Voltar à Página da AGB-Nacional


 

   

 

X SIMPÓSIO BRASILEIRO DE GEOGRAFIA FÍSICA APLICADA

 

A QUALIDADE DAS ÁGUAS DA BACIA HIDROGRÁFICA DO RIO APEÚ.


 

 

Odete Cardoso De Oliveira Santos


 

 

Palavras Chave: zoneamento ambiental, turismo e análise  sistêmica.

Eixo Temático:  3 - Aplicação da Geografia Física à Pesquisa.

Sub-eixo: 3.3 - Gestão e Planejamento Ambiental.






 

 

 Os planos de desenvolvimento para Amazônia pelo governo federal contribuíram para o desaparecimento da Estrada de Ferro Belém – Bragança, e a criação da BR-360, modificando a paisagem da bacia hidrográfica do Apeú com a instalação de grandes fazendas e empresas agropecuárias, e o abandono pelos pequenos agricultores de suas propriedades por causa do encarecimento do transporte de escoamento da produção, levando esses agricultores a fixar suas residências nas periferias dos centros urbanos, fortalecendo desse modo a caótica expansão da urbanização.
O desmatamento nas nascentes e nas margens dos cursos d´água no interior das fazendas e das áreas de periferia dos centros urbanos, associado a falta de infra-estrutura para o saneamento básico nas zonas rural e urbana contribuíram para a deterioração dos recursos hídricos da bacia hidrográfica.
A finalidade desse trabalho foi quantificar essa deterioração para orientar os habitantes da bacia hidrográfica do rio Apeú como utilizar os recursos hídricos sem aumentar a poluição.
A bacia hidrográfica do Rio Apeú estende-se pelos municípios de Castanhal, Inhangapí, Santa Izabel do Pará, compondo a microrregião Bragantina, no Estado do Pará.
Para ter-se conhecimento quantificado da qualidade das águas dessa bacia realizou-se análises bacteriológica e físico-química, utilizando vários métodos.
Para análise bacteriológica optou-se pelo Número Mais Provável de bactérias Coliformes, as quais foram determinadas pelos métodos: Tubos Múltiplos (Coliformes Fecais) e Cromogênico (Coliformes totais e Escherichia Coli).
Através das análises físico-químicas determinaram-se vários parâmetros recorrendo aos métodos: Partição Gravimétrica (óleos e graxas), Ácido Ascórbico (oxigênio dissolvido), o pH foi observado utilizando o aparelho pH 330 i/Set-WTW, calibrado para os pH´s de 4.0 e 7.0, a turbidez determinada pelo aparelho Orbeco-Hellige da Orbeco Analytical Systems, INC e a condutividade medida pelo condutivimetro, marca CG 853.
As análises d’água apresentam variações nas concentrações de Coliformes Totais e de E. Coli entre si e entre os períodos menos chuvoso e chuvoso.
No período menos chuvoso os Coliformes Totais variaram de 51.720 NMP/100ml, no igarapé de Castanhal (Fazenda Flamboyant) a 2.200NMP/100ml no igarapé São João (sitio São Sebastião), a concentração de E. Coli variou de 1580 NMP/100ml, no igarapé Capiranga, Distrito do Apeú (trecho urbanizado) a Zero em suas nascentes (Fazenda Santa Clara).
No período chuvoso as concentrações de Coliformes Totais variaram de 24.192 NMP/ml no igarapé Castanhal (Fazenda Flamboyant) a 2.590NMP/ml , no Sitio São Sebastião, a concentração de E. Coli foi da ordem de 2.430 NMP/100ml no Igarapé Castanhal, próximo a sua jusante.
De acordo com a Portaria No. 1469 de 29 de dezembro de 2000, do Ministério da Saúde, o padrão de potabilidade da água para o consumo humano em toda e qualquer situação incluindo fontes individuais como poços, minas, nascentes dentre outros, o valor máximo permitido de Coliformes totais e E. Coli e de ausência total em 100ml. Portanto, a água dessa bacia não pode ser utilizada para o consumo da população, porque os microorganismos presentes vão provocar doenças de veiculação hídrica como a cólera, diarréia e hepatite e de modo indireto a escabiose, doenças existentes na área, confirmadas pela população.
Por outro lado, a RESOLUÇÃO No. 20 do CONAMA, no Art. 26 estabelece que águas doces, salobras e salinas destinadas a balneabilidade serão consideradas satisfatórias desde que apresente 1.000 Coliformes fecais por 100ml ou 5.000 Coliformes totais por 100ml, portanto de acordo com os resultados apenas as águas no Igarapé São João (Sitio São Sebastião) são satisfatórias para o banho, enquanto as demais são impróprias.
De acordo com as análises físico-químicas há presença de óleos e graxas, cujas concentrações variou de 2.487 mg/l, Igarapé Capiranga (Fazenda Santa Clara) a 0.87 mg/l no Igarapé São João (Sitio São Sebastião). A quantidade de oxigênio dissolvido presente nas amostras variaram de 2.1 mg/l no Igarapé Castanhal (Fazenda Flamboyant) a 10.3 mg/l, no Rio Apeú, (Chácara Paraíso). A turbidez detectada esteve entre 4.3 NTU (Fazenda Buriti) a 169.2 NTU, no Igarapé Capiranga (trecho urbano). Os pH´s das águas variaram de 4.47, no Pacuquara (Sitio São José) a 6.89, no Igarapé Castanhal (Fazenda Flamboyant).
Segundo o Art.4 da RESOLUÇÃO No.20 do CONAMA, em qualquer amostra de água para o consumo humano e banho não pode haver presença de óleos e graxas, a turbidez deve ser até 40 NTU, o oxigênio dissolvido em qualquer amostra não pode ser inferior a 6.0mg/l e o pH deve ser em torno de 6.0 a 9.0.
Observando os resultados das análises físico–químicas, verifica-se que as concentrações de oxigênio dissolvido nos cursos d’águas que compõem a bacia hidrográfica estão abaixo das normas do CONAMA, com exceção do ponto localizado na Chácara Paraíso, todavia tem-se a presença de óleos e graxas em torno de 19.22 mg/l a 25.0 mg/l. Apesar do pH no ponto correspondente a Fazenda Flamboyant estar de acordo com as normas do CONAMA é um dos pontos mais poluídos da bacia hidrográfica.
Conclui-se que as águas superficiais da Bacia estão bastante poluídas, não sendo aconselhável à utilização direta para o consumo e banho. Faz-se necessário de imediato à execução de projetos que implementem o saneamento básico, visto que a população acumula lixo nas margens dos igarapés, por ocasião das enchentes dos mesmos e do Rio Apeú os sanitários que estão localizados dentro da área de inundação da bacia são tomados pelas águas, portanto, contribuindo para o aumento da presença de coliformes, principalmente E. Coli.