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X SIMPÓSIO BRASILEIRO DE GEOGRAFIA FÍSICA APLICADA

 

ANÁLISE MORFOMÉTRICA NA BACIA DO ARROIO INHACUNDÁ,

SÃO FRANCISCO DE ASSIS/RS.

 

 

Dionísio Saccol Sangoi

Autor, Acadêmico do Curso de Geografia/LAGEOLAM/UFSM

Romário Trentin

Co-Autor, Acadêmico do Curso de Geografia/LAGEOLAM/UFSM

Luis Eduardo de Souza Robaina

Professor do Dpto. Geociências /LAGEOLAM/UFSM

Carlos Alberto da Fonseca Pires ³

Professor do Dpto. Geociências /LAGEOLAM/UFSM

End: Dionisiosangoi@yahoo.com.br

Lesro@hanoi.base.ufsm.br





 

Palavras-chave: Morfometria, Inhacund[a, Geomorfologia

Eixo: 3-Aplicação da Geografia Física à Pesquisa

Sub-eixo: 3.4-Aplicações temáticas em estudos de casos







 

1.Introdução

 

A análise morfométrica possibilita uma análise quantitativa, usando os valores exatos de um conjunto de parâmetros para obter as características principais de uma área de estudo. A morfometria, aplicada em estudos de bacias hidrográficas, apresenta uma abordagem quantitativa dessas bacias, com vista a uma análise areal, linear e hipsométrica (Guerra, 1993).

A morfometria é uma importante ferramenta de análise em estudos morfológicos, para estabelecer unidades homogêneas nas áreas de estudo, com é evidenciado em Paula (2002) e Cardoso (2002).

O presente trabalho usa análise morfométrica através das características geomorfológicas associadas ao relevo e a rede de drenagem para quantificar as características da Bacia Hidrográfica do Arroio Inhacundá. Essa Bacia Hidrográfica localiza-se no município de São Francisco de Assis, na porção oeste do Estado do Rio Grande do Sul, Brasil, situada entre as coordenadas 29°2000 a 29°3723 S e 54°5932 a 55°1510 W, abrangendo 35.994,26ha. (Figura 01).

 

FIGURA 01- Localização da área de Estudo

Fonte: Suertegaray,D.M.A. et all.(2001)

 

2. Metodologia

 

Esse trabalho, utiliza como limite a Bacia Hidrográfica do Arroio Inhacundá, estabelecendo a magnitude e a classificação da drenagem; calculo do índice de forma, coeficiente de compacidade e densidade de drenagem; análise altimétrica; determinar as classes de declividade; os comprimentos de rampa. A integração desses dados permite a construção da Carta de Landforms, conforme os conceitos de Lollo e Zuquette (1997), que definem as unidades de relevo através de quatro parâmetros morfométricos homogêneos.

Cooke & Doornkamp (1974) evidenciam que a morfometria é uma importante ferramenta de análise em estudos morfológicos, pois definem as relações que se estabelecem entre os atributos as prosperidades dinâmicas das bacias.

Para Doornkamp & King (1971) a analise numérica de características em uma bacia hidrográfica traz um conhecimento da área, de cada estagio de desenvolvimento das forças que atuam nesta, suas formas.

Os trabalhos de Paula (2002) e Cardoso (2002) procuram estabelecer unidades homogêneas através da utilização de parâmetros morfométricos, tendo como base bacias hidrográficas situadas no Oeste do Rio  Grande do Sul.

A magnitude da bacia é definida pela ordenação dos canais se deu segundo Strahler apud Christofoletti (1952) e Scheidegger (1967).

O padrão da drenagem da bacia hidrográfica é definido pelo método de Strahler, considerando a linha geral do escoamento dos cursos d’ água em relação à inclinação da camada geológica.

A densidade de drenagem da bacia hidrográfica do arroio Inhacundá é a relação entre o comprimento total dos canais de escoamento e a área total (Horton apud Christofoletti, 1945). Essa relação pode ser definida pela expressão: Dd= L/A; onde Dd é a densidade da drenagem; L é o comprimento total dos canais e A é a área da bacia.

A análise de forma da bacia é realizada com o uso de dois índices principais: i) o coeficiente de compacidade e ii) o fator forma. O coeficiente de compacidade é a razão entre a área da Bacia Hidrográfica e a área de um círculo de mesmo perímetro.  Pode ser calculado a partir da expressão: Kc= 0,28. P/A, onde P é o perímetro da bacia hidrográfica em quilômetros; A é a área de um círculo igual à área da bacia, em quilômetros quadrados. Se esse valor for próximo do valor 1 mais circular é a bacia. Enquanto o fator forma é um índice que consiste na relação entre a largura média e o comprimento axial da bacia hidrográfica. A largura média da bacia é obtida pela divisão de área desta pelo seu comprimento. O comprimento da bacia corresponde à extensão do canal principal. Desse modo, o fator forma representado pela expressão: Kf= A/L2, onde A é a área da bacia, em quilômetros quadrados, e L é o comprimento do canal principal, também em quilômetros. Valores altos para o fator forma indicam maior circularidade da bacia, enquanto valores baixos para fator forma indicam menor possibilidade de ocorrências de enchentes na bacia.

A análise altimétrica na bacia é realizada com a interpretação das curvas de nível e dos pontos cotados.

O comprimento de rampa é definido como a diferença horizontal entre os pontos de maior e menor cota em uma determinada feição geomorfológica.

O grau de inclinação do terreno é determinado pela definição das seguintes classes de declividade:

<2% - áreas muito planas, quando da ocorrência junto aos rios formam áreas de acumulação.

2 – 15% - áreas onde se registram ocorrências de processos erosivos, limite máximo para uso de mecanização na agricultura.

> 15% - áreas com inclinações elevadas, com uso restrito de maquinário agrícola e em áreas urbanas, necessidade de cortes ou aterros.

A interpolação destes dados e a posterior elaboração de materiais cartográficos , Utilizou-se os Programa SPRING, desenvolvido pelo INPE, e Corel DRAW 11, desenvolvido pela Corel Inc.

 

3. Apresentação e discussão dos resultados

 

A indicação para a continuidade dos trabalhos de análise morfométrica na Bacia do Arroio Inhacundá aponta para a necessidade de desenvolvimento de um modelo interpretativo para elucidar a compartimentação geomorfológica e, a partir daí, elaborar sugestões de unidades homogêneas nas áreas de estudo. Esse modelo é um processo identificado como caracterização geológica/geomorfológica da área. Essas informações são integradas para produzir Mapas Landforms que são elementos importantes nessa caracterização.

 

3.1 Classificação da drenagem

 

A bacia do Arroio Inhacundá apresenta uma hierarquia fluvial de 5ª ordem que se estabelece a partir da confluência do Arroio Inhacundá e o Arroio Carai-passos.

De uma maneira geral, considerando-se a linha de escoamento dos cursos de água em relação com a inclinação das camadas geológicas, o Arroio Inhacundá pode ser considerado como um rio subseqüente devido ao seu leito principal obedecer às linhas de fraqueza geológicas do terreno como define Christofoletti (1974, p.83-84).

A bacia apresenta uma área total de 35994.26 hectares e um perímetro de 109208.8 metros. A tabela 1 mostra características dessa rede hidrográfica.

 

TABELA 1: Rede hidrográfica do Arroio Inhacundá

Hierarquia dos rios

No. de canais

Comprimento total

Comprimento médio

Densidade de drenagem

1a

348

318.090,91 m

914.05 m

883 m/ha

2a                          

82

104.592,62 m

1.275,51 m

2,90 m/ha

3a

15

56.658,29 m

3.777,21 m

1,57 m/ha

4a

3

45.829,97 m

15.276,65 m

1,27 m/ha

5a

1

14.368,3 m

14.368,3 m

0,39 m/ha

Total

449

539.540,09 m

1.201,64 m

14,98 m/ha

Org: SANGOI, D. S. ; TRENTIN, R.

 

O comprimento total dos cursos d’água é de 539.540.09 metros, distribuídos pelos seus 449 canais e uma densidade de drenagem total de 14.98 m/ha. Os canais de primeira ordem apresentam o menor comprimento médio (914,05 metros cada canal) e uma densidade de drenagem de 8,83 m/ha.

O maior comprimento médio dos canais se refere aos canais de 4ª ordem, atingindo uma média de 15.276,65 metros. O canal de 5ª ordem apresenta um comprimento de 14.368,3 metros.

O padrão de drenagem, arranjo espacial dos cursos fluviais, pode ser influenciado em sua morfogenética por algumas características naturais da área, entre as quais destacam-se: a natureza e disposição das camadas rochosas, a resistência litológica variável, as diferenças de declividade e a evolução geomorfológica da região (Chistololetti, 1974). A Bacia Hidrográfica do Arroio Inhacundá apresenta, predominantemente, padrão e forma retangular, obedecendo à linha das falhas e fraturas geológicas.

 

3.2 Índice de forma

 

A forma superficial de uma Bacia Hidrográfica, segundo (Oliveira et al, 1998) é usada para se saber o tempo que uma gota de chuva leva para percorrer a distância entre o ponto mais afastado da bacia e o seu exutório (tempo de concentração).

O coeficiente de compacidade da Bacia do Arroio Inhacundá um valor de 0,084. O que indica que a bacia possui forma muito alongada.

O fator forma da bacia hidrográfica do Arroio Inhacundá apresenta um valor de 0,10. Esse índice reforça a idéia de uma bacia alongada, próxima da forma retangular e estreita.

Com base na análise visual dos padrões da rede de drenagem, a bacia pode ser divida em três setores: setor A, correspondendo à porção mais a montante da Bacia Hidrográfica (Inhacundá superior); o setor B, correspondendo à sub-bacia do Arroio Caraí-passo (afluente da margem direita a médio curso do Inhacundá) e; o setor C porção mais a jusante da Bacia Hidrográfica (Inhacundá inferior).

O setor A tem uma área de 11.203,27 hectares e se estende desde o topo do planalto até a porção na qual o Arroio. Sofre uma inflexão que provoca uma brusca mudança na direção do canal de nordeste - sudoeste para leste – oeste.  O padrão de drenagem neste setor se caracteriza pela forma retangular, controlada pela fratura das rochas. Neste segmento a drenagem se encontra encaixada, o que condiciona o desenvolvimento bem definido do canal principal. Os canais das bacias auxiliares se apresentam pouco desenvolvidos, onde as sub-bacias não ultrapassam uma hierarquia de 3ª ordem e o número de magnitude não ultrapassa 6 canais em cada sub-bacia. Este setor da bacia hidrográfica possui 127 nascentes e o canal principal atinge uma hierarquia de 4ª ordem. Quanto à forma, o coeficiente de compacidade apresentou valores de 0,10 e o fator forma 0,07. O Índice de Forma através dos valores de fator forma é significativo parâmetro na divisão deste setor.

O setor B se refere à sub-bacia do Arroio Carai-passos, principal afluente do Arroio Inhacundá, onde temos uma área de 10.490,06 hectares e uma hierarquia fluvial de 4ª ordem. O arroio Carai-passos possui uma magnitude de 111 canais com as sub-bacias desenvolvendo magnitudes de até 14 canais.  O padrão da drenagem neste setor possui a forma dendrítico – retangular apresentando menor controle estrutural, em relação ao setor anterior. O índice de forma é definido por valor de coeficiente de capacidade de 0,12 e de fator forma de 0,34.

O setor C se apresenta a partir do médio curso até a foz e possui uma área de 14.300,93 hectares. Estende-se desde a porção onde o canal principal sofre inflexão para oeste até o rio Ibicuí onde o Arroio Inhacundá deságua. O canal principal neste segmento apresenta outra inflexão quando o Arroio Carai-passos junta-se ao Inhacundá voltando a deslocar-se para sudoeste. As drenagens possuem um padrão predominantemente dendrítico, onde os canais das sub-bacias possuem maior extensão e um número de magnitude, maior que a constatada nos outros setores. As sub-bacias auxiliares neste segmento não ultrapassam a 3ª ordem e apresentam uma magnitude que chega a um máximo de 24 nascentes, o que soma um total de 110 nascentes nesse setor da Bacia Hidrográfica. O valor para o Coeficiente de Compacidade é de 0,10, enquanto que de Fator Forma é de 0,35. O Índice de Forma define padrões semelhantes entre os setores B e C, mas um padrão diferenciado com relação ao setor A.

 

3.3 Densidade de drenagem

 

O comportamento hidrológico das rochas repercute na densidade de drenagem, uma vez que em rochas de pouca infiltração, permitem um maior escoamento superficial, possibilitando formação de canais.

A análise da densidade de drenagem por setores definiu os seguintes parâmetros da drenagem. A tabela 2 apresenta os valores obtidos para o setor A. Conforme os valores expressos na tabela 2, podemos dizer que os canais de 1ª ordem apresentam um comprimento médio de 862,58 metros, pouco inferior a média da Bacia. Este setor apresenta um significativo comprimento do canal de 4ª ordem, que é o dobro da média da Bacia e bastantes superiores aos outros setores, indicando a característica muito alongada dessa porção da drenagem. Neste segmento, que é o setor com maior número de canais de drenagem, os comprimentos totais dos cursos d’água apresentam um valor de 157.925,72 metros, distribuídos pelos seus 166 canais, de 1ª a 4ª ordem, o que condiciona um comprimento médio de 36.220,07 metros e uma densidade de drenagem neste segmento de 14,09 m/ha.

 

TABELA 2 Rede Hidrográfica do Setor A do Arroio Inhacundá

Hierarquia dos rios

Número de canais

Comprimento total

Comprimento médio

Densidade de drenagem

1a

127

109.548.8 m

862.58 m

9.77 m/ha

2a

34

3.498.75 m

102.90 m

0.31 m/ha

3a

4

12.831.43 m

3.207.85 m

1.14 m/ha

4a

1

32.046.74 m

32.046.74 m

2.86 m/ha

Total

166

157.925.72 m

36.220.07 m

14.09 m/ha

Org.: SANGOI, D. S. ;TRENTIN, R.

 

Uma das características do setor são os canais de 2ª ordem relativamente curtos, provavelmente devido ao controle estrutural muito marcante nesta porção da bacia. A tabela 3 apresenta os índices obtidos para o setor B, sendo este a da sub bacia do Arroio Carai-passos. Com referencia a sub-bacia do Arroio Carai-passos, esta possui um comprimento total na sua rede de drenagem que atinge uma importância de 156.847,48 metros, distribuídos em seus 149 canais fluviais, com um comprimento médio de 1.052,66 metros e uma densidade de drenagem neste setor da Bacia Hidrográfica de 14,95 m/ha.

 

TABELA 3 – Rede Hidrográfica do Arroio Carai-passos

Hierarquia dos rios

Número de canais

Comprimento total

Comprimento médio

Densidade de drenagem

1a

111

96.494,9 m

869,32 m

9,19 m/ha

2a

21

28.098,11 m

1.338,0 m

2,67 m/ha

3a

6

19.516,75 m

3.252,79 m

1,86 m/ha

4a

1

12.737,72 m

12.737,72 m

1,21 m/ha

Total

149

156.847,48 m

1.052,66 m

14,95 m/ha

Org.: SANGOI, D. S. ;TRENTIN,R.

 

Este setor da bacia apresenta a maior complexidade da rede gerando 6 canais de 3ª ordem e canais de 2ª ordem mais alongados que o setor A.

O setor C (tabela 4), forma o segmento mais a jusante da Bacia Hidrográfica, desta forma a condição de relevo mais plano, permite desenvolver maior número de canais de drenagem. Neste setor a densidade de drenagem é a mais elevada, com um valor de 15,71 m/há.

Outra característica importante deste setor é a ocorrência do canal de 5ª ordem com um comprimento de 14.368,3 metros.

 

TABELA 4: Rede hidrográfica do setor mais a jusante do Arroio Inhacundá

Hierarquia dos rios

Número de canais

Comprimento total

Comprimento médio

Densidade de drenagem

1a

110

112.047,21 m

1.018,61 m

7,83m/ha

2a

27

72.995,76 m

2.703,54 m

5,10 m/ha

3a

5

24.310,11 m

4.862,02 m

1,69 m/ha

4a

1

1.045,51 m

1.045,51 m

0,07 m/ha

1

14.368,3 m

14.368,3 m

1,0 m/ha

Total

114

224.766,89 m

1.971,63 m

15,71 m/ha

Org.: SANGOI, D. S. ;TRENTIN, R.

 

Ocorrem 144 canais, que apresentam um comprimento total de 224.766,86 metros e um comprimento médio de 1.971,63 metros.

 

3.4 Altimetria

 

A análise altimétrica é importante para evidenciarmos uma primeira aproximação, com a bacia hidrográfica. Através desta analise, é possível, identificarmos algumas características morfológicas, tais como: planícies de deposição, vales encaixados, áreas de erosão, entre outras.

A Bacia Hidrográfica do Arroio Inhacundá possui uma variação altimetria de 340 metros. O ponto mais elevado está localizado a 422 metros e o mais baixo é de apenas 60 metros. Os pontos mais altos estão localizados no setor NW da bacia, e seguindo à jusante até a confluência com o rio Ibicuí, onde se localizam os pontos mais baixos, com média de 60 metros.

A porção sudoeste da bacia possui um relevo mais suave, com cotas que vão de 80 metros a 293 metros e uma tendência a suavização, que vai do sentido N-S, evidenciando-se uma zona de relevo mais susceptível a erosão.

Já a porção leste apresenta um relevo mais escarpado, com altimetria que variam de 368 metros a 100, ou seja, 268 metros de amplitude.

Observa-se a ocorrência de pontos cotados que vão de 318 a 368 metros, tanto na porção leste quanto oeste da bacia. Porém, na porção leste, é maior o número de morros e cerros. Esta diferença pode estar relacionada com as diferentes litologias que formam o setor da bacia, bem como uma suposta diferenciação no processo de erosão entre ambas.

A porção mais a montante da bacia hidrográfica apresenta vales encaixados, com pontos cotados. Nas proximidades da confluência do Arroio Inhacundá com o Carai-passos as cotas são mais modestas, apresentando-se cotas que vão de 200 a 280 metros, com pontos que atingem 291 metros.

A porção mais a jusante apresenta vários cerros e morros, formados por arenitos silicificados, que favorecem a manutenção de uma altimetria que varia entre 140 e 240 metros. O relevo apresenta-se bastante trabalhado, com a presença de inúmeros vales e um continua e estreita planície de deposição, bordejando o rio Ibicuí.

Quantitativamente pode-se afirmar que a bacia do arroio Inhacundá tem a maioria de suas áreas compreendida entre as altitudes de 100 a 200 metros, sendo que estas altitudes são encontradas principalmente na parte central.

 

3.5 Declividade

 

As declividades variam de menos de 2% a mais de 15%, sendo que a classe de declividade predominante nas áreas em estudo é a classe 2%-15%, que ocupa cerca de 80% na bacia do arroio Inhacundá.

Na bacia do arroio Inhacundá, as maiores declividades localizadas em sua maioria na faixa de transição entre o Planalto e a Depressão, o Rebordo do Planalto.

Percebe-se que na bacia do arroio Inhacundá os usos são os mais variados, sendo que a declividade nessa área se torna empecilho para certos tipos de uso. Verifica-se que na porção mais a jusante da bacia encontra-se as classes de declividade menor de 2%, sendo que nesta área a agricultura é bastante intensa, principalmente próximo aos leitos dos rios, onde a cultura do arroz irrigado merece destaque. Por se constituir em uma área muito plana, há a ocorrência de inúmeras barragens e açudes, sendo as mesmas utilizadas para a irrigação da cultura do arroz.

Declividades baixas entre 2 e 5% ocorrem associadas à porção mais a montante da bacia onde existem atividades agrícolas, onde se destaca a soja.

As declividades superiores a 15% formam uma faixa localizada no centro-norte da bacia. Constituindo a passagem das áreas de baixas para as de relativamente altas altitudes. Por apresentar as vertentes com maior inclinação à vegetação apresenta-se mais conservada.

 

3.6 Comprimento de Rampa

 

Na Bacia do Arroio Inhacundá, identifica-se cinco classes de comprimento de rampa, como demonstra a tabela 5.

Desse modo pode-se dizer que não existe um padrão de vertentes alongadas, elas encontram-se, em todas as áreas da bacia, sendo que as de menor comprimento são mais presentes nas áreas a NW da Bacia, próximos a cabeceiras do arroio Carai-passos.

Com base nos parâmetros do relevo distinguem-se cinco áreas com características semelhantes.

 

TABELA 5: Classes do Comprimento de Rampa

Classes

Distâncias

Áreas correspondentes (ha)

% correspondente

I

<250 m

19.652,50

54,09

II

250-500 m

8.847,08

24,35

III

500-1500 m

5.032,12

13,85

IV

1500-3000 m

1.980,14

5,45

V

>3000 m

821,12

2,26

Org. SANGOI, D. S. ; TRENTIN, R.

 

A área que envolve as declividades menores que 2%, em altitudes inferiores a 100 metros. Esta se localiza na várzea do arroio Inhacundá, e de alguns de seus afluentes, onde se encontram as áreas de inundação e deposição de bacia.

A segunda área compreende as altitudes inferiores a 200 m e declividades entre 2 e 15%. Ocupa aproximadamente 40% da área da bacia e caracteriza-se por ser uma unidade de relevo com aspecto colinoso onde estes apresentam suas encostas levemente íngremes e pouco onduladas.

            A terceira área refere-se a porção que apresenta declividades superiores a 15% e altimetria entre 200 e 300 m. Caracteriza-se por ser uma área de rebordo do planalto apresentando encostas íngremes e relevo movimentado.

            Como quarta área definiu-se as altitudes superiores a 300 m e declividades inferiores a 15%, caracteriza-se por apresentar uma topografia suave à levemente ondulada, constituindo o topo do planalto.

             A quinta área é definida por encostas com topos planos e vertentes íngremes, com altimetrias inferiores a 300 m, regionalmente conhecidas como Cerros.

 

3.7 Compartimentação e Mapeamento de “Landforms”

 

O mapeamento das unidades de relevo é definem as áreas com parâmetro morfométrico homogêneo, tais como a altitude, amplitude, declividade e densidade de drenagem. Conforme Lollo apud Rodríguez (1992) existem duas maneiras distintas de serem realizadas as análises para a definição das unidades de relevo: o enfoque fisiográfico e o enfoque paramétrico. O enfoque paramétrico tem o objetivo de definir áreas diferençadas usando elementos representativos, como a declividade, a amplitude, a extensão e parâmetros da rede de drenagem.

O Mapa de Landform (Anexo 01) foi elaborado a partir do cruzamento das informações dos setores da drenagem com as unidades de relevo, dividindo-se a Bacia Hidrográfica do Arroio Inhacundá, os quais se organizam em 11 unidades.

Unidade I é a que se apresenta entre as declividades inferiores a 2%, a altitude não ultrapassam os 100 metros e está localizada na porção mais a jusante da Bacia Hidrográfica, no setor C em relação à análise da drenagem. Esta unidade ocupa uma área de 1637,95 hectares, ou seja, 4,55 % da área total da Bacia.

Unidade II é a unidade que se apresenta entre as declividades 2 a 15%, e as altitudes inferiores a 200 metros e estão inseridas dentro do setor C em relação à análise da drenagem. É a unidade que ocupa a maior área dentro da Bacia Hidrográfica, com 12.112,22 hectares, ou seja, 33,7 % da área total, correspondendo quase a totalidade das áreas à jusante da bacia.

Unidade III é a que se apresenta definida por encostas com topos planos e vertentes íngremes, e as altimetrias inferiores a 300 m, regionalmente conhecidas como Cerros. Esta unidade apresenta-se ocupando uma pequena porção localizada à sudeste da porção mais a Jusante, a qual corresponde a 319,1 hectares, representando 0,9 % da área total.

Unidade IV é a unidade que se apresenta definida pelas declividades entre 2 a 15% e as altitudes são inferiores a 200 metros e encontra-se inserida no setor B em relação ao comportamento da drenagem, ocupando a maior área deste. Localiza-se na porção centro-oeste da Bacia Hidrográfica, ocupando uma área de 6.254,43 hectares, ou seja, 17,4 % da área total.

Unidade V é a que apresenta sua definição caracterizada por apresentar suas declividades superiores a 15% e as altitudes entre 200 e 300 metros. Esta unidade localiza-se na porção centro - noroeste da bacia, ocupando uma área de 3.973,39 hectares, ou seja, 11 % da área total da Bacia.

Unidade VI é a que se apresenta com as declividades inferiores a 15% e as altitudes superiores a 300 metros. Esta unidade ocupa as áreas mais à montante da sub-bacia do Arroio Carai-passos, compreendendo uma área de 161,35 hectares, o que corresponde a 0,5 % da área total da bacia.

Unidade VII se caracteriza por apresentar-se definida pelas encostas de topo planos e vertentes íngremes, com as altitudes inferiores a 300 metros. Esta unidade de Landform é a que apresenta a menor área na Bacia Hidrográfica do Arroio Inhacundá, com apenas 55,83 hectares, o que corresponde a 0,15 % da área total, e está localizada à sudoeste na porção mais a jusante da sub-bacia do Arroio Carai-passos.

Unidade VIII se caracteriza pelas declividades entre 2 e 15%, com as altitudes inferiores a 20 metros, e encontra-se inserida no setor A quanto ao comportamento da drenagem. Localiza-se na porção centro-leste da Bacia Hidrográfica, ocupando uma área de 1790,68 hectares, ou seja, 5 % da área total da bacia.

Unidade IX caracteriza-se por apresentar as declividades maiores que 15% e as altitudes superiores a 300 metros. Está inserida no setor A quanto ao comportamento da drenagem sendo que ocupa a maior área deste. Esta unidade ocupa uma grande área localizada na porção centro-leste estendendo-se para norte, ocupando a parte central desta, com uma área de 5.544,96 hectares, ou seja, 15,40 da área total.

Unidade X caracteriza-se pelas suas declividades serem inferiores a 15%, e as altitudes superiores a 300 metros. Esta unidade encontra-se inserida no setor A quanto ao comportamento da drenagem, ocupando a área mais a montante da Bacia Hidrográfica, e também as áreas das encostas do divisor d’água da bacia na sua porção mais a montante. Ocupa uma área de 3.896,11 hectares, o que corresponde a 10,82 % da área total da Bacia Hidrográfica.

Unidade XI é caracterizada pelas encostas de topo planos e vertentes íngremes, com altitudes inferiores a 300 metros, e encontra-se inserida no setor A quanto ao comportamento da drenagem. Esta unidade encontra-se localizada na porção central e centro-leste da Bacia Hidrográfica, ocupando uma área de 73,86 hectares, ou seja, 0,2 % da área total da Bacia Hidrográfica do Arroio Inhacundá.

 

4. Considerações Finais

 

O presente trabalho usa a tecnicasda delimitação de unidades de terreno, definidos como Mapa de Landforms. Na área, foi possível definir onze unidades homogêneas sendo que estas informações constituem ferramentas básicas para inúmeras aplicações, principlamente no que tange a elaboração de cartas interpretativas,proporcionando subsídios para o planejamento regional.

 

 

5.Referências bibliográficas

 

CARDOSO, C. B. Mapeamento das Unidades Geomorfológicas e os Impactos Ambientais: Bacias Hidrográficas do Arroio São João e Sanga da Divisa, Alegrete – RS. Santa Maria: UFSM, 2002 (Monografia).

 

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