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X SIMPÓSIO BRASILEIRO DE GEOGRAFIA FÍSICA APLICADA

 

 

 

DADOS METEOROLÓGICOS E A INFLUÊNCIA DO EL NIÑO E LA NIÑA SOBRE O CLIMA NA CIDADE DE ITAJAÍ – SANTA CATARINA.

 

 


Gisele Debortoli;
Sergey Alex de Araújo;
Homero Haymussi;
Fabricio Estevo da Silva.
 

 


Universidade do Vale do Itajaí – UNIVALI



Palavras-chave: Dados meteorológicos, El niño, La niña
Eixo 3: Aplicação da Geografia Física à Pesquisa
Sub-eixo 3.4: Aplicações temáticas em estudos de casos

 





Atualmente, as irregularidades do sistema climático conhecidas como El Niño e La Niña representam uma mudança do sistema oceano-atmosfera no Oceano Pacífico tropical, com conseqüências no tempo e no clima em todo o globo. A interação entre a superfície dos oceanos e a baixa atmosfera adjacente a ele resulta em processos de troca de energia e umidade, determinando o comportamento do clima. O El Niño se caracteriza de forma geral na região sul com verões quentes e invernos amenos, já La Niña com verões amenos e invernos rigorosos com passagens de frentes frias rápidas e estação mais seca com tendência de diminuição da precipitação nos meses de setembro a fevereiro, principalmente na região Sul.
Segundo CAVALCANTI, I.F.A., (2003), durante os anos de 1991 a 1993, dentro do período do episódio El Niño estendido de 1990 a 1994, os sistemas que atuam sobre o Brasil tiveram comportamento anômalo. No sul do Brasil estas influências começaram em abril de 1992, quando o primeiro período de intensa precipitação ocorreu nesta região.
De acordo com o Centro de Previsão de Tempo e Estudos Climáticos do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais - CPTEC/INPE, (1998) durante os episódios de La Niña, os ventos alísios são mais intensos que a média climatológica. O indicador atmosférico que mede a diferença de pressão atmosférica à superfície, entre o Pacífico Ocidental e o Pacífico Oriental apresenta valores positivos, os quais indicam a intensificação da pressão no Pacífico Central e Oriental, em relação à pressão no Pacífico Ocidental. Em geral, o episódio começa a se desenvolver em meados de um ano, atinge sua intensidade máxima no final daquele ano e dissipa-se em meados do ano seguinte.
Em algumas regiões, como no Sul do Brasil, durante o forte evento de La Niña de 1988/89 (CPTEC/INPE, 1998), a estação chuvosa de setembro a dezembro de 1988 teve um mês de muita seca, mas os demais meses da estação teve chuva normal, ou ligeiramente acima da média.
A Universidade do Vale do Itajaí - UNIVALI situada na cidade de Itajaí, litoral centro-norte de Santa Catarina possuí uma estação meteorológica automática instalada desde 1998 e vem coletando dados meteorológicos diários de temperatura (média, máxima e mínima), chuva, vento (direção e intensidade), umidade relativa do ar e pressão atmosférica. Tem-se utilizado estes dados entre outras aplicações, para o acompanhamento dos reflexos do El Niño e La Niña na região sul considerando El Niño, com verões quentes, precipitação acima da média e invernos amenos e La Niña com verões amenos, invernos rigorosos e diminuição da precipitação (Figura 12).
A cidade de Itajaí também possui uma estação agrometeorológica convencional (Empresa de Pesquisa Agropecuária e Extensão Rural de Santa Catarina / Centro Integrado de Meteorologia e Recursos Hídricos - EPAGRI/CLIMERH) sob responsabilidade do Governo do Estado de Santa Catarina, que está distante 25 km da estação meteorológica da UNIVALI e serve como referência no comparativo entre as informações e dados meteorológicos.
Os meses de Jul/Ago/Set de 1999 apresentaram temperaturas médias de 16,8ºC, 17,5ºC e 19,1ºC sendo a média de 17,8ºC e os mesmos meses em 2000 foram de 14,4ºC, 15,5ºC e 17,5ºC com a média de 15,8ºC. A média das normais climatológicas (18 anos) para o período é de 16,4ºC. Quanto à precipitação a média para o mesmo período foi de 73,4 mm em 1999 e de 39,6 mm em 2000 enquanto a média das normais é de 121,8 mm. Estes dois anos estavam sob influência da La Niña e apresentaram inverno mais rigoroso e seco que os anos de 2001 e 2002 e também temperaturas mais amenas no verão/primavera. Os anos de 2001/2002/2003 apresentaram temperaturas médias mais altas no verão/primavera. Em 2001 a média de Jan/Fev/Mar foi de 26,4ºC, em 2002 de 25,8ºC e 2003 de 26,2ºC. A média das normais é 23,4 ºC. No inverno dos anos de 2001/2002 apresentaram temperaturas superiores às de 1999 e 2000. Consegue-se desta forma observar a influência a nível local da La Niña e El Niño.



Figura1: O Gráfico acima demonstra para os anos de 1997 e1998 um efeito de El Niño considerado forte pelas temperaturas acima das médias das normais climatológicas para os últimos dezoito anos (Figura9). Fonte:EPAGRI/CLIMERH, SC.


Figura 2: O Gráfico acima indica que no trimestre Jun/Jul/Ago 1999 e 2000 observa-se a manifestação de um trimestre mais frio que o mesmo período nos anos de 2001 e 2002, caracterizando, para o primeiro período um efeito de La Niña moderado e para o segundo um efeito de El Niño fraco e que posteriormente podem ser confirmados pelos valores de precipitação; também em 2003 observa-se uma diminuição da temperatura média anual indicando ser este um ano sob influência de La Niña.


Figura 3: O gráfico acima apresenta valores de temperatura média máxima , para os anos de 1997 e 1998 superiores aos das normais dos últimos dezoito anos (Figura9) confirmando a influência de El Niño forte. Fonte:EPAGRI/CLIMERH, SC.


Figura 4: O gráfico acima demonstra que em relação ao inverno do ano de 1999 as temperaturas mantiveram-se abaixo das de 2001 e 2002. As temperaturas do final do inverno de 2000 também se mantiveram abaixo das de 2001 e 2002. Cabe-se ressaltar que as temperaturas médias máximas de 1999 e 200, em relação as normais climatológicas dos últimos dezoito anos (Figura9), mantivera-se com valores inferiores, confirmando a tendência de La Niña.


Figura 5: O gráfico acima indica que os valores das temperaturas médias mínimas tanto para o verão quanto para o inverno dos anos de 1997 e 1998 são mais elevados em relação as normais dos últimos dezoito anos (Figura 9) reafirmando a influência do El Niño. Fonte:EPAGRI/CLIMERH, SC.


Figura 6: O Gráfico acima reafirma a influência de La Niña principalmente para o ano de 2000 com valores de temperatura média mínima inferiores aos das normais climatológicas dos últimos dezoito anos (Figura 9).


Figura 7: O Gráfico acima confirma a tendência de El Niño nos anos de 1997 e1998 devido a elevada precipitação nos meses de verão destes anos.Fonte: EPAGRI/CLIMERH, SC.


Figura 8: O Gráfico acima demonstra que os baixos valores de precipitação, principalmente no ano de 2000 e, seguindo esta tendência, também o ano de 2003 confirma a influência de La Niña.


Figura9: Normais Climatológicas dos últimos dezoito anos utilizadas para o balizamento e comparação com os dados climatológicos da estação da UNIVALI. Fonte: EPAGRI/CLIMERH, SC.


Figura 10: Normais Climatológicas dos últimos dezoito anos utilizadas para o balizamento e comparação com os dados climatológicos da estação da UNIVALI. Fonte: EPAGRI/CLIMERH, SC.

 

Nos últimos 15 anos, foram apenas três ocasiões em que o La Niña foi sucedido pelo El Niño. O episódio intenso de El Niño de 1982/83 foi seguido de um evento fraco de La Niña em 1984/85, e um El Niño menos intenso, ocorrido em 1986/87, foi seguido de um forte La Niña em 1988/89 (Figura 11), e o El Niño longo, mais fraco de 1991/94 foi seguido de em episódio fraco de La Niña em 1995/96.



Figura 11: Efeito da La Niña na precipitação da região sul do Brasil no anos de 1989. Fonte:CPTEC/INPE


Figura 12: Caracterização dos efeitos de La Niña no globo. Fonte: NCEP/NOAA-EUA

 

CONSIDERAÇÕES FINAIS

Os dados de 2003 apontam tendência de um evento de La Niña. Os gráficos de temperatura e de precipitação até o mês de junho confirmam esta tendência. Os valores de Temperatura Média do mês de Julho de 2003 apresentam 17,7 °C e até o dia 17 de Agosto com 17,3 °C, acima da média das normais dos últimos dezoito anos. Os valores das Temperaturas Médias Mínimas para o mesmo período apresentam 10,8°C e 13,5°C, respectivamente e os valores das Temperaturas Médias Máximas são de 20,6°C e 20,9°C, abaixo da média das normais dos últimos dezoito anos.
Quanto a precipitação total o mês de Julho, com 44,8 mm e o mês de Agosto, até o dia 17, com 2,4 mm confirmam a aparente tendência da influência de La Niña.
A partir do monitoramento das variáveis climatológicas da estação meteorológica automática da UNIVALI pudemos constatar os efeitos das anomalias climáticas de El Niño e La Niña em nossa região.


AGRADECIMETOS


Agradecemos a Empresa de Pesquisa Agropecuária e Extensão Rural de Santa Catarina / Centro Integrado de Meteorologia e Recursos Hídricos - EPAGRI/CLIMERH, na pessoa da Geógrafa Maria de Lourdes Mello.


REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS


CAVALCANTI, Iracema F.A; EPISÓDIOS EL NIÑO / OSCILAÇÃO SUL DURANTE A DÉCADA DE 1986 a 1996 E SUAS INFLUÊNCIAS SOBRE O BRASIL.

http://www3.cptec.inpe.br/products/climanalise/cliesp10a/nino.html acessado em 08/2003

http://www.cptec.inpe.br/enos/ acessado em 08/2003

http://www3.cptec.inpe.br/products/climanalise/cliesp10a/nino.html acessado em 08/2003