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E3-3.3 T152

 

X SIMPÓSIO BRASILEIRO DE GEOGRAFIA FÍSICA APLICADA

 

DIAGNÓSTICO AMBIENTAL DO RIO PIABANHA, PETRÓPOLIS/RJ

 
 

Beatriz da Costa Figueiredo 

Reiner Olíbano Rosas


 

LAGEF – Laboratório de  Geografia Física  do Depto de Geografia  – UFF

bfig@bol.com.br, reiner@vm.uff.br
 

 

Palavras-chave: Bacia Hidrográfica, Recursos Hídricos, Poluição

Eixo Temático:  3 - Aplicação da Geografia Física à Pesquisa.

Sub-eixo: 3.3 - Gestão e Planejamento Ambiental.



 

Introdução

O Brasil é um país privilegiado em termos de recursos hídricos. Possui a mais densa rede hidrográfica do planeta, composta por oito grandes bacias, que agrupam dezenas de outras. O país dispõe de uma boa parcela da porcentagem de água acessível à humanidade de forma direta (água doce superficial e água subterrânea a até 800 metros de profundidade), mas não demonstra preparação para conservar este tesouro. Nossa constituição é uma das mais respeitadas em termos de abordagem das questões ambientais. Entretanto, os rios e bacias que abastecem nosso principais centros populacionais estão hoje altamente comprometidos em termos de qualidade da água. Entre as áreas mais críticas está a bacias do rio Paraíba do Sul, que tem como um dos seus principais afluentes o rio Piambanha, que drena o município de Petróplis.

A necessidade de trabalhar na recuperação e preservação ambiental do rio Piabanha nasceu da constatação de que a referida bacia vem sofrendo um drástico processo de crescimento urbano. Com isso, a poluição hídrica é uma constante e deve ser combatida, principalmente numa cidade extremamente turística, que muitas vezes é citada pela qualidade de vida de seus habitantes.

Este trabalho vem sugerir medidas para que os usos empregados no rio Piabanha sejam executados nos moldes do desenvolvimento sustentável, proporcionando diretamente que a degradação de suas águas seja minimizada, para que haja uma convivência harmoniosa com a exuberante natureza que emoldura a cidade

 

O Município de Petrópolis

Petrópolis está localizada na Serra do Mar, estado do Rio de Janeiro, a uma altitude de 809 m. O Município possui 811 km² distribuído sem 5 distritos e sua população é de  290 mil habitantes (IBGE, Censo 2000). O município é marcado por um clima tropical mesotérmico brando, superúmido (Thornwaite). Nas regiões de cotas acima de 1600 metros, o clima é do tipo mesotérmico mediano superúmido. A temperatura média no mês mais frio varia de 10°C a 15°C.

Seu relevo é caracterizado pela Serra dos Órgãos e o Planalto da Bocaina, juntamente com escarpas e reversos da Serra do Mar. Ao sul da Serra tem-se a Baixada Fluminense e ao norte, as "meias laranjas" ou "mar de morros", relevo esse que continua até a Zona da Mata mineira. A leste tem-se a continuação da Serra do Mar, contendo cidades serranas como Teresópolis e Nova Friburgo. A oeste o relevo tende a possuir menos escarpas íngremes e altas, onde encontram-se cidades como Miguel Pereira e Paty do Alferes.

O município desempenha papel de pólo econômico, principalmente pelo setor industrial e agropecuário, distinguindo-se os gêneros têxtil, vestuário, moveleiro e serviços de manutenção e reparo. Seu parque industrial e comercial emprega 35 mil pessoas direta e indiretamente. constitui, também, num grande centro turístico onde é visitada por mais de 600 mil pessoas todos os anos.  Outro segmento em franca expansão é o dos móveis que conta hoje com aproximadamente 200 empresas oferecendo 1100 empregos diretos e com faturamento declarado de 25 milhões de reais ano.

O turismo representa uma das principais vocações da cidade, constituindo um importante pólo turístico do município. São muitos os atrativos que levam milhares de pessoa a subir a serra, entre eles o clima ameno, a arquitetura galgada na época do Brasil império, o comércio de roupa da Rua Teresa (2km de extensão com 900 lojas, que movimenta cerca de 240 milhões de reais e gira 72 milhões de peças ao ano), a qualidade de vida e, principalmente, a natureza representada pela Mata Atlântica.

O rio Piabanha é corpo hídrico mais significativo de Petrópolis, com 74 km de extensão e pertencente à bacia do rio Paraíba do Sul, a maior do Estado do Rio de Janeiro. Em razão do grande volume d'água, fato causado pelos elevados índices pluviométrico nas cabeceiras deste rio e de alguns contribuintes, o Paraíba do sul é a mais expressiva fonte de captação d'água para o consumo da população.

Deve-se ressaltar que os rios Palatinado e Quitandinha atingem o seu ponto de confluência dentro da área urbana do município, passando a se chamar Piabanha. Além desses, há também os rios da Cidade e Araras que atravessam as localidades de Fazenda Inglesa e Araras.

 

Diagnóstico ambiental da Bacia do Rio Piabanha

Em um primeiro contato com o Piabanha é possível identificar problemas como: assoreamento da calha principal, sobrecarga de resíduos de diversas origens, baixíssimo fluxo de carga.

A partir das informações obtidas em campo e da literatura especializada percebe-se que é fundamental a existência de ferramentas adequadas para orientação e planejamento da revitalização da Bacia do Rio Piabanha. Com isso, o primeiro passo foi o mapeamento da bacia, identificando todas as situações passíveis de intervenção, como por exemplo áreas deficientes em vegetação e pontos de lançamento de resíduos. Este documento também irá auxiliar a fiscalização de possíveis crimes ambientais, e possivelmente contribuirá para que as ações sugeridas sejam efetivadas.

O problema mais grave desse ecossistema é o lançamento de esgotos domésticos e a presença de resíduos sólidos, um reflexo direto da ausência de uma infra-estrutura adequada de saneamento básico. A principal fonte de poluição nessa região é o lançamento de esgoto doméstico in natura e de efluentes industriais.

A devastação da mata ciliar aliada aos processos erosivos do solo nas nascentes e nas margens do rio fazem com que grande quantidade de sedementos se deposite no fundo do rio, causando seu assoreamento e diminuindo a profundidade do corpo d’água. Junto à escassez da vegetação nativa, que antes regulava os fluxos de água através das encostas, intensifica a incidência de enchentes.

Um dos problemas enfrentados durante a história da Cidade de Petrópolis são as enchentes que levam a perdas traumáticas e muitas vezes irreversíveis. As enchentes estão ligadas a fatores naturais e principalmente, antrópicos. como o desmatamento e a erosão das encostas, o assoreamento da calha fluvial associada ao estrangulamento de trechos do canal.

Dentre as soluções propostas estão a implantação de reflorestamento das nascentes e margens possíveis do rio Piabanha e de seus afluentes principais com espécies nativas de Mata Atlântica, buscando reter a água das chuvas para um escoamento mais lento.

A educação das comunidades que vivem nas imediações da área a que se propõe recuperar/revitalizar, é uma técnicas extremamente eficiente e de caráter sócio-ambiental uma vez que procura o manejo ecológico através da consciência de que isto trará benefícios diretos e indiretos para a mesma comunidade.