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X SIMPÓSIO BRASILEIRO DE GEOGRAFIA FÍSICA APLICADA

 

ESTUDO DA RELAÇÃO ENTRE A ORIENTAÇÃO DE FEIÇÕES EROSIVAS LINEARES E CARACTERÍSTICAS GEOLÓGICAS NA BACIA DO CÓRREGO DA CACHOEIRA. MUNICÍPIO DE PATY DO ALFERES/RJ.

 

 

 

Thiago Pinto da Silva – graduando em Geografia/UFRJ

thiagopintosilva@bol.com.br

Carla Maciel Salgado – Doutoranda do Programa de Pós-Graduação em Geografia/UFRJ

carlasalgado@uol.com.br

Josilda Rodrigues da Silva de Moura – Profa. Adjunta do Depto. de Geografia/UFRJ




 

 

Eixo: 3-Aplicação da Geografia Física à Pesquisa

Sub-eixo: 3.4-Aplicações temáticas em estudos de casos






 

 

1) INTRODUÇÃO
O município de Paty do Alferes (RJ) tem atividades agrícolas como base de sua economia, destacando-se o cultivo de olerículas. Associado a isso, existe a prática de pecuária leiteira, que tem natureza semi-extensiva. Estas atividades normalmente usam técnicas inadequadas, o que contribui para o desgaste dos solos (Barros, 1997).
Localizado na vertente continental da Serra do Mar, o município apresenta um relevo acidentado, que aliado ao tipo de manejo dos solos, vêm gerando um quadro de intensa degradação ambiental, representado pelo surgimento e aceleração dos processos erosivos que resultam no assoreamento de rios e na perda de solos agricultáveis (Santos, 1999).
Os processos erosivos do município são caracterizados, principalmente, por feições erosivas lineares, que se subdividem em dois tipos básicos: voçorocas e ravinas desconectadas da rede de drenagem e voçorocas conectadas à drenagem. Trabalhos anteriores desenvolvidos na região Médio Vale do Rio Paraíba do Sul (SP/RJ) mostraram que esses dois tipos de feição erosiva têm origem, evolução e local de ocorrência distintos. As ravinas/voçorocas desconectadas da drenagem podem ser condicionadas pelas propriedades físicas dos depósitos sedimentares/solos, por características lito-estruturais do substrato geológico e por aspectos topográficos e morfométricos das encostas e cabeceiras de drenagem, além da intervenção direta ou indireta das atividades humanas (Salgado et al.,1995, Cambra et al., 1995). As voçorocas conectadas à rede de drenagem desenvolvem-se nos fundos de vale e reentrâncias das cabeceiras de drenagem preenchidos por depósitos alúvio-coluviais relacionados ao evento holocênico de entulhamento generalizado da paisagem, podendo seu desencadeamento ser condicionado por descontinuidades texturais dos depósitos sedimentares e características geométricas das cabeceiras de drenagem (Peixoto et al., 1989; Lessa et al., 1995).

2) OBJETIVOS
Visando fornecer subsídios para o planejamento agrícola e conservação dos recursos naturais, o presente estudo tem como objetivo avaliar a importância de condicionantes geológicos para o desenvolvimento dos diferentes tipos de feições erosivas lineares no município de Paty do Alferes, concentrando as análises na bacia do Córrego da Cachoeira, situada à sudoeste do município. Para tal analisou-se a relação da estrutura geológica com a distribuição espacial e orientação das incisões erosivas.

3) METODOLOGIA

3.1) REVISÃO BIBLIOGRÁFICA
Existem diversas definições para voçorocas na literatura nacional e internacional. Furlani (1984) considera que elas sejam uma escavação limitada por paredes verticais e subverticais. Oliveira (1999) acrescenta que existe um consenso a nível nacional em considerar voçoroca as incisões que tenham profundidade e largura superiores à 50cm; as feições menores seriam ravinas ou sulcos. Esse tipo de erosão é considerado acelerado, pois essa remoção de solos/ material parental por um fluxo concentrado de água, ocorre de forma tão rápida que não se permite o desenvolvimento de vegetação (Oka-Fiori e Soares, 1976), apresentando ainda difícil correção, pois não pode ser obliterada (Imerson e Kwaad, 1980) e geralmente a área afetada fica impossibilitada de receber cultivo (Silva et al., 1993).
As voçorocas são resultado da tendência de equilíbrio entre disponibilidade e dissipação de energia em sistemas naturais. Portanto, elas ocorrem independentemente da ação humana, embora esta atue, às vezes, como agente causador ou acelerador do processo erosivo (Bocco, 1986; Oliveira, 1999). Para Bacellar et al. (2001), a construção de cercas, estradas ou de qualquer outra obra que interfira diretamente no regime hidrológico local são causas que levam à concentração de fluxos superficiais de água.
Diversos fatores dão origem a esse tipo de processo erosivo, podendo atuar de maneira separada ou conjunta, dependendo da região em que ocorrem (Peixoto et al.,1989). Dentro desta perspectiva, Salomão (1994), considerando o tipo de solo como um reflexo da combinação entre substrato geológico e relevo, atribui grande importância à análise dos solos para o estudo da erosão linear. O referido autor verificou que as descontinuidades de coberturas pedológicas são o principal fator desencadeador do voçorocamento em Bauru (SP). Seguindo a mesma linha, Santana & Queiroz Neto (1995) também consideram a descontinuidade textural entre os horizontes A e B, que caracteriza o solo podzólico como propício à erosão linear, pois a circulação vertical de água é bloqueada, e o fluxo passa a ser lateral, gerando uma remoção de partículas do horizonte superior.
No entanto, Silva et al. (1993), em estudo feito na região de Lavras (MG), colocam que os latossolos, por apresentarem estrutura granular, são os mais suscetíveis à erosão linear. Essa suscetibilidade estaria relacionada à elevada permeabilidade, permitindo a ação da água diretamente no horizonte C, vulnerável.
A geologia deve ser considerada como importante agente condicionante desse tipo de processo erosivo, pois podem atuar de maneira significativa na origem e evolução das voçorocas. Para Beavis (2000) o papel da geologia pode ser descrito pela seguinte relação: a litologia determina intensidade da erosão na paisagem e a estrutura, sua localização e orientação.
A litologia, ou seja, as características mineralógicas e texturais das rochas presentes no substrato geológico de cada região (Hasui et al., 1995), controla a erosão, pois condiciona o relevo e os tipos de solo (Silva, 1990). Os solos formados por diferentes litologias apresentam, por sua vez, características distintas em relação à permeabilidade e erodibilidade (Bacellar et al., 2001).
A estrutura geológica é compreendida por falhas, fraturas e contatos litológicos. Estes aspectos estruturais são predisponentes à ocorrência de voçorocas, pois constituem importantes descontinuidades mecânicas e hidráulicas (Muratori, 1983). Nas zonas de contatos litológicos fluxos superficiais e subsuperficiais de água, ao atingir uma formação menos resistente à erosão, propiciam a erosão diferencial, que, se canalizada, evolui para uma feição erosiva linear (Pinto & Sígolo, 2001). As falhas e fraturas funcionam como zonas de alívio de pressão, gerando a migração vertical e exfiltração de água em subsuperfície, que carrega consigo partículas de solo. Essa remoção gera um solapamento do material encontrado acima e leva ao voçorocamento (Cambra et al., 1995). As voçorocas que apresentam padrão anômalo, ou seja, crescimento não concordante ao gradiente topográfico, podem estar ligadas a essas zonas de falhamento e/ou fraturamento, pois os fluxos superficiais não são capazes de explicar esse comportamento (Bacellar et al.,2001). Mesmo em voçorocas que têm iniciação por outros fatores, sua propagação remontante é guiada pelas estruturas geológicas, a partir do momento que o saprolito é atingido (Bacellar, 2000).
Para Coelho Netto (1997) e Canil (2001) a alteração ou retirada da vegetação original e da fauna endopedônica, por ação antrópica ou não, podem, da mesma forma, propiciar o voçorocamento, pois mudam a dinâmica no escoamento de água em superfície e subsuperfície.
Outro fator, menos importante, é o clima. Existem voçorocas na maioria das zonas climáticas do mundo (Imerson & Kwaad, 1980). Mas, segundo Iwasa & Prandini (1980) elas se apresentam com volume e número superiores em regiões onde existe uma concentração anual de chuvas.
No médio vale do Paraíba do Sul (SP/RJ), a erosão linear vem sendo estudada principalmente sob uma perspectiva geomorfológica. Para Salgado et al. (2001) as grandes declividades e desnivelamentos altimétricos aumentam a velocidade dos fluxos d’água, aumentando, assim, sua potencialidade erosiva.
Nos estudos de Oliveira & Meis (1985), desenvolvidos na região de Bananal (SP/RJ), a geometria das encostas é um fator importante para o processo erosivo. Os referidos autores verificaram que a maioria das voçorocas se encontra em encostas de perfil e contorno côncavos, devido a seus declives acentuados. Peixoto et al. (1989), aprofundando tais estudos na mesma região, analisou vários índices morfométricos e constatou que o fenômeno erosivo é acentuado pelo maior estrangulamento das bases da cabeceira de drenagem e pela maior área destas, caracterizando extensa área de contribuição.
Peixoto et al. (1989), fazendo ainda alusão à existência de seqüências sedimentares no médio vale do Rio Paraíba do Sul, constatou que existe uma tendência a associar cabeceiras de drenagem com perfil e contorno côncavos à presença de rampas de colúvio, onde os episódios erosivos ocorrem gerados por bruscas descontinuidades internas, relativas à sobreposição de diferentes pacotes sedimentares. As cabeceiras de drenagem com reentrância côncavo-plana também constituem ambientes onde o voçorocamento é predominante. Nesses locais existe uma retomada erosiva, pois correspondem a paleovoçorocas preenchidas por depósitos alúvio-coluvionares.
Os estudos conduzidos por Coelho Netto (1997), Oliveira (1999), Peixoto et al. (2000), entre outros no médio vale do Paraíba, classificam as feições erosivas lineares quanto à sua posição em relação a rede de drenagem – voçorocas conectadas e ravinas/voçorocas desconectadas – expressando diferenças na formação e evolução, assim como na ocorrência em segmentos diferentes das encostas.
As voçorocas desconectadas – Fotografia 1 – encontram-se nos setores mais elevados das encostas (Oliveira & Meis, 1985). São formadas pela implantação de canais preferenciais de escoamento das águas pluviais, onde é retirado material superficial do solo formando sulcos, que aumentam sua largura e profundidade com o tempo (Iwasa & Prandini, 1980). A partir daí, seu crescimento se dá em direção à montante, devido ao surgimento de braços ligados a retirada de material da cabeceira. Apresenta forma de cone, é larga e profunda para montante e estreita e rasa para jusante. Há predomínio de fluxos superficiais em sua evolução (Oliveira, 1999).
 

Fotografia 1: Voçoroca desconectada da rede de drenagem, percebe-se sua localização no setor mais elevado da encosta.

 

As voçorocas conectadas - Fotografia 2 - à drenagem estão localizadas nas áreas mais baixas – fundos de cabeceiras de drenagem e de vales fluviais. São formadas pelo solapamento de suas bases a partir do canal da rede de drenagem. Seu crescimento ocorre em direção a montante, e na maioria das vezes, o faz de forma linear. Em geral, apresenta maior profundidade em direção a jusante. Nesse tipo de voçoroca existe predomínio de fluxos de escoamento subsuperficiais (Oliveira & Meis, 1985; Bocco, 1986).
 

Fotografia 2: Voçoroca conectada à rede de drenagem, onde nota-se sua localização no setor mais baixo da encosta e fundo da cabeceira de drenagem.
 

Oliveira & Meis (1985) e Oliveira (1999), constatam, entretanto, que existem feições erosivas que ocupam toda a extensão longitudinal da encosta. Supõe-se, então, que haja casos em que as voçorocas conectadas e desconectadas se integram formando um entalhe erosivo com grande capacidade para remoção de material.
Oka-Fiori & Soares (1976) e Peixoto et al. (2000), entre outros autores, classificam ainda as incisões erosivas em ativas e estabilizadas. Voçorocas são ativas quando apresentam grande número de mecanismos erosivos atuando, com expansão de seu volume, indicando presença de material disponível na encosta. As voçorocas estabilizadas estão relacionadas à existência de camadas de solo mais resistentes ou afloramento rochoso que dificultam o aprofundamento da incisão, permitindo, por outro lado, a entrada e desenvolvimento de vegetação.

3.2) MÉTODOS E TÉCNICAS
A metodologia empregada baseia-se no confronto do mapa de lineamentos estruturais com o mapeamento de feições erosivas.
As atividades do presente trabalho compreenderam:
a) Mapeamento do limite da bacia, da rede de drenagem e das feições erosivas lineares na bacia do Córrego da Cachoeira em papel overlay através de fotografias aéreas (escala 1:20.000), classificando-as quanto ao processo de evolução (desconectada ou conectada à rede de drenagem) – FIGURA 1;

 


b) Vetorização e criação dos mapas do limite da bacia, da rede de drenagem e de feições erosivas lineares;
c) Levantamento geológico da região (escala 1:200.000), retirado de Almeida (2000);
d) Confecção do mapa de lineamentos rede de drenagem do município de Paty do Alferes;
e) Confecção dos mapas de lineamentos rede de drenagem, do adensamento da drenagem e das feições erosivas desconectadas e conectadas do médio-baixo vale do ribeirão do Secretário.

4) RESULTADOS
Pelo levantamento de dados geológicos regionais (Almeida, 2000), percebe-se que a área de estudo está inserida no domínio geológico Piraí – Bemposta, que apresenta distribuição espacial abrangendo os municípios de Piraí, Miguel Pereira, Paty do Alferes, Três Rios e Areal, e estende-se com direção NE-SW, acompanhando o padrão das direções do Sudeste brasileiro. Sua litologia compreende, principalmente, rochas ígneas e metamórficas de filiação ígnea, geradas por intenso metamorfismo térmico durante o Arqueano e Proterozóico, com textura granular. Correspondem aos granitos, ortognaisses e migmatitos, rochas que são ricas em quartzo, feldspato e micas, agrupadas em um mesmo domínio pois a semelhança litológica das mesmas não implica em grandes variações no relevo. Segundo Bacellar (2000), em virtude dessa estrutura granular e a baixa resistência de alguns minerais ao intemperismo, as voçorocas se fazem muito freqüentes.
O relevo acidentado está relacionado com a configuração atual da paisagem do sudeste brasileiro, que é resultado da evolução morfotectônica desencadeada com o processo de separação do continente sul-americano do africano, com início no Mesozóico, decorrente de um regime distensivo. Esse regime foi responsável por um abatimento regional, seguido, a partir do Eoceno, de grandes desnivelamentos de blocos através de falhas, orientadas predominantemente para NE-SW, que instalaram o sistema de rifte (Gontijo, 1999).
Do ponto de vista estrutural, o padrão da rede de drenagem da bacia do Córrego da Cachoeira é do tipo paralelo e as orientações de seus lineamentos comportam-se da seguinte forma: 18,64% têm direção NW-SE; 33,05% têm direção N-S, que é relacionada principalmente as nascentes, sendo a mais freqüente; 26,27% têm direção NE-SW, que corresponde aos canais fluviais de maior extensão e aos topos de morros e colinas; e 22,04% têm direção E-W (figuras 2 e 3). Essas estruturas típicas da região do médio vale do Rio Paraíba do Sul revelam forte influência da estrutura geológica no encaixamento da rede de drenagem, e conseqüente esculturação do relevo.
 


Figura 2: Mapa mostrando o limite da Bacia do Córrego da Cachoeira, a rede de drenagem e a localização das feições erosivas lineares.

 

Figura 3: Gráfico de valores de ocorrência relativa de lineamentos da rede de drenagem segundo sua direção.


Para os lineamentos do adensamento da drenagem observam-se os seguintes percentuais (figura 4): 35,18% têm direção NW-SE; 18,51% direção N-S; 17,59% NE-SW; e 28,72% E-W. Essa falta de correspondência direta evidencia um fraco controle das estruturas geológicas na orientação das cabeceiras de drenagem.
 

Figura 4: Gráfico de valores de ocorrência relativa de lineamentos do adensamento da rede de drenagem segundo sua direção

 

A partir da análise do mapa de feições erosivas (Figura 2) identificou-se um total de 86 incisões erosivas, sendo que destas, 63 (73,26%) são ravinas/voçorocas desconectadas da rede de drenagem e 23 (26,74%) são voçorocas conectadas.
As ravinas/voçorocas desconectadas têm lineamentos orientados da seguinte forma: 39,68% aparecem com orientação NW-SE, 9,52% com orientação N-S, 22,22% orientados para NE-SW e 28,58% para E-W (figura 5). As voçorocas conectadas apresentam 43,47% de seus lineamentos orientados para NW-SE, 21,73% para N-S, 21,73% para NE-SW e 13,07% orientados para E-W (figura 6).
 

Figura 5: Gráfico de valores de ocorrência relativa de lineamentos de ravinas/voçorocas desconectadas da rede de drenagem segundo sua direção

 

Figura 6: Gráfico de valores de ocorrência relativa de lineamentos de voçorocas conectadas à rede de drenagem segundo sua direção

A partir dos dados apresentados faz-se a correlação entre a orientação dos lineamentos das feições erosivas (desconectadas e conectadas) e a orientação dos lineamentos do adensamento da rede de drenagem, já que estes refletem as falhas e fraturas do substrato geológico e áreas preferenciais para sua ocorrência (Bacellar, 2000; Beavis, 2000 e Cambra et al., 1995).
Nota-se, então, que as ravinas/voçorocas desconectadas têm seus lineamentos com orientações muito semelhantes aos das estruturas representadas no adensamento da drenagem, sobretudo nas direções NW-SE (com 39,68% e 35,18% respectivamente) e E-W (28,58% e 28,72%). Esse comportamento mostra que essas feições erosivas ocorrem com direções subordinadas às estruturas do substrato geológico, como constatado por Cambra et al. (1995) em Bananal, revelando seu controle em sua gênese e propagação (Hasui et al., 1995).
Quanto às voçorocas conectadas, percebe-se que estas não seguem proporcionalmente as orientações das estruturas regionais, visto a elevada disparidade de valores percentuais entre as orientações dos lineamentos destas com os do adensamento da rede de drenagem, que revelam valores próximos somente na direção N-S (21,73% e 18,51%, respectivamente). Isso revela um padrão diferenciado das ravinas/voçorocas desconectadas e mostra que, neste caso, a influência de outros fatores é mais marcante que a da estrutura geológica para a ocorrência e distribuição espacial das voçorocas conectadas.

5) CONCLUSÕES
A bacia do Córrego da Cachoeira (sudoeste do município de Paty do Alferes/RJ) apresenta grande incidência de feições erosivas lineares, com a ocorrência de um total de 86 feições, onde a maioria, 63, são ravinas/voçorocas desconectadas da rede de drenagem e 23 são voçorocas conectadas à drenagem.
Através das análises dos mapas geológico, de compartimentos topográficos, de declividade, de solos e de uso do solo, verificou-se que esse elevado número de feições erosivas lineares se deve, em grande parte à litologia da região, pela presença de rochas que possuem características que propiciam a atuação de processos erosivos, à presença de desníveis de até 250 metros, à elevadas declividades, à grande presença de solos que favorecem a infiltração e escoamento subsuperficial, e a retirada da vegetação original, por ação humana, para a implantação de atividades agro-pastoris, alterando o sistema hidrológico da região, o que interfere diretamente na capacidade erosiva dos fluxos de água.
Os lineamentos estruturais da bacia apresentam-se representados em todas as direções, com predomínio nas direções. Sendo que os canais principais (mais extensos) e os alinhamentos do relevo dispõem-se principalmente para NE-SW e os canais menores e nascentes mais numerosos, para N-S, comportamento típico dos relevos rifteados durante o Terciário, situados no sudeste do Brasil.
As orientações das ravinas/voçorocas desconectadas coincidem com as das fraturas e falhas do substrato rochoso, principalmente nas direções NW-SE e N-S, o que revela forte influência da estrutura geológica nesse tipo de feição. Por sua vez, as voçorocas conectadas não seguem o padrão dos principais lineamentos da área, o que sugere que a estrutura geológica não é o fator mais influente no desencadeamento desse tipo de feição.

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