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X SIMPÓSIO BRASILEIRO DE GEOGRAFIA FÍSICA APLICADA

 

 

 

A IMPORTÂNCIA DAS ÁREAS VERDES NA CIDADE DE JUIZ DE FORA/MG

 

 

 

 


SANTIAGO, Bárbara da Silva babamail@uol.com.br 1
REZENDE, Raquel Fernandes quelgeorezende@bol.com.br 1
CARMO, Flávio Áglio do flaviogeografia@yahoo.com.br 1
BALTHAZAR, Martinelli da Rocha martiufjf@bol.com.br 1
FERREIRA, Cássia de Castro Martins caeu@fwg.com.br 2

 

 

 

 

1 Graduandos em Geografia da Universidade Federal de Juiz de Fora/UFJF
2 Prof. Dra. do Departamento de Geociências da Universidade Federal de Juiz de Fora/UFJF

 

 

 

 

Palavras-chave: áreas verdes, material particulado
Eixo 3: Aplicação da Geografia Física à Pesquisa

Sub-eixo 4: Aplicações Temáticas em Estudos de Casos
 

 

 

 

1- Justificativa e Caracterização do Problema
O crescimento das áreas urbanas tem despertado o homem para as modificações na qualidade ambiental, dentre as quais as mudanças no clima local e em mesoclimas, topoclimas e microclimas inseridos na cidade. O grande aumento demográfico e a concentração das atividades comercial, financeira, institucional e industrial, além de outras, tem gerado uma valorização do espaço urbano, que contribui para o crescimento e o adensamento horizontal e vertical das áreas edificadas. A diversidade das funções leva à divisão das cidades em áreas residenciais, comerciais e industriais, dentre outras. Este fato causa deslocamentos diários, do tipo ida e volta da residência para o trabalho. Estes deslocamentos provocam consumo de energia e liberação de calor e poluentes para a atmosfera mais próxima – atmosfera urbana – que envolve a cidade e espaços rurais a sotavento, gerando o clima urbano (OKE, 1997).
Logo, a qualidade do ar das cidades não depende somente da quantidade de poluentes lançados pelas fontes emissoras, mas também da forma como a atmosfera age no sentido de concentra-los ou dispersa-los. Por entender-se que o controle dos processos climáticos organiza-se em dois níveis escalares superiores para os inferiores, assume-se que os fenômenos de dispersão e remoção dos poluentes sejam comandados pelas feições regionais da atmosfera (estado, velocidade e direção dos ventos e precipitação), pelos aspectos locais do clima urbano (ilhas de calor e circulação do ar) em consonância com as características da superfície urbana, tais como: topografia natural e edificada, direcionamento e traçado das ruas e prédios, diferentes usos do solo, e não podendo deixar de evidenciar a incidência e quantidade de áreas verdes.
Apesar de reconhecida sua necessidade, as áreas verdes, principalmente devido às especulações financeiras, são relegadas ao segundo plano pelas administrações municipais.
Este fato associado à falta de planejamento sobre o uso do espaço urbano, contribui para a falta de áreas verdes, principalmente as destinadas ao lazer.
A necessidade de estabelecer qualitativamente e quantitativamente qual é o papel das áreas verdes no mosaico urbano de Juiz de Fora – MG. Surge após uma série de estudos e trabalhos desenvolvidos pelo Laboratório de Climatologia e Análise Ambiental – LabCAA, localizado no Departamento de Geociências, na Universidade Federal de Juiz de Fora, sobre a qualidade do ar em Juiz de Fora. Que por iniciativa da Belgo Mineira e da DaimlerChrysler – Juiz de Fora e sob a interveniência da FEAM-MG, foi assinado termo aditivo com a UFJF, pelo qual as empresas cediam ao Laboratório de Climatologia e Análise Ambiental – LabCAA, equipamentos de medição automática de partículas inaláveis para o monitoramento da qualidade do ar em Juiz de Fora.
TORRE e MARTINS (2002) Constataram que a cidade de Juiz de Fora vem registrando desde 2001 uma grande concentração e presença de material particulado inalável na atmosfera, que podem estar associados ao grande trânsito de veículos automotores, à poluição industrial em menor escala e principalmente associada a uma baixa incidência de áreas verdes na cidade, não verificado e nem contabilizado este último fator. Interessando-nos, pois é um mecanismo de atenuação das condições de poluição da atmosfera, pois, segundo TROPPMAIR (1976 e 1995) e GUTBERLET (1996) as áreas verdes, principalmente as formadas por espécies arbóreas latifoliadas decíduas e semidecíduas contribuem de maneira positiva para a despoluição da atmosfera principalmente no que se refere ao material particulado.
Além de constituírem num espaço encravado no sistema urbano cujas condições ecológicas mais se aproximam das condições ditas “normais” da natureza. Reinando nestas áreas um microclima com temperaturas mais baixas e teor de umidade mais elevado e por isso constituem normalmente, num verdadeiro refugio para a flora e fauna cuja sua importância é conhecida e relatada em vários trabalhos (TROPPMAIR, 1976; CARVALHO, 1982).
As áreas verdes constituem regiões no meio urbano, que também apresentam características distintas do seu entorno, e se comportam como áreas que teriam dentre outras funções a minimização das temperaturas do ar e das correntes de ventos, ajudariam na dispersão dos poluentes na atmosfera e garantiriam uma melhor qualidade de vida urbana para os habitantes.
Sendo, inclusive, a relação entre a existência de áreas verdes e o número de habitantes, um índice utilizado pela OMS na determinação das condições de qualidade de vida no meio urbano. Segundo a OMS, é considerado como ideal, a relação de 12 m2 de área verde por habitante nas cidades. Índice este, que a maior parte das cidades grandes e médias brasileiras estão longe de atingir, primeiro por muitos desconhecerem a necessidade e importância, talvez aliada à existência de um número muito pequeno de trabalhos que analisam esta relação nas cidades brasileiras. E segundo porque na maior parte das vezes a manutenção das áreas verdes se torna secundária no planejamento do sítio urbano. Desta forma, as áreas verdes, tornam-se cada vez mais restritas e afastadas da área urbana.
Assim, investigar as interações entre o urbano, as áreas verdes no meio urbano, o clima urbano e a incidência de material particulável inalável é de extrema importância, pois pode criar meios e soluções que minimizem a quantidade e o conseqüente efeito destes poluentes na atmosfera. Estes poluentes são conhecidos como ‘material particulado’ no qual, não constituem uma espécie química definida, mas um conjunto de partículas em estado sólido ou líquido com diâmetro aerodinâmico, que incluem pós, poeiras, fumaças e aerossóis emitidos para a atmosfera por indústrias, veículos, construção civil, arraste natural de poeiras, etc.
Os efeitos nocivos deste material particulado para o homem, já são sabidos, cabendo, portanto, viabilizar estudos que permitam diagnosticar e prognosticar medidas que possam contribuir na minimização deste problema.
Como a maior parte da população habita, ou pelo menos tende a habitar nas cidades, o clima urbano, à quantidade de material particulável inalável e a quantidade de áreas verdes e sua distribuição espacial na área urbana de Juiz de Fora, passa a merecer um grande destaque. Pois, trata-se de um excelente campo de pesquisa necessária não em si mesma, mas pelo fundamental subsídio que representa para o aprofundamento das análises, diagnósticos e monitoramento da qualidade do ar.
2- Objetivos
Objetivo Geral
- Determinar qual é a área verde da Região de abrangência da Estação Meteorológica Automática Manoel Honório, sua distribuição espacial e enquadramento em categorias de classificação;
- Avaliação e classificação da qualidade do ar e de vida na área de estudo.
Objetivos Específicos
- Associar a incidência de áreas verdes e a concentração de poluentes na área de estudo;
- Conhecer e comparar os diferentes índices de concentração de áreas verdes na área de estudo;

3- Metodologia e Estratégias de Ação
Dimensionada para atender uma região comprometida com a poluição atmosférica de origem industrial e veicular, a Rede de Monitoramento da Qualidade do Ar de Juiz de Fora, constituída atualmente, por duas estações automáticas de medição do material particulado inalável, instaladas na região urbana do município, juntamente com postos de observações meteorológicas distribuídos pelo perímetro urbano.
As estações de medição da qualidade do ar são constituídas por containers climatizados onde estão instalados monitores capazes de realizar a amostragem e a análise da concentração do material coletados no ar de forma contínua e automática. Em uma delas existe uma estação meteorológica automática. Assim, o sistema permite, além do acesso às informações em tempo real, o registro diário, semanal, mensal e anual dos dados de concentração de MP-10 e dos parâmetros meteorológicos devidamente processados em forma de gráficos e tabelas sendo os resultados transmitidos por rede telefônica à central de aquisição/processamento localizados no Laboratório de Climatologia e Análise Ambiental.
O método empregado para medição da concentração de material particulado inalável (MP10) é o da Radiação Beta, através do monitor beta, que funciona em regime contínuo, fornecendo dados de concentração desse poluente a cada 30 minutos.
A Estação de Manoel Honório está localizada no bairro do mesmo nome e instalada em terreno da Polícia Federal, ao lado da Avenida Brasil, próxima à confluência com a Avenida Barão Rio Branco. Essa região caracteriza-se pelo fluxo intenso de veículos leves e pesados. O início da coleta de dados se deu em abril de 2001.
A Estação Nova Era está instalada no bairro de mesmo nome, a noroeste da estação anterior, em área externa do prédio do Colégio Militar. Essa região é circundada pela Avenida JK e o acesso Norte, próxima a diversas unidades industriais dos DI I e II, além de concentrar fluxo intenso de veículos leves e pesados. A coleta de dados na Estação Nova Era teve início em setembro de 2001.
Os parâmetros meteorológicos que determinam as condições do tempo atmosférico foram coletados nos postos de observações de superfície, que possibilitaram a análise da influência do relevo e das construções no escoamento superficial do vento (velocidade e direção), na temperatura urbana (ilha de calor), na distribuição espacial das chuvas e na formação de inversões térmicas. Ao mesmo tempo, permitiram a comparação dos efeitos da urbanização no condicionamento da atmosfera em diferentes lugares.
O local de estudo foi dimensionado em função da área de abrangência da Estação Meteorológica Automática Manoel Honório, próxima à área Central de Juiz de Fora, englobando os bairros Manoel Honório, Bairu, Mariano Procópio, Nossa Senhora Aparecida, Progresso, Santa Terezinha, Centenário e Nossa Senhora das Graças, para que tivéssemos uma comparação entre os bairros que compreende a área de estudo e a relação da incidência de áreas verdes nestes.
Porém para que pudéssemos ter o dimensionamento das áreas verdes foi preciso primeiramente:
- Classificarmos as áreas verdes em duas categorias fundamentais: 1- vegetação baixa e 2- vegetação arbórea.
- Baseado em fotografias aéreas, mapas e plantas urbanas associadas ao trabalho de campo, mapeou-se as duas categorias fundamentais do item anterior;
- O cálculo da área com área verde foi feito por bairro e por região;
- Feito o levantamento de cada uma das categorias, foi aplicado alguns índices que nos forneceram dados importantes sobre a qualidade ambiental do espaço urbano:
o Relação do total de área verde por habitante;
o Relação de área verde por área total dos bairros.
Para que pudéssemos ter uma noção entre as condições do clima urbano versus à disposição das áreas verdes foi necessário que fizéssemos uma relação entre a temperatura, direção do vento, velocidade do vento e localização das áreas verdes.
A comparação destes dados, principalmente quando temos mais de uma localidade para investigação, forneceram interessantes observações e significantes indicações sobre a qualidade do ar e de vida em centros urbanos, e evidentemente a necessidade de implantação e maior concentração de áreas verdes no meio urbano.

4- Resultados e Análises
Com as Estações de Monitoramento da Qualidade do Ar de Manoel Honório, localizada na área central de Juiz de Fora e de Nova Era junto à calha do rio Paraibuna e a noroeste da área urbana central e uma estação meteorológica automática. Obteve-se uma melhor demonstração da circulação do ar na região.
Conforme os primeiros registros, predominam os ventos de direção noroeste assim como um maior percentual de calmaria, o que explica em parte uma maior concentração de poluentes no centro da cidade já que o mesmo está à sudeste dos Distritos Industriais I e II, ou seja, a jusante das áreas poluidoras. Outra explicação, talvez de maior influência na região, seria o trânsito intenso característicos de cidades de porte médio como Juiz de Fora. Como pode ser visualizado no Gráfico 01.

 

Gráfico 01
Fontes: automóveis - GETRAN, partículas - Estação Meteorológica automática MH.

 

Averiguou-se, quando espacializadas as áreas verdes na Cidade, uma necessidade de maior concentração destas, comprovando a sua importância e necessidade no sítio urbano, já que de acordo com NUCCI(2001) "as áreas verdes estabilizam as superfícies por meio da fixação do solo pelas raízes das plantas; criam obstáculos contra o vento; protegem a qualidade da água, pois impedem que substâncias poluidoras escorram para os rios; filtram o ar; diminuem a poeira em suspensão; equilibram os índices de umidade no ar; reduzem o barulho; abrigam a fauna; contribuem para a organização e composição de espaços no desenvolvimento das atividades humanas; colaboram com a saúde do homem e também atenuam o impacto pluvial, auxiliando na captação de águas pluviais, tendo em vista que a impermeabilização crescente e progressiva do solo prejudica o escoamento superficial, não tendo a rede de captação de águas pluviais capacidade suficiente para escoar de modo rápido o grande volume de água que faz transbordar os córregos e se acumula nos vales do sítio urbano". Ocorrem assim alagamentos e inundações seguidos de dificuldade de circulação, congestionamentos de tráfego, desabamentos e um grande número de desabrigados (MARTINS, 1996).
Quanto à qualidade do ar, os dados, a princípio, são preocupantes, uma vez que se tem registrado altos níveis de concentração de partículas no ar, tendo em vista o tamanho da cidade, o tamanho da população, volume da atividade industrial e o trânsito intenso de veículos automotores.
Estes índices podem provocar, como apontado por RIBEIRO in: TARIFA & AZEVEDO (2001), uma maior incidência de doenças respiratórias que se agravam com a poluição do ar, e BAKO (2002) mostra em sua proposta que o organismo possui mecanismos de defesa (fagocitose), porém, quando a quantidade de material particulado (MP) no ar é muito grande, esses mecanismos tornam-se insuficientes e as partículas passam a exercer efeitos irritantes como tosse, agravam-se as bronquites e outras afecções respiratórias.
Os dados obtidos indicam, que a menor concentração de partículas coincide com os ventos do quadrante sul e de baixa velocidade. Por outro lado, as maiores concentrações ocorrem à noite, com ventos do quadrante norte e ventos fracos (próximo à calmaria). Constatando, portanto, uma menor capacidade de dispersão das partículas em suspensão, quando há predominância de baixa velocidade do vento. Que podem estar diretamente associados aos horários de pico no tráfego urbano, que também apresentam as maiores concentrações de partículas.
Como exemplo, destacamos o dia 2 de julho de 2002, em que a concentração de material particulado estava altíssima, próximo a 200μg/m e que os ventos neste mesmo horário eram NO. Como pode ser observado no Gráfico 02. Nesse mesmo dia após as 20h a concentração de material particulado foi baixa e os ventos oscilavam de NE a SO não passando por N, NO e O (Tabela01).
Podemos destacar que as condições atmosféricas e a configuração do espaço urbano proporcionam a ocorrência de uma maior concentração de material particulado inalável, diminuindo consideravelmente a dispersão das mesmas. Esta constatação nos remete à necessidade de conjugar o crescimento urbano, com elementos que possibilitem a minimização dos efeitos negativos deste rápido e quase descontrolado crescimento.

 


Gráfico 2

Fonte: Estação Meteorológica Automática MH.

 

 

 

Tabela 1

Fonte: Estação Meteorológica Automática MH.

Direção e velocidade dos Ventos 02 de Julho de 2002

horas

direção

v m/s

6:00h

NO

0.6

7:00h

O

0.8

8:00h

NO

0.9

9:00h

O

1.1

10:00h

S

1.7

11:00h

S

2.1

12:00h

SO

2.0

13:00h

S

2.2

14:00h

S

2.5

15:00h

S

1.7

16:00h

S

1.6

17:00h

SE

1.5

18:00h

NE

1.1

19:00h

NO

1.1

 

De acordo com Corbusier (1989), citado por OLIVEIRA(2002) sempre que tem condições financeiras o homem busca viver em locais que lhe proporcione bem estar e qualidade de vida (...). As áreas verdes podem ser os prolongamentos direto ou indireto da moradia, direto se cercam a própria habitação, indireto se estão concentrados em algumas superfícies menos imediatamente próximas. Os espaços livres e as áreas verdes estão diretamente ligados ao fator 'saúde da população', pois sem esses espaços a população se privará do sol, do ar puro(vegetação) e de espaço. Em áreas onde predominam altas densidades de população sem presença dos espaços livres, levam ao mal-estar e a doença está em estado permanente.
Como estudo de caso apresentaremos os resultados chegados em dois bairros vizinhos, mas com funcionalidades bastante diferenciadas. Pra esta apresentação optamos pelos bairros Bairu e Manoel Honório, por estarem próximos a uma das estações de medição material particulado inalável e de uma estação meteorológica automática, nos dando maiores condições de análise.
Quando analisados e contabilizadas as relações entre área dos bairros e a incidência de áreas verdes, os resultados não foram animadores, assim como quando relacionados com o número de habitantes residentes nestas localidades. Tomando como base referencial o índice ideal de área verde por habitante proposto pela OMS, que estipula a relação de 12m²/habitante. Chegamos aos seguintes índices: no Bairro Bairu um índice de 5m²/hab e no Bairro Manoel Honório 1m²/hab. Estes resultados podem ser observados na Tabela 02.
Mesmo diante dessa realidade constatamos uma diferença considerável entre os índices destas localidades, uma vez que observamos uma variação significativa no uso do solo destes, havendo predomínio de residências unifamiliares no Bairu e no Manoel Honório prevalece as residências multifamiliares, além de apresentar um centro comercial e financeiro desenvolvido, prestando serviços aos bairros vizinhos. Destaca-se como um local de trânsito obrigatório das pessoas que saem dos bairros nas zonas norte, noroeste e nordeste em direção ao centro da cidade e vice-versa, sendo cortado por vias principais de trânsito de veículos automotores da Cidade, como a Av. Rio Branco que destaca-se pelo trânsito muito intenso de carros de passeio e transporte coletivo e a Av. Brasil apresentando trânsito intenso de veículos de carga, transporte coletivo e carros de passeio. Por ser uma região densamente utilizada e apresentar uma alta densidade demográfica, o índice de apenas 1m2 de área verde/hab é de extrema preocupação, principalmente quando comparados aos dados já mencionadaos anteriormente. Este é um bairro aonde as praças e locais públicos não apresentam muita vegetação nem arbórea e nem vegetação baixa, as ruas são pouco arborizadas, e por prevalecer prédios e áreas comerciais a incidência de quintais e jardins são extremamente minimizadas. Este retrato agrava a situação do bairro, quando analisado sob este índice.
Enquanto que o Bairu apresenta características predominantes de um bairro residencial. Apresentou um índice mais elevado do que o do Bairro Manoel Honório, mas ainda está muito aquém do índice proposto pela OMS. Este bairro apresenta apenas uma praça pública aonde prevalece a vegetação arbórea e a vegetação baixa, e um pequeno Bosque eucaliptos. Como é um bairro residencial é comum a presença de casas com quintais. As ruas são em sua maioria arborizadas, porém os espaços verdes, cada vez mais sedem lugar à construções. Levando a cada dia uma diminuição nos índices de áreas vedes.
Estes índices nos levaram a uma maior preocupação com o bem estar da população aliada à necessidade do crescimento urbano, e levantar uma necessária discussão sobre medidas que venham a conciliar o bem estar da população e o próprio crescimento urbano.

 

Tabela 2

Relação entre área total e áreas verdes nos bairros e por habitante

 

Área

Bairu

Manoel Honório

M2

%

M2

%

Total

106.160.015.002

100

49.761.593.37

100

Verde/Arbórea

79.243.087.725

7,5

666.993.882.274

6,5

Verde/herbáceas

151.781.540.625

14

148.591.956.652

1,5

Verde total

23.102.462.835

21,5

815.685.838.926

8

 Verde/Habitante

 5 m2/habitante

1 m2/habitante

 

A grande concentração urbana, o sítio, a localização industrial e seus atributos climatológicos (temperatura do ar e vento), são os principais responsáveis pela qualidade do ar em Juiz de Fora.
Aliada a todas estas observações já constatadas e em estudo no Laboratório, podendo ainda evidenciar a necessidade de um maior número de áreas verdes, principalmente ocupadas por árvores e seu já evidenciado benefício para a população urbana, para a fauna e também para a própria manutenção da flora urbana.

5- Referências Bibliográficas

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GUTBERLET, J. Cubatão: desenvolvimento exclusão social degradação ambiental. São Paulo: EDUSP/FAPESP, 1996.

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MARTINS, L. A. A Temperatura do Ar em Juiz de Fora – MG : Influência do Sítio e da Estrutura Urbana. Dissertação (Mestrado em Geografia) – Departamento de Geografia, Instituto de Geociências e Ciências Exatas/UNESP – Rio Claro, 1996, 168p.

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