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    X SIMPÓSIO BRASILEIRO DE GEOGRAFIA FÍSICA APLICADA

     

     

    MUNICÍPIO DE DILERMANDO DE AGUIAR-RS: SOCIEDADE E MEIO AMBIENTE

    Medianeira dos Santos Garcia (Licenciada em Geografia e Mestranda em Geografia. Universidade Federal de Santa Maria-UFSM. PPG em Geografia e Geociências. Medigarcia@terra.com.br
    Bernardo Sayão Penna e Souza ( Orientador Prof. Adj. Dr. Departamento de Geociências/UFSM. bernardosps@bol.com.br)
     

     

    Palavra chave: Qualidade da água, geomorfologia aplicada, uso da terra.
     

    Eixo Temático: 3 - Aplicação da Geografia à Pesquisa

    Sub-eixo: 3.4 – Aplicações Temáticas em Estudos de Caso

     

     

     

    1 - INTRODUÇÃO:

     

    Este trabalho está centrado no espaço geográfico do Rio Grande do Sul, sobre a área do sítio urbano do município de Dilermando de Aguiar.

    A justificativa deste trabalho dá-se na carência de dados sobre a qualidade da água. Sabe-se que a água consumida pela população parte é originária de poços, isso é preocupante porquanto a população, além de encaminhar o esgoto doméstico para o arroio mais próximo, também faz uso de poços negros e valas próximas às residências. Além disso muitas unidades residenciais não possuem instalações hidrossanitárias.

    É importante salientar que o município também dispõe de propriedades que usam agrotóxicos para o controle de pragas nas lavouras e outros venenos específicos para combater ratos e moscas (Garcia, 2000, p. 71).


     

    FIGURA 1 – Localização do Município de Dilermando de Aguiar no estado do Rio Grande do Sul.

    Fonte: Garcia, M. dos S. (2000 p.22)

     

     

    FIGURA 2 – Mapa do Município de Dilermando de Aguiar

    Fonte: Garcia, M. dos S. ( 2000 p. 24)

     

    É no ambiente que se materializam as relações que os homens mantêm entre si e a natureza. Por isso, o meio é sempre suporte de todos os modelos de desenvolvimento que ocorrem ao longo do processo de ocupação humana dos espaços, provocando impactos, e uma crescente degradação da terra e, conseqüentemente, uma considerável perda da qualidade de vida pelas populações. O ambiente construído, resultante desse processo ocupacional, requer ações que promovam a reversão da atual tendência pela implementação de modelos de desenvolvimento sustentável, ou seja, um desenvolvimento que atenda às necessidades da população mundial no presente, sem comprometer a satisfação das necessidades das relações futuras.

    A forma como os recursos naturais e culturais vêm sendo tratados, é preocupante. No que se refere à produção rural, muitas vezes, para se extrair um recurso, perde-se outro de maior valor. Um exemplo típico é a preocupação em diminuir as limitações que a natureza impõem à agricultura, com uma tecnologia baseada no uso intensivo de agrotóxicos, fertilizantes, máquinas, sementes melhoradas e insumos. Outro exemplo é a derrubada da floresta nativa para formação de pastos, para a exploração de espécies mais valiosas, ou para a extração mineral que, além de degradar os ecossistemas onde se insere, leva a riqueza para outras regiões ou para fora do país, sem gerar benefícios locais.

    A degradação dos ambientes urbanizados, onde vive hoje a grande maioria da população, é fonte de grande preocupação. A fome, a miséria, a injustiça social, a violência e a baixa qualidade de vida são fatores que estão fortemente relacionados aos modelos de desenvolvimento econômico inadequados, que geram impactos sócio-ambientais.

    Deve-se salientar que o homem utilizando-se de técnicas inadequadas e mantendo atitudes erradas na zona rural, a natureza dará a resposta onde o homem não encontrará mais condições de viver no meio rural ( Rocha, 1990, p. 87).

    Com isso, temos o êxodo rural, onde o homem sem condições e qualificações, muda-se para a cidade que na maioria dos casos propicia o aumento do cinturão de pobreza que forma-se ao redor dos centros urbanos.

    Frente a isso um estudo acerca do espaço Geográfico em que o homem por ser um agente transformador, tem no ambiente um reflexo das relações de dependência entre as características físicas e humanas. Essas são as variáveis importantes no que concerne a mostra dos fatores pelos quais possam estar comprometendo a qualidade da água no município.

    Desta forma, será verificada a qualidade da água dos poços escavados distribuídos nas sub bacias hidrográficas sobre as quais se situa a malha do sítio urbano do município de Dilermando de Aguiar e concluir sobre os fatores do uso da terra que possam interferir na qualidade da água.

    Para o desenvolvimento do estudo, será utilizada a pesquisa bibliográfica, que consiste, segundo GIL (1993:52) em um material já elaborado, constituído principalmente de livros e artigos científicos contemplando, assim as questões relacionadas ao tema em estudo.

    O trabalho de pesquisa consiste de um levantamento bibliográfico do tema e a organização e elaboração de texto que abordam as discussões, o qual constitui-se de resultados parciais de dissertação de mestrado em Geografia, área de concentração em Análise Ambiental e Dinâmica Espacial da Universidade Federal de Santa Maria, que correlacionará dados de ocupação antrópica com a qualidade da água no lençol freático, privilegiando a geomorfologia local.

    Ou seja, o presente trabalho de pesquisa constitui-se de um levantamento bibliográfico acerca do tema, a e organização e elaboração de texto que abordam as discussões, o qual constitui-se de resultados parciais da referida pesquisa.

     

     

    2. – SOCIEDADE E MEIO AMBIENTE

     

    Paralelamente ao crescimento populacional, o nível tecnológico também tem aumentado, facilitando a exploração econômica das populações e uma mais intensa apropriação dos recursos ambientas, como forma de sobrevivência.

    Segundo Orellana (1981, p.13) “a noção moderna sobre recursos naturais é dinâmica, [porquanto esses recursos] relacionam-se com os processos econômico-sociais e a interdependência entre eles determina o seu caráter relativo”.

    Dessa forma pode-se destacar Inacy Sacks , que, segundo Orellana (1981, p.13)

     

    [...] define estratégias de ecodesenvolvimento para diferentes eco-zonas com vistas a um melhor aproveitamento dos recursos específicos de cada eco-zona para satisfazer as necessidades básicas de seus habitantes, com perspectivas a longo prazo, mediante gestão racional desses recursos.

     

    É necessário dar ênfase às características ecológicas locais, e analisar as relações do meio natural com o social.

    Da mesma forma cita-se Ross (1995, p.66), que entende “ [...] as relações das sociedades humanas com a natureza dentro de uma perspectiva absolutamente dinâmica nos aspectos culturais, sociais, econômicos e naturais [...]”, ou seja a pesquisa ambiental de abordagem geográfica deve ocorrer com a visão holística, primando pelas características sociais, econômicas, históricas e naturais. Para isso se faz necessária a multi e a interdisciplinaridade entre as ciências sociais (humanas) e naturais (exatas).

    Para o estudo dos recursos hídricos deve-se ressaltar a importância das diferentes áreas do conhecimento, que, como a geologia, fornecem subsídios para análise das potencialidades, bem como para a compreensão dos diferentes tipos de solo e relevo, assim como a pedologia, que subsidia a avaliação da aptidão ou a capacidade do uso da terra, bem com a fragilidade das formações pedológicas. Entretanto a geomorfologia necessita ainda de outras informações tais como: vegetação, clima, hidrografia, e tipos de uso da terra. Da mesma forma a Climatologia subsidia o conhecimento sobre os solos, a dinâmica do relevo, avaliação dos processos erosivos, inundações, deslizamentos de terras, processos de intemperismo químico (ou pedogênese), e da cobertura vegetal, bem como o regime hídrico dos rios. (Ross, 1995, p.68).

    Dessa forma, a importância do estudo inter e multidisciplinar fica clara, pois o conhecimento da realidade sócio-econômica de uma determinada área a ser estudada é absolutamente fundamental para o entendimento do atual uso dos recursos naturais.

    De acordo com Ross (1995, p.69) “os recursos hídricos, sobretudo as águas das superfícies emersas do planeta, quais sejam os rios, lagos, bem como as águas subterrâneas são um recurso natural que permeia todas as atividades e necessidades humanas”.

    Conforme Souza (2001. p.87).

    A água é um dos elementos essenciais para a sobrevivência da espécie humana, não apenas como elemento saciador da sede, mas também como mantenedor de toda forma de vida existente no globo, da qual a humanidade é igualmente dependente, além de ser um importante regulador térmico da atmosfera do planeta. É ainda, receptáculo e veículo de transporte do resíduo de, praticamente, toda a atividade que é exercida sobre a superfície da terra, e o principal responsável pela modelagem do relevo.

     

    A água é um importante elemento e eficiente instrumento na análise das condições ambientais de uma determinada área.

    Os recursos hídricos superficiais e subterrâneos deterioram-se rapidamente colocando em risco as fontes de suprimento (TUNDISI, 2000 p.12). Sabe-se que a deterioração da qualidade da água tem como fatores principais o aumento da população mundial e a taxa da urbanização.

    Pensando assim, Mello (1999, p.150) afirma que “antes da ocupação, o sistema hídrico existente age de forma a manter seu equilíbrio, o que é modificado após o primeiro sinal de existência humana e mudanças mais acentuadas acontecem à medida que aumenta a população”.

    Sabe-se que a Geomorfologia, segundo Ross (1995) possui um papel integrador das ciências da terra e esse trabalho necessita dessa integração faz-se necessário uma abordagem mais específica sobre a Geomorfologia.

    O equilíbrio dinâmico é alterado pelas intervenções do homem, segundo Palmieri & Larach, (1998, p. 88) “como agente deteriorador do ambiente, o homem causa vários danos ao solo e à cobertura vegetal natural, e, como conseqüência, tem acelerado a degradação dos recursos e da qualidade de vida.”

    Ainda segundo Palmieri & Larach (1998, p.88-89)

    Estas alterações têm sido efetuadas a nível mundial, porém são mais proeminentes nas regiões onde ocorrem ocupações desordenadas das terras e /ou onde a necessidade de sobrevivência predomina sobre os fatores econômicos, sociais e ambientais. A degradação decorrente das modificações ambientais, induzidas pelo homem, no processo de utilização dos recursos naturais, são inúmeras e estão relacionadas, principalmente, com ocupação de áreas inadequadas para urbanização, desmatamento indiscriminado, mineração, extração de saibro, abertura de estradas, aplicação de agroquímicos e utilização de terras sem aptidão para atividades agrícolas e/ou de práticas de preparo e manejo de solos e água inadequados às condições edafo-ambientais, provocando erosão e/ou contaminação dos aquíferos e assoreamento dos rios, canais, lagos, e voçorocamento de cortes de estradas entre outros.

     

    A Geomorfologia é, não só integradora das ciências físicas, mas também das ciências sociais. De acordo com Cunha & Guerra (1998, p. 341)

     

    A Geomorfologia Ambiental tem como tema integrar as questões sociais ás análises da natureza. Deve incorporar em suas observações e análises as relações político-econômicas, importantes na determinação dos resultados dos processos e mudanças. Ainda, com as questões ambientais, a Geomorfologia valorizou, também, o enfoque ecológico, criando novas linhas de trabalho com caráter interdisciplinar.

     

    Essas questões seriam suficientes para enfatizar a necessidade das autoridades e da iniciativa privada em “[...] procurar resolver esses problemas, ou melhor ainda, em tentar evitá-los, através de medidas preventivas, é do campo das ciências ambientais e sociais.” (Cunha & Guerra 1998, p. 344)

    Frente a isso é importante ressaltar que é indispensável para fazer-se uma análise de uma área, deixar da visão setorizada para uma visão integradora. “[...] A bacia hidrográfica, como unidade integradora desses setores (naturais e sociais) deve ser administrada com esta função, [...]” proporcionando um desempenho que possa minimizar os impactos ambientais ou mesmo evitar que esses aconteçam. Ou seja, “[...] as bacias hidrográficas integram uma visão conjunta do comportamento das condições naturais e das atividades humanas nelas desenvolvidas uma vez que, mudanças significativas em qualquer dessas unidades, podem gerar alterações, efeitos e/ou impactos [...]” (Cunha & Guerra 1998, p. 352-353).

     

     

    3 – Considerações Finais

     

    Cientes da carência de dados sobre a qualidade da água consumida pela população residente na área urbana do município de Dilermando de Aguiar, faz-se necessário um levantamento de dados sobre esse recurso, e uma análise ambiental, incluindo uma análise geomorfológica, onde essa pode subsidiar um estudo de forma multi e interdisciplinar.

    Dessa forma, faz-se conveniente a realização de um estudo sobre as ações humanas e seus reflexos no meio ambiente, bem como da geologia, pedologia, da climatologia, e da vegetação locais, para entender melhor a geomorfologia do sistema em análise, e como conseqüência, a qualidade da água no lençol freático.

    Faz-se necessário uma visão integradora que possa vislumbrar um olhar holístico e não setorizado da paisagem a ser estudada, (único, restrito), levando em conta que todas as ações e elementos naturais estão interligadas, e fazem parte de um sistema complexo.

    Também o nível sócio-econômico do homem e suas necessidades, bem como o grau de degradação do meio em que esse homem vive, fazem parte de um conjunto, que deve ser analisado de forma única, mas com muito cuidado para não perder as características principais de suas partes.

     

     

    4 – BIBLIOGRAFIA

     

    GARCIA, Medianeira dos S. Educação Ambiental: Possibilidades de Trabalho nas Séries Iniciais do Ensino Fundamental no Município de Dilermando de Aguiar – RS. Trabalho de Especialização em Geociências. CCNE/UFSM, 2000.

     

    GIL A. C. Como Elaborar Projetos de Pesquisa. 3ª ed., Editora Atlas, São Paulo, 1993, p.159.

     

    GONTAN, Jane E. N. Mapeamento e Caracterização de Feições Pseudo-cársticas em duas áreas do Rio Grande do Sul, através de técnicas de Sensoriamento Remoto. Santa Maria, 2002. 81p. Dissertação de Mestrado do Programa de Pós-Graduação em Engenharia, Área de Concentração em Sensoriamento Remoto. UFSM.

     

    GUERRA, Antonio, José, Teixeira & CUNHA, Sandra, Baptista da, Degradação Ambiental. In: GUERRA, Antonio, José, Teixeira & CUNHA, Sandra, Baptista da Geomorfologia e Meio Ambiente. Rio de Janeiro: Bertrand, 1998.

     

    MELLO, Kray, Sadi. A mútua relação existente entre o rio e o homem. In: (Orgs.) CHASSOT, Attico & CAMPOS, Heraldo, Ciências da terra e meio ambiente. Diálogos para (inter)ações no planeta. Unisinos. São Leopoldo.1999.

     

    ORELLANA, Margarida P. Geografia e Planejamento. A Geomorfologia no Contexto Social. Instituto de Geografia da Universidade de São Paulo. 1981.

     

    PALMIERI, Francesco & LARACH, Jorge Olmos Iturri. Pedologia e Geomorfologia. In: (Orgs.)Guerra, Antonio, José, Teixeira & Cunha, Sandra, Baptista da, Geomorfologia e Meio Ambiente. Rio de Janeiro: Bertrand, 1998.

     

    PIROLI, Edson L. Sistema de Informação Geográfica e Imagem de Satélite para Análise do Uso da Terra na Microbacia do Arroio do Meio – Santa Maria – RS. 1999. 77f. Dissertação de Mestrado do Programa de Pós-Graduação em Engenharia, Área de Concentração em Sensoriamento Remoto. Universidade Federal de Santa Maria.

     

    ROCHA, José S. M. Educação Ambiental. Primeiro e Segundo Graus. Introdução ao Terceiro Grau. Santa Maria, 1990, 115 p.

     

    ROSS, Jurandir L. S. Geomorfologia, Ambiente e Planejamento. São Paulo: Contexto, 1990. 84p.

     

    SOUZA, Bernardo S. P. e A Qualidade da Água de Santa Maria/RS: uma Análise Ambiental das sub bacias Hidrográficas dos rios Ibicuí Mirim e Vacacaí Mirim. 2001. 2001. 234f. Tese ( Doutorado em Geografia Física) Departamento de Geografia da Faculdade de Filosofia, Letras e Ciências Humanas, Universidade de São Paulo, 2001.

     

    TUNDISI, José G. Limnologia e Gerenciamento Integrado de Recursos Hídricos: avanços conceituais e metodológicos. In: Ciência e Ambiente: Gestão das Águas, 21,Universidade Federal de Santa Maria, jul./dez 2000.174p.