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X SIMPSIO BRASILEIRO DE GEOGRAFIA FSICA APLICADA

 

ATIVIDADE INDUSTRIAL, POPULAO E MEIO AMBIENTE EM CASCATINHA: PETRPOLIS RJ

 

 

Anderson Chagas de Oliveira* - achagasoliveira@aol.com

Carolina Porto Teixeira* - carol_prj@uol.com.br

Luiz Fernando Hansen Gonalves* - lfhg@compuland.com.br 

Antonio Jos Teixeira Guerra* - antonioguerra@openlink.com.br

 

 

* Lagesolos (Laboratrio de Geomorfologia Experimental e Eroso dos solos), vinculado ao Departamento de Geografia da Universidade Federal do Rio de Janeiro.

Apoio: CNPq e FAPERJ.

 




Palavras-chave: Impactos Ambientais, Loteamentos Irregulares, Atividade Industrial.

Eixo 3: Aplicao da Geografia Fsica Pesquisa

Sub-eixo 3.3: Gesto e planejamento Ambiental

 

 

 

 

 

1. INTRODUO

 

O municpio de Petrpolis localiza-se na regio serrana do estado do Rio de Janeiro (Figura 1) e teve sua primeira ocupao por volta de 1720, com a abertura de um caminho Rio-Minas, levando criao da sesmaria do Itamarati e ao surgimento de outras fazendas, entre as quais a do Crrego Seco, posteriormente adquirida por D. Pedro I. Somente em 1843, quando D. Pedro II inicia a construo de seu palcio de vero, sob a orientao do major e engenheiro alemo Jlio Frederico Keler, que se d a sua efetiva ocupao.

O municpio apresenta relevo montanhoso, altas declividades (entre 3 e 90), altitude mdia de 845 m, rea de 811 km, populao de 293.947 habitantes (CIDE, 2002) e clima mesotrmico brando supermido (Nimer, 1989), onde a posio geogrfica, a altitude, o relevo, a influncia da maritimidade, juntamente com a circulao atmosfrica, estabelecem variaes climticas expressivas, ocasionando diferenciaes nos ndices trmicos e pluviomtricos, com baixas temperaturas ao longo do ano e chuvas concentradas de outubro a maro. Divide-se em cinco distritos: 1 Petrpolis (sede), 2 Cascatinha, 3 Itaipava, 4 Pedro do Rio e 5 Posse.

O projeto da cidade foi solicitado pelo Governo Imperial ao major e engenheiro alemo Jlio Frederico Keler (1843), um profundo conhecedor das caractersticas fsicas da regio. O plano de Keler visava a preservao da cobertura vegetal, uso do solo para formao de uma colnia agrcola, adotando tambm medidas para o aproveitamento, adaptao e preservao das reas urbanas, que deveriam seguir alguns parmetros, como: os lotes seguiam-se ao longo dos rios, com maior profundidade do que largura, subindo pelas encostas, adaptando-se topografia montanhosa; o topo dos morros no podia ser utilizado e os lotes no podiam ser subdivididos; as reas com maior declividade no podiam ser ocupadas, preservando assim a vegetao e evitando os deslizamentos, entre outras medidas.

A colnia agrcola fracassou e o crescimento industrial tornou-se responsvel pela atrao de mo-de-obra de diversas regies do pas e de europeus, j na segunda metade do sculo XIX. A populao comeou a concentrar-se, fato que aliado especulao imobiliria, rompeu com o Plano Keler. Grandes reas florestais foram destrudas, os rios foram poludos e assoreados e as encostas foram ocupadas desordenadamente.

O desenvolvimento industrial promoveu a diviso social do espao. Os reduzidos terraos fluviais ficaram de posse da populao de alta renda e a populao mais pobre estabeleceu-se nas encostas, de forma desordenada, atravs de ocupaes irregulares e informais. Devido urbanizao desordenada, o distrito sede e parte do segundo distrito vm sofrendo com o crescente nmero de deslizamentos (o principal impacto que o municpio sofre), muitas vezes de grandes propores, resultando na morte de inmeras pessoas e em grandes prejuzos materiais.

De acordo com dados do CIDE (1998), o municpio atravessado desde sua criao por rodovia, estabelecendo a ligao entre o Rio de Janeiro e Minas Gerais, atualmente representada pela rodovia Rio Belo Horizonte (BR-040). Constituiu a segunda moradia da Famlia Imperial, beneficiando-se desta condio, no que se refere manuteno da rede de comunicao com a Capital, alm da qualidade de seus equipamentos urbanos. Foi em direo a Petrpolis que se construiu o primeiro eixo ferrovirio do Estado do Rio de Janeiro, no sculo XIX, ligando Mau, porto da Baa de Guanabara, Raiz da Serra, em Petrpolis. Desempenha papel de plo em funo, principalmente, do setor industrial, distinguindo-se os gneros txteis, vesturio e servios de manuteno e reparao, alm de suprir com o seu comrcio e servios as necessidades da populao dos municpios prximos.

A proximidade do Rio de Janeiro, a tima infra-estrutura de transportes, a alta qualificao dos colonos alemes quanto s atividades industriais, o clima ameno, a distncia do mar (o sal e a areia danificavam as mquinas), a grande quantidade de rios e as diversas quedas dgua, que permitiam a fcil obteno de energia e garantiam guas limpas para as indstrias, principalmente as txteis, foram os principais fatores que permitiram um grande desenvolvimento industrial no municpio, principalmente no distrito sede e em parte do segundo.

 

Figura 1: Localizao de Petrpolis.

(Fonte: L. F. H. Gonalves, 1998).

 

2. OBJETIVOS

 

Este trabalho tem por objetivo principal analisar o crescimento e o declnio da atividade industrial em Cascatinha, o crescimento populacional e seu empobrecimento, impulsionado em grande parte pelas indstrias. Dar-se- maior importncia Companhia Petropolitana, devido sua grande importncia para o 2 distrito, e s conseqncias desses processos para o meio ambiente.

Outro objetivo desta pesquisa identificar as principais aes impactantes e os danos resultantes das mesmas, assim como mapear as reas mais crticas quanto ao nvel de degradao e propor usos mais racionais dos recursos e formas de ocupao que sejam menos impactantes e melhor ordenadas, evitando ocupaes e loteamentos irregulares, que podem vir a provocar grandes impactos ambientais.

 

3. METODOLOGIA

 

A metodologia deste trabalho baseou-se em pesquisas bibliogrficas, principalmente atravs de livros, revistas, jornais, artigos e arquivos sobre a regio, fazendo-se uma reconstituio histrica do processo de ocupao dos terraos fluviais e das encostas. Foram utilizados dados sobre impactos ambientais e material cartogrfico fornecidos pela Defesa Civil e pela Secretaria de Planejamento e Desenvolvimento de Petrpolis.

Foram realizados levantamentos de campo para a coleta de informaes relacionadas s fbricas principalmente a Companhia Petropolitana - e tambm obter registros fotogrficos da atual situao da rea de estudo. Informaes sobre a populao e o meio ambiente foram coletadas, de maneira a permitir a anlise das interaes entre indstria, populao e meio ambiente. Dados pluviomtricos das estaes do Lagesolos (Laboratrio de Geomorfologia Experimental e Eroso dos Solos) e dissertaes de mestrado tambm foram utilizados.

 

4. O DISTRITO DE CASCATINHA E OS IMPACTOS AMBIENTAIS

 

O distrito de Cascatinha encontra-se conurbado com o 1 distrito. A regio possui temperatura mdia de 20 C e pluviosidade mdia anual de 1.500 mm. As altitudes variam de 700 m a mais de 2.000 m e sua rea de 274 km2. O relevo apresenta-se bastante escarpado, com declividades que variam de 5 at 90 (Figura 2). H a presena de grande variedade de tipos de solos, predominando o Latossolo Vermelho-Amarelo, o Cambissolo e o Litlico.

 

Figura 2: Sede do distrito de Cascatinha, podendo-se notar a urbanizao subindo as encostas ngremes.

 

Petrpolis possui populao de 293.947 habitantes (CIDE, 2002). O 2 distrito tem populao superior a 65.000 habitantes (Deciso Petrpolis II). De uma rea de 274 km2, 33,78% do territrio do distrito encontra-se ocupado (tabela 1). Mais da metade da populao reside em encostas, as quais esto sujeitas a movimentos de massa e eroso, pois sofrem ocupaes irregulares e intensos desmatamentos.

 

Tabela 1: rea ocupada por distrito.=

Distritos

rea em km2

% de Ocupao

1 Petrpolis

143

17,63

2 Cascatinha

274

33,78

3 Itaipava

121

14,92

4 Pedro do Rio

210

25,89

5 Posse

63

7,77

Total

811

100

Fonte: IBGE in: Deciso Petrpolis II (1999).

 

As reas urbanas, por constiturem ambientes onde a ocupao e concentrao humana se tornam intensas e muitas vezes desordenadas, tornam-se locais sensveis s gradativas transformaes antrpicas, medida que se intensificam em freqncia e intensidade o desmatamento, a ocupao irregular, a eroso, o assoreamento dos canais fluviais, entre outras coisas (Gonalves e Guerra, 2001).

O Brasil vem sofrendo cada vez mais com impactos ambientais, pois sua populao urbana tem aumentado significativamente ao longo dos ltimos anos. Segundo Dek e Schiffer (1999), em pouco mais de uma gerao a partir de meados do sculo XX, o Brasil, um pas predominantemente agrrio, transformou-se em um pas virtualmente urbanizado. Em 1950, tinha uma populao de 33 milhes de camponeses em crescimento -, com 19 milhes de habitantes nas cidades, ao passo que hoje tem a mesma populao no campo agora diminuindo e a populao urbana sextuplicou para mais de 120 milhes.

O distrito de Cascatinha, embora seja menos populoso, tem sofrido inmeros tipos de impactos scio-ambientais. A regio era inicialmente ocupada por poucos habitantes, os quais se dedicavam agricultura. No entanto, a rea no era adequada s atividades agrcolas. A regio onde hoje se localiza a sede distrital apresentava boas caractersticas para a implantao de indstrias, principalmente indstrias txteis, nas dcadas de 1870 e 1880. Entre essas caractersticas destacavam-se: altitude, grande quantidade de rios e quedas dgua e grande quantidade de florestas (futuro uso energtico). Alm dos fatores ambientais, a rea era relativamente prxima ao centro de Petrpolis, impulsionando o estabelecimento das indstrias. Nas figuras 3 e 4 pode-se observar a sede distrital em 1885 e em 2001.

 

Figura 3: Sede distrital em 1885, com as encostas preservadas e onde se pode ver, em primeiro plano, a Companhia Petropolitana.(Foto: Marc Ferrez, 1885).

 

Figura 4: Sede distrital em 2001, com as encostas desmatadas e ocupadas, podendo-se ver, em primeiro plano, a Companhia Petropolitana.

 

Segundo Hooke & Kain (1982) as atividades humanas modificam o ambiente natural, impactando-o. As principais atividades humanas que foram identificadas na literatura como causas de mudanas ambientais so as seguintes: uso da terra e prticas agrcolas, urbanizao, drenagem, construes da engenharia e atividades industriais, podendo ser distinguidos efeitos diretos e indiretos.

Os problemas ambientais (ecolgicos e sociais) no atingem igualmente todo o espao urbano, atingem muito mais os espaos fsicos de ocupao das classes sociais menos favorecidas do que os das classes mais elevadas. A distribuio espacial das primeiras est associada desvalorizao de espao, quer pela proximidade dos leitos de inundaes dos rios, das indstrias, de usinas termonucleares, quer pela insalubridade, tanto pelos riscos ambientais (suscetibilidade das reas e das populaes aos fenmenos ambientais) como desmoronamento e eroso, quanto pelos riscos das provveis ocorrncias de catstrofes naturais, como terremotos e vulcanismos (Coelho, 2001).

Antes do ano de 1873 o distrito no passava de um pequeno povoado, com meia dzia de casas esparsas, cobertas de zinco e suspensas nas encostas. No entanto, em 1873 o cubano Bernardo Caymari fundou a Companhia Petropolitana, que poca era a maior e a principal fbrica de tecidos da Amrica Latina. No ano de 1884 a fbrica foi reorganizada, sendo que em 1886 a nova fbrica, junto com a antiga, empregava 1.071 operrios (FUNDREM, 1986).

No ano de 1904 a fbrica adquiriu a Fazenda do Alcobaa (Atual Reserva Ecolgica do Alcobaa) para garantir a pureza das guas potveis e de uso industrial. Nota-se que os diretores da fbrica preocupavam-se em manter as encostas com a floresta nativa, garantindo assim o fornecimento e a qualidade das guas; essa preservao ambiental, no entanto, tinha interesses econmicos e no ambientais. Somente se podia construir moradias ou quaisquer outros estabelecimentos com autorizao dos diretores da Companhia, que somente permitiam construes nas reas mais planas, deixando as encostas, na maioria das vezes, sem ocupaes.

Grande parte das terras do distrito pertenciam Companhia Petropolitana e, alm disso, toda a infra-estrutura necessria (segurana, arruamentos, escola, iluminao das ruas, entre outras) era provida pela fbrica. De 1880 a 1950 a populao da regio cresceu consideravelmente, porm esse crescimento no provocou grandes impactos, pois a populao concentrava-se nas plancies, sem ocupar as encostas e as margens dos rios, ou seja, era um crescimento organizado, mantido pela Companhia Petropolitana.

O primeiro grande impacto que a regio sofreu ocorreu por volta de 1945, devido a uma crise de combustvel lquido pelo qual passou o pas. Como a Companhia no tinha opes para a produo de energia para a cadeia produtiva, algumas florestas foram derrubadas e, posteriormente, reflorestadas com eucaliptos, visando o manejo dessa cultura para usos posteriores.

 

A partir da dcada de 1960, a Companhia conheceu o declnio progressivo da atividade industrial; com isto se deu a transformao do complexo industrial em um bairro popular, com todos os problemas de infra-estrutura e servios que lhes so caractersticos. Toda a infra-estrutura que a fbrica mantinha foi repassada Prefeitura de Petrpolis, porm esta no possua o capital necessrio para manter em bom funcionamento a excelente infra-estrutura que lhe foi transferida. A partir desse momento agravaram-se os problemas ambientais, pois a populao comeou a empobrecer, devido falncia dessa fbrica principal e de outras fbricas menores, e a ocupar reas de risco ambiental (FUNDREM, 1986).

A Companhia foi obrigada a vender seus terrenos, pois no tinha dinheiro para pagar as indenizaes. Em alguns casos, a fbrica viu-se obrigada a d-los aos antigos operrios, os quais j comeavam a entrar na justia cobrando os seus direitos. Com o loteamento e a ocupao desordenada, comeam a surgir diversos problemas ambientais, como: desmatamento, movimentos de massa, poluio e assoreamento dos rios, poluio e comprometimento dos mananciais, levando falta de gua nos meses mais secos. A populao tambm vem crescendo rapidamente e, como conseqncia, mais encostas so ocupadas e desmatadas, agravando-se os problemas. Nos meses mais chuvosos tem-se tornado comum a ocorrncia de deslizamentos. Na figura 5 v-se a pluviosidade anual em duas estaes pluviomtricas, Capela no 1 distrito e Corras no 2.

 

      Figura 5: Pluviosidade dos ltimos sete anos em Petrpolis e Cascatinha.

Fonte: Laboratrio de Geomorfologia Experimental e Eroso dos Solos UFRJ.

 

A populao vem aumentando durante os ltimos anos e as reas mais susceptveis a riscos ambientais tm sido cada vez mais ocupadas, tanto por famlias de alta quanto de baixa renda. Depsitos de tlus - reas instveis - foram ocupados por famlias de renda inferior, como a comunidade denominada Nova Cascatinha (Figura 6). Essa comunidade tambm corre riscos devido s quedas de blocos e rochas que podem vir a ocorrer. Onde se localizava a antiga vila operria da Companhia Petropolitana, atualmente h casas construdas prximas ao leito dos rios Itamarati e Piabanha, em suas plancies de inundao.

Os movimentos de massa so os principais impactos que Petrpolis sofre, resultantes de desmatamentos, ocupaes irregulares das encostas e fortes chuvas, principalmente entre outubro e maro. Os movimentos de massa concentram-se no 1 distrito, no entanto, Cascatinha tambm apresenta ocupao desordenada intensa. A ocorrncia de deslizamentos menor porque os ndices pluviomtricos do 2 distrito so inferiores queles do 1 distrito.

 

Figura 6: Casas construdas sobre depsito de tlus (parte superior da fotografia), na comunidade Nova Cascatinha, na sede do 2 distrito.

 

 

Quanto classificao, os principais tipos de impactos ambientais encontrados na rea de estudo so:

 

        Impactos negativos ou adversos: quando a ao resulta em um dano qualidade de um fator ou parmetro ambiental (lanamento de esgotos em um rio);

        Impactos diretos: resultantes de uma simples relao de causa e efeito (eroso resultante de desmatamentos);

        Impactos indiretos: resultantes de uma reao secundria em relao ao, ou quando parte de uma cadeia de reaes (formao de chuvas cidas);

        Impactos locais: quando a ao afeta apenas o prprio stio e suas imediaes (movimentos de massa);

        Impactos regionais: quando o impacto se faz sentir alm das imediaes do stio onde se d a ao (abertura de ruas);

        Impactos imediatos: quando o efeito surge no instante em que se d a ao (poluio do ar devido queima de lixo);

        Impactos permanentes: quando, uma vez executada a ao, os efeitos no cessam de se manifestar num horizonte temporal conhecido (derrubada de uma floresta);

        Impactos intensivos: so aqueles que abrangem uma rea bem delimitvel, qualquer que seja sua extenso (assoreamento de um rio).

 

A Companhia Petropolitana foi a primeira e mais importante fbrica de Cascatinha, mas tambm surgiram e cresceram outras fbricas importantes no distrito, como a Fbrica de Papel Petrpolis, que durante muitos anos foi lder no mercado sul-americano. Surgiu a ATA Combusto, que fabricava peas e caldeiras para outras indstrias. A Fleischmann Royal, fabricante de melao e outros produtos alimentcios. A COPPO, que fabricava mquinas para a produo de malhas. Fbrica de Brinquedos Edem, localizada na sede do distrito e, por fim, a ltima grande fbrica, a Souza Cruz, que atua no mercado tabagista. 

A nica fbrica ainda em atividade, embora em rpido declnio, a Fleischmann Royal, as demais fbricas faliram e demitiram milhares de funcionrios, o que veio a aumentar a pobreza e a ocupao desordenada. Na figura 7 pode-se ver o atual estado de abandono e depredao da Companhia Petropolitana.

 

Figura 7: A Companhia Petropolitana com seus vidros quebrados, lixo e entulho espalhados, fiao em pssimo estado de conservao entre outros graves problemas.

 

As aes impactantes mais comuns na rea de estudo so o desmatamento, a abertura de loteamentos irregulares, a emisso de poluentes atmosfricos e o despejo de efluentes txicos nos rios. Essas aes geram diversos impactos negativos ao meio ambiente e populao: eroso das encostas, assoreamento e poluio dos rios, movimentos de massa, inundaes freqentes, problemas respiratrios e mesmo mortes.

 

5. CONCLUSES

 

O presente trabalho teve como principal objetivo examinar, atravs da literatura e de levantamentos de campo, em que medida a atividade industrial e a ocupao urbana desordenada podem causar impactos ambientais. As pesquisas ainda se encontram em andamento e informaes mais aprofundadas so necessrias, tanto em relao atividade industrial e populao, quanto s caractersticas ambientais da rea de estudo.

No entanto, com os estudos realizados at o presente momento foi possvel delimitar um momento no qual os impactos ambientais tornaram-se freqentes, que o momento da fundao da Companhia Petropolitana, que ao se instalar precisou aterrar as margens do rio Itamarati e desmatar a floresta que existia no local.

Nos 80 anos que se seguiram sua fundao, toda a infra-estrutura era provida pela fbrica e as florestas no podiam ser desmatadas, por ordem desta, que necessitava dos rios limpos e com boa vazo o ano todo, para poder fabricar tecidos de alta qualidade, ou seja, preservao por interesses econmicos. Aps o seu fechamento, os terrenos da Companhia foram divididos e ocupaes e loteamentos irregulares comearam a surgir.

Eroso dos solos, desmatamentos, movimentos de massa (principalmente nos meses de primavera e vero), enchentes e outros impactos tornaram-se constantes. A populao tambm sofreu grandes impactos, pois teve sua renda diminuda devido ao fechamento das principais fbricas da regio. As condies de moradia vm se deteriorando desde os anos de 1960 e as reas de maior risco ambiental tm sido ocupadas, como as encostas ngremes, os depsitos de tlus, os vales fluviais e as margens dos rios.

O grande desafio imposto atualmente como compatibilizar o crescimento urbano desordenado que vem ocorrendo na regio atividade industrial (que vem declinando desde os anos de 1960) e preservao ambiental. Os recursos naturais esto sendo dizimados a uma velocidade superior quela necessria aos estudos para seu uso racional.

Mais pesquisas so necessrias e sero efetuadas, mas no caso do 2 distrito (Cascatinha) os impactos ambientais esto intimamente relacionados atividade industrial e seu posterior declnio, que levou ao empobrecimento da populao, deteriorao da infra-estrutura e ocupao desordenada das encostas e dos vales fluviais, os quais a Companhia Petropolitana preservou por mais de 80 anos.

 

 

6. BIBLIOGRAFIA

 

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