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X SIMPÓSIO BRASILEIRO DE GEOGRAFIA FÍSICA APLICADA

 

 

 

Marcel Aparecido Milani- Unicamp/IG

E-mail: marcelmilani@yahoo.com

Archimedes Perez Filho- Prof. Titular- Orientador – IG/ Unicamp.

E-mail: archi@ige.unicamp.br
 

 

 

Palavras Chaves: Geossistemas, Classificação de Terras, Capacidade de Uso.

Eixo Temático:  3 - Aplicação da Geografia Física à Pesquisa.

Sub-eixo: 3.3 - Gestão e Planejamento Ambiental.

 






 

Introdução

 

O estudo de efeitos predatórios baseado em diferentes atividades econômicas sobre os espaços naturais do Brasil e em especial, do Estado de São Paulo, ainda não realizado com o necessário cuidado e abrangência, devido a complexidade dos níveis de degradação da natureza, da extensão e  multiplicidade das paisagens ambientais.

Sob este ponto de vista a questão ambiental é temática que envolve a participação e desperta o interesse de várias disciplinas. Tão discutido hoje, o conceito de ambiente vem sendo empregado de forma generalizada, e segundo CHRISTOFOLETTI (1999), a questão ambiental deve ter por consideração “ a funcionalidade interativa da geosfera-biosfera, focalizando a existência de unidades de organização englobando os elementos físicos (abióticos) e bióticos que compõem o meio ambiente no globo terrestre. São as unidades que compõem as diversas paisagens da superfície terrestre. Dessa maneira, o termo meio ambiente é usado como representando o conjunto dos componentes da geosfera-biosfera, condizente com o sistema ambiental físico”. O autor destaca que a questão ambiental  deve ser direcionada para categorizar os componentes e as características funcionais e dinâmicas dos sistemas ambientais físicos, também denominados de geossistema.

É importante perceber que o estudo da degradação da natureza não deve ser realizado apenas sob o ponto de vista físico.Na realidade, para que o problema possa ser entendido de forma global, sistêmica, deve-se levar em conta as relações existentes entre a degradação da natureza e a sociedade causadora dessa degradação. Segundo CHRISTOFOLETTI (1974), as transformações e o efeito provocado voltam a atuar sobre o elemento inicial, produzindo uma circularidade  de ações, denominada de mecanismos de retroalimentação. Quatro tipos  são as mais comuns, sendo elas; retroalimentação direta, em circuito, negativa e retroalimentação positiva, sendo que esta não promove a estabilização do sistema, mas sim,  pode conduzir a destruição total do mesmo.

Segundo Guerra(1996) para que seja possível a recuperação das áreas degradadas, é preciso fazer inicialmente diagnósticos da própria degradação. Para tal, o estudo acadêmico, desse problema, requer levantamentos sistemáticos, que são feitos, muitas vezes, através do monitoramento, como por exemplo, o de processos erosivos acelerados. O referido autor, chama a atenção para as relações estreitas entre Meio Ambiente, Geomorfologia e Sociedade. A ênfase é colocada na geomorfologia, que possui um papel integrador para explicar os processos de degradação.

Certos processos ambientais, como lixiviação, erosão, movimentos de massa e cheias, podem acorrer com ou sem intervenção humana. Dessa forma para caracterizar o meio físico, como degradação ambiental, deve-se levar em consideração também critérios sócio-econômicos que relacionam o uso e ocupação da terra, com o potencial agrícola ou urbano.

Baseado em tais premissa, torna-se fundamental a análise da Classificação das Terras  baseada no Sistema de Capacidade de Uso. Tal classificação leva em conta outros fatores, além daqueles de exclusivo interesse às  práticas de controle  à erosão, tais como: os impedimentos  à motomecanização, produtividade dos solos, risco de inundação e outras.

O sistema de capacidade de uso não se resume a uma classificação taxonômica e sim, uma classificação  técnico-interpretativa. Tem por objetivo à obtenção de classes homogêneas de terras, com o propósito de definir sua máxima capacidade de uso sem risco de degradação do solo, especialmente no que diz respeito à processos erosivos. Segundo KLINGEBIAL & MONTGOMERY (1961) a determinação das classes de capacidade de uso é uma poderosa ferramenta a ser empregada no uso e planejamento ambiental e regional. Tal afirmações baseia-se na concepção que a referida classificação fundamenta-se em uma coleção lógica e sistemática de dados que apresentam resultados aplicáveis.

 

·Localização e caracterização da área

 

A Quadrícula de São Carlos, na escala de 1:50.000 folha SF-23-Y-A-I-1, localiza-se na Bacia Sedimentar da Província do Paraná,  entre as coordenadas geográficas 22°00’ a 22°15’ de latitude S e 48°00’ a 47°45’ de longitude W. Nesta área predominam formas de relevo denudacionais cujo modelado constitui-se basicamente por colinas de topos convexos e tabulares. A litologia que prevalece é basicamente constituído por depósitos arenosos e argilosos. Os solos na sua grande maioria são do tipos Latossolo Vermelho-escuro e Neossolos Quartzarênicos. Predominam também altimetrias entre 600 e 900 m e as vertentes apresentam declividade que variam de 2% a 20%, sendo superior  a 30% nos setores mais dissecados do relevo.

O material de origem é  produto de alteração de arenito(formação Botucatu), que constitui-se quase inteiramente  de arenitos de granulação fina a média, uniforme, com boa seleção de grãos foscos com alta esferecidade. São avermelhados e exibem estratificação cruzada tangencial de médio a grande porte, características de dunas caminhantes ; e arenito de cobertura, e de rochas vulcânicas (formação Serra Geral), que compreendem um conjunto de derrames de basalto toleíticos entre os quais se intercalam arenitos com as mesmas características dos pertencentes à Formação Botucatu, (IPT, 1981).

A vegetação basicamente é constituída por Cerrado subdivididos em Cerradões nos topos das vertentes e Cerrado e Campo Cerrado nas unidades intermediárias, nos fundos de vales.

O clima é do tipo Cwa  na classificação de Köppen, ou seja, subtropical com inverno seco e verão quente/úmido. O mês de julho é o mais frio, com temperatura média de 16,3 C, sendo fevereiro o mais quente, com temperatura média de 23 C. A precipitação pluvial anual, é, em média, de 1502 mm, sendo agosto o mais seco, com 32 mm, e o de dezembro, o mais chuvoso, atingindo 262 mm. O período da seca, de maneira geral, tem o seu início no mês de abril, estendendo-se até setembro, e o período das águas, de outubro a março.

A Quadrícula  de Brotas, na escala de 1:50.000 folha SF-22-Z-B-III-4, está localizado na Bacia Sedimentar da Província do Paraná, no Planalto Ocidental Paulista, entre as coordenadas geográficas  22º 15’ a 22° 30’ de latitude S e 48° 00’ a 48° 00’ de longitude W. O relevo desta Província é constituído de planaltos tubulares e cuestas basálticas concêntricas, que drenam suas águas para os rios Paraná e Uruguai. A litologia desta região é basicamente constituída por arenitos com lentes de siltitos e argilitos.

A chamada cuesta basáltica se assemelha a um degrau contínuo, com um patamar na base e outro no topo podendo chegar até 900 metros de altura, o topo é denominado de frente de cuesta e a base de reverso da cuesta, onde existem os Morros Testemunhos, ou seja, morros isolados que se destacam na planície. Esta paisagem se formou através de derramamento basáltico proveniente da Era Mesozóica que na Era Cenozóica sofreu um forte processo de erosão que propiciou então o surgimento da Depressão Periférica, das Cuestas e do Planalto Ocidental, compondo o relevo da região.

A vegetação típica do município de Brotas se divide em extensões interioranas da Mata Atlântica localizadas nas escarpas da cuesta, cerrados, cerradões e campo cerrados no reverso da cuesta, e matas galerias que seguem os cursos d'água. Essa vegetação se encontra hoje praticamente toda devastada devido à intensa exploração agropecuária do município, apenas os trechos mais íngremes, algumas faixas de cerrado e pequenas áreas ao longo dos rios e riachos preservam a mata nativa.

O clima é do tipo Cwa na classificação de Köppen, apresenta características tropicais e temperatura média anual entre 21,8ºC e 23,0ºC, sendo fevereiro o mês mais quente (médias de 25,1ºC) e junho o mais frio (média de 18,7ºC), segundo NICOLINI (1990). A precipitação média anual varia entre 1100 a 1400 mm chovendo mais em dezembro (2500mm) e menos em julho (30mm). Devido às chuvas orográficas que ocorrem na escarpa do planalto à região das cuestas possui maiores índices pluviométricos comparando com a Depressão Periférica.

 

·Materiais e Métodos

 

A área estudada corresponde a Quadrícula de São Carlos e Brotas, localiza-se na Unidade Morfoestrutural da Bacia sedimentar do Paraná tendo como Morfoescultura o Planalto Ocidental Paulista e Planalto Centro Ocidental.

Os motivos que levaram à escolha dessa área foram:

·Disponibilidade de fotografias aéreas da área estudada, escala aproximada 1:25.000 (levantamento de 1962/1972). IAC

·Disponibilidade de cartas topográficas da área estudada, escala 1:10.000 e 1:50.000 (IBGE e IGC).

·Disponibilidade de levantamento pedológico semi-detalhado da área em estudo realizado pelo IAC, na escala de 1:100.000.

·Disponibilidade de Imagens LANDSAT- 2001/2002 da área em estudo na escala de 1:25.000 e 1:50.000

A altimetria da área varia aproximadamente de 570 a 900m. Com base nas imagens não orbitais (fotos aéreas) pancromáticas(1962), na área, predomina vegetação do tipo Cerradão, Cerrado e Campo Cerrado. Através da utilização de Imagens LANDSAT(2001/2001) verificou-se que atualmente, parte das áreas estão sendo utilizadas com pastagens e também reflorestamentos, glebas definidas de Eucalyptus e Pinus.

Para realização do trabalho foram utilizadas:

1.Cartas topográficas, escala 1:10.000 (IGC) e 1:50.000 IBGE (1972).

i)Mapa geológico do Estado de São Paulo. IPT 1981, escala 1:1000.000

ii)Levantamento pedológico semidetalhado do Estado de São Paulo, escala 1:100.000 (IAC). Quadrículas de São Carlos e Brotas.

iii)Mapa pedológico do Estado de São Paulo, escala 1:500.000-EMBRAPA

iv)Mapa Geomorfológico do Estado de São Paulo, escala 1:500.000- IPT

 

2.Imagens orbitais e não orbitais.

i)    Fotos aéreas, pancromáticas escala aproximada 1:25.000; 1962/1972 . IAC/IBC

ii)   Mosáicos aerofotogramétrico semicontrolados, escala aproximada 1:25.000;  1962. IAC

iii)  Imagens LANDSAT- 2001/ 2002.

3.Instrumentos e programas

i)     Estereoscópios de bolso e espelho (ZEISS).

ii)    GPS

iii)   AUTOCAD 14/2000 – Mesa digitalizadora

iv)    ArcView GIS 3.2

v)  Material de campo ( prancheta, etiquetas, sacos plásticos, carta topográfica e tabela de cores Munssell, bisnaga, faca, trena, bússula, altímetro, máquina fotográfica e trado do tipo holandês), para a coleta de amostras de solo e análise laboratorial

De posse do mapa pedológico do Estado de São Paulo na escala de 1:500.000, foram identificados os Municípios onde ocorrem manchas de solo do tipo Neossolos Quartzarênicos.

A identificação se fez necessária tendo em vista a morfodinâmica atual em terras suscetíveis a processos erosivos e de extrema fragilidade ambiental. No que diz respeito aos aspectos físicos e as transformações antrópicas, analisadas através de interpretação dos diferentes compartimentos geomorfológicos associados as diferentes características e propriedades do solo, apenas uma classe textural foi assinalada na legenda compreendendo as Areias Quartzosas (Neossolos Quartzarênicos)  (textura arenosa), com teor de argila inferior que 15%. Tendo em vista a ocorrência de grandes áreas deste tipo de solo e portanto, áreas suscetíveis a processos erosivos e de extrema fragilidade ambiental, foi escolhida a quadrícula  de São Carlos e Brotas a fim de elaborar mapa de Classificação das Terras baseado no Sistema de Capacidade de Uso na escala 1:50.000.

                         Para a elaboração do mapa levou-se em consideração as seguintes classes  de declividade com seus respectivos  intervalos:

 

            Fonte : Por Perez Fª e Milani A. M adaptado do Manual para levantamento utilitário do meio físico e classificação de terras no sistema de capacidade de uso (1991).

 

·Classe A: Formada por áreas planas ou quase planas, sendo o escoamento superficial muito lento ou lento.

·Classe B: Áreas de declives suaves, sendo o escoamento superficial lento ou médio.

·Classe C: Áreas muito inclinadas, sendo o escoamento superficial médio ou rápido.

·Classe D: Áreas fortemente inclinadas ou colinosas, sendo o escoamento superficial rápido.

·Classe E: Áreas fortemente inclinadas, sendo o escoamento superficial muito rápido.

·Classe F: Áreas íngremes e regiões montanhosas com escoamento superficial muito rápido a acelerado dependendo da cobertura do solo.

 

O mapa de Classificação das Terras baseado no Sistema de Capacidade de Uso da Quadrícula de São Carlos e Brotas  (ver anexo 1 e 2)  levou em consideração além das classes de declividade, os diferentes tipos de solos e suas principais características.

 

Trabalho de Campo

 

Reconhecimento dos solos, cobertura vegetal e coleta de amostras

Foram reconhecidos solos nas áreas que compreende municípios de Altinópolis, Ribeirão Preto, Luis Antônio, São Carlos, Descalvado, Ibaté, Pirassununga, Analândia, Brotas, Itirapina, Corumbataí, Rio Claro, São Pedro, Águas de São Pedro e Piracicaba. Corresponde parte das bacias do rio Piracicaba, Moji-Guaçu, Corumbataí, Jacaré-Guaçu e Jacaré  Pepiro.

Foram realizados  três trabalhos de campo, com duração total de 9 dias, tendo como  objetivos:

·Reconhecimento da área de estudo, tanto nos aspectos geomorfológicos e pedológicos. Assim foram reconhecidos e identificados áreas, recobertas por uma formação Superficiais Arenosas que originaram as Areias Quartzosas (Neossolos Quartzarênicos). Associados a estas áreas verificou-se a predominância de uma cobertura vegetal natural composta por Cerradão, Cerrado e Campo Cerrado (nas áreas ainda conservadas), e também de extensas áreas de pastagens e reflorestamentos, assim como mata ciliar ao longo dos principais canais fluviais.

·Foram realizadas coletas de amostras de solos em três profundidades, sendo elas de 0-20cm; 80-100cm. 180-200cm. O trabalho de coleta de amostras seguiu metodologia definida por Perez Filho (1983)

Vários aspectos relativos à caracterização proposta neste projeto foram checados em campo e novas relações foram estabelecidas e/ou comprovadas. Ficou evidente nesta etapa a ocorrência de processos erosivos que estão sendo acelerados pelo uso inadequado do solo. Ocorre também na área o uso intensivo das terras com a substituição da cobertura vegetal original de Cerrado por reflorestamentos, predominantemente com culturas de  Eucalyptus e Pinus.

 Nota-se que aspectos da paisagem variam conforme a natureza do solo e sua posição no relevo,  fato que se comprova  com análise granulométrica e química. Percebe-se que a variação da cobertura vegetal está relacionada aos diferentes tipo de solos e na posição nas diferentes unidades da vertente. Assim, verificou-se no campo a predominância de solos com textura argilosa no topo das vertentes e textura média a arenosa nas unidades intermediárias e na base da mesma.

Os gráficos abaixo ilustra a relação entre cobertura vegetal e quantidade de argila e  areia presente nos solos amostrados na região de estudo:

 

 

Especificando A  de Cerradão, B de Cerrado, C de Campo Cerrado e Bco(branco) como areia , é possível ainda associar, a predominância no topo da vertente (solos argilosos) de Cerradão (cobertura vegetal mais densa) e Cerrado e Campo Cerrado nas unidades intermediárias, na base e fundos de vales. Nestas unidades a cobertura vegetal encontra-se também associada a constituição  física (textura arenosa) e química dos solos (predominantemente pobres em nutrientes e com alto teor de Alumínio.

 

Resultados e Discussão

 

A Classificação das Terras, baseada no Sistema de Capacidade de Uso não se resume a uma classificação taxonômica e sim em  uma classificação  técnico-interpretativa, visando portanto à obtenção de classes homogêneas de terras, com o propósito de definir sua máxima capacidade de utilização com menor risco de degradação do solo, especialmente no que diz respeito à erosão e em especial a erosão acelerada. A maior parte dos sistemas técnicos de classificação de terras necessitam de ser constantemente revisados, a fim de mantê-los atuais, na medida em que maior e melhores quantidade de dados, acerca da caracterização e interpretação  de propriedades de terra, se tornem disponíveis. A avaliação das transformações ocorridas na superfície terrestre, assim como a análise da integração dos vários elementos dos geossistemas, podem orientar um uso da terra que evite a degradação generalizada do ambiente.       

Para tanto é necessário elaborar-se estudos ambientais adequados que forneçam diretrizes a fim de imprimir modificações que minimizem os efeitos negativos através de medidas técnicas preventivas e ou corretivas, de forma que os recursos naturais sejam colocados à disposição do homem para seu melhor uso e benefício. Considerar as transformações possíveis em função dos projetos de uso do solo, nas suas diversas categorias, é exigência que se encaixa como medida preliminar em face da política de desenvolvimento sustentável. As principais exigência para se estabelecer o “melhor uso” da terra decorrem de um conjunto de interpretações do próprio solo e do meio onde ele se desenvolve.

 Desta forma,através da obtenção de dados coletados a partir dos mapas temáticos, interpretação de fotografias aéreas e identificação detalhada dos solos em campo, foi elaborado mapa temático sobre a Classificação das terras com base no Sistema de Capacidade de Uso. A metodologia para a determinação e identificação de diferentes grupos (A, B, C) e diferentes classes baseou-se em LEPSCH(1991).

            Ao Grupo A correspondem quatro classes de Capacidade de Uso, que apresentam terras passíveis de serem utilizadas com culturas anuais, perenes, pastagens, reflorestamento e vida silvestre.

 

-Classe I – Declividade 0-3% -  Terras com nenhuma ou somente pequenas limitações de uso. Apresentam solos profundos , de fácil mecanização . São próprias para culturas anuais, sem necessidade de medidas especiais de conservação de solos. Terras planas e com declives  muito suaves , não apresentam áreas encharcadas e afloramentos de rochas. Processos pedogenéticos  associados  com movimento vertical  da água superficial.

-Classe II – Declividade 3-6% -  Apresenta limitações moderadas para seu uso, apropriadas para culturas anuais desde que lhes sejam aplicadas práticas especiais de conservação do solo. Apresentam relevo ondulado e não oferecem dificuldade para o emprego de máquinas agrícolas. Eluviação mecânica e química pelo movimento lateral da água subsuperficial .

-Classe III – Declividade 6-12% - Terras próprias para lavouras em geral  com produtividade média a elevada, desde que se realizem práticas conservacionistas intensas. Apresenta relevo ondulado com escoamento superficial rápido, impondo algumas restrições ao uso de máquinas agrícolas.

-Classe IV – Declividade  12-20%  -  Terras que apresentam riscos ou limitações permanentes muito severas quando usadas para culturas anuais, torna-se necessário cuidados especiais de conservação de solos. Apresenta declive acentuado, sendo recomendado  o uso de pastagens e silviculturas, com certa dificuldade ao uso de máquinas agrícolas. Transporte de material pelos movimentos coletivos  do solo.

Ao Grupo B enquadram terras, que se apresentam impróprias para cultivos intensivos, mas adaptadas para pastagens e/ou reflorestamento e/ou vida Sivestre. Compreendem:

1.Classe V – Declividade 0-3% - Terras planas, com declives muito suaves, com escoamento superficial muito lento ou nulo, praticamente livres de erosão. Impróprias para serem exploradas para culturas anuais , podendo ser utilizadas para pastagens ou cultivadas em casos especiais. Com problemas de hidromorfismo

2.Classe VI – Declividade 20-45% - Terras impróprias para culturas anuais, podendo ser utilizadas como pastagens, florestas artificiais e, em alguns casos, mesmo para algumas culturas permanentes protetoras do solo, desde que adequadamente manejadas.

3.Classe VII – Declividade 45-70% - Terras impróprias pra lavouras , sendo seu uso restrito para pastagens e reflorestamento. Requerem cuidados extremos para controle da erosão.

O grupo C,  apresentam terras não adequadas para cultivos, pastagens ou reflorestamento. Compreende:

·Classe VIII – Declividade 70% +. Terras impróprias para serem utilizadas com qualquer tipo de cultivo. Prestam- se apenas para proteção e abrigo da fauna e flora silvestre, para fins de recreação e turismo. Reptação e formação de terracetes. Áreas de conservação e preservação ambiental.

 


Bibliografia básica:

 

AB'SABER, A . N.- Domínios morfoclimáticos e províncias fitogeograficas  no Brasil. Orientação, 1967

 

AB'SABER, A . N.- Os domínios morfoclimáticos na América do Sul. Geomorfologia, 1977

 

AB'SABER, A . N.- Problemática da desertificação e da savanização no Brasil intertropical. Geomorfologia, 1977

 

AYOADE, J. O.    Introdução à Climatologia para os Trópicos. 6a ed.; Rio de Janeiro : Bertrand Brasil, 2001

 

BERTALLANFY, L. von- Teorias geral dos sistemas. Petrópolis, Editora Vozes, 1973

 

CHRISTOFOLETTI, A   Modelagem de sistemas ambientais. São Paulo  Edgard Blucher, 1999

 

CHRISTOFOLETTI, A. - Análise de sistemas em Geografia. São Paulo, Hucitec, 1979

 

CHRISTOFOLETTI, A.  Geomorfologia. São Paulo: Edgard Blucher / Edusp, 1974

GUERRA, A J. T.: CUNHA, S.B. Geomorfologia e meio ambiente. Rio de Janeiro: Bertrand Brasil, 1996

 

KLINGEIL, A. A & MONTGOMERY, P. H . Land- capability classification. Washington, Soil Com. Service, U.S. Gonvt. Print Office , 1961.

 

LEPSCH, I.F.; Manual Para levantamento utilitário do meio físico e classificação de terras no sistema de capacidade de uso. Campinas-SP, 2a ed.; 1991

 

PEREZ FILHO, A.: MEDEIROS, G. A. Classificação de Terras baseado no Sistema de Capacidade de Uso da fazenda Campininha. Anais do XVI Congresso de Engenharia Agrícola v.I

 

Anexo 1: Mapa de Classificação das Terras baseado no Sistema de Capacidade de Uso


Elaborado por: Perez F°.A e Milani A. M.
 

Anexo2: Mapa de Classificação das Terras baseado no Sistema de Capacidade de Uso


Elaborado por: Milani A. M e Perez F°. A