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X SIMPÓSIO BRASILEIRO DE GEOGRAFIA FÍSICA APLICADA




 

CARACTERIZAÇÃO PLUVIOMÉTRICA DO MUNICÍPIO DE UBATUBA, SÃO PAULO: PERÍODO DE 1978 A 1999.

 

 

Maria do Carmo Oliveira Jorge1

Marcos Norberto Boin2

Simone Emiko Sato1

 

 

1( Laboratório de Geomorfologia - DEPLAN – UNESP- Rio Claro)

2 (Assistente Técnico de Promotoria do Ministério Público do Estado de São Paulo)

 

 

Eixo Temático:  3 - Aplicação da Geografia Física à Pesquisa.

Sub-eixo: 3.3 - Gestão e Planejamento Ambiental.

 

Introdução

             A questão ambiental tornou-se uma preocupação do ser humano nas últimas décadas, e tem aumentado à medida que surgem os problemas decorrentes da falta de planejamento. 

             Considerando o caráter tropical do território brasileiro e a posição transicional do espaço paulista nas definições climáticas zonais, a pluviosidade pode ser considerada como uma das variáveis meteorológicas mais importantes para os estudos climáticos na análise regional, pois as chuvas extremas ou a falta delas, em qualquer magnitude, repercutem sobremaneira nas atividades humanas, podendo resultar em prejuízos econômicos ou até mesmo em perda de vidas humanas.

             O município de Ubatuba, cortado pelo Trópico de Capricórnio, encontra-se no limite da zona tropical. Caracteriza-se como uma das regiões mais chuvosas do país, decorrente da circulação atmosférica, fruto da atuação desigual das massas polares e tropicais (Schroeder,1956; Monteiro,1973). Para Cruz (1974), os maiores volumes pluviométricos estão vinculados à presença da frente estacionária e o dinamismo dos centros de ação. Além da complexa circulação regional, os fatores fisiográficos também atuam na dinâmica do clima local, pois o relevo também contribui para o estacionamento das frentes na região, ocasionando as chuvas orográficas (SMA, 1998)

             Desta forma, considerando a pluviosidade como um dos elementos mais significativos na definição de clima regional, o trabalho tem como objetivo uma análise da distribuição espacial e temporal das chuvas no município, para o período de 1978 a 1999, visando contribuir na área de planejamento ambiental.

 

Materiais e métodos

             Para a análise pluviométrica procurou-se caracterizar as chuvas nos diferentes compartimentos topográficos e entorno do município, sendo feita com base nos dados do DAEE (Departamento de Águas  e Energia Elétrica). Após o levantamento dos postos procurou-se selecioná-los de acordo com o maior período de tempo e menor período de interrupções. Dessa forma foi escolhida a série temporal correspondente ao período de 1978-1999,  e  selecionados 13 postos pluviométricos, sendo 4 localizados no município (Maranduba, Mato Dentro, Ubatuba e Picinguaba) e 9 entorno ( Alto da Serra, Bairro Alto, Paraibuna, Briet, Caraguatatuba, Catucaba, Laranjal, Natividade da Serra e Sertão do rio Manso).

             A partir dos dados coletados, estes foram organizados e executados no programa EXCEL, e submetidos a estatísticas básicas (média, desvio padrão e coeficiente de variação).

             Com o resultado dos cálculos das médias (anual, sazonal e mensal), foram construídos gráficos do comportamento pluvial dos 13 postos.

             Para a distribuição espacial das chuvas foram  organizadas as cartas de isoietas (12 cartas mensais, 4 sazonais e 1 anual), construídas no software Surfer.

             Com relação aos anos-padrão (seco, habitual, chuvoso), recorreu-se a representação gráfica do regime pluvial, juntamente com o total médio da pluviosidade de 4 postos localizados no município e dois localizados no planalto (Briet e Paraibuna).

 

Resultados e discussão

             A distribuição das chuvas nos 13 postos pluviométricos diferencia-se bastante no decorrer das diferentes épocas do ano.

             Nos postos situados no município de Ubatuba (Maranduba, Ubatuba, Mato Dentro e Picinguaba) as maiores médias mensais para o período analisado (1978 a 1999) variaram entre 276; 277; 393 e 321 mm. Com exceção do posto Mato Dentro, cuja máxima ocorreu no mês de janeiro, as demais foram registradas no mês de março. As menores médias  mensais foram respectivamente 67; 64,5; 94 e 86 mm, todas no mês de agosto.

             Para os demais postos situados em torno do município (Catucaba, Paraibuna, Sertão do rio Manso, Natividade da Serra, Laranjal, Briet, Bairro Alto, Caraguatatuba e Alto da Serra) as maiores médias foram 220; 268; 242; 204; 261; 278; 237; 241 e 329 mm. Com exceção do posto Caraguatatuba, cujo valor maior ocorreu em março, as demais foram registradas em janeiro. As menores médias foram 28; 46; 49; 34; 42; 53; 35; 58 e 81 mm, cujos meses variaram entre julho para os postos Catucaba, Paraibuna, Rio Manso, Natividade da Serra e Alto da Serra, e agosto para os demais postos.

             Nas cartas de isoietas, a distribuição das chuvas no município demonstrou algumas particularidades locais, que podem ser resultantes das influências especificas de cada compartimento geomorfológico (encosta e planície). Embora os totais pluviométricos diferenciaram-se ao longo do ano, como os meses mais chuvosos concentrados no verão e primavera e o menos chuvoso no outono e inverno, o padrão de distribuição é semelhante para um mesmo local. A área com maior pluviosidade é a mesma para os vários períodos do ano, estando situado na área de encosta da Serra do Mar. A elevada pluviosidade principalmente nos meses de outubro a março deve-se a maior atuação dos sistemas tropicais e o próprio relevo da Serra do Mar que condiciona as chuvas frontais na área de encosta.

             Quanto aos valores registrados para os anos padrão, têm-se os anos de 1990, como seco, 1993 como ano habitual e o ano de 1996 como chuvoso. Para os anos secos, a pluviosidade variou de 1141,5 mm (Maranduba e Ubatuba) a 2183 mm (Mato Dentro). No ano habitual, as chuvas variaram entre 1591 mm(Briet) a 3105,4 mm (Mato Dentro). E para o ano-padrão chuvoso a variação foi de 2162 mm (Paraibuna) a 3847 mm (Mato Dentro). Dos dados analisados, observa-se que o posto Mato Dentro é o que possui maior valor de pluviosidade em todos os anos-padrão, cujo valor é representado acima de 2000 mm.

             Quanto a média anual da pluviosidade no município, constata-se que para todos os postos a média registrada é acima de 2000 mm, sendo a maior registrada para o posto Mato Dentro, 3004 mm. Para os demais postos, com exceção do posto Alto da Serra (2278 mm) a média ficou abaixo de 2000 mm, variando de 1296 mm (posto Natividade da Serra) a  1832 mm (posto Briet). È importante destacar que o posto Caraguatatuba, situado na planície, possui 1754 mm de média anual. Em compartimento semelhante, os postos situados no município de Ubatuba apresentaram a média acima de 2000 mm.

 

Considerações finais

             Considerando a combinação das características dos compartimentos geomorfológicos, como a variação altimétrica e a orientação do relevo, associados à dinâmica atmosférica, percebem-se diferenças significativas na distribuição espacial das chuvas. Foi observado que os maiores índices pluviométricos são encontrados no município de Ubatuba, no compartimento geomorfológico da encosta, cuja média anual ultrapassa 3000 mm. Na área de planície, a pluviosidade tende a diminuir de intensidade, cuja média anual fica entre 1754, 53 mm a 2416,13 mm. Contrário a esses dois compartimentos, a área de planalto é a que apresenta menores valores de precipitação anual, cuja variação é de 1322,56 mm a 2278 mm. Os valores mencionados para a distribuição pluviométrica nos três compartimentos analisados devem-se ao caráter fisiográfico da região da serra do mar, exposição das encostas à direção dos ventos  (barlavento e sotavento), aliado a atuação desigual dos sistemas tropicais e polares.

             É importante destacar que a baixa densidade da rede e a distribuição escassa dos postos inferem nos resultados, pois estes poderiam ser mais consistentes, sobretudo se houvessem postos nas áreas de encosta no setor norte e noroeste do município.

             Os resultados obtidos até o momento evidenciam a pluviosidade como um importante elemento na caracterização do clima do município. Estudos com outros componentes climáticos visando a caracterização do clima no município serão realizadas futuramente.

            

Referências bibliográficas

CRUZ., O.  1974. A Serra do mar e o litoral na área de Caraguatatuba: contribuição à geomorfologia tropical litorânea. São Paulo: IGEOG/USP, 181p. (Série teses e monografias).

 

MONTEIRO, C. A.F. 1973.  A dinâmica climática e as chuvas no estado de São Paulo.  São Paulo: IGEOG/USP, 192 p.

 

SCHROEDER, R. 1956. Distribuição e curso anual das precipitações no estado de São Paulo. Campinas,  Bragantina.  IAC, v.15, n.18, 192-249 p.

 

SECRETARIA DE ESTADO DO MEIO AMBIENTE (SP). 1998. Macrozoneamento do litoral norte: Plano de Gerenciamento Costeiro. São Paulo: SMA, 202 p.