabetismo mais elevadas e rendas menores. Essa configuração indica a existência de dois compartimentos bastante nítidos, um que corresponde ao baixo curso e outro que corresponde aos cursos médio e alto do Córrego do Cercadinho. Nesse caso, verifica-se, então, que a microbacia não é um bom critério para a compartimentação.

A compartimentação segundo critérios sócio-econômicos apresenta, por outro lado, boa associação com uma compartimentação segundo critérios genéticos (história recente) da região (mapa 5): a ocupação urbana da área se fez segundo dois vetores de expansão. Um vetor sudoeste, mais antigo e um vetor sul, mais recente. O primeiro foi responsável pelo estabelecimento dos bairros do baixo curso e o segundo pelo estabelecimento dos bairros do médio/alto curso, ambos acima citados. Entre as áreas ocupadas obedecendo a esses vetores encontra-se uma faixa menos densamente urbanizada, que marca a ruptura da unidade da microbacia em dois conjuntos.

 

 

CONSIDERAÇÕES FINAIS

Para a questão da definição do recorte espacial dos estudos ambientais não há uma resposta ideal ou definitiva. Há várias maneiras possíveis de compartimentar o espaço em unidades coerentes. Essas possibilidades devem-se não apenas à categoria global adotada como prioritária (funcionamento, morfologia, gênese, etc.), mas também ao tema a ser considerado com maior relevância (economia, sociedade, hidrografia, cultura, cobertura vegetal, etc.) na área de estudos.

 

 

AGRADECIMENTOS

À Divisão de Controle e Proteção de Mananciais da COPASA-MG por permitir o acesso e os estudos de campo na APE-Cercadinho.

 

 

NOTAS

[1] DOLLFUS (1971), em L’Analyse Géographique, considera a forma, a gênese e a função como critérios para a identificação de unidades espaciais (estruturas): “(...) uma estrutura é um espaço homogêneo por seu aspecto, sua gênese ou sua função”.

[2] SANTOS (1985) propõe a análise do espaço segundo quatro categrorias: forma, função, estrutura e processo.

[3] Em vários campos da ciência – biologia, com BERTALANFFY (1950; 1973); geomorfologia, com STRAHLER (1950) e pedologia, com NIKIFOROFF (1959), por exemplo – que adotaram conceitos originários da termodinâmica linear, verificou-se uma tendência a menosprezar o fator tempo (a história) como parâmetro relevante no estudo dos sistemas. NIKIFOROFF (1959), por exemplo, afirma que “idéias sobre a evolução do solo provaram ser bastante populares, apesar de serem claramente uma influência da filosofia das ciências biológicas (...). Seguidores dessa escola postulam que o tempo é o quinto determinante essencial da formação dos solos e que as características do solo mudam meramente com o passar do tempo, mesmo quando outros determinantes (clima, relevo, vegetação e material inicial) permanecem constantes”.

[4] Numa cidade tombada pelo patrimônio histórico, o arruamento e as construções funcionam como uma rugosidade ao funcionamento atual. O funcionamento perfeito seria possível onde não houvesse rugosidade, como por exemplo em uma cidade como Brasília, riscada em papel em branco.

[5] A estrutura fractal refere-se não apenas à repetição de um padrão em diferentes escalas, mas também à repetição de certos padrões em objetos e fenômenos de diferentes naturezas.

[6] Segundo FRONTIER (1999), podem ser estudados como ecossistemas desde um fragmento de solo até o planeta inteiro.

[7] Fácies pode ser definida como “os caracteres de forma e configuração que distinguem um grupo; aspecto geral” DICIONÁRIO HOUAISS, 2001.

[8] O confinamento da idéia de geossistema a uma determinada escala (nível hierárquico) sugerido por alguns autores pode, talvez, explicar a pequena difusão de seu emprego se comparado à idéia de ecossistema, multiescalar.

 

 

REFERÊNCIA BIBLIOGRÁFICA

 

BERTALANFFY, L. The Theory of Open Systems in Physics and Biology. Science, 1950, vol. 111, pp. 23 – 29.

 

BOTELHO, R. G. M. Planejamento Ambiental em Microbacia Hidrográfica. IN: Erosão e Conservação dos Solos. GUERRA, A. J. T.; SILVA, A. S. da, BOTELHO, R. G. M. Rio de Janeiro: Bertrand Brasil, 1999, 269 – 293.

 

DCBAS – UNI-BH (Departamento de Ciências Biológicas, Ambientais e da Saúde – Centro Universitário de Belo Horizonte – UNI-BH) Relatório Preliminar do Projeto Manuelzão/Cercadinho, 2002, 167 p.

 

DOLLFUSS, O. L’Analyse Géographique. Paris: Presses Universitaires de France, 1971, 130 p.

 

FRONTIER, S. Les Écosystèmes. Paris: Presses Universitaires de France, 1999, 130 p.

 

GUERRA, A. J. T (org.). Dicionário Geológico-Geomorfológico. Rio de Janeiro: Bertrand Brasil, 1996, 652 p.

 

HACK, J. T. Interpretação da Topografia Erodida em Regiões Temperadas Úmidas. Notícia Geomorfológica, 1972, 12, pp. 3 37.

 

NIKIFOROFF, C. C. Reappraisal of the Soil. Science, 1959, vol 129, pp. 186 196.

 

PEIXOTO, M. N. de O.; SILVA, T. M. da; MOURA, J. R. da S. de. Reflexões sobre as Perspectivas Metodológicas em Geografia Física. IN: Revista de Pós-graduação em Geografia – UFRJ, 1997, pp. 35 – 48.

 

PRIGOGINE, I. & STENGERS, I. A Nova Aliança. Brasília: Editora da UNB, 1984, 182 p.

 

SANTOS, M. Espaço e Método. São Paulo: Nobel, 1985, 125 p.

 

STRAHLER, A. N. Equilibrium Theory of Erosional Slopes Approached by Frequency Distribution Analysis. Part I e II. American Journal of Science, vol 248, pp. 800 – 814.