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X SIMPÓSIO BRASILEIRO DE GEOGRAFIA FÍSICA APLICADA

 

 

 

CONSEQÜÊNCIAS DE UMA OCUPAÇÃO INTENSA PARA O AMBIENTE LAGUNAR DE JACAREPAGUÁ: O CASO DAS LAGOAS DE JACAREPAGUÁ, CAMORIM E TIJUCA.



Leonardo Correa Pimenta leonardopimenta@yahoo.com.br
Dr. Jorge Soares Marques jorgesm@uol.com.br




UERJ - Universidade do Estado do Rio de Janeiro




Palavras Chaves: Lagoas Costeiras – Degradação Ambiental – Qualidade de Vida

Eixo 3: Aplicação da Geografia Física à Pesquisa
Sub-eixo 3.4: Aplicações temáticas em estudos de casos





 

Introdução

Os ambientes costeiros estão localizados na interface entre o continente e o oceano. Por ser uma área de transição, esses ambientes sofrem influências de processos marinhos e continentais, tornando-se lugares dotados de ricas especificidades físicas e biológicas. Nas regiões Sul e Sudeste do Brasil, a proximidade entre o mar e as montanhas amplia ainda mais a dinâmica e a sensibilidade destes espaços.
Há pouco mais de cinco séculos, os ambientes costeiros brasileiros vêm sofrendo profundas transformações, e seus espaços naturais estão sendo compulsoriamente reduzidos para ceder lugar ao meio urbano. Esta influência humana pode e está alterando os ambientes costeiros, através da organização, estruturação e da reestruturação do espaço.
Para MORIN (1998 apud COELHO, 2001, p. 23)
a sociedade transforma o ecossistema natural, criando, com a civilização, um meio urbano, ou melhor, um ecossistema urbano no ambiente natural. Sendo este, uma totalidade de relações e de interações no seio de uma unidade tão localizável como um nicho: o aglomerado urbano.

Ressalta-se que o Rio de Janeiro é um dos estados brasileiros que mais possui lagoas em seu território, “ocorriam originalmente mais de 300, incluindo desde pequeno e efêmeros brejos, secos durante parte do ano, até grandes lagoas, como a Feia com seus 300 Km2 de superfície” (AMADOR, 1997, p. 167). Muitas destas lagoas já desapareceram, parciais ou totalmente, ou tiveram seu processo de colmatagem acelerado devido ao aumento na chegada e deposição de sedimentos, e também, por aterros e pela poluição que ampliam o volume de matéria orgânica em seu interior.
O Município do Rio de Janeiro,
desde a sua implantação, na colina, a cidade circundada pelo brejo, pelo mar e pela montanha estabeleceu uma espécie de luta que se tornou uma constante na conquista do espaço urbano. Em etapas sucessivas e muitas vezes simultâneas, a cidade do Rio aumentou seu espaço urbano conquistando a planície, as colinas e os vales, avançando sobre brejos, os mangues e também montanhas, e fazendo recuar a linha do litoral (IPEA, 2000, p. 16).
Existiam nesta cidade dezenas de lagoas costeiras distribuídas por todo seu território muitas, foram aterradas para dar lugar à expansão urbana carioca.
Atualmente restam poucas lagoas na cidade do Rio de Janeiro, as maiores são: Rodrigo de Freitas, Taxas (Tachas ou Lagoinha), Marapendi, Jacarepaguá, Camorim e Tijuca. Estas três últimas são objetos deste estudo, e juntas participam de um amplo conjunto lagunar que, inclui também a lagoa de Marapendi, que vêm sofrendo uma intensa agressão ao seu ecossistema natural.
O objetivo geral deste trabalho é fazer uma análise das condições ambientais do ecossistema costeiro da Baixada de Jacarepaguá, especialmente, da área que foi delimitada para nosso estudo, o entorno das lagoas de Jacarepaguá, Camorim e Tijuca, destacando a problemática e a degradação ambiental por qual este ambiente está passando, evidenciando sobretudo, as transformações ocorridas no entorno deste conjunto lagunar. Busca, também, promover possíveis subsídios ao entendimento das implicações inerentes à gestão das lagoas costeiras e dos ambientes litorâneos em vias de urbanização.
Está presente no objetivo, fazer uma avaliação da forma com que as lagoas de Jacarepaguá, Camorim e Tijuca estão sendo incorporadas à cidade do Rio de Janeiro, pelos processos de urbanização, definindo o tipo de ocupação e o uso do solo nos terrenos que compõem as margens desse conjunto lagunar, mostrando seus impactos para as lagoas e para o ambiente, e tendo a preocupação em contribuir para melhor definir a aplicação de controles que venham a permitir uma melhor qualidade de vida e ambiental.


Localização da Área de Estudo

A Baixada de Jacarepaguá é um ambiente costeiro, uma planície litorânea situada na zona oeste da cidade do Rio de Janeiro, e está limitada a oeste pelo maciço da Pedra Branca, a leste pelo maciço da Tijuca e ao sul pelo Oceano Atlântico.
É neste conjunto litorâneo que estão inseridas algumas das principais lagoas costeiras carioca, são elas: Marapendi, Lagoinha (ou Taxas), Jacarepaguá, Camorim e Tijuca.
 

Figura 01 – Mapa de Localização. Em destaque (numerado) o conjunto lagunar de Jacarepaguá, cujas lagoas são: 1 - Lagoa de Jacarepaguá; 2 - Lagoa de Camorim; 3 - Lagoa da Tijuca. O número 4 mostra o canal da Joatinga (ou canal da Barra).

 

CARACTERÍSTICAS FÍSICAS DAS LAGOAS

O conjunto lagunar de Jacarepaguá possui uma área de, aproximadamente, 8,5 km2 com um volume de água de pouco mais de 2,38x107 m3 (AMORIM, 2001). A água possui uma tonalidade naturalmente escura, e a salinidade no conjunto diminui à medida que suas águas estão mais afastadas do mar. As lagoas estão dispostas, no sentido oeste–leste, da seguinte forma: lagoa de Jacarepaguá, Camorim e Tijuca, e o canal da Barra.
A lagoa de Jacarepaguá é a lagoa mais interiorizada do conjunto, e possui uma área de 4,04 km2. Esta lagoa é relativamente rasa com uma profundidade média de 3,32m, possuindo uma forte vinculação com o continente, pois, recebe aportes fluviais significativos.
A lagoa de Camorim é a menor lagoa do conjunto com 0,43 km2. Esta lagoa “comporta-se como um canal de ligação entre as lagoas da Tijuca, a leste e de Jacarepaguá, a oeste. Este sistema hidrográfico possui duas ligações com o mar: uma principal na lagoa da Tijuca, por onde realmente se dá a entrada da água do mar através do canal da Joatinga, e outra, muito assoreada, na Lagoa de Jacarepaguá, o canal da Sernambetiba” (ZEE et al, 1992 apud AMORIM, 2000).
A lagoa da Tijuca é a maior lagoa deste conjunto com 4,72 Km2, é também, aquela cujas margens foram mais antropomorfizada. Esta lagoa possui maior vinculação com o mar, mas também, sofre influências do continente através dos rios que deságuam em seu interior.

GÊNESE DO CONJUNTO LAGUNAR DE JACAREPAGUÁ

“As oscilações do nível marinho acarretam perturbações no perfil de equilíbrio da zona litoral. A tendência natural e o retorno ao estado de equilíbrio, através da migração desse perfil ao longo da plataforma” (MAIA et al, 1984). Durante o Quaternário, ocorreram diversas variações no nível do mar que mobilizaram sedimentos da plataforma para o continente, formando os cordões arenosos litorâneos.
A origem do conjunto lagunar relaciona-se ao período de variação do nível do mar no Holoceno, ou seja, os movimentos de transgressão marinha transformaram a baixada em uma grande enseada, onde o nível da água estava acima do nível atual. As margens desta enseada, formou-se, por ação das ondas, duas correntes, uma litorânea e outra circular, que começaram a depositar sedimentos dando origem a uma pequena restinga. E esta, gradualmente, foi se estendendo transformando a antiga enseada numa grande lagoa (PIMENTA, 2002a).
SUGUIO & TESSLER (1984) apontam que as baixadas costeiras sedimentares são resultantes da ação conjunta dos “seguintes fatores: fontes de areia, correntes de deriva litorânea, variação do nível relativo do mar e armadilhas de retenção de sedimentos”.

AS CARACTERÍSTICAS FÍSICAS DOS TERRENOS MARGINAIS DO CONJUNTO LAGUNAR

As lagoas de Jacarepaguá, Camorim e Tijuca estão situadas sobre uma planície paludial sedimentar recente (Quaternário), que tem uma suave declividade e, onde pode-se encontrar diferentes tipos de terrenos no conjunto da área, como: areais, mangues, turfeiras e os depósitos vasas orgânicas.
As areias residuais e de fundo de enseada estão localizadas nas porções sul e norte das lagoas, e formam o corpo sedimentar mais espalhado da área, sendo composto, principalmente, por areias residuais e biodedríticas.
Os mangues estão situados na parte oriental da lagoa da Tijuca. “São depósitos com grande quantidade de matéria orgânica, resto de animais e vegetais. Ocupam faixas estreitas e alongadas... em áreas onde a salinidade é mais elevada” (MAIA et al, 1984).
As turfas localizam-se nas porções oeste, centro e nordeste, ocupando as áreas baixas da planície paludial. As turfas originam-se da colmatação das lagoas por matéria orgânica de origem vegetal, a partir de plantas que crescem nos locais de baixa salinidade.
As vasas orgânicas são compostos de matéria orgânica coloidal formada a partir da decomposição vegetal em solos úmidos e pouco salinos, representam o estágio inicial de formação das turfas. Estes depósitos estão localizados nos fundos e nas margens das lagoas.

HISTÓRICO DA ÁREA

No início do século passado, a Baixada de Jacarepaguá era uma área de vazio demográfico desconhecida de muitos cariocas. Os poucos que a conheciam consideravam aquela região uma “maravilhosa terra um sertão como a Amazonia (sic)... embora menos bravio” (Palma, 1932 op. cit GONÇALVES, 1999). Um outro mundo até então inóspito e inculto onde o Homem convivia com a natureza de forma a causar baixos impactos ao ambiente. Prevalecia nesta região uma exuberante vegetação, que era composta pela floresta ombrófila densa, ombrófila mista e a vegetação de restinga.
A fauna que em outros lugares era rara ou extinta no Rio de Janeiro, nas proximidades das lagoas era abundante, existiam animais como “onças, entre elas a sussuarana e a jaguatirica, e capivaras, estranhos símios entre os quais o guariba... animais exóticos como o jacaré e vistosas aves aquáticas nos alagados, nas lagoas e nos campos extensos da Sernambetiba” (Palma, 1932 op. cit GONÇALVES, 1999).

EXPANSÃO URBANA PARA O OESTE

No início do século passado, a cidade do Rio de Janeiro apresentava um crescimento populacional bastante heterogêneo. Em seu núcleo central (ou freguesias urbanas) residiam a maioria da população e nas periferias (ou freguesias rurais), o quadro populacional era antagônico.
A Cidade do Rio de Janeiro, em fins da década de 60, já contava com uma população com um pouco mais de 4,2 milhões de habitantes, e tinha como projeção para o ano de 2000 uma população de 9,4 milhões de habitantes (RIO DE JANEIRO, 1977). Atualmente a população da Baixada de Jacarepaguá é de, aproximadamente, 700 mil pessoas, cerca de 11,6% da população total da cidade. Em 1970, o Censo IBGE, quantificava para a Baixada 241.017 habitantes ou, 5,6% da população carioca.
O Governo do, então, Estado da Guanabara, visando incentivar medidas que racionalizassem a ocupação do espaço e disciplinassem o uso do solo urbano, desestimulou o adensamento de áreas tradicionais de ocupação da cidade, e criou melhorias e infra-estruturas de acesso que facilitaram a ocupação do oeste carioca, quebrando o isolamento desta região com o restante da cidade.
A construção de novas vias de acesso permitiram um aumento do fluxo populacional para a região da Baixada de Jacarepaguá dando a esta um caráter radial. A Baixada de Jacarepaguá que antes era um vazio demográfico ideal para piqueniques em praias desertas e de sítios para passar o final de semana, passou a receber uma gama maior de freqüentadores, que deram início a um processo mais acentuado de ocupação do espaço (GONÇALVES, 1999).

APROPRIAÇÃO E USO DO SOLO

A análise do Mapa de Uso do Solo de 1972 (Figura 02), indica uma grande área de vazio demográfico do entorno do conjunto lagunar de Jacarepaguá. Além disto, pode-se perceber também a diversidade de ambientes naturais.
 

Figura 02 – Mapa de Uso do Solo de 1972, mostrando de que forma o solo era ocupado nesta época.

 

Atualmente, as margens do conjunto lagunar apresentam mudanças significativas em relação àquela época. Isto pode ser percebido no Mapa de Uso do Solo de 2000 (Figura 03).

 

Figura 03 – Mapa de Uso do Solo de 2000, mostrando a ocupação atual do solo das margens das lagoas de Jacarepaguá, Camorim e Tijuca.

 

A comparação entre o Mapa de Uso do Solo de 1972 e o Mapa de Uso do Solo de 2000, mostra como o espaço marginal das lagoas está, progressivamente, sendo incorporado pelo urbano. MARQUES et al. (2001) indicam que a apropriação deste espaço se deu através de inúmeros “tipos de ocupação, entre eles: autódromo, aeroporto, centro de convenções, parques temáticos, shoppings, condomínios de luxo, espigões, conjunto habitacionais, favelas e áreas de reserva ecológicas. Cada um deles produzindo alterações ambientais...” (p. 221).

PIMENTA (2002b) aponta que as lagoas e suas margens são os lugares que mais sentem a degradação ambiental, pois, a urbanização alterou diversas formas naturais, em detrimento dos espaços urbanos. As lagoas tiveram suas margens várias vezes redefinidas em função de aterros, retirada de areias, incorporação ou surgimento de ilhas.

A partir da análise do Mapa de Uso do Solo de 2000, pode-se perceber, contrastes na estrutura de ocupação do entorno lagunar. Entre estes, destacam-se que:

 

·        na margem sul, tem-se a ocupação do solo mais organizada de todo o conjunto, onde prevalecem os grandes condomínios, cujas ruas destes, possuem um formato (desenhos) de “ondas”, aparentando obedecer a uma certa organização, apesar de serem vários condomínios distintos;

·        na margem norte, uma ocupação mista, diversificada e, aparentemente, não planejada (desorganizada), onde prevalecem as favelas e os edifícios para as classes média e média baixa;

·        na margem leste, uma ocupação mista composta por edifícios e habitações unifamiliares de alto luxo, que algumas vezes, chegaram a ultrapassar o espelho d’água das lagoas, através de aterros, para a construção das mesmas;

·       na margem oeste, uma ocupação mais rarefeita tendo como grande expressão desta margem o Rio Centro. É ainda uma área com relativa quantidade de áreas desocupadas, e por onde a cidade prossegue a marcha pelo seu crescimento.

 

Esta apropriação das margens associada à incorporação desta área à malha urbana carioca, vem fazendo todo o conjunto lagunar sentir a influência do processo ocupacional que a região apresenta. Os aterros e os desmatamentos, concatenados ao despejo de dejetos, rejeitos industriais, lixo e o aporte de água doce do esgotamento sanitário que vem se ampliando ao longo das últimas décadas, está acarretando problemas como assoreamento, mortandade de peixes, mudança na tonalidade da água, mau cheiro, “explosão” de algas, enchentes entre outras coisas.
Ressalta-se que as margens são os ambientes mais sensíveis de todo o conjunto, pois, estão suscetíveis aos processos lagunares e continental, e deveriam merecer uma atenção especial, tipo, um tratamento preventivo contra sua deterioração, ocupação e até mesmo poluição.

 

Figura 04 – Mapa Esquemático da Margem do Conjunto Lagunar de Jacarepaguá. Fonte: PIMENTA, 2002b.

 

Pelo Mapa Esquemático da Margem do Conjunto Lagunar (Figura 04), pode-se perceber, o estágio evolutivo das ocupações urbanas próximas às lagoas. Destaca-se que em cada área não ocupada, cada espaço vazio deste entorno, representa um terreno em potencial para ser consumido pelos empreendimentos urbanos. A destruição da margem natural vai acabando com os últimos espaços que serviam como “filtro” para as lagoas.
Esta faixa marginal ao conjunto lagunar é o ponto de maior pressão (urbana) para as lagoas. A expansão delas implica em uma total perda da visão das lagoas por parte de quem está a montante desta margem. Além disto, os fixos urbanos erguidos nestes pontos, em sua grande maioria, implicam em aterros e construções de bordas elevadas nas margens, que alteram a variação, expansão horizontal, do espelho d’água lagunar. Na prática, a água nas épocas de cheias, atingem apenas posições mais elevadas, nas amuradas (bordas).

Considerações Finais

Este trabalho visou estudar um dos diversos ecossistemas lagunares existentes no litoral brasileiro, podendo servir como modelo para a comparação com outras áreas que possuam características e estejam passando por processos verossímeis de urbanização. O estudo de uma unidade pode ser útil, como um marco comparativo com outras unidades ambientais semelhantes.
Quanto à Baixada de Jacarepaguá, apontamos para a antropização que não seguiu a risca um planejamento regional (ou mesmo, o Plano Lúcio Costa), de forma a tentar conciliar o desenvolvimento urbano da Barra da Tijuca e de Jacarepaguá, com o equilíbrio perante as amenidades naturais existentes, ou que existiam, na região. Em realidade, o que antes atraía em breve pode passar a repelir, principalmente, se as condições de poluição e de uso do espaço, mantiverem-se a degradar o meio ambiente natural local.
As antigas paisagens naturais da região foram e estão sendo alteradas rapidamente, através de impactos ambientais negativos, acarretados pela expansão do tecido urbano carioca. A partir da década de 70, principalmente, iniciou-se um processo de ocupação antrópico intenso, que foi e está sendo predatório para o espaço natural existente. O Homem vem modificando o ambiente para sua inserção e fixação, alterando-o e criando uma nova paisagem, a paisagem urbana.
Uma característica marcante da área do entorno lagunar, é o uso do solo e sua distribuição, ou seja, sob os terrenos menos favoráveis à ocupação (turfas) foram instalados, principalmente, os grandes empreendimentos (como Rio Centro) e, também, as populações de menor poder aquisitivo. Estes, não possuindo capacidade de melhorar as condições do terreno, se instalaram de forma precária sobre esse, culminando nas favelas (por exemplo: Rio das Pedras). Já sob os terrenos mais secos (arenosos), mais favoráveis à ocupação, instalaram-se os grandes condomínios.
Destacamos que as lagoas de Jacarepaguá, Camorim e Tijuca, por estarem num ambiente deprimido e por possuírem um canal de renovação de suas águas muito estreito, a taxa de renovação hídrica é muito lenta. Isto faz com que os dejetos, resíduos e sedimentos mais pesados decantem, ou seja, o conjunto lagunar de Jacarepaguá está se tornando, e em parte já é, uma (grande) lagoa de estabilização.
Acreditamos que um dos mais graves problemas para a Baixada e para o conjunto lagunar, seja a falta de uma rede coletora de esgoto sanitário. O volume de esgoto despejado nos rios da região e no conjunto lagunar é muito grande, e cada vez mais está se ampliando devido ao intenso crescimento populacional desta região.
Projeta-se o saneamento e a construção de um emissário submarino como solução para o problema existente. Deixa-se chegar ao estado crítico para intervir, criar soluções e ter que fazer grandes investimentos. Este caminho poderá no futuro ser o mesmo para as inúmeras lagoas nas áreas costeiras brasileiras.

REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS

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