Voltar à Página da AGB-Nacional


 

 

X SIMPÓSIO BRASILEIRO DE GEOGRAFIA FÍSICA APLICADA

 

MAPEAMENTO GEOMORFOLÓGICO DE DETALHE. O ESTUDO DE ÁREAS AMOSTRAIS NO TRIÂNGULO MINEIRO E NA BACIA HIDROGRÁFICA DO ALTO PARANAÍBA – MG E SUAS IMPLICAÇÕES NO PLANEJAMENTO AMBIENTAL.

 

 

 

FERREIRA, Ivone Luzia. [1] Instituto de Geografia. Universidade Federal de Uberlândia.

SOUZA, Luiz Humberto F.[2] Instituto de Geografia. Universidade Federal de Uberlândia.

RODRIGUES, Sílvio Carlos. [3] Instituto de Geografia. Universidade Federal de Uberlândia.

 

 

 Palavras Chaves: Mapeamento, Geomorfologia, Triângulo Mineiro.
Eixo 3: Aplicação da Geografia Física à Pesquisa

Sub-eixo 3.3: Gestão e planejamento Ambiental



 

 

 

Introdução

 

Nas últimas décadas, o cerrado brasileiro vem sendo ocupado pelo homem de forma muito acelerada, acompanhando o rápido desenvolvimento da tecnologia, principalmente no setor agrícola. O Triângulo Mineiro e Alto Paranaíba MG, é exemplo dessa dinâmica onde o cerrado foi degradado ao ponto que o homem começa a sentir os efeitos da exploração no meio natural.

Os sistemas ambientais naturais, face as intervenções humanas, apresentam maior ou menor fragilidade em função de suas características genéticas. A princípio, salvo algumas regiões do planeta, os ambientes naturais mostram-se ou mostravam-se em estado de equilíbrio dinâmico, até que as sociedades humanas passaram progressivamente  a intervir cada vez mais intensamente na apropriação dos recursos naturais (ROSS, 2003).

Esta interferência, que se dá em diversos níveis, age de diferentes maneiras sobre o meio físico e os seres vivos. Na constante busca entre a relação homem e sociedade, o resultado dessa avaliação constitui os diversos estudos pertinentes à natureza e seus vários enfoques. O relevo é um dos elementos fundamentais para a compreensão das inter-relações entre estruturas litológicas, o clima, a vegetação, os solos e a hidrografia, como também a forma como esses fatores condicionam as atividades humanas.

O relevo decorre das ações das forças ativas e passivas dos processos endógenos e das forças ativas dos processos exógenos, sendo, portanto, o palco onde os homens desenvolvem suas atividades e organizam seus territórios (ROSS, 2003).

A Cartografia Geomorfológica é uma importante ferramenta nos estudos ambientais e no planejamento físico territorial, gerando subsídios para o entendimento dos ambientes naturais.

Segundo Ferreira (2003):

 “A caracterização das formas do relevo e dos processos geomorfológicos tornam-se assim essenciais para a identificação de áreas em desequilíbrio ambiental. Nessa perspectiva integradora, os estudos geomorfológicos podem contribuir sobremaneira com os estudos ambientais, pois a cartografia das formas do relevo representa uma importante ferramenta para o planejamento físico territorial. Neste sentido, os mapeamentos geomorfológicos assumem, portanto, um caráter multidisciplinar para a compreensão das estruturas espaciais, como também para o planejamento ambiental.”

 

A cartografia das formas deve levar em consideração alguns aspectos relativos à elaboração dos mapas geomorfológicos, como por exemplo, a relação entre o detalhamento da representação e a escala de apresentação do mapa, a base topográfica onde serão representadas as informações, a relação entre o mapa geomorfológico e outros mapas temáticos que componham um estudo e, por fim, a possibilidade de representação gráfica tendo em vista aspectos como a diferenciação clara entre as classes representadas, a facilidade de leitura e entendimento do mapa Gellert & Demek (apud RODRIGUES et alli, 2002).

Nesse sentido, os subsídios cartográficos têm fundamental importância, pois os modernos equipamentos de informática contidos nos SIGs Sistemas de Informações Geográficas, oferecem e dinamizam toda a parte cartográfica do trabalho.   

 

Brito & Rosa (1994), afirmam que:

 

O objetivo geral de um sistema de informação geográfica é, portanto, servir de instrumento eficiente para todas as  áreas do conhecimento que fazem uso de mapas, possibilitando: integrar em uma única base de dados informações representando vários aspectos do estudo de uma região; permitir a entrada de dados de diversas formas; combinar dados de diferentes fontes, gerando novos tipos de informações; gerar relatórios e documentos gráficos de diversos tipos e etc. 

 

A realização dos estudos geomorfológicos têm sido de suma importância, haja vista que é uma ciência que requer muita dedicação e constantes atualizações por parte dos profissionais da área, já que os mesmos estão sendo solicitados num ritmo considerável nas últimas décadas para realização de diagnósticos, pareceres técnicos, estudos ambientais, enfim, uma enorme oportunidade de atuação e reconhecimento no mercado de trabalho.

 

Objetivos

 

Nesse sentido, é importante ressaltar que trabalhos sistemáticos e preliminares foram desenvolvidos na região do Triângulo Mineiro por Ferreira (2001 e 2002) sendo portanto, este trabalho a continuação de tais proposições cartográficas, porém em escalas maiores tratando de pequenas áreas amostrais.

O objetivo principal neste estudo é identificar, definir e mapear os diferentes padrões de organização do relevo compreendidos nas cartas topográficas Córrego das Moças e Pau Furado (Figura 1), na escala de 1:50.000, localizadas no município de Uberlândia-MG, sob as coordenadas geográficas 18º45’ a 18º52’ de latitude sul  e 48º22’ a 48º07’ de longitude oeste de Greenwich.

Figura 1: Mapa de Localização da área de estudo.

 

Figura 1: Mapa de Localização da área de estudo.

 

Caracterização Física da Área de Estudo

 

Segundo Ab’Saber (1971) a região do Triângulo Mineiro insere-se no Domínio Morfoclimático dos Cerrados. Trata-se de uma região que nas últimas décadas sofreu grandes impactos ambientais, tendo em vista a ocupação e crescimento não planejados. A vegetação de cerrado foi quase totalmente substituída por pastagens e por culturas de grãos, principalmente a soja, o que, com certeza, rompeu o estado de equilíbrio de extensas áreas.

Quase todo o Triângulo Mineiro, insere-se na morfoestrutura Bacia Sedimentar do Paraná, apresentando como litologias as rochas do Grupo Bauru (Cretáceo), como as formações Uberaba e Marília sotopostas às rochas basálticas da Formação Serra Geral do Grupo São Bento (Mesozóico). Acima das rochas do Grupo Bauru, encontram-se os Sedimentos Cenozóicos inconsolidados, formando os terrenos de maiores altitudes. Todo esse pacote sedimentar da Bacia do Paraná na região do Triângulo Mineiro encontra-se assentado sobre as rochas Pré-Cambrianas do Grupo Araxá, ocorrendo ainda áreas de afloramento do Complexo Basal ou Granito-gnáissico.

Todo esse arcabouço geológico regional é, ao lado dos processos morfoclimáticos pretéritos e atuais, responsável por toda a organização do relevo na região, fazendo com que se formassem distintos compartimentos geomorfológicos na área.

 

Metodologia

 

A concepção teórico-metodológica adotada para o desenvolvimento desse trabalho de cartografia geomorfológica traz uma abordagem da simbologia cartográfica, tendo como origem os pressupostos teóricos de Ross (1992).

O antagonismo das forças internas e externas do relevo, que são os processos endógenos e exógenos, modelam as formas de relevo da superfície da terra, segundo Penck (apud ROSS, 1992).

Os processos endógenos de formação do relevo são aqueles ligados à dinâmica estrutural da crosta terrestre, podendo ser notados de forma ativa, no caso dos abalos sísmicos, vulcanismos, dobramentos e soerguimentos de plataformas, por exemplo, ou de forma passiva, através da resistência litológica à ação dos processos exógenos de formação do relevo. Já os processos exógenos são ligados à dinâmica externa, ou seja, às características climáticas que no presente e ao longo do passado geológico, através da ação química e mecânica da água, do vento e de variações térmicas, foram responsáveis pela esculturação do modelado.

Tais proposições contribuíram para a formulação dos conceitos de morfoestrutura e morfoescultura de Gerasimov & Meschericov (apud FAIRBRIDGE, 1968) e Meschericov (1968). Nessa perspectiva, o relevo é mantido por uma determinada estrutura geológica (Morfoestrutura) e apresenta características esculturais (Morfoescultura), produto da ação climática atual e pretérita.

Nessa linha, a metodologia fundamenta-se nas propostas taxonômicas e de representação cartográfica do relevo apoiadas nos trabalhos de Ross (1992) e Rodrigues et alli (2002).  Ross (op.cit.), definiu, baseado nos conceitos de Morfoestrutura e Morfoescultura, um sistema taxonômico composto por seis taxons, partindo de um primeiro taxon maior representado pela Morfoestrutura e por outros cinco taxons menores representados pelas Morfoesculturas e fatos geomórficos de dimensões menores. Trata-se de uma proposta apropriada na representação dos fatos geomórficos de grandes dimensões e em escalas pequenas e médias.

Os Padrões de Formas Semelhantes ou Unidades Morfológicas, foram codificados pelos conjuntos de letras: símbolos e números, a exemplo do Projeto Radam (1983). Desse modo, as formas denudacionais (D), são acompanhadas da informação do tipo de modelado dominante: aguçado (a), convexo (c), plano (p) e tabular (t), compondo-se os conjuntos Da, Dc, Dp e Dt. Já as formas de acumulação são seguidas do tipo de gênese que as geraram, como por exemplo a do tipo planície fluvial (Pf) e veredas (V).

Ross (1992, 1997) adaptou do Projeto Radambrasil a Matriz dos Índices de Dissecação do Relevo (Tabela 1) para acompanhar os conjuntos dos Padrões de Formas Semelhantes, a qual pode ser aplicável para as escalas médias a pequenas. Nesta tabela é possível fazer a leitura dos índices do grau de entalhamento dos vales, como também medir os índices da dimensão interfluvial dos mesmos.

     

Tabela 1: Matriz dos índices de dissecação do relevo. Escala 1:250.000.

Fonte: Modificado a partir da metodologia do Projeto Radambrasil - MME – DNPM-1982 Ross (1992, 1997).          

Graus de entalhamento

Dimensão interfluvial média (classes)

Dos vales (classes)

Muito grande (1) >3.750m

Grande (2) 1.750 a 3750m

Média (3)  750 a 1.750m

Pequena (4) 250 a 750m

Muito pequena (5)

< 250m

Muito Fraco (1) < 20m

11

12

13

14

15

Fraco (2) 20 a 40m

21

22

23

24

25

Médio (3) 40 a 80m

31

32

33

34

35

Forte (4) 80 a 160m

41

42

43

44

45

Muito Forte (5) >160m

51

52

53

54

55

 

Foi sistematizado em poucas palavras por Ab’Saber (1969), mas de forma decisiva em seu artigo “Um Conceito de Geomorfologia a Serviço das Pesquisas sobre o Quartenário” um caminho metodológico brasileiro para as pesquisas em geomorfologia. Segundo Ab’Saber (apud ROSS, 1995) esta proposição não passa obrigatoriamente pelo mapeamento geomorfológico, mas estabelece com clareza os níveis de tratamento que uma pesquisa sobre o relevo deve abranger. Considera que os trabalhos passam por três níveis de tratamento:

-          a compartimentação topográfica, caracterização e descrição as mais precisas das formas de relevo;

-          extração de informações sistemáticas da estrutura superficial da paisagem;

-          entendimento dos processos morfodinâmicos e pedogenéticos e compreensão da fisiologia da paisagem.

Sem dúvida, ao trabalhar-se com mapeamentos temáticos, tem-se que tratar da representatividade dos elementos identificados e também a metodologia mais adequada. 

Segundo Argento (2001), a metodologia do mapeamento geomorfológico tem como base a ordenação dos fenômenos mapeados, segundo uma taxonomia que deve estar aferida  a uma  determinada escala cartográfica e afirma que:

 

“Para mapeamentos geomorfológicos na escala de 1:50.000, deve-se utilizar taxonomia condizente às unidades geomorfológicas. Essas unidades são definidas como um arranjo de formas fisionomicamente semelhantes em seus tipos de modelado. È enfatizada a geomorfogênese através dos processos geradores e a similitude das formas é explicada por fatores paleoclimáticos e/ou por fatores associados à natureza dos domínios, principalmente aqueles expressos pelo comportamento da drenagem, seus padrões e anomalias é relevados pelas relações entre os ambientes climáticos atuais e subatuais e as condicionantes litológicas ou geotectônicas.

 

Nesse sentido, buscamos nesse trabalho ressaltar algumas dessas informações que serão de grande relevância, como a análise das formas e dos processos que fornecem conhecimento sobre os aspectos e a dinâmica da topografia atual, estabelecendo os compartimentos do relevo na área estudada e suas informações sistemáticas.

 

 

Procedimentos Operacionais

 

Para identificação dos fatos geomórficos, condição para a classificação dos compartimentos e definição da simbologia cartográfica, foi realizada a interpretação de fotografias aéreas, sendo a principal técnica para o processo de identificação de tais feições. A aerofotointerpretação é uma técnica de sensoriamento remoto que significa a identificação de objetos nas fotografias aéreas e a determinação de uma significância (CRUZ, 1980). A identificação de objetos é feita através das características estereoscópicas de tonalidades e textura da fotografia, podendo então o observador classificar as feições presentes na área de estudo. (RODRIGUES et alli, 2002).

Mediante esta classificação dos compartimentos geomorfológicos, foram identificados os elementos lineares que representam diferenciação em relação aos processos atuantes ou situações definidas pelos componentes lito-estruturais, mapeando, por exemplo, as rupturas de declive, os rebordos erosivos, os principais processos erosivos (ravinas e voçorocas), a rede de drenagem, os tipos de fundos de vale e outros elementos existentes.

                O software utilizado para digitalização do mapeamento foi o AutoCad R-14 e 2000. Também foram realizadas observações em trabalhos de campo e leituras de bibliografias específicas à cerca dessa temática, resultando em subsídios importantes para confirmação do resultado do mapeamento.

 

Resultados e Discussões

 

 A elaboração de mapeamentos geomorfológicos de detalhe, com a caracterização de áreas amostrais, propiciou uma análise da estrutura superficial da paisagem dos compartimentos identificados e a grande correlação existente entre os materiais superficiais e as formas do modelado, bem como a importância da diferenciação do embasamento rochoso na conformação dos padrões de forma.

Conforme demonstra a Tabela 2, as Unidades Geomorfológicas presentes na área de estudo, compreendem:

 

 

Tabela 2: Classificação dos compartimentos do relevo, segundo a Metodologia proposta por Ross (1992) e suas principais características na área de estudo.

Classificação dos compartimentos do relevo, segundo Ross (1992)

Classificação  Taxonômica

Unidade Correspondente

Principais Características litológica e/ou  morfológicas

1º taxon

Unidade Morfoestrutural

Bacia Sedimentar do Paraná

Sedimentos Inconsolidados do Cenozóico

2º taxon

Unidades Morfoesculturais

                   

Planalto Tabular

Planalto Dissecado

Canyon do Araguari

3º taxon

Unidades Morfológicas ou de padrões de formas semelhantes (modelado).

Denudacional Tabular

Denudacional Convexo

Denudacional Plano

Denudacional Aguçado

Planícies Fluviais

Veredas

4º taxon

Tipos de formas de relevo ou conjuntos de formas semelhantes

Dt 22, Dc 32, Dc 33, Dc 34, Dc 43,  Dc 44, Dp, Da

5º taxon

Tipos de vertentes

Retilíneas ( r )

Côncava ( c )

Convexa ( x )

6º taxon

Formas menores de relevo ou de Processos atuais

Ravinas

Voçorocas

 

Diante desses resultados apresentados, é possível fazer algumas considerações importantes pertinentes ao estudo da cartografia geomorfológica, como mostram as Figuras 2 e 3.

Na porção S-SO-NO, são evidenciadas as morfologias do tipo plano, sendo codificada como Denudacional Plano – Dp. É muito comum a correlação dessa porção como áreas de chapadas, possuindo altitudes relevantes variando entre 864 e 932 m nas diversas localidades dessa unidade. Pequenas manchas desse tipo de relevo também aparecem ao N-NE do mapa, ressaltando vestígios de uma área que ainda permaneceu plana, com também nas partes altas dos topos do relevo do tipo Dc 44, cuja altitude varia entre  705 e 781m. (Foto 1).

 

Foto 1 – Relevo do tipo plano, sendo codificada como Denudacional Plano (Dp).

Uberlândia – MG.Autora: Ferreira – 2003

 

Nessa mesma direção, porém do lado direito, margeando toda esta superfície plana, é identificada o Planalto Tabular, podendo ser codificada como relevo do tipo Denudacional Tabular - Dt 22, onde as variações do grau de entalhamento dos vales são fracas e a dimensão interfluvial grande, segundo a Matriz dos Índices de Dissecação do relevo, acima citada. Rupturas de relevo e rebordo erosivo aparecem em uma única área, o que evidencia a pouca variação topo-morfológica  nesta unidade. ( Foto 2).

Figura 2 - Mostra de relevo dos tipos Denudacional Tabular (Dt 22), Denudacional Convexo (Dc32) e Denudacional Plano (Dp).

Organização: Ferreira – 2003   Escala aproximada: 1:50.000.

 

Foto 2 – Relevo do tipo tabular, sendo codificada como Denudacional Tabular – Dt 22.

Uberlândia – MG.

Autora: Ferreira – 2003

 

Na porção SO, é mapeada uma das sub-unidades do Planalto Dissecado. É uma área onde os vales começam a ficar um pouco mais encaixados, em função do arranjo estrutural da própria drenagem, podendo ser caracterizado como relevo do tipo Denudacional Convexo   (Dc 32). Ou seja, as variações do grau de entalhamento dos vales são médias e a dimensão interfluvial grande, o que nitidamente é observado pelo aparecimento dos canais de drenagem. (Foto 3). As linhas de rupturas de relevo e rebordo erosivo evidenciam mudanças de patamares, estando sempre nesta seqüência (ruptura – rebordo) até chegar o fundo do vale, podendo em algumas circunstâncias ser a própria linha de limite entre um compartimento e outro. Até então, toda esta área descrita não possui muita complexidade do ponto de vista morfológico.

 

Foto 3 – Relevo do tipo dissecado, sendo codificada como Denudacional Dissecado – (Dc 32).

Uberlândia – MG.

Autora: Ferreira – 2003

 

Figura 3 - Mostra de relevo dos tipos Denudacional Convexo (Dc33), Denudacional Convexo (Dc34), Denudacional Convexo (Dc43), Denudacional Convexo (Dc44), e Denudacional Plano (Dp), Denudacional Aguçado (Da) e Planície Fluvial (Pf).

Organização: Ferreira – 2003   Escala aproximada: 1:50.000.

 

Na porção central do mapa o relevo é do tipo Denudacional Convexo (Dc 33), onde as variações do grau de entalhamento dos vales e a dimensão interfluvial são codificadas como médios. A paisagem é um tanto mais complexa, podendo aparecer relevos convexizados, principalmente nas bordas das vertentes, nos espigões delimitando interflúvios, mostrando-se de formas arredondadas na maioria das vezes. Relevos do tipo côncavos também aparecem de forma significativa nas cabeceiras de drenagem, nos fundos de vale e em algumas áreas de patamares. Todo esse arcabouço morfológico é nitidamente marcado pelas linhas de rupturas de relevo e por rebordos erosivos que nessa área acontece de forma mais intensa, o que vem justificar os diferentes tipos de compartimentos topográficos, além de cristas nas superfícies mais inclinadas. Pela própria dinâmica da paisagem, os processos erosivos, entre eles as ravinas e voçorocas estão claramente mapeadas, principalmente nas cabeceiras de drenagem e seu entorno, devido à fragilidade/uso do solo e sua susceptibilidade a tais processos.

As superfícies retilíneas acontecem de forma menos intensa, estando associadas aos segmentos maiores de vertentes.

O relevo do tipo Denudacional Convexo (Dc 34) aparece na porção NE do mapa, apresentado médio grau de entalhamento dos vales, dimensão interfluvial pequena e predomínio de vertentes côncavas. Esta porção difere da citada anteriormente, pois os canais de drenagem estão mais próximos uns dos outros evidenciando vales fechados em V. Os processos erosivos são bem menores, aparecendo somente ravinas em alguns trechos isolados.

Ao longo do Rio Araguari, aparece o relevo do tipo Denudacional Convexo (Dc 43) a qual chamamos de Canyon do Araguari em função de seu arranjo morfológico muito inclinado com intervalos de curvas de nível variando entre 50 e 150 m. Nesta unidade, as variações do grau de entalhamento dos vales são fortes e as dimensões interfluviais são médias, ou seja, o relevo apresenta-se bem encaixado com ramificações de drenagem bem próximas umas das outras caracterizando o relevo como um modelado do tipo Canyon.  (Foto 5). As rupturas de declive e os rebordos erosivos estão associados principalmente à mudança litológica da superfície, ou seja, nos patamares onde os afloramentos basálticos da Formação Serra Geral estão bem nítidos. Os processos erosivos de ravinamento apresentam-se com pouca intensidade e de forma bem isolada, estabelecendo quase na totalidade em áreas de vertentes do tipo côncava.

 

Foto 4 – Amostra de relevo – Unidade Morfoescultural Canyon do Araguari,         caracterizada  como  uma  área de relevo intensamente dissecado. Uberlândia – MG.

Autora: Ferreira – 2003

 

Na porção NE, o relevo do tipo Denudacional Aguçado (Da) delimitado por uma linha de rebordo erosivo, sobressaltando-se em meio ao Canyon do Araguari, indica uma superfície bem inclinada, com algumas cristas e topos residuais em sua parte mais alta.

Apesar de não ser em grande escala, as veredas estão presentes nas cabeceiras de drenagens e, em menor intensidade, as planícies fluviais ao longo do leito de alguns afluentes secundários do rio Araguari.

 

Considerações Finais

 

O intuito desse estudo ao trabalhar com a cartografia geomorfológica, abordando conceitos da simbologia cartográfica, evidencia a necessidade constante do conhecimento profundo dessa ciência, bem como o entendimento e manuseio de softwares que são mais comuns nesse tipo de trabalho. As técnicas utilizadas para interpretação das fotografias aéreas exigem sem dúvida de uma certa habilidade prática previamente já adquirida, para então dinamizar o tempo nesta etapa do mapeamento.

De acordo com a proposta taxonômica de Ross (1992), ficou evidente que os objetivos propostos na pesquisa foram alcançados satisfatoriamente. As medições, tanto do grau de entalhamento como da dimensão interfluvial dos vales, fornecem dados bem perceptíveis característicos de cada tipo de relevo. A indicação dos segmentos das vertentes também foram cartografadas, fato importante nessa metodologia.

                O produto final desses estudos geomorfológicos é potencialmente aplicável em diferentes setores das atividades humanas, porém, com nível de aprofundamento decorrentes da dimensão da área e de sua finalidade. Portanto, a análise geomorfológica deverá apoiar-se numa escala compatível ao produto esperado como também com a qualidade dos resultados a serem alcançados.

 

NOTAS

 

[1] Mestranda – ivoneluzia@yahoo.com.br

[2] Licenciado em Geografia – luizhumb@triang.com.br

[3] Orientador – silgel@ufu.br

 

Referências Bibliográficas

 

AB’SABER, A. N. Contribuição a Geomorfologia da área dos Cerrados. In: Simpósio sobre o Cerrado. São Paulo: EDUSP, 97-103p. 1971.

 

ABSABER, A, N. Um conceito de geomorfologia a serviço das pesquisas sobre o Quartenário. Geomorfologia 18, São Paulo. 1969.

 

ARGENTO. M. S. Mapeamento Geomorfológico.  In: Geomorfologia: uma atualização de bases e conceitos. 4ª ed. Orgs. A.J.T.Guerra e S.B. Cunha. Rio de Janeiro. Ed. Bertrand Brasil, p.365-392. 2001.

 

BRITO. L. S. e ROSA, R. Introdução aos Sistemas de Informação Geográfica. In: Revista Sociedade & Natureza. Uberlândia, 6 (11 e 12): 61-78, jan/dez.1994.

 

CRUZ, O. Importância das cartas geomorfológicas em estudos ambientais. Geografia. Ano 5, Vol.9-10:97-102 p,1980.

 

FERREIRA. I. L. Os grandes arranjos paisagísticos na Bacia do Araguari e Quebra Anzol. UFU, Departamento de Geografia. Uberlândia, 1997. (Monografia).

 

FERREIRA. I. L. Cartografia Geomorfológica som diferentes aspectos metodológicos: uma abordagem comparativa da simbologia cartográfica. 2003. (Monografia). IG-UFU.

 

FERREIRA, I. L. Mapeamento Geomorfológico do Triângulo Mineiro e Alto Paranaíba. IG-UFU. Uberlândia, fev. 2001.(Relatório Final – Iniciação Científica : FAPEMIG/ UFU).

 

GERASSIMOV, I.P., MECERJAKOV, J.A. Morphoestructure. In FAIRBRIDGE, R.W. (ed). The Encyclopedia of Geomorphology, Reinhold Book, NY,1968.

 

MECERJAKOV, J.P. Les concepts de morphostruture et morphoesculture: um nouvel instrument del’analyse geomorphologique. Annales de Geographie. Paris, n.423, p.539-552,set.out., 1968.

 

RADAMBRASIL. Levantamento de Recursos Naturais. Rio de Janeiro, Folha SE,22. Goiânia, vol. 31, 1983.

 

RODRIGUES, S. C. FERREIRA, I. L. MEDEIROS, S. BACCARO, C. A. D. Cartografia Geomorfológica e os Condicionantes Hidrogeomorfológicos de Erosão em Áreas Amostrais na Bacia Hidrográfica do Rio Araguari. IG-UFU. Relatório Interno CNPq . 2002.

 

ROSS, J.L.S. Geomorfologia Aplicada aos EIA’s – RIMAS. In: Geomorfologia e Meio Ambiente. 4ª ed. Orgs. A.J.T.Guerra e S.B.Cunha. Rio de Janeiro. Ed. Bertrand Brasil, p.291-366. 2003.

 

ROSS, J. L.S. Aplicabilidade do conhecimento geomorfológico nos projetos de planejamento. In: Geomorfologia: uma atualização de bases e conceitos. Orgs. A. J. T.Guerra e S. B CUNHA. Rio de Janeiro. Ed. Bertrand Brasil, p.415-443. 1995.

 

ROSS, J. L. S. O registro cartográfico dos fatos geomórficos e a questão da taxonomia do relevo. In: Revista do Departamento de Geografia. São Paulo: Edusp. n.6, 17-30p. 1992.