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X SIMPÓSIO BRASILEIRO DE GEOGRAFIA FÍSICA APLICADA




 

CORTES DE TALUDES RELACIONADOS À EXPANSÃO URBANA NA AVENIDA CONTORNO SUL - OESTE DE ITAJAÍ – SC E RISCOS AMBIENTAIS ASSOCIADOS.

 

 

 

 

 

Efigênia Soares Almeida *; Isabel Quintana Contreras **;Vera Lúcia Amaral Reis **

Universidade do Vale do Itajaí

 

 

*Orientadora - CTTMar – UNIVALI – efigênia@cttmar.univali.br

**Graduando em Geografia - CTTMar - UNIVALI

 

 

 

 

Eixo Temático:  3 - Aplicação da Geografia Física à Pesquisa.

Sub-eixo: 3.3 - Gestão e Planejamento Ambiental.

 


 

 

 

1-   INTRODUÇÃO

A região oeste do município de Itajaí, devido principalmente a sua proximidade com a UNIVALI, vem passando por uma série de alterações relacionadas a ação antrópica. O avanço da urbanização provoca, comprovadamente uma série de alterações na paisagem. É o caso da área estudada a oeste do município de Itajaí, onde foram identificados diversos cortes de terreno, todos executados pelo homem e com fins diversos: ampliação de espaço para construção de moradias ou galpões comerciais e extração de saibro para aterro. Executados sem o devido acompanhamento técnico, verifica-se hoje nestes cortes a incidência da erosão em vários pontos.

A observação dos cortes de terreno e a possibilidade de riscos ambientais associados foi o ponto de partida para o desenvolvimento deste trabalho que procurou identificar, quantificar e descrever estes cortes, relacionando-os a influencia do meio físico.    

 

2- OBJETIVOS

O objetivo desta pesquisa é quantificar e mapear os cortes de taludes implantados às margens da Avenida Contorno Sul, oeste do município de Itajaí-SC, analisando para cada caso, os problemas ambientais a eles associados.

Com o desenvolvimento do trabalho espera-se ainda contribuir para evidenciar a importância do conhecimento do meio físico e a relevância das contribuições da geografia física ao planejamento urbano.

 

3-     JUSTIFICATIVA

A modificação do relevo e as alterações fisiográficas da paisagem geralmente  são resultantes de processos gerados ou induzidos pela atividade humana. ROSS (1992)  denomina este tipo de modificações de “processos tecnogênicos” e afirma que para entender as modificações do espaço físico, é preciso relacionar o homem como agente geológico, que interfere e transforma o meio de acordo com suas necessidades e, em muitos casos, interage sem o conhecimento do conseqüente efeito sobre as condições de equilíbrio do relevo.  

Através do estudo de casos específicos, como este, observa-se que por meio de suas obras o homem interfere de duas maneiras na estabilidade de encostas: facilitando a aceleração de processos mecânicos já presentes nas condições naturais (clima, vento, e chuva), e pelo acréscimo de outros métodos de ruptura, ou seja, inserindo mecanismos não atuantes nas condições originais, como desmatamentos e, principalmente, através  das alterações nos estados de tensões atuantes nos maciços, quando da execução de cortes em taludes, e ainda pela exploração de minerais e ou retirada de substrato para aterros.   

A ação do homem ao desmatar e realizar cortes nos terrenos, vem desencadeando a criação de novo espaço físico, alterando a forma de relevo e causando modificações no modo de operação de processos geomorfológicos, como: intemperismo, erosão, e deposição detrítica. Uma vez que o homem interferiu na paisagem surgiram desequilíbrios que devem ser identificados, analisados e classificados de acordo com a gravidade.

Dessa forma, o presente trabalho justifica-se como instrumento técnico-científico capaz de subsidiar a criação de um banco de dados, base mínima de conhecimentos necessários e importante ferramenta para adoção de um planejamento urbano ordenado, podendo vir a contribuir de forma positiva para futuras decisões do poder público que busquem assegurar  e preservar o uso contínuo de seus recursos naturais, através de ações capazes de controlar e minimizar os impactos ambientais decorrentes das atividades antrópicas.

 

4- METODOLOGIA, DESENVOLVIMENTO

A trilha metodológica percorrida por esta pesquisa foi pautada em quatro etapas: na primeira fase foi efetuado levantamento de um conjunto de material teórico que forneceu subsídios para compreensão e análise  do tema de enfoque da pesquisa.

Na segunda etapa efetuou-se visita a área de estudo localizada na avenida Abrahão João Francisco (Contorno Sul), para identificação e localização dos cortes de talude em mapa, reconhecimento e análise deste tipo de intervenção humana na paisagem. Esta visita também possibilitou a visualização de possíveis problemas que a médio ou a longo prazo poderão vir ocorrer no meio físico (erosão, ravinamentos, escorregamentos, etc.).

A terceira etapa também resultou na visita ao local para detecção e caracterização das problemáticas resultantes dos cortes de talude. Ao longo da avenida Contorno Sul foram identificados três cortes de talude, na ordem de direção BR 101 - centro da cidade de Itajaí.

O primeiro talude localiza-se em frente à ponte sobre o rio Itajaí Mirim, acesso ao Bairro Promorar. Com relação ao relevo, trata-se de uma elevação de  40 metros de altitude e 150 metros de extensão. Com relação a litologia, verificou-se tratar de rocha xistosa e fortemente alterada pelo intemperismo. O corte não apresenta vegetação no topo, mas as encostas da direita e da esquerda encontram-se recobertas por vegetação secundária e de porte médio pertencente à Mata Atlântica. Encontra-se dividido em quatro bancadas de aproximadamente 15 metros cada. Este corte foi realizado para extração de saibro utilizado na duplicação da BR 101.

Foram identificados neste talude os seguintes problemas: bancadas fortemente inclinadas; escorregamentos em dois focos distintos, apresentando solo exposto e sulcos provocados por enxurradas.

De acordo com GUIDICINI & NIEBLE (1984), o termo escorregamentos tem sido comumente utilizado no sentido de abranger todo e qualquer movimento coletivo de materiais terrosos e / ou rochosos, independentemente da diversidade de processos, causas, velocidades, formas e demais características.

Neste caso específico, o escorregamento de blocos de rocha e material alterado encontra-se diretamente relacionado ao forte ângulo de inclinação da rampa (> 60º).

O segundo talude localiza-se ao lado da pista de atletismo. Na realidade, envolvem cortes realizados para a construção da pista de atletismo e cortes de terreno realizados para extração de saibro, num total de três cortes de terreno, medidos e descritos em campo:

a) Fundo da Pista de Atletismo: possui 137,50 metros e apresenta duas rampas. A primeira, que apresenta dez metros de altura e é quebrada por uma bancada de dois metros de largura. A segunda, da bancada até o topo com 6 metros de altura. Este corte apresenta as laterais e o topo recobertos de vegetação, sendo que do lado esquerdo apresenta porte arbustivo e o lado direito porte arbóreo.  Foram identificados os seguintes problemas neste talude: bancadas íngremes desprovidas de vegetação onde foram identificados nove focos de erosão, um deles já bastante aprofundado.

b) Lateral da Pista de Atletismo: possui bancada única, com altura de 13,70 metros e apresenta material menos alterado ou intemperizado. Suas dimensões levantadas diretamente no local foram extensão de 78,60 metros e a base 71,10 metros, a vegetação do topo e laterais foi totalmente retirada, apresentando um foco de erosão no centro e outros mais acentuados nas laterais; foram identificados os seguintes problemas: fortes sulcos nas laterais (fotos 5 e 6).

c) Entrada da Pista de Atletismo: apresenta duas rampas; a primeira com altura de 17,30 metros e com extensão 80,80 metros, possui trechos de rocha exposta intercalada com rocha alterada, formando uma rampa muito íngreme e completamente desprovida de vegetação. Com relação as laterais, a da direita encontra-se recoberta por vegetação arbórea e a da esquerda encontra-se recoberta por uma vegetação arbórea e esparsa. Foram identificados oito focos de erosão na lateral direita, onde se pode observar também a ocorrência de material mais alterado ou intemperizado, facilitando a ação erosiva.

  A segunda rampa, situada logo acima da anterior, é mais alta, composta por cortes desordenados e quebrada por uma bancada irregular. Seu topo ainda se encontra recoberto por pequena mancha de vegetação. Foram identificados os seguintes problemas: deslizamentos (inclusive de blocos de rocha) em vários pontos; diversos focos de erosão causados pelas enxurradas. Trata-se de local de retirada de saibro atual e, por isto, em constante modificação.

               O terceiro talude mapeado localiza-se em frente à extração de quartzitos da Av. Contorno Sul e apresenta cinco bancadas cortadas em rocha xistosa e bastante alterada. Em seu ponto mais alto, atinge 66.40 metros de altura. Trata-se de uma grande área de movimentação de terra para extração de saibro; apresenta vegetação de porte médio na encosta à esquerda.

Neste corte foram identificados os seguintes problemas: rampas praticamente verticais, deslizamentos em alguns pontos e vários focos de erosão.

 

5-CONCLUSÕES E RECOMENDACÕES

Devido à expansão urbana e forte influencia do homem, esta região vem sofrendo alteração da paisagem natural.

Todos os taludes estudados foram realizados em material intemperizado, apresentando fortes ângulos de inclinação, que caracterizam como locais de predisposição a erosão.

O forte grau de inclinação das bancadas e a falta de vegetação favorecem o rápido escoamento das águas pluviais que provocam enxurradas e o aparecimento de sulcos de tamanhos variados nos cortes de talude. Este fato é agravado pelo alto índice de pluviosidade da área localizada no Vale do Itajaí.

O estudo desenvolvido diretamente junto aos cortes realizados em terrenos nas proximidades da Av. Contorno Sul nos mostra que os problemas ambientais identificados como deslizamentos de blocos e focos de erosão, estão diretamente relacionados aos altos ângulos das rampas (> 60º ), a completa falta de vegetação nas mesmas e a alta pluviosidade da região com médias mensais de 148 mm de acordo com a Estação Metereológica da UNIVALI.

Algumas medidas podem ser sugeridas para evitar tais problemas:

  • Correção na inclinação e altura das bancadas que não devem ultrapassar 12 metros de altura e 45º de inclinação.

  • Revegetacão das rampas e bancadas, uma vez que a vegetação comprovadamente atua como protetora no caso do escoamento das águas pluviais, em muito contribuindo para amenizar a erosão.

  • Outro fator que poderá contribuir para amenizar os problemas identificados, seria a retirada completa do material em alguns pontos, como no talude (c) ao lado da pista de atletismo.

 

 

 

6-BIBLIOGRAFIA

 

PELOGGIA Alex. O Homem e o Ambiente Geológico. São Paulo: Xamã,1998.

 

GUIDICINI G.; NIEBLE, C. M. Estabilidade de Taludes Naturais e de Escavação. São Paulo: Edgard Blucher Ltda., 1983.

 

GUERRA, A  J.T.; CUNHA, S. B. Geomorfologia: Uma Atualização de Bases e Conceitos. Rio de Janeiro: Bertrand Brasil, 1994.

 

KOPEZINSKI, I. Mineração x Meio Ambiente. Considerações legais, principais impactos ambientais e seus processos modificadores. Porto Alegre: Universidade, 2000.

 

SAADI Allaoua. Geomorfologia como Ciência da Apoio ao Planejamento Urbano em Minas Gerais.  In Geonomos: Revista de Geociências; n.º 2, vol. V, dezembro, 1997.