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E3-3.3T067

 

X SIMPÓSIO BRASILEIRO DE GEOGRAFIA FÍSICA APLICADA

 

O USO DA TERRA NAS VERTENTES MARGINAIS DO LAGO DA UHE DE ITÁ, NO MUNICÍPIO DE MARCELINO RAMOS/RS, E SEUS REFLEXOS NA QUALIDADE DA ÁGUA.

 

 

Brasinicia Tereza Tápia
Bolsista -Graduanda do Curso de Geografia (Bacharelado) - Depto.de Geociências –UFSM - e-mail: brasinicia@yahoo.com.br Laboratório de Hidrologia

 Bernardo Sayão Penna e Souza
Orientador - Prof. Dr. do Depto.de Geociências, Laboratório de Hidrologia - UFSM - e-mail: bernardosps@bol.com.br




 

Eixo 3: Aplicação da Geografia Física à Pesquisa

Sub-eixo 3.3: Gestão e planejamento Ambiental





 

1. Introdução

 

Com o presente projeto de pesquisa buscou-se identificar determinados parâmetros físico-químicos da água acumulada no represamento originado pela barragem da UHE-Itá, no município de Marcelino Ramos, no Rio Grande do Sul, visando com isso inferir acerca da qualidade ambiental da área estudada, tendo como parâmetros, os reflexos que a influência da ação antrópica sobre o relevo imprime na água do lago. Sendo essa ação, implementada na superfície das bacias hidrográficas que fazem contato direto com a lâmina d'água do referido lago, dentro dos limites do município em questão.

A área de estudo compreende o município de Marcelino Ramos, localizado ao Norte do Estado do Rio Grande do Sul, às margens do Rio Uruguai, em frente à confluência  com o Rio do Peixe/SC.

O município apresenta uma área de aproximadamente 228 Km², numa altitude média de 510m, com uma população total de 6.109 habitantes (segundo dados do IBGE, 2000). A sede municipal está compreendida entre as coordenadas geográficas de 27º 2809’’ de Latitude Sul e 51º 5455’’ de Longitude Oeste, tendo como limite norte o rio Uruguai, que separa o Rio Grande do sul do estado de Santa Catarina, ao Sul o município de Viadutos, a leste o município de Maximiliano de Almeida e a oeste o município Severiano de Almeida.

O reservatório em questão é originado pelo represamento do rio Uruguai, cuja localização está associada a áreas de relevo fortemente movimentado e com uma elevada energia (porquanto a amplitude altimétrica é elevada) devido ao trabalho de esculturação atuante nas rochas vulcânicas originadas pelo vulcanismo fissural ocorrido no final do período Jurássico e início do Cretáceo, principal formador da morfoescultura denominada Planaltos e Baixadas da Bacia do Paraná (ROSS, 1985), e que, na região estudada recebe a denominação de Planalto Meridional Brasileiro.

A ocupação das vertentes, tanto rural (com um relativamente intenso uso do solo pelas atividades agrícolas), quanto urbana (ligada a construções irregulares, a lançamento de resíduos sem prévio tratamento nas águas, e a um relativamente intenso e constante desmatamento), sugere e atesta a existência de diferentes processos que dão origem a distintas formas e graus de influência no sistema hídrico e conseqüentemente nas condições da água, nos diferentes pontos do reservatório ao longo do município em questão.

Tais processos alertam sobre a possibilidade de o desenvolvimento de determinados projetos de grande vulto vir a afetar, em última análise, a disponibilidade da água, em volume ou qualidade, para outros fins a que ela possa servir. Contudo, além do problema do comprometimento da disponibilidade de água de boa qualidade, a implementação de tais projetos gera outras implicações de ordem ambiental, tais como a alteração das formas de atuação dos agentes erosivos, resultante das novas formas de uso da terra imposta à comunidade que se vê obrigada a se adaptar, muitas vezes (se não na maioria delas), às novas condições determinadas pela sua implantação.

Entre esses projetos está a construção de grandes reservatórios que nada mais são que lagos artificiais existentes por vontade e obra humana, e que implicam em profundas transformações na configuração dos geossistemas naturais, dando uma nova configuração às paisagens. As alterações nos geossistemas, causadas pela construção de grandes reservatórios, geram rupturas no estado de equilíbrio dinâmico das paisagens, e essas rupturas acabam por influir em todo o ciclo hidrológico local, o qual por efeito da retro-alimentação positiva acaba por intensificar os demais processos em todo o sistema, bem como no meio ambiente do qual faz parte como subsistema.

 

2. Objetivos

2.1. Objetivo Geral

 

Identificar através de análise da água do reservatório, da UHE Itá, os reflexos do uso da terra no município de Marcelino Ramos/RS e inferir sobre a sua qualidade ambiental;

 

2.3. Objetivos Específicos

 

Determinar os seguintes parâmetros físico-químicos da água do reservatório: pH, temperatura, condutividade elétrica, TSD (Total de Sólidos Dissolvidos) DQO (Demanda Química de Oxigênio), cor, turbidez, fluoretos, cloretos, cálcio, ferro, manganês, magnésio e dureza total;

Identificar e analisar as formas de uso da terra no município de Marcelino Ramos;

Correlacionar os resultados das análises da água com os diferentes usos da terra, a saber: uso urbano, uso turístico (balneário) e uso rural (cobertura florestal);

Caracterizar o município de Marcelino Ramos no que se refere à qualidade ambiental, ou condições ecológicas;

 

3. Metodologia.

 

Visando atingir os objetivos propostos foram implementados os seguintes procedimentos metodológicos:

Caracterização física do município de Marcelino Ramos, através da utilização de imagens de satélites e cartas topográficas na escala de 1:50.000,bem como outras fontes cartográficas e bibliográficas.

A identificação do uso da terra obtida através da interpretação de imagens de satélite da área de estudo e de trabalho de campo;

Foram obtidas amostras para posterior análise laboratorial, em 6 (seis) pontos do reservatório (área urbana, balneário e área rural), em dois períodos distintos, inverno e verão. São coletas de margem, com um litro de água por amostra, numa profundidade aproximada de 0,5 metros;

Os parâmetros considerados para análise e as respectivas técnicas empregadas foram:

pH- Potenciometria direta com eletrodo de pH;

Temperatura- termômetro de mão;

Condutividade elétrica- Condutivímetro digital;

Cor- colorímetro;

Turbidez- turbidímetro;

Cloretos- método de MOHR ( volumetria direta);

Fluoretos- potenciometria com eletrodo íon-seletivo para fluoreto;

Dureza Total-  volumetria por complexação com EDTA;

Teores de Cálcio, Magnésio, Manganês e Ferro- espectrometria ou absorção atômica com chama;

DQO (Demanda Química de Oxigênio)- Oxidação com dicromato de potássio e volumetria

 TSD (Total de Sólidos Dissolvidos) estimada segundo a aplicação do fator de conversão de 0,67 sobre o índice da condutividade elétrica;

 

Com base nos parâmetros de qualidade física das águas coletadas e nos tipos de uso da terra serão correlacionadas as variáveis, a fim de concluir sobre a atuação antrópica, no emprego da terra e sobre a qualidade da água;

 

4. Revisão de literatura

 

As estreitas relações entre Meio Ambiente, Geomorfologia e Sociedade, propõem analisar de maneira integrada esses elementos, a fim de compreender melhor como se processa a degradação ambiental. Assim, a Geomorfologia, possui um papel integrador para explicar os processos de degradação (Cunha & Guerra, 1996, p.338-339). Esse caráter integrador se verifica na medida em que a Geomorfologia procura entender a evolução espaço-temporal dos processos do modelado terrestre antes e depois da intervenção humana (Cunha & Guerra, 1996, p.349).

A abordagem relacionada a uma análise integrativa, manifesta a necessidade de que os problemas ambientais devem ser entendidos de forma holística, ou seja abrangendo a totalidade do sistema.

O meio ambiente é sem dúvida, uma das grandes preocupações da humanidade, ao elaborar tentativas de preservação do patrimônio natural, em prol da sua qualidade de vida. Assim, os termos diagnósticos, monitoramentos, planejamentos, gestão e prognósticos são expressões que também fazem parte da Geomorfologia ao se detectar os diferentes graus de sensibilidade do quadro ambiental.

Desse modo, a abordagem da Geomorfologia nos estudos ambientais deverá ter como preocupação os efeitos (impactos) que empreendimentos trarão ao relevo (Ross, 1996, p.306).

Para Guerra & Cunha (1995, p.427), o impacto ambiental é definido como sendo “mudança sensível, positiva ou negativa, nas condições de saúde e bem-estar das pessoas e na estabilidade do ecossistema, do qual depende a sobrevivência humana”.

Portanto, uma análise aplicada ao planejamento ambiental, pode ser entendida segundo o conceito das Unidades Ecodinâmicas, propostas por Tricart (1977), onde o ambiente é visto de acordo com a teoria dos sistemas, em que seu estado de equilíbrio pode ser rompido pela atuação antrópica, gerando desequilíbrios temporários, ou até permanentes.

Entretanto, com relação ao conceito de Unidades Ecodinâmicas, Ross (1990) ampliou os graus das unidades ecodinâmicas instáveis numa escala desde muito fraca a muito forte. Fez o mesmo para as unidades ecodinâmicas estáveis, que mesmo estando em equilíbrio dinâmico apresentam instabilidade potencial qualitativamente previsível, frente as suas características naturais e à intervenção antrópica.

Logo, as paisagens podem ser avaliadas como recursos ambientais, existindo inúmeros critérios para seu procedimento avaliativo. Os diversos usos da terra, e o manejo inadequado de áreas urbanas e rurais sugerem levantamentos de elementos tais como: a cobertura vegetal, os solos, a água e o relevo.

Dessa maneira, a Geomorfologia adquire relevância, pois “analisa o relevo focalizando suas características morfológicas, materiais componentes, processos atuantes e fatores controlantes, e a dinâmica evolutiva” (Christofoletti,1995,p.415). Assim, auxilia a compreender o modelado terrestre, como elemento do sistema ambiental físico e condicionante para as atividades humanas e organizações espaciais (Christofoletti,1995,p.415). Tais proposições assinalam a participação do conhecimento geomorfológico em diagnósticos das condições ambientais contribuindo para orientar as categorias de uso da terra, tanto para fins agrícolas como urbano-industrial, para a exploração de recursos naturais, lazer e turismo, e assentamento das atividades humanas.

Sob esse ponto de vista, as bacias hidrográficas segundo (Guerra & Cunha, 1996, p.353), “integram uma visão conjunta do comportamento das condições naturais e das atividades humanas nelas desenvolvidas uma vez que, mudanças significativas em qualquer dessas unidades, podem gerar alterações, efeitos e/ou impactos a jusante nos fluxos energéticos de saída (descarga, cargas sólidas e dissolvidas)”.

Ainda, para Guerra & Cunha, as mudanças que ocorrem no interior das bacias hidrográficas podem ter causas naturais, porém nas últimas décadas a ação antrópica tem participado como agente acelerador dos processos modificadores e de desequilíbrios da paisagem (1996, p.354).

Entre esses problemas, a retirada da cobertura vegetal, que é um dos elementos mantenedores da superfície terrestre, leva geralmente à ruptura do relevo, uma vez que altera a forma e a velocidade de atuação dos agentes erosivos, acelerando o desgaste da superfície das vertentes, implicando no equilíbrio dinâmico da paisagem (Souza, 2001).

Todas essas condições promovem alterações no comportamento físico-químico das águas, podendo comprometer a sua qualidade e/ou quantidade. Assim, a água, além de representar um recurso essencial para a vida e a sociedade humana, também representa importância em qualquer análise e avaliação do meio ambiente e dos recursos naturais terrestres e aquáticos de uma região. Dessa maneira, garantir o suprimento de água em quantidade e qualidade suficiente para atender às necessidades da sociedade deve ser conduzida de forma sistêmica, considerando as interações entre as intervenções humanas e o meio natural.

 

5. Apresentação parcial e análise dos resultados

 

Um dos elementos condicionantes da situação de equilíbrio dinâmico da paisagem é a vegetação mantenedora da superfície. A retirada dessa cobertura vegetal geralmente leva a processos de ruptura do relevo (que pode significar a ruptura do limiar de equilíbrio dinâmico do sistema natural), uma vez que altera a forma e a velocidade de atuação dos agentes erosivos, acelerando o desgaste da superfície das vertentes. Essa diferente atuação dos agentes erosivos, que são os responsáveis pelo modelado do relevo, se manifesta de formas variadas, conforme o tipo de uso da terra, e também de acordo com o tipo de relevo, além de outros fatores (Souza, 2001).

Geralmente, a ação da sociedade humana sobre um determinado sistema ambiental implica, entre outras ações, na retirada e/ou substituição da vegetação original. Ao retirar a vegetação original, o homem altera a ação dos agentes modeladores do relevo, alterando dessa forma o equilíbrio dinâmico da paisagem. Alterando-se o equilíbrio dinâmico da paisagem, alteram-se também as condições físico-químicas das águas, porquanto as águas superficiais constituem o principal fator de desgaste das vertentes e de transporte das substâncias detríticas decorrentes desse desgaste ( Souza, 2001).

Assim, a água contém diversos componentes, que provêm do próprio ambiente natural ou que são induzidos a partir das atividades humanas. Dessa maneira, um modo de definir critérios ou condições a serem ou não atendidas pelos mananciais, é estabelecer uma classificação para as águas em função de seus usos.

Os quadros a seguir apresentam os resultados das análises físico-químicas obtidas na primeira amostragem realizada em 02/08/2002 (Quadro 01) e o quadro 02 que demonstra o resultado da amostragem realizada em 28/12/2002.

 

Quadro 01: Análise físico-química da água do reservatório da UHE Itá/1a coleta

Parâmetros

Amostra 01/

Zona Urbana

Amostra 02 / balneário

Amostra 03/

 Zona Rural

PH

6.6

6.9

6.7

Cor

60 mg Pt/L

70 mg Pt/L

50 mg Pt/L

Turbidez

155 U.T.

170 U.T.

140 U.T.

        Cond. elétrica

34.1 mS/cm

41.9 mS/cm

31.3mS/cm

STD

271.35

298.82

290.78

    Dureza Total

1   4.9 mg CaCO3/L

1    4.5 mg CaCO3/L

1    13.5 mg CaCO3/L

DQO

6.4 mg/L

6.6 mg/L

7.2 mg/L

Cloretos

<1.7 mg/L

<1.7 mg/L

<1.7 mg/L

Fluoretos

<0.25 mg/L

<0.25 mg/L

<0.25 mg/L

Ferro

<0.1 mg/L

<0.1 mg/L

<0.1 mg/L

Magnésio

1.40 mg/L

1.42 mg/L

1.38 mg/L

Manganês

<0.1 mg/L

<0.1 mg/L

<0.1 mg/L

Cálcio

3.78 mg/L

3.51 mg/L

3.27 mg/L

FONTE: Coleta de campo/02/08/2002

MONTAGEM: Tapia, B.

 

Quadro 02: Análise físico-química da água do reservatório da UHE Itá/2a coleta

Parâmetros

Amostra 01/

Zona Urbana

Amostra 02 / balneário

Amostra 03/ Zona Rural

pH

6.4

6.8

6.6

Cor

40 mg Pt/L

40 mg Pt/L

40 mg Pt/L

Turbidez

14 U.T.

13.5 U.T.

12.0 U.T.

Condutividade

Elétrica

405 mS/cm

446 mS/cm

434 mS/cm

STD

22.84

28.07

20.97

Dureza Total

50.8 mg CaCO3/L

50.8 mg CaCO3/L

50.8 mg CaCO3/L

DQO

3.1 mg/L

4.9 mg/L

3.7 mg/L

Cloretos

<1.0 mg/L

<1.0 mg/L

<1.0 mg/L

Fluoretos

<0.20 mg/l

<0.20 mg/l

<0.20 mg/l

Ferro

1.2 mg/L

1.1 mg/L

1.0 mg/L

Magnésio

1.6 mg/L

1.7 mg/L

1.7 mg/L

Manganês

<0.10 mg/L

<0.10 mg/L

<0.10 mg/L

Cálcio

3.8 mg/L

4.0 mg/L

4.1 mg/L

FONTE: Coleta de campo/ 28/12/2002.

MONTAGEM: Tapia, B.

 

 

Parâmetros físicos

 

As análises físicas da água compreenderam a determinação dos parâmetros pH, Cor e Turbidez.

Dessa maneira, segundo os dados de pH obtidos junto ao reservatório da UHE Itá, pode-se considerar a água como moderadamente ácida (pH inferior a 7.0). De acordo com Battalha & Parlatore (1977, p.67), as águas naturais têm valores de pH variando de 5 a 9 e, conforme a resolução  CONAMA os valores de pH admitidos para as águas doces variam de 6 a 9.

            Com relação ao parâmetro cor, de acordo com os padrões da resolução CONAMA, o máximo desejável para as águas de classe 1  é de 40mg Pt/l. Na análise da primeira amostragem (coleta de inverno) o reservatório apresentou índices acima dos valores máximos, na área urbana (60mg Pt/l) e no balneário (70 mg Pt/l).  Já para a segunda amostragem (coleta de verão), as três áreas apresentaram valores de 40mg Pt/l.    

Os valores de turbidez registrados na primeira amostragem (área urbana, 155 U.T; área do balneário, 170 U.T e zona rural, 140 U.T.) encontram-se muito acima do nível máximo de 40 U.T desejável para as águas de classe I e de 100 U.T desejável para as águas de classe II e III.  A coleta de verão (segunda amostragem), no entanto, enquadra-se nos padrões estabelecidos apresentando valores de 12.0 a 14.0 U.T.

No entanto, o índice elevado da primeira amostragem pode ser interpretado pela influência pluviométrica do período (24mm às 15 horas/ momento das coletas) e conseqüentemente às partículas em suspensão.

 

Parâmetros Químicos

 

Como parâmetros químicos, foram investigados: a condutividade elétrica, os sólidos totais dissolvidos (STD), a dureza total, a demanda química de oxigênio (DQO) e os teores de cloretos, fluoretos, ferro, magnésio, manganês e cálcio.

Quanto a condutividade elétrica, pelas amostragens realizadas verificou-se um índice mais elevado na coleta de verão. Onde a zona urbana (A1), o balneário (A2) e a zona rural (A3) apresentaram respectivamente os valores de 405 mS/cm; 446mS/cm e 435mS/cm, contudo os respectivos locais apresentaram durante na coleta de inverno valores inferiores sendo para A1 = 34.1 mS/cm; A2 = 41.9mS/cm; A3 = 31.3mS/cm.

A literatura consultada apresenta valores inferior a 250 mS/cm para risco de  salinidade baixo (C1); valores entre 250  a 750 para risco médio (C2) e valores de 750  a 2.250  para risco alto de salinidade ( Mota,1985,p.110).

Quanto aos Sólidos Totais Dissolvidos (STD) conforme a resolução CONAMA Nº 020 de 18/06/1986 os teores máximos para as águas de classe I, II e III é de 500mg/l. Para as amostras coletas e analisadas a quantidade de STD foi estimada, aplicando-se o fator de conversão de 0.67 sobre o valor da condutividade elétrica, conforme Cauduro & Dorfmam [s.d, p.188]; Battalha & Parlatore (1977, p.141) e Souza (2001, p.120).

Assim, os valores dos STD apresentaram-se para a coleta de inverno A1 = 22.84mg/L; A2= 28.07 mg/L e A3 = 20.97mg/L. Para a coleta de inverno os valores se apresentaram mais elevados em comparação a coleta de verão, tendo-se A1 = 271.35mg/L; A2 = 298.82mg/l e A3 = 290.78mg/L.

Quanto à dureza total, os níveis para classificação das águas em termos de dureza são de acordo com Mota são: água mole < 50 mg/l de CaCO3; dureza moderada entre 50 e 150 mg/l de CaCO3; água dura, entre 150 e 300 e acima de >300 mg/l de CaCO3, água muito dura (1997, p.101). De acordo com as amostragens realizadas, no reservatório da UHE Itá, no município de Marcelino Ramos, esse índice caracterizou a água como água de dureza moderada, na coleta de verão com o valor de 50.8 mg CaCO3/L nos três pontos (A1, A2, A3), e durante a coleta de inverno valores que classificam a água como água mole (13.5 mg CaCO3/L e 14.9 mg CaCO3/L).

Demanda Química de Oxigênio: de acordo com as amostragens realizadas, esse índice se mostrou com maior elevação nas amostras do período de inverno (A1= 6.4mg/L; A2= 6.6mg/L, A3 = 7.2mg/L), em relação a amostragem de verão (A1 = 3.1mg/L, A2 = 4.9 mg/L, A3= 33.7 mg/L), no entanto, na literatura consultada, nenhuma referência a valores desejáveis ou teores máximos foi encontrada.

De acordo com a classificação do CONAMA No 20 o valor máximo para as águas de classe I, II e III é de 250mg/L de cloretos. Nas amostragens realizadas obtiveram-se valores muito inferiores estabelecidos entre 1.0mg/L e 1.7mg/L.

Quanto às concentrações de acordo com a resolução CONAMA No20 os teores de cloretos máximos para as águas de classe I, II e III é de 1.4mg/L. Assim, os valores obtidos no reservatório da UHE Itá, tanto na primeira como na segunda amostragem, apresentaram-se acima do limite recomendado.

A concentração de ferro, conforme a resolução CONAMA No20, os teores máximos para as águas de classe I, II é de 0,3 mg/L de Ferro e para as águas de classe III é de 5,0 mg/L de Ferro. Com relação aos valores de ferro encontrado nas águas analisadas, obteve-se para a primeira amostragem índices de <0.1 mg/L e para a segunda amostragem os dois primeiros pontos (zona urbana e balneário) apresentaram valores superiores a 1.0mg/L.

Quanto aos valores do teor de magnésio encontrados nas amostragens realizadas apresentaram uma variação sensível da coleta de verão em relação a coleta de inverno. (Quadro 01 e 02).  

Quanto aos valores estabelecidos para o manganês, de acordo com a resolução CONAMA No 20 os teores máximos para as águas de classe I, II e III são de 0,5 mg/L de manganês. A OMS, através de seus padrões internacionais para água de consumo humano, recomenda, para o manganês, teores máximos desejáveis e permissíveis respectivamente de 0.05mg/L e 0.5mg/L.

Nas análises efetuadas, se obteve para as coletas de inverno e verão os valores  <0.10mg/L, tal índice indica que as amostras possuem manganês acima dos níveis que são  desejáveis e permissíveis para consumo humano (classe especial), mas apresentam usos preponderantes nas classes I, II e III .

Para os valores de cálcio, os mesmos foram considerados praticamente uniformes em relação a primeira e a segunda amostragem realizada. (Quadro 01 e 02).

Assim, a classificação das águas é importante nos programas de controle de poluição, uma vez que permitem o enquadramento dos recursos hídricos. Após definida a classe de um manancial podem ser adotadas as medidas preventivas e corretivas de controle de poluição dentro dos limites e condições para elas estabelecidas.

Quanto aos índices obtidos no reservatório da UHE Itá revelam-se dentro dos limites e condições a serem atendidos para  as águas doces.

 

5. Referências Bibliográficas

 

BATALHA, B. L., PARLATORE, A.C. Controle da qualidade da água para o consumo humano. Bases conceituais e operacionais. São Paulo: CETESB, 1977. 198 p.

 

CAUDURO, F. A., DORFMAN, R. (s.d.). Manual de laboratório e de campo para irrigação e drenagem. Porto Alegre, PRONI/IPH - UFRGS. 216p.

 

CHRISTOFOLETTI, A. Aplicabilidade do conhecimento geomorfologico nos projetos de planejamento. In: GUERRA, A. J. T. CUNHA, S. B. da (org). Geomorfologia: uma atualização de bases e conceitos. Rio de Janeiro: Bertrand Brasil, 1995.

 

CONSELHO NACIONAL DO MEIO AMBIEMTE (CONAMA) Resolução n.20 de 18/06/1986.

 

GUERRA, A J. T., CUNHA, S.B da. (org). Geomorfologia e meio ambiente. Rio de Janeiro:  Bertrand Brasil, 1996.

 

Geomorfologia: uma atualização de bases e conceitos. Rio de Janeiro : Bertrand Brasil, 1995.

 

MOTA, S. Introdução à Engenharia Ambiental. Rio de Janeiro: ABES,1997.

 

ROSS, J. L. S. Geomorfologia : ambiente e planejamento. São Paulo: Contexto, 1990.

 

___________. Relevo brasileiro: uma proposta de classificação. Revista do Departamento de Geografia São Paulo, 1985, n. 4, p. 25 39.

 

SOUZA, B. S. P. e A qualidade da água de Santa Maria/RS: uma análise ambiental das sub bacias hidrográficas dos rios Ibicuí Mirim e Vacacaí Mirim. São Paulo, 2001, 234p. Tese de doutoramento DG/USP.

 

TRICART, J. Ecodinâmica. IBGE/SUPREN. Rio de Janeiro: IBGE, 1977. 97p.