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X SIMPÓSIO BRASILEIRO DE GEOGRAFIA FÍSICA APLICADA

 

 EMPREGO DO SISTEMA CAD NO DESENVOLVIMENTO E APERFEIÇOAMENTO DE LINHAS ESPECIAIS PARA UTILIZAÇÃO NA CARTOGRAFIA GEOMORFOLÓGICA.

 

 

SOUZA, Luiz Humberto F. [1].

Instituto de Geografia. Universidade Federal de Uberlândia.

RODRIGUES, S. C. [2].

Instituto de Geografia. Universidade Federal de Uberlândia.

 

 

 

Palavras-chave: Geomorfologia, Cartografia, Convenções.

Eixo 3: Aplicação da Geografia Física à Pesquisa

Sub-eixo 3.3: Gestão e planejamento Ambiental




 

 

Introdução

 

A ciência geomorfológica por definição identifica, classifica e analisa as formas da superfície terrestre, buscando compreender as relações processuais pretéritas e atuais. Diretamente ligada à interpretação dos dados competentes a Geomorfologia, é atribuído a Cartografia Geomorfológica o papel de recurso gráfico, sendo citada por Ferreira (2003) como uma importante ferramenta nos estudos ambientais e no planejamento físico-territorial, gerando subsídios para o entendimento dos ambientes naturais.

A partir da Segunda Guerra Mundial, a Cartografia Geomorfológica apresenta-se como método fundamental para a análise do relevo, destacando-se no que diz respeito ao desenvolvimento de sistemas de mapeamento, alguns países da Europa tais como a Holanda, Bélgica, Polônia, França e Suíça.

Assim sendo, este trabalho adota como base de estudo o sistema holandês ITC [3] de pesquisa geomorfológica que segundo Salome & Van Dorsser (1982), foi projetado como um sistema universal por Verstappen e Van Zuidam em 1968 e introduzido por Verstappen em 1970. Como a maioria dos mapas geomorfológicos compreende os aspectos morfométricos, morfográficos, morfogenéticos, e morfocronológicos das formas terrestres, além da litologia e os processos morfológicos, esse sistema torna-se muito apropriado para consulta e abordagem já que foi criado por geomorfólogos que levaram em consideração todos esses aspectos levantados.

Segundo Tricart (apud ROSS, 1996), o mapeamento geomorfológico constitui a base da pesquisa e não a concretização gráfica de pesquisa já feita, servindo ao mesmo tempo como instrumento de direcionamento e, quando concluído, síntese/produto da mesma.

Dessa forma, podemos considerar que o trabalho de mapeamento compreende desde os levantamentos e observações diretas no campo, análise de documentação, técnicas de representação cartográfica, linguagem visual, até a interpretação, impressão, e publicação definitiva do mapa.

No decorrer dos anos 50, 60 e 70, com a entrada definitiva no mercado dos microcomputadores (tabela 1), a ciência cartográfica passa a se dedicar à automação do desenho. A partir desse momento a Cartografia Analógica abre frente ao Geoprocessamento e a Cartografia Digital apoiada em softwares (SIGs[4]) e hardwares cada vez mais sofisticados.

 

Tabela 1 _ Seqüência de eventos e os participantes na evolução da Cartografia Digital ao longo do século XX.

SÉC. 20

50's

60's

70's

80's

90's

Tecnologias

Computadores eletrônicos

CAD[5]
AM/FM
[6]

Mesas de digitalização

Plotters

Terminais gráficos de 16 bits

Terminais gráficos de 32 bits

Superposição de polígonos

Scanners

SIG em micros

Estações de trabalho

Operadores em 3d

Impressoras de alta resolução

Aplicações emergentes

Militares

Petróleo

Meteorologia

Transporte

Educação

Recursos naturais

Planej. urbano

Controle de infra-estrutura

Criação de distritos políticos

Epidemologia

Pesquisa de mercado

Monitoramento urbano

Controle de infra-estrutura

Controle ambienal

FONTE: Adaptado Barros Silva, (apud ZACHARIAS, 2001)

 

A automação dos mapas, por sua vez, também influenciou diretamente na Semiologia Gráfica (convenções) pelas novas possibilidades de representação simbológica permitida pelos softwares de desenhos. As variáveis visuais do sistema de símbolos da linguagem cartográfica tradicional foram gradativamente substituídas por cor e hachuras representadas por pontos, linhas e polígonos.

Atualmente, um dos aspectos importantes a considerar na utilização de SIGs em mapeamentos geomorfológicos é a carência de modelos de convenções cartográficas otimizadas, ou seja, prontas para utilização no ato da vetorização das bases. Tal deficiência é constatada principalmente, quando se exige do software utilizado, linhas especiais para representação de feições geomorfológicas e/ou geológicas.

Sobre os problemas relativos a Cartografia Digital Zacharias (2001, p.14) cita que:

 

Atualmente os mapas ganham a vantagem da automação dos dados, mas, geram a desvantagem ocasionada pela falta de preocupação com a representação gráfica e visual da informação. É muito comum encontrar mapas digitais com linguagem cartográfica (símbolos) onde somente quem elabora, entende. Também são comuns mapas com grande quantidade de informação e poucos recursos visuais. Senão mapas que, na teoria representam diversas informações, porém na prática nada transmitem pelo simples fato de possuírem uma linguagem gráfica e visual pobre com baixa precisão qualitativa e conteúdo informativo.

 

Assim sendo, o objetivo principal desse trabalho é o emprego do software AutoCAD no desenvolvimento de simbologia para utilização na cartografia geomorfológica digital.

Os pressupostos teóricos deste trabalho estão fundamentados no Manual Técnico proposto pelo ITC (VERSTAPPEN & VAN ZUIDAM, 1975), onde são apresentadas convenções geomorfológicas e geológicas básicas.

Será um estudo que procurará servir como referência para trabalhos posteriores, principalmente no campo da Cartografia Digital. Desenvolver e aperfeiçoar as linhas já existentes na biblioteca digital do software AutoCAD possibilitará a aplicação desse recurso gráfico nos mais diversos trabalhos cartográficos representando um avanço em termos de convenções digitais.

Segundo Brito & Rosa (1994), um CAD possui funções que permitem a representação precisa de linhas e formas, podendo ser utilizado na digitalização de mapas e cartas. No entanto, apresenta restrições no que diz respeito à atribuição de outras informações às entidades espaciais. Apesar disso os CADs podem ser utilizados em conjunto com os SIGs.

Portanto, é notório ressaltar que, o avanço dos estudos a cerca do desenvolvimento e aperfeiçoamento de tais linhas não será restrito apenas ao sistema CAD possibilitando futuramente, a interface com outros SIGs disponíveis no mercado.

 

Objetivos

 

Constatada a deficiência no que tange a disponibilidade de uma biblioteca digital de linhas especiais, o objetivo geral é desenvolver e aperfeiçoar as linhas já existentes no software AutoCAD a fim de aplicá-las como simbologia nos trabalhos cartográficos, mais especificamente, na Cartografia Geomorfológica.

 

Procedimentos Operacionais

 

A atual pesquisa propõe-se a investigar e aplicar os métodos de desenvolvimento e aperfeiçoamento das linhas digitais na Cartografia Geomorfológica. O procedimento operacional a ser utilizado partirá do princípio de que, se é possível aperfeiçoar as linhas existentes conhecendo os passos de elaboração, ou seja, os procedimentos de programação utilizados, há também, condições de desenvolver símbolos lineares segundo as intenções desejadas.

Nesse caso, o primeiro passo, será uma revisão bibliográfica a respeito do software, mais especificamente, ao tutorial onde serão encontrados dados de grande relevância. Com base nas informações adquiridas, poderemos buscar novos fundamentos em bibliografias científicas, manuais técnicos de informática (software e hardware), internet e, por meio de contatos com usuários e especialistas no sistema e/ou software AutoCAD.

Sabendo-se que o desenvolvimento obedece a uma linha de programação, serão realizados testes na fase inicial da pesquisa com as linhas já existentes a fim de se verificar as particularidades técnicas relativas à escala de apresentação, rotação e deslocamento em relação à origem, dos símbolos e textos dispostos na linha.

Os tipos de linhas a serem criadas obedecerão ao Manual Técnico proposto pelo ITC (VERSTAPPEN & VAN ZUIDAM, 1975) onde são apresentados símbolos lineares e pontuais geomorfológicos e geológicos para mapas.

Os testes serão realizados no Laboratório de Geomorfologia e Erosão dos Solos (LAGES) da Universidade Federal de Uberlândia (UFU). As linhas concluídas serão utilizadas a priori nos trabalhos Cartográficos em andamento dentro do próprio LAGES.

 

Resultados e Discussões

 

Sistema CAD e Software AutoCAD Aplicações na Cartografia Digital

 

De acordo com Angelin & Júnior (2000), o sistema CAD pode ser definido como um conjunto de software e hardware destinado à automação do processo de representação gráfica, composto genericamente por três módulos fundamentais sendo: módulo de desenho, módulo de edição/manipulação, e módulo de reprodução, denominados como "computer graphics". Ao longo dos anos estes sistemas receberam vários nomes, tais como CAD ("Computer Aided Design"), CADD ("Computer Aided Drafting and Design"), etc.

O AutoCAD é um software de desenho auxiliado por computador (Computer Aided Design - CAD), da AutoDesk Inc., com funções específicas destinadas ao desenvolvimento e auxilio nas representações gráficas em diferentes áreas. 

Embora muitos especialistas não considerem o AutoCAD como um SIG, há quem utilize suas ferramentas para inúmeros trabalhos no campo da  Cartografia Digital já que esse sistema contribui com software, hardware, técnicas para entrada de dados, exibição, visualização, representação em 2D e 3D, manipulação, representação de objetos gráficos, entre outros recursos.

Moura (1997, p.2), em seu trabalho sobre Globalização e metodologias no uso do Geoprocessamento afirma que:

 

A cartografia digital pode ser elaborada com os recursos de um CAD Computer Aided Design, já apresentando as vantagens do trabalho em níveis de informação, da construção de mapas em escala real (1:1) e da precisão que se pode obter da elaboração de mapas e cálculo de áreas. (...) No topo de linha estão os SIGs Sistemas de Informações Geográficas, apresentando os recursos existentes nos CADs, nos Dektop Mappings, e acrescentando a possibilidade de se trabalhar com relações topológicas, ou seja, mapeamento de informações espaciais resultantes de relações que vêm da matemática dos conjuntos (intercessão, união, vizinhança...). 

 

Nesse sentido, o software AutoCAD em conjunto com imagens de satélites, fotografias aéreas, mapas anteriormente levantados e digitalizados, permite a associação de um ponto geográfico a informações de bancos de dados para descrever, analisar, estudar e planejar sobre um determinado assunto.

 

Contudo, Cintra (apud ZACHARIAS, 2001, p.13) afirma que:

 

Existe uma distinção nítida entre a Cartografia Digital e os Sistemas de Informação Geográfica. Embora utilizem os mesmos equipamentos, afirma o autor (op.cit.) a Cartografia Digital visa fundamentalmente o mapa (sua automação, elaboração, armazenamento em meio eletrônico para facilitar a sua manipulação, etc.). Os Sistemas de Informação Geográfica visam fundamentalmente o projeto, o cruzamento de variáveis no tempo e no espaço, o planejamento, entre outros, sendo elaborados pensando nas respostas às perguntas dos indivíduos para uma determinada área envolvida.

 

Assim sendo, apesar do AutoCAD ser utilizado na Cartografia Digital, há de se ressaltar  que seus recursos são limitados à representação gráfica e a utilização de um banco de dados simples, com pouca quantidade de informações. Trata-se de uma ferramenta direcionada à exibição e não à análise espacial dos dados propriamente dita.

 

Software AutoCAD Linhas (linetypes)

 

Conforme referências do Tutorial do AutoCAD (VERSÃO-2000), as linhas são chamadas de linetypes (tipos de linhas) por apresentarem a forma gráfica de exibição do símbolo linear. Elas podem ser classificadas em simples e complexas sendo que, as características de uma linha simples consistem na combinação de dashes, dots, e spaces (hífen, pontos e espaços). As complexas correspondem a uma associação de caracteres simples e símbolos especiais intercalados, os chamados shapes (formas).

Os tipos de linhas são muito utilizados na construção de segmentos e polígonos diversos sendo, portanto, um recurso indispensável na representação gráfica digital. O termo linetype corresponde ao próprio comando de aplicação no software. Nesse caso, as linhas podem ser acessadas por dois meios básicos sendo o primeiro, pela linha de comando digitando seu nome e o último, através do menu suspenso seguindo o caminho: menu format Þ comando linetype (fig. 1).

 

Fig. 1 Caminho de acesso ao comando linetype através do menu suspenso.

(AutoCAD 2000, Copyright Microsoft Corp.)

 

Após a efetivação do comando, abre-se uma caixa de diálogo (fig. 2) contendo as linetypes correntes bem como as opções de configuração e o botão load que leva a caixa de gerenciamento das linhas (fig. 3) disponíveis conforme o arquivo ativado naquele instante.

 

Fig. 2 Caixa de diálogo contendo as linetypes correntes.

(AutoCAD 2000, Copyright Microsoft Corp.)

 

Conforme Parsai (2003), as linetypes são definidas dentro de arquivos de texto salvos com a extensão lin. Há dois arquivos já prontos no AutoCAD que são eles: "acad.lin" e "acadiso.lin". É possível adicionar novas linhas em um desses arquivos ou criar um personalizado. Ao utilizar os arquivos existentes, é conveniente trabalhar com o último mencionado, pelo fato de garantir a integridade das informações arquivadas no caso de alguma alteração equivocada.

O AutoCAD armazena os tipos de linha no formato ASCII (American Standard Code for Information Intercharge). Quando se cria um novo tipo de linha, na realidade inclui-se informação no arquivo ou cria-se um novo contendo definições próprias (OMURA, 1993). O formato ASCII corresponde a uma tabela de códigos de sete bits (enquanto o ASCII extendido corresponde a oito bits) estabelecida pelo American National Standart Institute (ANSI), para caracteres do teclado. É um conjunto de códigos para o computador representar números, letras, pontuação e outros caracteres.

Nos desenhos novos, a caixa de diálogo contendo as linetypes correntes, apresenta somente três tipos de linha. Primeiramente, a explanação de linetype continuo é consideravelmente óbvia pelo fato de sua definição ser contruída a partir do próprio efeito.

 Os outros dois nomes embora sejam apresentados na caixa, não são necessariamente linetypes. Bylayer significa simplesmente que o objeto faz exame nas propriedades do linetype da layer (camada) ativa no desenho. Byblock quer dizer que ao usar um objeto em uma definição de bloco, esse por sua vez fará um exame tal como na Bylayer, nas propriedades do linetype na camada ativa onde foi incluído o bloco.

 

 Fig. 3 Caixa de  diálogo - Gerenciamento das linhas.

(AutoCAD 2000, Copyright Microsoft Corp.)

 

A partir do quadro de gerenciamento das linhas, é possível escolher entre 46 tipos, a linha que se deseja para trabalhar. As linhas apresentadas dependem do arquivo ativado, ou seja, aquele que contem os dados de programação das mesmas.

Cada definição de linetype tem um nome e uma descrição. A descrição inclui uma série dos traços e dos pontos que mostram aproximadamente a aparência da linha.

Em termos gerais, pode-se dizer que as linetypes são definidas a partir de dois processos sendo o primeiro pela própria linha de comando do software e a segunda, através de editores de texto tais como o NotePad e o WordPad, ambos produtos da Microsoft, obedecendo a uma linha de programação específica. O arquivo criado nos editores de texto é salvo na pasta de suporte do AutoCAD o qual é carregado e empregado como recurso gráfico.

Por se tratar de um software genérico aplicado a representação gráfica digital, as linhas disponíveis em sua biblioteca não conseguem suprir as necessidades dos profissionais que utilizam esse recurso, proporcionando na maioria dos casos, uma falta de padronização já que, o improviso de linhas torna-se uma das alternativas para suprir tal carência.

Nesse sentido Moura (1997, p.4) faz as seguintes considerações sobre o uso indiscriminado da Semiologia Gráfica:

 

Acreditando-se na Cartografia como veículo de comunicação de dados espaciais, torna-se essencial o coerente tratamento das informações gráficas, garantindo a correta interpretação dos dados. Um mapa deve ser construído, e não apenas desenhado, observando as propriedades inerentes à percepção visual.

 

Embora o AutoCAD ofereça os tipos de linhas mais usados em desenho, Omura (1993) afirma que, os traços e pontos podem não estar espaçados como se deseja, ou então pode ser preciso um tipo de linha totalmente novo.

Baseado no Manual Técnico proposto pelo ITC (VERSTAPPEN & VAN ZUIDAM, 1975), algumas linhas existentes na biblioteca do AutoCAD (quadro 1) podem ser aproveitadas na representação gráfica digital das unidades de relevo sendo que a maioria, enquadram-se no conjunto das linhas simples do software ou seja, na combinação de hífen, pontos, e espaços. No entanto, nota-se que o aproveitamento é muito limitado quando comparado às inúmeras convenções apresentadas no manual.

 

Quadro 1 - Linhas disponíveis na biblioteca do AutoCAD e exemplos de representação gráfica na Cartografia Geomorfológica baseados no Manual Técnico proposto pelo ITC (VERSTAPPEN & VAN ZUIDAM, 1975)

 

Linhas

Linetype

Aparência

Exemplos de Representação Gráfica

Simples

CONTINUOUS

_____________

i) Campo de Lava/Fluxo;

ii) Curvas de Nível.

CENTER 2

__ _ __ _ __ _ __

i) Crista Estrutural Abrupta com Fratura;

ii) Contato Litológico Provável.

DASHED 2

_ _ _ _ _ _ _ _

i) Canais Temporários

 ii) Dunas Costerias;

 iii) Vale Seco.

DASHDOT

_ . _ . _ . _ . _ . ­­_

i) Caminhos; ii) Limite de Inundação.

DASHDOTX 2

___ . ___ . ___

i) Unidades hidro-morfológicas

DOT

.  .  .  .  .  .  .  .  .

i) Isoietas

Complexa

TRACKS

|-|-|-|-|-|-|-|-|-|-|-|

i) Estrada de Ferro

Organização: Souza, Luiz Humberto F.

 

 

Processo de desenvolvimento das linetypes

 

O primeiro passo a ser tomado para desenvolver uma linha, é esboçá-la de modo que se possa classificá-la como simples ou complexa de acordo com sua aplicação. A partir de então opta-se entre a criação pela linha de comando do software ou por meio de um editor de texto.

No caso das linhas simples, Omura (1993) utiliza a descrição -linetype na linha de comando para dar início ao processo cujo, lista as opções de criar, carregar ou apresentar as entidades lineares já existentes na biblioteca do software.

Ao optar pela criação de novas entidades gráficas o próximo passo é a definição do nome da linha que se pretende criar seguido da elaboração de um arquivo que irá conter essa e outras linhas desenvolvidas segundo os mesmos critérios pré-definidos.

A título de exemplo, no caso da Simbologia Cartográfica aplicada a Geomorfologia, pode-se criar linhas específicas tais como as apresentadas no quadro 1 e salvá-las em uma pasta especial com um nome sugestivo tipo: Geomorphology_Lines.

A descrição correspondente à aparência do símbolo linear deverá ser indicada ao longo da execução do comando o que corresponderá à forma aproximada da apresentação gráfica (visual) da linha.

Para finalizar, deverá ser digitada a informação relativa a programação da linha no prompt de comando, formada por códigos alfa-numéricos para que enfim, o software faça a leitura e o reconhecimento dos dados convertendo-os para a linguagem CAD.

Uma outra forma de desenvolvimento dessas mesmas linhas se dá através dos editores de texto, seguindo um processo semelhante ao descrito anteriormente. Nesse caso, depois de acionado o editor, cria-se o arquivo com o nome desejado e inicia-se a programação da linha.

Quanto aos linetypes complexos, estes não podem ser criados usando o primeiro processo, ou seja, pela linha de comando, pois requerem o emprego da programação que só pode ser feita através de um editor de texto. A edição segue as bases de criação das linhas simples, porém com um grau maior de complexidade no que tange ao conhecimento de técnicas e procedimentos do AutoCAD.

 

Aplicação das linetypes na Cartografia Geomorfológica

 

Recentemente, Ferreira (2003, p.25) no trabalho: “Cartografia Geomorfológica sob diferentes aspectos metodológicos: uma abordagem comparativa da simbologia cartográfica”, afirma que:

 

“Na classificação dos compartimentos geomorfológicos, foram identificados os elementos lineares que representam diferenciação em relação aos processos atuantes ou situações definidas pelos componentes lito-estruturais, mapeando por exemplo, as rupturas de declive, os rebordos erosivos, os principais processos erosivos tais como ravinas e voçorocas, (...)”

 

Nesse sentido, linhas para representação gráfica foram usadas para cartografar as feições morfológicas do relevo. A figura abaixo (fig. 6) ilustra as linhas utilizadas nesse trabalho.

 

Fig.6 – Linhas utilizadas no trabalho de Cartografia Geomorfológica  – Trecho do Mapa Geomorfológico de acordo com o Sistema Taxonômico – ROSS, 1992. Área de Estudo: Córrego das Moças e Pau-Furado – Uberlândia/MG.

Organização: Ferreira (2003).   -    Escala Aproximada 1/100.000

 

As Linhas de Rebordo Erosivo e Ruptura de Relevo foram usadas para representar a mudança litológica da superfície, ou seja, delineando os patamares onde os afloramentos basálticos da Formação Serra Geral são bem nítidos.

 

Considerações Finais

 

O emprego do software AutoCAD no desenvolvimento de simbologia para utilização na cartografia geomorfológica possibilitou um estudo mais avançado sobre a semiologia gráfica utilizada nesse tipo de trabalho cartográfico, sendo que, o foco do mesmo está direcionado para a utilização dos recursos computacionais, principalmente do software em questão.

Os resultados obtidos até o momento, foram o estudo sobre o desenvolvimento das linhas e a possibilidade de sua aplicação prática, evidenciando a utilidade desse trabalho.

Embora tenha-se alcançado um resultado satisfatório até a presente data, o estudo deve ser mais aprofundado na medida em que vão surgindo restrições operacionais quanto ao uso e aplicação das linhas, no que tange essencialmente à apresentação gráfica das mesmas.

 

NOTAS

 

[1] Licenciado em Geografia/UFU – luizhumb@triang.com.br

 

[2] Orientador – silgel@ufu.br

 

[3]  ITC - Instituto Internacional para Pesquisa Aeroespacial e Ciências da Terra. Fundação parcialmente autônoma apoiada pelos Países Baixos, Ministério da Educação Cultura e Ciência e o Diretório Geral para Cooperação Internacional do Ministério de Relações Exterior. Foi fundado em 1950, e sua missão principal é ajudar países em desenvolvimento com o treinamento e aplicação de recurso humano em pesquisas aeroespaciais, recursos naturais, planejamento ambiental e administração. Isto inclui o estabelecimento de sistemas de informações geográficas e a administração de geoinformações.

[4] Atrelado ao desenvolvimento tecnológico da informática surge a partir da década de 60, com definitiva incorporação na década de 80, os SIGs (Sistemas de Informações Geográficas).

 

[5] Os sistemas CAD (“Computer Aided Design”) surgiram na década de 60 frente ao processo de desenvolvimento do desenho automatizado. São programas de desenho auxiliado por computador.

 

[6] AM/FM (Automated Mapping/Facility Management). Correspondem a Sistemas de Mapeamento Automatizado/Gerenciamento de Utilidades, baseados usualmente na tecnologia CAD.

 

Referências Bibliográficas

 

ANGELIN, Ricardo Gonçalves; BRESSAN JUNIOR, Osvaldo. Sistema CAD. Adamantina: FAI Faculdades Adamantinenses Integradas, 2000. Disponível em: <http://www.teccad.hpg.ig.com.br/monografia.html>. Acesso em: 23 maio 2003.

 

BRITO. L. S. e ROSA, R. Introdução aos Sistemas de Informação Geográfica. In: Revista Sociedade & Natureza. Uberlândia, 6 (11 e 12): 61-78, jan/dez.1994.

 

FERREIRA, I. L. Cartografia geomorfológica sob diferentes aspectos metodológicos: uma abordagem comparativa da simbologia cartográfica. 2003. 58 p. Monografia (Graduação) – Instituto de Geografia. Universidade Federal de Uberlândia, Uberlândia.

 

MOURA, Ana Clara Mourão. Globalização e metodologias no uso do Geoprocessamento: estudos de casos de diferentes abordagens de análises espaciais. Trabalho apresentado no Congresso de Cartografia, Rio de Janeiro, 1997. No prelo.

 

NÚCLEO TÉCNICO E EDITORIAL MAKRON BOOKS. AutoCAD R14 passo a passo lite. São Paulo, 1998.

 

OMURA, George. Dominando o AutoCAD Versão 12. Tradução de Daniel Vieira. 1. ed. Rio de Janeiro: Brasil, 1993. 963 p.

 

PARSAI, Alireza. AutoCAD 2004 Customization Tutorial: Simple Linetypes. 2003. Disponível em: <http://www.caddigest.com>. Acesso em: 07 maio 2003.

 

___________. AutoCAD 2004 Customization Tutorial: String Linetypes. 2003. Disponível em: <http://www.caddigest.com>. Acesso em: 07 maio 2003.

 

Ross, J. L. S. Geomorfologia: Ambiente e Planejamento. São Paulo, Contexto, 1996. 85p. (Repensando a Geografia).

 

Salome, A.L., Van Dorsser, H.J.  Examples of 1:50000 scale geomorphological map of part of the Ardennes. Zeitschrift fur Geomorphologie. Berlin, v.26, n.4, p.481-489, dez. 1982.

 

VERSTAPPEN, H.Th., VAN ZUIDAM, R.A. ITC system of geomorphologic survey: ITC textbook of photo interpretation. Use of Aerial Photographs in Geomorphology by: Institute for Aerial Survey and Earth Sciences (ITC). Enschede. v.7, ed.3, 1975, 52p.

 

ZACHARIAS, Andréa Aparecida. Do meio analógico ao meio digital: Uma discussão teórica. Expressão. Guaxupé, n.2, 2001.