Voltar  Pgina da AGB-Nacional

 

 

 

X SIMPSIO BRASILEIRO DE GEOGRAFIA FSICA APLICADA

 

VULNERABILIDADE POPULACIONAL DESASTRES TECNOLGICOS NA

REA URBANA DE JUIZ DE FORA MG.

 

 

Lcio Flvio Zancanela do Carmo lucio.geo@bol.com.br

Geraldo Csar Rocha geraldo@ichl.ufjf.br

Universidade Federal de Juiz de Fora 

 

 

Palavras-chave: riscos tecnolgicos cidade populao

 

Eixo: Aplicao da Geografia Fsica Pesquisa

Sub-eixo: Aplicaes Temticas em Estudos de Casos

 

 

INTRODUO

 

O presente trabalho foi realizado na cidade de Juiz de Fora-MG, considerada uma cidade de mdio porte. Segundo o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatstica (IBGE), no censo de 2000, Juiz de Fora detinha um contingente populacional de 456.796 habitantes. Esta cidade considerada plo da Zona da Mata Mineira, posio que se deve ao fato de Juiz de Fora ter sido uma das primeiras cidades a introduzir o processo de industrializao no pas. A partir deste processo e at hoje, a cidade oferece servios variados a muitas cidades da  Zona da Mata Mineira e de outras regies.

Juiz de Fora oferece hoje, entre outros servios, uma rede hospitalar com especialidades variadas e equipamentos modernos. Possui tambm um eficiente setor de ensino que abrange do fundamental ao universitrio, contando com estabelecimentos pblicos, tradicionais colgios, faculdades pblicas e particulares. A cidade ainda dispe de uma moderna rede bancria que atende a grandes e pequenos investidores e uma diversificada oferta comercial.

neste sentido que Juiz de Fora, praticamente desde sua fundao, em 1853, ainda com o nome de Santo Antnio do Paraibuna, vem atraindo pessoas de toda regio da Zona da Mata Mineira e de outras regies.

Esta populao dispe de facilidades de produo modernas e artesanais, usos de diferentes meios de transporte e equipamentos tecnolgicos, que proporcionam facilidades na vida urbana, cada vez mais as populaes de mdias e grandes cidades esto familiarizadas com equipamentos tecnolgicos, e j no conseguem viver sem estes. Os equipamentos que facilitam suas vidas tambm deixam esta populao vulnervel aos chamados acidentes tecnolgicos, que podem ocasionar exploses, vazamentos de materiais txicos, entre outros desastres. Estes riscos tecnolgicos podem ser caracterizados pela combinao de freqncia e conseqncia de um evento no desejvel causando perdas humanas, materiais e ambientais e sendo disparado por elementos tecnolgicos.

 Existem alguns riscos tecnolgicos mais fceis de se perceber que outros, pelo fato de que suas manifestaes so mais visveis e se transformam em ocorrncia de algum acidente ou desastre. O risco latente algo que nos acompanha no dia a dia, e que muitas vezes supomos estar sendo controlados pelos responsveis diretos por este risco. Os dutos de transporte de gs, as linhas de distribuio eltrica, os depsitos de combustveis, os depsitos com resduos patolgicos, a produo de gases, a presena de bactrias na gua de consumo humano, e outros elementos que possam causar danos para a populao e o ambiente. Estes riscos, logo so convertidos em perigo e ameaa, o que resulta em objeto de conhecimento para que as comunidades possam interpretar melhor os danos que estes possam ocasionar, se no forem devidamente controlados, administrados e gestionados. (BRASTCHI, G. E. 2001). A exemplo disto pode-se recordar das grandes exploses que ocorreram em Guadalajara e na cidade do Mxico associadas a produo de petrleo, a exploso de uma grande fabrica de fogos de artificio tambm na cidade do Mxico. No Brasil vrios exemplos como o recente acidente em uma fbrica de papel na cidade de Cataguases/MG, onde uma represa de efluentes industriais rompeu-se comprometendo o ecossistema aqutico do rio Paraba do Sul, ou o derramamento de derivados de petrleo na Baia de Guanabara dentre outros acontecimentos. Um exemplo que ficou marcado na histria foram os acidentes de Chernobyl e Bhopal, que demostraram o perigo associado ao uso inadequado de elementos tecnolgicos.   

Os estudos sobre percepo de riscos iniciaram-se ao final dos anos 70 e incio dos anos 80. Isto representou tanto uma critica perspectiva utilitarista e ao paradigma do ator racional como a concepo elitista de democracia (...)(FREITAS & GOMES, 1997). Esta concepo tem por base as premissas de que os cidados no so considerados capazes de julgar o que melhor para os prprios interesses e de que devem manifestar f e lealdade para com o sistema e suas elites tecnocientficas e sociopolticas estas, sim, capazes de realizar os melhores julgamentos para a maximizao de ganhos para todos (FREITAS & GOMES).       

Sem dvida nenhuma, esta populao tem o direito de saber os tipos de riscos a que est sujeita, pois s assim que se concretiza a real cidadania de uma populao com a construo de uma cultura de segurana, que seja orientada por tcnicos especializados.

Em 1999, o Departamento de Geocincias, criou um ncleo de Zoneamento e Riscos Ambientais, com o intuito de difundir esta cultura de segurana, contribuindo com inmeros estudos de diferentes tipos de riscos, principalmente na rea urbana de Juiz de Fora. 

Assim, percebendo que a populao juizforana esta sujeita a estes tipos de acidentes, surge a idia de espacializar e quantificar os diferentes nveis de riscos tecnolgicos existentes em uma rea piloto da mancha urbana de Juiz de Fora, pois j h algum tempo a populao vem sendo atingida por acidentes deste tipo, ocasionando perdas materiais humanas e ambientais.

Porem, entender o risco e medir, analisar ou quantificar suas expresses sociais e territoriais, no somente necessrio; tambm preciso a busca da preveno e da mitigao desse risco. Esta compreenso se converte em um pilar necessrio para a planificao adequada e dotao de recursos conseqentes com as possveis necessidades durante tempos de desastres e reconstruo ps-desastres nos centros urbanos. Sem entender o problema do risco impossvel o planejamento adequado.

A chave para a reduo do risco est no entendimento do risco mesmo, na educao sobre ele, e na participao decidida e comprometida de todos os atores sociais, privados e pblicos. (ROCHA, 2002)   

 

Objetivos

 

O presente estudo tem como finalidade criar um banco de dados digital, com as informaes necessrias para avaliar as vulnerabilidades tecnolgicas existentes em uma rea piloto da cidade de Juiz de Fora/MG. A partir da criao deste banco de dados, produziu-se um srie de cartogramas gerando com os posteriores cruzamentos e avaliaes, informaes que tornar mais fcil a visualizao dos potenciais riscos, pois desta forma estaro espacializados e georreferenciados.  

Este tipo de trabalho de fundamental importncia no que diz respeito a elaborao e implantao de tcnicas de planejamento urbano e ambiental para uma determinada rea ou cidade. Pois se este estudo for levado em considerao pelos rgos municipais competentes, tais como, Secretarias de Planejamento Estratgicos e Defesa Civil, muitos dos meios e esforos sero economizados, possibilitando uma melhor gesto urbana da cidade de Juiz de Fora.   

Alm de subsidiar rgos de planejamento municipal, a avaliao dos riscos tecnolgicos pode servir de instrumento na construo da percepo dos riscos por parte da comunidade, pois conhecendo a que tipo de riscos est exposta, esta comunidade poder convier melhor com este risco, podendo assim exercer sua cidadania e exigir seus direitos  perante o governo local.

 

Materiais e Mtodos

 

A avaliao da vulnerabilidade populacional riscos tecnolgicos foi realizada com o emprego de tcnicas de Geoprocessamento, utilizando a metodologia de Anlise Ambiental por Geoprocessamento (XAVIER-DA-SILVA, 1992).

Como a avaliao de riscos tecnolgicos um estudo muito novo em nosso pas, com pouca diversificao de tcnicas, decidiu-se trabalhar com uma rea piloto em escala de 1:30.000 possibilitando um levantamento ideal de detalhes para este tipo de avaliao. A rea Piloto escolhida compreende toda parte central da cidade e seus arredores, totalizando cinqenta e trs regies urbanas estudadas. Esta escolha foi muito estratgica, pois uma rea considerada de tamanho ideal para a realizao de um estudo percursor como este, alm de que grande parte dos fatores de riscos tecnolgicos existentes na cidade estavam dentro desta rea.    

A metodologia utilizada para esta avaliao, levou em conta duas frentes de trabalho, mtodo que j foi utilizado e aprimorado em outros trabalhos realizados no Laboratrio de Geoprocessamento Aplicado (LGA/UFJF).

1 -  Pr-Geoprocessamento: aquisio de dados

2 - Geoprocessamento dos dados, e obteno de seus produtos e resultados em campo.

O Pr-Geoprocessamento consistiu na scannerizao de bases (mapas) pr-existentes do Plano Diretor de Desenvolvimento Urbano de Juiz de Fora (IPPLAN, 1996). Aps a digitalizao destes mapas, os mesmos passaram por tratamento cartogrfico, onde suas diferentes escalas foram ordenadas em uma nica escala, para que assim todos os layers apresentassem as mesmas modulaes nos eixos X e Y para eventuais cruzamentos e avaliaes e um georeferrenciamento exato e nico. A escala utilizada para este mapeamento foi de 1:30.000 e sua resoluo de 6 metros.

A partir desta fase partimos para a vetorizao dos diferentes elementos existentes no espao geogrfico delimitado por esta rea piloto. Para esta vetorizao foi utilizado o programa CorelDraw verses 9 e 10 (software grfico e vetorial). Terminado o tratamento e vetorizao dos cartogramas, foi dada a entrada destes em um Sistema de Informaes Geogrficas, sendo que para este estudo, foi utilizado o Sistema de Anlise Geo-Ambiental SAGA/UFRJ, desenvolvido por XAVIER-DA-SILVA (1992). Aps trabalhados nos mdulos Montagem e Traador vetorial, componentes do SAGA/UFRJ, os cartogramas transformaram-se em bases digitais de dados georreferenciados.

Para iniciar a segunda fase que o Geoprocessamento dos dados, tinham-se que definir qual seriam os elementos classificados como fatores de risco tecnolgicos, para isto foi levado em considerao os que mais representam uma ameaa para a populao e o ambiente. Estes fatores so: depsitos de combustveis, depsitos de materiais de alta periculosidade (inflamveis, radioativos, patognicos e de munies), dutos (gua, leo e gs), corredores de risco (Av. Baro do Rio Branco, Av. Independncia, Av. Brasil e a Ferrovia).

Agrupado todos estes elementos em um s cartograma, denominado Fatores de Riscos Tecnolgicos (anexo, mapa 1), iniciou-se a avaliao dos diferentes nveis de riscos tecnolgicos.  Esta avaliao foi feita atravs da intensidade de fatores por quadrante, isto quer dizer que, dividiu-se o mapa em quadrantes de 36 hectares cada, rea de tamanho ideal para esta avaliao e compatvel com a matriz lgica do mapa. Cada quadrante foi analisado da seguinte forma: os quadrantes que apresentam maior nmero de fatores de risco, representaram uma maior ameaa e os quadrantes que apresentam menor nmero de fatores, representaram uma ameaa menor e assim sucessivamente. Com a realizao desta avaliao foi produzido o mapa intitulado Nveis de Riscos Tecnolgicos em rea Piloto de Juiz de Fora/MG (anexo, mapa 2). Os nveis de risco foram divididos em cinco classes: altssimo risco, alto risco, mdio risco, baixo risco e baixssimo risco, esta classificao foi feita respeitando normas internacionais utilizadas na avaliao de riscos.

Utilizando os dados populacionais do Censo Demogrfico de 2000 do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatstica (IBGE 2000), para classificar as regies urbanas existentes na rea piloto, segundo sua densidade populacional bruta e assim elaboramos um mapa com a temtica Densidade Populacional em rea Piloto de Juiz de Fora/MG (anexo, mapa 3), tambm com o auxlio do SIG.

Com o trmino da produo destes cartogramas citados acima, o banco de dados digitais da rea em estudo, para o objetivo proposto, estava completo e assim deu incio o cruzamento das informaes contidas nos seguintes cartogramas: Nveis de Riscos Tecnolgicos em rea Piloto de Juiz de Fora/MG e Densidade Populacional em rea Piloto de Juiz de Fora/MG. Desta forma, tinha-se informaes capazes de avaliar o quanto de populao est vulnervel aos diferentes nveis de risco tecnolgico existentes na rea estudada.

O cruzamento foi realizado pelo mdulo Avaliao Ambiental do Sistema de Informaes Geogrficas, SAGA/UFRJ, tcnica aplicada a estudos de riscos realizados no LGA/UFJF. Com o sistema de pesos (0 100%) e notas (0 10), dados respectivamente aos dois cartogramas e as categorias e/ou legendas, foi dado incio ao cruzamento dos planos de informao, possibilitando assim o carter avaliativo/qualitativo do estudo.

Esta avaliao e/ou cruzamento realizou-se da seguinte forma: o cartograma de nveis de risco teve maior percentual de peso sobre que o de populao. No que diz respeito as categorias (legendas), os nveis de risco mais altos receberam notas mais altas e os nveis mais baixos receberam notas mais baixa, j no mapa de densidade populacional, as maiores densidades receberam notas maiores e as menores notas menores.

Para poder nortear melhor as nossas tomadas de deciso, elaboramos uma rvore de Deciso contendo os planos de informao e seus respectivos cruzamentos.. Esta rvore est representada no diagrama abaixo:  

 

 

RESULTADOS E DISCUSSO

 

Aps as etapas de Pr-Geoprocessamento (montagem das bases georreferenciadas) e Geoprocessamento (cruzamento e/ou avaliao dos planos de informao), foi elaborado o  mapa intitulado Vulnerabilidade Populacional Desastres Tecnolgicos em rea Piloto de Juiz de Fora/MG (anexo, mapa 4), contendo cinco categorias (legendas) de anlise da vulnerabilidade populacional, que so: baixssima, baixa, mdia, alta e altssima vulnerabilidade.

Em relao ao mapa dos nveis de risco, ficou bem claro que grande parte da mancha urbana apresenta nveis preocupantes de riscos tecnolgicos. Para obter dados numricos sobre os diferentes nveis de risco existentes na rea de estudo, foi utilizado o Mdulo Assinatura Ambiental do SAGA/UFRJ, este quantificou em hectare e a porcentagem  de cada um dos nveis (categorias). Os dados obtidos por esta assinatura esto representados no grfico 1,  abaixo:

 

 

Grfico 1:

 

A rea piloto em questo apresenta um total de 3624,6888 hectares. Observando os dados contidos no grfico 1, pode-se observar que grande parte desta rea esta ocupada por baixo e baixssimo risco, mas os nveis mdio e principalmente alto e altssimo representam uma grande parcela da rea, somando as categorias alto e altssimo, tem-se um total de 114,08 hectares e boa parte destes nveis esto na parte mais central e povoada da cidade, mostrando assim, a perigosa realidade em que encontra-se a populao e o ambiente da cidade de Juiz de Fora.

Como j foi citado anteriormente, com o cruzamento dos cartogramas de densidade populacional e nveis de risco, obtive-se um mapa onde se avaliou os diferentes nveis de vulnerabilidade riscos tecnolgicos em que se encontra a populao existente nesta rea estudada. Observando este mapa, percebe-se que, as reas mais vulnerveis encontram-se nas partes centrais e de alta concentrao residencial. Aliado a concentrao residencial, deve-se levar em considerao que diariamente existe uma grande populao flutuante freqentando o centro comercial da cidade, que est caracterizado no mapa com altos nveis de risco, aumentando a vulnerabilidade desta populao.

Utilizando novamente o Mdulo Assinatura Ambiental (SAGA/UFRJ), quantificou-se os diferentes nveis de vulnerabilidade (categorias) encontrados na mapa. Os resultados encontrados esto representados no grfico 2, abaixo:

 

Grfico 2

 

Com os dados do grfico 2, percebe-se que as legendas baixa e baixssima vulnerabilidade representam uma grande rea do mapa, mas a preocupao com as categorias mdia e principalmente alta e altssima. Somando-se as vulnerabilidades alta e altssima tem-se um total de 279,81 hectares, isso eqivalendo a aproximadamente 280 campos de futebol. O que deve ser levado em conta que esta rea citada acima caracterizada pela juno dos altos nveis de  risco tecnolgico com altas densidades populacionais, acarretando uma ameaa eminente as pessoas que residem e passam por estas reas.

Este estudo mais uma bibliografia relevante para a realizao de projetos envolvendo o planejamento e gesto urbano e ambiental de Juiz de Fora, pois o mesmo espacializa reas propicias desastres disparados por elementos tecnolgicos. 

    

ANEXO

 

Mapa-1.

 

Mapa-2.

 

 

Mapa-3.

 

 

Mapa-4.

 

BIBLIOGRAFIA

 

        BRASIL. Censo demogrfico 2000. Rio de Janeiro: IBGE, 2000.

 

BRASTCHI, G. E. in: EIRD Informa. Prevencin-Mitigacin de Riesgos Tecnolgicos en Nuestra Regin Desde la Comunicacin Estrategica. Amrica Latina el Caribe. n. 2. 2001.

 

CARMO, L. F. Z., LATUF, M. O. & ROCHA, G. C. Mapeamento e Avaliao, por Geoprocessamento, de Condicionantes Geolgicas de Riscos a Escorregamento na rea Urbana de Juiz de Fora, MG. In: XIII Encontro Nacional de Gegrafos, 2002, Joo Pessoa, Livro e CdRom de artigos

 

LAVELL, A. Gestin de Riegos Ambientales Urbanos. In: Curso Centroamericano de Gestin Urbana. San Salvador, El Salvador: ed. LA RED, 2001.  

 

PREFEITURA MUNICPAL DE JUIZ DE FORA. Plano Diretor de Desenvolvimento Urbano de Juiz de Fora: ed. Concorde, PF/JF, 1996.

 

GUERRA, A. T., CUNHA, S. B. Impactos Ambientais Urbanos no Brasil. Rio de Janeiro: ed. Bertrand Brasil, 2001.

 

ROCHA, C. H. B. Geoprocessamento: Tecnologia Transdisciplinar. Juiz de Fora: Ed. do Autor, 2000.  

 

ROCHA, G. C. (org) Gesto Ambiental em Municpios: Riscos e Impactos Ambientais. Apostila do Curso de Especializao Ambiental em Municpios. Juiz de Fora: UFJF, 1999.

 

 XAVIER-DA-SILVA, J. SGIs Uma Proposta Metodolgica. Curso de Especializao em Geoprocessamento. Rio de Janeiro: LAGEOP, vol. 4, 1992.