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X SIMPÓSIO BRASILEIRO DE GEOGRAFIA FÍSICA APLICADA

 

PARAMETROS MORFOCLIMÁTICOS DO MUNICIPIO DE URBANO SANTOS - MA

 

 

Neilianne de Fátima Costa Lima, Curso de Geografia/NEPA/UFMA. neilianne@hotmail.com

Raimundo Nonato Braga Sousa, Curso de Geografia/NEPA/UFMA.  geobraga@hotmail.com

Marcia Silva Furtado, Curso de GeografiaNEPA/UFMA. marcinhageo@hotmail.com

Antonio Cordeiro Feitosa, DEGEO/NEPA/UFMA. feitos@terra.com.br

 

 

Apoio do CNPq através do PELD

 

Palavras-chave: parâmetros morfoclimáticos, Urbano Santos, Maranhão.

 

Eixo Temático: 3 - Aplicação da Geografia à Pesquisa

Sub-eixo: 3.4 – Aplicações Temáticas em Estudos de Caso

 

§INTRODUÇÃO

 

A dinâmica da paisagem sempre foi objeto de interesse do homem que sempre procurou compreender e explicar sua estrutura e seu comportamento. Dentre os procedimentos desenvolvidos com tal objetivo, o estudo dos parâmetros morfoclimáticos desempenha papel de destaque, pela possibilidade acompanhar as transformações recorrentes em determinados sistemas ambientas, notadamente a partir da intervenção humana.

Dentre esses sistemas ambientais está o cerrado, sendo o segundo maior bioma brasileiro localizado em sua maior parte no planalto brasileiro, o cerrado distribui-se de forma interdigital ao longo do país, atingindo a 24% do território nacional.

No Maranhão, o Cerrado ocupa cerca de 35 % do território, distribuindo-se nas regiões nordeste, leste e sul do Estado. Nas últimas décadas, a área ocupada pelo Cerrado “vem sofrendo acelerado processo de devastação de sua vegetação nativa, conseqüência da expansão das fronteiras agropastoris...” (BACCARO apud. GUERRA & CUNHA, 1999, p.195).

Essas fronteiras são baseadas unicamente pelo crescimento da agricultura industrial e da pecuária comercial, o que desencadeiam intenso desequilíbrio do ambiente, provocando uma série de problemas, tanto no meio físico, quanto no meio social. Dentre esses problemas, salienta-se a concentração de Terras nas mãos de alguns poucos indivíduos e empresas, em sua maioria latifundiários, motivada pelo baixo custo da terra e da mão de obra e pela falta de uma política ambiental que priorize o desenvolvimento sustentável.

No contexto das atividades agropastoris, registra-se a implantação do cultivo do eucalipto na região Nordeste Estado do Maranhão a partir da década de 1970. No município de Urbano Santos, essa atividade é realizada pela Comercial Agrícola Paineiras, pertencente à Companhia Susano de Papel e Celulose. O cultivo de eucalipto necessita de uma grande Quantidade de terras, uma vez que o produto, em seu estado bruto, é de baixo valor, destinado aos grandes centros comerciais do país.

O objetivo deste estudo é analisar a dinâmica de alguns parâmetros morfoclimáticos como temperaturas do ar e solo, umidade do ar, em diferentes ambientes a pesquisa foi realizada  nas proximidades da Base de Pesquisa da Fazenda Santo Amaro, situada a cerca de seis quilômetros da sede do município de Urbano Santos-MA, procurando correlacionar parâmetros de ambientes com cobertura de mata nativa e com eucalipto com vistas aos questionamentos de que o eucalipto contribui para a degradação do ambiente.

 

§CARACTERIZAÇÃO DA ÁREA.

 

O município de Urbano Santos (3º 29’S; 43º 17’ W) está localizado a nordeste do Estado do Maranhão, na microrregião de Chapadinha, que se encontra dentro da mesorregião Leste, faz limite ao Norte com o município de Belágua; ao oeste com São Benedito do Rio Preto; ao Sul com Chapadinha e Mata Roma; a sudeste com Anapurus e a leste com Santa Quitéria do Maranhão, é através da MA 225 que é dado o acesso ao município.

Urbano Santos encontra-se constituindo em área de Cerrado, com base geológica sedimentar atingindo altitudes entre 50 e 100 metros e inserida na Superfície Sublitorânea de Barreirinhas.

Por se localizar em baixa latitude sua temperatura em média anual está em torno de 27º, o clima da região é submetido a influencia de diferentes sistemas de circulação, com pequenas amplitudes, a pluviosidade apresenta certa complexidade, com precipitações que possuem dois períodos distintos ao longo do ano; um seco nos períodos de inverno e primavera e outro chuvoso nos meses de verão e outono (TROPEN 2001).

A área da coleta de dados localiza-se 7 km a sudoeste da sede do município de Urbano Santos., na Base de Pesquisa Santo Amaro, onde a intervenção humana se caracteriza pelo plantio de eucalipto ainda em caráter experimental, intercalado com fragmentos de vegetação nativa.

 

METODOLOGIA:

 

3Revisão bibliográfica

4No campo foi utilizada a metodologia descrita por TROPPMAIR (1988), abrangendo parâmetros quantitativos da umidade do ar, temperaturas do solo e ar, parâmetros qualitativos no que diz respeito a vegetação e principalmente as atividades humanas.

5 Distribuídos nos diferentes ambientes, foram escolhidos 18 pontos de coleta

6As medições foram com o intervalo de 1 hora, compreendendo vinte e cinco horas consecutivas

7Medição de parâmetros morfoclimáticos realizada em unidades amostrais conforme descrito nos resultados.

8Termômetros INCOTERM com escala de +10 a +150o C, para medição de temperatura do solo;

9Termohigrômetro, Barigo, para a medição da temperatura e da umidade do ar;

10GPS, para marcação das coordenadas geográficas dos pontos ponto de coleta de dados termo-pluviométricos

11Carta planialtimétrica da área do município de Urbano Santos, na escala 1:100.000, elaborada pela DSG/MEx.;

12Representação dos dados obtidos através das mensurações de parâmetros morfoclimáticos;

13Elaboração de gráficos e tabelas para uma melhor análise

14Interpretação dos dados

15Análise dos dados obtidos.

16Registro fotográfico para um melhor acompanhamento das modificações causadas pela ação antropica.

17Formulação de conclusões sobre a implantação de novas culturas no Cerrado a partir dos dados obtidos em campo.

 

RESULTADOS E DISCUSSÕES.

 

O estudo dos parâmetros morfoclimáticos constitui referência para a análise da dinâmica da paisagem, em face do papel preponderante dos agentes e processos climáticos.

 Na região nordeste do Estado do Maranhão estes agentes e processos são condicionados à temperatura e à pluviosidade como agentes de importante contribuição para as transformações da paisagem em conjunto com as atividades humanas que constituem o principal componente modelador das característica dos ambientes principalmente nas áreas maior concentração populacional.

Em relação a classificação climática, o Maranhão classifica-se conforme Feitosa (1996:33) “Aplicando a classificação de Koopen (1948) ao clima do Maranhão, Galvão (1955) identifica dois tipos : o Am, Quente e úmido de monções, com forte precipitação anual, que se interpõe à existência de um curto período seco de Primavera e  o Aw, tropical úmido, que apresenta uma estação seca muito nítida no inverno. O Primeiro tipo de clima abrange a região centro-oeste em área som características da Amazônia e o segundo compreende o restante do território maranhense, em área dominada pela vegetação do Cerrado”.

O estudo foi baseado na proposta metodológica de Troppmair (1988) que, segundo Geiger apud Troppmair (1988, p. 30), pode ser desenvolvido “em 1ª ordem: interior da mata; 2ª ordem, na borda ou centro da mata, e de 3ª ordem, no pé, no tronco ou na copa de uma árvore.

A importância deste estudo deve-se à necessidade de avaliar os impactos ambientais que o ecossistema Cerrado vem sofrendo, notadamente ao longo dos últimos 50 anos, conseqüência do uso indiscriminado do solo para a produção de pastagens e monoculturas para exportação.

No Maranhão o Cerrado encontra-se presente nas regiões Centro-Sul e Leste, segundo Feitosa(1996:83)”O dominio da vegetação de o Cerrado, formação arbustiva mais compacta ainda com densa cobertura de vegetação rasteira, com variações locais decorrente da umidade para Cerradinho, com extensas formações de gramínea contendo arbustos isolados, esparsos e de pequeno porte e Cerradão com vegetação arbustiva mais exuberante”.Por isto o estudo dos parâmetros é de fundamental importância , já que o bioma do Cerrado é bastante interferido pelos parâmetros climáticos, comportando-se de diversas configurações dependendo da umidade presente .

Com a intensificação do movimento ambientalista, cuja demonstração evidencia-se no cotidiano, fez com que parte do empresariado mundial veja o ambiente como um produto que pode ser rentável, uma vez que minimizaria os possíveis impactos ambientais que encareceriam o evento, no caso o plantio comercial do eucalipto feito pelo Comercial Agrícola Paineiras, filial da Companhia Suzano de Papel e Celulose, que “estuda a viabilidade de execução de um programa de monitoramento e uso sustentável do cerrado com vistas à garantia da qualidade ambiental e de vida da população rural das proximidades” (TROPEN, 2002).

A pesquisa que verifica os parâmetros morfoclimaticos em uma área que há a implementação de uma nova cultura no caso o Eucalipto, alguns acreditam que “O reflorestamento com espécie de eucalipto não aumenta as chuvas, mas também não conduz a desertificação. Sua atuação sobre o solo é benéfica, diminuindo o processo de erosão, melhorando as condições de infiltração e armazenagem de água no solo, assim como as propriedades químicas, físicas e sua fertilidade. A interceptação por chuvas de uma floresta plantada de eucalipto é cerca de 7% menor que naturais de eucalipto e de 12 a 15% menor que as florestas tropicais” (LIMA apud SCARPINELLA 2002, p. 75).

Em um paralelo com o estudo realizado foi observado durante as analise dos gráficos que a área com vegetação recoberta por eucalipto, possuía uma variação maior em sua umidade, principalmente no fim da tarde o que não ocorreu com tanta acentuação nas demais vegetações existentes na área (Gráfico 1). Já no parâmetro temperatura do solo teve amplitudes de 25 e 27o C, o que representou pouca mudança a  temperatura do ar foi observada a oscilação entre 32 e 24o C o que perante as outras vegetações representa uma mudança considerável.

Os resultados revelam que, na mata semi-decídua, a variabilidade da temperatura do solo foi de 23,5 a 26o C a temperatura do ar registrou variantes entre 32o C, registrado na primeira hora de medição, que eqüivale as 16 horas e 24o C, registrado durante algumas horas da madrugada, a umidade oscilou ente70% e 80% (Gráfico 2), deve ser lembrado que é uma área com pouca interferência antrópica, com apenas algumas trilhas e sua vegetação está bastante preservada.

 

Gráfico 1

 

 

Gráfico 2

 

A área onde é encontrada a vegetação herbácea, foram observados variabilidade significativa em todos os parâmetros quantitativos, em comparação aos outros tipos de ambiente (Gráfico 3), onde a temperatura do solo variou entre 25 e 30o C a temperatura do ar 24 a 32o e a umidade 65,5 % a 84,5%. Entretanto tal quadro possivelmente está relacionado a atividades antropicas principalmente na construção da estrada que leva a base de pesquisa.

 

Gráfico 3 -

 

Na mata ciliar foi observado que a  temperatura do solo manteve pequena variação, a temperatura mínima chegou a 24 e a máxima a 27o já na temperatura do ar essa variação foi um pouco mais acentuada, com sua mínima 24 e a máxima 30o entretanto foi a umidade que oscilou mais, durante a coleta de dados no espaço entre uma medição e outra não foi detectada a mesma medição anterior. A umidade em sua máxima chegou a 84 % e a mínima 69 % deve ser observado que a referida região ainda possui sua área bastante preservada (Gráfico 4)

O presente estudo é parte integrante de um trabalho de iniciação cientifica realizado na Base de Pesquisa da Fazenda Santo Amaro, de propriedade da Comercial Paineiras Ltda pertencente à Companhia Report Susano Ltda.

 

 Gráfico 4

Com base nos dados obtidos pode-se concluir que, a floresta semi-decidua e a mata ciliar, possuem menor variação em todos os parâmetros estudados, o que pôde ser observado menor intervenção humana.

O mesmo não ocorreu em área composta pela vegetação herbácea e pelo eucalipto onde houve variações nos parâmetros; nas áreas de plantio do eucalipto a maior variabilidade foi na umidade, já à vegetação herbácea a temperatura do solo próximo a estrada foi a principal variante, tendo em vista o aquecimento e perda de calor mais acentuada em áreas desprovidas de vegetação.

Logo nas áreas onde houve menor intervenção humana, os parâmetros mensurados tiveram maior regularidade, enquanto a área cultivada e próxima às estradas houve maior variabilidade dos dados, indicando maior dinâmica.

Em se tratar em um bioma, que possui características próprias de acordo com a umidade, é preocupante a intervenção humana quando há o risco de interferência nas características do Cerrado local.

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