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X SIMPÓSIO BRASILEIRO DE GEOGRAFIA FÍSICA APLICADA




 

ANÁLISE MORFOMÉTRICA DE BACIAS FLUVIAIS DO MUNICÍPIO DE UBATUBA ( SP )

 

 

Simone Emiko Sato

Maria do Carmo Oliveira Jorge

Iandara Alves Mendes

 

 

( Laboratório de Geomorfologia - DEPLAN- UNESP- Rio Claro-SP )

 

 

Palavras Chave: análise morfométrica, rede de drenagem, Ubatuba

Eixo Temático:  3 - Aplicação da Geografia Física à Pesquisa.

Sub-eixo: 3.3 - Gestão e Planejamento Ambiental.

 

 

INTRODUÇÃO

 

            O município de Ubatuba (SP) apresenta uma notável rede de drenagem associada as características de permeabilidade das rochas relacionadas as escarpas da Serra do Mar e aos altos índices pluviométricos ali observados.

            Na área de estudo, observa-se uma compartimentação da rede de drenagem em três setores distintos, podendo-se identificá-los como setor Nordeste , setor Central, e setor Sudoeste. O forte controle estrutural é refletido no padrão de drenagem observado em cada um destes três setores.

            Este trabalho tem por objetivo uma análise comparativa entre as bacias hidrográficas do município de Ubatuba (SP), utilizando-se de parâmetros morfométricos, visando gerar subsídios para um adequado gerenciamento ambiental.

 

Caracterização da área

 

            O município de Ubatuba (SP), segundo Almeida (1964) inserido na Província Costeira, na qual distinguem-se a Serra do Mar e a Planície Costeira, encontra-se posicionado a 23º15'/23º35'S e 44º42'/45º15'W.

            Segundo Ab'Saber (1955 apud Henrique,1996), as origens das escarpas da Serra do Mar estão associadas a grandes  falhamentos relacionados a fase orogenética inicial. Após esta fase, a instalação de uma rede de drenagem possibilitou a dissecação e o recuo do front da escarpa, resultante dos processos erosivos instalados. A reativação tectônica proporcionou o aspecto contínuo das escarpas, associadas aos falhamentos direcionados a NE/SW.

         O litoral Norte do estado de São Paulo apresenta o embasamento cristalino em contato com o mar, ocorrendo pequenas planícies constituídas por sedimentos continentais  e marinhos, localizados em pequenas baías. Durante o período Quaternário Superior, a diferença na dinâmica de sedimentação, atribuída à períodos de transgressões e regressões marinhas, resultantes de eventos glaciais continentais, proporcionaram a atual feição das planícies sedimentares costeiras.

 

MATERIAIS E MÉTODOS

 

            Foram delimitadas 9 bacias hidrográficas no município, sendo estas referentes aos rios : Maranduba, Escuro, Comprido, Grande de Ubatuba, Indaiá, Itamambuca, Puruba, Iriri e Fazenda, utilizando-se a base topográfica do IBGE a 1:50.000. Para a análise morfométrica foram utilizados os parâmetros referentes a hierarquização das bacias de drenagem segundo Straler (apud Christofoletti, 1980), magnitude das redes de drenagem segundo Shreve ( 1966;1967 apud op.cit.), e densidade de drenagem segundo Horton (apud op.cit.). Para a análise da textura topográfica elaborou-se cartas de dissecação horizontal segundo a proposta de SPIRIDONOV (1981 apud Mendes, 1993).

 

RESULTADOS

 

         Na análise do comportamento das 9 bacias hidrográficas estudadas verificou-se que a magnitude variou em 75 (rio Maranduba); 12 (rio Escuro); 14 (rio Comprido); 52 (rio Grande de Ubatuba); 24 (rio Indaiá); 33 (rio Itamambuca); 507 (rio Puruba); 124 (rio Iriri); e 75 (rio  Fazenda). Quanto a hierarquia fluvial, os rios de 3ª ordem foram o Escuro e Itamambuca, os de 4ª ordem, Maranduba, Comprido, Grande de Ubatuba, Indaiá e Fazenda, e os de 5ª ordem, rios Puruba e Iriri. Estes parâmetros (magnitude e hierarquia fluvial) relacionam-se proporcionalmente a área das respectivas bacias .

         O padrão de drenagem apresentado é o dendrítico e o sub-paralelo, sendo este último predominante em terrenos cristalinos, submetidos a forte controle estrutural (falhas, fraturas e alinhamentos de foliação). Este controle é evidenciado nos rios Puruba e  Fazenda, onde afeta os canais de maior ordem, enquanto que os canais de 1ª e 2ª ordens ajustam-se a linhas de fraturas, falhas e foliação.

         Os valores de maior densidade de drenagem obtidos foram atribuídos aos rios Puruba (2,33) e  Fazenda (2,22), e de menores valores aos Escuro (0,97) e Comprido (1,02).

         Associando as bacias dos rios Escuro, Comprido e Maranduba, situadas em terrenos geológicos semelhantes (rochas  piroxênio-granulitos e granulitos quartzo feldspáticos; rochas granitóides; e sedimentos continentais e marinhos do Quaternário) a densidade de drenagem (Dd) apresentou variação . Os rios Escuro e Comprido apresentaram Dd 0,97 e 1,02 km/km² respectivamente, enquanto que a Dd do rio Maranduba foi de 1,98km/km². Este índice serve como indicação da propriedade de transmissibilidade do subsolo da bacia hidrográfica e consequentemente da capacidade de infiltração. Os menores valores correspondem às bacias entalhadas em substratos com boa capacidade de infiltração, como a permeabilidade das rochas e a baixa declividade do terreno. No caso da bacia do Maranduba, apesar do substrato ser semelhante, a alta densidade deve relacionar-se a maior declividade do terreno, que consequentemente condiciona um aumento do escoamento superficial.

         Os rios Grande de Ubatuba, Indaiá, Itamambuca e Puruba apresentam embasamento geológico semelhantes e contrário aos rios Maranduba, Escuro e Comprido, o substrato corresponde a migmatitos homogêneos estromatíticos e sedimentos quaternários, diferenciando-se apenas o rio Puruba, que possui um trecho com rochas granitóides. A Dd apresenta respectivamente os valores: 2,33km/km² (rio Puruba), 1,97 km/km² (rio Grande de Ubatuba); 1,23 km/km² (rio Indaiá); e 1,15 km/km² (rio Itamambuca). Verifica-se que nestas bacias, o substrato geológico possui baixa capacidade de infiltração, e consequentemente aumento do escoamento superficial. O alto valor referente ao rio Puruba, pode vincular-se a forte inclinação topográfica e a alta amplitude altimétrica (1600m), pois os demais rios neste setor, possuem um declive menos acentuado, comparado ao anterior, e amplitudes altimétricas entre 1000 a 1100m.

         Os rios Iriri e  Fazenda encontram-se no embasamento geológico referente à rochas piroxênio-granulitos e granulitos quartzo feldspáticos; migmatitos homogêneos estromatíticos;  granito Parati, e sedimentos continentais e marinhos do Quaternário, cujas  Dd foram: 1,96 km/km² (rio Iriri) e 2,22 km/km² (rio  Fazenda). Analisando os valores com as demais bacias, verifica-se que estes são inferiores apenas à do rio Puruba e  rio Grande de Ubatuba. Predominantemente trata-se de bacias que estão situadas em terrenos cristalinos, com declividades e diferenças altimétricas acentuadas, 1300 e 1400m respectivamente. Este último fator citados condiciona um maior escoamento superficial.

Com relação a dissecação horizontal, as bacias analisadas foram as dos  rios  Escuro,

Comprido e Fazenda. Nas duas primeiras, predominou as classes de 500-1100m e maiores e/ou iguais a 1100m, indicando assim o predomínio de vertentes mais extensas. Ao contrário das bacias citadas, a da Fazenda apresentou valores inversos, cuja maior classe encontra-se entre 125-250m e 250-500m. Correlacionando os parâmetros de dissecação horizontal e Dd, verifica-se que nas bacias dos rios Escuro e Comprido, onde as Dd foram menores, a dissecação horizontal apresentou intervalos de classes maiores, enquanto que na bacia do rio Fazenda, que  apresenta  alta Dd, ocorre o oposto.

 

CONSIDERAÇÕES FINAIS

 

        De um modo geral, nos estudos desenvolvidos até o presente momento nas bacias hidrográficas verificou-se que a Dd apresentou maiores valores no setor NE do município. O setor SW, com exceção do rio Maranduba, apresentou os menores índices.

         As maiores Dd apresentadas não estão condicionadas apenas ao substrato geológico rochoso, mas associam-se à fatores topográficos e a controle estruturais.

         Há de se considerar que a alta declividade, preciptação elevada e densa rede de drenagem nas escarpas da Serra do Mar, torna a região muito susceptível a processos erosivos, principalmente onde estão situados os canais de primeira ordem.

         Na área de planície, ao contrário da Serra, a densidade de rios é menor. Além da própria declividade do terreno ser baixa, pode-se deduzir que o escoamento das águas das vertentes também alimenta o lençol freático, devido a alta permeabilidade dos sedimentos na planície.

         Deve-se ressaltar que os dados apresentados são preliminares, e para uma base mais consistente de dados será realizado futuramente, cartas de dissecação do relevo para as demais bacias do município, visando subsidiar a análise morfométrica.

 

REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS

 

ALMEIDA, F.F.M. Fundamentos geológicos do relevo paulista. Boletim do Instituto Geográfico e Geológico. São Paulo (41), 169-263, 1964.

 

CHRISTOFOLETTI, A . Geomorfologia. São Paulo: Edgard Blucher, 2ª edição, 1980.

 

HENRIQUE, W . Diagnóstico e Monitoramento Ambiental da Ilha Comprida SP. Rio Claro: Trabalho de formatura  IGCE-UNESP (mimeografado), 1996.

 

MENDES, I.A . A dinâmica erosiva do escoamento pluvial na bacia do Córrego Lafon Araçatuba-SP. São Paulo: Tese de doutorado , FFLCH-USP, 1993.