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X SIMPÓSIO BRASILEIRO DE GEOGRAFIA FÍSICA APLICADA

 

 

INCÊNDIOS EM VEGETAÇÃO ENTRE 2000 E 2002, NAS PROPRIEDADES RURAIS LIMÍTROFES ÀS RODOVIAS PAVIMENTADAS DO MUNICÍPIO DE JATAI-GO.

 

 

Sebastião Alves da SILVA1

– Bacharelando do Curso de Geografia do CAJ/UFG;

João Batista Pereira CABRAL2

– Docente do Curso de Geografia do CAJ/UFG;

Iraci SCOPEL³

 – Docente do Curso de Geografia do CAJ/UFG.

 

 

Campus Avançado de Jataí/Universidade Federal de Goiás

E-mail (1 - silvaufg@yahoo.com.br , 2 - jbpc@zipmail.com.br.)

Trabalho final de curso para obtenção do título de Bacharelado em Geografia.

 

Palavras-chaves: Vegetação, Incêndios e Meio ambiente.

 

Eixo Temático: 3 - Aplicação da Geografia à Pesquisa

Sub-eixo: 3.4 – Aplicações Temáticas em Estudos de Caso

 

 

 

1 – Introdução

 

No Planalto Central Brasileiro, predomina o clima tropical com uma estação seca por um período de cinco meses e uma estação chuvosa por um período de sete meses. Devido a esta condição climática a vegetação do cerrado resseca, sofrendo, há séculos, com a atuação do fogo, que se tornou um grande inimigo no período da seca, levando espécies animais e vegetais à extinção, o que vêm sendo acelerado pela intervenção do homem no meio ambiente.

A prática do fogo é comum desde as épocas antigas utilizadas pelos agricultores e pecuaristas para realizarem limpeza em novas áreas agrícolas, no manejo de pastagens naturais e implantadas.

Vários problemas surgem, decorrentes do processo de queimadas como: o aumento de “runoff” (água de escoamento superficial – GUERRA, 1993); a degradação do solo que tem sua fertilidade diminuída; perda de grupos genéticos da flora e da fauna onde muitos não são identificados ou não estudados; destruição da camada de ozônio que causa o super aquecimento da terra; diminuição das águas potáveis; e muitos outros.

Os incêndios ocasionados por conseqüência de faíscas trazidas pelo vento, quedas de raios, entre outros, principalmente nas margens das estradas de asfalto, onde as pessoas jogam pontas de cigarro para fora do carro, provocam a queimada de pastagens, matam animais, destroem a vegetação nativa do cerrado, demonstrando que a maioria das queimadas são realizadas de maneira incorreta na região do Sudoeste Goiano e restante do Brasil, acarretando degradação ao meio ambiente e também prejuízos aos proprietários rurais da região.

 

1.1   – OBJETIVO GERAL

 

O objetivo geral do trabalho foi analisar os aspectos dos incêndios ocorridos nos anos de 2000 a 2002 nas propriedades rurais, localizadas às margens das principais rodovias pavimentadas que cortam o município de Jataí-GO e, também, verificar se as medidas preventivas empregadas eram adequadas.

 

1.2 – objetivos específicos

 

·        Realizar o levantamento dos números de incêndios ocorridos no período de 2000 a 2002, no município de Jataí-GO.

·        Relacionar as causas dos incêndios ocorridos nas propriedades rurais do Município.

·        Verificar se existia preocupação dos proprietários rurais do município com a destruição da vegetação nativa do cerrado.

·        Levantar os principais métodos aplicados à prevenção dos incêndios nas áreas rurais do município, e se estes métodos eram eficazes.

 

2 – Revisão DE LITERATURA

2.1 – O BIOMA CERRADO

 

No Brasil são encontrados diversos tipos de vegetação, resultado de vários fatores, como o clima, o solo, o relevo, etc., determinando as formações vegetais como: Campos, Floresta Amazônica, Pantanal, Mata Atlântica, Mangue, Caatinga, Mata Cocais, Mata, Restinga e o Cerrado que são vegetações características do Brasil Central, (SILVA, 2001).

O termo Cerrado apresenta-se como uma complexa fisionomia de vegetação que possui uma flora própria. Como base, nos estudos apresentados por SILVA (2001) e SOUZA (2001), a vegetação do Cerrado é formada, em geral, por árvores retorcidas, com cascas grossas e folhas peludas, sendo a origem desta vegetação discutida por especialistas, questionando-se a estacionalidade climática, a pobreza nutricional do solo e a ocorrência de fogo como determinantes primárias deste tipo de vegetação.

Para NASCIMENTO (2002) no Cerrado predomina uma vegetação de paisagem variada, algumas são “biócoros” (vegetação adaptada a determinadas condições – ART, 1998) e “biótopos” (Pequena área com condições ambientais uniformes, clima e solo – ART, 1998) que se dividem em: i) Cerradão que possuem árvores de maior porte acima de 10 metros de altura. ii) Cerrado “Sensu Stricto”, caracteriza-se pela vegetação com árvores de médio porte, com uma altura entre 07 a 10 metros. iii) Mata de Galeria são árvores de dossel diversificado que acompanham os cursos d’água, importantes para manutenção das nascentes e proteção de mananciais. iv) Campo Limpo e Campo Sujo onde despontam os arbustos esparsos com uma altura de 01 a 02 metros de altura, situados em áreas planas, em solos pobres. v) Veredas que são paisagens em áreas planas, localizadas em solos hidromórfico/arenoso, típicas junto aos cursos d’água.

 

2.2 - Diferença ENTRE fogo e incêndio

Há argumentos de que o fogo foi o primeiro elemento de que o homem lançou mão para dar início à sua evolução, mas também foi ele um dos primeiros elementos a causar a destruição daquilo que ele produzia, fora do seu controle, o incêndio.

“O fogo acompanha o homem desde o aparecimento da espécie no planeta” (MINEIRO, 2001, p. 15). O autor ainda demonstra que na antiguidade, já existia um temor pela erupção vulcânica e quedas de raios. O ser humano passou a depender do fogo e usá-lo para diversas funções como: no preparo dos alimentos, na produção de calor ambiente, na fusão de materiais, etc., mantendo o processo de controle e restrito aos objetivos apropriados.

Segundo COUTO (2002) o fogo é o mais prático e econômico de todos os meios conhecidos de preparo do solo para o plantio, desde que, efetuado com segurança e sob determinadas condições climáticas, sendo utilizado também na agricultura para controlar pragas, destruir sementes de ervas daninhas, exterminar doenças de plantas, eliminar resíduos de colheita, etc.

FREITAS & SÁ (1991) relatam que incêndio é quando o fogo foge do controle do homem, transformando-se num agente com poder destrutivo. No entanto, fora do domínio humano, destrói objetos, vegetação nativa, plantações, pastagens, etc., matando diversos tipos de animais e, principalmente, colocando a vida das pessoas em risco, afetando de certa forma a integridade do ecossistema. Enfim, os incêndios causam enormes prejuízos em bens materiais ao ser humano e, principalmente, ao sistema ambiental.

MINEIRO (2001) e TEICH (2002) descrevem que as queimadas deixam marcas amargas na paisagem, provocam o aumento do efeito estufa, e que desde a década de 90 o cerrado vem sendo destruído e explorado para produção agrícola intensiva, onde as ex-áreas do cerrado, de savanas e de vegetação semi-árida. Estas regiões correspondem por 40% da superfície total do planeta, e também, respondem por 22% da produção mundial de alimentos. Com isso a superexploração agrícola está causando o empobrecimento e a desertificação do solo.

Um dos grandes incêndios na vegetação do cerrado ocorrido no Brasil, foi no Parque Nacional das Emas, localizado no Sudoeste de Goiás. Segundo FUNDAÇÃO EMAS (2003), o Parque das Emas é a maior unidade de conservação do Cerrado e que sofreu um novo incêndio em 1994, queimando cerca de 98% da área de preservação desse patrimônio mundial, de aproximadamente 132.000 hectares de proteção ambiental.

 

2.4 – PRINCIPAIS CAUSAS DE INCÊNDIOS NA VEGETAÇÃO

 

No período da estiagem, a massa vegetal resseca pela falta de umidade do ar, pelas altas temperaturas, pelas grandes geadas, etc. Com a intervenção do homem, os incêndios são mais freqüentes, principalmente nas áreas próximas às estradas de asfaltos.

Para COUTO (2002) as principais causas dos incêndios florestais são os seguintes: raios - descargas elétricas atmosféricas, comuns nas nuvens do tipo CB (Cumulonimbus); incendiários - fogo iniciado por vingança ou desequilíbrio mental (piromaníaco); queimas para limpeza - na agricultura, nas pastagens ou em reflorestamento; fumantes - fósforos e pontas de cigarros acesos, atirados ao chão da floresta; fogos campestres - fogueiras em acampamentos, caçadas ou pescarias; operações florestais - trabalhadores florestais em atividade; estradas de ferro - atividades das estradas de ferro; outras - balões de festas juninas; efeito-lente de cacos de vidro; etc.

 

2.5 – FATORES QUE INFLUENCIAM NA PROPAGAÇÃO DOS INCÊNDIOS

 

Existem diversas causas que regulam a ação do fogo dos incêndios no Cerrado. No entanto, os tipos de propagações mais importantes são: os materiais combustíveis e as condições atmosféricas. Segundo o IBAMA [S.n.t] e o COUTO (2002), os combustíveis lentos são constituídos de troncos, galhos de árvores e restos de troncos, também de compostos de matéria orgânica que se localizam na parte superficial do solo. Portanto, estes combustíveis, quando secos, se inflamam com facilidade e produzem grande quantidade de calor. Já os combustíveis rápidos são constituídos de arbustos, matagais, folhas e pastos secos, sendo também que há combustíveis verdes que possuem um alto teor de oleosidade, os quais se inflamam com maior rapidez, tais como: folhas, ervas e outros tipos de espécies resinosas.

Estes mesmo autores destacam o vento como o fator atmosférico de maior importância para a propagação de incêndios. Quanto mais fortes, mais rápida será a propagação do incêndio. As chamas são direcionadas até aos combustíveis circunvizinhos pelo vento e também lançam centelhas para outras áreas.

Já a umidade do ar está relacionada com a umidade dos combustíveis, onde os materiais combustíveis mais secos tendem a absorver a umidade do ar, enquanto os mais úmidos são mais difíceis de queimar. Em condições normais o ar é mais seco durante o dia do que à noite.

A temperatura do ar influi na temperatura de ignição (260 a 400 graus Celsius), afetando diretamente o grau de inflamabilidade dos combustíveis florestais. A madeira seca entra em combustão à temperatura aproximada de 285 graus Celsius.

Quanto à topografia, o fogo se propaga com mais rapidez para cima durante o dia, em relevo inclinado, influenciado pelas correntes de ar. As chamas se aproximam mais rapidamente dos combustíveis, resultando em um pré-aquecimento rápido e, consequentemente, na ignição.

 

2.6 – Classificação de Incêndios

 

COUTO (2002) descreve que os incêndios em vegetação classificam-se em: incêndios subterrâneos que ocorre na camada superficial e subsuperficial do solo, afetando o material orgânico em decomposição como, por exemplo, húmus, raízes das árvores e outros. Esse tipo de incêndio é difícil de acontecer e também difícil de combater.

Já o incêndio rasteiro denominado também de “incêndio superficial”, é quando queimam os restos vegetais sobre o solo, tapete de herbáceas, gramíneas e outros, atingindo árvores de aproximadamente 1,80 m de altura. É quase sempre por onde começam a maioria dos incêndios, ocasionados por um pequeno foco de fogo. Porém não sendo difícil de combater.

Os incêndios de copa chamados também de “incêndio aéreo” são os que ocorrem em árvores acima de 1,80 m de altura do piso do solo. A folhagem é totalmente queimada pelo fogo. Os incêndios de copa sempre se originam de incêndio rasteiro e propagam-se rapidamente liberando grande quantidade de calor.  Sempre que ocorrem estes tipos de incêndios são difíceis de combater.

 

2.7 – MÉTODOS DE COMBATE AOS INCÊNDIOS E A UTILIZAÇÃO DO ACEIRO COMO TÉCNICA DE PREVENÇÃO E CONTROLE DE INCÊNDIOS.

 

Segundo COUTO (2002), existem quatro tipos de métodos de combate ao fogo em vegetação. Esses métodos são: i) método direto quando permite a aproximação suficiente do pessoal ao fogo, onde são usados os seguintes materiais: água em bombas costais, baldes ou motos-bombas; terra, utilizando pás; batidas de abafadores. ii) Método indireto aplicado em incêndios de grande proporção, onde abrem-se aceiros com equipamentos pesado (tratores, etc.), utilizando-se ainda um contra-fogo para ampliar a faixa limpa por maquinaria, antes que cheguem ao aceiro. iii) Método paralelo ou intermediário, utilizado quando não é possível aplicar o método direto e quando a intensidade do fogo não é muito grande; constitue-se em limpar uma faixa estreita, próxima ao fogo, com ferramentas manuais para deter o seu avanço e possibilitar o ataque direto ao incêndio. iv) Método aéreo que é efetuado em áreas e em locais de difícil acesso do pessoal de combate aos incêndios. Este método é usado em incêndios de copa ou incêndios aéreos de grande intensidade, utilizando-se aviões e helicópteros adaptados ou construídos especialmente para debelar os incêndios.

Para COUTO (2002) os aceiros são faixas sem vegetação, interpoladas estrategicamente, para deter ou dificultar o avanço do fogo e principalmente, facilitar o acesso de pessoal, no caso de combate aos incêndios. Também mostra que a largura dos aceiros recomendada é de 20 metros, mas podem chegar a 50 metros, dependendo das condições do local. Esses aceiros nunca podem ter largura inferior a 10 metros. O autor ainda cita que os proprietários rurais devem construir aceiros diferenciados, sendo que os principais, mais largos, os secundários, mais estreitos e sempre limpos, livre de vegetação.

 

2.8 – LEGISLAÇÃO BÁSICA SOBRE O USO DO FOGO EM VEGETAÇÃO E PENALIDADES 

 

               Lei Federal n° 4.771 de 15 de setembro de 1965 (código florestal)

 

- Art. 27º - È proibido o uso de fogo nas florestas e demais formas de vegetação.

            Parágrafo único – se peculiaridades locais ou regionais justificarem o emprego do fogo em práticas pastoris ou florestais, a permissão será estabelecida em ato do poder público, circunscrevendo as áreas e estabelecendo normas de precaução.

            Código Penal Brasileiro dos Crimes Contra a incolumidade Pública

            Capítulo I: Dos Crimes de Perigo Comum

Incêndio - Art. 250º - Causar incêndio, expondo a perigo a vida, a integridade física ou o patrimônio de outrem.

Pena – reclusão de 03 (três) a 06 (seis) anos e multa.

Aumento da pena – Parágrafo 1º - As penas aumentam de um terço:

 

a) em lavoura, pastagem, mata ou floresta.

 

Incêndio culposo – parágrafo 2º - Se o culposo do incêndio, a pena é de detenção de 06 (seis) meses a 02 (dois) anos.

Lei 9.605 de 12 de fevereiro de 1998 (Lei de Crimes Ambientais)

- Art. 41º - Provocar incêndio em mata ou floresta:

Pena – reclusão de 02 (dois) a 04 (quatro) anos e multa.

Parágrafo único – Se o crime é culposo, a pena é de detenção de 06 (seis) a 01 (um) ano e multa.

- Art. 42º - Fabricar, vender, transportar ou soltar balões que possam provocar incêndios nas florestas e demais formas de vegetação em áreas urbanas ou qualquer tipo de assentamento humano:

Pena – detenção de 01 (um) a 03 (três) anos ou multas, ou ambas as penas cumulativas.

 

Decreto n° 2.661 de 08 de julho de 1998

 

- Art. 8º - É vedado o uso do fogo em vegetação contida numa faixa de:

Parágrafo V – 50 (cinqüenta) metros a partir de aceiro, de 10 (dez) metros de largura ao redor das unidades de conservação, que deve ser preparada, mantida limpa e não cultivada.

Parágrafo VI – 15 (quinze) metros de cada lado de rodovias estaduais e federais, e de ferrovias, medindo a partir da faixa de domínio.

            Regulamenta o Parágrafo único do Art. 27º da Lei nº 4.771, de 15 de setembro de 1965 (Código Florestal), mediante o estabelecimento de normas de precaução relativas ao emprego do fogo em práticas agropastoris e florestais, e dá outras providências.

- Art. 9º - Obriga-se o responsável à reparação ou indenização dos danos causados ao meio ambiente, ao patrimônio e ao ser humano, pelo uso indevido do fogo, devendo apresentar ao órgão florestal, para aprovação, em até 30 (trinta) dias, a partir da data de autuação, o projeto de reparação ambiental para a área afetada, sem prejuízo das penalidades aplicáveis.

 

3 - Material e MétodoS

3.1 – materiaIS UTILIZADOS

 

Os materiais utilizados consistiram em um questionário aplicado aos proprietários das fazendas situadas às margens das rodovias da região do município de Jataí, Manuais do Corpo de Bombeiros e IBAMA, trabalhos científicos, panfletos sobre o assunto, disquetes, computador, pesquisa na internet, moto para percorrer os trechos das rodovias, etc.

 

3.2 – PROCEDIMENTOS

 

A metodologia empregada neste trabalho constituiu-se na aplicação de um questionário, abordando os assuntos que se referem aos incêndios que ocorreram nos últimos três anos no município de Jataí-GO, totalizando 12 perguntas, requerendo respostas objetivas, aplicadas diretamente a 50 trabalhadores rurais (proprietários ou empregados). Trata-se de um trabalho executado por amostragem, sistemática, dividindo-se em trechos iguais por quilômetros das BR`s percorridas.

Foram amostradas 50 propriedades, aplicando-se o questionário. Quando não estava o proprietário, este questionário era aplicado ao gerente da propriedade ou outro responsável em nome do proprietário.

 

4 – RESULTADOS E DISCUSSÃO

 

As propriedades visitadas no trabalho de campo, encontram-se no interior do município de Jataí, sendo que a pesquisa foi direcionada da cidade de Jataí à divisa dos municípios vizinhos, percorrendo-se as principais rodovias pavimentadas, conforme a tabela 1.

TABELA 1 – Localização das propriedades estudadas e número de questionários aplicados.

TRECHO DAS RODOVIAS ONDE SE LOCALIZAM AS PROPRIEDADES

NÚMERO DE QUESTIONÁRIOS APLICADOS

DENOMINAÇÃO DAS RODOVIAS

Jataí – Aparecida do Rio       Doce

11

BR – 364

Jataí – Caiapônia

09

BR – 158

Jataí – Mineiros

11

BR – 364

Jataí – Rio Verde

09

BR – 060

Jataí – Serranópolis

10

GO – 184

TOTAL

50

05

 

4.1 – AS PROPRIEDADES RURAIS DO MUNICÍPIO DE JATAÍ, VISITADAS NO TRABALHO DE CAMPO

 

         As propriedades visitadas, para realização do trabalho de campo, estão situadas às margens das rodovias BR-060, BR-364, BR-158 e GO-184 e são áreas que possuem tamanhos variados entre 20 a 2.600 hectares. predominam áreas entre 101 a 500 hectares. Tais propriedades rurais possuem atividades diversificadas. A atividade pecuária é a que predomina em 42% das 50 propriedades pesquisadas. Nessas propriedades, a fonte de renda é diversificada através da criação de rebanhos bovino de corte e leiteiro, rebanhos caprinos, rebanhos de suinos e frangos para frigoríficos da região. Já, as áreas agrícolas ocupam 24% das propriedades enfocadas na pesquisa. Neste caso, a fonte de renda dos agricultores está baseada no plantio de soja, milho, sorgo, etc., sendo a safra vendida para as indústrias de óleos vegetais e indústrias de beneficiamento animal, sendo grande parte da colheita exportada para outras regiões e outros países. As propriedades que desenvolvem atividade dupla pecuária e agrícola ocupam 34% da área visitada.

 

4.2 – INFLUÊNCIA DA ESTIAGEM E OUTROS FATORES QUE OCASIONAM OS INCÊNDIOS NAS PROPRIEDADES ÀS MARGENS DAS RODOVIAS E PROCESSOS UTILIZADOS PARA DEBELAR OS INCÊNDIOS

 

Entre os meses de maio a setembro os riscos de incêndios nas propriedades, que fazem divisas com as rodovias que cortam o município, tornam-se elevados devido ao período de estiagem, pois a vegetação, às margens das rodovias, na sua maior parte, encontra-se seca.

 

Figura 1 – Número de incêndios ocorridos nos últimos três anos nas propriedades rurais.
 

Através da figura 1, é possível destacar que ocorreram dezesseis focos de incêndio, pelo menos uma vez, nas 50 propriedades visitas, nos últimos três anos (2000, 2001 e 2002), que fazem divisas com as rodovias.

Foi possível verificar algumas causas possíveis de ocorrência de incêndios. Em 28 % dos casos, as pessoas responderam que as causas prováveis, que provocaram os incêndios, são desconhecidas, podendo ter sido originadas por: andarilhos que utilizam o fogo para se aquecer; garrafas de vidros que refletem os raios solares; quedas de raios; faíscas dos escapamentos dos veículos; fogueiras utilizadas por caçadores, pescadores, etc.; vândalos que colocam fogo só para assistir ao espetáculo do incêndio, e outros.

Já os tocos de cigarros, ainda acesos, arremessados pelos passageiros para fora dos veículos, e por pessoas que trafegam pela rodovia, correspondem a 14% das causas do início de uma queimada indesejada para os produtores rurais, segundo informações relatadas pelos entrevistados. Conseqüentemente proporcionando destruição indesejada da vegetação.

Nos vinte e dois casos de incêndios, analisados nesta pesquisa, em 40% dos casos foram utilizados objetos como: abafadores, galhos de árvores, enxadas e outros para debelar o fogo. A utilização de maquinarias como trator com grade, trator com lâmina, trator com pipa, corresponde a 36% dos casos. Já 14% dos proprietários utilizam tanto maquinarias como outras ferramentas para debelar o fogo. Em 5% dos casos, os proprietários utilizam as barreiras naturais como os córregos da região para deter o incêndio e outros 5% deixam queimar naturalmente a vegetação sem se preocupar com a degradação do meio ambiente, como pode ser confirmado na figura 2.

 

Figura 2 – Métodos utilizados para a extinção dos incêndios nas propriedades rurais.

 

4.3 – PRIORIDADES DURANTE OS INCÊNDIOS E COMO OCORRE A AJUDA NO COMBATE AO FOGO.

 

Geralmente os incêndios surgem repentinamente, com os proprietários rurais desprevenidos. Como muitas vezes, fica só o empregado na propriedade, torna-se quase impossível debelar o incêndio quando o mesmo se alastra. Sendo assim, o empregado da propriedade solicita ajuda aos vizinhos, em 32% dos casos. Em outros 32% dos casos, os funcionários da propriedade auxiliam a debelar o fogo, e nos 36% dos casos tem-se atendimento do Corpo de Bombeiros.

É importante o auxílio de alguém no combate aos incêndios, seja dos vizinhos, dos próprios funcionários da propriedade, enfim, qualquer ajuda é de suma importância. Mas, o melhor caminho é o Corpo de Bombeiros, pois, possui estratégias, técnicas e táticas no combate a incêndios em vegetação, podendo orientar as pessoas que residem nas propriedades, através de métodos de combate e também de prevenção aos incêndios.

Também, pode-se acionar a Polícia Florestal, a Secretaria do Meio Ambiente do Município ou algum outro órgão competente para denunciar o incêndio para que as pessoas que colocaram fogo possam responder pelos prejuízos provocados aos proprietários das áreas afetadas e principalmente pelo dano ecológico.

Neste trabalho, indagou-se sobre o que o proprietário rural prioriza dentro da sua propriedade quando acontece um incêndio dentro da propriedade. A minoria dos produtores se preocupa com a vegetação nativa (matas ciliares, reservas legais, etc.), totalizando três dos cinqüentas áreas rurais. A maioria dos proprietários prioriza salvar suas culturas (27 casos), antes da vegetação nativa. Tendo em vista a nossa realidade, com poucas áreas de cerrado, no município de Jataí e região, foi possível verificar que apenas vinte pessoas entrevistadas se preocupam tanto com as culturas quanto com a preservação da vegetação nativa, sendo que estas, parece estarem conscientes da necessidade da proteção do meio ambiente.

 

4.4 – NOÇÃO E EMPREGO DE TÉCNICAS DE PREVENÇÃO DE INCÊNDIOS

 

Existem diversas técnicas de prevenção de incêndios, utilizadas na região, como os aceiros que são empregados de maneira inadequada. A técnica de aceiros empregando maquinaria, corresponde à 24 casos das 50 propriedades pesquisada, como pode ser verificado na figura 3. O aceiro, utilizando maquinaria é insuficiente, devido às grades serem pequenas e porque geralmente passam a máquina uma única vez ao lado da cerca de arame, atingindo uma largura de aproximadamente 2 metros. Muitos agricultores adotam estradas do lado interno da cerca de arame, sendo que a largura do aceiro não segura o fogo no horário de pico, ou seja, no horário de alta temperatura, ou seja, das 12:00 às 16:00 horas.

 


Figura 3 – Formas de construção de aceiro nas propriedades rurais.
 

Já o aceiro manual está sendo utilizado em 14 propriedades das 50, sendo empregado ferramentas como enxada, foice, machados, etc, limpando-se apenas 1 a 2 metros de largura, no máximo, de cada lado da cerca de arame que faz divisa com as margens das rodovias, às vezes apenas para proteger os postes da cerca de arame. Visualmente estes aceiros manuais são estreitos impróprios para segurança contra os incêndios. Houve um proprietário de fazenda que disse: “Eu construí o aceiro, mas não foi o suficiente para segurar o fogo, com o vento forte o fogo pulou”.

Em sete propriedades, os responsáveis já ouviram falar sobre a utilização da técnica de aceiro, mas nunca adotaram como medida de prevenção dos incêndios que ocorreram, sendo que em duas propriedades não adotaram o aceiro por que desconhecem a técnica.

 

4.5 – A ATUAÇÃO DO CORPO DE BOMBEIROS NO COMBATE A INCÊNDIOS NA ZONA RURAL

 

O Corpo de Bombeiros Militar é uma entidade que presta diversos serviços à sociedade e, entre eles, a prevenção e o combate aos incêndios em vegetação.

No que se refere aos 22 incêndios em vegetação, ocorridos nos últimos três anos, 26 pessoas das 50 entrevistadas, opinaram sobre a atuação do Corpo de Bombeiros, sendo que 53% consideraram que o trabalho desenvolvido foi bom, 27% acharam o trabalho excelente, 12% regular e 8% não ficaram satisfeitos com o trabalho executado, classificando-o como péssimo. Das 50 pessoas entrevistadas, 24 não emitiram um conceito quanto ao trabalho desenvolvido pelo Corpo de Bombeiros, devido a não ter conhecimentos sobre os 22 focos de incêndios ocorridos nos últimos três anos, em propriedades.

 

5 - CONCLUSÕES

 

1.      Durante a realização da pesquisa, ficou constatado a incidência de 22 focos de incêndios nos últimos três anos, nas 50 propriedades visitadas,  sendo que estes focos ocorreram no período de estiagem. Dentre as propriedades abordadas, em 15 delas ocorreram incêndios pelo menos uma vez.

2.      Constatou-se que vários produtores rurais adotam medidas de prevenção de forma incorreta, sendo que, a largura do aceiro não é suficiente para proteger as propriedades que se situam às margens das rodovias.

3.      Existem proprietários que não se previnem dos incêndios por falta de clareza no assunto, sendo que já ouviram falar das técnicas de aceiros, mas nunca aplicaram tal prática.

4.      Cerca de 28% dos casos de incêndios, ocorridos na vegetação do cerrado e nas culturas das fazendas, estão relacionados a causas desconhecidas, enquanto 14% foram ocasionados por tocos de cigarros e 2% causados por queimadas para limpeza de áreas.

5.      Dos 22 focos de incêndios, ocorridos nos últimos três anos, 40% foi debelado por objetos e utensílios como: abafadores, galhos de árvores, etc., 36% dos incêndios extintos por máquinas como o trator com grade, trator com lâmina, etc., sendo que o Corpo de Bombeiros foi solicitado apenas em 36% dos casos.

6.      Do universo consultado, 53% das pessoas entrevistadas consideraram que o trabalho desenvolvido pelo Corpo de Bombeiros, em relação ao combate incêndios na zona rural, foi bom.

 

 

7 - ReferênciaS BibliográficaS

 

ART, Henry W. Dicionário de Ecologia e Ciências Ambientais. São Paulo: UNESP, 1998. 583 p.

 

BRASIL. Lei n° 9.605, de 12 de fevereiro de 1998. A lei da natureza: Lei de crimes ambientais. IBAMA - Ministério do Meio Ambiente, dos Recursos Hídricos e da Amazônia Legal. Brasília: IBAMA, 1998. 62 p.

 

COUTO, José Luiz Viana de. Riscos de incêndios florestais. Disponível em: http://www.ufrrj.br/instituto/it/de/acidentes/frames.htm. Acesso em: 13 abr. 2002.

FREITAS, Osvaldo Nunes de; SÁ, José Marques de. Manual Técnico-Profissional para Bombeiro. 4 ed. Brasília: [S.n.], 1994. cap. 01, p. 09-15.

FUNDAÇÃO EMAS. Parque Nacional das Emas. Disponível em: http://www.geocities.com/rainforest/canapy/1240/pne.htm. Acesso em: 14 jan. 2003.

 

GUERRA, Antônio Teixeira. Dicionário Geológico Geomorfológico. 8 ed. Rio de Janeiro: IBGE, 1993. 446 p.

 

MINEIRO, Procópio. Incêndios ameaçam a biodiversidade. Revista Brasileira de Ecologia e Meio Ambiente, Rio de Janeiro: Terceiro Milênio, n 97, ano 11, p. 2-23, out. 2001.

 

NASCIMENTO, Itaboraí Velasco. Cerrado: o fogo como agente ecológico. Disponível em: http://www.altiplano.com.br/fogo.html. Acesso em: 23 out. 2002.

NASCIMENTO, Itaboraí Velasco. O fogo no cerrado. Disponível em: http://www.altiplano.com.br/fogo.html. Acesso em: 23 out. 2002.

 

SILVA, Sebastião Alves da. Meio ambiente. Jataí. 2001. 21 p. (Apostila).

 

SOUZA, Luzia Francisca de. Ecologia do cerrado. Jataí. 2001. 10 p. (Apostila).

 

TEICH, Daniel Hessel. A terra pede Socorro. Revista Veja, São Paulo: Abril n. 33, ano 35, p. 80-87, ago. 2002.