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X SIMPÓSIO BRASILEIRO DE GEOGRAFIA FÍSICA APLICADA

 

ANÁLISE AMBIENTAL DAS MBH DA FAZENDA E COLÔNIA PENNA, RS

 

Alexsandro Conterato, Bernardo Sayão Penna e Souza

 

Palavras Chave: meio ambiente, ecossistemas naturais.

Eixo Temático:  3 - Aplicação da Geografia Física à Pesquisa.

Sub-eixo: 3.3 - Gestão e Planejamento Ambiental.




 

INTRODUÇÃO

 

Atualmente, vários estudos são realizados na área da Geografia Física. Muitos destes estudos têm o propósito de estabelecer relações entre o meio natural e o homem, que muitas vezes o utiliza inconseqüentemente, podendo alterar os ecossistemas e provocar desequilíbrios. A alteração da cobertura vegetal, promovida através do processo de retirada da vegetação de origem dentro dos ecossistemas, promove uma mudança significativa na forma de atuação dos agentes causadores da atividade erosiva principalmente nos solos e sobre a estrutura rochosa, refletindo-se na qualidade da água presente nos mananciais hídricos (rios, lagos e arroios) ou numa bacia ou microbacia hidrográfica (GUERRA & CUNHA, 1999). Esta ação de impacto ambiental será mais pronunciada em áreas com índices elevados de declividade e topografia acentuada.

A retirada da vegetação desarticuladamente irá provocar, alterações importantes nas condições de transporte de materiais detríticos (sedimentação) no meio ambiente. Essa alteração verificada nas condições originais da vegetação continua ocorrendo à medida que a cobertura de proteção exercida pela vegetação de origem passa a ser substituída pelas atividades agrícolas (SOUZA, 2001).

Dentro deste contexto Bertoni & Lombardi (1985) destacam que o mapeamento do uso da terra em uma determinada localidade, representa de forma direta a identificação da ocupação de uma parte da superfície terrestre pelos elementos naturais e os diversos tipos de utilização produtiva do homem. Já Rosa (1990), demonstra que não existe uma classificação para o uso da terra, única e ideal, pois esta dependeria das necessidades e da região de estudo, definindo esta como a forma pela qual, o espaço está sendo ocupado pelo homem. Marques et. al (1971) comentando sobre a classificação e o mapeamento da declividade do terreno, afirmam que estes são indispensáveis nos levantamentos do uso da terra e constitui elementos de maior importância no condicionamento de sua potencialidade de utilização.

O uso da terra reflete nas variáveis que estão interagindo-se de forma constante e dinâmica na paisagem rural, onde o agricultor muitas vezes não possui o conhecimento necessário para preservar o equilíbrio natural da região, nem tão pouco para ocupar áreas favoráveis ao desenvolvimento agrícola. É neste aspecto que o presente trabalho científico é desenvolvido, trazendo consigo duas microbacias hidrográficas como pauta de análise, onde o objetivo principal é avaliar o uso da terra, relacionando-o com os padrões de declividades, propostos por De Biasi (1970). Para que este objetivo fosse alcançado, optou-se pela elaboração de cartas temáticas, estes instrumentos cartográficos contribuem para uma melhor avaliação das condições ambientais encontradas nas microbacias hidrográficas dos Arroios da Fazenda e Colônia Penna.

 

 

METODOLOGIA

 

Quanto aos procedimentos que resultam na elaboração da Carta Clinográfica, eles podem ser relatados da seguinte maneira: para o estabelecimento do percentual de inclinação das vertentes trabalhadas nas Microbacias Hidrográficas dos Arroios da Fazenda e Colônia Penna, baseou-se nos índices de declividade propostos por De Biasi (1970), onde a carta clinográfica foi construída levando-se em consideração o uso de cinco classes de intervalo. Os intervalos definidos foram determinados atendendo-se a um espectro amplo no que diz respeito à sua utilização na representação cartográfica, para os mais variados usos e ocupação do espaço geográfico.

No que se refere aos procedimentos metodológicos referentes à Carta de Uso e Ocupação da Terra, para identificar o uso, ou a ocupação do terreno, das áreas em estudo, utilizou-se às imagens de satélite: TM LANDSAT 5, bandas 3, 4 e 5 de falsa cor WRS 223/081, do dia 23/07/1994 e 27/04/1994 respectivamente, com escala numérica original aproximada de 1:50.000. A critério de classificação do uso da terra e da análise físico-ambiental comparativa dos ecossistemas locais, por meio da interpretação das imagens de satélite, utilizou-se como base a classificação adotada por Loch (1989, p.53), que foi adaptada e representada da seguinte maneira:

* Terra de culturas (lavouras);

* Pastagens (campos sujos);

* Terra com floresta

* Outros tipos de terra agrícola (solos expostos);

* Terra úmida com irrigação (várzeas e áreas alagadas);

 

 

MATERIAIS

 

Como bases técnicas adquiridas durante a realização deste trabalho de graduação, utilizou-se os seguintes materiais:

* Carta Topográfica de Val de Serra SH-22-V-C-I-4, MI-2948/4, de escala 1:50.000 elaborada pela Diretoria do Serviço Geográfico (DSG) do Exército Brasileiro, editadas entre 1975 a 1976.

* Carta Topográfica da Sanga da Laranjeira, SH-22-V-C-IV-3, MI-2965/3, de escala 1:50.000 elaborada pelo Serviço Geográfico do Exército Brasileiro.

* Imagem de satélite do TM LANDSAT 5, bandas 3, 4 e 5 de falsa cor WRS 223/081 BB, do dia 23 de julho de 1994, com escala de 1:50.000.

* Imagem Satélite do TM LANDSAT 5, bandas 3, 4 e 5 de falsa cor WRS 222/081 AA, do dia 27 de abril de 1994, com escala de 1:50.000.

* Mesa digitalizadora Sumagrid IV, acoplada a um microcomputador Pentium 166, com o software SITER 1.2, para a mensuração e quantificação dos dados.

 

 

CONSIDERAÇÕES FINAIS

 

Com base na interpretação das imagens de satélite e na elaboração da Carta Temática do Uso da Terra de ambas áreas de estudo, pode-se detectar que a microbacia hidrográfica do Arroio Fazenda apresenta um número de solos expostos que abrange uma área de 109,75 ha da sua totalidade (1779,52 ha). Já por sua vez a microbacia hidrográfica do Arroio da Colônia Penna compreende uma área de solos expostos que gira em torno de 46,27ha voltadas para a atividade agrícola.

A remoção continuada das matas ciliares verificadas na microbacia hidrográfica do Arroio Colônia Penna pode acabar resultando num processo mais intenso de erosão superficial dos cursos d’água. Chegando-se a um certo ponto em que o equilíbrio dinâmico do processo evolutivo do relevo desta paisagem ecossistêmica possa ser rompido em alguns locais e a degradação física deste ambiente natural pode ocorrer de forma não peculiar modificando o trabalho hidrogeológico realizado pela rede de drenagem. Já a destruição da cobertura vegetal situada próxima ás margens dos cursos d’água, não se encontra muito alterada no complexo ambiental da microbacia hidrográfica do Arroio Fazenda, uma vez que muitos destes locais estão localizados em áreas de difícil acesso.

 

 

BIBLIOGRAFIA

 

BERTONI, J. N. & LOMBARDI, F. Conservação do Solo. São Paulo : CERES, 1985.

 

DE BIASI, M.Carta de declividade de vertentes: confecção e utilização. Geomorfologia. São Paulo: IGE/USP, 1970.

 

GUERRA, A.; DA SILVA, A. & BOTELHO, R. (org.) Erosão e conservação dos solos: conceitos, temas e aplicações. Rio de Janeiro: Bertrand Brasil, 1999. 340p.

 

LOCH, C. A interpretação de imagens aéreas: noções básicas e algumas explicações nos campos profissionais. 2ª ed. Florianópolis: Ed. da UFSC, 1989. 103p.

 

ROSA, R. Introdução ao Sensoriamento Remoto. Uberlândia : Ed. UFU, 1990.

 

SOUZA, B. S. P. A qualidade da água de Santa Maria / Rs: uma análise ambiental das sub-bacias hidrográficas dos rios Ibicuí Mirim e Vacacaí Mirim. Tese (Doutoramento em Geografia Física no Departamento de Geografia da FFLCH-USP) – Universidade de São Paulo – USP. São Paulo, SP : 2001. 234p.