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X SIMPÓSIO BRASILEIRO DE GEOGRAFIA FÍSICA APLICADA

 

 

 

INFLUÊNCIA DOS EVENTOS EXTREMOS DA OSCILAÇÃO SUL NA PRECIPITAÇÃO DO NORDESTE DE MINAS GERAIS

 

 

 

Antônio Carlos de Carvalho Melo Filho

Mestrando da Universidade Federal de Minas Gerais

Prof. do UNI-BH - CENTRO UNIVERSITÁRIO DE BELO HORIZONTE

 

 

 

 

 

Palavras-chave: Climatologia; Norte de Minas Gerais; El Niño

3 - Aplicação da Geografia Física à Pesquisa
3.4 - Aplicação temática em estudos de casos

 

                                                    

  

  

FUNDAMENTAÇÃO TEÓRICA E JUSTIFICATIVA

 

A região Sudeste do Brasil está numa faixa de transição entre climas de características tropicais (os climas quentes) com duas estações marcantes uma chuvosa e uma seca e os climas de latitudes médias de características temperadas de latitudes médias com quatro estações mais ou menos bem definidas, sendo uma chuvosa e outra seca ou pouco chuvosa. Já o Norte/Nordeste de Minas Gerais, parece ser a região mais ao sul do Brasil, onde as características de climas tropicais estão bem representadas pelo clima semi-árido do Norte mineiro.

 

As caatingas como sistemas com condições ambientais deficientes, tem menor diversidade que os não sujeitos a estresse, como os brejos, mas tem maior robustez, ou seja, resistem melhor às mudanças do clima (DOBLEN e LOWE-McCONNELL 1980). São mais resistentes a essas alterações naturais.

 

Outra decorrência das características climática é a intermitência dos cursos d’água, atingindo descarga nula durante os meses de seca que se delongam pela maior parte do ano. Sendo isso um problema para a atividade humana nessas regiões, em anos menos chuvosos é agravada essa dificuldade. Não se pode desprezar também o potencial manipulador do homem. Este leva os ecossistemas a dependerem cada vez mais da complexidade e da integridade estruturais da sociedade humana. As mudanças produzidas pelo homem alteram a produção e a sucessão ecológicas (DOBLEN e LOWE-McCONNELL 1980).

 

A degradação conduz ao empobrecimento generalizado dos ecossistemas (RODRIGUES, 1987) podendo culminar, particularmente em áreas de clima semi-áridos com a incidência dos processos de desertificação1, em conseqüência de pressões criadas por fatores climáticos e pela atividade do homem agindo em conjunto ou separadamente (VASCONCELOS SOBRINHO, 1978).

 

Oscilação Sul (OS)

 

Caixa de texto: Fig. 1

O conhecimento científico a respeito da circulação geral da atmosfera, sugere que o fenômeno versado como Oscilação Sul (OS), está relacionado com as anomalias da precipitação em várias regiões tropicais. A OS é uma flutuação na Pressão ao Nível do Mar (PNM) entre a alta subtropical do Oceano Pacífico Sul e a baixa pressão em uma faixa do Oceano Índico, que vai desde a África até o norte da Austrália. O Índice de Oscilação Sul (IOS) é a medida da variação da OS. Este índice é identificado por meio da diferença entre a PNM em Tahiti (17º33’S, 149º31’W) e Darwin (12º20’S, 130º52’E), que se localizam na região acima mencionada. Assim sendo, quando a PNM em Tahiti apresenta anomalias negativas e em Darwin positivas, o IOS é negativo. Assim, a atmosfera está sob influência de episódio extremo negativo da OS, isto é, sob influência do fenômeno El Niño. Já quando a PNM em Tahiti apresenta anomalias positivas e em Darwin negativas, o IOS é positivo. Assim, a atmosfera está sob influência de episódio extremo positivo da OS, isto é, sob influência do fenômeno La Niña (fig 1).

 

Fig. 1

Fonte: INPE

 

Sistemas de Circulação Atmosférica Atuantes no Sudeste Brasileiro

 

Para o entendimento do clima de uma região, é de fundamental importância a análise da dinâmica atmosférica atuante. Para tanto, a compreensão não só da forma de atuação, mas também de sua gênese e desenvolvimento sobre o território são imperativo.

 

A região sudeste brasileira sofre influência de ventos que sopram de E a NE e que têm origem nas altas pressões subtropicais, isto é, no anticiclone semifixo do Atlântico Sul. Esta massa de ar possui temperaturas elevadas, trazendo esta característica térmica para a região quando de sua atuação. O Sudeste brasileiro é afetado por vários fatores associados à circulação de larga escala e locais.  São eles: sistemas de Sul e Sudeste associados a vórtices ciclônicos ou cavados em altos níveis; sistemas organizados no Sul e Sudeste do Brasil com intensas convecções associadas às instabilidades causadas pelo jato subtropical; sistemas geralmente vindos do Pacífico e que se reorganizam no Sul do Brasil, resultado de frontogênese ou ciclogênese e sistemas convectivos resultantes do aquecimento continental.

 

A circulação oceânica, combinada com a circulação dos ventos no lado oriental das altas subtropicais2, próximas às costas ocidentais dos continentes nas latitudes tropicais, produz águas superficiais frias para as latitudes tropicais - ressurgência. Esse fenômeno é observado na costa oeste da América do Sul, no Peru, Equador e norte do Chile. Este padrão, entretanto é perturbado quando as temperaturas da superfície do mar (TSM) nesta região apresentam anomalias positivas. Esta perturbação é amplamente conhecida como El Niño e tem sua fase madura por volta de dezembro a março. Os efeitos do El Niño se manifestam globalmente, através de teleconexões (propagação de energia). Ele enfraquece o sistema de monções na Índia, inibindo as chuvas de verão nessa região. Constata-se também o aumento de enchentes no oeste dos Estados Unidos em função da alteração de um padrão atmosférico que ocorre no Hemisfério Norte conhecido como PNA (Pacific North America), e a intensificação da seca no sudeste da África. (WMO, 1985). No Brasil tais efeitos se fazem sentir em diferentes regiões e estações do ano (Ropelewski e Halpert, 1987), provocando chuvas intensas no Sul e intensificando a seca no Nordeste.Constata-se que têm sido realizados estudos abordando a variabilidade climática com ênfase no ENOS (El Niño Oscilação Sul) mencionados anteriormente, sobre o Nordeste e Sul do Brasil. Entretanto, pouco se conhece sobre seus efeitos nas demais regiões do país.  Ropelewski e Halpert (1992) verificaram uma anomalia positiva da temperatura do ar à superfície no da região Sudeste do Brasil no mês de abril associado ao fenômeno ENOS. Abreu et al. (1992) constataram que em três eventos de El Niño (82/83, 86/87 e 91/92) a temperatura do ar foi acima da média nos meses de inverno no Sudeste. Eles sugerem que nesta situação o Sudeste do Brasil deve experimentar maior advecção de ar quente continental. Porém, diferentemente de Ropelewski e Halpert (1992), o máximo de aquecimento por eles observado ocorreu no mês de junho. Outras observações indicam que os invernos de 1993 e 1994 foram anomalamente quentes e secos no Sudeste (Cavalcante, 1996), sendo que, no Estado de São Paulo, registraram-se inúmeras ocorrências de incêndios naturais. Estes dois anos foram excepcionalmente atípicos, pois o El Niño de 91/92 se prolongou até o verão de 1994.

 

Abreu et. al., 1998, Lucio et. al., 1998, estudaram a variabilidade climática em Belo Horizonte – MG, sugerem que o El Niño afeta esta região do estado provocando invernos quentes. Isto pode ser explicado pela intensa advecção de ar quente continental devido ao bloqueio dos sistemas frontais no sul do País. Cupolillo e Abreu, 1998a e Cupolillo e Abreu, 1998b sugerem que os episódios de veranico (período de seca dentro da estação chuvosa) no Estado de Minas Gerais também são intensificados pelos El Niño, o que afeta o semi-árido mineiro. Vale ressaltar que os efeitos associados à fase fria do fenômeno ENOS – La Niña, são pouco conhecidos sobre Minas Gerais. Melo Filho, 1999, identificou em seus estudos de variabilidade climática para o semi-árido mineiro, uma mudança no padrão de precipitação, também detectando a ocorrência de veranicos em várias localidades no mês de fevereiro, sobretudo após o ano de 1980.

 

COELHO, DRUMOND, SAMPAIO e AMBRIZI (1999) em estudos referentes aos episódios extremos da oscilação sul apontam em seus resultados, para influência deste fenômeno de larga escala nas anomalias de precipitação registradas no nordeste de Minas Gerais. No verão, em anos de El Niño de forte a moderado, as anomalias negativas chegam a 100 mm. Em anos de La Niña de forte a moderada, as anomalias negativas chegam a 200 mm. No outono, em episódios de El Niño e La Niña de forte a moderados e La Niña fraca, as anomalias negativas chegam a 50 mm. No inverno, as anomalias são positivas, podendo chegar a 100 mm, quando há um evento de La Niña fraca. Na primavera, quando há um El Niño fraco, as anomalias de precipitação, podem chegar a níveis negativos de até 100 mm.

 

Climatologia do Sudeste

 

Para NIMER, a circulação atmosférica sobre o Sudeste do Brasil, resulta da influência do que o autor chama de “correntes perturbadas”. Atualmente, estudam-se as características do clima buscando estender a dinâmica da atmosfera que se manifesta no comportamento médio das variáveis meteorológicas observadas nas estações climáticas. Uma das variáveis mais facilmente percebidas pelo meteorologista, pelo climatólogo e mesmo pelo observador comum é o vento. De fato, do ponto de vista da dinâmica atmosférica, esta variável é de suma importância, pois ela está relacionada à origem dos fenômenos climáticos observados (ex.: precipitação, frentes ou estiagem).

 

Assim, quando Nimer utiliza a expressão “correntes perturbadas” ele está se referindo à observação da predominância dos ventos numa dada região, que resulta em padrões climáticos.

 

No Sudeste, Nimer observou que “correntes perturbadas de sul” estão relacionadas com uma queda de temperatura sobre a região de sua atuação. Este anticiclone caracteriza uma massa de ar polar, seco e estável (apresentando forte inversão térmica3). Atualmente sebe-e que este anticiclone se origina da formação de um sistema frontal, em latitudes médias e que quanto maior sua intensidade maior é o contraste térmico produzido entre esta massa fria e a quente, tropical que predomina sobre a América do Sul. Este contraste resulta na frontogênese (formação de frentes frias) e quanto mais intenso maior a quantidade de chuva que pode ser formada, caso haja umidade disponível no continente.

 

Até chegar na região sudeste, em sua trajetória de SW para NE, este anticiclone absorva calor e umidade. Com estas características o anticiclone pode chegar ao sudeste brasileiro, ocasionando fortes quedas de temperatura na região. No inverno o continente apresenta baixa umidade e a presença da frente fria associada ao anticiclone geralmente não causa chuvas na região Sudeste. Estas ocorrem na primavera e no verão, quando a frente alimentada pela umidade continental, origina chuvas, apesar de nestas estações o anticiclone polar estar enfraquecido. Este enfraquecimento do anticiclone pode resultar na estacionalidade da frente durante 2 a 7 dias. Portanto, no Estada de Minas Gerais chove na primavera e verão devido à atuação das frentes, mas o inverno é seco. Esta situação é o que Nimer descreve como atuação das “correntes perturbadas de sul”.

 

A região Sudeste é entre meados da primavera a meados do outono, atingida regularmente por ventos de W a NW. A origem dessa circulação está associada às linhas de instabilidade tropicais (IT), que por sua vez pertence à massa equatorial continental, que tem seu centro de ação na Amazônia. São alongadas depressões barométricas induzidas em pequenas dorsais de altas. É uma região que o ar convergente atinge de 60 a 90 Km/h. No interior do Brasil este fenômeno é percebido com regularidade, sobretudo no verão, quando há uma queda geral da pressão devido ao forte aquecimento do continente. Admite-se que sua origem está ligada ao movimento ondulatório verificado na frente polar (FP) em contato com o ar quente da zona tropical. A norte da frente polar e a partir desta ondulação, forma-se uma ou mais IT sobre o continente. Apesar de algumas vezes a IT permanecer estacionária, na maioria das ocasiões esta se desloca com grande mobilidade; pode atingir até 60 Km/h. As IT’s assumem a direção E ou mais comumente SE, a medida em que a FP caminha para o Equador. A associação destes mecanismos atmosféricos é acompanhada por pesadas nuvens e chuvas tipicamente tropicais.  Estas características observadas por Nimer, foram denominadas por ele de “correntes perturbadas de oeste”.

 

Com maior freqüência, estas chuvas são verificadas no fim da tarde e no início da noite, graças ao forte aquecimento diurno que intensifica a radiação telúrica e, por conseguinte as correntes convectivas. Estas são as chamadas chuvas de verão, que têm como principal característica a duração de poucos minutos. Quando de sua ocorrência, temos uma sucessão de tipos de tempo: pela manhã a cobertura de nuvens é quase inexistente, porém com o forte aquecimento diurno surgem com rapidez cúmulos, primeiramente sobre as serras, e ao passar da tarde ocorrem cúmulo-nimbos que encobrem o céu e torno de 5/10 e, no início da noite, esta cobertura já é quase total, sobre calmaria. Finalmente dá-se a precipitação, que pode ser intensa ou não. Depois de sua curta duração, as chuvas cessam inteiramente, e com leve brisa as nuvens somem, deixando o céu estrelado. Na manhã seguinte, o forte aquecimento retorna devido ao aquecimento solar.

 

A circulação de E para W, que freqüentemente chegam à região Sudeste, não são suficientemente estudada, para que se tenha uma idéia exata de sua dinâmica. Sabe-se, no entanto, que é característica do litoral das regiões tropicais atingidos por alísios. Porém, há concordância de que este fenômeno ocorre no seio dos anticiclones tropicais sob a forma de ondas que têm a direção W, constituem pseudofrentes, sobre as quais desaparece a inversão térmica superior, permitindo assim, a mistura do ar das duas camadas horizontais dos alísios e, conseqüentemente, chuvas mais ou menos abundantes anunciando sua passagem. Este comportamento atmosférico foi observado por Nimer e denominado de “correntes perturbadas de oeste”.

 

Este fenômeno pode está relacionado com um reforço do ar polar nos alísios, com anticiclone polar de posição marinha. A esse respeito foi escrito: “Novas ondas de leste se formam principalmente nos dias em que a pressão cai a um mínimo, na zona equatorial, voltando a subir. Correspondem, portanto, à situação de chegada de frentes frias ao trópico, em geral quando houver formação ciclônica (ondulação) no Rio de Janeiro. Os respectivos movimentos para oeste acompanham os avanço de SW da frente fria, sem ramo interior, e não ultrapassam o meridiano de 40º (oeste de Pernambuco). Movem-se porém para leste, sob ação de uma frente fria que avança pelo interior até Mato Grosso e o centro de ação (alta subtropical) se afasta para o oceano”. (Serra 1948, 1953, 1954). Este padrão atmosférico imprime à região Nordeste do Estado de Minas Gerais, as seguintes características de temperatura e precipitação: a temperatura média anual é de 24ºC, a média das máximas gira em torno de 30 a 32ºC, tendo as máximas absolutas entre 40 e 42ºC. Já as temperaturas mínimas diárias, devido a pouca influência dos ventos marinhos são sempre superiores à 14ºC (Nimer -1989).

 

Quanto ao regime pluviométrico “o Norte de Minas Gerais recebe em média, menos de 1.500 mm de chuva durante o ano. Nesta área as depressões do relevo (médio vales dos rios Jequitinhonha e São Francisco) constituem as mais importantes áreas onde o índice médio de precipitação anual é inferior a 1.000 mm. No vale do Jequitinhonha a estação meteorológica localizada na cidade de mesmo nome apresenta apenas 853 mm anuais. A região chega a registrar 6 meses de seca durante o ano” (Nimer -1989).

 

Este autor subdivide e classifica o clima do Nordeste de Minas Gerais em três: 

  • ·        Quente semi-úmido com 4 a 5 meses secos.

  • ·        Quente semi-árido com 6 meses secos.

  • ·        Mesotérmico brando com 4 a 5 meses secos.

O entendimento da climatologia do Sudeste foi descrito por Nimer, seguindo às condições disponíveis na época. Ele descreve alguma situação de forma confusa, por exemplo, observa frentes que devem chegar ao Sudeste e não chega. Atualmente, compreende-se que este comportamento está associado à Zona de Convergência do Atlântico Sul (ZCAS). Esta dinâmica se manifesta por meio da estacionalidade das frentes frias pelas instabilidades tropicais. Hoje, com o advento da tecnologia de satélites meteorológicos, o avanço da computação e o estabelecimento das técnicas de modelagem numérica, incorpora-se outros fatores ligados à circulação geral da atmosfera, como o El Niño. Este fenômeno por sua vez, afeta o Sudeste e conseqüentemente Minas Gerais, por meio da  circulação de Walker, que tem origem no Oceano Pacífico e provoca efeitos globais. Esta circulação possui ramos no Pacífico, na Amazônia /Nordeste e de menor importância para a região em estudo, um ramo sobre a Índia. A importância do entendimento deste sistema dinâmico global reside no fato de que qualquer alteração no seu funcionamento afeta o Sudeste.

 

Assim sendo, é de fundamental importância que se tenha um conhecimento aprimorado a respeito dos efeitos das mudanças no padrão de circulação atmosférica, para que com isso sejam minimizados os problemas supostamente causados por elas.

 

O El Niño, enquanto fenômeno que tem seus efeitos notados em várias regiões do globo, é o objeto de estudo para a análise na mudança no padrão de precipitação na região Nordeste de Minas Gerais.

 

METODOLOGIA

 

A fuga no padrão de precipitação será calculada por meio do desvio padrão (S). O desvio padrão (DP) é sempre um número positivo ou 0 (zero). Quando o DP = 0, não há dispersão. Todos os valores estão concentrados no valor médio. Quanto maior for o DP, maior será a dispersão.

 

 

O Coeficiente de Variação é uma porcentagem cujo cálculo resulta da comparação entre o Desvio Padrão. Quanto maior for o CV, maior será a dispersão.

METODOLOGIA


Para fazer a análise climática da região selecionou-se localidades que permitissem a maior cobertura espacial da área e que refletissem todas as características climáticas que a região possui. Utilizou-se dados de total mensal de chuva, temperatura média, umidade relativa, velocidade e direção dos ventos e número de dias de chuva em séries de 1977 a 2000 dos municípios de Araçuaí, Diamantina, Espinosa, Itamarandiba, Janaúba, Monte Azul, Montes Claros, Pedra Azul, Salinas e Teófilo Otoni (mapa – 1) e (Tabela –1). A extensão da série de 24 anos foi escolhida por ser esta a que dava a possibilidade de trabalhar com um maior número de estações. Os dados originaram-se no Instituto Nacional de Meteorologia (INMET).
 

Tabela 1

 

LATITUDE*

LONGITUDE*

ALTITUDE*

ARAÇUAÍ

16.52

42.02

284,39

DIAMANTINA

18.15

43.36

1296.12

ESPINOSA

14.55

42.51

569.84

ITAMARANDIBA

17.51

42.51

1097.97

JANAÚBA

15.47

43.18

516.00

MONTE AZUL

15.05

42.45

603.63

MONTES CLAROS

16.43

43.52

646.29

PEDRA AZUL

16.00

41.17

648.91

SALINAS

16.09

42.17

471.37

TEÓFILO OTONI

17.51

41.31

356,38

 

 

 

 

Dados extraídos das fichas de localização das estações do INMET

 

Mapa 1

 

RESULTADOS E ANÁLISE

A condição de transição do clima da região Sudeste (entre climas quentes e climas de latitudes médias) parece estar presente na influência da OS na região em estudo. Quando em episódios extremos deste fenômeno, o Sul do Brasil enfrenta enchentes e o Nordeste passas por intensificação da seca.

Esta análise é feita depois de se observar que não há variações no volumes de chuva entre anos de El Niño e La Niña, que forte, moderado ou fraco.




Fig. 2

 

Na figura 02, pode-se notar que há uma coincidência na ocorrência de um episódio de El Niño forte com um Desvio Padrão (DV) maior, anos de 1991 e 1992. Porém, em um outro DV alto (1981) a ocorrência de El Niño não é verificada. Já quando da ocorrência de La Niñas, não se verifica fuga no DV.
 

Fig. 3


Quando se utiliza o Coeficiente de Variação (fig 3), encontra-se o mesmo resultado. Isto é, não é notada uma correlação entre esta variação e a ocorrência de episódios extremos da OS.

 

 

A análise do DV dos Municípios em separado indica, que Diamantina tem uma maior propensão maior a variação na precipitação quando em episódios extremos da OS. Isso é visto quando o DV chega a 150, 7mm (fig. 4). Esta diferença ainda é ressaltada também quando se comparam os dados dos municípios em toda a série.

Este comportamento diferenciado do Município de Diamantina poderá ser relacionado à topografia. Porém, este caso deverá ser objeto de estudos posteriores.
 


[1] Entende-se aqui por desertificação, uma seqüência de modificações regressivas do solo, da vegetação e do regime hídrico, conduzindo à deterioração biológica dos ecossistemas, como definido pela Conferência das Nações Unidas em Nairobi no ano de 1977.

[2] Zonas de alta pressão que ocorrem em torno dos pólos e das latitudes de 30º ao norte e ao sul do Equador.

[3] Descontinuidade térmica existente entre a Troposfera e a Estratosfera. A primeira camada é mais ria, quanto maior for a altitude. Já na Estratosfera, segunda camada atmosférica, a temperatura aumenta em maiores altitudes.

 


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