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X SIMPÓSIO BRASILEIRO DE GEOGRAFIA FÍSICA APLICADA

 

ANÁLISE COMPARATIVA DOS IMPACTOS AMBIENTAIS OCASIONADOS PELOS PERÍMETROS IRRIGADOS  CURU-PARAIPABA E CURU-RECUPERAÇÃO NA BACIA HIDROGRÁFICA DO CURU

 

 

PROF. DR. FÁBIO PERDIGÃO VASCONCELOS-UECE (orientador)

MARIA CLÉA BRITO DE FIGUEREDO-EMBRAPA (co-orientadora)

CRISTIANE ALENCAR LIMA-UECE/FUNCAP- (mestranda) cristianegeo@hotmail.com

 

 

Palavras-chave: agricultura, irrigação e impactos ambientais.

 

Eixo Temático: 3 - Aplicação da Geografia à Pesquisa

Sub-eixo: 3.4 – Aplicações Temáticas em Estudos de Caso

 

 

 

A maior parte do território cearense está inserida no semi-árido, tendo assim papel importante os rios que drenam a região. Geomorfologicamente, as planícies fluviais são as formas mais características de acumulação decorrentes da ação fluvial. Constituem, em geral, áreas de diferenciação regional nos sertões semi-áridos, por abrigarem melhores condições de solos e disponibilidade hídrica (Souza,2000). Esta feição geomorfológica irá acompanhar as maiores e mais expressivas bacias hidrográficas do estado, sendo elas: Jaguaribe, Acaraú, Coreaú, Pacoti, Choró, Curu, entre outras.

Dentre estas, a bacia hidrográfica do rio Curu se destaca, face a sua importância agrícola, sua proximidade a capital do estado, bem como a canalização de recursos para a construção de reservatórios e para o desenvolvimento de atividades agrícolas na década de 60. Ressaltando ainda que a área compõe um dos agropólos inseridos no estado do Ceará. Sua bacia é composta por 13 municípios, sendo eles: Paracuru, Paraipaba, São Luiz do Curu, São Gonçalo do Amarante, Umirim, Itapajé, Pentecoste, Apuiarés, General Sampaio, Paramoti, Caridade, Canindé e Tejuçuoca.  O rio nasce na serra do Machado, percorrendo a direção centro-norte do estado, tendo como divisores o maciço de Baturité e o maciço de Uruburetama.

A área a ser analisada compreenderá, portanto, os perímetros irrigados Curu-Paraipaba e Pentecoste-Recuperação, que estão localizados na área de influência da bacia hidrográfica do rio Curu. Sendo o primeiro composto por 796 irrigantes, ocupando uma área de aproximadamente 3.379 ha e o segundo, por sua vez, composto por 175 irrigantes, ocupando uma área de aproximadamente 743 ha. Salientando que a principais atividades exercidas nos dois perímetros dividem-se em culturas permanentes(coco, banana, graviola, etc.) e culturas temporárias (milho, feijão, mandioca, etc.).

Vale destacar aqui, as atividades agrícolas, como causadoras de impactos ambientais importantes. Podendo ser eles entendidos como: o uso exacerbado da água; a utilização indiscriminada de agrotóxicos na produção agrícola, uma vez que tem o poder não só de contaminar o recurso água (subterrânea e superficiais), como também o solo; uso de tecnologias e manejo inadequado do solo, que podem comprometer a capacidade produtiva da terra, acarretando a salinização do mesmo etc., contribuindo para a agravar a situação sócio-econômica da população, já que a exaustão deste recurso pode ocasionar a estagnação da economia agrícola; entre outros.

Percebe-se, então, que os procedimentos de explotação atualmente utilizados na produção agrícola ocasionam vários tipos de degradação, devido a má utilização dos recursos naturais, que naturalmente já são escassos, haja vista as condições climáticas desfavoráveis da região como um todo, associados à aplicação de modelos inadequados de desenvolvimento econômico que irão implicar diretamente no uso do ambiente de modo não sustentável, não sendo diferente na área em estudo.

Dentro desta perspectiva devemos levantar algumas questões que direcionarão este estudo. As atividades agrícolas desenvolvidas no vale do Curu, essencialmente nos perímetros irrigados, estão sendo assistidas, seja por uma equipe técnica e por um tipo de comitê gestor? Quais as culturas, atualmente produzidas no local? Quais os tipos de irrigação empregados e se esses são apropriados para cada tipo de cultura? Ocorre a utilização de agrotóxicos em larga escala? Os agricultores tem preparação técnica para o manuseio destas substâncias? Os tipos de agroquímicos são adequados para cada cultura empregada? Quais as condições de saneamento básico dentro dos perímetros e nas áreas utilizadas pelos empreendimentos privados, no caso as agroindústrias? Quais os impactos acarretados pelas técnicas utilizadas nos perímetros? Qual a qualidade da água que está chegando nas unidades agrícolas e que tipo de efluentes estão sendo produzidos e estão retornando ao meio ambiente?

Levando em consideração esses aspectos, faz-se necessário um estudo que analise de maneira integrada todos os fatores atuantes na área, ou seja, a análise não compreenderá apenas as condições físicas e sim terá uma visão integradora vinculando as atividades humanas às condições de degradação das áreas que compõem os perímetros. De acordo com Guerra e Cunha (1996) "ao se caracterizar processos físicos, com degradação ambiental, deve-se levar em consideração critérios sociais que relacionam a terra com seu uso, ou pelo menos com o potencial de diversos tipos de usos".

Enfim, trata-se de um levantamento das condições atuais dos usos da terra para fins agrícolas, para que este ambiente seja melhor entendido e preservado. Não se quer aqui frear o desenvolvimento econômico local, resguardando o meio ambiente de qualquer forma de exploração e posterior explotação. Mas sim, temos que respeitar determinados limites deste meio, utilizando-o de maneira racional, para até mesmo defender os interesses das gerações que ainda estão por vir.Com esse diagnóstico será possível a percepção da realidade dentro de uma perspectiva holística e assim capaz de subsidiar um programa de manejo as áreas onde são exercidas as atividades produtivas.

Este estudo tem como objetivo geral avaliar de modo comparativo os impactos ambientais ocasionados pelos perímetros irrigados Curu- Paraipaba e Curu-Recuperação instalados na bacia hidrográfica do rio Curu, bem como propor medidas mitigadoras para os efeitos negativos encontrados.

Para o alcance deste objetivo geral, foi sistematizado um conjunto de objetivos específicos, são eles:

v     Caracterizar detalhadamente e avaliar as condições geoambientais dos dois perímetros irrigados, compreendendo ,portanto, a área em estudo;

v     Levantar dados sobre as condições de saneamento básico, infra-estrutura e tipos de tecnologias que os irrigantes detém nos dois perímetros;

v     Caracterizar a qualidade físico- química e bacteriológica da água que chega aos perímetros irrigados e posteriormente identificar os principais agentes antrópicos poluidores;

v     Avaliar a qualidade dos efluentes relacionados com os perímetros irrigados, afim de apontar se os mesmo constituem agentes degradadores da bacia hidrográfica;

v     Identificar quais os tipos de culturas realizados na área, quais os métodos e técnicas de irrigação utilizados para cada uma delas;  

v     Analisar a qualidade dos solos nos perímetros irrigados quanto a contaminação por metais pesados, provenientes do uso indiscriminado de fertilizantes e pesticidas;

v     Confeccionar mapas georeferenciados capazes de indicar as condições atuais dos dois perímetros irrigados, áreas poluídas, degradação, e demais problemas ambientais identificados na área em estudo;

v     Sugerir alternativas de sustentabilidade ambiental que possam ser viabilizadas pelo poder público e as comunidades envolvidas nos empreendimentos agrícolas.

Para que sejam concretizados os objetivos acima especificados, serão utilizados os métodos propostos abaixo, compreendendo três fases:

Etapas de Gabinete: fazer inicialmente um levantamento bibliográfico e cartográfico, compreendendo trabalhos e relatórios já realizados, de forma a reunir o máximo de informações da  área em estudo, em diferentes períodos de tempo, bem como a confecção do relatório final.

 

Etapas de Campo:

compreenderá idas a campo inicialmente para o reconhecimento da área e marcação dos pontos de coleta, utilizando diário de campo e GPS; aplicação de questionários com os produtores agrícolas, componentes dos diferentes perímetros, após a definição de uma amostra, partindo da identificação dos irrigantes cadastrados nos projetos de irrigação disponibilizados pelo DNOCS (Departamento Nacional de Obras contra a Seca), visando levantar o tipo de atividades desenvolvidas e o modo como são empregadas; coleta de água e solos, que serão posteriormente acondicionados em embalagens plástica bem vedadas, afim de preservar suas características naturais e não haver intervenção durante o transporte, e em seguida encaminhadas ao laboratório, sendo analisadas com técnicas adequadas; identificação das principais fontes poluidoras através de documentação fotográfica, utilizando máquina digital e diário de campo.

 

Etapas de Laboratório:

tabulação dos questionários, utilizando programa Excel; análise bacteriológica, alcalinidade, PH da água utilizando a técnica recomendada pela CETESB, 1998. Sendo realizadas no Núcleo de Análises e Monitoramento da Semace (Secretaria  do Meio Ambiente do Estado do Ceará); análises das amostras de solos nas diferentes culturas identificadas em campo, de modo a identificar os principais metais pesados associados ao sedimentos, através da digestão com ácidos para a obtenção das concentrações dos referidos metais; confecção de tabelas e gráficos para análises dos resultados físico-químicos da água e dos sedimentos, também com a utilização do programa Excel: elaboração de mapas georeferenciados usando escala de 1:50.000, localizando os impactos ambientais na área coma utilização de programa como Auto Cad Map 2000, Corel Draw e  imagens de satélites de diferentes datas.

 

 

REFERENCIAL BIBLIOGRÁFICO

 

BRANCO, S.M., 1993- Água: Origem, Uso e Preservação. Editora Moderna. São Paulo. 71p

 

EIA-RIMA, 1998- Estudo de Impacto Ambiental/Relatório de Impacto Ambiental. Projeto Curu-Paraipaba – 3ª Etapa.Vol. VII e VIII.

 

ELIAS, DENISE e outros, 2002- O Novo Espaço da Produção Globalizada: O Baixo Jaguaribe- CE. Editora FUNECE. Fortaleza. 363p.

 

GUERRA, A. J. T.; CUNHA, S. B. (organizadores), 1996- Geomorfologia: Uma atualização de Base e Conceitos. Editora Bertrand Brasil. Rio de Janeiro. p. 211-307.

 

KEMPER, K. E., 1997- O Custo da Água Gratuita. Alocação e Uso dos Recursos Hídricos no Vale do Curu, Ceará, Nordeste Brasileiro. Tradução Marcos Felipe. Linköping. 245p.

 

VARELA, C.A.S, 1987- Poluição em Águas Continentais. Alternativas de Controles de Resíduos Líquidos Industriais. EDUFMA. São Luís, Ma. 66p.

 

Marco Zero 25- Levantamento Sócio-Econômico do Perímetro Irrigado Curu-Paraipaba.2002. Paraipaba, Ce.