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X SIMPÓSIO BRASILEIRO DE GEOGRAFIA FÍSICA APLICADA


CARACTERÍSTICAS PEDOMORFOLÓGICAS DA TOPOSSEQÜÊNCIA DE SOLOS FRENTINO DE MARECHAL CÂNDIDO RONDON-PR: SUAS RELAÇÕES E IMPLICAÇÕES NOS PROCESSOS EROSIVOS



José Edézio da Cunha1 (edezio@unioeste.br)
Professor/Orientador - UNIOESTE - PR
Maristela Denise Moresco amary@bol.com.br
Acadêmica/Bolsista - UNIOESTE - PR





Palavras-chave: toposseqüência, erosão, sistema pedológico.
Eixo: 3. Aplicação da Geografia Física à Pesquisa.
Sub-eixo: 3.4 Aplicações temáticas em estudos de casos.
 

 




 


INTRODUÇÃO

Assim como a maioria das regiões agrícolas paranaenses, o oeste do estado sofre as conseqüências do sistema de preparo e cultivo convencional que impôs o uso de grade pesada até meados de 1985 e da prática de escarificação no período seguinte. De acordo com Derpsch et al. (1990) esse tipo de uso e manejo provocou a destruição das estruturas dos solos, o aumento do escoamento superficial, a diminuição da matéria orgânica, o empobrecimento de argila nos horizontes superficiais e ainda, a subseqüente diminuição da fertilidade do solo, o que teria facilitado o desencadeamento dos processos erosivos laminares e lineares no estado.
Para Ruellan & Dosso (1993), a compreensão e prevenção desse tipo de exploração desordenada só são possíveis com o conhecimento do solo como um corpo tridimensional, ou seja, como um continuum pedológico.
Segundo Nóbrega et al. (1992), a análise integrada da paisagem, relacionando principalmente as características de solo e de relevo com o uso da análise bi e tridimensional da cobertura pedológica, pode ajudar no mapeamento das zonas de riscos a erosão. Essa interpretação corrobora com o que vem sendo empregada na França por Antoine (1977) em áreas suscetíveis aos riscos naturais, conhecidos ou previsíveis, identificados e hierarquizados conforme o grau de risco que cada tipo de uso e/ou ocupação pode promover.
Com essa perspectiva de “alerta”, Nóbrega et al. (1992) aplicou essa proposta metodológica no município de Umuarama, Noroeste do estado do Paraná, com as seguintes zonas: Zona de Instabilidade Declarada; Zona de Instabilidade Potencial; Zona de Estabilidade Precária; Zona de Estabilidade com cobertura Vegetal e Zona Estável.
Corroborando também com estas questões, o estudo aqui proposto, que tem como objetivo compreender as relações e implicações dos processos erosivos na paisagem, foi realizado em uma toposseqüência de solos localizada na margem direita do trecho superior do córrego Guavirá no município de Marechal Cândido Rondon, Oeste do estado do Paraná, através da metodologia da Análise Bidimensional da Cobertura Pedológica (Boulet et al., 1982).
Esse sistema pedológico, de 660 metros de extensão, tem o predomínio do solo Nitossolo Vermelho, em quase toda vertente, e o solo Neossolo Litólico nas proximidades das rupturas de declive, localizadas nos primeiros 100 metros a montante e nos últimos 30 metros de jusante.
O conhecimento das características pedomorfológicas atuais dessa vertente permitiu verificar uma relação estreita entre a distribuição dos solos e os seus diferentes segmentos topográficos, onde os segmentos representados pelas rupturas de declive e pela transição lateral do solo Nitossolo Vermelho para o solo Neossolo Litólico, são os mais fragilizados da vertente em termos erosivos. Isso leva a considerar que são os menos propícios ao cultivo, ou pelo menos os que merecem maior atenção no tipo de uso e de manejo.


CARACTERIZAÇÃO DA ÁREA

Marechal Cândido Rondon localiza-se no Oeste Paranaense, entre os paralelos de 24º 26’ e 24º 46’ latitude Sul e 53º 57’ e 54º 22’ longitude Oeste. Abrange uma área de 881,66 Km² e de acordo com o último senso (200) tem aproximadamente 41 mil habitantes (Figura 1).
O município encontra-se delimitado pelos córregos Guará (NE), Guavirá (NW) e Arroio Fundo (S), entre as cotas de 400 m a 424 m de altitude. Genericamente o relevo é constituído por patamares e colinas subtabulares denominados regionalmente de morros, cerros ou pequenas colinas.
 


FIGURA 1: Localização do município de Marechal Cândido Rondon – PR.

 

Essas formas de relevo são esculpidas ao Sul do município pelas sangas Andorinha, Borboleta, Araponga, Sucurá e Matilde Cuê, a Nordeste pelo córrego Guará e a Noroeste pelo lajeado Bonito. Predomina nessas redes de drenagem o padrão dentrítico subparalelo. A Figura 2 confirma essas características na margem direita do trecho superior do córrego Guavirá.
Pedologicamente o município é constituído por solos de textura argilosa, originados do basalto, denominados de Latossolo Roxo, Terra Roxa Estruturada e Litossolo (EMBRAPA, 1984). Na nova classificação (EMBRAPA, 1999) esses solos foram classificados de Latossolo Vermelho, Nitossolo Vermelho e Neossolo Litólico, respectivamente.
 

FIGURA 2: Localização da Toposseqüência de Solos Frentino, Marechal Cândido Rondon – PR.
 

METODOLOGIA

A base metodológica utilizada foi a da Análise Bidimensional da Cobertura Pedológica, preconizada por Boulet et. al., (1982). Esta escolha se deu em virtude do que destacam Ruellan & Dosso (1993) quando mencionam que esta metodologia propicia o entendimento das variações laterais dos horizontes pedológicos e de suas transições ao longo das vertentes, ou seja, o conhecimento da sua geometria, já que o solo é considerado como um continuum estruturado que deve ser entendido como resultante de elementos que compõem a paisagem, tais como a estrutura geológica, o clima, o relevo, os microorganismos, o tempo e a ação antrópica.
Para esses autores a análise e compreensão da dinâmica e funcionamento da cobertura pedológica contribuem no prognóstico e no diagnóstico dos processos erosivos, particularmente se o mesmo for correlacionado com o sugerido por Antoine (1977) sobre a cartografia ZERMOS, com o significado de suscetibilidade de riscos naturais, conhecidos ou previsíveis, identificados e hierarquizados, como evidenciaram os trabalhos realizados por Nóbrega et al., (1992) no município de Umuarama - Noroeste do estado do Paraná.
Para atingir essa integração teórica e metodológica, o estudo aqui apresentado foi obtido em três fazes:
- A primeira fase se destinou ao levantamento topográfico com o uso de clinômetro, metro, bússola e trena;
- Na segunda fase foi realizado o levantamento pedológico através de sondagens (trado holandês) sistematizadas ao longo da vertente. O distanciamento entre as sondagens foi determinado de acordo com a topografia da área e com as características de cor e textura, descritas em cada sondagem. Essas características foram obtidas nas amostras de solo, coletadas a cada 10 cm de profundidade. A cor do solo foi definida através da tabela de cores (Munsell Soil Color Charts), enquanto que a textura e a consistência através do contato do solo entre os dedos, conforme o manual de descrição e coleta do solo no campo (Lemos & Santos, 2002);
- A terceira fase foi destinada a correlação dos dados topográficos e pedológicos. Essa correlação permitiu a setorização da vertente em zonas expostas a erosão, tanto em termos de suscetibilidade natural como de imposição do uso e de manejo da área.


APRESENTAÇÃO E DISCUSSÃO DOS RESULTADOS

A toposseqüência estudada mede aproximadamente 660 metros de extensão, apresenta o solo Nitossolo Vermelho em quase toda a vertente e o Neossolo Litólico nas proximidades das rupturas de declive. Essas rupturas estão localizadas nos primeiros 100 metros do topo da vertente, onde as declividades variam até 14% e nos últimos 30 metros do sopé da vertente, onde as declividades atingem até 22%.
A estreita relação entre a distribuição desses solos com os segmentos topográficos da vertente possibilitaram verificar variações morfológicas importantes que merecem ser destacadas em conjuntos pedológicos como mostra a figura 3 e o texto a seguir:
Os segmento superior e médio alto são representados por um horizonte (A) de mais ou menos 20 cm de espessura. Apresenta cor 10R 3/3 (vermelho-escuro-acinzentado), textura argilosa, consistência ligeiramente plástica e ligeiramente pegajosa e baixo índice de umidade. Lateralmente esse horizonte diminui gradualmente de espessura até desaparecer na sondagem 4 (Figura 3).
Nessa sondagem (4), o material superficial é representado pela cor 2,5YR 3/4 (bruno-avermelhado-escuro) e pela mesma textura argilosa de montante, o que indica uma perda lateral de finos. O término desse horizonte coincide com um murundu2 de aproximadamente 1 metro de altura e 3 metros de largura. De acordo com Salomão (1994) e Cunha (2002), esse tipo de murundu pode alterar tanto vertical como lateralmente a dinâmica natural das águas nas coberturas pedológicas, o que também justifica a perda lateral de finos na superfície do solo, já que ocorre um acúmulo de água neste setor.
A transição vertical desse horizonte para o horizonte subjacente (B) é bastante progressiva em termos de tonalidade de cor e de classe de textura. A maior diferença nessa passagem foi registrada em termos de índice de umidade do material, assim como já observou Janjar (2001), em condição topográfica e pedológica semelhante na margem esquerda do trecho superior do córrego Guavirá.
Os primeiros 100 cm de espessura do horizonte (B) apresenta tonalidade de cores entre 10R 3/3 e 10R 3/4 (vermelho-escuro-acinzentado) e classe de textura argilosa. Nessa profundidade verificou-se ainda um alto índice de umidade e o predomínio de uma estrutura de forte resistência, com consistência pegajosa e plástica. Esta condição também vem sendo verificada em uma outra toposseqüência de solos na margem esquerda do córrego Guavirá por Martins (2003 – inédito).
Entre 100 cm e 150 cm de profundidade o material do horizonte (B) apresenta menor índice de umidade e características de friabilidade, mas mantém as mesmas características de cor e textura. Nessa profundidade, a consistência do material passou a ser ligeiramente plástica e ligeiramente pegajosa, o que pode ser justificado pela redução da umidade.
Esta correlação de índice de umidade com as características de consistência dos solos, foi feita por Salomão (1994), em solos do município de Bauru no estado de São Paulo. Esses segmentos topográficos (superior e médio alto), devido a sua menor declividade e maior espessamento do solo (Nitossolo Vermelho), podem ser considerados, atualmente, como ambientes propícios ao cultivo sem indicativos de desencadeamento de processos erosivos. A jusante da ruptura de declive (entre as sondagens 5 e 6) - (Figura 3), também foi verificado a presença do horizonte (A). Nessas condições esse horizonte apresenta menor espessura e maior variação de cor. Lateralmente passa da cor 2,5YR 3/4 (bruno-avermelhado-escuro) para a cor 7,5YR 4/6 (bruno-escuro), com predomínio da textura argilosa. Existe uma progressiva variação de consistência desse material, ou seja, passa de ligeiramente plástico e ligeiramente pegajoso para uma consistência plástica e de ligeira pegajosidade.
Na sondagem 5 (Figura 3), o horizonte subjacente (B) apresenta características morfológicas semelhantes ao horizonte (B) descrito à montante da ruptura, pelos menos até os 80 cm de profundidade. A partir desta profundidade esse material passa a apresentar a cor 7,5YR 4/6 (bruno-escuro) intercalado ao material de cor 10R 3/3 (vermelho-escuro-acinzentado), mas ainda com características de textura e consistência iguais ao horizonte (B). Essas características morfológicas confirmam a passagem lateral do solo Nitossolo Vermelho para o solo Neossolo Litólico.
Entre as sondagens 3 e 6 (Figura 3) o horizonte (A) passa verticalmente para o horizonte (C). Nessas condições o material encontrado no horizonte (C) tem predominantemente a cor 7,5YR 4/6 (bruno-escuro), textura argilosa e consistência ligeiramente pegajosa, apesar de continuar plástica. Condição semelhante foi verificado por Janjar (2001) e Martins (2003- inédito), em seqüências de solos da margem esquerda do trecho superior do córrego Guavirá.
 


FIGURA 3: Toposseqüência de solos Frentino, município de Marechal Cândido Rondon – PR.
 


Esse segmento topográfico em virtude da sua maior declividade (ruptura de declive) e menor espessamento do solo (Neossolo Litólico), pode ser considerado um ambiente menos propício ao cultivo e com fortes indícios de processos erosivos laminares. Prova dessa condição é o murundu do final desse segmento (entre as sondagens 6 e 7), feito para coletar e infiltrar a água do escoamento superficial da lavoura, o que pode estar promovendo tanto a mudança dos fluxos hídricos laterais, como condicionando um ambiente físico-químico capaz de reativar a morfoescultura da vertente, como já foi verificado por Nóbrega et al. (1992) e Cunha (2002) no noroeste do estado do Paraná.
Os segmentos, médio e baixo, são representados novamente pelo solo Nitossolo Vermelho em quase toda a sua extensão, exceto apenas nos últimos 30 metros, onde reaparece o solo Neossolo Litólico. Nesse conjunto pedológico (entre as sondagens 7 e 15), também aparece o horizonte (A) de mais ou menos 20 cm de espessura (Figura 3).
Nessas condições o material do horizonte (A) apresenta, vertical e lateralmente, a cor 10R 3/3 (vermelho-escuro-acinzentado) e a textura argilosa. Sua consistência passa de ligeiramente plástica e ligeiramente pegajosa, para um material com maior índice de umidade e com consistência pegajosa e plástica. A transição desse horizonte para o subjacente (B), apesar de não apresentar uma variação textural, parece indicar novamente uma variação estrutural. Essa condição também vem sendo verificada por Martins (2003 - inédito).
No horizonte (B) verificou-se, vertical e lateralmente, o predomínio da cor 10R 3/3 e 3/4 (vermelho-escuro-acinzentado) e textura argilosa. A maior diferença desse horizonte, foi verificada em termos de consistência e de umidade do material, já que foram encontrados aqui os maiores índices, tanto de plasticidade e pegajosidade como de umidade, se comparado com o conjunto pedológico de montante (segmento médio alto e superior).
Entre as sondagens 7 e 9 (Figura 3), o material do horizonte (B) - (a partir dos 90 cm de profundidade), transiciona para um material de alteração (horizonte C) de cor 7,5YR 4/6 (bruno-escuro), textura argilosa e consistência ligeiramente plástica e ligeiramente pegajosa. Em virtude da menor declividade e do progressivo espessamento do solo (Nitossolo Vermelho) no sentido de jusante, esse segmento topográfico pode ser considerado um ambiente propício ao cultivo, já que não foram verificados indícios de instalação de processos erosivos.
O segmento baixo da vertente, a jusante da ruptura de declive, representada pelas sondagens 15 e 16 (Figura 3), confirma a passagem lateral do solo Nitossolo Vermelho para o Neossolo Litólico. Entre estas sondagens, o horizonte (A) reaparece com aproximadamente 20 cm de espessura. Nessas condições o material apresenta a cor 5YR 3/3 (bruno-avermelhado-escuro), estando seco e friável, com consistência plástica e de ligeira pegajosidade. Essas observações permitem levantar a hipótese de perda de finos (argila e silte) na superfície desse solo, como observou Derpsch et al. (1990) em condições topográficas e pedológicas semelhantes em outras regiões do estado do Paraná.
O horizonte subjacente (B) de aproximadamente 60 cm de espessura, apresenta o predomínio das cores 2,5YR 3/4 (bruno-avermelhado-escuro) e 5YR 3/3 (bruno-avermelhado-escuro) e textura argilosa. A consistência passa, lateralmente, de plástica e pouco pegajosa para plástica e de ligeira pegajosidade e a umidade apresenta maiores índices, sendo que na base desse horizonte (B), foram verificados sinais de hidromorfia.
Nas condições de transição entre os horizontes (B) e (C), o material aparece com tonalidades variegadas (amarelado, avermelhado, alaranjado), predominantemente representadas pela cor 7,5 YR 4/3 (bruno). No sentido de jusante (a partir da sondagem 16 até o barranco do sopé da vertente) esses horizontes (A, B e C), reduzem progressivamente suas espessuras, terminando com apenas 40 cm de solo. Nessas condições o barranco apresenta material pedológico com as mesmas características morfológicas de cor, textura e consistência verificadas na sondagem 16.
Nesse segmento topográfico (baixa vertente), apesar da presença da mata ciliar, fica evidente a estreita relação do solo com o relevo e suas possíveis implicações nos processos erosivos, já que novamente nas proximidades da ruptura, particularmente no sentido de jusante, foi possível observar tanto a lavagem do material em superfície como a presença de pequenos sulcos que evidenciam a concentração de água superficial. Isso justifica cuidados especiais na forma de uso e manejo desse segmento da vertente. Essa relação do solo com o relevo também foi verificada por Calegari & Martins (2003) em trabalho realizado na margem esquerda do córrego Guavirá.
Considerando o embasamento teórico e metodológico dessa pesquisa, como já apontava Moresco & Cunha (2003 a, b), sobre a relação do solo com o relevo e desta relação com o uso e ocupação da toposseqüência de solos Frentino, setorizou-se a vertente em quatro zonas distintas em termos de suscetibilidade natural e de uso e manejo do solo aos processos erosivos, a saber:
- Segmento superior (a montante da ruptura de declive) – (Figura 3): a menor declividade e o maior espessamento do solo não permitem a instalação de processos erosivos naturais, o que pode ser considerado uma área possível de utilização agrícola, com cuidados apenas nas proximidades da ruptura, já que a mesma pode desencadear processos erosivos do tipo remontante, como os movimentos de massa do solo, verificados por Cunha (1996) no município de Umuarama-PR e por Salomão (1994) e Santos (1995) no município de Bauru-SP. As condições pedológicas e morfológicas desse segmento podem ser correlacionadas com a Zona Estável, estipulada por Nóbrega et al. (1992).
- Segmento médio alto da vertente (ruptura de declive) – (Figura 3): a maior declividade e o pouco espessamento do solo parece contribuir com a instalação e evolução de processos erosivos lineares e/ou em movimento de massa do solo, indicando assim uma área com fortes restrições ao uso e manejo do solo. As condições pedomorfológicas desse segmento podem ser correlacionadas com a Zona de Estabilidade Precária mencionada por Nóbrega et al. (1992).
- Segmento médio (Figura 3): reaparece uma Zona Estável em virtude da menor declividade e do maior espessamento do solo, como já mencionado anteriormente. Apesar dessa estabilidade é necessária uma utilização criteriosa do uso e manejo nas proximidades das rupturas (de montante e jusante desses segmentos), já que nessas condições topográficas ocorre a passagem lateral para o solo Neossolo Litólico, o que pode levar a instalação e evolução de processos erosivos.
- Segmento baixo da vertente (a jusante da ruptura de declive) – (Fig. 3): a maior declividade e o menor espessamento do solo promovem a instalação e evolução de processos erosivos. Nesse segmento topográfico apesar da existência da mata galeria presente nos últimos 25 metros da vertente, verificou-se tanto sulcos e abatimentos do solo como a presença de erosão laminar (Figura 4), o que sugere ser uma área não recomendada à utilização, ou seja, uma Zona de Instabilidade Potencial como sugere Nóbrega et al. (1992).
 


FIGURA 4: Presença de sulcos, abatimentos e erosão laminar no segmento baixo da vertente.
 


CONSIDERAÇÕES FINAIS

O estudo pedomorfológico da toposseqüência de solos Frentino possibilitou as seguintes considerações e recomendações:

a) existe uma relação estreita entre a passagem lateral do solo Nitossolo Vermelho para o solo Neossolo Litólico e seus respectivos segmentos topográficos com a dinâmica atual da vertente;

b) os segmentos topográficos representados pelas rupturas de declive e pela transição lateral do solo Nitossolo Vermelho para o solo Neossolo Litólico, são os mais fragilizados da vertente em termos erosivos, o que leva a considerar os menos propícios ao cultivo, ou pelo menos os que merecem maior atenção no tipo de uso e de manejo. Nessas condições é recomendado evitar a concentração de água superficial, ou seja, que o solo não fique desprovido de cobertura vegetal.

c) a dinâmica atual da cobertura pedológica nos diferentes segmentos topográficos da vertente parece ter ainda influência do tipo de uso e de manejo da área. Essas constatações podem ser justificadas pelos altos índices de umidade verificados acima do murundu próximo a sondagem 4, bem como pela forte lavagem superficial do setor médio alto da vertente, onde o solo apresenta-se pouco espesso e sem condições adequadas de cultivo.

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