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    X SIMPÓSIO BRASILEIRO DE GEOGRAFIA FÍSICA APLICADA

     

     

    IMPACTOS AMBIENTAIS DOS RESÍDUOS SIDERÚRGICOS NO MUNICÍPIO DE BACABEIRA – CASO MARGUSA.

     

    Autores: SILVA, Lívia Cândice Ribeiro

    SANTOS, José de Ribamar Carvalho

    Orientadora: RODRIGUES, Zulimar Márita

    Instituição: Universidade Federal do Maranhão – UFMA




    Palavras-Chave: siderurgia, impactos ambientais, gusa

     

    Eixo Temático: 3 - Aplicação da Geografia à Pesquisa

    Sub-eixo: 3.4 – Aplicações Temáticas em Estudos de Caso

     

     

     

     

    I – INTRODUÇÂO

    Admite-se que o ferro tenha sido descoberto quando, no período neolítico, fragmentos desse minério, que circundavam as fogueiras feitas para aquecer os homens das cavernas, foram reduzidos a metal sólido pelo calor e o contato com a madeira carbonizada. A exploração de jazidas de ferro começou a ser feita com regularidade em torno de 1500 a.C., provavelmente no Oriente Médio, de onde o metal teria sido importado por Assírios e Egípcios.

    Modernamente, o minério de ferro, além da fabricação do gusa, também é aproveitado para a manufatura de pigmentos, cimento, gás purificado e gás hidrogênio, bem como na fundição de várias ligas metálicas. A maior parte da produção mundial destina-se à indústria siderúrgica, que é uma atividade fundamentalmente de transformação que envolve vários processos interligados como a mineração, o beneficiamento, o transporte, a produção de carvão vegetal e o próprio processo produtivo do ferro gusa.

    Após diversas experiências e inventos chegou-se ao Alto Forno (AF) em meados do século XV. O ferro obtido em Alto Forno tem o nome de ferro gusa, ferro fundido, ou simplesmente gusa. As temperaturas mais elevadas permitiram que o ferro absorvesse mais carbono que carvão e se transformasse em gusa, o qual sai do forno em estado líquido incandescente.

    Foi a partir de 1921 que realmente se iniciou o desenvolvimento da produção brasileira de ferro gusa, com a instalação de diversos Altos Fornos. Já em 1936, fabricava-se no país cerca de 80 mil toneladas. Com a instalação, em 1941, da Companhia Siderúrgica Nacional, em Volta Redonda no Rio de Janeiro, a produção de ferro iniciou uma nova época de desenvolvimento com incentivo estatal.

    No fim do século XX, o Brasil figurava entre os três países possuidores das maiores reservas conhecidas de minério de ferro em todo o mundo. Passou de terceiro a segundo lugar após a descoberta de riquíssimas reservas no norte de Minas Gerais e na Serra de Carajás, no Pará.

    A indústria maranhense em meados da década de 1970 estava concentrada nos municípios de São Luís, Rosário, Santa Inês, Bacabal, Codó, Caxias, Coroatá e Imperatriz, representando juntos mais de 80% das indústrias instaladas no Maranhão. Contudo, faz-se a ressalva que neste período dentre estes municípios, Rosário e Coroatá foram os que menos se desenvolveram industrialmente. No período de 1981 a 1990, o mercado de indústria e empregos foi incrementado em virtude da instalação e implantação de grandes projetos constitutivos do Programa Grande Carajás.

    A área em pesquisa está localizada no município de Bacabeira (figura 01), distando 43 km da capital São Luís, inserido na Mesorregião do Norte Maranhense, Microrregião de Rosário, no Estado do Maranhão. Este município foi recentemente emancipado (ano de 1994), sendo desmembrado do município de Rosário, permanecendo em seu perímetro as indústrias siderúrgicas instaladas nesta área.

    As características geológicas da área em pesquisa remetem à porção oriental da plataforma sul-americana, na Província Estrutural do Parnaíba. Segundo OLIVEIRA (2002), a região do município de Bacabeira situa-se sobre um alto estrutural do embasamento cristalino denominado “Horst” de Rosário. Conforme REZENDE (1970), coberto por sedimentos de idade tércio-quaternária, tratando-se de litólitos granitóides da Suíte Intrusiva de Rosário aflorante do Cratón São Luís.

    Estas rochas afloram em cerca de 20% a 40% da superfície da área de interesse, estando no restante, recobertas por argilitos e siltitos das formações mais recentes; sendo incluídas no Complexo Maracaçumé e são parcialmente cobertas por sedimentos de Formação Itapecuru, Barreiras e Açuí.

    A geomorfologia da área em estudo está representada por tabuleiros, planície fluvio-marinho, manguezais e “campo de Perizes”, pertencente ao Golfão Maranhense. Nessas áreas afloram as rochas sobre a forma de colinas recobertas por superfície de crostas ferruginosas, inconsolidadas. Estas colinas são tabulares de baixa altitude e fraca declividade que se destacam na paisagem extremamente plana, devido aos pequenos desníveis. As elevações atingem até 55 metros de altitude, e a declividade das encostas atinge no máximo 25% em alguns locais (CVRD, 1992).

    A necessidade desta pesquisa dá-se em virtude da concentração de indústrias siderúrgicas na Microrregião de Rosário. Fato este justificado devido às condições criadas a partir do Projeto Grande Carajás (PGC), além de que esta região oferece também: proximidade da fonte de extração da matéria-prima (minério de ferro, fundentes e carvão vegetal), considerável rede de transporte ferroviária, rodoviária e portuária próximas.

     

    Figura 01 – Mapa de localização da área de estudo

     

    A partir desta constatação observou-se a necessidade em avaliar os impactos dos resíduos siderúrgicos no município de Bacabeira, onde estão instaladas as siderúrgicas Metalmam, Margusa e Marloi. Contudo, devem ser considerados, nesta pesquisa, somente os impactos inerentes à produção do ferro gusa da indústria siderúrgica MARGUSA.

    Neste processo de produção, ocorrem impactos ambientais dos mais variados, alterando o equilíbrio deste sistema ambiental. Desta forma serão identificados os principais impactos observados no meio físico, biótico e antrópico, bem como, as principais alternativas mitigadoras.

     

    II – METODOLOGIA

     

    Para a realização desta pesquisa, foram utilizadas como fontes secundárias pesquisas bibliográficas, tais como estudos da área (EIA/RIMA, PCA e monografias), análises de fotos, avaliação do monitoramento da qualidade do ar, água e efluentes da área.

    Como fonte primária foi realizada visita in loco na indústria siderúrgica MARGUSA. Sendo que na avaliação dos impactos ambientais foi utilizado o “Método de Listagem de Controle” (check-list), possibilitando desta maneira uma descrição criteriosa dos impactos observados durante a pesquisa.

     

    III - RESULTADOS E DISCUSSÕES

     

    A tecnologia básica empregada na produção de ferro gusa é convencional neste processo, sendo mundialmente conhecida e empregada na maioria das siderúrgicas nacionais. O ciclo de produção é contínuo, variando entre uma corrida e outra, conforme as peculiaridades dos insumos e temperatura do forno. Sendo que através deste processo a MARGUSA tem uma produção de ferro gusa em torno de 7.000 ton/mês e 84.000 ton/ano.

    O processo operacional de uma usina siderúrgica de ferro gusa é baseado na transformação das matérias-primas minério de ferro, fundentes (quatzo, calcário e manganês) e carvão vegetal. Estes depois de recebidos são depositados em pátios de estocagem e silos, sendo seguido o processo de seleção para posterior produção.

     

    III. 1 - Receptação e Estocagem de Carvão Vegetal

    O carvão vegetal é o redutor naturalmente indicado para a produção de ferro gusa no Brasil. A MARGUSA tem um consumo médio mensal de 21000 MDC de carvão, que chega até a usina por via rodoviária, em caminhões gaiola, sendo que sua descarga é feita manualmente ou por pás carregadeiras, sendo transportados em caminhões basculantes.

    Na estação de recebimento o carvão é descarregado é depositado em pilhas de baixa altura, sendo cobertas por lonas plásticas, a fim de evitar eventuais processos de combustão espontânea.

     

    III. 2 - Estocagem de Minérios e Fundentes

    Após a receptação, os minérios e fundentes são estocados num pátio a céu aberto, e posteriormente são levados para um conjunto de alimentadores vibratórios, peneiras e correias transportadoras.

     

    III. 3 – Carregamento do Alto Forno

    O Alto Forno é um forno de cuba de grandes proporções, de operação simples, mas que exige uma supervisão cuidadosa. A estrutura externa do forno é resfriada com água, internamente é revestido com material refratário, de tijolos cerâmicos que podem ter mais de um metro de espessura.

    O Alto Forno é um aparelho de redução do minério de ferro na produção do ferro gusa, dividindo-se em cadinho, rampa, vente, cuba e goela, contendo ainda os aparelhos auxiliares, como glendons, máquinas de lingotadeira, carregamento, lavadores de gás, descarga de carvão e sala de máquinas.

     

    III. 4 – Produção do Ferro Gusa

    Após o peneiramento, pesagem e medição do minério, dos fundentes (utilizados para que as substâncias se tornem mais fluídas, permitindo separar o ferro da escória) e do carvão vegetal, os insumos são transportados através de correias que convergem para uma correia transportadora principal que leva a carga para o Alto Forno. Após ser completada a carga do Alto Forno, é acionado o sistema de duplo-sino que o fecha, tendo assim a carga despejada no seu interior. Esse sistema visa evitar a evasão dos gases quentes, que são aproveitados para aquecer o ar através de suas entradas pelo sistemas de gás do topo, sendo previamente filtrados.

    O funcionamento é a injeção de ar gerado pela sala de máquinas passando através de glendons para obter temperatura em torno de 1300º C e introduzido para o forno através do conjunto ventaneira, timpa e algaraviz com finalidade de obter reação química (C + ½ O = CO), sendo que nesta região alcança maior temperatura do Alto Forno onde fica o gusa e a escória (impureza) em estado líquido. No Alto Forno é realizada a redução do minério de ferro (Fe2O3) em ferro metálico, isto é, a remoção do oxigênio e impurezas o que resulta na incorporação de carbono (C) ao gusa, formando o carboneto de ferro (Fe3C), que é o ferro gusa.

    O minério é conduzido e descarregado numa rampa onde desliza até os silos e em seguida cai no forno. A carga é lançada numa tremonha giratória para que assim possam ser distribuídos uniformemente o minério, o fundente e o calcário sobre a superfície em que ocorre a fundição. À medida que os materiais são introduzidos, o ferro derretido é recolhido na parte inferior do forno, é quando o calcário se mistura as diversas impurezas e forma assim a escória (constituída basicamente de silicato de cálcio e alumínio), flutuando sobre o ferro.

    No Alto forno existe um orifício lateral para a saída do gusa e um ou dois orifícios, mais acima e separados do primeiro, para a saída da escória. O fechamento do furo de corrida do gusa é efetuado através de um canhão pneumático utilizando lama.

    O gusa líquido produzido no forno é recolhido em uma panela, onde um sistema de ponte rolante faz o basculamento da panela com vazamento do gusa para a lingotadeira do tipo circular. Nesta etapa o gusa é fundido em lingotadeiras de ferro fundido, montadas em carrossel, que após percorrer 120º solidifica-se, sendo despejado em caçambas ou caminhões basculante para o transporte ao pátio de estocagem.

    Segundo Monteiro (1998), a produção de 16 toneladas de ferro gusa pode implicar na destruição de 1 hectare de floresta, na dispersão de enorme quantidade de gases, na destruição de elementos da flora e da fauna e, principalmente, na degradação de ecossistemas que tem sua integridade funcional comprometida.

     

    III. 5 - Possíveis Impactos Ambientais sobre o Meio Físico

     

    1. Qualidade dos Solos

    A presença de certos materiais seja por granulometria, como a estocagem temporária ou permanente de resíduos sólidos gerados pela usina, ou seja, por composição química em certos efluentes dispostos no solo, como a lama proveniente do sistema de lavagem dos gases dos Altos Fornos, podem induzir alterações em propriedades físicas do solo.

    Estas alterações podem gerar a formação de camada impermeável na superfície ou sub-superfície do solo, impedindo assim, a infiltração da água neste local, ou ainda sendo mais provável a perda da fertilidade do solo.

    Avaliação do Impacto: direto, negativo, permanente, imediato, certeza de ocorrência e local.

     

    1. Qualidade da Água

    Estes impactos podem surgir em virtude da drenagem da área observada, MARGUSA, convergir para alguns igarapés vizinhos, alcançando a área inundável do Campo de Perizes. Devido ainda a descarga de águas pluviais contendo sólidos em suspensão e outros lixiviados de áreas de estocagem de matéria-prima e resíduos a céu aberto, além do lançamento de afluentes provenientes da lavagem de máquinas e equipamentos contendo sólidos, óleos e graxas.

    Avaliação do Impacto: direto, negativo, temporário, imediato, provável e municipal.

     

    1. Qualidade do Ar

    Principalmente ligado à emissão de gases na atmosfera, proveniente dos Altos Fornos (Monóxido e Dióxido de Carbono, Alcatrão, Ácido Acético, etc), além da dispersão, por ação eólica ou movimentos de transferência de material particulado, granulado estocado.

    Avaliação do Impacto: direto, negativo, permanente, imediato, certeza de ocorrência e local.

     

    1. Poluição do Solo e dos Recursos Hídricos Subterrâneos

    A poluição do solo pode ocorrer em virtude da presença de escória na superfície, ou ainda a produção de lixo doméstico pelos empregados da siderúrgica. Em virtude da percolação para o lençol freático de substancias resultantes da lavagem dos gases dos Altos Fornos. Além do fato de que na operação da siderúrgica, a utilização das instalações sanitárias gera efluentes, que provocam o aumento da geração de esgoto e conseqüentemente implicações no processo de coleta, tratamento e disposição final dos efluentes.

    Avaliação do Impacto: direto, negativo, temporário, imediato, certeza de ocorrência e local.

     

    1. Aumento da Geração de Resíduos Sólidos

    Na operação da Usina Siderúrgica, há durante todo o processo de produção industrial, a geração de resíduos sólidos como finos de minério, finos de carvão vegetal, escórias e lamas geradas pelos Altos Fornos, além de um aumento na geração de Resíduos Sólidos domiciliares e conseqüentemente aumento na coleta, transporte e disposição final.

    Avaliação do Impacto: direto, negativo, permanente, imediato, certeza de ocorrência e local.

     

    1. Geração de Efluentes Líquidos

    Os efluentes líquidos gerados pela operação da Usina Siderúrgica MARGUSA estão relacionados à água utilizada para a refrigeração dos Altos Fornos, na lavagem dos gases emitidos pelos Altos Fornos e ainda para consumo doméstico. Sendo este último em menor quantidade.

    Avaliação do Impacto: direto, negativo, permanente, imediato, certeza de ocorrência e local.

     

    1. Aumento do Assoreamento de Canais Naturais

    O assoreamento, entendido como deposição de materiais sedimentáveis transportados pela água que escoa de canais naturais, é um fenômeno ligado à erosão do solo e regime de escoamento. Em virtude do aumento de resíduos sólidos (escória, lama, finos de carvão e minério), na superfície, estes podem ser carreados até os igarapés próximos à área do empreendimento.

    Avaliação do Impacto: direto, negativo, permanente, imediato, certeza de ocorrência e municipal.

     

    III. 6 - Possíveis Impactos Ambientais sobre o Meio Biótico

    1. Flora e Fauna

    Os componentes ambientais podem sofrer os impactos diretamente através de uma ação, ou de forma indireta, após uma ação sobre outro componente ambiental (efeito acumulado). Desta maneira, tanto a flora quanto a fauna do perímetro da Siderúrgica podem sofrer interferências decorrentes não só dos resíduos de forma direta, como também dos efeitos destes em outros componentes como a água e solo.

    Este impacto poderá gerar sobre o meio biótico da flora, diminuição da biodiversidade das espécies e alteração na dinâmica de regeneração. Em se tratando da fauna, os impactos poderão ser relacionados à redução de suas fontes de alimentos, gerando uma modificação na cadeia alimentar, destruindo abrigos e nichos ecológicos, deslocando a fauna terrestre e dispersando espécies potencias vetores de doenças.

    Avaliação do Impacto: direto, negativo, permanente, imediato, certeza de ocorrência e local.

     

    1. Exploração Vegetal – Produção de Carvão

    A indústria siderúrgica de ferro gusa tem como um dos insumos mais consumidos o carvão vegetal. Assim a necessidade de grandes demandadas de carvão vegetal que gera conseqüentemente o desmatamento de florestas em larga escala.

    A partir deste impacto direto, desmatamentos florestais, surgem outros impactos decorrentes da retirada desta vegetação como a diminuição de espécies vegetais, destruição de nichos ecológicos, diminuição de biodiversidade. Além dos impactos gerados na atmosfera pela queima de carvão vegetal, como o efeito estufa.

    Avaliação do Impacto: direto, negativo, temporário, imediato, certeza de ocorrência e municipal ou regional.

     

    1. Emissão de Material Particulado

    Este impacto ambiental começa a ser discutido no meio científico e está relacionado ao Efeito Estufa. A fuligem em suspensão absorve radiação solar e pode acelerar o aquecimento global da atmosfera, sobretudo na zona equatorial, como é o caso do Maranhão.

    Avaliação do Impacto: direto, negativo, permanente, imediato, médio a longo prazo e mundial.

     

    III. 7 - Possíveis Impactos Ambientais sobre o Meio Antrópico

    1. Incremento na Economia Regional

    Há um crescimento da demanda em função da dinamização da economia, proporcionado pelo aumento do número de empregos diretos e indiretos, renda, oferta de mão-de-obra, geração de receita em função da arrecadação tributária e outros encargos exigidos pelo governo do Estado.

    Avaliação do Impacto: indireto, positivo, permanente, irreversível, curto prazo e regional.

     

    1. Vetores transmissores de Doenças

    Possibilidade de ocorrência de doenças em virtude da má disposição dos resíduos sólidos e efluentes líquidos gerados durante a operação da indústria siderúrgica.

    Avaliação do Impacto: direto, negativo, temporário, imediato, ocorrência remota e local.

     

    1. Aumento da Movimentação de Transporte

    O aumento da estrutura de transporte e de tráfego de veículos facilita ao acesso ao município promovendo o desenvolvimento da prestação de serviço para o município.

    Avaliação do Impacto: direto, positivo, permanente, imediato, certeza de ocorrência e local.

     

    1. Aumento da Oferta de Mão-de-Obra

    O funcionamento da indústria siderúrgica MARGUSA gera um incremento em termos populacionais, havendo também o aumento do número e do nível de emprego, renda e conseqüentemente incrementa na melhoria da qualidade de vida e economia local.

    Avaliação do Impacto: direto, positivo, permanente, imediato, certeza de ocorrência e local.

     

    III. 8 - Alternativas Mitigadoras e Técnicas Aplicadas

    A avaliação dos impactos decorrentes do processo de operação indica a necessidade de programas especiais. Estes uma vez implantados, possibilitarão a mitigação dos impactos negativos previstos nesta pesquisa, através de medidas preventivas, corretivas e/ou compensatórias, bem como a otimização dos impactos positivos.

    A partir de visita in loco foi percebido que a indústria siderúrgica, MARGUSA, instalada e em pleno funcionamento desde 1996, já utiliza alguns mecanismos e técnicas de mitigação dos impactos concernentes à sua produção de ferro gusa. Desta forma podemos correlacionar estas técnicas de mitigação com o ambiente impactado, assim podemos citar:

     

    1. Qualidade da Água

    Mitigação: existe na área da indústria siderúrgica MARGUSA, uma rede de drenagem para coleta e transporte das águas pluviais captadas nos pátios de estocagem, na área de produção e em torno da usina.

    Há ainda um tanque de sedimentação que recebe a contribuição das águas pluviais e águas de refrigeração dos Altos Fornos. Estas águas são encaminhadas às Lagoas de Retenção, em número de quatro, onde passam sucessivamente e são resfriadas naturalmente, tendo os sólidos precipitados, chegando à quarta lagoa “límpidas”. Passa então pela Barragem de Contensão e são lançadas no Igarapé Taquera.

    Estes tanques de sedimentação devem ser impermeabilizados, visto que o seu material precipitado advém das águas de lavagem dos Altos Fornos, carregadas ainda de material particulado. Sem esta impermeabilização, o material precipitado pode contaminar o lençol freático e atingir os igarapés próximos à área.

     

    1. Contaminação do Ar

    Mitigação: constituída através do monitoramento das emissões atmosféricas e qualidade do ar, ou ainda o controle das emissões geradas durante a britagem e peneiramento do carvão.

    Deve ser empregado nas chaminés dos Altos Fornos, filtros específicos destinados a diminuir a quantidade de poluentes lançados no ar durante a produção do ferro gusa.

     

    1. Geração de Efluentes Líquidos

    Mitigação: na usina de ferro gusa, as fontes de geração de efluentes líquidos são, basicamente, águas de resfriamento da carcaça do Alto Forno, que não necessita de tratamento prévio para a drenagem natural; água de resfriamento das ventaneiras que requer uma vazão de água limpa (a água efluente é recirculada); água de lavagem de gases que são separadas da lama por decantação e retornam ao processo e esgoto sanitário com a utilização de fossa séptica, filtro biológico e/ou sumidouro. Além da coleta e tratamento de efluentes gerados durante a lavagem de máquinas e equipamentos visando a remoção de sólidos, óleos e graxas.

    Estão em operação na industria siderúrgica MARGUSA, os mecanismos necessários para a mitigação dos efluentes líquidos gerados pelo resfriamento dos Altos Fornos e água de resfriamento das ventaneiras. Além do uso de decantador para água de lavagem de gases há também bacias e tanques de sedimentação para a retenção e tratamento do precipitado (lama). Os efluentes dos esgotos sanitários são tratados em fossas sépticas no interior da siderúrgica.

    Os efluentes líquidos drenados na área do pátio de estocagem deverão retornar à estação de tratamento para controle de purgas dos sistemas de lavagem de gases, para que sofram uma decantação, no intuito de precipitar os metais pesados e a oxidação de cianetos.

     

    1. Geração de Resíduos Sólidos

    Mitigação: existem na área da siderúrgica MARGUSA, bacias de contensão de resíduos sólidos para deposição de rejeitos como moinhas de carvão vegetal, pó de balão e lamas da lavagem de gases do Alto Forno. Todos esses resíduos estão depositados a céu aberto em área denominada de Bacia de Contensão de Rejeito, sendo que esta deve ser impermeabilizada e deve ainda contes diques para evitar a dispersão e/ou arraste destes resíduos.

     

    1. Geração de Ruídos

    Mitigação: tem como fonte principal o sistema de beneficiamento dos lingotes e a casa de máquinas. Deve então ser feita uma escala de horários para o funcionamento deste maquinário, sendo obrigatório o uso de Equipamentos de Proteção no Trabalho (EPT). Pode ainda ser implantada uma cortina arbórea na área da usina que contribuirá para diminuir a propagação dos ruídos.

     

    1. Exploração Vegetal – Carvão Vegetal

    Mitigação: a usina siderúrgica MARGUSA não tem “responsabilidade” direta sobre a exploração vegetal, já que esta compra de terceiros esta matéria-prima. Contudo deve haver uma responsabilidade em exigir dos seus fornecedores, uma postura correta e ilesa em relação a sua legalização perante os órgãos ambientais competentes.

    A indústria siderúrgica deve consumir preferencialmente, carvão vegetal oriundo de áreas onde há o reflorestamento, sendo geralmente utilizados o eucalipto.

     

    1. Alternativas para uso dos Resíduos na Indústria Siderúrgica

    O volume de resíduos e efluentes gerados em siderurgia é extremamente elevado. Para cada quatro (4) toneladas de gusa produzida, uma (01) tonelada de Escória Granulada de Alto Forno (EGAF) é gerada. Após estudos realizados, o pesquisador da FAPESP, Paulino E. Coelho, chega a conclusão de que a EGAF pode ser utilizada como matéria-prima na fabricação de vidros.

    Há ainda a possibilidade do aproveitamento na agricultura de recursos disponíveis onde a escória de siderurgia com cerca de três (03) milhões de toneladas anualmente é pouco difundida pela pesquisa nacional, porém estudada e utilizada em várias partes do mundo.

    Uma maneira de minimizar os problemas químicos dos solos do Brasil seria através da correção da acidez do solo e do fornecimento de cálcio e magnésio pelo uso da escória de siderurgia, um resíduo da indústria do aço e ferro gusa constituída basicamente de um silicato de cálcio (CaSiO3) com propriedades corretivas do solo, semelhantes ao calcário, e que atualmente é pouco utilizada na agricultura brasileira, diferente de alguns países como Estados Unidos, Japão e China, nos quais a escória é amplamente utilizada.

     

    III. 9 – Qualidade da Água, Ar e Solo

    Segundo Plano de Controle Ambiental da Siderúrgica Margusa, a água utilizada na área de influência provém de explorações subterrâneas de poços, cacimbas, olhos d’água e açudes. O termo qualidade da água é usado para descrever as características químicas, físicas e biológicas da água, sendo que no caso da área em pesquisa foram compilados dados de três (03) anos para que pudesse ser avaliada a situação do Igarapé Taquera (corpo d’água que recebe os efluentes gerados na usina, após tratamento), localizado após a quarta lagoa de retenção.

    Os resultados obtidos do Igarapé Taquera relatam que a respeito da concentração de Oxigênio dissolvido (OD) na água (fundamental para a vida aquática), apresentam valores em sua maioria abaixo do limite recomendado, indicando que as águas deste corpo hídrico não possuem uma boa capacidade de autodepuração.

    Em relação ao pH, que afeta os processos químicos e biológicos da água, as amostragens revelam ainda que não ocorreram violações na faixa de pH. Constatou-se ainda nenhum tipo de violação quanto aos índices de sulfatos, cloretos, cormo hexavalente, óleos e graxas.

    Quanto ao DBO5 (demanda bioquímica de oxigênio), o valor encontrado estava acima do padrão (5 mg/L), indicando uma necessidade de alta quantidade de oxigênio para estabilizar a matéria orgânica carbonácea.

     

    A avaliação final dos três anos de Monitoramento da qualidade da água do Igarapé Taquera demonstra que o mesmo apresenta pequenas variações em alguns dos parâmetros tais como OD, Ferro Solúvel, Manganês, Cor, Turbidez.

     

    IV – CONCLUSÃO

    Conforme foi abordado nesta pesquisa, uma das principais fontes de degradação ambiental são as atividades do setor industrial. Apesar da sua importância para a economia local e nacional, o setor siderúrgico produz impactos negativos para o ambiente natural, podendo gerar poluição e/ou contaminação do ar e das águas superficiais e subterrâneas com substâncias cuja permanência na atmosfera e no solo provoca efeitos a longo prazo sobre a saúde humana e animal, elimina aqüíferos e transforma o cenário, diminuindo o valor estético da paisagem, que é patrimônio coletivo.

    Dados como estes têm despertado os industriais que estão procurando agregar os efeitos negativos da sua atividade como sendo parte das suas obrigações internas. Essas mudanças ocorreram devido a fatores como a opinião pública que passou a manter-se interessada, a difusão do movimento ambientalista, bem como a inovações tecnológicas que vem reduzindo a poluição.

    Portanto, o grande desafio deste novo século é manter o crescimento industrial minimizando os impactos ambientais destas atividades que a civilização moderna exige. Assim sendo, existe a possibilidade de integração equilibrada entre a indústria, a agricultura e o ambiente imprimindo sustentabilidade nestes sistemas de produção.

     

    V - REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS

     

    ________________.Estudo de Hidrogeologia. Diagnóstico Sócio Ambiental da Macrorregião da Aglomeração Urbana de São Luís e dos Municípios de Alcântara, Bacabeira e Rosário, São Luís, GERCO-CPE/SEMA, 1998.

     

    ________________.Estudo de Hidrologia dos Municípios de Bacabeira e Rosário. São Luís, GERCO-CPE/SEMA, 1998.

     

    COMPANHIAVALE DO RIO DOCE. Projeto Ferro Carajás, São Luís, 1992.

     

    EMBRAPA. Sistema Brasileiro de Classificação de Solos. Serviço de Produção de Informação – SPI. Brasília, DF. 1999.

     

    Estudos de Impacto Ambiental – EIA, Ampliação do Sistema Produtor do Itapecuru, Volume I. R&A/Ênfase Consultoria em Meio Ambiente, Janeiro de 2001.

     

    Estudos de Impacto Ambiental – EIA, MARGUSA – Maranhão Gusa S/A Ênfase Consultoria em Meio Ambiente, 1986.

     

    GUERRA, A.T., & GUERRA, A. J.T. Dicionário Geológico-Geomorfológico. Bertrand Brasil, Rio de Janeiro: 1997.

     

    GUIA DO MARANHÃO. Ano 4 – Nº II. FAMEM/SEBRAE/EMBRATUR.

     

    INSTITUTO BRASILEIRO DE GEOGRAFIA E ESTATÍSTICA – IBGE. Base de Informações Municipais, 2ª ed. 1999.

     

    MARANHÃO. Secretaria do Estado do meio Ambiente, São Luís. Diagnóstico Sócio-Ambiental da Macrorregião Urbana de São Luís e dos Municípios de Alcântara, Bacabeira e Rosário, São Luís, GERCO-CPE/SEMA, 1998.

     

    MONTEIRO, Maurílio de Abreu. Siderurgia e Carvoejamento na Amazônia: drenagem energético-material e pauperização regional. Belém: Editora UFPA, 1998.

     

    OLIVEIRA, Luiz Alves. Diagnóstico Geoambiental das Pedreiras dos Municípios de Rosário e bacabeira – MA. Monografia – UFMA, 2002.

     

    Plano de Controle Ambiental – PCA, MINERAÇÃO MARIANA. Ênfase Consultoria em Meio Ambiente, Setembro de 2001.

     

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