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X SIMPÓSIO BRASILEIRO DE GEOGRAFIA FÍSICA APLICADA



DIAGNÓSTICO GEO-BIOFÍSICO DE UM CASO DE FRAGMENTAÇÃO DA FLORESTA ATLÂNTICA NA BACIA DO RIO MACACU (RJ)



Thiago Ferreira Pinheiro Dias Pereira
Evaristo Castro Junior



Universidade Federal do Rio de Janeiro


Eixo 3: Aplicação da Geografia Física a pesquisa
Sub-eixo 3.4: Aplicações temáticas em estudos de casos
 




 

1) Introdução


Uma das discussões trazidas a tona na atualidade está relacionada com a questão da manutenção da biodiversidade. Uma das primeiras justificativas para tal manutenção é originada no momento em que se percebe a possibilidade da perda (por extinção) de inúmeras espécies; uma outra advém do fato de a ciência estar descobrindo cada vez mais usos e aplicações para esta diversidade biológica, como matéria -prima para modernas biotecnologias em atividades econômicas. Este ultimo fator tem despertado os interesses de significativos segmentos econômicos, que passam a ver na biodiversidade uma fonte estratégica de "capital natural de realização futura" (Albagli, 1998, pg.59). Porém, apesar de as razões ambientais, sócio-econômicas e políticas para a emergência do tema já estarem de certa forma explicitadas, a complexidade que enreda a materialidade da biodiversidade, com suas diferentes dimensões (ecológica, econômica, tecnológica, sócio-política, ética e epistemológica) cria, segundo Becker (2001), desafios conceituais no debate sobre sua conservação e uso sustentável. A natureza passa a ter valor embora não se consiga medi-lo, configurando oque se tem chamado de questão tecno(eco)lógica (Becker & Gomes, 1993).
Este estudo em princípio se debruça sobre a questão da manutenção da biodiversidade, enfocando especificamente a Floresta Atlântica - paisagem que se encontra sobre efeito das massas de ar provenientes do oceano Atlântico. Tal influência resulta em uma vegetação florestal úmida e densa. Esta paisagem possui uma alta concentração de espécies endêmicas e uma elevada biodiversidade, sendo por isso considerada como um dos ecossistemas prioritários para conservação. No Brasil, apontado como um dos países com maior megadiversidade no mundo (Mittermeier et al,1997), a Mata Atlântica se destaca como um dos Biomas com maior biodiversidade e altas taxas de endemismo. Calcula-se que 54% das suas espécies arbóreas e 51% das espécies de mamíferos encontradas em seus domínios sejam exclusivas de seus ecossistemas. O processo de ocupação antrópico promoveu intensa degradação da Floresta Atlântica, levando a uma redução da cobertura vegetal para apenas 5% de sua área original, e para 2% de floresta nativa altamente fragmentada, além de altas taxas de extinção (Gentry, 1992).
O estudo da fragmentação das paisagens naturais visa abranger conhecimentos referentes ao estado de preservação e/ou degradação da biodiversidade das chamadas ilhas biogeográficas, que, pela abordagem clássica, fundamentam-se nos isolamentos de determinados tipos de vegetação que poderiam ser considerados como ilhas (Diamond & May, 1976, Wilson e Willis, 1975). Os fragmentos podem ser vistos como formas particulares desenvolvidas numa paisagem, resultantes de um produto da história das relações sociais que afetaram direta ou indiretamente a estrutura e a funcionalidade interna da mesma. Por outro lado, essas modificações em uma paisagem pré-existente podem gerar novas formas estruturais e funcionais, e, por conseguinte, novos padrões de paisagem" (Forman,1995; Murcia,1995; Turner,1989). As modificações no tempo e no espaço da paisagem alteram a dinâmica da comunidade biótica, o que, por sua vez, pode acarretar mudanças no meio abiótico, retro-alimentando novas mudanças na comunidade biótica e na própria estrutura funcional da paisagem. Os fragmentos existentes particularmente na região da Mata Atlântica são não apenas de tamanho variável, mas seus estados de preservação também possuem uma variância pouco estudada. 
Além da redução do tamanho original das florestas, do surgimento de um novo habitat separando partes do habitat original, da distância entre os remanescentes do habitat original, e da perda de espécies animais e vegetais, um dos principais efeitos da fragmentação é o chamado efeito de borda (Soulé, 1986; Bierregaard et al.,1992). O efeito de borda é induzido por mudanças micro climáticas e hidrológicas locais, consistindo em uma alteração nas características biológicas e físicas no fragmento, seguindo a direção da borda para o interior deste (Murcia, 1995)
As "áreas núcleos" de florestas nativas remanescentes, na maioria dos casos, constituem áreas de preservação permanente. Acumulam-se evidências científicas que apontam no sentido de que, para termos a preservação do verdadeiro status da biodiversidade do Bioma Mata Atlântica, é imprescindível a conservação dos fragmentos existentes no entorno das reservas nucleares. Além disto, muitos destes estudos sugerem que a preservação de fragmentos em muitas matrizes agrícolas, no âmbito da Mata Atlântica, está relacionada de forma positiva com o uso social dos fragmentos florestais. 
Nos Biomas de florestas tropicais muito fragmentados, a preservação do verdadeiro status da diversidade biológica dos ecossistemas depende da conservação do mosaico de fragmentos existentes. Este entendimento tem ressaltado a necessidade dos diagnósticos sobre a integridade funcional dos fragmentos. Desta forma, o uso de indicadores funcionais globais e de indicadores ecológicos pode ser interessante para um diagnóstico de síntese da integridade funcional dos fragmentos dos ecossistemas na escala da paisagem geográfica.
No caso de regiões do sudeste, a preservação de paisagens matrizes com diferentes graus de fragmentação florestal depende tanto do entendimento das relações sócio-econômicas-culturais e políticas mantidas entre as populações e os fragmentos, quanto do diagnóstico da resultante geobiofísica que o uso direto impõe ao estado de funcionamento destes. 

2) Objetivos


A) Testar a validade de indicadores geobiofísicos utilizados para elaborar modelos de diagnósticos dos estados de funcionamento de fragmentos de Mata Atlântica.
B) Elaborar um diagnóstico de um caso representativo de fragmentação na Floresta Atlântica, possibilitando assim um monitoramento do fragmento em questão, que nos mostre o seu verdadeiro grau de degradação ou preservação. 

3) Protocolo


Serão comparadas duas áreas, a primeira representando uma micro-bacia de primeira ordem no interior de um fragmento, e a segunda representando uma micro-bacia controle (sugestão - área do Garrafão). Neste sentido serão aplicados testes estatísticos com o objetivo de verificar a existência de diferenças quantitativas entre as variáveis mensuradas. 

4) Área de estudo


A bacia do rio Macacu (RJ) é uma bacia de 5a ordem, que abrange grande parte da área da bacia de drenagem da Baía de Guanabara (da serra dos Órgãos até a serra de Macaé- entre as latitudes médias de 22a 24' e 22a 57' S e longitudes médias 42a 33' e 43a 19'W- Figura 1). Esta bacia esta inteiramente compreendida na área intertropical, e em decorrência desta posição possui um clima quente e chuvoso (variam de 1000mm até 2200mm de precipitação média anual) tipicamente tropical, vetor que possibilita o desenvolvimento da Floresta Atlântica. A rede de bacias hidrográficas desta área, tem suas nascentes na serra do mar, apresentando um seguimento torrencial até encontrar a baixada, onde com a perda de energia passa a meandrar, passando por manguezais, sofrendo influência da maré e de uma zona de interconexões de canais (amador, 1997). Está inserida no que foi denominado por silveira (1964,apud Amador,1997) de litoral das escarpas cristalinas, que se estende do norte do estado do Rio de Janeiro até ao Cabo de Santa Marta (SC). O embasamento cristalino (escarpa de falha) nesta área recua em relação ao mar desenvolvendo planícies costeiras de pequeno porte. Esta planície é interdigitada por colúvios que capeam regolitos das colinas "meia laranja" (esculpidas em rochas do embasamento cristalino),tabuleiros desenvolvidos nos depósitos da formação Macacu (Meis e Amador, 1972,1974 e 1977; apud Amador, 1997), sedimentos do pleistoceno superior e sedimentos fluviais. Esta heterogeneidade geomorfologica dá lugar a diversos ecossistemas tropicais, desde restingas e mangues até florestas de Mata Atlântica em campos de altitude.
Desde a invasão e ocupação européia este cenário vem sofrendo intervenções humanas de magnitude crescente. Começando com um início extrativista, seguido do ciclo da cana-de-açúcar (sec. XVII), do ciclo da mineração e do café, da expansão urbana com o modelo agrário exportador (1870-1930), do desenvolvimento urbano industrial (1930-1990), até chegarmos ao período atual neoliberal de economia globalizada. É importante lembrar que esta degradação foi muito acentuada nos últimos 100 anos.
Nossos fragmentos estudados situam-se neste domínio, um deles já tendo sido escolhido situa-se em uma reserva florestal do INCRA no distrito de são José da Boa Morte. Utilizamos como base para a escolha os mapas de uso e cobertura vegetal e o de rede de canais elaborados por Bruno Coutinho, 2000. E como critérios para escolha do fragmento levamos em consideração: a qualidade aparente do fragmento, sua forma e seu entorno e a presença de drenagem.
Estas características foram observadas em inúmeras visitas de campo na região, o que nos possibilitou perceber que as melhores condições estavam neste fragmento, onde nos foi possível observar uma maior condição de homogeneidade.
A localidade de São José da Boa Morte é um distrito do município de Cachoeiras de Macacu, a 120 Km ao norte da cidade do Rio de Janeiro, com área de 3438 hectares, sendo 1320 de área cultivada, com cerca de 400 famílias residentes em assentamento. Os assentamentos se dividem em uma zona de baixada (53% do total) que corresponde á áreas dos leitos Macacu e Guapiaçu com inundação nos períodos de chuvas, com solos de boa fertilidade e outra zona de morros altos entre 100 e 160 metros, que separa os rios, com baixa fertilidade. A vegetação original esta extinta e predomina hoje nos morros uma mata secundaria e na baixada, vegetação tropical (taboa e iriri). No passado era uma área de Mata Atlântica que pertencia aos jesuítas e como prova disso temos as ruínas de uma igreja que data de 1612. Esta região passou por diversos surtos de febre amarela, estando seu nome relacionado a este fato. Estes surtos constituíram uma dinâmica de ocupação local. Organizavam esvaziamentos e após cessarem os surtos epidêmicos os antigos donos retornavam para a terra e a encontravam ocupadas por colonos. Daí a origem dos intensos conflitos que vão caracterizar a área. Em 1985 tivemos o início do processo de legalização do assentamento, quando foram instaladas 147 famílias oficialmente. Atualmente, a presença do INCRA e EMATER é esporádica limitando-se a orientações sobre questões técnicas e comerciais, com uma forte contaminação dos projetos por interesses políticos ou pessoais alheios ao grupo de assentados.
Nosso outro fragmento irá ser na realidade uma área localizada na borda do Parque Nacional da Serra dos Órgãos, a qual servirá de área controle, procuramos uma micro- bacia de primeira ordem com dimensões as mais parecidas possíveis com as de São José da Boa Morte. Nossa sugestão ainda não concretizada é a escolha de uma área denominada Garrafão.

5) Metodologia


Tomamos os seguintes indicadores para efetuar a elaboração do diagnóstico geobiofísico em nosso estudo: a) Textura e estrutura do solo; b) Estrutura da vegetação; c) Estoque de matéria orgânica de superfície; d) Fertilidade do solo- horizonte A; e) Resultantes hidro-erosivas. 
Devido ao fato de efetuarmos estudos fluviosedimentométricos, tomamos como unidade básica de estudo a micro-bacia existente no interior do fragmento, pois entendemos a bacia de drenagem como objeto de estudo já que o comportamento hidrológico da bacia é produto da interação dos diversos componentes internos deste sistema e da natureza e magnitude dos fenômenos que nela ocorram (Coelho Neto,1994). Tal fato procede por se tratar de um limite em base topográfica que define a área de convergência dos fluxos de água, sedimentos e solúveis para um ponto de saída comum. 
O monitoramento hidro-erosivo de bacias de 1a ordem é usado para avaliar o grau de degradação dos fragmentos através das respostas hidro-erosivas, ou seja, a matéria residual exportada para sistemas de drenagem adjacentes. O procedimento desta analise consiste em mensuração da vazão (volume/tempo) do fluxo d'água do canal e da matéria residual exportada (carga de sedimentos). Para efetuar este monitoramento torna-se necessária a instalação de uma estação meteorológica, que visa a mensuração das entradas nesta micro- bacia e da magnitude e intensidade das chuvas, além de fornecer dados sobre condições atmosféricas (temperatura, umidade relativa do ar e velocidade do vento). Para as medições relativas ao canal, é necessária (no caso de nossa micro-bacia) a instalação de uma estação fluviosedimentométrica composta por um vertedouro composto(na saída da bacia), de um linígrafo e de uma régua linimétrica para medições da variação do nível d'água (m, cm ou mm), e de um coletor de fluxos DH48 para a mensuração de sedimentos exportada na saída do canal, a documentação de sedimentos e dinâmica de solutos dentro de uma bacia de drenagem é importante para se obter uma avaliação dos efeitos da água na paisagem e as taxas de operação dos processos fluviais, ou seja, um diagnóstico dos processos de erosão (remoção, transporte e deposição) dentro da bacia. 
Quanto ao levantamento topográfico, foram traçados perfis longitudinais e transversais através de um caminhamento alinhado (método do balizamento) com auxilio de um hand level, trena e mira. Estes perfis possibilitam uma analise topográfica das bacias ao longo do rio e em direção às suas encostas laterais, fornecendo diferenças altimétricas e a morfologia da micro-bacia. 
Quanto aos estudos relativos a estrutura da vegetação estes estão sendo feitos em parcelas de 10m/5m ao longo dos perfis topográficos transversais e longitudinal, distribuídas em relação a baixa, média e alta encosta. Os parâmetros usados para caracterizar a estrutura da vegetação foram Diâmetro na Altura do Peito (DAP) 1,30m de altura, a altura do dossel e a altura do fuste. Estão sendo considerados apenas os indivíduos vegetais com DAP maior que 1,50cm. 
Quanto ao estoque de matéria orgânica de superfície a sua descrição esta sendo feita medindo a proporção das camadas de folhas integras, das de folhas degradadas, da malha de raízes finas e das áreas de descontinuidade, seus valores serão dados em T/ha. Estas medições também estão sendo feitas nas parcelas dispostas ao longo dos perfis. Este estoque pode ser visto como uma resultante direta dos processos físico-químicos e biológicos que ocorre no sub-sistema de decomposição dos ecossistema, que, por sua vez, reflete as interações entre formas de cobertura vegetal e solo (Duchaufour, 1977 ; Toutain,1981). 
E quanto a análise em relação ao solo, estamos tomando para estudo apenas o topo do solo (0-20cm). Apartir da coleta de amostras deformadas, estamos realizando estudos relativos à textura, à percentagem de agregados, à percentagem de matéria orgânica gravimétrica e à fertilidade. Já apartir de amostras indeformadas serão feitos estudos relativos à porosidade (macro e micro), com o uso da mesa de tensão. As amostras estão sendo coletadas em pontos no interior das parcelas. E para o tratamento destas estão sendo utilizados os métodos estipulados pela EMBRAPA. 

6) Resultados


Devido ao pouco tempo de estudos realizados na área, nossos resultados atuais em boa parte são apenas etapas cumpridas do trabalho. No entanto já nos foi possível realizar o levantamento topográfico da micro bacia, gerando os perfis como resultado, assim como a coleta de amostras de solo relativas a camada Ai do Horizonte A, onde nas quais até o presente momento, realizamos estudos relativos a percentagem de agregados e textura de pontos de coletas presentes no perfil transversal desta bacia de drenagem (seguindo os métodos da EMBRAPA). É bem verdade que os dados que temos para apresentar em relação a esta área de estudo são poucos, todavia estão intimamente relacionados as metodologias e aos levantamentos propostos no início do trabalho.
6.1) Percentagem de agregados - Ai Perfil transversal 
As amostras foram coletadas em 14 pontos de coleta distribuídos ao longo do perfil transversal desta bacia, 7 pontos no perfil transversal esquerdo e sete no direito. Deve ser lembrada ainda a necessidade do tratamento das amostras do perfil longitudinal (oque ainda não foi realizado).
Utilizamos o método por via seca oferecido pela EMBRAPA com o emprego de agitadores ROTAP de velocidade controlada e movimentos rotatórios com vibração. O jogo de peneiras incluía peneiras com 2,0; 1,0; 0,5; 0,25 mm de malha e de 20 cm de diâmetro. Após todo o procedimento foi realizado o cálculo da percentagem de agregados retidos em cada peneira, na seqüência; 4,0 - 2,0mm; 2,0 - 1,0 mm; 1,0 - 0,5mm; 0,5 - 0,25 mm; e menor que 0,25, utilizando a seguinte expressão:
% de agregados = 100 (peso dos agregados secos a 105°c)/ peso da amostra seca a 105°c
Os resultados são os seguintes:
Intervalos:
a)= 4,0 - 2,0 mm; b)= 2,0 - 1,0 mm; c)= 1,0 - 0,5 mm; d)= 0,5 - 0,25mm; e) < 0,25mm
Ai Transversal direito:
Ai Td1: a) 19,25 %; b) 27,18 %; c) 34,36 %; d) 15,46%; e) 3,65 % 
Ai Td2: a) 42,60 %; b) 20,77 %; c) 25,62 %; d) 6,81 %; e) 3,62 %
Ai Td3: a) 38,91 %; b) 30,05 %; c) 21,54 %; d) 6,39 %; e) 3,11 % 
Ai Td4: a) 33,51 %; b) 25,80 %; c) 26,03 %; d) 10,63 %; e) 4,03 % 
Ai Td5: a) 25,73 %; b) 28,83 %; c) 30,36 %; d) 10,74 %; e) 4,44 %
Ai Td6: a) 21,32 %; b) 26,07 %; c) 30,63 %; d) 16,78 %; e) 5,20 %
Ai Td7: a) 27,68 %; b) 33,66 %; c) 28,33 %; d) 7,71 %; e) 2,62 %
Ai Transversal esquerdo:
Ai Te1: a) 21,80 %; b) 31,80 %; c) 35,39 %; d) 8,88 %; e) 5,27 % 
Ai Te2: a) 57,25 %; b) 14,90 %; c) 22,53 %; d) 4,05 %; e) 1,27 % 
Ai Te3: a) 59,98 %; b) 14,02 %; c) 20,62 %; d) 4,48 %; e) 0,90 % 
Ai Te4: a) 32,66 %; b) 27,29 %; c) 26,42 %; d) 9,69 %; e) 3,94 %
Ai Te5: a) 43,92 %; b) 23,58 %; c) 22,53 %; d) 7,71 %; e) 2,26 %
Ai Te6: a) 24,49 %; b) 22,69 %; c) 30,30 %; d) 15,65 %; e) 6,87 %
Ai Te7: a) 49,21 %; b) 30,29 %; c) 14,96 %; d) 4,22 %; e) 1,32 %


6.2) Textura- Ai Perfil transversal
Para determinar a composição granulométrica utilizamos o método oferecido pela EMBRAPA, o qual baseia-se na velocidade de queda das partículas que compõem o solo. Neste processo, podemos identificar a fração de argila através da sedimentação diferencial das partículas, as frações grosseiras (areia fina e areia grossa), são separadas por tamisação, e a fração silte corresponde ao complemento (do somatório dos percentuais de argila e de areia) para chegar a 100% (é obtido por diferença das outras frações em relação à amostra original).
Para atingirmos os resultados, utilizamos as seguintes expressões matemáticas:
% de Argila = ( Peso final da argila (g) - dispersante (g)) x 100 x "f"
% de Areia Fina = peso final da areia fina (g) x 5 x "f "
% de Areia Grossa = peso final da areia grossa (g) x 5 x "f "
% de silte = 100 - ( % de argila + % de areia fina + % de areia grossa) 
onde: 
Peso final da argila = peso da argila após a estufa - peso do Becker;
Peso final de areia fina = peso da areia fina - peso do becker;
Peso final de areia grossa = peso da areia grossa - peso do bcker
"f "= 100 : (100 - W);
W = (20 - peso final do fator F) x 5
Os resultados são os seguintes:
Frações:
a)= % de Areia grossa; b)= % de Areia fina; c)= % de silte; d)= % de argila
Ai Transversal direito:
Ai Td1: a) 52,42%; b) 4.39%; c) 5,82%; d) 37,37%
Ai Td2: a) 44,78%; b) 6,94%; c) 20,74%; d) 27,54%
Ai Td3: a) 33,94%; b) 10,20%; c) 19,81%; d) 36,05%
Ai Td4: a) 36,26%; b) 8,42%; c) 14,52%; d) 40,80%
Ai Td5: a) 42,75%; b) 8,55%; c) 15,74%; d) 32,96%
Ai Td6: a) 72,52%; b) 3,59%; c) 3,96%; d) 20,20%
Ai Td7: a) 63,95%; b) 5,76%; c) 2,75%; d) 27,54%

Ai Transversal Esquerdo:
Ai Te1: a) 76,41%; b) 1,67%; c) 8,79%; d) 13,13% 
Ai Te2: a) 60,50%; b) 4,90%; c) 20,60%;d) 14,00%
Ai Te3: a) 71,50%; b) 6,10%; c) 8,40%; d) 14,00%
Ai Te4: a) 66,20%; b) 4,42%; c) 4,42%; d) 24,96%
Ai Te5: a) 66,41%; b) 2,58%; c) 4,75%; d) 26,26%
Ai Te6: a) 66,35%; b) 6,50%; c) 3,23%; d) 23,92%
Ai Te7: a) 59,15%; b) 7,90%; c) 9,95%; d) 23,00%

7) Conclusão


A intenção da realização deste trabalho foi antes de mais nada, tentar trazer para a discussão questões relativas a importância do estudo de certos indicadores, os quais podem ser considerados como indicadores globais, no que se refere a estudos relativos a fragmentação florestal., além da tentativa de explicitar algumas metodologias as quais podem ser utilizadas nos estudos destes indicadores escolhidos no trabalho. 
Quanto aos dados relativos a textura e a percentagem de agregados, deve ficar claro que estes são resultados parciais, temos ainda que tratar as amostras dos pontos de coleta no perfil longitudinal, além de ainda estudar outras propriedades do solo como a porosidade (macro e micro), matéria orgânica do solo, fertilidade e etc.; como também devemos efetuar estudos relativos a outros indicadores como a matéria orgânica de superfície (serapilheira) e a estrutura da vegetação. Talvez quando todos estes dados estiverem disponíveis possamos chegar a conclusões a respeito do verdadeiro grau de preservação ou degradação do fragmento em questão. No presente momento torna-se possível apenas um melhor entendimento de algumas características do solo, além de algumas suposições baseadas nos resultados obtidos relativos a estas duas propriedades.
Podemos perceber através dos resultados de percentagem de agregados, que na maior parte dos pontos de coleta tanto no perfil transversal direito quanto no esquerdo (principalmente neste) encontramos basicamente uma maior percentagem de agregados de maior tamanho (4,0 -2,0 mm), salvo alguns pontos ( principalmente no perfil transversal direito) onde por vezes os agregados incluídos nos intervalos 2,0 - 1,0 mm e 1,0 -0,5 mm, superam os valores do intervalo maior. Relacionando os pontos de coleta entre si, com a intenção de perceber a variação das percentagens de agregados dos diferentes intervalos ao longo dos perfis, nos foi possível perceber que na maioria dos casos, não ocorre uma variação muito intensa, os valores são relativamente próximos, todavia em alguns pontos podemos observar uma variação maior em relação aos outros. No perfil transversal esquerdo, as maiores variações são as relativas aos agregados nos intervalos 0,5 - 0,25 mm e < 0,25 mm. Já o perfil transversal direito apresenta uma maior regularidade em praticamente todos os intervalos, se comparado ao esquerdo, apesar de também apresentar uma maior variação no intervalo 0,5 - 0,25 mm. Como estes são resultados parciais, torna-se impraticável chegar a conclusões finais a respeito destas variações, pois outros indicadores ainda não estudados, como a matéria orgânica de superfície por exemplo, podem vir a influenciar muito na formação e distribuição de agregados no solo. 
Quanto aos resultados relativos a textura, podemos observar que em praticamente todos os pontos de coleta a percentagem de areia grossa superou a percentagem das outras frações granulométricas, salvo dois pontos de coleta no perfil transversal direito, onde as percentagens de argila foram maiores. Relacionando os pontos de coleta entre si, percebemos que as maiores variações são as relativas as frações de areia fina e de silte, enquanto que nas de areia grossa e argila, percebemos uma maior regularidade, tanto no perfil transversal direito quanto no esquerdo. 
A argila possui um importante papel na formação dos agregados. Através destes resultados relativos a textura, podemos observar que a percentagem desta fração não varia muito ao longo de todo o perfil transversal. Portanto podemos chegar a conclusão que as variações relativas as percentagens de agregados ao longo do perfil transversal não são influenciadas somente pelas variações dos percentuais de argila, outros fatores estão influenciando nesta distribuição. Uma das hipóteses esta relacionada a questão da matéria orgânica de superfície, no entanto ainda não podemos afirmar que esta possui o papel principal na formação dos agregados nesta situação, isto devido ao fato de ainda não termos finalizado os estudos relativos a distribuição e características da serapilheira ao longo do perfil transversal.
Seria uma grande falha encerrar este estudo sem antes voltar a mencionar o fato deste trabalho ser apenas uma pequena peça de um grande quebra - cabeças. Seria verdadeiramente errôneo partir do princípio que este estudo esta encerrado em si, pois se assim o fosse, não poderia ser considerado como um estudo geográfico. Torna-se necessário, também um estudo mais aprofundado relativo as questões sócio-econômicas, políticas e culturais, as quais desempenham um papel fundamental na evolução da paisagem. Estudo este que deve ser feito com muito afinco, e que não me propus a realizar neste trabalho, é de fundamental importância para podermos atingir um melhor entendimento sobre as questões relativas aos processos de fragmentação.

8) Bibliografia


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