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X SIMPÓSIO BRASILEIRO DE GEOGRAFIA FÍSICA APLICADA

 

 

VARIABILIDADE PLUVIOMÉTRICA NO MUNICÍPIO DE JATAÍ-GO (Resultado Parcial)

 

 

Regina Maria LOPES1, Zilda de Fátima MARIANO2, Iraci SCOPEL2, João Batista Pereira CABRAL2 Hildeu Ferreira de ASSUNÇÃO2 (1 – Bolsista do PIBIC-CNPq, 2 – Docentes) Campus Avançado de Jataí/Universidade Federal de Goiás, Departamento de Geografia. (reginaufg@bol.com.br, Cabral@jatai.ufg.br, scopel@jatai.ufg.br, zildam@bol.com.br)

 

 

Eixo: 3 – Aplicação da Geografia à Pesquisa; Sub-Eixo: 3.4 – Aplicações Temáticas em estudos de casos.

 Palavras Chaves: Jataí, variabilidade, precipitação pluviométrica.

 

 

 

1 – INTRODUÇÃO

 

O município de Jataí-GO, localiza-se entre as coordenadas geográficas 170 16’ e 180 32’ de latitude sul e 510 12’ e 520 17’ de longitude oeste, embora seja, bastante expressiva, não é suficientemente grande ou particularmente diferenciada para compor uma dinâmica climática própria, estando inserida no jogo das variações climáticas regionais e continentais. Assim como todo o sudoeste goiano, Jataí apresenta as características de área tropical de continentalidade pronunciada, dotada de um longo período chuvoso durante o ano, opondo-se a um outro, mais seco (Ab’Saber & Costa Jr., 1950).

De acordo com o levantamento de Nimer (1989), realizado para toda a Região Centro-Oeste, o município de Jataí apresenta um clima do tipo tropical sub-quente e úmido, com marcante influência da altitude. Os invernos são secos e os verões chuvosos. Os dados de Eitem (1993), para a província do cerrado, também indicam um clima tropical, com precipitação variando de 750 a 2.000 mm/ano em média, enquadrando na classificação de Köppem como Aw ou Cwa.

Observa-se, pelos dados pluviômetricos da Estação Metereológica CAJ-CCA, registrados do município de Jataí, que este apresenta uma distribuição pluviométrica anual bastante variável, de um ano para outro.

A partir desta idéia, objetiva-se, montar um banco de dados geo-referenciados das chuvas no município de Jataí-GO, entre o período de 2000 a 2002, com a utilização do programa Surfer, para a espacialização dos dados de chuvas, gerando assim, mapas de isolinhas e isoetas.

Desta forma, está sendo feito trabalhos à campo e laboratório, juntamente com estudos bibliográficos, objetivando o desenvolvimento da pesquisa, para possibilitar o levantamento dos dados referentes à quantidade de chuva (precipitação), nas localidades, sendo estes espacializados através de procedimentos automatizados, como por exemplo, a utilização de  softwares específicos e outros, que possam gerar gráficos e  mapas de espacialização.

 

2- REVISÃO BIBLIOGRÁFICA.  

 

A precipitação, assim como os tipos climáticos, variam geograficamente, tanto em macro, como em meso e micro escalas. Portanto, o conhecimento destas distribuições é muito importante para o planejamento agropecuário, exploração dos recursos hídricos e para estudos hidrológicos.

A região do sudoeste goiano apresenta um clima tropical mesotémico e térmico com estações definidas pelo regime sazonal de chuvas, ou seja, uma estação seca e outra chuvosa. A precipitação média anual encontrada é de 1650mm (Scopel et al., 1995), concentrada de outubro a março (estação chuvosa); as médias mensais atingem ao redor de 300mm em janeiro contra apenas 10mm em julho.

No entanto, a distribuição estacional e espacial da precipitação varia de um local para outro, dependendo do tipo predominante da chuva.

Segundo Wolf, citado por ASSAD et al. (1993), o clima do Planalto Central é caracterizado por uma estação seca bem definida que se estende nos meses de maio a setembro. Esta característica pode ser, de uma maneira geral, generalizada para a região do Sudoeste de Goiás, cuja atividade agrícola concentra-se no período chuvoso, quando ocorrem de 80 a 90% do total anual das chuvas, em torno de 1600mm.

Conforme Mariano & Scopel (2000), a região de Jataí possui um total pluviométrico entre 1600 e 1700mm. Para os autores, os dados coletados durante 20 (vinte) anos na estação metereológica do Centro de Ciências Agrárias do Campus da UFG em Jataí confirmam esta classe de valores, situando-se a média ao redor de 1.630 mm. Nesses 20 anos, o ano de 1983 foi o mais chuvoso, com cota de 2.138 mm, enquanto o ano de 1994, o menos chuvoso, apresentou uma cota de 1.217 mm.

É comum, ainda, a ocorrência de períodos de estiagem durante os ciclos chuvosos, chamados de “veranicos”, que muitas vezes trazem sérios prejuízos á agricultura local.

O clima talvez seja o mais importante componente do ambiente natural. O clima está relacionado com os processos geomorfológicos, os da formação dos solos e o crescimento e desenvolvimento das plantas.

Os organismos, incluindo o homem, são influenciados pelo clima, ou seja, o ar, a água, o alimento e o abrigo, estão acima de tudo, na dependência do clima.

De acordo com Ayoade (1991), as várias atividades econômicas do homem são influenciadas pelo clima em diversos graus, tais atividades incluem a agricultura, o comércio, a indústria, assim como o transporte e a comunicação.

Os diversos modos pelos quais o clima afeta o em suas atividades e o impacto do homem com suas atividades sobre o clima constituem o assunto da climatologia aplicada (de acordo com Smith, 1975, Habbs,1980).

O clima de uma maneira geral, desempenha um papel importante na vida social do homem como, por exemplo; o clima determina parcialmente os modos pelos quais construímos nossas casas e nos vestimos, e também as condições climáticas reflete na incidência de certas doenças que atacam o homem, afetando sua saúde. Ao mesmo tempo, a temperatura amena, a umidade e a radiação moderada tem valores favoráveis que podem proteger e auxiliar na recuperação do corpo humano, com referência às doenças.

O caráter do regime de chuva na Região Centro-Oeste se deve quase que exclusivamente aos sistemas regionais de circulação atmosférica. O relevo regional influência sobre o regime, e até mesmo sobre a distribuição espacial da precipitação nesta Região, é de tão pouca importância que não chega a interferir nas tendências gerais determinadas pelos fatores dinâmicos.

Outro aspecto da Região Centro-Oeste é do regime de chuva que se refere à variabilidade ano a ano. O principal reflexo desta irregularidade reside em que a precipitação de chuva, ano após ano, está sujeita a uma variabilidade das maiores do planeta, quer em ocorrência diária, quer em volume pluviométrico. (NIMER, 1989 p-30.).

Para Ross (1996), a climatologia deve apresentar como objetivos a dinâmica das chuvas e da temperatura, dos ventos, da unidade do ar, da disponibilidade de água no solo, a dominância dos sistemas atmosféricos considerando uma escala temporal e um determinado espaço. Também, as análises climatológicas são fundamentais para a avaliação da potencialidade e da fragilidade dos Sistemas Ambientais, uma vez que se constituem juntamente com os recursos hídricos, em um dos elementos mais dinâmicos da natureza.

No Brasil a maioria das estações meteorológicas e hidrológicas são operadas convencionalmente, ou seja, os valores registrados pelos instrumentos são lidos pelos observadores e anotados em cadernetas ou planilhas. Em algumas estações meteorológicas, como as do Comando da Aeronáutica do Ministério da Defesa, já são utilizados sistemas informatizados dotados de programas computacionais configurados para incorporar as observações, que são digitadas pelo observador de plantão em tempo real e então armazenadas pelos programas, segundo padrões pré-estabelecidos.

 Em ambos os casos as leituras são feitas poucas vezes por dia. Em algumas estações meteorológicas convencionais também são operados instrumentos dotados de registradores. Habitualmente, os observadores fazem a leitura da informação indicada no gráfico, nos horários estabelecidos pela rotina de observação, cuja sistemática raramente contempla intervalos inferiores a 1 (uma) hora.

Invariavelmente, estudos que se baseiam em dados hidrometeorológicos exigem a manipulação de grandes quantidades de dados, com vistas ao estabelecimento de parâmetros estatísticos (média, desvio padrão etc.) representativos da variável em estudo.

 Quando as observações são feitas convencionalmente, é necessário convertê-las para a forma digital, para que possam ser, em seguida, submetidas a testes informatizados de consistência e de validação.

 

3- MATERIAL E MÉTODO

3.1- Localização da área de estudo

O município de Jataí, figura1, localiza-se no sudoeste do estado de Goiás entre as coordenadas 170 16’ e 180 32’ de latitude sul e 510 12’ e 520 17’ de longitude oeste, com altitude variando de 500 a 1000m. A vegetação nativa predominante e essencialmente a do cerrado, com formação geológica Serra Geral (JKSG) e  formação Botucatu (JB), predominando o relevo tabuliformes e suavemente ondulado. (RadamBRASIL, 1983)

Figura 1: Localização da área de estudo.

 

Para a realização desta pesquisa, 20 pluviômetros foram instalados dentro da área municipal de Jataí-GO, estes coletores foram construídos com tubos PVC, utilizando-se o modelo de ASSUNÇÃO & ASSIS (1997), como mostra a figura 2.

Figura 2: Pluviômetro em área amostral (Fonte: Iraci Scopel /2002)

Cada pluviômetro possui uma superfície coletora de 7.854 mm², composta por uma redução de 100x50mm, um depósito de 50 mm diâmetro por 700 mm de altura, fechado na extremidade por um tampão de 50 mm e um registro de esfera para a drenagem após a leitura coletora com tubos PVC.

Utilizou-se a carta topográfica de Jataí-GO, folha SE-22-V-D-V, na escala de 1:100.000 para identificar a área municipal e mapeamento dos elementos: geologia, solos, geomorfologia e vegetação. O GPS Garmin Plus III foi utilizado para identificar a localização dos pluviômetros. Através do programa Excel foi elaborado planilhas, para anotações dos dados de chuvas diariamente  no campo e laboratório.

 

4 – Discussões Parciais

 

As anotações pluviométricas foram realizadas, pelos proprietários rurais devidamente instruídos, em uma planilha diária, conforme a tabela 1, e posteriormente recolhida pela equipe e depois digitadas no banco de dados do CAJ/UFG, para ser feita a espacialização

 

Tabela 1: Exemplo do Mapa de anotações de Chuvas

 

A coleta dos dados de chuva e manutenção dos pluviômetros no campo está sendo realizada entre os meses de agosto a outubro, em três etapas devido a localização e acesso das fazendas no município:

 

1a etapa:No mês agosto a equipe do projeto percorreu as seguintes propriedades rurais: fazenda Rio Doce (Proprietário: Almarí José de Oliveira), fazenda São José (Proprietário: Marcos), fazenda Irês Pontes (Proprietário Laurindo), fazenda Bom Jardim (Proprietário João Alírio), conforme figura 3.

Figura 3: Vista do Pluviômetro na Fazenda Rio Doce (Fonte: Iraci Scopel /2002)

2a etapa: No mês de setembro foram visitadas as seguintes propriedades: fazenda Boa Vista do Rio Claro; (Proprietário Izá), fazenda Nova Querência (Proprietário Velsi Scopel), fazenda Ponte de Pedra (Proprietário João Alírio), fazenda Santa Lúcia, fazenda Bom Jardim –pequeno Blitz.

3a Etapa:No mês de outubro foram visitadas as seguintes fazendas: fazenda Callandra, Posto Lagoa Azul, fazenda Boa Vista (Proprietário Nildo e Nilson), fazenda Herança (Proprietário Adelcídes).

Após a coleta dos dados de chuvas no campo, iniciou-se o trabalho de escritório, ou seja, os dados de chuvas são organizados e corrigidos pela fórmula (chuva = valor registrado x 0,24 + 0,54 (mm), e depois de fazer estes cálculos os dados são digitado em planilhas, no programa Excel, para se fazer a média anual e mensal.

Posteriormente esses dados de chuvas serão formatados para desenvolver-se mapas de isolinhas e isoetas através do programa Surfer.

 

 

5 - Conclusões Parciais

 

Até o momento já foram gerado os índices de chuva de 13 estações, conforme pode ser visto nas tabelas, 2,3 e 4 em anexo.

No ano de 2000 a média anual de precipitação foi de 1.366,31 mm. O maior índice pluviométrico ocorreu no posto pluviométrico do CAJ, com um índice de 1.766,31 mm e o menor índice de precipitação ocorreu no posto pluviométrico instalado na Fazenda Santa Lúcia Pequeno-Blitz com um total de 453.46 mm.

No ano de 2001, a média anual de precipitação foi de 1.318,09 mm, sendo que a maior taxa de precipitação ocorreu no posto pluviométrico instalado na Fazenda Ires Ponte com 1.992,23 mm, e a menor taxa de precipitação no posto pluviométrico instalado na Fazenda Herança com 362,18 mm. No ano de 2002 a média anual foi de 1.245,10 mm, sendo que o maior índice pluviométrico ocorreu na Fazenda Bom Jardim com 1.902,41 mm e o menor índice na Fazenda Boa Vista com 560,63 mm.

Nos três anos estudados, foi possível verificar que o ano de 2001, é o que apresentou o menor índice pluviométrico assim, como maior índice pluviométrico. O mês de Junho nos três anos foi o que apresentou os menores índices de chuvas.

Com base nos estudos já realizado e com este estudo e possível verificar que o município de Jataí-GO apresenta uma grande variabilidade espacial na distribuição das chuvas.

 

 

ANEXOS

 

Tabela 2 referente ao indice de chuva de 2000

 

 

Tabela 3 referente ao indice de chuva de 2001

 

 

Tabela 4 referente ao ano de 2002

 

 

 

6 - Referências Bibliográficas

 

AB’SABER, Azis N. e COSTA JÚNIOR, Miguel. Contribuição ao estudo do Sudoeste Goiano. Boletim Paulista de Geografia, São Paulo, V.4, n.2, p.3-26,1950.

 

AGROMETEREOLOGIA. 1997, Piracicaba: Sociedade Brasileira de Agrometereologia / Escola superior de Agricultura Luiz de Queiroz / USP, 1997. 758p. p.237-239.

 

ASSAD, Eduardo Delgado & SANO, Edson Eyji. Sistema de informações geográficas: aplicações na agricultura. Planaltina: EMBRAPA-CPAC, 1993. 274p.

 

ASSUNÇÃO, Hildel Ferreira da & ASSIS, Idelina Cabral de. Construção de uma mini-estação agroclimatológica de baixo custo. In: X CONGRESSO BRASILEIRO DE

 

AYOADE.J.O. Introdução à climatologia para os trópicos, 3ed Bertrand Brasil, Rio de Janeiro. 332p. 1991..

 

MARIANO, Zilda; SCOPEL, IRACI. Períodos de deficiências e excedentes hídricos na região de Jataí-GO. In: SIMPÓSIO BRASILEIRO DE CLIMATOLOGIA GEOGRÁFICA, 4., 2000, Rio de Janeiro. Anais... Rio de Janeiro: UFRJ/CREA-RJ, 2000. 1 CD.

 

NIMER, E. Climatologia do Brasil. Climatologia da Região Centro-Oeste. IBGE: Rio de Janeiro, p.393-421, 1989.

 

RADAMBRASIL. IBGE. PROJETO. 1983.

 

ROSS.J.L.S. Geografia do Brasil. Ed Edusp, São Paulo – SP. 546p.1996.

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