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X SIMPÓSIO BRASILEIRO DE GEOGRAFIA FÍSICA APLICADA

 

 

Caracterização do Ambiente Físico com Ênfase na Descrição e Análise de Solos Destinados a Implementação da Cultura do Abacaxi no Semi-Árido Baiano: O caso de Itaberaba - BA.

 

 

João Henrique Moura Oliveira

Pallas Pina Brito

Marcelo Oliveira Santos Figueiredo

Joselisa Maria Chaves

Carleandro Dias

Quitéria Elias Pereira
 

 

Palavras-chave: Meio físico, solos, produção agrícola.

Eixo Temático: 3 - Aplicação da Geografia à Pesquisa

Sub-eixo: 3.4 – Aplicações Temáticas em Estudos de Caso

 

 

 

 

1. INTRODUÇÃO

 

A Geografia estuda a sociedade e a atuação desta sobre o ambiente, configurando-se como a ciência que procura a estruturação, a ordem espacial dos aspectos fisiográficos e socioeconômicos. Assim, nessa perspectiva de compreensão e interpretação do espaço geográfico constata-se a importância do ambiente físico para a produção agrícola evidenciada ao longo da História da humanidade, percebida especificamente quando se trata do solo, pois o homem aprendeu a utilizá-lo com o decorrer dos anos sempre procurando implementar práticas agrícolas e melhoramento das técnicas a fim de obter maior produtividade, sempre numa abordagem de gerir e explorar o território extraindo do solo subsídios para apropriação e desenvolvimento do espaço geográfico. Dessa forma, procurar caracterizar o ambiente físico enfocando os aspectos pedológicos numa área com produção de abacaxi no município de Itaberaba (BA) é de suma importância, visto que, a introdução dessa cultura em determinadas porções do território municipal vem resultando numa nova dinâmica sócio-econômica-territorial.

 

2. MATERIAL E MÉTODO

2.1. ÁREA DE ESTUDO

 

A área de estudo escolhida para o trabalho de campo está situada às margens da estrada vicinal que dá acesso ao povoado de Guaribas distanciando de 6 a 10km da cidade de Itaberaba, na porção norte do município. Este se localiza entre as coordenadas geográficas 12º 10’ a 12o 50´ de latitude Sul e 39o 50´ a 40º 40’ de longitude oeste, com altitude média de 280m (Figura. 1). O município Itaberaba situa-se na porção centro leste do estado da Bahia, com uma área de 2.104 km2 está inserido na bacia do rio Paraguaçu, nas áreas correspondentes ao Pediplano Sertanejo, possuindo serras correspondendo aos patamares do médio Paraguaçu. Dessa forma, insere-se no domínio morfoclimático Semi-árido (CEI, 1994). Pertencendo a região Econômica e Planejamento do Paraguaçu (para fins de planejamento do Governo do Estado) e micro região homogênea de Itaberaba (IBGE). Possui uma população rural de 14.426 pessoas de 44.517 pessoas nas áreas urbanas (SEI, 2001).

 

 

 Figura 1- Mapa de localização da área de estudo. Em detalhe o município de Itaberaba (BA) Fonte: CBPM (2003).

 

2.2. DADOS

 

Para a efetivação da pesquisa foram utilizados os seguintes dados: i) Projeto RADAMBRASIL, Folha SD. 24 - Salvador, tanto o texto explicativo como os mapas de Geologia, Geomorfologia, Pedologia e Vegetação, escala 1:1.000.000; ii) Novo Sistema Brasileiro de Classificação de Solos (EMBRAPA, 1999a); e, iii) Carta topográfica confeccionada pela SUDENE (1977), folha Rui Barbosa (SD. 24-X-B-I), escala 1:100.000, a qual abarca a área onde realizou-se o trabalho de campo.

 

2.3. MÉTODO

 

A estruturação do trabalho foi dividida em duas etapas. A primeira em campo onde se constituiu na caracterização do meio físico, seguido da descrição morfológica de dois perfis de solos, baseado em LEMOS (1984), onde foi utilizada pá, enxadete, trena, bússola, pipeta, faca, caderneta de anotações e máquina fotográfica. Após a descrição morfológica dos perfis foram coletadas amostras dos horizontes identificados para a análise textural com a finalidade de verificar as porcentagens de frações de areias, silte e argila, sendo necessário à utilização das peneiras específicas. Posteriormente, criou-se o gráfico de análise textural, plotagem elaborada no diagrama ternário textural a fim de obter as principais frações granulométricas de cada horizonte. Foram realizadas também testes do pH.

A segunda etapa do trabalho constou da integração e interpretação dos dados obtidos e analisados, tanto com os dados de campo como em laboratório. Foram descritas as características das classes de solos existentes no território municipal, a fim de inferir os tipos de solos, além de comparar se estes solos eram similares a outros solos onde se cultiva o abacaxi no Brasil, e sua aptidão para a produção do abacaxizeiro, considerando a inter-relação com as características físicas ambientais.

 

3. CARACTERIZAÇÃO FISIOGRÁFICA

 

No que concerne a caracterização do ambiente físico da área, onde está inserida a plantação do abacaxi, a região corresponde à unidade geológica do Complexo Jequié, datado do Pré-Cambriano Inferior, constituído por rochas granítica-gnaíssicas, compondo as feições características do domínio morfoclimático Semi-árido brasileiro em áreas do Pediplano Sertanejo oriundo de aplainamento, cuja gênese estar relacionado às oscilações climáticas do Plio-Pleistoceno (RADAMBRASIL, 1981). Apresenta relevo plano a suave ondulado, com presença de lajedos e campos de matacões ladeado por serras marginais, com vertentes íngremes, drenagem exórreica, possuindo cursos d’água intermitentes com padrão basicamente dendrítico.

Os aspectos climáticos conjugados aos fatores geográficos locais e regionais produzem um clima semi-árido cuja temperatura média anual é de 23.9o C, com amplitude térmica anual média de 9.5o C, apresenta uma pluviosidade extremamente irregular com precipitações mal distribuídas durante o ano (mín.152mm, máx.1494mm, média 744mm), havendo, entretanto, uma concentração pluviométrica nos meses que seguem o solstício de verão no Hemisfério Sul. Concomitantemente a esse processo temos nos meses seguintes um período de longa estiagem caracterizando a área com risco de seca elevada.(CEI, 1994)

 

3.1. ASPECTOS PEDOLÓGICOS DA ÁREA DE ESTUDO

 

No município de Itaberaba constata-se diferentes manchas de solos dispostas no seu território (CEI, 1994 e RADAMBRASIL, 1981). Adaptando para o Novo Sistema Brasileiro de Classificação dos Solos (EMBRAPA, 1999a), as classes de solos encontradas são: i) LATOSSOLO VERMELHO-AMARELO DISTRÓFICO - solos constituídos por material mineral, apresentando horizonte latossólico, com horizonte B com saturação de bases baixa (V<50%); ii) PLANOSSOLO SOLÓDICO EUTRÓFICO - possui horizontes B textural, com mudança textural abrupta do horizonte A para o Bt, eutróficos. Os Planossolos são solos podzolizados que apresentam drenagem deficiente devido principalmente a um horizonte de grande compactação, com grande conteúdo de argila, isto se deve a meteorização “in situ” de partículas de silte; iii) ARGISSOLO VERMELHO-AMARELO EUTRÓFICOsão solos constituídos por material mineral, apresentando horizonte B textural, com saturação por bases alta (V³50%). Estes solos se apresentam na área em relevo plano, suavemente ondulado, forte ondulado e montanhoso. A utilização desses solos para agricultura pode sofrer restrições em função do caráter que ele apresentar, nas classes de relevo, da ocorrência de fase pedregosa e das condições climáticas da região (RADAMBRASIL, 1981) (iv) NEOSSOLOS REGOLITÍCO EUTRÓFICOSolos pouco evoluídos e sem horizonte B diagnóstico tendo o horizonte A sobrejacente a horizonte C ou Cr; apresenta contato lítico a uma profundidade maior que 50 cm com saturação por bases alta (V³50%) na maior parte dos primeiros 120 cm da superfície do solo ou até um contato lítico; v) NEOSSOLOS LITÓLICOS EUTRÓFICOSSolos pouco evoluídos e sem horizonte B diagnóstico com horizonte A ou O hístico com menos de 40 cm de espessura, assentando diretamente sobre a rocha ou sobre um horizonte C ou Cr ou sobre material com 90% (por volume), ou mais de sua massa constituída por fragmentos de rocha com diâmetro maior que 2 mm (cascalhos, calhaus e matacões) possui alta saturação por bases (V³50%) em pelo menos um horizonte dentro de 50 cm da superfície do solo.

 

3.2. aspectos edafo-climáticos DE ÁREAS PRODUTORAS DE ABACAXI

 

As principais regiões produtoras de abacaxi no mundo, se localizam em sua maioria na zona intertropical da Terra, compreendendo a latitudes de 0 a 25º no Hemisfério Norte e Sul,

tendo o clima e o solo se constituindo como os principais fatores para o desenvolvimento do abacaxizeiro em plantio comercial ou doméstico. A pluviosidade média anual para a produção de abacaxi no mundo pode atingir índices variando de 575 a 3215 mm/ anuais.

O solo de boa qualidade para produção do abacaxi é aquele que pode eliminar rapidamente o excesso de água e renovar a sua atmosfera. Assim, a permeabilidade é a principal característica favorável do solo, sendo que a morfologia das raízes depende muito das características físicas do solo (aqui entendido enquanto um organismo vivo, dinâmico e em contínua evolução) posto que, o abacaxizeiro tem um sistema radicular muito superficial e frágil onde as maiorias das raízes estão nos primeiros 25 a 35 cm do solo, na região tropical o que limita o cultivo é a falta de permeabilidade do solo, pois, esta controla o movimento de água no terreno (EMBRAPA, 1999b).

 

3.3. ASPECTOS AGRONÔMICOS DO ABACAXIZEIRO

 

O abacaxi, fruto originário da América Tropical e Subtropical cuja família é das bromeliáceas, gênero Ananás e Pseudo Ananás, onde a variedade da espécie define o comprimento, forma da folha e do fruto, teve uma produção mundial estimada em 12.7 milhões de toneladas para 1998, sendo que 51.70% são produzidos na Ásia. A Índia em 1998 produziu 1 milhão e 100 mil toneladas. O abacaxi foi organizado em doze variedades, tais como: Boituva, Caiena Liso, Espanhol Roxo, Espanhol Singapura, Hilo, Jupi, Pérola, Perola, Primavera, Monte Lírio, Queen, Rondon. Sendo o cultivar Pérola de grande importância para o Brasil, visto que, ele é valorizado principalmente pela pouca acidez dos frutos, um bom teor de sólidos solúveis totais/acidez total, contém muito suco, sendo a preferida dos brasileiros para o consumo ao natural (MANICA, 1999).

 

4. RESULTADOS E DISCULSSÃO

 

O solo é um dos componentes fundamentais do ambiente físico do semi-árido baiano, cuja gênese, segundo BIGARELLA (1996), está estritamente relacionado à interação de processos pedogenéticos com fatores ambientais envolvendo as variáveis: material de origem, clima, organismos vivos, relevo e tempo. Para a área estudada os aspectos de caráter físico foram descritos fisiograficamente em âmbito regional sendo enfatizado os aspectos pedológicos. Em âmbito local, a caracterização pedológica foi realizada por meio da descrição morfológica em campo, análise textural e verificação do pH em laboratório de dois perfis, buscando classificar de forma especifica os solos destinados ao uso agrícola, podendo assim ser feita uma melhor caracterização do ambiente.

No trabalho de campo foram a descritos os perfis em propriedades distintas. Para realização dos trabalhos no primeiro perfil, por se tratar de uma encosta íngreme e verticalizada (150cm altura), próxima a uma área de plantação de abacaxi fez-se necessário à limpeza. Posteriormente na descrição do segundo perfil houve a necessidade de abrir mais 50 cm de profundidade da trincheira existente, compondo uma área com 2 metros de largura e 100 cm de profundidade.A paisagem da área de estudo detinha características de caatinga arbustiva a arbórea aberta, algumas palmáceas (licurizeiro), cactáceas, bromeliáceas, árvores caducifoliadas, antropizada (Figura 2), tendo como material que originou o solo o saprolito das rochas granito-gnáissicas, com relevo plano a suave ondulado característico de áreas pediplanadas.

O primeiro perfil (Figura 3) localiza-se 10 km a norte da cidade de Itaberaba na margem direita da estrada vicinal que dá acesso ao povoado de Guaribas numa propriedade onde se desenvolve a cultura do abacaxi com uma área plantada na ordem de dois hectare

 

Figura 2 – Detalhe da área de estudo, onde observa-se a frente uma parte de solo exposto, a direta encosta-perfil 1, plantação de abacaxi, e ao fundo Caatinga arbustiva com algumas Palmeiras –licurizeiros.

 

A descrição morfológica do solo constou da análise de dados e informações relacionadas à espessura, ao arranjamento à quantidade de horizontes, aos tipos de contatos e suas formas de transição, cor textura, estrutura, porosidade, cerosidade e consistência, de acordo com BIGARELLA (1996). Sendo assim um importante paramento para auxiliar na classificação dos solos em conjunto com as análises de laboratório cuja descrição do primeiro perfil encontra-se na tabela 1. Após análise morfológica obteve-se os percentuais granulométricos específicos de cada horizonte (Tabela 2 e Figura 4).

 

Figura 3- Detalhe do Perfil-1, situado em uma encosta próxima à plantação de abacaxi.

 

 

Horizontes

Prof.

(cm)

Cor: Úmido/

Seco

 

Estrutura

 

Textura

Consistência:

Seco, Úmido, Molhado.

Transição: Topografia/ Nitidez

A

0-5

Bruno- olivácio- escuro,

Bruno  claro

Blocos sub-angulosos

Arenosa

Solto, friável, ligeiramente plástica.

Não pegajoso

Abrupta e plana

B

5-60

Bruno escuro, bruno

Blocos sub-angulares

Argilo-arenosa

Solto, solto. Não plástico, não pegajoso

Abrupta e plana

C

60- 100 +

Amarelo- claro- acinzentado

Prismáti

ca

Arenosa cascalhenta

Muito duro, duro, não plástico, não pegajoso

 

 

Tabela – 1 - Descrição Morfológica: Perfil 1

 

 

Horizontes

A

B

C

Areia fina

28,48%

25,40%

21,20%

Areia.grossa

31,20%

35,20%

36,10%

Silte

19,25%

18,70%

32,70%

Argila

21%

20%

10%

 

Tabela –2 - Percentuais Granulométricos do Perfil 1

Horizontes

 

Figura 4 –Gráfico 1 de análise textural do Perfil 1.

 

Quanto às classes básicas de texturas de solo obtido através de plotagem elaborada em diagrama ternário, tem-se que: Horizonte A – franco argilo arenoso (21% argila, 19.3% silte, 59.6% areias); Horizonte B – franco argilo arenoso (20.5% argila, 18.8% silte, 61% areias); e, Horizonte C – franco arenoso (10% argila, 32.7% silte, 57.3% areias).

Para análise de pH dos horizontes utilizou-se o indicador de pH referente às distinções de estado de acidez ou alcalinidade do material dos solos (Tabela 3), onde se observa um caráter alcalino para os horizontes mais superficiais.

 

Tabela 3 – Análise de pH do Perfil 1

 

HORIZONTE

pH

A

8.0

B

9.0

C

6.0

 

A paisagem referente ao segundo perfil é similar a do primeiro perfil com palmáceas, cactáceas, vegetação arbustiva. O local da trincheira trata-se de uma área com vegetação rasteira, intensamente antropizada (figura 5). No segundo perfil (figura 6) analisou-se uma trincheira já existente proveniente de uma abertura para construção de uma cisterna, localizada à margem esquerda da mesma estrada, distando 3km ao Sul do primeiro perfil. A área de cultivo do abacaxi encontrava-se cerca de 250m da trincheira.

 

Figura 5- Paisagem da área Perfil 2, onde observa-se uma vegetação rasteira intensamente antropizada.

 

 

 

 

Figura 6 – trincheira do perfil 2. As características morfológicas para o perfil 2 podem ser observadas na Tabela 4. E os resultados das análises de pH na Tabela 5.

 

 

Tabela 4 - Descrição Morfológica do Perfil 2

 

 

Horizontes

Prof. (cm)

Cor: Úmido,

Seco

 

Estrutura

 

Textura

Consistência: Seco, Úmido, Molhado.

Transição: Topografia Nitidez

A

0-9 cm

Bruno muito escuro, Bruno.

Blocos angulares a sub-angulares

Argilo-arenoso

Solto, solto, pegajoso, plástico.

Abrupta e plana

B

9-89 cm+

 

Bruno escuro, Amarelo oliváceo.

Blocos sub-angulares

Argilo-arenosa

Duro, friável, muito pegajoso, muito plástico.

 

 

Em laboratório foram seguidos os mesmos critérios mencionados no perfil 1. No que concerne a análise textural dos percentuais granulométricos (Tabela 5 e Figura 7). Para os horizontes obtiveram-se os seguintes resultados: HORIZONTE A – franco arenoso (12.51% argila, 23.75% silte, 63.73% areias); e HORIZONTE B – franco argilo arenoso (20.3% argila, 10% silte, 69.7% areias)

 

 

Tabela: 5 - Percentuais Granulométricos Perfil 2

Horizontes Areia fina Areia grossa Silte Argila
A 31% 32,60% 23,70% 12,50%
B 42,30% 26,70%

10%

20,10%

 

Figura 7 - Análise Textural do Perfil 2

 

Após a obtenção dos resultados acima se processou em laboratório plotagem e indicação do pH (Tabela 6)

Tabela 6
 

HORIZONTE

pH

A

6.0

B

3.0 – 4.0

 

A textura cascalhenta verificada no horizonte C está relacionada a relevo pouco ondulado. Assim, o eutrofismo evidenciado após análise de pH nos horizontes do perfil, a baixa atividade, a marcante presença de estrutura em

blocos leva-se a inferir que a primeira amostra de solo insere-se na classe dos Argissolos Vermelho-Amarelo Eutrófico. Quanto ao segundo perfil compreendendo horizonte A-B com profundidade 0-89 cm + (figura 6) No horizonte A espessura: 9 cm, cor (seco) bruno, bruno muito escuro(úmido), franco arenoso estrutura em blocos subangulares e Ph 6,0. A de ressaltar, que devido a retirada da vegetação para diversos fins o horizonte A encontrava-se revirado. O horizonte com espessura de 89 cm +, cor (seco) amarelo-oliváceo, bruno escuro (úmido), franco argilo arenoso, estrutura em blocos sub-angulares e pH 3,0-4,0. Segundo OLIVEIRA (1992) o horizonte A fraco ocorre mais na zona semi árida. O horizonte B apresenta estrutura em blocos sub-angulares moderadamente desenvolvidos. Assim, de acordo com as pesquisas bibliográficas bem como as análises das amostras dos horizontes em laboratório e com a descrição morfológica em campo, infere-se que o segundo perfil seja uma mancha de Latossolo Amarelo Distrófico. Pois de acordo com OLIVEIRA (1992 p.107) “apresentam como principais características um B latossólico espesso de cores centradas nos matizes 7.5 a 10YR e estrutura normalmente fraca em blocos subangulares a angulares (...) a textura varia de franco arenosa até muito argilosa”. Outra característica evidenciada é a vegetação, que segundo RADAMBRASIL (1981), solos com essas características desenvolvem floresta densa, aberta ou mista com palmeiras, semi-caducifoliadas ou caducifoliadas, caatinga (no nordeste).

Dessa forma, a área de estudo está em similitude com outras áreas de cultivo do país, pois os Argissolos Vermelho-amarelo Eutrófico e o Latossolo Amarelo Distrófico são solos propícios para a produção do abacaxizeiro (MANICA 1999).

 

6. CONSIDERAÇÕES FINAIS

 

A relevância da caracterização do ambiente físico enfocando a descrição morfológica de solos destinados para produção de abacaxi num município do semi-árido baiano esta estreitamente relaciona à interação geologia-geomorfologia-clima e mais especificamente os solos, pois é neste onde a ação antrópica rebate diretamente sendo percebidas numa escala de tempo histórica ou humana, deixando evidências que são mais perceptíveis no tempo e no espaço.

A geologia caracterizada na região é tipicamente de ambientes do Nordeste sertanejo, pois “incluem sempre na área de paisagens e condições ecológicas do Nordeste brasileiro relacionado à exposição dos terrenos antigos, constituídos por gnaisses, granitos, xistos pré-cambrianos”, sobrepostos por uma compartimentação geomorfológica caracterizada por “largas depressões interplanálticas, oriundas de aplainações modernas referidas ao Plioceno e ao Quaternário inferior”. Quanto a pluviosidade “possuindo precipitações irregulares no tempo e no espaço, cujas médias anuais – apenas para efeitos de referência variam entre 400- 800 mm” (Ab’Saber, 1974)

O trabalho de campo envolvendo os solos como parâmetro principal para a caracterização do ambiente físico foi de estrema relevância, demonstrou a complexidade que é a espacialização dos solos, pois em uma pequena área encontrou-se duas manchas de solos distintas, onde a classificação foi fundamentada na análise morfológica aliada a dados laboratoriais, inferindo que na área duas classes: Argissolo Vermelho-Amarelo Eutrófico constatado no primeiro perfil e Latossolo Amarelo Distrófico no segundo perfil, cuja análise textural franco argilo arenoso de relevo plano, são características consideráveis de solos aptos para fins de produção do abacaxi como ocorre em Itaberaba, pois segundo a EMBRAPA, (1999a) “os solos de textura média (15% a 35% de argila e mais de 15% de areia) com terrenos ou de pouca declividade são os mais adequados para a plantação do abacaxizeiro”. Além disso, vale ressaltar que o abacaxizeiro apresenta uma característica amenizante em relação aos meses menos chuvosos, no que tange a disposição de suas folhas em formas de calha que consegue recolher para o centro da planta o orvalho, que é produzido pela amplitude térmica. (Manica, 1999).

Assim, evidencia-se que somente com a compreensão do dinamismo espacial do Nordeste baiano com estudo voltado para uma inter-relação dos vários aspectos concernentes a este que se pode chegar a uma desmistificação e a remanescente noção de atrofismo e dependência que desde sempre perdura em relação ao Nordeste semi-árido. A principio o que poderia ser atributos limitantes (o ambiente físico) para o desenvolvimento de determinadas culturas, com, um melhor conhecimento do ambiente aliado ao desenvolvimento de técnicas de conhecimento e produção agrícola conjugado a políticas publicas direcionada de forma eqüitativa possibilitará gerir o território pelo viés ambientalmente sustentado.

 

 

REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS

 

AB´SABER, A. N. (1975) O Domínio morfoclimático Semi-árido das caatingas brasileiras. Geomorfologia 43 USP - São Paulo,

 

BIGARELLA, (1996).João José. Estrutura e origem das paisagens tropicais e subtropicais. v. 2 – Florianópolis : Editora da UFSC,

 

CBPM- (2001) Mapa digital dos limites municipais do Estado da Bahia Companhia Baiana de Pesquisa e Mineração. Salvador Bahia - internet: www.cbpm.ba.gov.br - 15-03-2003

 

CEI - (1994). Informações Básicas dos Municípios da Bahia: Região Paraguaçu. Centro de Estatística e Informações da Bahia. Salvador Bahia.

 

EMBRAPA. (1999a) Centro Nacional de Pesquisa de Solos (Rio de Janeiro, RJ). Sistema Brasileiro de Classificação dos Solos. – Brasília: Embrapa Produção de Informação; Rio de Janeiro Embrapa Solos. 1

 

EMBRAPA. (1999b) O Abacaxizeiro, Cultivo, Agroindústria e Economia/ Embrapa Produção de Informação Embrapa. Brasília.

 

Mandioca e Fruticultura org. Getúlio Augusto Pinto da Cunha. Brasília, 1999.

 

IBGE. Manual Técnico de Pedologia. (1994), Manuais Técnicos em Geociências No –4, Rio de Janeiro- IBGE

 

LEMOS, E. J, (1984), Manual de descrição e coleta de solo no campo. Campinas, SBCS/SNCL 2o ed.

 

MANICA, Ivo. (1999). Fruticultura Tropical: 5- Abacaxi. Ed. Cinco Continente, Porto Alegre-RS.

 

OLIVEIRA, João B. de. (1992) Classes Gerais dos Solos do Brasil: guia auxiliar para seu reconhecimento 2a ed. Jaboticabal, FUNEP,

 

SEI (2001). Dados Sócio-Econômicos do Estado da Bahia. Superintendência de Estudos Econômicos e Sociais da Bahia. Salvador, Bahia.

 

RADAMBRASIL.. (1981) Brasil, Ministério das Minas e Energia - Secretaria Geral Projeto RADAMBRASIL - Folha SD. 24 Salvador. .