Voltar à Página da AGB-Nacional


                                                                                            

   

imprimir o artigo

E3-3.3 T154

 

X SIMPÓSIO BRASILEIRO DE GEOGRAFIA FÍSICA APLICADA




 

USO DO SOLO E PROCESSO EROSIVO NA BACIA DO RIO DO MATO GROSSO, MUNICÍPIO DE SAQUAREMA-RJ.

 





 

Reiner Olíbano Rosas, Fábio Nunes Ferreira,  Camilla Palhares da Costa Villar

e Ricardo Araújo Lessa

 

 

LAGEF - Laboratório de Geografia Física da Universidade Federal Fluminense

E-mail: reiner@vm.uff.br






 

Palavras-chave: Bacia Hidrográfica, Erosão,  Assoreamento

Eixo Temático:  3 - Aplicação da Geografia Física à Pesquisa.

Sub-eixo: 3.3 - Gestão e Planejamento Ambiental.

 






 

 

Introdução

 

O litoral Fluminense apresenta uma história geomorfológica complexa, fruto da interação entre a atividade tectônica, responsável pela formação dos maciços litorâneos, e os processo de sedimentação recente que possuem origem tanto continental quanto marinha. Esta diversidade contribui para uma dinâmica bastante variada dos processos ambientais e suas respostas às agressões impostas pela ação antrópica, cada vez mais presente, em uma região que vem apresentando nas últimas décadas um crescimento populacional acelerado e desordenado.

Neste contexto a área drenada pelo rio do Mato Grosso e seus tributários apresenta uma série de problemas ambientais decorrentes do desmatamento das encostas e da ocupação das áreas de baixada, refletindo-se em respostas ambientais que vão desde os deslizamentos de encostas até as inundação nas áreas de baixadas.

 

 

Caracterização da Área de Estudo

 

A bacia do rio do Mato Grosso drena parte do município de Saquarema, que localiza-se a sudoeste do estado do Rio de Janeiro, estendendo-se ao longo da faixa litorânea. Integra a Região das Baixadas Litorâneas.

O relevo caracteriza-se pela presença de elevações que pertencem a Serra do Mar e fazem parte dos Maciços Costeiros recebendo denominações locais de Serra do Mato Grosso, da Pedra Branca, da Boa Esperança, do Palmital e outras.

Podemos identificar também outras duas unidades geomorfológicas: a Planície Fluvial e a Planície Fluvio-marinha, onde observamos a existência de uma grande área sujeita a inundações periódicas no entorno da Lagoa de Saquarema.

A região apresenta clima tropical úmido, com estação chuvosa no período de primavera-verão, iniciando-se no mês de outubro. As temperaturas são elevadas durante o ano todo, apresentando uma pequena amplitude térmica (cerca de 5oC). Estas características climáticas têm favorecido de forma expressiva o desenvolvimento e expansão da atividade turística, pois na maior parte do ano os dias são ensolarados com temperatura amena.

A vegetação original das encostas é formada em quase sua totalidade por Floresta Ombrófila Densa (Mata Atlântica), que ainda pode ser encontrada nas vertentes mais acidentadas. Esta formação sofreu grande devastação, sendo substituída principalmente por pastos e uma capoeira rala. Também podem ser encontrados os seguintes ecossistemas, com seus respectivos tipos de vegetação: restingas (vegetação de praia, vegetação arbustiva e arbórea); lagoa (com brejos  e  manguezais).

 

 

Metodologia

 

O presente estudo baseia-se na integração de uma série de informações ambientais e do tipo de uso e cobertura do solo, obtidos a partir de informações de campo, fotointerpretação, e dados cartográficos preexistentes. As informações foram mapeadas na escala 1:10.000, com a utilização de uma base cartográfica gerada a partir da carta topográfica, na mesma escala. Sobre esta base foram gerados uma série de mapas temáticos, representando as diversas variáveis ambientais para a referida bacia.

Após a delimitação da bacia, procedeu-se à hierarquização fluvial, que consiste no processo de se estabelecer à classificação de determinado curso de água (ou da área drenada a qual pertence) no conjunto total da bacia hidrográfica na qual se encontra. Foi adotada a forma de hierarquização proposta por Strahler (1952).          Após a hierarquização passou-se à individualização das sub-bacias de 2o ordem ou de ordem superior.

As formas do relevo foram individualizadas a partir da interpretação de fotografias aéreas na escala 1:20.000 e interpretação visual de imagem Landsat 5 TM, composição colorida e infra-vermelho próximo (banda 4).

A identificação, classificação e mapeamento dos processos erosivos foi realizada durante os trabalhos de campo, onde, cada ocorrência era localizada com o auxílio de um GPS.

 

 

Uso do Solo e Processo Erosivo

 

A Bacia do Rio do Mato Grosso drena dois compartimentos geomorfológicos muito distintos, seu alto curso instala-se sobre uma região montanhosa constituída por um substrato geológico de idade Pré-Cambriana, seus vales apresentam-se muito encaixados, com vertentes íngremes e evidências de desequilíbrios ambientais principalmente nas vertentes mais ocupadas pela agricultura e por pastagens, onde encontramos grandes voçorocas e evidências de movimentos de massa próximo às estradas. Os canais de primeira e segunda ordem drenam a Região Montanhosa entalhando vales em forma de “V”  simétricos, com diversas corredeiras e pequenas quedas d’água. Existe também uma grande assimetria entre os canais da margem esquerda, em maior número e de maior comprimento, e os da margem direita do vale principal que seguem um lineamento estrutural  da Serra  do Mato Grosso.

Este compartimento apresenta uma grande variedades de formas de cobertura do solo. Onde a cobertura florestal encontra-se preservada, não são observados processos erosivos significativos, assim como nas áreas de capoeira. Nas áreas de pastagens, onde além da topografia acidentada, observou-se uma grande incidência de queimadas, foram detectadas formas erosivas bastante evidentes, como a presença de inúmeras voçorocas.

O segundo compartimento é constituído por uma imensa baixada formada por sedimentos fluviais e fluvio-marinhos de idade quaternária. Sob a camada de sedimentos fluviais arenosos, encontra-se uma camada de sedimentos finos, com textura argilosa, constituída por um material depositado sob condições paludais, em ambiente redutor, provavelmente em época de baixa energia, correlacionável a um período em que o nível marinho esteve mais elevado, fazendo com que a região apresentasse características de fundo  de baía. Esta área apresenta uma superfície com topografia plana coberta por pastagens com pequenos núcleos urbanos. O processo erosivo manifesta-se sob a forma de erosão laminar, e em alguns trechos erosão associada às margens dos canais.

 

Conclusões

 

O processo de ocupação desordenado da região agravou ao longo do tempo os problemas de caráter ambiental um exemplo disto é o desmatamento das áreas de cobertura vegetal original (Mata Atlântica), que só se mantém preservada em áreas mais acidentadas, e sendo gradualmente substituída por pastagens e capoeiras nas áreas mais a jusante. Um outro problema relacionado a esse desmatamento é a questão da erosão dos solos, que vai se apresentar na forma de voçorocas, erosão laminar, erosão linear, e movimentos de massa, que carregam seus sedimentos para as áreas de baixada e acaba causando o assoreamento das lagoas.

 

 

Bibliografia

 

STRAHLER, A.N. - Dynamic Basis of Geomorphlogy. Geol. Soc. Am.  Bull., 63: 923-938, 1952.