Voltar à Página da AGB-Nacional

 

 

 

 

X SIMPÓSIO BRASILEIRO DE GEOGRAFIA FÍSICA APLICADA

 

 

A FRAGILIDADE AMBIENTAL NO PONTAL DO PARANAPANEMA:

UM ESTUDO DE CASO APLICADO ÀS TAXAS DE INFILTRAÇÃO E À RESISTÊNCIA DO SOLO NA BACIA DO RIBEIRÃO BONITO, NO MUNICÍPIO DE TEODORO SAMPAIO/SP

 

 

ROSANGELA DO AMARAL

JURANDYR LUCIANO SANCHES ROSS

 

 

Universidade de São Paulo / Faculdade de Filosofia, Letras e Ciências Humanas / Departamento de Geografia

Laboratório de Geomorfologia

 

Palavras-chave: Fragilidade Ambiental, Resistência do solo à erosão, Infiltração.

 

Eixo Temático: 3 - Aplicação da Geografia à Pesquisa

Sub-eixo: 3.4 – Aplicações Temáticas em Estudos de Caso

 

 

 

INTRODUÇÃO

 

No último século o Estado de São Paulo sofreu severas mudanças ambientais, intensificadas nas últimas décadas, devido ao crescente desenvolvimento urbano, industrial e aumento populacional. O desmatamento, a poluição, a degradação dos solos e a exploração irrestrita dos recursos naturais têm trazido diversos impactos ao meio ambiente.

O Pontal do Paranapanema, localizado no Oeste do Estado, é uma área degradada, caracterizada por pastagens extensivas em relevo de colinas amplas com intensos processos erosivos. O desmatamento gerado pela ocupação desordenada e irregular, que se deu com a grilagem das terras na região e a construção da ferrovia E. F. Sorocabana, no início do século, acabaram por agravar os processos erosivos dos solos, naturalmente já suscetíveis, já que se localizam em uma área de litologia arenosa.

Todo planejamento deve considerar as potencialidades dos recursos naturais, mas sobretudo as fragilidades diante das diferentes intervenções dos homens na natureza.

O estudo da fragilidade ambiental é aplicado como uma avaliação da evolução e adaptação do sistema natural às novas condições impostas pelo homem.

A pesquisa está baseada no desmatamento e nas características físicas e ambientais locais (geologia, clima, geomorfologia, pedologia, uso da terra, balanço hídrico, pluviometria, etc) e dados coletados e analisados.

 

OBJETIVO E JUSTIFICATIVA

 

Em visita prévia à região do Pontal do Paranapanema, em 1998, constatou-se por observações não-sistemáticas que, embora a área apresente relevos relativamente aplanados, verifica-se a existência de fortes marcas de processos erosivos, o que sugere um ambiente muito frágil.

Diante disso, surgiu o interesse por analisar mais detalhadamente a região, complementando a pesquisa que foi desenvolvida no Trabalho de Graduação Individual e na pesquisa de Iniciação Científica “A Fragilidade Ambiental no Pontal do Paranapanema: Um estudo de caso aplicado à Bacia do Ribeirão Bonito, no município de Teodoro Sampaio/SP”, onde se analisou as fragilidades ambientais naturais frente às intervenções antrópicas na Bacia.

Verificou-se que a fragilidade ambiental natural na relação relevo-solo apresenta potencialidades naturais ao processo erosivo, independente de intervenção antrópica.

A fragilidade ambiental com intervenções antrópicas potencializa a capacidade dos processos erosivos, como ocorre através do desmatamento para fins de implantação de agriculturas e pastagens, ou ainda para implantação de rede viária.

Na Bacia do Ribeirão Bonito ocorrem três tipos de uso da terra: a área restrita ao Parque Estadual do Morro do Diabo, predominantemente de floresta densa; as grandes áreas destinadas às pastagens; e as agriculturas. O Parque será analisado em sua totalidade nesta etapa de pesquisa.

Nesta segunda etapa se propõe buscar outros resultados, porém complementares no nível semântico de pesquisa (LIBAULT, Os quatro níveis da pesquisa geográfica, 1971), representado pela resistência do solo à erosão, a permeabilidade em relação ao escoamento superficial e as taxas de infiltração, superficial e subsuperficial da área com os processos erosivos ali desenvolvidos.

A proposta inicial é coletar e analisar amostras em três situações distintas: em alta vertente, média vertente e baixa vertente, em dois períodos, seco e chuvoso.

Como nesta segunda etapa também se pretende incluir o Parque Estadual do Morro do Diabo em toda sua extensão, serão efetuados os estudos da fragilidade ao longo da Rodovia SP-613, que liga Teodoro Sampaio a Euclides da Cunha e Rosana e próximo às cabeceiras do Ribeirão Bonito, no interior do Parque.

Para a análise da pesquisa e tratamento das imagens de satélite será utilizado o software SPRING 3.6, desenvolvido pelo INPE.

 

ÁREA DE ESTUDOS

 

O município de Teodoro Sampaio está localizado no Pontal do Paranapanema, no oeste do Estado de São Paulo.

O objeto de estudo será a bacia do Ribeirão Bonito (ou da Cachoeira do Estreito) e o Parque Estadual do Morro do Diabo. O Ribeirão é o limite oeste do Parque Estadual do Morro do Diabo com os assentamentos do Instituto de Terras do Estado de São Paulo-ITESP, e localiza-se entre as coordenadas UTM 350.000 e 382.000E e 7.492.000 e 7.528.000N.

Esta bacia constitui importante objeto de estudo por conter variados tipos de uso da terra: a mata restrita ao Parque Estadual do Morro do Diabo e em pequenos fragmentos próximos aos assentamentos, as agriculturas e as pastagens, dominantes na região. A área urbana aparece em pequena quantidade e dispersa.

Em estudos realizados pela Secretaria do Meio Ambiente do Estado de São Paulo (1998), em escala 1:250.000, foi constatado que próximo à nascente dos afluentes da bacia do Ribeirão Bonito existe uma cabeceira de drenagem com erosão acelerada e uma outra área com concentração de ocorrência de ravinas e voçorocas, já anteriormente identificados pelo Instituto de Pesquisas Tecnológicas-IPT (1987). Essas áreas serão objeto de maior investigação neste trabalho.

 

PROCEDIMENTOS METODOLÓGICOS

 

Seguindo e sendo influenciado pela linha metodológica alemã, o conceito de Ecodinâmica proposto por TRICART (1977) é admitido e considerado por ROSS (1994) em “Análise empírica da Fragilidade dos Ambientes Naturais e Antropizados”, cujo escopo é base fundamental deste estudo.

Segundo a metodologia de ROSS (1994), as ações antrópicas, além das características do meio natural, são fundamentais para o entendimento dos processos erosivos e da fragilidade ambiental.

As alterações feitas pelo homem nos componentes da natureza afetam a funcionalidade do sistema e induzem aos processos degenerativos. Normalmente, busca-se o retorno técnico e econômico imediato, sem prognosticar as conseqüências passíveis de ocorrer em longo prazo devido à essas intervenções. Outro agravante é que essas transformações ocorridas ao longo do tempo têm caráter definitivo, ou seja, a natureza jamais se recuperará a ponto de voltar ao seu estado primário.

Desta forma, é importante que as ações antrópicas sejam compatíveis com a potencialidade dos recursos naturais de um lado, e de outro com a fragilidade dos ecossistemas.

Para assegurar a manutenção dos sistemas naturais, o desenvolvimento deve estar inserido no contexto em uma postura conservacionista. ROSS (op. cit.) avalia as fragilidades ambientais naturais aplicadas ao planejamento territorial de caráter ambiental, baseando-se no conceito de Unidades Ecodinâmicas de TRICART (1977).

Sob essas concepções, o ambiente é analisado segundo a Teoria dos Sistemas, que parte do pressuposto de que na natureza os fluxos de energia e matéria se processam por meio de relações em equilíbrio dinâmico. Quando os ambientes estão em equilíbrio dinâmico são estáveis e quando em desequilíbrio são instáveis.

ROSS (1990) elaborou novos critérios para definir as Unidades Ecodinâmicas Estáveis e Instáveis de TRICART. As Unidades Instáveis foram definidas como os ambientes naturais que foram modificados intensamente pelo homem com desmatamentos, agriculturas, industrialização e urbanização, denominadas Unidades Ecodinâmicas de Instabilidade Emergente. As Estáveis são as que estão em equilíbrio dinâmico em seu estado natural, porém, há uma instabilidade potencial contida nelas ante a possibilidade da intervenção antrópica, por isso foram consideradas como Unidades Ecodinâmicas de Instabilidade Potencial. Também foram criadas diferentes categorias para classificar essas Unidades, que vão do grau muito fraco ao muito forte (índices de fragilidade).

A partir destes conceitos buscou-se aplicar a Teoria dos Sistemas e das Fragilidades das Unidades Ecodinâmicas para a análise da Bacia do Ribeirão Bonito e Parque Estadual do Morro do Diabo.

Para avaliar a potencialidade dos recursos naturais são necessários dados de geologia, geomorfologia, pedologia, clima, vegetação e uso da terra. Para análise da fragilidade dos ambientes, estes fatores devem ser analisados integradamente.

Um dos resultados do desequilíbrio ambiental que pode ser verificado na região onde se localiza a área de estudo são as marcas de processos erosivos presentes, como ravinas e sulcos.

Como os processos erosivos respondem à combinação de tipo de solo, relevo, clima e à atividade agropecuária praticada, não há uma fórmula única no seu combate, embora possam ser usadas medidas corretivas distintas.

As características geomorfológicas naturais que potencializam o desenvolvimento de erosão são a declividade e o comprimento da vertente, a amplitude do relevo, a dimensão interfluvial, as formas dos topos, os tipos de vertentes e a densidade da drenagem.

As características pedológicas naturais que intervêm nos processos erosivos são a espessura do perfil de solo, a textura, a gradiência textural do perfil, a permeabilidade e o grau de coesão das partículas.

O potencial natural à erosão é definido pelas características pluviométricas, pedológicas e geomorfológicas combinadas. A instabilidade emergente, definida pelos fatores antrópicos, combina o potencial natural com o uso empregado ao solo.

 

 

PRINCIPAIS REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS

 

ROSS, Jurandyr Luciano Sanches - Análise Empírica da Fragilidade dos Ambientes Naturais e Antropizados, In: Revista do Departamento de Geografia/USP, n.º 8, EDUSP, São Paulo/SP, 1994.

 

TRICART, Jean – Ecodinâmica, FIBGE, Secretaria de Planejamento da Presidência da República, Rio de Janeiro/RJ, 1977.