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X SIMPÓSIO BRASILEIRO DE GEOGRAFIA FÍSICA APLICADA

 

A UTILIZAÇÃO DE TÉCNICAS CARTOGRÁFICAS COMO AUXÍLIO NA ANÁLISE DA SUBSTITUIÇÃO DA VEGETAÇÃO NATIVA PARA A IMPLANTAÇÃO DE ÁREAS AGRICULTÁVEIS NOS MUNICÍPIOS DE ITAARA E SANTA MARIA – RIO GRANDE DO SUL.

 


Springer, Kalina Salaib; Costa, Rafael Alves; Cassol, Roberto; Pereira F. Waterloo
Departamento de Geociências da Universidade Federal de Santa Maria – UFSM
E-mail: springer_kalina@yahoo.com.br
 

 

 


Palavras-chave: Técnicas cartográficas – Geografia Física – Agricultura
Eixo: 3 – Aplicação da Geografia Física à Pesquisa
Sub-eixo: 3.4 – Aplicações temáticas em estudos de caso
 

 

 


INTRODUÇÃO
Atualmente, vários estudos são realizados na Geografia, principalmente os que concernem a Geografia Física. Tais estudos têm o propósito de estabelecer relações entre o meio natural e o homem, que muitas vezes o utiliza inconseqüentemente, podendo alterar os ecossistemas e provocar desequilíbrios, a menos que se incorporem técnicas para a manutenção de uma nova estabilidade. Contudo, praticamente, todas as atividades humanas, de uma forma ou de outra, alteram as características do meio natural, de maneira que a sociedade organiza e desorganiza o espaço em função de seus interesses e condições sócio-econômicas, que muitas vezes são antagônicos à dinâmica natural do restante do Planeta.
No entanto, esse processo de ocupação indevido e não planejado acarreta sérios problemas ambientais, trazendo como conseqüências principais e imediatas a alteração no escoamento natural das águas superficiais e subsuperficiais, compactação dos solos e remoção da cobertura vegetal.
No Rio Grande do Sul, e particularmente nos municípios de Santa Maria e Itaara, as modificações no meio ambiente intensificaram-se a partir da colonização, sendo que muitas áreas foram devastadas para que se implantasse a agricultura. Com relação a este desmatamento, Moreno (1972), comenta que o agricultor da zona colonial só se interessava em cultivar terras originais de matas, deixando de lado os campos por serem menos férteis e necessitarem de adubação. Com o grande impulso dado a agricultura, provocou-se um grande desmatamento, resultando numa transformação da fisionomia vegetal do Estado. Com a retirada da cobertura vegetal, a erosão torna-se um dos fatores mais acentuados para a degradação dos solos e para o assoreamento de rios e arroios, sendo, esta ação de impacto ambiental mais sentida em áreas de maiores declividades e topografia irregular. No entanto, o abandono das áreas de cultivo em regiões originalmente cobertas por florestas, proporcionou um lento processo de reconstituição da vegetação nativa, que atualmente encontra-se em diferentes estágios de sucessão. Assim, a maioria dos solos encontram-se cobertos por capoeiras e capoeirões, estando as florestas localizadas principalmente nas áreas mais íngremes e próximos aos cursos d’água.
Percebe-se, deste modo, que o processo de desmatamento ocorrido nestes municípios e consequentemente nestas microbacias, sempre esteve ligado ao uso da terra, principalmente para o desenvolvimento de atividades agropecuárias.

METODOLOGIA
A fase inicial constitui-se pela definição do recorte espacial, compreendendo as microbacias hidrográficas Santa Flora e Baú, localizadas nos municípios de Santa Maria, e Itaara, respectivamente situadas na porção central do Rio Grande do Sul. Posteriormente, delimitou-se com base em cartas topográficas de escala 1:50000 as respectivas microbacias hidrográficas, a fim de se elaborar o mapa base que forneceu a caracterização física da área e possibilitou a geração de cartas temáticas.
A fase seguinte constitui-se do trabalho de campo, no qual pôde-se constatar através das cartas temáticas e sua realidade, e com o auxilio do GPS Garmin 12xl, verificou-se os pontos do alto, médio e baixo curso d’água de cada uma das microbacias hidrográficas, verificou-se declividades, hipsometria, uso da terra, orientação de suas vertentes.
Posteriormente, partiu-se para as discussões teórico-metodológicas buscando o marco teórico da investigação via consulta bibliográfica. Para tal, utilizou-se de conceitos básicos como: Carta topográfica, Cartas Temáticas, Bacia Hidrográfica, Uso da Terra, Declividade, Processos Hidrológicos, Erosão.
Definida a linha teórica, delineou-se a parte prática da pesquisa delimitando-se as referidas microbacias hidrográficas em estudo e aplicando técnicas para a confecção de cartas e perfis como: topográficos, longitudinais e transversais, que demonstraram os elementos físicos das áreas, bem como as medições dos cursos d’água, área total e perímetro, feitas através do software CR. SITER 1.0 e mesa digitalizadora, pertencente ao Departamento de Geociências da Universidade Federal de Santa Maria - UFSM. Para a quantificação da hidrografia, também foi utilizado o software STATISTIC ( versão 5, edição 97).
Com a conclusão desta pesquisa, estabeleceu-se um diagnóstico sobre o potencial referente às técnicas utilizadas que permitirão ao Geógrafo, informações úteis para a apreensão da realidade das áreas que estão sendo investigadas. Além disso, procurou-se verificar quais os agentes que possuem potencial para reestruturação do relevo e que, conseqüentemente, sofrem o processo de transformação, formando outros padrões paisagísticos.

REVISÃO BIBLIOGRÁFICA
A necessidade de representar a distribuição dos elementos que compõem o meio no espaço e no tempo, faz da cartografia um objeto de grande importância e utilidade para as representações espaciais.
Neste sentido, Duarte (1986, p.117) comenta que: “... a cartografia e a Geografia são ciências que jamais se separam, pois existe um grande relacionamento entre ambas, de maneira que o Geógrafo necessita conhecer os fundamentos da cartografia a fim de elaborar suas interpretações no início do trabalho, buscando levantar as hipóteses, a seguir no desenvolvimento através da correlação de dados, e no final, na apresentação dos resultados”.
Da mesma forma, Sanchez (1993, p. 308), considera a cartografia como, “... ciência perfeitamente definida com propósito e métodos próprios quando trata da representação de parte ou toda superfície terrestre”.
Santos (1985) argumenta que a proposta inicial da Cartografia é a de expressar sobre um sistema de coordenadas planas, pontos discretos que tenham perfeitas ligações com o homólogo, na superfície terrestre de tal forma que o cálculo efetuado sobre o sistema plano mantenha perfeita correspondência quando transportado para a superfície original.
Com isso, é importante ainda resgatar as palavras de Santos (1989), onde ele diz que o mapa é a representação cartográfica dos fenômenos naturais e humanos de uma área, dentro de um sistema de projeção e em determinada escala, de modo a traduzir com fidelidade suas formas e dimensões.
Neste contexto, Sanchez (1973, p. 33) considera que: “... o mapa ou carta resulta de um levantamento preciso, exato da superfície terrestre, mas em escala menor, apresentando menor número de detalhes em relação à carta. Os limites do terreno representado coincidem com limites políticos administrativos sendo que o título e as informações complementares são colocadas no interior do quadro de representações que circunscreve a área mapeada”.
Segundo Riebold (1990), compreende-se como base cartográfica qualquer representação gráfica, que através de símbolos represente a superfície da terra.
Neste sentido, os mapas através da representação cartográfica, buscam estabelecer a relação do espaço geográfico, nem sempre perceptível a campo, em sua totalidade. Para o uso de diversas técnicas baseadas em cartas e mapas, Loch (1994) coloca que, o mapa base servirá de referencia geométrica físico espacial para todos e quaisquer trabalhos cartográficos ou não, a serem executados num determinado espaço (município, estado, região ou microrregião), e que precisam ser referenciados espacialmente para operacionalizar sistemas de gerenciamento, mas para isso, a elaboração de um mapa envolve o conhecimento do espaço geográfico e sua codificação que traduz em imagem o significado, ou seja, o conteúdo.
Esses mapas tornam-se assim instrumentos de grande valia no momento da análise dos resultados de um trabalho, valorizando não apenas o registro do espaço geográfico, como também instrumentos de pesquisa.
Portanto, observa-se a necessidade de apoiar-se na expressão gráfica da cartografia afim de melhor organizar e planejar o espaço, e assim compreender sua estruturação.
Carvalho (1985, p. 14) diz que: “Para se elaborar qualquer mapa temático, deve-se ter primeiramente um documento cartográfico que contenha as informações coerentes à superfície do terreno que esta sendo estudado, que é a base cartográfica. Esta base não deve ser encarada como informação isolada mas como parte dele, sendo o pano de fundo onde se passa o fenômeno ou fato analisado”.
Tucci (1993) coloca que, para estudar os processos hidrológicos de uma pequena bacia, utiliza-se geralmente mapas temáticos como o topográfico. A topografia, segundo o autor, é a forma mais simplificada para definir paisagens e permitir uma avaliação das características da drenagem de uma região, sendo que esta é resultante da geomorfologia, do tipo de clima, principalmente no que se refere ao regime das chuvas e de evaporação, e também da geologia.
De acordo com Fuchs (1986) importância do conhecimento da declividade de um terreno, esta associada a fatores como conservação do solo, capacidade de uso, planejamento físico-conservacionista e manejo de bacias hidrográficas.
Neste sentido, Bertoni & Lombardi Neto (1990) consideram que fatores como, erosão, declividade, excesso de umidade, inundações, acidez e atrelados as intempéries climáticas, propiciam e limitam a produtividade que o solo pode oferecer a determinado uso.
No que tange ao processo de classificação da erosão, os mesmos autores, indicam não só a maior ou menor erodibilidade do solo, como o grau de redução de capacidade de produção e principalmente a natureza e a intensidade das práticas, assim classificam o desgaste dos solos nos seguintes tipos: erosão laminar é a lavagem da superfície do solo nos terrenos arados, erosão em sulcos, ocorre devido haver uma concentração de água que escorre em pequenos sulcos, e posterior aparecimento das voçorocas, quando os sulcos estiverem bastante erodidos em largura e profundidade.
Assim o uso da terra, pode se compreendido como a atividade pela qual a terra esta sendo utilizada pelo homem. Desta forma, Marques (1971) apud Pereira Filho (1986), coloca que uma classificação geral do uso da terra, pode ser definida como uma classificação de partes de terras, definidos e reconhecidos de acordo com suas características físicas e culturais mais significantes. Portanto, esta análise implica em avaliar qualitativamente e quantitativamente o que existe sobre a superfície, registrando este levantamento em forma de mapas, através de simbologia adequada.
Este levantamento da terra de acordo com Souza Coelho (1971), é um estudo que avalia os recursos do solo de acordo com a sua capacidade produtiva, localização e estimativas de terras adequadas ou mal aproveitadas, bem como o estudo das técnicas que visam ao melhoramento das áreas degradadas pelo mau uso ou naturalmente deficientes.
Esses elementos depois de mapeados e avaliados são direcionados para facilitar a sua identificação, resultando em um conjunto de informações indispensáveis para o planejamento de bacias hidrográficas. Desta forma, o inadequado uso da terra degrada os ecossistemas e provoca impactos ambientais, que afetam a qualidade do meio ambiente físico e humano.



DISCUSSÃO DOS RESULTADOS

As técnicas cartográficas utilizadas geram informações úteis para compreensão da realidade de determinada área, sendo tanto mais detalhadas conforme a escala e o refinamento das técnicas utilizadas. As vertentes compreendidas pelas bacias hidrográficas, ou seja, a área drenada pelos cursos de água, formadores dos grandes canais fluviais, está sujeita a intensos processos de degradação. Estes processos são acelerados pela retirada da vegetação, fazendo com que as áreas fiquem expostas. Os canais transportam detritos e sedimentos férteis, que ainda vão assorear os canais principais, ocasionando alteração no seu fluxo.
Quanto à altimetria, por estarem localizadas em compartimentos geomorfológicos distintos, possuem diferentes especificidades. A microbacia de Santa Flora caracteriza-se como uma planície aluvial de deposição de sedimentos, com terreno suavemente plano e, energia de relevo enquadradas nas classes muito fraca ( 0% a 5%) à fraca (5% a 12%), com 81% da área com declividade muito fraca, ou seja menor de 5%, 11% da área com declividade enquadrada como fraca, e somente 2% identificadas como superiores a 30%, ou seja forte, caracterizando uma área agricultavél. Conforme Figura 01.
 

Figura 01: Microbacia de Santa Flora: Classes de Declividade
Fonte: Folha SH.22-V-C-IV-2
Org: Springer, K.

 

Por outro lado, a microbacia do Baú ( Figura 02), é marcada por uma área que possui uma sucessão de montanhas e vales originados pela erosão, onde, estes compõem a Unidade Morfoestrutural do rebordo do Planalto, com elevada energia de relevo e declividades que variam entre 5% à oeste da microbacia, até maiores que 47% à leste, onde se encontram os vales na forma de “v” associados a paredões abruptos. Estas, ocasionam também, os patamares ao qual correspondem ao topo de camadas geológicas mais resistentes aos processos morfogenéticos, como os arenitos da formação Botucatu e rochas vulcânicas da Formação Serra Geral. A respeito da microbacia do baú, encontrou-se em 51% da área declividades, superiores a 12 %, caracterizando a geomorfologia, anteriormente citada, de modo que no restante da area encontra-se declividades muito fracas a fracas, ou seja de 0% a conforme Figura 02.
 


Figura 02: Microbacia do Baú: Classes de Declividade
Fonte: Folha SH.22-V-C-IV-2
Org: Springer, K.
 

No que se refere, ao tipo de uso da terra, a microbacia Santa Flora, inserido no município de Santa Maria, apesar de possuir consideráveis áreas agricultáveis, este é caracterizado por uma porção quase insignificante de áreas ocupadas pela agricultura, uma vez que dos 91% de área agricultavél, somente 27% é destinado a esta atividade, conforme expressa a Figura 03. Desta forma, não podem assim, expressar-se significativamente em volume de produção e de abastecimento, ou como valor econômico à região. Segundo os dados levantados, apesar do município estar ligado a atividade econômica primária, apenas 15,40% de sua área é ocupado para esta atividade ( IBGE, 2000).
• À oeste, a agricultura está caracterizada pelo sistema colonial, por se tratar de uma área mais íngreme, originalmente coberto por matas e capoeirões, além de grandes extensões de campos utilizados como pastagens. Essa área apresenta uma concentração de pequenas propriedades, com produção diversificada.
• No centro, especialmente próximo ao curso d’água principal, há outras áreas que também são caracterizadas por pequenas extensões de terras ocupadas pela lavoura estimulada pela proximidade do mercado consumidor. Há ainda, um percentual muito alto no que se refere aos campos em relação ao baixo índice de áreas de lavouras, mostram que provavelmente a atividade principal está ligada a exploração da pecuária;
• A leste, as lavouras de arroz e milho, se encontram em vastas extensões nas várzeas do curso d’água principal e seus tributários. Isto provavelmente é devido este setor da microbacia ser mais plano e possuir melhores solos. Esses fatores são responsáveis pelo uso de máquinas agrícolas que auxiliam na plantação, onde esta atividade já é dificultada em áreas onde o solo é de pequena espessura e o relevo é fortemente ondulado e erodido, como ocorre nos outros setores da microbacia, onde estes podem afetar a agricultura, devido a inclinação, altitude e drenagem, tornando esta atividade inviável.
No que se refere a cobertura vegetal os campos, ligados provavelmente à atividade pecuarista, ocorrem e se distribuem com uma certa uniformidade em toda a microbacia correspondendo a 64% da área estudada, vide Figura 03, mostrando-se como vegetação predominante. Devido a sua localização, na depressão Periférica há o predomínio da formação gramíneo-lenhosa, definido como um tapete herbáceo predominantemente composto por gramíneas, onde se encontram distribuídos em número significativo de plantas lenhosas, principalmente arbustos e árvores, às vezes isolados e, outras formas de capões, acompanhadas ou não por florestas de galeria, nas margens ao longo dos cursos d’água. A vegetação gramíneo-lenhosas sem floresta de galeria é uma subornação, cuja porção da mesma encontra-se na Depressão, em áreas de relevo suave e ondulado. O restante da microbacia, ou seja, 9% é coberto por florestas, estando abaixo do nível aceitável que é de 10%, conforme Figura 03.



Figura 03: Microbacia Santa Maria: Uso da Terra
Fonte: Folha SH.22-V-C-IV-2
Org: Springer, K.


Percebe-se que as características primitivas destas formações vegetais sofreram contínuas modificações devido a ação antrópica que, causou uma desestruturação no quadro natural através da implantação de atividades de caráter agropecuário. A presença destas atividades produtivas desencadeou uma verdadeira destruição no ambiente original. Há ainda nesta área florestas implantadas com eucaliptos (alternativa para fins industriais, madeira para os fornos de olarias e, entre outras atividades), mostrando como a ação do homem pode, inclusive, acelerar a ocupação vegetal , alterando assim, a estrutura natural e a mobilidade das fronteiras naturais em expansão.
Analisando os dados referentes a microbacia, constatou-se que esta apresenta uma topografia irregular, com uma considerável área de terrenos íngremes. À oeste os terrenos encontram-se desnivelados, por não estarem situados em uma área de muita movimentação, estando estes mais ou menos planos, porém em uma área de grandes altitudes.
Com relação a microbacia do Baú (Figura 04), os campos são ocupados por pastagens naturais, responsáveis pela paisagem da região e correspondem a 73% da área da microbacia, podendo na maioria das vezes, aparecer em terrenos de até 30% de declividade, sendo este, o tipo de uso predominante nesta microbacia ocupando 1611,20 ha, de sua área total.
Aparecem também lavouras, que podem ser identificadas em 14% da area da microbacia, predominantemente de batata e mandioca, além de pequenos cultivos de uva administradas em pequenas propriedades, que se auxiliam em um sistema de produção colonial. Levando-se em conta que a área apresenta-se de forma heterogênea, no que se refere à sua superfície, o uso da terra relativo à agricultura se manifesta de forma esparsa, por toda a extensão da microbacia, uma vez que há áreas agricultáveis no setor oeste desta, onde as altitudes se encontram em torno de 400 metros , são menos intensa que no setor leste, com altitudes que variam de 140 à 380 metros. Nesta região da microbacia, a área é cortada por um vale de paredes abruptas, onde os pequenos agricultores que ali residem, cultivam de forma manual, afim de aproveitar o máximo o terreno de sua propriedade.
 


Figura 04: Microbacia do Baú: Uso da Terra
Fonte: Folha SH.22-V-C-IV-2
Org: Springer, K.


CONSIDERAÇÕES FINAIS

No intuito de fazer-se a correlação entre as microbacias identifica-se que, na microbacia hidrográfica de Santa Flora há um intenso uso da terra (91%), proporciondado pelas condicões favoráveis do relevo,caracterizado por ser uma planicie. Contudo, áreas de elevada declividade, são também ocupadas, fato este, que pode ser explicado através da tradição e da historia de ocupação da terra pelos agricultores. Estes se referem aos imigrantes, principalmente italianos, chegados no século passado, sendo a terra explorada para a agricultura e criação de gado ao longo das áreas de vertentes íngremes, inadequadas para pastagens e culturas devido a elevada declividade do terreno. Já na microbacia hidrográfica do Baú, as áreas referentes á agricultura são poucas (14%), devido às altas declividades, impróprias para esta atividade, uma vez que, em 51% da area da microbacia, as declividades encontram-se superiores a 12%.Porém, existem áreas declivosas ocupadas pela cultura de feijão e hortigrangeiros, constituídas de pequenas propriedades rurais no vale, onde os proprietários têm a necessidade de utilizar a maior parte possível do terreno, mesmo que isso contrarie as regras conservacionistas de uso da terra. As áreas florestais encontram-se em sua maioria nas áreas íngremes, manifestando-se como um importante mecanismo de guarnição do solo.
Observou-se uma desafagem na cobertura florestal na microbacia de Santa Flora, em contrapartida, na microbacia do Baú encontram-se defasadas as áreas relacionadas à agricultura, constatadas através das respectivas porcentagens. Na microbacia de Santa Flora, há uma melhor organização do espaço agrário, notou-se um maior número de lavouras (27%) inseridas em pequenas propriedades além de grandes áreas de campos (64%) que servem como pastagens na atividade pecuarista. A microbacia hidrográfica do Baú revela-se uma área com sérios problemas ambientais, uma vez que, apesar do recobrimento florestal, se igualar em porcentagem nas duas microbacias (9%) devido ao relevo mais acidentado, esta deveria possuir um maior recobrimento vegetal que uma área plana, a fim de se evitar processo erosivos bem como deslizamentos. Alem disso, se desenvolve uma agricultura de subsistência junto aos cursos de água alastrando-se sobre as encostas íngremes. Referindo-se ao tema, na microbacia de Santa Flora, as declividades encontram-se suaves ( inferiores a 12%) em 92% da área, enquanto que, na microbacia do Baú, estas encontram-se mais acentuadas (superiores a 12%), em 51% da área, devido um menor escarpamento das curvas de nível. Com isso, na microbacia de Santa Flora, não há um impedimento do uso da terra por classe de declividade, onde esta inclui diretamente nesta atividade, onde que não tem sido fator determinante dos respectivos usos, pois áreas impróprias, são utilizadas com agricultura e pecuária.
A partir do levantamento de campo, no que se refere ao uso da terra, principalmente a microbacia Santa Flora tem condições de produção e transformação de sua produtividade, apresentando alto índice de ocupação humana. Contrapondo-se, a microbacia do Baú que possui índices menores de ocupação, possivelmente interligada à impossibilidade de manutenção nas áreas íngremes das vertentes, dificultando não só a ocupação para moradia, mas a manutenção de lavouras e escoamento da produção.


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