Voltar à Página da AGB-Nacional

                                                                                            

   

X SIMPÓSIO BRASILEIRO DE GEOGRAFIA FÍSICA APLICADA


CARACTERIZAÇÃO GEOAMBIENTAL DO RESERVATÓRIO DE CACHOEIRA DOURADA – GO/MG (FASE – 1)





João Batista Pereira Cabral1;
Luiz Alberto Fernandes2;
Iraci Scopel1;
Regina Maria Lopes3;
Romário Rosa de Sousa3;
Volnan Vieira de Freitas3;
Raquel Souza Moraes3;
Sebastião Alves da Silva3.



1 – Pesquisador titular - CAJ/UFG;
2 – Pesquisador titular - Geologia/UFPR;
3 – Pesquisador assistente - CAJ/UFG)



Campus Avançado de Jataí - Universidade Federal de Goiás
Departamento de Geografia
 Cabral@jatai.ufg.brou jbpc@zipmail.com.br, reginaufg@bol.com.br )


 

 Palavras chaves: Sensoriamento Remoto, Granulometria, Cachoeira Dourada
Eixo 3: Aplicação da Geografia Física a Pesquisa
Sub-Eixo 3.4: Aplicação temática em estudo de casos








 

1 – INTRODUÇÃO


O estudo do processo de assoreamento e eutrofização no reservatório da UHE Cachoeira Dourada-GO/MG, assim como o estudo de perda de solo nas suas microbacias hidrográficas contribuintes, é cada vez mais urgente. São crescentes às pressões ambientais que esta região vem sofrendo, principalmente pelo avanço de loteamentos de recreio, do uso agrícola intenso e mineração de areia.
Nas áreas de drenagem do reservatório se concentram os maiores problemas ambientais. O uso agrícola intensivo, consta, basicamente, de pequenos e grandes propriedades que se dedicam ao cultivo de soja, milho, algodão e culturas de subsistência de menor expressão em áreas como cebola, batata, tomate e outras. Estas culturas são conhecidas como grandes consumidoras de agroquímicos, em geral.
Além de uso agrícola intensivo, as margens do reservatório de Cachoeira Dourada, estão sendo ocupadas por empreendimentos imobiliários, como chácaras, restaurantes e casas de recreio.
Devido à atividade de mineração de areia, que remobiliza e altera as condições natural do lago, conjuntamente com o desmatamento ciliar na região, que supõe-se que esteja ocasionando níveis diferente de assoreamento, principalmente nas cabeceiras dos contribuintes do reservatório. O uso indiscriminado de irrigação, também, contribuem para o agravamento da situação.
Constatou-se, através de viagem de avaliação de campo, que a região é relativamente, pobre em matas ciliares, a preservação desta área, para conservação de seus recursos hídricos superficiais já seria razão suficiente para que se implementasse uma unidade de conservação. Além disso, outros elementos ambientais presentes como fauna e flora são altamente relevantes e também deveriam orientar a necessidade do zoneamento ambiental da região.
Assim as principais atividades que comprometem a qualidade ambiental das microbacias e da água do reservatório de Cachoeira Dourada são:
a) loteamentos implantado sem os devido cuidados ambientais (tratamento de esgotos, manejo adequado do solo e desmatamentos);
b) atividade de mineração (areia);
c) uso intensivo de irrigação;
d) utilização indiscriminada de agrotóxicos;
e) falta de zoneamento territorial que discipline uso e ocupação do solo.
f) falta de estudo que subsidiem a harmonização do uso do solo

2 - OBJETIVOS


1) Classificar as áreas segundo seu potencial de fornecimento de sedimentos com uso de tratamento digital de imagens e aplicação da Equação Universal de Perda de Solo (USLE) e mostrar a evolução nos últimos 30 anos;
2) Avaliar o tempo de vida útil do reservatório, através de estimativas de taxas de sedimentação obtidas por amostragem em 30 pontos do reservatório;
3) Diagnosticar a qualidade da água do lago da UHE e caraterizar espessuras e constituição granulométrica de sedimentos de fundo do reservatório em 30 pontos de coletas dentro do reservatório..

3 - REVISÃO BIBLIOGRÁFICA


3.1 - ASSOREAMENTO DE RESERVATÓRIOS
Segundo CARVALHO (2000), quando estamos falando do assoreamento de reservatórios, estamos buscando compreender os procedimentos existentes para a previsão da evolução do fenômeno ao longo dos anos, visando determinar a vida útil de um reservatório, onde o equacionamento do problema exige um conhecimento sobre a produção de sedimentos, bem como suas áreas fonte, sendo assim devemos levar em consideração o conhecimento das relações entre o uso do solo, a erosão e o assoreamento do reservatório.
No Brasil existem poucos estudo referentes ao estudo do assoreamento de reservatórios, somente a partir de 1984 é que foi dado maior ênfase e este problema ambiental, podemos destacar dentre deste os trabalhos desenvolvido POR CARVALHO & CATHARINO (1993) de um programa de estudos sedimentológicos para o reservatório de Itaipu” apresentando a previsão do assoreamento e vida útil do reservatório com indicação da altura de sedimento no pé da barragem para 100 anos e o tempo em que o depósito alcançaria a soleira da tomada d’água. Também foi apresentada a distribuição de sedimentos em 100 anos de depósitos através de novas curvas cota-área-volume. A metodologia empregada na pesquisa, foi o método empírico de redução de área de BORLAND E MILLER, fazendo uso dos critérios de BRUNE para obtenção da eficiência de retenção de sedimentos do lago, e dos critérios de Lara e Pemberton para avaliação do peso específico aparente dos depósitos, o que é apresentado por ROBERT I. Strand na publicação “Design of Small Dams” (1974) , do U. S. Bureau of Reclamation. Por fim os resultados são comparados com os valores avaliados por Einstein e Harder no estudo de viabilidade e apresentada uma crítica da qualidade dos dados utilizados para cálculo dos deflúvios sólidos.
Outro trabalho que merece destaque é a pesquisa intitulada Modelo Matemático do Assoreamento de reservatórios, apresentada no VII Simpósio Brasileiro de Hidrologia e Recursos Hídricos por ALVIM & CHAUDHRY (1987) que apresentaram um estudo de previsão da distribuição dos depósitos de sedimentos e consequentemente modificação da geometria do fundo de reservatórios ao longo de tempo. Para isto, desenvolveram um modelo matemático de processo de sedimentação com a utilização de balanço de massas aplicada em um escoamento permanente bidimensional de fundo inclinado. Esta equação foi resolvida numericamente pelo método de diferenças finitas, para a obtenção dos perfis de concentração ao longo do eixo longitudinal do reservatório.
A integração de tais perfis possibilitou a determinação das curvas que expressam as remoções longitudinais de sólidos em suspensão, utilizadas pela avaliação dos depósitos de fundo. A localização definitiva dos depósitos foi condicionada à ocorrência da condição critica de tensão de cisalhamento no fundo segundo critério de SHIELDS proposto em 1936.
Na Simulação do transporte de sedimentos no reservatório de PIRAPORA, ALVIM & RIGHETTO (1993), estimaram as prováveis alterações na configuração dos depósitos de sedimentos do reservatório de Pirapora, decorrentes de um rebaixamento do NA. Utilizou-se um modelo matemático do processo de arraste sólido em escoamento permanente e parcialmente tridimensional para simulação da distribuição de velocidades e tensões de atrito, e indicação dos depósitos que estarão sujeitos à erosão , quando o NA estiver rebaixado. A partir de levantamentos aerofotogramétrico anteriores à construção da barragem, estimou-se também a evolução dos depósitos de fundo ao longo do tempo, buscando a geometria estável das seções transversais. Os resultados obtidos foram comparados com levantamentos batimétricos recentes, os quais indicaram um estágio avançado de assoreamento do reservatório, que possui aproximadamente 40 anos de existência.
Para LOPES (1993) os parâmetros envolvidos nas estimativas de assoreamento são: i) carga de sedimentos: que é a quantidade de material sólido afluente de uma dada seção num curso d’água; ii) Eficiência de retenção de sedimentos: que é a razão entre a carga sólida que se deposita no leito do reservatório e a carga solida total afluente; iii) Peso específico dos depósitos de sedimentos: que é a relação entre o peso seco do material e o volume ocupado pelo depósito. Através dos dados de sedimentometria é possível medir a quantidade de sedimentos transportados por um curso de água, podendo-se utilizar métodos diretos e indiretos, como os descritos anteriormente.

3.2 - SENSORIAMENTO REMOTO APLICADO AO ESTUDO DOS AMBIENTES TERRESTRES E AQUÁTICOS
À medida que a tecnologia avança, o homem tende a ampliar suas aplicações. Assim também tem sido com o sensoriamento remoto (SR), que, com o passar dos anos, tem fornecido resultados positivos, pelo esforço dos pesquisadores na busca de novas fontes alternativas para o monitoramento e controle ambiental do planeta (SAUSEN, 1996).
O sensoriamento remoto(SR) pode ser entendido, strictu sensu, como o uso de um conjunto de modernos sensores, operados in situ ou a bordo de aeronaves, espaçonaves, etc, e equipamentos para transmissão e processamento dos dados adquiridos, cujo objetivo é estudar o ambiente terrestre através do registro e da análise das interações entre a radiação eletromagnética e os alvos presentes na superfície (NOVO, 1989).
No Brasil, o SR passou por estágios que podem ser divididos em um período de implantação, de 1967 a 1970, quando se realizaram estudos de caracterização multiespectral dos alvos naturais, um período pré-orbital, de 1971 a 1972, em que se desenvolveram sistemas de aquisição e técnicas de interpretação e utilização de dados de sensores remotos, um período orbital, de 1973 a 1982, caracterizado pela utilização dos dados dos primeiros satélites de SR operacionais, de 1983 a 2000 conhecido como período tecnológico, marcado principalmente pela evolução de uma abordagem qualitativa dos dados para um estágio em que se busca quantificar os processos estudados nos diferentes ramos de pesquisa, e período atual ou da informática avançada, onde os dados espaciais são correlacionados com dados in-situ na busca de melhor conhecermos o ambiente terrestre (MACHADO, 1968; INPE 1995, CABRAL 2001).
Com o avanço da tecnologia de sistemas de informações geográficas e a intensa modificação dos ecossistemas terrestres, busca-se, com o SR, subsídios para estudos cada vez mais abrangentes e de maior precisão.
O SR, hoje, apresenta-se como uma poderosa ferramenta para monitoramento de mudanças locais e globais, incluindo-se, o estudo das águas continentais (barragens e lagos). Isto se deve, principalmente, à visão sinóptica e às características multiespectrais das imagens (CANDEIAS & BANON, 1996).
O conjunto de medidas de radiância espectral de um objeto, efetuadas sob condições conhecidas ou controladas, define o comportamento espectral de um objeto que pode ser o ambiente aquático ou terrestre (SLATER 1980).
Para melhor compreensão da utilização do SR no estudo do processo de assoreamento de córpos d’água, é necessário ser conhecimento sobre o meio aquático, compreendendo que o comportamento espectral da água é resultado dos processos de absorção e espalhamento da radiação no seu interior, e a radiação detectada pelo sensor fornece informações sobre características físico-químicas e biológicas da região estudada.
Os estudos de comportamento espectral da água podem estar baseado na aquisição simultânea de dados espectroradiométricos e dados in situ de parâmetros de qualidade da água e concentra-se, principalmente, na faixa espectral correspondente à radiação fotossinteticamente ativa, entre 350 e 700nm.
De um modo geral, a reflectância da água limpa diminui com o aumento dos comprimentos de onda. Verificam-se as maiores reflectâncias na região do visível, mais especificamente nos comprimentos de onda do azul e verde, decrescendo gradualmente na direção do infravermelho, limitando-se os estudos de qualidade da água ao espectro visível (ROBERT et al, 1995).
A reflectância espectral de um corpo d’água, depende das propriedades espectrais de seus componentes. Os componentes de um volume d’água que afetam seu comportamento espectral podem ser classificados em: pigmentos e complexos protéicos responsáveis pela fotossíntese, substâncias orgânicas dissolvidas e material particulado em suspensão (BRICAUD & SATHYENDRANATH, 1995).
Os principais responsáveis pelo espalhamento da radiação na água, são as partículas suspensas como bactérias, células do fitoplânctons e os detritos orgânicos e inorgânicos, enquanto os principais absorvedores da radiação são os pigmentos fotossintéticos e a matéria orgânica dissolvida.
O fitoplâncton é o responsável pela produção de matéria orgânica, através da utilização de nutrientes inorgânicos e energia solar. As partículas inorgânicas são formadas por siltes e minerais de argila, que são carreados para os corpos d’água por ação do vento ou da chuva e pela ressuspensão ou erosão do fundo, podendo também conter conchas carbonáticas de moluscos e carapaças silicosas de certa algas planctônicas.
A interação dos sedimentos em suspensão na água com a REM depende da natureza, granulametria e concentração das partículas (CURRAN e NOVO, 1988), exemplos muito aplicado para reservatórios e o total de sedimentos em suspensão que está diretamente relacionado com a disponibilidade de luz no sistema aquático.
O aumento de partículas em suspensão na água altera o coeficiente de retroespalhamento, mais do que o coeficiente de absorção. Como conseqüência, ele aumenta o fluxo emergente, o que ocorre principalmente em comprimentos de onda, onde as partículas não absorvem energia fortemente. Embora a relação entre radiância e concentração de sedimentos não seja linear, CURRAN E NOVO (1988) destacam o fator controlador da radiância, exercido pela concentração de sedimentos. Essas características do meio aquático mostram a acentuada queda de energia disponível para a realização do seu metabolismo, em condições de elevada concentração de sedimentos.
A concentração de sólidos em suspensão varia de acordo com a descarga de água doce através da rede de drenagem ou de esgotos domésticos e industriais, e interfere na turbidez da água, podendo afetar intensamente a ecologia e o potencial recreacional dos corpos d'água.
Seu transporte na água é feito pelas correntes atuantes, que irão determinar os locais preferenciais de deposição das partículas e de assoreamento. Ocorrências de ressuspensão dos sedimentos do fundo devido à ação do vento são também responsáveis pelo aumento da concentração de sólidos em suspensão na coluna d’água. Os sólidos totais em suspensão constituem-se em uma fração inorgânica (partículas minerais) e uma fração orgânica (organismos planctônicos e matéria orgânica particulada).
A absorção da luz visível pelos sólidos inorgânicos em suspensão é inversamente proporcional ao comprimento de onda e, portanto, sua estimativa através de medidas espectrorradiométricas deve ser realizada entre 550 e 700 nm, assim como a estimativa do total de sólidos em suspensão ( NOVO & BRAGA. 1991; NOVO & BRAGA. 1995). Em função da natureza e da granulometria dos sedimentos presentes em cada corpo d’água são determinadas as faixas espectrais mais adequadas à sua detecção.
DEKKER et al. (1996), descreve em seu trabalho que os métodos para se estudar a água, são divididos em: A) Empírico que relaciona a estatística entre valores espectrais medidos e o parâmetros medidos na água. B) Semi-empírico, utilizado quando os parâmetros espectrais de interesse são conhecidos; e C) Analítico quando as propriedades ópticas analíticas inerente e aparente são usadas para modelar a reflectância e vice versa.
Para o estudo de assoreamento de reservatórios é utilizado o método empirirco, assim como para estudo limnológicos, destacando-se um pequeno número de pessoas que usam tal recurso para este fim. Isso se deve ao atual nível tecnológico dos recursos disponíveis para sensoriamento remoto de sistemas aquáticos. Os sensores disponíveis não são adequados para detectar o baixo sinal produzido pela água dificultado a acuracidade de uma área assoreada.

4 - PROCEDIMENTOS DESENVOLVIDO ATÉ O MOMENTO


4.1 - ANÁLISE DE QUALIDADE DA ÁGUA ATRAVÉS DO TOTAL DE SÓLIDO EM SUSPENSÃO, MATÉRIA INORGÂNICA E ORGÂNICA, DISCO DE SECCHI, PH
As amostragem de Total Sólido em Suspensão, Matéria Inorgânica, Matéria Orgânica, PH, foram realizadas com uma garrafa de Van Dorn, conforme figura 1, sendo as amostras analisadas em laboratório filtradas em filtros GFC, os filtros foram previamente calcinados em mufla a 550c, pesado em balança analítica. Após a obtenção do peso 01, fez-se a filtração e os filtros foram secos em estufas a 60c por 24h, tirando-se o segundo peso. Após, os filtros foram novamente calcinados a 550g, sendo obtido o peso 3. Pela diferença de pesagem, obteve-se o material em suspensão total, a fração orgânica e inorgânica. Toda a metodologia de análise e filtração da água foi analisada no laboratório de limnologia seguindo a metodologia própria, NUSCH (1980), WETZEL & LIKENS (1991) descrito em CHREA (2001).
 


 

Figura 1: coleta de água feita através da Garrafa de Van Dorn
 


4.2 - AMOSTRAGEM DO MATERIAL DE FUNDO E ANÁLISE GRANULOMÉTRICA.
A amostragem de sedimentos de fundo do reservatório foi efetuada com dois amostradores. O primeiro tipo “draga”, conforme a figura 2, que ao tocar o fundo do reservatório, aciona um peso piloto, que coleta o material. O segundo é o amostrador “CLS”, ver figura 3, que obtém testemunhos em colunas verticais, obtidas por cravação de um tubo de PVC, no fundo do reservatório, sem provocar deformações (POÇANO et al, 1981; CARVALHO, 2000). O trabalho foi feito por um mergulhador que cravava o tubo de pvc no fundo do reservatório, fechava o mesmo em baixo d’água e trazia o material para cima. Trabalhou-se em “barcaça” com o auxilio de “barco socorro”, pois o lago apresentava locais mais de 20 m de profundidade
Após coletada as amostras, foram levadas ao laboratório do CAJ/UFG, para análise granulométrica e de teor de matéria orgânica obedecendo ao procedimento padrão destes laboratórios, onde o material esta sendo separado por quarteação, é posto a secar em estufa por 24h sob temperatura de 40c, sendo em seguida efetuada a pipetagem e peneiramento para determinar as frações granulométrica presentes, segundo a escala de WENTWORT proposta EM (1922). Os materiais obtidos pelo amostrados CLS, foram deixados em pé para secar (evaporar a água existente dentro do cano), e depois cortados para ser feito a descrição dos testemunhos, conforme a figura 4
 


Figura 2: Amostrador tipo draga



Figura 3: amostrador CLS
 


Figura 4: tubo contendo material sedimento no ponto 23.
 

4.3 - ANÁLISE DOS DADOS LIMNOLÓGICOS DE CAMPO, DADOS DE SENSORIAMENTO REMOTO E ANÁLISE DE CORRELAÇÃO
O processo de geocodificação e análises das variáveis limnológicas estão sendo realizadas obedecendo a metodologia de BRAGA (1998), empregando-se a análise de correlação simples bivariada, utilizando-se o coeficiente de correlação de Spearman, dentro de um nível de significância mínimo de 0,050.
As correlações entre os parâmetros ambientais selecionados para estudo (MI, MO SEC e TSS) e os dados TM foram analisadas a partir da construção de diagramas de dispersão, relacionando as variáveis, duas a duas, de modo a se analisar a tendência geral de ajuste entre os dados e os desvios associados a cada amostra.
Foram estabelecidos diferentes conjuntos de dados para serem analisados, além do conjunto de 30 estações, de acordo com as classes temáticas identificadas na segmentação das imagens, ou seja, as estações de coleta localizadas em classes idênticas foram agrupadas, e as correlações calculadas separadamente para cada um destes grupos.
As imagens TM foram segmentadas e posteriormente classificadas automaticamente para se identificar regiões com características texturais e espectrais homogêneas (BRAGA, 1998). O método de segmentação utilizado foi o de “crescimento por região”, que é um procedimento em que o algoritmo extrai os atributos estatísticos (média e matrizes de covariância) do conjunto de regiões definido pela segmentação, tendo-se testado diferentes índices de similaridade e de área (SHIMABUKURO et al, 1999; DUARTE et al,1997). No presente estudo foram definidos os limiares 2 e 2 para área e similaridade, respectivamente.
Para classificar diferentes tipos de água, utilizou-se o sub-módulo isoseg, que é um algoritmo não-supervisionado de agrupamento de dados disponível no SPRING. Foram testados também diferentes limiares de confiança (95%, 90% e 75%) da classificação, esperando-se encontrar um número de classes inversamente proporcional aos mesmos.

5 - CONCLUSÕES PARCIAIS


• Nas correlações entre os parâmetros físico-químicos da água, o MI foi superior ao MO em todas as correlações com relação ao TSS, a correlação entre TSSxMI foi de 0,98 para as 30 estações de coleta, e 0,98. O MI e o principal parâmetro físico dominante no reservatório. A presença de macrófitas aquáticas em alguns pontos do reservatório, deve-se principalmente a piscicultura em alguns pontos isolados e tendo em vista que o nível do reservatório e regulado pelo nível o reservatório de Itumbiara que se encontra a montante de Cachoeira Dourada.
• A segmentação foi aplicada somente às imagens TM brutas, para facilitar a escolha dos limiares de similaridade e por serem as imagens brutas e reflectância proporcionais em termos dos valores de cada “pixel”, não se alterando os resultados. A classificação das imagens TM segmentadas, realizada segundo limiares de aceitação (NETGIS, 1999) de 95%, 90% e 75% forneceu, respectivamente, duas, três e cinco classes temáticas distintas sobre o reservatório. As classes observadas relacionam-se às diferentes características espectrais presentes no corpo d’água que, por sua vez, resultam de diferentes concentrações das substâncias opticamente ativas ma água. Devem ser considerados também fatores referentes às sub-bacias de drenagem dos afluentes que compõem o reservatório, tais como ocupação da terra, presença e natureza de atividades poluidoras.
• Os pontos que apresentam os maiores índices de material sedimentados, encontram-se a jusante do reservatório, onde a profundidade atual e de 11m. Nos pontos 23 e 24 foi possível constatar através da análise do testemunho, que já correu neste local a deposição de 105 cm de material, em 44 anos de existência do reservatório. Se a deposição de sedimentos continuar neste nível, este pontos do reservatório, estarão assoreados em torno de 440 anos.

6 - REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS


ALVIM.A.M & CHAUDHRY. Modelo matemático do assoreamento de reservatórios VII Simpósio Brasileiro de Hidrologia e Recursos Hídricos/ III Simpósio Luso-Brasileiro de Hidráulica e Recursos Hídricos. P 236-247. V3. 1987.

ALVIM.A.M. & RIGHETTO. Simulação do transporte de sedimentos no reservatório de pirapora. X Simpósio Brasileiro de Recursos Hídricos/I Simpósio Hídricos do Cone Sul. Gramado-RS. P184 – 192. V5. 1993.

BRAGA, C.Z.F;Sensoriamento remoto aplicado ao estudo da concentração de clorofila-a, Transparência e profundidade da água na Lagoa de Araruana, RJ. Rio de Janeiro - RJ. 213p. Tese (Doutorado em Geociências, Área de Concentração Geoquímica Ambiental) UFF - Universidade Federal Fluminense. 1998.

BRICAUD,A.; SATHYENDRANATH,S. Spectral signature of substances responsible for the change in ocean colour. In: International colloquium on spectral Signatures of Objects in Remote Sensing, Avignon Signature Spectrales d`Objects in Teledétection. Avignon, P41-45. 1981.

CABRAL, J,B.P.; Utilização de técnicas de segmentação e componente principal de imagens TM, para o estudo da concentração de sedimentos em suspensão no reservatório de Barra Bonita-SP, Rio Claro-SP. Dissertação (Mestrado em Geociências) UNESP/RC. 94p. 2001.

CANDEIAS, A .L .B.,e BANON, G.J.F. Aplicação da morfologia matemática a analise de imagens de Sensoriamento remoto.(trabalho submetido ao congresso da sociedade brasileiro de computação)São José dos Campos. 12p. INPE - Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais. 1996.

CARVALHO.N.O - Guia de avaliação de assoreamento de reservatórios Brasília : ANEEL, 2000.

CHREA, tabela de preço e metodologia de análise de água.São Paulo-SP. 10p.2001.

CARVALHO.N.O & CATHARINO.M.G. Avaliação do assoreamento de reservatório da UHE Itaipu. X Simpósio Brasileiro de Recursos Hídricos/ I Simpósio de Recursos Hídricos do Cone Sul. P 174-183. V5. 1993.

CURRAN, P. J, NOVO, E.M.L.M. The relationship between suspended sediment concentration ands remotely sensed spectral radiance: a review, Journal of Coastal Research, 4(3): p351-368. 1988.

DEKKER.A G.; MALTHUS.T,J.; HOOGENBOOM.H.J. The Remote Sensing of Inland Water Quality. DANSON,F.M; PLUMMER, S.E.; Advance in Environmental remote Sensing. Capter 8. P123-141. 1996.

DUARTES,V.; SHIMABUKURO Y; SANTOS, J.B.; MELLO, E.M.K.; MOREIRA,.J.C.; MOREIRA,M.A; SOUZA. R.C.M.; SHIMABUKURO, R.M.K.; E FREITAS,U.M.; Metodologia para criação do prodes digital e do banco de dados digitais da Amazônia-projeto BADDAM. Relatório técnico. INPE-7032-PUD/035, São José dos Campos – SP.INPE – Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais. 33p.1997.

INPE. Relatório de Atividades, São José dos Campos, 43p. 1995.

LOPES. Estudo do assoreamento do reservatório de Americana. Dissertação de Mestrado . UNESP-RC. 1993.

MACHADO.J.B. Projeto SERE. Esboço de Programa de Pesquisas em Sensoriamento Remoto de Recursos Naturais .CNAE. São josé dos Campos.69p. 1968.

NETGIS-SPRING-Versão3.3. Manual do usuário. NETGIS – www.dpi.inpe.br , junho de 1999.

NOVO, E.M.L.M; BRAGA, C.Z.F. Relatório do Projeto Sensoriamento Remoto de Sistemas Aquáticos. São José Dos Campos. INPE – Instituto Nacional de Pesquisas espaciais. 75p.1991.

NOVO, E.M.L.M; BRAGA, C.Z.F. Segundo Relatório do Projeto Sensoriamento Remoto de Sistemas Aquáticos. São José Dos Campos. INPE – Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais. 102p.1995.

POÇANO, W.L.;GIMENES, A.F.; LEITE,A.A.G.; CARLSTRON FILHO, C; PRADINI, F.L.; MELO, M.S.de. – metodologia para estudo de assoreamento de reservatório (III): roteiro para estudo de reservatórios no sul e sudeste brasileiro. In: CBGE, 3, Itapema (SC), anais, São Paulo, ABGE, V2. P331-353. 1981.

ROBERT,A; KIRMAN,C.; LESACK,L. Suspended sediment concentration estimation from multi-spectral video imagery. International Journal remote sensing, V16, N13, P2439-2455. 1995.

SAUSEN.T.M, Análise Automática de Dados Mss/landsat no Estudo da Dispersão de sedimentos em Suspensão em Reservatórios Artificiais. São José dos campos – SP. Dissertação (Mestrado em Sensoriamento remoto). INPE- Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais. 1980.

SHIMABUKURO, Y.; DUARTES,V.; MELLO, E.M.K.; MOREIRA,.J.C.; Segmentação e classificação da imagem sombra do modelo de mistura para mapear desflorestamento na Amazônia. Relatório Técnico. INPE-6147-PUD/029, São José dos Campos – SP, 1999. 16p. INPE – Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais. 16p. 1999.

SLATER, P.N. Remote Sensing: optics and optical systems. New York, Addison-Wesley, . 515p. 1980.

Sensing: optics and optical systems. New York, Addison-Wesley, . 515p. 1980.