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    X SIMPÓSIO BRASILEIRO DE GEOGRAFIA FÍSICA APLICADA

     

     

    DEGRADAÇÃO AMBIENTAL NA BACIA DO RIO PACIÊNCIA,
    ILHA DO MARANHÃO

     

     

    José Fernando Rodrigues Bezerra, Curso de Geografia, UFMA, fernangeo@hotmail.com

    Maria de Jesus Ferreira, Geógrafa, UFMA, kageo@bol.com.br

    Marcia Fernanda Pereira Gonçalves, curso de Geografia, UFMA, storn79@bol.com

    Antônio Cordeiro Feitosa, Departamento de Geociências, UFMA, feitos@terra.com

     




    Palavras-chave: degradação ambiental, ação antrópica, rio

     

    Eixo Temático: 3 - Aplicação da Geografia à Pesquisa

    Sub-eixo: 3.4 – Aplicações Temáticas em Estudos de Caso

     

     

    Apoio do CNPq

     

     

     

    1 INTRODUÇÃO

     

    Ao longo da história da ocupação do espaço, os cursos d’água sempre representaram objeto de interesse do homem e fonte de recursos para sua sobrevivência, sofrendo as consequências diretas do processo de exploração antrópica. Os efeitos das atividades humanas na qualidade da água são normalmente complexos e específicos para cada região.

    A água constitui um dos elementos físicos mais importantes na composição da paisagem terrestre, interligando fenômenos da atmosfera inferior e da litosfera e interferindo na vida vegetal, animal e humana, a partir da interação com os demais elementos de seu ambiente de drenagem (NETTO, 2001:93).

    O estudo de degradação ambiental deve ser realizado apenas sob o ponto de vista físico. Na realidade, para que o problema possa ser entendido de forma global, integrada, holística, deve-se levar em conta as relações existentes entre a degradação ambiental e a sociedade causadora dessa degradação que ao mesmo tempo, sofre os efeitos e procura resolver, recuperar, reconstituir as áreas degradadas (GUERRA, CUNHA, 19980)

    A poluição da água indica que um ou mais de seus usos foram prejudicados, podendo atingir o homem de forma direta, pois ela é usada por este para ser bebida, para tomar banho, para lavar roupas e utensílios e, principalmente, para sua alimentação e dos animais domésticos. Além disso, abastece nossas cidades, sendo também utilizada nas indústrias e na irrigação de plantações. Por isso, a água deve ter aspecto limpo, pureza de gosto e estar isenta de microorganismos patogênicos, o que é conseguido através do seu tratamento, desde da retirada dos rios até a chegada nas residências urbanas ou rurais. A água de um rio é considerada de boa qualidade quando apresenta menos de mil coliformes fecais e menos de dez microorganismos patogênicos por litro (como aqueles causadores de verminoses, cólera, esquistossomose, febre tifóide, hepatite, leptospirose, poliomielite etc.). Portanto, para a água se manter nessas condições, deve-se evitar sua contaminação por resíduos, sejam eles agrícolas (de natureza química ou orgânica), esgotos, resíduos industriais, lixo ou sedimentos vindos da erosão.

    O rio Paciência, localizado na porção Centro-Leste da ilha do Maranhão (figura 01), é o principal curso d’água da região centro-oriental da ilha e drena parte da área dos municípios de São Luís, São José de Ribamar e Paço do Lumiar, sendo utilizado desde o início da ocupação do interior da ilha. Esse curso d’água desempenha importante papel na economia local, através da irrigação das áreas de olericultura e de floricultura.

     

    Figura 01 – Mapa de localização

     

     

     

    2. METODOLOGIA

     

    Para a realização desse trabalho foram adotados os seguintes procedimentos metodológicos:

     

    2.1 Revisão Bibliográfica

     

    Foram abordados conteúdos relacionados com a Geomorfologia Fluvial e Degradação Ambiental nas bacias hidrográficas. Para CHRISTOFOLETTI (1980:65), os rios constituem os agentes mais importantes no transporte dos materiais intemperizados das áreas elevadas para as mais baixas e dos continentes para o mar. Sua importância é fundamental entre todos os processos morfogenéticos.

    Para GUERRA (1997:544), um rio é definido como corrente líquida resultante da concentração do lençol de água num vale. LEINS e AMARAL (1995:95), consideram as águas correntes que brotam das fontes mais as águas das chuvas que se escoam imediatamente, formando pequenos córregos, que se ajuntam, se avomulam, dando finalmente origem aos rios.

    Os mesmos autores consideram que a configuração que um rio apresenta e a sua velocidade podem ser definidas através de fatores como: a topografia, que está relacionada com a declividade do terreno; a precipitação atmosférica (chuva) na bacia de drenagem; as características litológicas das rochas erodidas pelo rio e o estágio erosivo que se encontra o rio (LEINZ e AMARAL 1995:95).

    A dissecação do relevo, proveniente da erosão fluvial, depende do nível de base, do comprimento do perfil longitudinal, da natureza das rochas e do clima. Uma variação do nível de base ou uma mudança climática pode alterar a dinâmica fluvial e conseqüentemente o processo de esculturação do relevo (LEINZ e AMARAL 1995: 101).

    Segundo CHRISTOFOLETTI (1982:102), o conjunto de terras drenadas por um rio e seus afluentes denomina-se bacia hidrográfica ou bacia de drenagem. O estudo da bacia de drenagem pode levar à compreensão e à elucidação de numerosas questões geomorfológicas, pois os cursos de água constituem processos morfogenéticos dos mais ativos na esculturação da paisagem terrestre.

    Na bacia hidrográfica predominam os processos erosivos de ordem mecânica, ficando a erosão química em segundo plano. Dessa forma, ocorre no interior da bacia o transporte de materiais sólidos, em suspensão ou em dissolução até o local de deposição (CHRISTOFOLETTI 1982:102).

    Segundo CUNHA (1996:158), uma bacia hidrográfica pode apresentar canais de padrão reto, meandrante e anastomosado, setorizados espacialmente ou em um mesmo setor, quando ocorrem variações temporais dessa drenagem. Dessa forma, um setor do rio pode ser anastomosado em período de ausência de chuva, quando há excesso de carga sólida em relação à descarga, e exibir a fisionomia meandrante nos períodos de cheia.

    De acordo com NETTO e AVELAR (1996:104), os divisores de águas da bacia de drenagem são indicados pela topografia do terreno, podendo-se utilizar a carta topográfica como instrumento de delimitação. A linha divisória da bacia deve cortar paralelamente o eixo das curvas que contornam o topo das elevações e seguem encosta abaixo pelo eixo das convexidades do terreno, vistas em planta através das curvas de nível que mais se aproximam das cotas inferiores.

    A densidade de drenagem associada ao grau de entalhamento dos canais combinados, determina a rugosidade topográfica, ou o índice de dessecação do relevo e, obviamente, define a dimensão interfluvial média dos conjuntos homogêneos de formas ou conjunto de formas semelhantes ROSS (1996:73).

    Como a drenagem, o relevo também permite interpretações quanto ás condições ambientais. Embora em um mapa a forma do relevo se apresente como uma figura estática, ele representam também um produto da dinâmica do ambiente (ARGENTO e CRUZ 1996: 269).

    Segundo ROSS (1996:51) os mapas geomorfológicos, ao contrário dos demais mapas temáticos, apresentam um grau de complexidade maior. Essa complexidade decorre da dificuldade de se apreender e representar uma realidade relativamente abstrata – as formas do relevo -, sua dinâmica e gênese.

    Os mapas topográficos ou de detalhes oferecem muitas possibilidades de aplicações em estudos geomorfológicos. A delimitação de bacias hidrográficas é um exemplo, entre muitos, que podem ser explorados (ARGENTO e CRUZ 1996:269).

    Ao longo da história, os rios têm sido utilizados como vias de penetração para o interior e facilitado o crescimento de aglomerados urbanos e áreas cultivadas, uma vez que a água é um recurso fundamental para a sobrevivência humana. Dessa forma, os rios espelham, de maneira indireta, as condições naturais e as atividades humanas desenvolvidas na bacia hidrográfica, sofrendo, em função da escala e intensidade de mudanças nesses dois elementos, alterações, efeitos e/ou impactos no comportamento da descarga, carga sólida e dissolvida, e poluição das águas (CUNHA, 2003:224).

     

    2.2 Confecção de cartas temáticas

     

    Para a confecção das cartas temáticas foram utilizadas as imagens de satélite SPOT, de 1991, na escala de 1:100.000 e TM-Landsat-5, 1986, Bandas 543, na escala de 1:70000, e as folhas no 8, 9, 10, 16, 17, 18, 25, 26, 27, da carta topográfica preliminar elaborada pela Diretoria do Serviço Geográfico do Ministério do Exército – DSG/ME, na escala de 1:10 000, com curvas de nível em intervalo de 5 m, que abrangem totalmente a área de estudo.

    As diferentes escalas foram compatibilizadas para a escala de trabalho, em 1:100.000, com emprego do pantógrafo, tendo como objetivo a medição de parâmetros morfométricos e elaboração da carta de localização da área de estudo. Estes materiais permitiram a identificação dos diferentes elementos da paisagem, como drenagem fluvial relevo, cobertura vegetal e uso e cobertura da terra no Município de Paço do Lumiar.

     

    2.3 Determinação dos Parâmetros Morfométricos

     

    A determinação dos parâmetros morfométricos dos rio Paciência baseada nos estudos de CHRISTOFOLETTI (1982:103) e CUNHA (1996:157), para fins de caracterização dos seguintes parâmetros fluviais: hierarquia fluvial, descarga líquida, velocidades da superfície e média, área e forma da seção transversal, padrão de drenagem, área da bacia e comprimento do rio principal.

    Para a determinação das velocidades superficial e média dos rios em estudo seguiu-se o método dos flutuadores, no qual é necessário um trecho retilíneo do rio com 10 m de comprimento e os seguintes materiais: garrafa de plástico de 200 ml, trena de 30 m, cronômetro. A área e forma da seção transversal foi determinada com o auxílio de régua de madeira graduada com 2 m, trena e papel milimetrado.

    A descarga líquida dos rio Paciência é resultante da largura, profundidade média e a velocidade média nos trechos selecionados. Para execução dos outros parâmetros utilizou-se a documentação cartográfica e curvímetro, planímetro marca e máquina fotográfica.

     

    2.4 trabalhos de campo

     

    Os trabalhos de campo foram realizados com intuito de verificar os diferentes uso de ocupação do solo e sua influência na problemática ambiental, bem como a medição dos parâmetros morfométricos do rio Paciência (foto 01). No decorrer da visita de campo, notou-se o intenso processo de degradação ambiental do rio Paciência, que encontra-se praticamente assoreado e poluído por esgotos doméstico e industrial. Ao longo do curso desse rio, a mata galeria que protege suas margens está em grande parte devastada. Nos baixos cursos, tem-se a presença de manguezais razoavelmente conservados.

    A medição da descarga Líquida, velocidades superficial e média, área e forma da seção transversal do rio em estudo foi realizado nas proximidades do bar Beira Rio respectivamente, conforme estudos de CUNHA (1996:157).

    No povoado de Pindoba, foram detectadas áreas com extração de barro para a construção civil. A fração granulométrica predominante é o silte e a argila que são bastante friáveis. No período chuvoso, todo o material solto decorrente da extração é transportado para o rio Paciência e seus afluentes, contribuindo assim para o seu assoreamento.

     

    Foto 01 – vista parcial do rio Paciência

     

     

     

    3. RESULTADOS ALCANÇADOS

     

    As bacias fluviais da ilha do Maranhão caracterizam-se por rios de pequeno porte e que deságuam nas baías de São Marcos e São José. De acordo com FEITOSA (1988:51) os maiores rios da ilha, Anil e Bacanga, drenam a zona caracterizada por depósitos de vasa, igarapés e baixadas fluviomarinha, preenchidas por manguezais. Destas constatações pode-se incluir os rios Paciência.

    O rio Paciência desemboca na baía de Curupu e apresenta características singulares que provocam controvérsias quanto a esta denominação, pois grande parte do seu curso é inundado pelas águas das marés durante a preamar. Pela ausência de estudos sobre essa questão na área, considerou-se toda extensão do rio para a elaboração do presente relatório, inclusive o trecho dominado pela hidrodinâmica marinha.

    O rio Paciência segundo moradores do município de Paço do Lumiar possuía um canal relativamente profundo que comportava embarcações de grande calado. Atualmente sofre intensa degradação ambiental, principalmente pelo lançamento de esgotos domésticos e industrial “in natura”. Mesmo assim desempenha um importante papel na economia local, através da irrigação das horticultura e floricultura. Outra função desse rio é como fonte de lazer nos finais de semana em alguns trechos do seu curso. A ocupação da bacia do rio Paciência deu-se em meados dos anos oitenta, com o surgimento de grandes conjuntos habitacionais e numerosas invasões caracterizadas por habitações de baixa renda.

     

    3.1 Parâmetros Morfométricos

     

    O estudo dos parâmetros morfométricos da bacia dos rio Paciência constitui um dos fatores fundamentais para caracterizar a evolução e transformação dessa área através da dinâmica de transporte, deposição de sedimentos no transcorrer dos anos, além de ser um importante instrumento para atenuação dos efeitos antrópicos, que agem direta e indiretamente no equilíbrio fluvial, cujos reflexos estão no assoreamento, inundações e no comprometimento da qualidade da água nesses rios.

     

    3.1.1 Rio Paciência

     

    O rio Paciência nasce na chapada do Tirirical e é o principal curso d’água que banha a zona Leste da ilha do Maranhão. Possui 27,3 Km de extensão e uma área de 143,7 Km2. A sua extensão e área no Município de Paço do Lumiar são 17,5 Km e 73,9 Km2 respectivamente. Sua foz está localizada próxima a ilha de Curupu e seus principais afluentes são os rios Itapiracó e Miritiua, que dependem das precipitações sazonais.

    As maiores cotas altimétricas, que chegam a 65 m, estão localizadas na chapada do Tirirical e a direção do curso do rio varia entre Norte, Nordeste e Leste. Em relação ao padrão de drenagem, o rio Paciência apresenta o tipo dendrítico ou arborescente, pois seus cursos fluviais tributários distribuem-se em todas as direções da superfície do terreno, formando ângulos agudos e nunca chegando ao ângulo reto.

    Para a determinação da hierarquia fluvial segui-se a proposta de STRAHLER (CHRISTOFOLETTI, 1982:107), segunda a qual, os menores canais, sem tributários, são considerados como de primeira ordem, os canais de segunda ordem surgem da confluência de dois canais de primeira ordem, os canais de terceira ordem surgem da confluência de dois canais de segunda ordem. E assim sucessivamente. Seguindo esse critério na determinação da ordem dos canais da bacia em estudo, pode-se caracterizar o rio Santo Antônio como um canal de 4a ordem.

    As velocidades na superfície e média no trecho selecionado do rio Paciência atingem 0,4424 m/s e 0,3760 m/s respectivamente. O estudo da velocidade do fluxo de um rio permite o conhecimento das mudanças dentro de um sistema fluvial.

    A seção transversal ou perfil transversal do segmento do rio estudado possui uma área equivalente a 9,5 m2 com profundidade variando entre 1,08 cm e 0,73 cm, cujo talvegue encontra-se próximo à margem esquerda (figura 02). Segundo CUNHA (1996:165) “elaborações sucessivas e repetidas dos perfis transversais, em uma escala de tempo intermediária (de meses a 1 ano), representa um bom método para avaliar as mudanças laterais dos canais e a erosão das margens”.

    Para a medição da descarga líquida no segmento selecionado do rio Paciência, fez-se a relação entre a largura (11,1 m), profundidade média (86,4cm) e a velocidade da corrente (0,3760 m/s), obtendo-se a descarga de 3,57 m3/s no trecho analisado. O conhecimento da descarga líquida do rio em estudo é um importante instrumento para o planejamento voltado para um melhor aproveitamento da água.

     

    Figura 02 - Seção Transversal do Rio Paciência


     

    3.2 Degradação ambiental na bacia do rio Paciência

     

    O processo de degradação ambiental na bacia do rio Paciência, começa com sua ocupação em meados dos anos oitenta, seguindo-se a construção de grandes conjuntos habitacionais e numerosas invasões caracterizadas por habitações de baixa renda. A litologia sedimentar inconsolidada, associada à pequena amplitude altimétrica e a baixa declividade das unidades geomorfológicas da área da bacia, favorecem a formação de solos dominantemente arenosos e não oferecem limitações para o uso e ocupação do solo o que implica a aceleração dos processos morfogenéticos.

    O acelerado processo de ocupação espacial que culminou no desmatamento da vegetação e consequentemente o assoreamento do canal, deve ser apontado como um dos principais fatores responsáveis pela a degradação do leito do rio, evidencia-se o lançamento de esgotos domésticos e industriais, depósitos de lixo e exploração mineral com a retirada de silte e argila (foto 02).

    O rio Paciência, recebe grande número de pequenos afluentes ao longo de sua extensão, destacando-se os riachos Turu, Itapiracó, da Cohab, do Cohatrac e o São Bernando pela margem esquerda. Pela margem direita, destacam-se os riachos da Cidade Operária, Cajueiro, Jenipapo e a do Maiobão. Em relação a problemática ambiental, a área da bacia do rio Paciência, ao longo de toda a sua extensão, denuncia que o desmatamento é largamente praticado sem controle.

    No trecho próximo a MA – 204 em direção a foz do rio, verifica-se a existência de grandes áreas desmatadas para serem ocupadas com construção residenciais de baixo padrão. O leito do rio recebe grande descarga de matéria orgânica, ocasionada pela falta de um sistema adequado de tratamento de esgoto, provenientes de todos os conjuntos habitacionais e residenciais implantados na área da bacia.

    Outro problema ambiente configurado dentro da bacia do rio Paciência, é um lixão que recebe os resíduos sólidos de toda a área dos municípios de São Luís, São José de Ribamar e principalmente de Paço do Lumiar (Foto 03). Constitui um lixão a céu aberto com sérios problemas sanitários e ambientais, representando um grande prejuízo a bacia do rio Paciência, principalmente através da poluição do lençol freático pelo chorume originado do lixo. Outro problema, é o acelerado processo de ocupação espacial na área com risco de intoxicação dos moradores e de explosão de gás metano (CH4) infiltrado no solo.

    O lixão não obedece nenhum padrão de gerenciamento, causando grande degradação ambiental e problemas com a saúde pública. Além disso, sua localização está inadequada, devido a proximidade da área de expansão urbana e a direção predominante dos ventos que converge para algumas vilas e conjuntos residenciais do município (Vilas Cafeteira e Nossa Senhora da Luz, Conjuntos Roseana Sarney e Marly Abdala I e II). Atualmente o lixão encontra-se desativado pelo ministério público, por está próximo das novas áreas de ocupação e o perigo de transmissão de doenças. Todo o lixo oriundo do município de Paço do Lumiar, onde está localizada grande parte da bacia, está sendo transportado para o aterro da Ribeira, através do convênio da Prefeitura de Paço do Lumiar com a Prefeitura de São Luís.

     

    Foto 02 – área de exploração mineral na área da bacia

     

     

     

    Foto 03 – Lixão na área da bacia

     

     

     

    4. CONCLUSÃO

     

    Na ilha do Maranhão, os rios são de pequeno porte e possuem pequena vazão, precisando para o abastecimento da ilha a transposição de águas do rio Itapecuru. Apesar disso, as águas subterrâneas que abastecem esses rios estão sendo utilizados por toda a população local, mas sem qualquer controle e fiscalização dos órgãos ambientais competentes.

    Os rios da ilha estão em acelerado processo de degradação ambiental, que compromete o abastecimento de água à população, como é o caso do rio Paciência, que inclusive suas águas são utilizadas para a irrigação de hortaliças e também como um manancial subterrâneo, através da perfuração de poços. A poluição por agrotóxicos, também é o principal problema ambiental dessa bacia, devido principalmente as características sedimentares da área.

    Quanto à Geomorfologia, o trabalho do rio Paciência na modelagem do relevo das áreas dos municípios São Luís, São José de Ribamar e Paço do Lumiar podem ser identificados nos trabalhos de campo e de gabinete, através da presença de relevos residuais e colinas esculpidas pela “erosão geológica”. Essa dinâmica envolve etapas de erosão, transporte e deposição do material detrítico das áreas mais elevadas para as mais deprimidas e que são transportados pelos rios através de três formas diferentes: solução, suspensão e saltação.

     

     
    REFERÊNCIAS

     

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    ________. Geomorfologia e Meio Ambiente. Rio de Janeiro, Bertrand Brasil,

     

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