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X SIMPÓSIO BRASILEIRO DE GEOGRAFIA FÍSICA APLICADA

 

 

MAPEAMENTO GEOMORFOLÓGICO DA FOLHA DE GRAVATAÍ (SH.22-X-C e D)[1]

 

Adriane Ester Bülow[2]

Universidade Federal de Santa Maria/RS (UFSM)[3]

 

Palavras-chave: Geomorfologia; Cartografia

 

Eixo Temático: 3 - Aplicação da Geografia à Pesquisa

Sub-eixo: 3.4 – Aplicações Temáticas em Estudos de Caso

 

 

 

1 INTRODUÇÃO

A história da humanidade sempre esteve estreitamente vinculada a natureza, pois esta lhe assegura os recursos necessários a sobrevivência. Porém, a maneira como o homem tem se apropriado desses recursos vem provocando sérias alterações no meio ambiente. Inicialmente, o homem buscava na natureza, através das práticas de caça e coleta, apenas os produtos necessários a sua alimentação, entretanto, com o passar do tempo e advento da industrialização houve uma intensificação da exploração dos recursos naturais que conduziu a uma preocupação de ordem mundial no que se refere à preservação da vida no Planeta.

Na tentativa de racionalizar as formas predatórias de exploração dos recursos naturais, é que têm sido desenvolvidas pesquisas referentes à preservação do meio ambiente. Nesta perspectiva, ganham ênfase as ciências da Terra, que fornecem as informações necessárias à compreensão dos fenômenos que resultam na degradação ambiental. Surge assim, numa perspectiva mais ampla, ou seja, de caráter integrador a Geomorfologia, sendo esta a ciência capaz de relacionar fenômenos físicos e sócio-econômicos, de forma a possibilitar a compreensão do modelado terrestre (Christofoletti, 1995).

Pelo fato da Geomorfologia possibilitar a compreensão do sistema ambiental físico, que atua como condicionante às atividades humanas, os mapeamentos geomorfológicos aparecem como importantes ferramentas à realização de projetos voltados a preservação dos recursos naturais, uma vez que estes permitem a visualização do quadro ambiental em questão. Neste sentido Tricart apud Ross (1990, p. 52) comenta, “o mapeamento geomorfológico constitui a base da pesquisa e não a concretização gráfica da pesquisa já feita”.

Como se observa, a Geomorfologia fornece através da Cartografia subsídios ao conhecimento da realidade espacial em questão, ou seja, identificação das formas do relevo de acordo com sua gênese e os processos morfogenéticos responsáveis pela sua dinâmica, possibilitando, assim, o planejamento das formas mais apropriadas de ocupação de uma determinada área. Desta forma, é de extrema valia que o mapeamento seja o retrato fiel da realidade e não apenas aquilo que se deduz sobre a análise geomorfológica da área, devendo, portanto, representar as diferentes dimensões das formas de relevo, dentro da escala compatível (Ross, 1996).

Estudos geomorfológicos que identifiquem a estrutura do relevo podem ser realizados em escalas pequenas, como a escala de 1: 250.000, que neste caso específico corresponde ao mapeamento de parte da área da Carta Topográfica de Gravataí/RS, propondo-se dessa forma, uma abordagem com o objetivo de identificar os domínios morfoestruturais existentes na área em estudo, bem com as particularidades verificadas em cada unidade morfológica.

Para tanto, propôs-se como objetivos específicos para a realização desse estudo:

- Identificar áreas homogêneas quanto à textura do relevo;

- Observar as variações no que se refere à dissecação do relevo aos canais fluviais em cada uma das unidades morfoestruturais, através do traçado de perfis topográficos;

- Classificar a área de estudo de acordo com os níveis taxionômicos da carta geomorfológica proposta pelo Projeto Radambrasil apud Ross (1996).

 

2 METODOLOGIA

 

2.1 Caracterização geral da área

A área em estudo situa-se na porção nordeste do Estado do Rio Grande do Sul e sudeste de Santa Catarina. Localizada em sua maior parte na Bacia do Paraná, cuja denominação é Planalto Meridional e outra porção que corresponde à parte dos Depósitos Quaternários denominada Planície Costeira. Apresenta-se definida pelas seguintes coordenadas geográficas 29°00’ a 29°36’ de Latitude Sul em relação à Linha do Equador e 49°30’ a 50°29’ de Longitude Oeste em relação ao Meridiano de Greenwich.

De acordo com Horn Filho et al (1984) a área em estudo apresenta a seguinte estratigrafia: Formação Serra Geral, Formação Botucatu, Depósitos Eólicos de Dunas Litorâneas, Depósitos Marinhos Praiais, Depósitos Lagunares, Depósitos Aluvionares e Depósitos Coluviais.

Segundo os dados do Projeto Radambrasil (1986), a Formação Serra Geral corresponde à porção de maior altitude na área em estudo, constituída de espessa seqüência de vulcanitos basálticos, contendo termos ácidos intercalados, que se tornam mais abundantes na porção superior desta formação. Estratigraficamente situada abaixo do derrame inferior de lava da formação Serra Geral, aparece a Formação Botucatu, constituída por espesso pacote de arenito eólico, podendo apresentar-se intercalada nos derrames basálticos.

Em relação às formações deposionais correspondentes aos Depósitos Quaternários, observam-se algumas distinções ao que se refere a sua composição: os Depósitos Eólicos de Dunas Litorâneas possuem dinâmica deposicional ativa, provenientes da faixa de praia, onde os grãos de areia encontram-se soltos sobre a superfície, sendo transportados pelo vento em direção ao continente onde se acumulam. Aparece na área em estudo ao longo de todo o litoral, sob a forma de Depósitos Marinhos ou Lagunares (Projeto Radambrasil, 1986).

Segundo os dados do mesmo Projeto, os Depósitos Marinhos Praiais caracterizam-se como uma sucessão de lombadas baixas intercaladas com depressões alagadiças. Desenvolvem-se entre os campos de dunas ativas, a leste, e o sistema lagunar, a oeste. Logo, os Depósitos Lagunares ou Lacustres apresentam sedimentos constituídos por areias, silte, argilas e turfas, em parte oriundas da carga fluvial que alimenta as lagoas costeiras, bem como do retrabalhamento de sedimentos litorâneos mais antigos e mesmo da progressiva colmotação dos corpos lacustres.

Em relação às planícies formadas a partir dos canais fluviais, as formações deposionais ali existentes classificam-se em dois tipos distintos, os Depósitos Aluvionares que ocupam as calhas dos rios atuais, sendo constituídos de areias, cascalhos, siltes e argilas. Os sedimentos mais grosseiros localizam-se de modo preferencial nas cabeceiras das drenagens oriundas das escarpas basálticas. E os Depósitos Coluviais que são conglomerados imaturos e inconsolidados, com dominância de seixos de basalto, ocorrendo ao longo da Serra Geral. A localização destes depósitos está relacionada à energia do relevo, que facilita o deslocamento dos materiais ao longo das encostas (Projeto Radambrasil, 1986).

Referindo-se a geomorfologia da área Zaions (1989) coloca que a mesma apresenta-se dividida em dois compartimentos geomorfológicos: o Planalto também subdividido em Escarpa ou Encosta do Planalto e as Coxilhas da Superfície do Planalto; e a Planície Costeira, subdividida em Praias, Dunas, Restingas, e a Planície Litorânea.

Conforme dados do Projeto Radambrasil (1986), as Coxilhas da Superfície do Planalto ou Campos Gerais caracterizam-se por formas de relevo de dissecação diferencial, traduzidas por profundos entalhamentos fluviais que se apresentam embutidos em linhas estruturais. As drenagens apresentam diversas orientações estruturais.

A Escarpa ou Encosta do Planalto constitui a Unidade Geomorfológica Serra Geral constituída de terminais escarpados abruptos do Planalto dos Campos Gerais, nas bordas leste e sul desenvolvidas sobre rochas efusivas básicas. A borda leste representa um relevo bastante escarpado com desníveis acentuados de até 1000m, correspondendo a área conhecida como Aparados da Serra. Nesta unidade, apresentam-se prolongamentos do escarpamento da Serra Geral, junto às redes de drenagem, em formas alongadas, digitadas e irregulares, que avançam sobre a Região Geomorfológica Planície Costeira (Interna e Externa) como verdadeiros esporões interfluviais, sendo alguns deles isolados formando os morros testemunhos (Projeto Radambrasil, 1986).

Segundo dados do mesmo Projeto, a Planície Costeira apresenta-se subdividida em Interna e Externa. Sendo que a Planície Costeira Interna é formada por áreas baixas constituindo as Praias, Dunas e Restingas, localizada entre a Planície Costeira Externa (à leste) e os relevos planálticos (à oeste). Já a Planície Costeira Externa corresponde aos modelados formados pelos depósitos marinhos e eólicos denominando-se Planície Litorânea ou Marinha.

No que se refere a cobertura vegetal Salvia (1983) comenta que a área em estudo apresenta Pastagens Nativas e Florestas Nativas. Na Unidade Geomorfológica Planície Costeira existem ainda resquícios da vegetação pioneira. Já na área dos Aparados da Serra ocorre a Floresta Ombrófila Densa e na área serrana desenvolvem-se Floresta Estacional Semidecidual e Estacional Decidual, em parte substituída por vegetação secundária. Enquanto na Unidade Geomorfológica Planalto das Araucárias desenvolve-se Floresta Estacional Decidual, que vem sendo substituídas por vegetação secundária devida à ação antrópica. A cobertura florestal dominante é a Araucária angustifólia. (Projeto Radambrasil, 1986).

De acordo com Porto (1970) existem na área Solos com Horizonte B Latossólico, Solos com Horizonte B, Solos Arenosos Quartzosos e Solos pouco desenvolvidos e Argila de atividade alta.

Na Planície Costeira aparecem solos orgânicos, com areias quartzosas Hidromórficas e Dunas. Enquanto que terras roxas Estruturadas, Brunizéns Avermelhados, Solos Litólicos e Cambissolos ocorrem na Unidade Patamares da Serra Geral. Já, na Unidade Planalto dos Campos Gerais, região de Vacaria, dominam solos mais profundos, pertencentes às classes Latossolo Bruno, Latossolo Bruno intermediário para Latossolo Roxo e Terra Bruno Estruturada intermediária para Latossolo Roxo e Terra Bruna Estruturada intermediária para Podzólico Vermelho-Escuro (Projeto Radambrasil, 1986).

 

2.2 Materiais

Para a execução deste trabalho, foram utilizados diversos materiais cartográficos, como: cartas topográficas, mapa geológico, mapa morfológico, mapa de solos, mapa de vegetação e imagem de satélite. Foram utilizados, ainda: papel vegetal, papel milimetrado, lápis dermatográfico, lápis de cor, régua, mesa de luz e mesa digitalizadora.

2.3 Métodos

Primeiramente selecionou-se a imagem de satélite LANDAST 4 de 29/10/1982; órbita ponto 220/80, onde foi delimitada a área de estudo, tomando-se como referência para a execução desta delimitação a Carta Topográfica de Gravataí em escala similar (1:250.000), valendo-se do momento para realizar o cálculo das coordenadas geográficas da área.

Em segundo momento realizou-se a cartografação e análise geomorfológica da área em estudo de acordo com a metodologia proposta pelo Projeto Radambrasil apud Ross (1996). Onde foram considerados níveis taxionômicos descritos a seguir.

Primeiro Táxon – Unidades Morfoestruturais

Correspondem as macroestruturas do relevo, sendo representadas por famílias de cores. A execução desta etapa constituiu-se na demarcação das áreas homogêneas quanto à textura do relevo, sobre a imagem de satélite, com o lápis dermatográfico. Transferindo-se tal delimitação para o papel poliéster, utilizando a mesa de luz como material de apoio.

Segundo Táxon – Unidades Morfoesculturais

Correspondem aos compartimentos e subcompartimentos do relevo pertencentes a uma determinada morfoestrutura e posicionados em diferentes níveis topográficos. São representados por tons de uma determinada família de cor. Nesta etapa faz-se a subdivisão das unidades morfoestruturais presentes na área, a partir da imagem de satélite.

Terceiro Táxon – Unidades Morfológicas ou Padrões de Formas Semelhantes

Correspondem aos agrupamentos de formas de agradação (relevo de acumulação) e formas de denudação (relevo de dissecação) representada pelas letras A e D, respectivamente. Para a execução desta etapa foram traçados perfis topográficos nas diferentes unidades morfoesculturais (segundo táxon) presentes na área em estudo a partir de cartas topográficas na escala de 1:50.000. Optou-se pelo traçado de um ou mais perfis em cada área definida como sendo de texturas de relevo homogêneas a fim de aumentar o grau de precisão das análises.

Quarto Táxon – Formas individualizadas, indicadas no conjunto

Correspondem as tipologias do modelado, ou seja, as letras minúsculas que acompanham as maiúsculas (A ou D). Sendo assim, as formas de Acumulação (A), podem ser dos seguintes tipos: Formas planície fluvial (Apf), planície marinha (Apm), planície lacustre (Apl), planície intertidal (Api), campos de dunas (Ad), terraços fluviais (Atf), terraços marinhos (Atm). Enquanto que as formas de denudação (D) podem ser classificadas em: Formas com topos aguçadas (Da), topos convexas (Dc), topos tabulares (Dt), superfícies planas (Dp), escarpas (De) e vertentes (Dv).

Quinto Táxon – Formas de relevo ou vertentes

Correspondem as vertentes identificadas por seus diversos setores, que indicam determinadas características genéticas. A representação dessa unidade é feita através de algarismos arábicos que acompanham os conjuntos de letras obtidos no quarto táxon. Sendo que para efetuar a classificação dos padrões de dissecação mediram-se as distâncias interfluviares dos perfis topográficos (terceiro táxon) através da medição dos interflúvios, com a utilização régua, no que se refere ao grau de entalhamento (sentido vertical) e a dimensão interfluvial (sentido horizontal) devendo-se multiplicar esses últimos valores pela escala dos perfis. Por último, são extraídos os índices de dissecação de acordo com as combinações dos resultados obtidos nos dois sentidos analisados, recebendo índices de 1 a 5 para o grau de entalhamento, recebendo também a numeração de 1 a 5 para a dimensão interfluvial.

Sexto Táxon – Pequenas formas de relevo

Correspondem as pequenas formas de relevo que se desenvolvem, geralmente por interferência antrópica, ao longo das vertentes. São formas geradas pelos processos erosivos e acumulativos atuais. É importante ressaltar que este não será aplicado no presente mapeamento, este táxon requer uma análise mais detalhada, possível somente a partir de materiais em escalas grandes ou até mesmo vistoria a campo, inoportunas nesta pesquisa.

 

3 RESULTADOS

A análise dos dados obtidos a partir do mapeamento geomorfológico foi feita pela ordenação desses dados de acordo com os níveis taxionômicos da metodologia proposta Pelo Projeto Radambrasil apud Ross (1996), excetuando apenas o sexto nível taxionômico que não pode ser analisado em função da escala do material cartográfico utilizado.

 

3.1 Primeiro Táxon: Unidades Morfoestruturais

De acordo com a análise visual da imagem de satélite, utilizando-se ainda como material de apoio carta topográfica e mapa geológico, constatou-se através destes a presença de grandes morfoestruturas na área estudada, a Bacia do Paraná que corresponde à porção oeste do mapa e os Depósitos Quaternários situada na porção centro-oriental até o Oceano Atlântico.

Segundo fora mencionado na metodologia as unidades morfoestruturais aparecem representadas no mapa geomorfológico através de famílias de cores, sendo assim, a cor verde corresponde na área mapeada a Unidade Morfoestrutural Bacia do Paraná e a cor amarela corresponde a Unidade Morfoestrutural dos Depósitos Quaternários (figura 1).

 

3.2 Segundo Táxon: Unidades Morfoesculturais

A divisão área estudada apresenta as seguintes Unidades Morfoesculturais:

Unidade Morfoestrutural Bacia do Paraná: (cor verde na figura 1), aparecem as Unidades Morfoesculturais as Coxilhas da Superfície do Planalto e a Escarpa ou Encosta do Planalto, identificadas pelos tons de verde. Estas Unidades aparecem como Compartimento Geomorfológico Planalto das Araucárias.

Unidade Morfoestrutural dos Depósitos Quaternários: (cor amarela na figura 1) encontram-se as Unidades Morfoesculturais Planície Lagunar (Praias, Dunas, Restingas) e a Planície Marinha, identificadas pelos tons de amarelo. Estas Unidades são representadas pelo Compartimento Geomorfológico Planícies Costeiras Interna e Externa.

 

 

 Figura 1- Mapa Geomorfológico da Folha de Gravataí (SH.22-X-C e D)

  

3.3 Terceiro Táxon: Unidades Morfológicas ou Padrões de Formas Semelhantes

Este nível taxionômico representa pequenas formas de relevo que guardam muita semelhança entre si, diferindo-se no aspecto fisionômico, devido à influência dos canais fluviais, por isso, requerem uma análise mais detalhada. Optou-se, no entanto, pelo traçado de perfis topográficos em escala maior que adotada para o mapeamento, ou seja, 1: 50.000, tendo em vista que o mapeamento apresenta escala de 1: 250.000. Estes perfis foram traçados com um exagero vertical de 5 vezes, possibilitando assim, a análise dos processos degradacionais (D) ou agradacionais (A) nos perfis topográficos traçados.

Unidade Morfoestrutural Bacia do Paraná - nesta Unidade ocorrem as formas de natureza genética denudacional, ou seja, onde acontecem os processos erosivos com diferentes graus de intensidade de acordo com as Unidades Morfoesculturais que seguem:

 Unidade Morfoescultural Coxilhas da Superfície do Planalto: caracteriza-se como relevo homogêneo com formas suaves tendo um padrão de dissecação regular ao longo do perfil gerado (figura 2), apresentando, entretanto, diferenças referentes à dissecação dessas pequenas formas contidas na Unidade.

 

Figura 2: Perfil topográfico identificado no mapa geomorfológico pelo número 1.

 

Unidade Morfoescultural Escarpa ou Encosta do Planalto: caracteriza-se como relevo bastante irregular devido as grandes diferenças altimétricas dessa porção. Existem áreas com pequena heterogeneidade nas formas do relevo (figura 3), assim como áreas de declividade muito acentuada, na ordem dos 1000m em alguns pontos (figura 4) e menos intensas em outras que aparecem sob a forma de “morros testemunhos”, o que representa que estes estão situados em área de transição entre as duas unidades morfoesculturais.

 

Figura 3: Perfil topográfico identificado no mapa geomorfológico pelo número 2.

 

 

Figura 4: Perfil topográfico identificado no mapa geomorfológico pelo número 3.

 

Unidade Morfoestrutural dos Depósitos Quaternários - nesta unidade ocorrem às formas de natureza genética agradacional, ou seja, onde acontecem os processos acumulativos de diferentes naturezas de acordo com as Unidades Morfoesculturais.

 Planície Lagunar: situada entre a Planície Litorânea e a Escarpa do Planalto, constituindo-se, de sedimentos provenientes de ambas as partes. Caracteriza-se como uma área bastante homogênea excetuando apenas as formações de dunas responsáveis por pequenas variações do relevo. O perfil gerado nesta área retrata um relevo totalmente plano (figura 5), onde os processos morfogenéticos atuantes são as acumulações de sedimentos provenientes das porções mais elevadas. Os canais fluviais são os responsáveis pelo transporte desses sedimentos.

 

Figura 5: Perfil topográfico identificado no mapa geomorfológico pelo número 4.

 

Planície Marinha: situada entre as lagoas e o oceano caracteriza-se pela homogeneidade do relevo que se apresenta plano, não permitindo a geração de perfis topográficos escala trabalhada.

 

3.4 Quarto Táxon: Formas individualizadas, indicadas no conjunto

Analisa-se neste momento as letras minúsculas que deverão acompanhar as letras maiúsculas definidas nos perfis topográficos referentes ao terceiro táxon.

Na Unidade Morfoestrutural Bacia do Paraná, verifica-se através do perfil obtido na Unidade Morfoescultural Coxilhas da Superfície do Planalto as Formas Denudacionais de superfícies planas (Dp). Na Unidade Morfoescultural Escarpa ou Encosta do Planalto, da mesma forma como na unidade anterior verificam-se realidades diferentes. A primeira caracteriza-se pelo aspecto colinoso, que indica estar em área de transição entre duas unidades, uma realidade que denota menor dissecação do relevo com Formas Denudacionais com topos convexos (Dc). Já as formas Denudacionais com topos aguçados (Da), apresentam padrão de dissecação muito elevado.

Na Unidade Morfoestrutural dos Depósitos Quaternários ocorrem as Formas de Acumulação lacustre (Apl) situados na Unidade Morfoestrutural Planície Lagunar. Já a Planície Marinha devido ao fato desta ser muito plana não permite que se elaborem perfis topográficos na escala de 1:50.000.

 

3.5 Quinto Táxon: Formas de relevo ou vertentes

Este táxon corresponde à combinação de algarismos arábicos que representam o grau de entalhamento e a dimensão interfluvial dos canais fluviais, sendo que estes acompanham as letras maiúsculas e minúsculas obtidas através dos perfis topográficos do terceiro táxon e que estão representadas na figura1.

Na Unidade Morfoescultural Coxilhas da Superfície do Planalto aparecem as combinações 13 e 14, assim, apresentam os conjuntos Dp13 e Dp14, significando que esta área mesmo sendo de origem denudacional onde ocorrem os processos erosivos, o grau de dissecação do relevo é ameno, pois representa grau de entalhamento baixo associado a uma dimensão interfluvial grande.

Na Unidade Morfoescultural Escarpa ou Encosta do Planalto onde as Formas Denudacionais apresentam a combinação 43. Aparece o conjunto Dc43 que representa um grau de entalhamento maior e dimensão interfluvial menor em relação à Unidade Morfoescultural anteriormente mencionada, significando que a dissecação do relevo ocorre de forma mais intensa em relação à outra. Registram-se os topos aguçados acompanhados dos algarismos 53, onde o grau de dissecação do relevo é muito forte, aparecem os conjuntos Da53, marcados por processos erosivos bastante intensos.

Nas Unidades Morfoesculturais Planície Lagunar e Planície Marinha, ocorrem às formas de agradação, conforme fora mencionado anteriormente, e estas não recebem algarismos arábicos, pelo fato de não apresentarem dissecação através de processos erosivos.

 

 

4 CONSIDERAÇÕES FINAIS

De acordo com os resultados obtidos através da aplicação das técnicas dos níveis taxonômicos, verificou-se que a área em estudo apresenta grande heterogeneidade no que se refere à textura do relevo. Esta heterogeneidade pode ser verificada através dos perfis topográficos elaborados no terceiro nível taxionômico.

Conforme pode ser observado na figura 1, a área mapeada abrange diferentes unidades de relevo, constatando-se a presença da Unidade Morfoestrutural Bacia do Paraná e da Unidade Morfoestrutural dos Depósitos Quaternários, assim como a transição entre ambas, bem como os testemunhos do recuo da Bacia do Paraná entremeadas nos Depósitos Quaternários. Verifica-se, desta forma, uma porção relativamente plana com suaves ondulações na superfície do Planalto, que constituem a Unidade Morfoescultural Coxilhas da Superfície do Planalto, sendo que estas ondulações aumentam à medida que se aproximam da Unidade Morfoescultural Escarpa ou Encosta do Planalto, passando a constituir-se em escarpas acentuadas até atingir as planícies aluviais, lagunares e marinhas correspondentes a Unidade Morfoestrutural dos Depósitos Quaternários.

Constata-se, através dessas análises que a área mapeada, constitui-se em uma área onde os fenômenos morfogenéticos apresentam-se em plena atividade, permitindo a avaliação dos diferentes fenômenos, como: erosão, transporte e deposição de sedimentos, sendo que estes fenômenos são facilmente dedutíveis a partir da observação e análise dos perfis topográficos gerados, onde a amplitude altimétrica é superior a 1000m.

Considera-se desta forma a relevância deste tipo de mapeamento no que se refere à execução de planejamentos de ocupação dos recursos naturais, visando a sua preservação, pois permitem através a aplicação de técnicas cartográficas como o traçado de perfis topográficos, a análise da realidade de uma determinada área, sem a necessidade de vistoria a campo para o nível de abrangência requerido pelos níveis taxionômicos, exceto o sexto nível que requer maior detalhamento.

Recomenda-se, entretanto, que sejam efetuados estudos similares em outras áreas, pois esta técnica retrata de forma bastante clara a realidade espacial analisada dentro do nível de detalhamento permitido pela escala adotada, constituindo-se assim numa maneira simples de aplicar os conhecimentos geomorfológicos na execução de pesquisas ambientais.

 

 

NOTAS

 

[1] Trabalho realizado na disciplina de Geomorfologia do Curso de Especialização em Geomática da UFSM, sob orientação do professor Waterloo Pereira Filho.

[2] Licenciada em Geografia, especialista em Geomática e aluna do Curso de Geografia-Bacharelado pela UFSM. Professora da Rede Pública do Estado do Rio Grande do Sul (ensinos Fundamental e Médio). e-mail: abulow@bol.com.br.

[3] Instituição onde o trabalho foi desenvolvido.

 

 

5 BIBLIOGRAFIA

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Horn Filho, N. O et al. Mapa Geológico – Folhas de Três Cachoeiras e Torres. Porto Alegre: UFRGS, 1984. 1 mapa color.; Escala: 1: 100.000.

Porto, R. P. et al. Levantamento de Reconhecimento de Solos do Estado do RS. Porto Alegre: Secretaria da Agricultura, 1970. 1 mapa color.; Escala 1: 750.000.

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Ross, J. L. S. Geomorfologia Aplicada aos EIAs-RIMAs. In: Cunha, S. B. da. & Guerra, A J. T. Geomorfologia e Meio Ambiente. Rio de Janeiro: Bertrand Brasil, 1996. p. 291-336.

Ross, J. L. S. Geomorfologia, Ambiente e Planejamento. 2ª ed. São Paulo: Contexto, 1990.

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