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X SIMPÓSIO BRASILEIRO DE GEOGRAFIA FÍSICA APLICADA

 

ARBORIZAÇÃO URBANA NO RIO DE JANEIRO (RJ): PROPOSTA DE
MANEJO E INTERVENÇÃO URBANÍSTICA DO PODER PÚBLICO




Luis Otávio de Carvalho Simões, Bárbara Balzana Mendes Pires,
Humberto Marotta Ribeiro, e Alexander Josef Sá Tobias da Costa.
Email: lotricolor@ig.com.br & ajstcosta@terra.com.br




Universidade do Estado do Rio de Janeiro - UERJ
Instituto de Geociências - IGEO
Departamento de Geografia



Palavras-chave: Arborização, Planejamento Urbano e sombreamento.
Eixo 3: Aplicação da Geografia Física à Pesquisa
Sub-eixo 3.4: Aplicações temáticas em estudos de casos








 

INTRODUÇÃO


As políticas públicas voltadas ao meio ambiente se concretizam em determinados espaços urbanos, o que as torna objeto de grande interesse para a Geografia. Esta ciência pode cooperar na elaboração e no desenvolvimento de políticas públicas que auxiliem na solução de problemas sócio-ambientais, que demandam ser implementadas por ações institucionais. Além dessa abordagem, a outra forma de contribuição da Geografia é o monitoramento e análise das alterações na paisagem e a organização do espaço resultante de políticas implementadas.
Deste modo, a ciência geográfica apresenta diversas perspectivas teórico-conceituais, a partir das quais essa realidade urbana vem sendo estudada, procurando compreender como as práticas sociais e políticas se articulam e entram em contradição, de diferentes formas e com diversas intensidades, além de revelar-se, segundo Corrêa (1995), por meio de um complexo processo de produção e apropriação sociais do espaço urbano. 
A arborização estabelecida em calçadas desempenha função essencial e insubstituível para a sustentabilidade do ambiente urbano, principalmente quando se observa as grandes cidades, as quais segundo Santos (1994), podem até ser consideradas caóticas em virtude dos problemas que apresentam. Há benefícios e malefícios advindos da presença arbórea, de maneira que o papel do manejo é o de otimizar as vantagens e minimizar os prejuízos à circulação de pessoas.
O ambiente urbano pode apresentar temperaturas mais altas, geração mais proeminente de ruídos, além de mais acentuada poluição atmosférica por partículas e gases, isto porque caracteriza-se por modificações antropogênicas, tais como a carência de vegetação e as impermeabilizações de superfície por materiais que refletem mais a energia solar. Conforme observado por Milano (1991), tais características, ao afetar contundentemente o ambiente urbano, interferem negativamente na qualidade de vida de suas populações.
Nesse sentido, o espaço público de cidades carece cada vez mais de ordenamento planejado. Os mais diferentes usuários das calçadas podem se beneficiar significativamente de políticas públicas, as quais privilegiem tanto o conhecimento técnico-científico quanto a opinião popular.
A arborização urbana manejada adequadamente encontra-se plenamente inserida na busca pelo desenvolvimento sócio espacial, que, segundo Souza (2002), somente pode ser alcançado quando se constata uma melhoria da qualidade de vida e um aumento da justiça social. A arborização em vias públicas poderia tanto satisfazer necessidades essenciais, amenizando a temperatura para os transeuntes por meio do sombreamento efetivo nas calçadas, quanto as secundárias, como compor a beleza estética, isto porque:

“No que tange à melhoria da qualidade de vida, ela corresponde à crescente satisfação das necessidades – tanto básicas quanto não básicas, tanto materiais quanto imateriais – de uma parcela cada vez maior da população. ” (SOUZA, 2002; p. 62)

A efetivação de melhorias nas condições de vida implica ser constituída a partir do planejamento e da gestão urbanos. O planejamento urbano pode ser definido como a aplicação de estudos prévios, visando a realização de certos objetivos pré-estabelecidos, os quais sejam relativos ao crescimento e ao desenvolvimento de zonas urbanas (Castells, 1984). Nesse contexto, Souza (2002) define: 

“o planejamento urbano como a preparação para a gestão futura, buscando-se minimizar problemas e ampliar margens de manobra; e a gestão é a efetivação, ao menos em parte, das condições que o planejamento feito no passado ajudou a construir. Longe de serem concorrentes ou intercambiáveis, planejamento e gestão são distintos e complementares.” (SOUZA, 2002; p. 46)

Fica clara a importância do planejamento, identificando e ordenando fatores e meios, processos e tempo, necessários para se alcançar um objetivo pré-estabelecido. Assim, tratar de planejamento significa tratar do futuro, definir ações e identificar os agentes dessas ações (MILANO, 1987), enquanto a gestão remete às necessidades imediatas e aos recursos disponíveis no presente, para o desenvolvimento efetivo de zonas urbanas, pois:

“(...) a finalidade última do planejamento e da gestão urbanos é a superação de problemas, especialmente fatores de injustiça social e melhoria da qualidade de vida, ambos deveriam ser vistos como pertencendo ao amplo domínio das estratégias de desenvolvimento, (...). Planejamento e gestão urbanos vistos por esta ótica de ciência social, nada mais são que estratégias de desenvolvimento urbano, alimentadas por pesquisa social básica, tanto teórica quanto empírica (ou seja, diagnósticos)”. (SOUZA, 2002; p. 73)

Observa-se a importância de um planejamento urbano que considere o planejamento da arborização como parte integrante de suas políticas e ações. São significativos os resultados quando isso ocorre, uma vez que as vantagens de uma arborização urbana adequada para a qualidade de vida da população urbana já foi evidenciada. O planejamento da arborização não pode desconsiderar as características urbanas já existentes, sendo necessária uma estreita relação com os conjuntos de normas existentes.
Dessa maneira, considera-se que esta pesquisa possa vir a somar dentro da ótica urbana brasileira, já que o tema arborização urbana, assunto escassamente abortado pelas ciências no Brasil, possui um grande potencial para melhorar a qualidade de vida da população dos centros urbanos, auxiliando em planejamento e manejo mais adequados.

OBJETIVO


O presente estudo analisa e monitora as ações do Estado na arborização da rua Barão de Mesquita, por meio de uma metodologia que caracteriza e analisa a carência arbórea (Simões, 2003). Pretende-se estabelecer como uma intervenção urbanística do Estado influenciou no manejo da arborização estabelecida nos passeios públicos da via estudada.

ÁREA DE ESTUDO


O presente estudo tem como recorte espacial o bairro do Andaraí, localizado na Zona Norte do município do Rio de Janeiro - RJ, com especial destaque para a sua principal via de circulação, a rua Barão de Mesquita. Essa via de circulação foi analisada principalmente, pela importância que exerce em seu bairro e adjacências.
O Andaraí se caracteriza pelo seu caráter residencial e por um comércio desenvolvido para suprir essencialmente as necessidades locais. Quanto a sua população, observa-se um pequeno crescimento, cerca de 5 % (IPP, 1998), entre 1981 e 1991, em parte explicado pela ocupação ilegal, principalmente no complexo de favelas do Andaraí, isso porque o bairro possui uma pequena área totalmente ocupada pela malha urbana estabelecida, tornando-se difícil um crescimento expressivo da sua população. 
A principal via do bairro do Andaraí, a rua Barão de Mesquita, que também se estende por dois bairros adjacentes, o Grajaú e a Tijuca, terá caracterizada nesse estudo, somente a sua fração localizada no Andaraí (Figura 1).

A porção analisada desse logradouro possui 1377 metros de comprimento de calçada, divididos em 11 quarteirões (5 do lado direito e 6 do lado esquerdo), onde a denominação direita/esquerda está relacionada ao sentido de trânsito dos veículos. Embora apresente uma forte função comercial, sua morfologia urbana não é verticalizada, sendo caracterizada predominantemente por sobrados destinados ao pequeno comércio. 
O espaço é formado por fixos e por fluxos, os quais interagem e se alteram mutuamente. Os fixos são objetos localizados no espaço, como por exemplo, agências de correios, agências bancárias, escolas e hospitais. Cada tipo de fixo possui suas características próprias, que correspondem a uma tipologia de fluxo. Esses objetos geográficos, os fixos, além de objetos técnicos, são também objetos sociais, isso graças aos diferentes fluxos. (SANTOS, 1997).
A partir da compreensão desses conceitos, a via de circulação estudada foi caracterizada pela sua funcionalidade no espaço analisado. Dentro da mesma cidade, do mesmo espaço, em razão da divisão territorial do trabalho, também há paisagens funcionalmente distintas. 

A sociedade urbana é uma, mas se dá segundo formas/lugares diferentes. É o principio da diferenciação funcional dos subespaços. A sociedade não mudou, permaneceu a mesma, mas se dá de acordo com ritmos distintos, segundo os lugares, cada ritmo correspondendo a uma aparência, uma forma de parecer. (SANTOS, 1997, p.69)

METODOLOGIA


Para analisar a arborização das via estudada foi utilizada a metodologia desenvolvida por Simões, 2003, na qual foram medidas as áreas das copas, que posteriormente serviram para obtermos o potencial de sombreamento de cada árvore. Essas áreas foram mensuradas por meio de uma projeção visual no solo do sombreamento arbóreo, aproximada pela composição de polígonos (Figura 2). A utilização da área de copa das árvores parte da premissa de que em algum momento do dia essa área vai se projetar sobre a área de calçada em que o espécime vegetal está plantado.

Além das árvores, foram mensuradas também a largura e o comprimento das calçadas, a fim de conhecer a área de cada uma das mesmas. Esses dados foram utilizados nas análises posteriores e tornaram-se essenciais para a elaboração desse trabalho monográfico. Cabe ressaltar ainda que todas as medidas lineares realizadas ao longo desse estudo foram mensuradas com auxílio de trenas de 10 e 20 metros.
A percepção da população acerca de arborização urbana foi parte integrante e indispensável dessa proposta metodológica. Foram realizadas entrevistas com transeuntes, trabalhadores, moradores e estudantes das vias estudadas, de maneira a valorizar a percepção ambiental de quem utiliza esse espaço. A partir de uma análise comparativa entre os dados obtidos nas mensurações de campo e na pesquisa de opinião se estabeleceram índices de sombreamento arbóreo, os quais permearam toda a pesquisa e embasaram a proposta de manejo para arborização urbana da área analisada . 
Foram aplicados os índices matemáticos da proposta metodológica empregada, caracterizando a arborização urbana em cada calçada de quarteirão da rua estudada. Segue abaixo a descrição dos índices implementados pela proposta metodológica:

A) Índice de Sombreamento Arbóreo (ISA) – É o percentual da área sombreada em relação à área total, ambas relativas à calçada. O resultado obtido é o potencial de sombra resultante da soma das áreas de copa arbórea, que, por sua vez é estimada por meio de projeção visual ao solo, aproximada pela composição de polígonos. A área de sombreamento arbóreo utilizada parte da premissa de que em algum momento do dia a área de copa vai se projetar sobre a área de calçada.
 

B) Índice de Sombreamento Específico (ISE) – É a área de sombreamento médio, estimado pela razão entre a área de copa total e o número de árvores contabilizadas.
 

C) Índice de Densidade Arbórea (IDA) – Número médio de árvores existentes por 100 m2 de calçada.
 


 

Além desse índices também foi mensurada a distância média entre as árvores a partir do eixo longitudinal dos caules. Essa medida foi denominada distância arbórea média (DAM). 
 

Por meio de uma análise comparativa entre o diagnóstico, resultante dos índices, e a percepção da população acerca do sombreamento arbóreo existente nas vias, obtida pela aplicação de questionários, pretendeu-se estabelecer um ISA Satisfatório para cada logradouro conforme sua funcionalidade.
A partir da diferença entre a área sombreada satisfatória e a área sombreada existente na via, dividida pelo ISE, foi estimado o número de árvores requeridas, ou seja, a quantidade de espécimes arbóreos necessários para se alcançarem índices satisfatórios de sombra.
 

Para uma proposta de manejo adequada que, evidentemente aborda propostas para o plantio de novas árvores, foi necessário contabilizar as árvores jovens, ou seja, aquelas que possuem menos de 2,0 metros de altura e cuja copa, comparativamente, ainda não alcançou um terço da copa de uma árvore da mesma espécie, no ápice do seu ciclo de vida e localizada na via em análise. 
Na medida em que as árvores jovens não foram incluídas no cálculo dos índices, tornou-se necessário subtraí-las do número de árvores requeridas para se obter a efetiva carência de árvores da via segundo a presente metodologia, a qual foi denominada árvores propostas. 
 

O número de árvores propostas, resultante da aplicação da metodologia de Simões (2003), foi comparada ao planejado pela intervenção urbanística da prefeitura da cidade do Rio de Janeiro, denominada Rio-Cidade. O projeto Rio-Cidade tem por objetivo a reurbanização de áreas especificas da malha urbana, valorizando e revitalizando o espaço urbano por meio da premissa de integrar a cidade. Nesse sentido, o Rio-Cidade tem como principais metas: (a) o tratamento paisagístico com ampliações e alargamento de ruas e avenidas, (b) a troca e conservação do mobiliário urbano, (c) a substituição da fiação elétrica e telefônica aérea pela subterrânea, (d) substituição e manutenção das redes pluviais e de esgotamento sanitário, bem como (e) o plantio de árvores.
O trecho estudado da rua Barão de Mesquita está inserida no projeto Rio-Cidade II – Grajaú / Complementação, que engloba diversas ruas dos bairros do Grajaú e do Andaraí, onde destacam-se as vias de maior fluxo.

RESULTADOS E DISCUSSÃO


A partir da aplicação da proposta metodologica de Simões 2003, tornou-se possivel uma caracterização da arborização da rua Barão de Mesquita e uma análise dos possíveis impactos da intervenção urbanistica do Rio Cidade.


1. RETRATO ATUAL DA ARBORIZAÇÃO URBANA NA RUA BARÃO DE MESQUITA
A parte estudada da rua Barão de Mesquita, localizada no bairro do Andaraí, apresentou índices de arborização urbana que refletiram uma grande carência quanto ao número de árvores, alcançando menos de 10% de sombreamento arbóreo (ISA) em ambos os lados (Tabela 1 e Figura 3), muito aquém aos 30% sugeridos, segundo a metodologia utilizada, para ruas como esta, que são de função tipicamente comercial. A diminuta largura média de calçada, cerca de 2,5 metros em ambos os lados, dificulta o plantio e o desenvolvimento de árvores .
Apenas um quarteirão da rua, o QD - 1, situado entre as ruas Paula Brito e Araripe Júnior, alcançou ISA próximo do satisfatório, resultado da maior freqüência arbórea detectada nessa via. Mesmo assim, o fato de possuir mais árvores não foi suficiente para dotar o lado direito dessa via de um ISA maior, uma vez que o outro lado, o esquerdo, apresentou um índice de sombreamento específico (ISE) muito maior, quase o dobro em relação ao lado direito (Tabela 1).
Além do fato de possuir a calçada com ISA mais satisfatório, o lado direito apresentou, excluindo-se os quarteirões desprovidos de árvores, a calçada com menor sombreamento arbóreo de todo o estudo, cerca de 6,62 % (Figura 4), uma conseqüência dos baixos valores de IDA e ISE bem como do acentuado DAM (Tabela 1).
Nesse quarteirão tipicamente comercial, localizado entre as ruas Souza Cruz e Uruguai, inclui duas escolas, uma igreja e um posto de gasolina, onde, por sua vez, é constante trânsito de veículos, comprovando assim a coerência da metodologia empregada, ao diferenciar o índice de sombreamento satisfatório entre ruas residenciais e comerciais, respectivamente 50 e 30%.
O lado esquerdo dessa via, é composto por seis quarteirões analisados, dos quais apenas dois apresentaram arborização. Apesar de não alcançar níveis satisfatórios de sombreamento arbóreo, essas duas calçadas, caracterizadas por uma densidade arbórea baixa, obtiveram ISA de quase 20% (Tabela 1), fato explicado pelo maior índice de sombreamento específico (ISE) detectado na rua Barão de Mesquita.
 

Tabela 1: Índices da Arborização Urbana em Calçadas na Rua Barão de Mesquita.

Lado

Quarteirões

Número de árvores

IDA

(árv. /100m2)

DAM

(m)

ISA

(%)

ISE (m2/árvore)

Direito

QD - 1

3

1,58

28,3

29,9

19,0

QD - 2

0

-

-

0

0

QD - 3

0

-

-

0

0

QD - 4

3

0,76

22,0

7,2

9,6

QD - 5

6

0,62

49,7

6,6

10,7

Total

12

0,58

63,9

7,4

12,7

Esquerdo

QE - 1

3

0,74

30,0

18,4

24,8

QE - 2

0

-

-

0

0

QE - 3

0

-

-

0

0

QE - 4

0

-

-

0

0

QE - 5

0

-

-

0

0

QE - 6

5

0,89

34,0

17,5

19,6

Total

8

0,45

84,3

9,8

21,6

 

O lado direito, entre as ruas Araripe Júnior e Ernesto de Souza, e o esquerdo, entre as ruas Gomes Braga e Barão de Itaipu, apresentam uma seqüência de dois e quatro quarteirões, respectivamente, sem árvores (Figura 3). Esse resultado contribui para minimizar os índices de arborização urbana da via (Tabela 1), dotando-a de uma grande área contínua onde há incidência direta da luz solar.
Desse modo fica evidente a falta de um planejamento urbano adequado, pois ao não se arborizar essa via, a população fica exposta a problemas decorrentes desse fato. Como exemplo, pode-se citar o fato de que, ao se propor a esperar por um transporte coletivo nos pontos de ônibus dessa via, uma pessoa fica exposta a incidência solar direta, uma vez que não há cobertura nesses pontos convergentes de fluxo populacional. 
Como conseqüência dessa falta de planejamento, podem ocorrer problemas diretos, como os na saúde na população, ou indiretos, como o aumento dos níveis de temperatura ambiente, afetando negativamente a qualidade de vida dos agentes sociais dessa área.
Nesse contexto, para tentar minimizar esses efeitos, foram concebidas propostas para o manejo da arborização dessa via. Assim, a partir dos resultados obtidos, determinou-se o número de árvores requeridas do logradouro. Apesar dos valores de ISA de ambos os lados da rua Barão de Mesquita serem bem similares, o que significa uma semelhança quanto à área carente de sombreamento arbóreo, o número de árvores requeridas é bem distinto, devido a discrepância nos valores do ISE (Tabela 2). Já o número de árvores propostas foi semelhante ao de requeridas em ambos os lados, conseqüência da pequena quantidade de lenhosas jovens. 

 


Figura 3 : Mapa de espacialização da arborização na rua Barão de Mesquita
 

Figura 4 : Mapa do ISA arborização na rua Barão de Mesquita

 

Tabela 2: Proposta de Manejo para a Arborização na Rua Barão de Mesquita

Lado

Número de árvores

Número de árvores requeridas

Indivíduos

Jovens

Número de árvores propostas

Direito

12

34

1

33

Esquerdo

8

16

2

14

 

2. INTERVENÇÃO URBANISTICA DO PROJETO RIO CIDADE NA ÁREA DE ESTUDO
Os dados obtidos no Instituto Pereira Passos (IPP) e na Empresa Municipal de Obras (RIOURB) sobre o planejamento do número de árvores a serem plantadas, executado pelo projeto Rio Cidade, no trecho analisado da rua Barão de Mesquita (tabela 3) foi comparado ao proposto pelo presente estudo.
 


Tabela 3: Comparação das propostas de intervenção para a Arborização na Rua Barão de Mesquita  

Lado

Número de árvores

Número de árvores Propostas (metodologia)

Número de árvores Planejadas (Rio Cidade)

Direito

12

33

16

Esquerdo

8

14

22

 

O lado esquerdo apresentou um número de árvores a serem plantadas (planejadas) pouco superior ao proposto pela aplicação da metodologia de Simões (2003), evidenciando uma coerência entre ambos, pois entre as árvores plantadas uma parcela pode ser comumente perdida por depredação (Simões et al, 2001).
Já o número de árvores planejadas para o lado direito foi a metade ao proposto pela análise do presente estudo. Mais do que uma aparente incoerência entre o planejamento do Rio Cidade entre ambos os lados, pôde-se constatar o diminuto tamanho de calçada na via, principalmente no lado direito, uma vez que, de acordo com Simões (2002), um tamanho de calçada com largura inferior a 3,0 metros, tal como foi detectado em média somente no lado direito dificulta o estabelecimento da arborização urbana.
A largura reduzida de calçada na via é um problema evidenciado tanto por esse estudo quanto pela própria instituição pública empreendedora, de forma que, mesmo com a substituição da fiação elétrica e telefônica aérea pela subterrânea, a sua execução perpassaria por duas alternativas: (a) diminuição da pista de rolagem e (b) desapropriação de imóveis. Em ambos os casos, constata-se a notória dificuldade de implementação para solucionar a problemática da arborização nessa via. Um outro indício da demanda pelo alargamento da calçada constitui o planejamento de apenas um ponto de ônibus coberto em um conjunto de quatro, conseqüência da obstrução do passeio público por mobiliários urbanos tais como este aliado à possibilidade da cobertura facilitar o acesso ilícito aos lotes e imóveis particulares.
Cabe ressaltar que, no desenvolvimento dessa pesquisa e principalmente devido às contínuas visitas aos órgãos públicos aliadas à questionamentos informais com técnicos responsáveis pelo projeto Rio-Cidade II - Grajaú, tornou-se notória a carência de uma participação popular mais incisiva. Embora os executores valorizem a participação popular por meio de audiências públicas, onde o projeto é apresentado aos diversos atores sociais envolvidos, existe segundo os empreendedores uma falta de engajamento da população em geral, com exceção dos comerciantes.
De acordo com Simões et al. (2002), vias com função comercial apresentam menor espaço disponível à arborização em calçadas, conseqüência do maior fluxo de pedestres e de veículos na rua, quando comparadas às residenciais. Dessa forma, a efetiva aprovação quanto ao estabelecimento da arborização em calçadas muitas das vezes é depreciada pelos interesses dos comerciantes, os quais requerem e geralmente são recompensados com a inclusão no projeto de novos sítios para estacionamentos. 
Além de estimular, torna-se essencial ressaltar a plena necessidade de integrar efetivamente todos os segmentos da sociedade nas discussões acerca do ambiente urbano, o que somente é possível quando a educação ambiental no âmbito da arborização é incentivada e implementada pelos tomadores de decisão e pelos projetos de extensão universitária.

CONCLUSÃO


É imprescindível que não se perca, por parte dos responsáveis pelas intervenções urbanísticas, um planejamento adequado à arborização urbana, respeitando as normas municipais para o plantio de árvores e distribuindo corretamente esses espécimes arbóreos ao longo das calçadas de vias de circulação.
De maneira geral, o número de árvores propostas pela aplicação da metodologia de Simões (2003) foi próximo ao planejado pelo projeto Rio-Cidade no lado da via onde havia largura mais adequada ao estabelecimento da arborização urbana. Dessa forma, metodologias, pesquisas e projetos acerca da arborização tornam-se consideravelmente limitados por eventuais peculiaridades da calçada, tal como a diminuta largura a qual foi ora evidenciada.
A partir dos resultados obtidos, pode-se inferir que além do estímulo, as ações de educação ambiental, no âmbito da arborização, são fundamentais para dotar todos os segmentos da sociedade de condição para participar efetivamente das discussões acerca do ambiente urbano, de forma a obter melhorias na qualidade de vida da população.

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