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X SIMPÓSIO BRASILEIRO DE GEOGRAFIA FÍSICA APLICADA



DEGRADAÇÃO DOS AMBIENTES NATURAIS DO PLANO SEDIMENTAR COSTEIRO DE BIGUAÇU - SC
 


Edison Fortes & Susana Volkmer
Universidade Estadual de Maringá, Departamento de Geografia. Av. Colombo, 5790, Maringá, PR. fortes@maringa.com.br


 

Palavras-chave: Plano sedimentar costeiro, ambientes naturais, zona costeira.

Eixo 3: Aplicação da Geografia Física à Pesquisa
Sub-eixo 3.4: Aplicações temáticas em estudos de casos
 



Introdução

As zonas costeiras constituem áreas complexas que marcam o contato e interação entre várias. Estas áreas vem sendo objeto de intenso estudo no mundo inteiro há muitas décadas. Estes estudos têm se ocupado dos mais diversos aspectos relacionados com as diferentes geoesferas (litosfera, hidrosfera, atmosfera e biosfera) e, de modo geral, as zonas costeiras têm revelado a necessidade de uma abordagem multidisciplinar nos temas enfocados, uma vez que há uma constante interdependência entre os processos envolvidos neste complexo espaço geográfico.
A ocupação humana da região costeira, crescente e muitas vezes não planejada, tem gerado, nos últimos anos, uma acelerada degradação dos seus ambientes naturais. A alteração dos canais de drenagem por obras de retificação, a extração irregular de areia dos leitos dos rios, os aterros inadequados sobre mangues, o traçado das rodovias como o caso da BR-101, a edificação em terrenos impróprios como manguezais, dunas e encostas com altas declividades, o cultivo nestas áreas e a exploração mineral de rochas, são alguns exemplos de ações humanas que têm interferido de maneira desastrosa no ambiente natural desta zona costeira. Em grande parte, estas ações resultam da falta de um conhecimento básico dos múltiplos processos naturais que nela ocorrem.
 

1. Localização da Área

O plano sedimentar costeiro de Biguaçu corresponde a parte de uma planície litorânea formada por uma sucessão de cristas praiais. Possui uma área de 6,48km2 e onde está instalada a sede municipal de Biguaçu. A despeito das baixas declividades locais, o plano sedimentar apresenta uma variedade de ambientes representados por depósitos transicionais, fluviais e flúvio-transicional.
Embora o presente trabalho destaque apenas os problemas ligados a degração dos ambientes situados no plano sedimentar costeiro de Biguaçu, será abordado a bacia do rio Biguaçu, já que muitos dos processos operantes na área costeira decorre de outros originados a montante e ao longo de toda bacia.
A referida bacia possui uma área de aproximadamente 389,7 Km2 , compreendendo os município de Antônio Carlos e grande parte do município de Biguaçu, ambos pertencentes à micro-região de Florianópolis.
O Rio Biguaçu nasce na serra das Congonhas a 778 metros de altitude e deságua na Baía Norte, defronte à Ilha de Santa Catarina. As sedes municipais de Biguaçu e Antônio Carlos localizam-se próximas à margem direita do referido rio. A cidade de Biguaçu situa-se na área do baixo curso, próximo à foz, e Antônio Carlos no médio curso (Figura 2).
Os divisores de água que limitam a área estão representados ao norte pelas elevações conhecidas como serra de São Miguel, que separa a bacia do rio Biguaçu das bacias dos rios Camarão e Inferninho, e serra do Macaco Branco que separa as bacias dos rios Inferninho e Tijucas; a oeste, as serras do Major e das Congonhas constituem os interflúvios das bacias hidrográficas dos rios Biguaçu e Tijucas; e ao sul, as serras do Pai João e Santa Filomena constituem o limite da bacia do presente estudo, como a da bacia hidrográfica do rio Maruim (Figura 2). A Serra da Guiomar constitui o interflúvio das sub-bacias hidrográficas do rio Três Riachos e do rio Rachadel, afluentes do rio Biguaçu.
Junto à foz do Biguaçu, na Baía Norte, localiza-se a praia do Tamanco ou do João Rosa que se constitui no limite leste.
As principais vias de acesso à área de estudo estão representadas pelas rodovias Federal BR - 101 e Estadual SC - 408. A primeira liga Biguaçu à Florianópolis ao sul (distância de 18 Km), e à Itajaí ao norte (aproximadamente 90 Km de distância). A segunda liga Biguaçu a Antônio Carlos numa distância de 15 Km. Outras estradas secundárias, não pavimentadas, permitem cruzar a bacia em várias direções, possibilitando acesso a toda área de pesquisa.

Figura 1 - Localização da área da pesquisa

 

A bacia do rio Biguaçu, situada próxima da capital do Estado, tem estado sob grandes impactos relacionados com a ocupação humana. Ela é, sem dúvida, dentro do contexto do estado, uma das áreas costeiras que mais urgentemente requer medidas que harmonizem a exploração do vale com a necessária preservação dos ambientes naturais. Nestes incluem-se as praias, os mangues, as restingas, as encostas com sua vegetação, entre outros.
Os inúmeros conflitos que nos últimos anos têm surgido, contrapondo, de um lado, as tentativas de exploração econômica pelos governos municipais e, de outro, a necessidade de preservar os sistemas naturais, testemunham a urgência de se estabelecer um plano de gerenciamento para todo o vale.
Dessa forma, torna-se de fundamental importância ter-se um conhecimento mais aprofundado possível, dos ambientes sedimentares com seus respectivos processos e produtos e a influência da ação antrópica neste contexto, objetivo básico do estudo a que nos propomos.

2. O QUADRO NATURAL
2.1. O Arcabouço Geológico e Geomorfológico da bacia hidrográfica

O Plano Sedimentar Costeiro de Biguaçu faz contato tanto a norte quanto a sul com rochas ígneas da Suíte Intrusiva Pedras Grandes. Nestes locais a Serra de São Miguel e o Morro da Bina, respectivamente formam partes dos interflúvio da bacia hidrográfica de Biguaçu, constituindo elevações com até 120m de altitude (Figura 1).
Trainini et al. (1978), sugerem o uso informal de Suíte Intrusiva Pedras Grandes para o conjunto de rochas graníticas de quimismo alcalino, de composição predominantemente similar que gradam para termos do Complexo Metamórfico-Migmático. Fazem parte da Suíte Intrusiva Pedras Grandes vários tipos de granitos dos quais apenas o granito São Miguel ocorre na área do presente estudo.
A oeste do plano sedimentar costeiro de Biguaçu, ocorrem depósitos fluviais, representados por depósitos de leques aluviais que formam uma faixa dominada pelo rio Biguaçu e com declividade inferior a 2%. Esses leques se misturam e se dispõem ao longo do canal principal que os tem escoado e retrabalhado, redepositando como depósito de planície de inundação (Figura 2).
O contato dos depósitos fluviais com o plano sedimentar costeiro ocorre com ausência de descontinuidades erosivas, o que pode indicar formação concomitante ao desenvolvimento das cristas praiais do plano sedimentar costeiro. Por outro lado, os depósitos fluviais assentam-se em discordância sobre as rochas da Suíte Intrusiva Pedras Grandes e fazem limite em superfície através de lobos de leques aluvias (Figura 2).
Depósitos coluviais ocorrem na parte norte da área, junto ao sopé da Serra de São Miguel, limitando esta dos depósitos marinhos-transicionais do plano sedimentar costeiro de Biguaçu (Figura 2). Os colúvios deste local apresentam cores castanha e marrom, e ausência de estratificações.
 

2.2. Aspectos Geomorfológicos do Plano Sedimentar Costeiro de Biguaçu

O plano sedimentar costeiro de Biguaçu corresponde a um conjunto de ambientes vinculados direta ou indiretamente às oscilações do nível relativo do mar no Quaternário (Fortes, 1996 e 1997). Estes ambientes estão representados, na maior parte, por uma sucessão de cristas praiais baixas, configurando um relevo plano com solos arenosos (Figura 2). Em menor parte, ocorrem mangues ribeirinhos próximo a foz dos rios Biguaçu e Caveiras, além de paleocanais do rio Biguaçu (Figura 2). A praia de João Rosa constitui um ambiente que vem sendo intensamente degradado pela expansão urbana. O ambiente mais notável do plano sedimentar costeiro, constitui a barra de desembocadura do rio Biguaçu, cuja evolução, segundo Fortes (1997) relaciona-se à ação antrópica, ocorrida nos últimos 37 anos, porém com maior intensidade nos últimos 19 anos (Figura 2).
A praia de João Rosa constitui uma faixa arenosa estreita com 5,0 a 10,0m de largura. Loteamentos clandestinos, com pouca ou sem infraestrutura, ocupam áreas do plano sedimentar junto à referida praia. As populações locais utilizam, algumas vezes, a praia como depósito de lixo residencial. Os esgotos dessas moradias são lançados “in natura” nas águas da baía norte. As condições de insolubilidade são aumentadas nos períodos de maré baixa, quando a barra de desembocadura do rio Biguaçu fica emersa e os dejetos dos esgotos não podem ser dissipados nas águas da baía.
Projetos de dragagens da foz do rio Biguaçu, vem sendo realizados desde 1994, sendo retirado nesta época um volume de material de cerca de 350.000m2 de material da barra de desembocadura.
O material dragado foi utilizado para aterrar parte dos mangues no local, agravando o problema ambiental.

2.3. A Cobertura Vegetal

Os altos índices pluviométricos da bacia do rio Biguaçu, associados às condições edáficas e topográficas locais, favorecem o desenvolvimento de uma densa cobertura vegetal. Contudo, a vegetação original, rica e exuberante, foi substituída por uma vegetação secundária ao longo dos topos e encostas dos morros, embora ainda mantenha o aspecto denso, característico dessa vegetação.
Na bacia supracitada restam apenas relíctos da pujante e densa mata primitiva que a cobria, denominada Floresta Pluvial da Encosta Atlântica, por Klein (1978). De acordo com Reitz (1988), essa mata cobria a área desde as várzeas úmidas até uma altitude de 600 metros, caracterizada pela diversidade e densidade das espécies de árvores altas. Entre as árvores que dominavam as matas, o citado autor inclui: o cedro (Cedrela sp), a peroba (Aspidosperma sp), o jacarandá (Dalbergia migra), o jatobá (Humenea coubarie), a canjerana (Cabralea canjerana), o camboatá-vermelho (Matayba guianensis), a estoupeira (Cariniana estrelensis), o pau-de-mandioca (Didymonapax angustissimin), o bacopari (Rheedia gardneriana), o tanheiro (Alchornea triplinervia), a canela-branca (Nectandra leucothyrsus), a figueira-de-folha-fina (Ficus organensis), o garapuvu (Schizolobium parahyba), o baguaçu (Talauma ovalata), o ipê-da-várzea (Tabebuia umbellata), o coqueiro (Arecastrum romanzoffinanum), o palmiteiro (Euterpe edulis), o tucum (Bactris lindmaniana) entre outras.
Embora as serras da bacia mantenham-se em grande parte cobertas por formação florestal, esta vem sendo substituída para dar espaço às atividades agrícola, pecuária e de expansão imobiliária. Vale salientar que o clima não constitui fator ambiental impeditivo a estas atividades, mas a retirada da cobertura vegetal, associada aos altos índices pluviométricos e a inclinação acentuada do relevo nas encostas dos morros propiciam a aceleração dos processos erosivos, devido ao alto grau de intemperização das rochas.
Ao contrário do que ocorre ao longo das áreas serranas, as baixadas drenadas pelo rio Biguaçu, representadas pelo plano sedimentar e pela planície de inundação do rio Biguaçu, encontram-se na sua quase totalidade, sem sua cobertura florística original. Elas foram substituídas por pastagens e agricultura, em grande parte irrigada, e para a expansão imobiliária.
Apesar da vegetação que outrora cobria o fundo dos vales da bacia hidrográfica do rio Biguaçu não apresentar grandes diferenças daquela que se verifica nas elevações, uma distinta, a formação vegetal de mangue, ocorre próxima à foz dos rios Biguaçu e Caveiras, muito alteradas por aterros e instalações de moradias. A vegetação característica desse ambiente é a Spartina densiflora, acompanhando, muitas vezes, o algodoeiro da praia, a Avicenia schaueriana e a Laguncularia racemosa.

3. O AMBIENTE ANTRÓPICO
3.1. Aspectos Demográficos e Sócio-Econômicos do Município de Biguaçu

As principais correntes de imigrantes para o povoamento do município de Biguaçu, eram formadas, principalmente, por alemães e açorianos. Acresce-se a participação do contingente africano. Desde o início da colonização, a partir de 1830, a tradição dos povoadores da área foi de caráter agropecuário. No início da ocupação, o colono derrubava a mata e a queimava para plantar num solo limpo, que lhe dava boas colheitas (Reitz, 1988).
Atualmente, embora o setor agropecuário tenha se modernizado e ainda constitua-se na principal atividade econômica da área, o contingente de pessoas que vivem no meio rural vem decrescendo a cada ano. A Tabela 01 demonstra, para o período de 1950 e 1991, o crescimento do processo de urbanização a partir de 1980, quando passou a ter um contingente populacional maior na cidade do que no campo.

 

TABELA 01
Evolução da distribuição da população no município de Biguaçu, excluída as
localidades de Sorocaba do Sul e Guaporanga (Censo Demográfico de SC. - IBGE)

POP. ANOS

URBANA

%

RURAL

%

TOTAL

       1950

      1.756

  17,89

      8.064

  82,11

        9.820

       1960

      2.172

  21,05

      8.145

  78,95

      10.317

       1970

      5.767

  37,60

      9.570

  62,40

      15.337

       1980

    16.120

  75,12

      5.333

  24,88

      11.354

       1991

    25.257

  84,27

      4.716

  15,73

      29.973

 

O município de Biguaçu caracteriza-se pela localização desordenada de suas funções urbanas, resultado da ausência de critérios urbanísticos na sua implantação e de um crescimento espontâneo. O uso da terra predominante na cidade é o residencial, face às suas características de cidade dormitório de Florianópolis.
Entre as atividades econômicas desenvolvidas no município de Biguaçu destacam-se, nas partes baixas dos vales, o cultivo de hortaliças e a criação de gado bovino (Foto 02). O primeiro está articulado ao abastecimento urbano, em vista da proximidade da capital do Estado e ligado a esta por razoável rede de transporte. Entre os produtos hortícolas cultivados na área, destacam-se: a cenoura, a beterraba, a batata-doce, o milho-verde, a alface, a salsa, a abóbora, a cebolinha, o pimentão, o repolho, entre outros. Nas encostas dos vales, embora não seja recomendado seu uso, são aproveitados alguns locais para o cultivo do milho, café, banana, cana-de-açúcar e aipim. A criação de gado, também, pode estar presente nestes setores.
Na indústria, Biguaçu não dispõem de um setor diversificado, embora possua boa localização para implantação da mesma, em decorrência da proximidade da capital do Estado e da facilidade de acesso através da BR-101. A indústria é formada, na maioria, por pequenas empresas de insumos urbanos. De acordo com o PIDSE (1990), destaca no referido município as indústrias de produtos alimentares, produtos de matéria plástica, mobiliário, entre outras.

4. A DEGRADAÇÃO DOS AMBIENTES NATURAIS DO PLANO SEDIMENTAR COSTEIRO

A vegetação da bacia hidrográfica do rio Biguaçu, inclusive do plano sedimentar costeiro, outrora constituída, em sua quase totalidade, pela densa Floresta Pluvial de Encosta Atlântica (Klein, 1978), foi, a partir de 1830, explorada e destruída pelos colonizadores representados, principalmente, por imigrantes alemães, açorianos e africanos. O primeiro colonizando, inicialmente, a área do Alto-Biguaçu e o segundo, o fundo dos vales da bacia. Contudo, a exploração desses recursos se deu de forma lenta no início da colonização, acelerando-se posteriormente com o crescimento da população da área e da exploração intensiva da bacia para fins agropecuário e madereiro.
A cobertura atual do solo, na área da bacia do rio Biguaçu, é constituída por cerca de 46,64% de matas representadas por vegetação secundária, que recobrem as serras limítrofes da bacia, enquanto no fundo dos vales as matas foram praticamente eliminadas. Esse quadro permite constatar a brusca alteração nos ecossistemas da região. Acresce este fato, que as obras de terraplenagem e retirada de materiais das encostas aceleram a dinâmica do transporte de material das encostas para o fundo dos vales e destes para a foz do rio Biguaçu. Com isto, dá-se o assoreamento deste rio, permitindo dessa forma a continuidade das enchentes que como fenômeno natural sempre esteve presente na região, mesmo com densa cobertura vegetal, mas que vem assumindo a cada dia características antrópicas.
A presença da barra de desembocadura do Rio Biguaçu (Figura 2) relaciona-se à intensificação do transporte e deposição de sedimentos na foz do rio, processo associado à retificação de diversos canais fluviais da bacia, iniciada em 1966, e agravado pelos desmatamentos e exploração de areia do leito do Rio Biguaçu, conforme observou Fortes (1997).
As enchentes da região resultam de dois processos interligados, um de ordem estritamente natural e outro gerado por interferências antrópicas no meio ambiente. Os processos estritamente naturais estão relacionados a chuvas intensas que caem sobre elevações de grande declividade e sobre área de baixa altimetria e baixa declividade que dificulta o escoamento e permite o afloramento do lençol freático, além da dificuldade de lançamento das águas dos rios Biguaçu e Caveiras na baía, durante períodos de maré alta. Os fatores gerados pela interferência antrópica refletem-se na presença da barra de desembocadura do Rio Biguaçu (Figura 2), cujo crescimento ocorreu, principalmente, pela retificação dos canais fluviais da bacia, e que propicia o barramento das águas do rio Biguaçu durante chuvas intensas. A impermeabilização de grande parte do solo da baixada de Biguaçu, ocasionada pela expansão urbana da localidade homônima, que provoca o escoamento concentrado das águas pluviais, além da BR-101 disposta na direção norte-sul, em nível mais elevado que o plano sedimentar, sem as necessárias canalizações a seco sob a mesma, para o escoamento das águas, e com pontes e pontilhões mal dimensionados, leva à concentração das águas pluviais na área próxima ao cemitério de Biguaçu.
Os projetos de retificação de canais fluviais, visando à contenção das enchentes periódicas, não obtêm êxito se não se levar em consideração todos os elementos que compõem o quadro ambiental, tanto os fatores de ordem biótica e abiótica, como aqueles sócio-econômicos e culturais, de forma integrada e multidisciplinar.

6. Conclusão

A área do plano sedimentar costeiro de Biguaçu apresenta diversos ambientes naturais que vêm sofrendo acelerado processo de degradação. Muitos destes processos encontram-se circunscritos à área do plano sedimentar, e vinculam-se à expansão da cidade de Biguaçu que ocupa a quase totalidade da baixada costeira, possibilitando a expansão de loteamentos com pouca ou nenhuma infraestrutura, impermeabilização do solo, e deposição de lixo, pela população local, em áreas inadequadas e emissão de esgotos “in natura” em locais da baía com baixa hidrodinâmica, que impossibilita a dissipação desses materiais.
Outros problemas constatados no plano sedimentar, vinculam-se aos processos operantes ao longo de toda bacia. A retirada e/ou substituição da vegetação natural, bem como as obras de terraplenagem, retirada de materiais das encostas e ocupação dos morros por loteamentos, provocam a mobilização dos materiais das encostas para os canais e destes para a foz do rio, permitindo o assoreamento da área da desembocadura do rio Biguaçu.
A retificação dos canais fluviais, realizada no rio Biguaçu e nos seus principais afluentes, visando eliminar o efeito das enchentes na bacia, alterou os ecossistemas fluviais e gerou outros problemas locais, notadamente a alteração do nível de base do rio Biguaçu que aumentou seu poder erosivo e de transporte, resultando no assoreamento da foz, junto ao plano sedimentar costeiro Biguaçu. Durante o período de intensas e prolongadas chuvas, a barra de desembocadura funciona como uma barragem na área da foz, dificultandoo escoamento das águas do rio e dos esgotos lançados no rio e diretamente na baía.

REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS

FORTES, E. 1996. A Planície Costeira da Região de Biguaçu: Abordagens dos Aspectos Ambientais da Bacia Hidrográfica do Rio Biguaçu - SC. (Dissertação de Mestrado, UFSC), 198 p.

___________ 1997. Impactos Ambientais de Obras de Retificação de Canais Fluviais da Bacia Hidrográfica do Rio Biguaçu – SC. VII Simp. de Geografia Física Aplicada – I Fórum Lat. Americano de Geogr. Física Aplicada. Univ. Federal de Curitiba, 11-15 de outubro, Curitiba PR.

FORTES, E. & DUARTE, G. M. 1997. Evolução Paleogeográfica da Planície Costeira da Bacia Hidrográfica do Rio Biguaçu – SC. Bol. de Geografia do Dept. de Geografia da Unver. Est. de Maringá. Ano 15, nº 1, p. 85 – 96.

PIDSE. 1990. Projeto Integrado de Desenvolvimento Sócio-Econômico. Diagnóstico do Município de Antônio Carlos. Florianópolis. SEPLAN; SEICT, CEAG. 30 p.

TRAINNINI, D.R. et alii. 1978. Projeto Vidal Ramos-Biguaçu. Companhia de Pesquisa e Recursos Minerais, Porto Alegre, v.1, 128 p.

Recursos Minerais, Porto Alegre, v.1, 128 p.