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X SIMPÓSIO BRASILEIRO DE GEOGRAFIA FÍSICA APLICADA

 

DINÂMICA SEDIMENTOLÓGICA E AMBIENTAL DO RIBEIRÃO PALMITO E SUAS INTERAÇÕES COM O USO E OCUPAÇÃO NA SUA BACIA

BRUNA TIAGO ALMEIDA
Universidade Federal de Mato Grosso do Sul – CEUL/DCH. Av. Ranulpho M.Leal, 3484, V. Industrial. Três Lagoas-MS. cep 79610-100. e-mail: brunatiago@hotmail.com

PAULO CESAR ROCHA
Universidade Federal de Mato Grosso do Sul – CEUL/DCH, GEMA/UEM. Av. Ranulpho M.Leal, 3484, V. Industrial. Três Lagoas-MS. cep 79610-100. e-mail: pcrocha@ceul.ufms.br
 

Palavras-chave: Carga sedimentar; dinâmica ambiental; Ribeirão Palmito.
(eixo 3; 3.4)

 


Introdução


As bacias hidrográficas contíguas, de qualquer hierarquia, estão interligadas pelos divisores topográficos, formando uma rede onde cada uma delas drena água, material sólido e dissolvido para uma saída comum ou ponto terminal, que pode ser um rio de hierarquia igual ou superior, lago, reservatório ou oceano (CUNHA, et.al, 1966).
Todos os acontecimentos que ocorrem na bacia de drenagem repercutem, direta ou indiretamente, nos rios. As condições climáticas, a cobertura vegetal, a litologia são fatores que controlam a morfogênese das vertentes e, por sua vez, o tipo de carga detrítica a ser fornecida aos rios (CHRISTOFOLETTI, 1980).
A forma do canal é a resposta que reflete ajustamento aos débitos fluindo através de determinada seção transversal. Considerando que os canais em rios aluviais é resultante da ação exercida pelo fluxo sobre os materiais rochosos componentes do leito e das margens, pode-se afirmar que as suas dimensões serão controladas pelo equilíbrio entre as forças erosivas do entalhamento e os processos agradacionais depositando material no leito e em suas margens (...) Como a magnitude dos débitos vai se modificando em direção a jusante, torna-se conveniente analisar as alterações da geometria hidráulica em determinado local e no sentido do perfil longitudinal do rio (CHRISTOFOLETTI, 1980).
Os sedimentos são carregados pelos rios através de três maneiras diferentes, solução, suspensão e saltação (...) As partículas de granulométrica reduzida (silte e argila) são tão pequenas que se conservam em suspensão pelo fluxo turbulento, constituindo a carga de sedimentos em suspensão (...) As partículas de granulométrica maior, como as areias e cascalhos, são roladas, deslizadas ou saltam ao longo do leito dos rios, formando a carga de leito do rio (CHRISTOFOLETTI, 1980).
Nota-se que bacias hidrográficas vem sofrendo constantes agressões e os desequilíbrios em sua encosta trazem graves conseqüências aos canais fluviais. Segundo Cunha (1966) “a dinâmica inter-relação que existe entre as encostas e os vales fluviais, permite constante troca de causa e efeito entre esses elementos da bacia hidrográfica”.

Objetivo e Metodologia


O presente trabalho compreende um resultado parcial da monografia de conclusão de curso de Bacharel em Geografia, pela Universidade Federal de Mato Grosso do Sul, Câmpus de Três Lagoas, em 2003 e, tem por objetivo, avaliar, ao longo de um ano, sazonalmente, o comportamento morfológico e sedimentológico do Ribeirão Palmito, em 2 seções transversais ao longo do rio, baseado na quantificação de carga detrítica suspensa e carga detrítica de fundo, na análise fisico-química do canal, e na análise fisiográfica da bacia, a partir de trabalhos de campo e análise de carta topográfica (1:100.000), fotografias aéreas (1:60.000) e imagens LandSat.
Até o momento, foram estudos alguns componentes do regime hidrológico, afim de, posteriormente, inter-relacionar as características do canal com o uso e ocupação do solo nas vertentes.

Localização da Área de Estudo


O Ribeirão Palmito localiza-se na porção nordeste do estado de Mato Grosso do Sul, no município de Três Lagoas e deságua na planície aluvial do rio Paraná.
Desta maneira, o Ribeirão Palmito está localizado na porção central da bacia sedimentar do Paraná, mais precisamente na formação Santo Anastácio. A região apresenta um domínio de colinas suavemente onduladas numa escala maior e, encontra-se no reverso da cuesta arenítico-basáltica paranáica, na borda ocidental.
O Ribeirão localiza-se na região dos planaltos areníticos basálticos interiores, divisores tabulares dos rios Verde e Pardo. Os processos de deposição fluvial no quaternário deram origem a uma região de superfície plana, que ora se alarga, ora se estreita, ao longo do rio Paraná.
A vegetação que recobre as vertentes do Ribeirão é a de cerrado. A área é utilizada principalmente como pastagem para o gado.

Resultados Prévios


Obteve-se, até o momento, dados de análise granulométrica de carga de leito, oxigênio dissolvido, condutividade elétrica, pH, temperatura do ar, temperatura da água, velocidade do fluxo e transparência da água, referentes às saídas de campo, realizadas respectivamente em, outubro de 2002, março de 2003 e julho de 2003. Foram coletadas ainda, amostras para a análise de sólidos suspensos totais (SST), que serão feitas posteriormente.
Observou-se previamente que, a partir dos dados de campo, os valores relacionados ao oxigênio dissolvido tiveram boa correlação com os valores de pH em todo o conjunto de dados amostrados.
Os valores do pH mantiveram-se sempre inferiores a 7, denunciando a acidez das amostras.
Na seção 1 (montante), os valores de condutividade foram sempre muito menores que na seção 2 (jusante), além do que, no primeiro, a velocidade do fluxo é bem maior. Observou que, na seção 1 a transparência da água é total em todos os dados amostrados, o que não ocorre na seção 2.
Do ponto de vista sedimentológico, a seção 1 apresentou aumento nos valores médios e, diminuição no desvio padrão, conforme a análise granulométrica, com predominância de areia grossa. Já na seção 2, à jusante de uma pequena corredeira, não se encontrou material arenoso no leito.
Conforme observou-se até o momento, as diferenças na condutividade elétrica entre as 2 seções, podem estar relacionadas a lançamentos de dejetos orgânicos por indústrias localizadas próximas à seção 2.
A falta de materiais arenosos no leito da seção 2 deve-se, provavelmente, à maior energia das correntes neste ponto, sendo o canal erosivo nesta seção.

Considerações Finais


Após os estudos realizados, observa-se que, os resultados obtidos das amostras na seção 1 e seção 2, são bastante distintos, tanto quando relacionado à temperatura da água, velocidade do fluxo, transparência, condutividade elétrica, oxigênio dissolvido e carga de leito.
Dando continuidade a pesquisa, pretende-se avaliar, qual a relação dos valores obtidos com o uso e ocupação das vertentes, uma vez que na nascente do ribeirão (seção 1), utiliza-se o solo principalmente para pastoreio de animais e, na seção 2, para a atividade industrial, com o lançamento inclusive de dejetos orgânicos no canal.
Devido ao fato de se tratar de um trabalho em andamento, ainda não se obteve todos os dados necessários para uma análise concreta de todos os componentes do regime hidrológico e, ainda não é possível avaliar a inter-relação das características do canal com o uso e ocupação do solo em sua bacia.

Referências Bibliográficas


ROCHA, P.C. Dinâmica fluvial dos canais no sistema rio-planície fluvial do alto rio Paraná, nas proximidades de Porto Rico-PR. 2002. Tese de doutoramento – PEA, Universidade Estadual de Maringá, Maringá.
ROCHA, P.C. Erosão marginal em canais associados ao rio Paraná na região de Porto Rico-PR. 1995. Dissertação (Mestrado) – PEA, Universidade Estadual de Maringá, Maringá.
CHRISTOFOLETTI, A. Geomorfologia. 2°.ed. São Paulo:Blucher, 1980.
BASTOS, A.C.S. FREITAS, A.C.de. Agentes e processos de interferência, degradação e dano ambiental . In: CUNHA, S.B.da. GUERRA, A.J.T. (org.) Avaliação e perícia ambiental. Rio de Janeiro: Bertrand Brasil, 1999.
ALMEIDA, J.R.de. TERTULIANO, M.F. Diagnose dos sistemas ambientais: métodos e indicadores. In: CUNHA, S.B.da. GUERRA, A.J.T. (org.) Avaliação e perícia ambiental. Rio de Janeiro: Bertrand Brasil, 1999.
BRASIL, Ministério das Minas e Energia. Projeto RADAMBRASIL. Folha SE.20; geologia, geomorfologia, pedologia, vegetação e uso potencial da terra. Rio de Janeiro, 1982.
SUGUIO, K. Rochas sedimentares. São Paulo: Edgard Blucher, 1980.


 

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