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    X SIMPÓSIO BRASILEIRO DE GEOGRAFIA FÍSICA APLICADA

     

     

    Avaliação ambiental da bacia hidrográfica do rio Pirangi-RN

     

     

    Josemberg Pessoa Borges

    Maria Francisca de Jesus Lírio Ramalho

     

     

    Universidade Federal do Rio Grande do Norte

    Departamento de Geografia

     

    Palavra chave: Erosão, Geoprocessamento.

     

    Eixo Temático: 3 - Aplicação da Geografia à Pesquisa

    Sub-eixo: 3.4 – Aplicações Temáticas em Estudos de Caso

     

     

    A avaliação ambiental tem reconhecido valor para o diagnostico das vulnerabilidades ambientais face ao estágio de desenvolvimento e ocupação humana, pois permite que se identifiquem áreas de potenciais riscos e que merecem maiores cuidados, sendo por isso um importante instrumento para tomada de decisões políticas a respeito do uso espacial. Com vista em utilizar está ferramenta realizamos essa pesquisa sobre a bacia hidrográfica do rio Pirangi. Localizada na região metropolitana do estado do Rio Grande do Norte com coordenadas 35º 30’ W – 35º 00’ W de Longitude e 05º 50’ S – 06º 30’ S de Latitude numa área de 407,2 Km2, compreende os municípios de Natal, Parnamirim, Macaíba, Nísia Floresta, São José de Mipibú e Vera Cruz. A referida bacia encontra-se em elevado estágio de ocupação humana que se diversifica pelas atividades agrícolas, loteamentos de sítios e granjas e construções. Essas formas de uso, além de outras como desmatamentos, retirada de material das encostas, associadas às condições físicas propiciam a evolução de processos erosivos. Para o conhecimento dos riscos de erosão encontrados nessa área elaboramos com base no uso de geoprocessamento, técnica de intercruzamento e ponderação de mapas temáticos utilizadas no Sistema Geográfico de Informação SAGA do LAGEOP/UFRJ, um mapa de risco de erosão da bacia, que se propõem a demonstrar o grau de cuidados que uma dada área merece em termos de uso e ocupação para que assim possa ser bem utilizada. O resultado apresentado no mapa foi interpretado de acordo com a abordagem sistêmica, objetivando uma visão holística do ambiente, tendo em vista uma compreensão global das variáveis e da atuação do homem sobre elas.

    O trabalho constou inicialmente em pesquisas bibliográficas sobre o assunto de interesse em órgãos públicos e bibliotecas. Posteriormente foram elaborados e compilados os mapas necessários para a avaliação: geomorfologia, hipsometria, cobertura superficiais e de uso e ocupação. Esses mapas foram tomados como eixos, dada a sua importância ao estudo e acessibilidade. Mapas como o de declividades e geológico ficaram de fora dessa etapa do trabalho devido à incompatibilidade de dados com a escala de 1:50.000 proposta para esse estudo. Entretanto, pretende-se continuar a pesquisa com a aquisição futura dessas informações.

    De posse dos mapas temáticos disponíveis partimos para a compatibilização das escalas, correspondendo ao pré-processamento para entrada no SAGA. Este SGI utiliza a estrutura de dados do formato raster, constituindo-se de três módulos: montagem, que compreende as funções de conversão de formatos; georreferenciamento e modulação das bases, o TraçaVet, responsável pelo traçado semi-automático de vetores correspondentes as feições ou legendas de cada mapa, e o de analise ambiental, considerado o cerne do programa, onde se podem realizar diversas analises de grande auxilio a pesquisas ambientais. A avaliação ambiental é uma das possibilidades encontradas neste ultimo módulo e foi a que realizamos nessa pesquisa junto com uma planimetria para o reconhecimento de feições em espaços comuns de mapas intercruzados.

    Para a realização da avaliação foram atribuídos pesos percentuais aos mapas temáticos de acordo com sua importância para o fenômeno estudado, e notas que variam de zero a dez para as feições que contribuem em diferentes escalas para a ocorrência de erosão. Com esse percentual estatístico o SAGA realiza uma media ponderada simples entre os pixels dos mapas digitais interpolados, e apresenta um mapa com uma associação de resultados, com categorias variando em dez graus de susceptibilidade, o qual foi denominado de mapa de risco de erosão da bacia do rio Pirangi. Para a composição da legenda essas áreas foram agrupadas em cinco estágios: fora de risco de erosão, correspondendo a zero; baixo risco, referente ao intervalo de 1 a 3; médio risco, de 4 a 7; áreas com risco, compreendem a 8 e 9; e alto risco correspondendo a 10. De acordo com os resultados pode-se avaliar que cerca de 37% de suas áreas apresentam possibilidades reais de ocorrência de erosão (categorias com risco e alto risco), sendo que 4,6 % desse total são áreas de alto risco. Tal situação ocorre, segundo a planimetria realizada, em áreas de dunas e vertentes, com solos de Associação de Coberturas Arenosas e Latossolos com cerca de 40% e de Cobertura Arenosa Podzolizadas com 22%, compreendendo a regiões com altitudes entre 20 e 60 m. Percebe-se que essas ocorrências físicas associadas ao uso e ocupação do solo tornam essa região uma área potencial para ocorrências erosivas, tem-se portanto a necessidade de planejamentos conservacionistas para viabilizar o processo de conservação e uso das terras.

    Da avaliação ambiental pode-se concluir que as modificações negativas do agente antropico, sobre o meio físico, principalmente desmatando e mantendo praticas inadequadas em locais com características favoráveis a erosão, como nas encostas com coberturas arenosas, está levando com a evolução desse quadro a um desequilíbrio ambiental, que pode repercutir em prejuízos ao próprio homem. A essas áreas propomos que sejam realizados reflorestamentos e que se tenham maiores cuidados quanto a seu uso. A respeito da utilidade do sistema de analise ambiental do SAGA, pode-se dizer que esse software foi uma ferramenta importante aos estudos da bacia hidrográfica do Pirangi, permitindo intercruzamentos, que auxiliam nas analises dos dados relacionados, propiciando um meio de constantes e rápidas atualizações.

    É nosso propósito realizarmos futuramente estudos mais detalhados e que ocorram de forma sistemática, e por maior intervalo de tempo monitorar a sucessão de condições ambientais, para obtenção de resultados mais concretos. Espera-se contar com os órgãos responsáveis na elaboração de cartas temáticas dessa área em escalas de detalhes para estudos ambientais, que facilitem a execução de novos trabalhos.

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